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Journal of Human Growth and Development

Print version ISSN 0104-1282On-line version ISSN 2175-3598

J. Hum. Growth Dev. vol.34 no.1 Santo André Jan. 2024  Epub Jan 20, 2025

https://doi.org/10.36311/jhgd.v34.15781 

ARTIGO ORIGINAL

Mortalidade por acidente vascular cerebral no Estado de Pernambuco, Brasil: um estudo ecológico

Ana Carolina Netto Djaló, All authors contributed to the manuscripta 
http://orcid.org/0000-0002-3352-9192

Orivaldo Florencio de Souza, All authors contributed to the manuscriptb 
http://orcid.org/0000-0002-3148-6870

Helder Maud, All authors contributed to the manuscriptc 
http://orcid.org/0000-0001-9694-2593

Matheus Paiva Emidio Cavalcanti, All authors contributed to the manuscriptd 
http://orcid.org/0000-0001-5264-8181

Gabrielle do Amaral Virginio Pereira, All authors contributed to the manuscriptd 
http://orcid.org/0000-0002-5069-0762

Marcelo Ferraz Campos, All authors contributed to the manuscripte 
http://orcid.org/0000-0002-6939-8390

José Luiz Figueiredo, All authors contributed to the manuscripta 
http://orcid.org/0000-0003-0915-7947

aPrograma de Pós-Graduação em Cirurgia – Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal de Pernambuco- - CCM/UFPE;Brasil

bPrograma de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, Brasil e Professor Associado da Universidade Federal do Acre, Rio Branco, Acre, Brasil;

cDepartamento de Ciências Fisiológicas, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, Brasil;

dPrograma de Pós-graduação em Ciências Médicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil;

ePrograma de Pós-graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local. EMESCAM, Vitoria, ES, Brasil.


Síntese dos autores

Por que este estudo foi feito?

O estudo visa fornecer informações sobre a epidemiologia do AVC na região de Pernambuco, identificar possíveis mudanças temporais nas taxas de mortalidade e subsidiar o desenvolvimento de políticas e programas de saúde direcionados para a prevenção e controle dessa condição grave..

O que os pesquisadores fizeram e encontraram?

Foi conduzido um estudo ecológico de séries temporais utilizando dados do DATASUS, abrangendo o período de 2000 a 2021, para analisar a mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) em Pernambuco. Foi calculado o coeficiente de mortalidade e a mortalidade proporcional por AVC, estratificando por sexo e faixa etária, e utilizaram modelos de regressão Joinpoint para identificar tendências temporais. Foi descoberto um aumento progressivo nos óbitos por AVC a partir de 2018, disparidades entre os sexos na mortalidade proporcional, e variações na mortalidade por faixa etária, fornecendo informações cruciais para políticas de saúde direcionadas à prevenção e controle do AVC na região.

O que essas descobertas significam?

As descobertas indicam uma preocupante tendência de aumento progressivo nos óbitos por AVC em Pernambuco a partir de 2018, ressaltando a necessidade urgente de intervenções e políticas de saúde pública voltadas para a prevenção e tratamento desta condição. Além disso, as variações na mortalidade por faixa etária destacam a necessidade de estratégias preventivas adaptadas a diferentes faixas etárias para mitigar o impacto do AVC na população de Pernambuco.

Palavras-Chave: acidente vascular cerebral; mortalidade; epidemiologia

Resumo

Introdução

o Acidente Vascular Cerebral a segunda principal causa de morte global, caracterizado por eventos cerebrovasculares devido a disfunções na irrigação sanguínea cerebral. Pode ser isquêmico ou hemorrágico e apresenta altos índices de morbimortalidade. No Brasil, é a principal causa de morte, incapacitando muitos acima dos 50 anos e levando a cerca de 40% das aposentadorias precoces. Apesar dos avanços no tratamento inicial, as taxas de mortalidade permanecem altas, indicando falhas nas estratégias de prevenção e tratamento. Desta forma, a Organização Mundial de Saúde enfatiza a necessidade de implementação imediata de medidas preventivas e de tratamento para essa condição.

Objetivo

avaliar a tendência do coeficiente de mortalidade e da mortalidade proporcional de Acidente Vascular Cerebral na população de Pernambuco, no período de 2000 a 2021.

Método

trata-se de um estudo ecológico de séries temporais com dados da população do estado de Pernambuco, localizado na região nordeste do Brasil, no período de 2000 a 2021. Os critérios de eligibilidade foram os óbitos com causa básica o Acidente Vascular Cerebral ocorridos no estado de Pernambuco. As informações sobre mortalidade, estimativa populacional e número de óbitos por sexo e faixa etária foram extraídos do banco de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Para a análise estatística, foi calculado o coeficiente de mortalidade, mortalidade proporcional, média, desvio padrão, assimetria e curtose. A tendência temporal foi avaliada por regressão Jointpoint.

Resultados

entre 2000 a 2021, ocorreram 39.410 óbitos. Cerca de 49,0% eram do sexo masculino e 51,0% do sexo feminino. O sexo feminino apresentou uma média de 913,45 no número de óbitos, sendo quantitativamente maior do que o a média identificada para o sexo masculino de 877,04 óbitos. Os anos com maior quantidade de óbitos foram 2006, 2007 e 2008, enquanto 2018 teve o menor registro. Houve um aumento progressivo do número de óbitos de 2018 a 2021. Foi apresentado um declínio na variação percentual média anual do coeficiente de mortalidade em todos os grupos estudados, além de uma queda na média percentual anual da mortalidade proporcional em toda a população. Em todo o período, houve declínio na média percentual anual da mortalidade proporcional para o Acidente Vascular Cerebral em toda a população estudada.

Conclusão

no período de 2000 até 2021 houve maior número de óbitos em mulheres em contraste aos homens na população do Pernambuco, Brasil. Ademais, houve tendência de declínio no Acidente Vascular Cerebral tanto no coeficiente de mortalidade como na mortalidade proporcional. No período de 2018 até 2021 houve aumento progressivo no coeficiente de mortalidade e mortalidade proporcional do Acidente Vascular Cerebral.

Palavras-Chave: acidente vascular cerebral; mortalidade; epidemiologia

Highlights

Há uma tendência de aumento progressivo nos óbitos por AVC em Pernambuco a partir de 2018.

Disparidades entre os sexos foram observadas, com o sexo feminino mostrando maior mortalidade proporcional ao longo do período estudado.

A análise por faixa etária revelou um declínio significativo na mortalidade por AVC em faixas etárias acima de 30 anos.

Palavras-Chave: acidente vascular cerebral; mortalidade; epidemiologia

Authors summary

Why was this study done?

The study aims to provide information on the epidemiology of stroke in the Pernambuco region, identify possible temporal changes in mortality rates and support the development of health policies and programs aimed at preventing and controlling this serious condition.

What did the researchers do and find?

An ecological time series study was conducted using data from DATASUS, covering the period from 2000 to 2021, to analyze mortality from cerebrovascular accident (CVA) in Pernambuco. The mortality rate and proportional mortality due to stroke were calculated, stratifying by sex and age group, and Joinpoint regression models were used to identify temporal trends. A progressive increase in stroke deaths from 2018, disparities between the sexes in proportional mortality, and variations in mortality by age group were discovered, providing crucial information for health policies aimed at preventing and controlling stroke in the region.

What do these findings mean?

The findings indicate a worrying trend of progressive increase in stroke deaths in Pernambuco from 2018 onwards, highlighting the urgent need for public health interventions and policies aimed at preventing and treating this condition. Furthermore, variations in mortality by age group highlight the need for preventive strategies adapted to different age groups to mitigate the impact of stroke on the population of Pernambuco.

Key words: stroke; mortality; epidemiology

Abstract

Introduction

cerebrovascular accident (CVA) is the second leading cause of death globally, characterized by cerebrovascular events due to dysfunctions in the cerebral blood supply. It can be ischemic or hemorrhagic and has high morbidity and mortality rates. In Brazil, it is the main cause of death, disabling many over 50 years of age and leading to around 40% of early retirements. Despite advances in initial treatment, mortality rates remain high, indicating flaws in prevention and treatment strategies. Therefore, the World Health Organization (WHO) emphasizes the need for immediate implementation of preventive and treatment measures for this condition.

Objective

to evaluate the trend in the mortality coefficient and proportional mortality from stroke in the population of Pernambuco, from 2000 to 2021.

Methods

This is an ecological time series study with data from the population of the state of Pernambuco, located in northeast region of Brazil, from 2000 to 2021. The eligibility criteria were deaths with a stroke occurring in the state of Pernambuco. Information on mortality, population estimates and number of deaths by sex and age group were extracted from the database of the Department of Informatics of the Unified Health System (DATASUS). For statistical analysis, it was calculated the mortality coefficient, proportional mortality, mean, standard deviation, skewness and kurtosis. The temporal trend of stroke was assessed by jointpoint regression.

Results

Between 2000 and 2021, there were 39,410 deaths from stroke. Around 49.0% were male and 51.0% female. The female sex had an average of 913.45 in the number of deaths, being quantitatively higher than the average identified for the male sex of 877.04 deaths. The years with the highest number of deaths were 2006, 2007 and 2008, while 2018 had the lowest number. There was a progressive increase in the number of deaths from stroke from 2018 to 2021. There was a decline in the average annual percentage variation in the mortality rate for stroke in all groups studied, in addition to a drop in the average annual percentage of proportional mortality for stroke in the entire population. Throughout the period, there was a decline in the average annual percentage of proportional mortality from stroke in the entire population studied.

Conclusion

In the period from 2000 to 2021 there was a greater number of deaths due to stroke in women in contrast to men in the population of Pernambuco, Brazil. Furthermore, there was a downward trend in stroke rates in both the mortality rate and proportional mortality. In the period from 2018 to 2021 there was a progressive increase in the mortality rate and proportional mortality from stroke.

Key words: stroke; mortality; epidemiology

Highlights

There is a trend of progressive increase in stroke deaths in Pernambuco from 2018 onwards.

Disparities between the sexes were observed, with females showing higher proportional mortality throughout the studied period.

Analysis by age group revealed a significant decline in stroke mortality in age groups over 30 years.

Key words: stroke; mortality; epidemiology

INTRODUÇÃO

O AVC (Acidente Vascular Cerebral) é uma preocupação de saúde no Brasil e no mundo. O AVC é uma condição grave que pode resultar em danos cerebrais permanentes ou até mesmo em morte se não for tratado rapidamente, sendo que é doença que cursa como causas de morbidade e mortalidade.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), é caracterizado por um conjunto de eventos cerebrovasculares, que ocorrem devido a uma disfunção presente na irrigação sanguínea cerebral. Pode ser classificado como isquêmico ou hemorrágico, apresentando altos índices de morbimortalidade1,2.

O primeiro, ocorre pelo bloqueio permanente ou transitório dos vasos sanguíneos que suprem o cérebro, podendo ser intracraniana ou extracraniana3, além de ser significativamente mais comum do que o hemorrágico, representando cerca de 87% de todos os casos4. Em contraste, o AVC hemorrágico, é definido como a uma ruptura de uma artéria cerebral, muitas vezes já acometida por aneurismas e malformações arteriovenosas5.

O AVC é a segunda principal causa de morte global6 e ocupa a terceira posição de condição incapacitante no mundo7. Anualmente, ocorrem 17 milhões de casos de AVC em todo o mundo. Dentre esses, 6,5 milhões resultam em óbito, enquanto os demais contribuem para a elevação da prevalência da doença8,9.

No Brasil, o AVC é a doença com maior prevalência de óbitos10, a maior causa de incapacitação da população na faixa etária superior a 50 anos, bem como é responsável por cerca de 40% das aposentadorias precoces11. Além disso, destaca-se um rápido aumento em sua incidência7. De acordo com a Organização Mundial de saúde, essa tendência persistirá até 2060, representando 12,8% das mortes no Brasil12.

Entre os diversos fatores de risco para o desenvolvimento de AVC, destaca-se a hipertensão arterial, tabagismo, diabetes mellitus, hiperlipidemia, consumo de substâncias tóxicas, padrões alimentares inadequados e falta de atividade física13.

As consequências do AVC variam de acordo com as artérias afetadas. Entre as manifestações mais comuns estão alterações na força e/ou sensibilidade em um ou ambos os lados do corpo, dificuldades na fala, paralisia facial, problemas de visão, tonturas, comprometimento da memória, dores de cabeça súbitas e incomuns, dificuldade de equilíbrio, distúrbios da consciência e confusão14, limitações funcionais15 e diminuição da capacidade cardiorrespiratória16.

Apesar dos avanços no tratamento inicial do AVC, as taxas de mortalidade permanecem elevadas17,18, o que sugere que as estratégias atuais de prevenção primária para AVC e doenças cardiovasculares não estão sendo implementadas de maneira abrangente ou não são adequadamente eficazes19,20. Diante desse cenário, a Organização Mundial de Saúde (OMS) enfatiza a necessidade de implementação imediata de medidas preventivas e de tratamento para essa condição21.

Neste contexto, destaca-se a necessidade de uma maior compreensão acerca a mortalidade decorrente do AVC, a fim de contribuir significativamente para o aprimoramento das estratégias de prevenção, diagnóstico, tratamento e o desenvolvimento de ações em saúde pública. O desafio da detecção do aumento ou redução nas taxas de mortalidade por AVC e a estimativa de um valor é característico de análise de tendência em séries temporais. Os modelos de regressão de séries temporais fornecem estimativas dos parâmetros populacionais que podem ser utilizadas para compreender o estado atual da população e projetar diversas decisões de gestão populacional22.

A regressão Joinpoint pode ser utilizada para estimar com precisão as mudanças nas taxas de mortalidade por determinada condição, a fim de identificar e avaliar quando ocorre mudanças nos parâmetros populacionais22.

Foi empregado para avaliar variações nas taxas de mortalidade de condutores após a implementação de leis de trânsito23, para examinar tendências na incidência de câncer em países como Canadá, Reino Unido, Japão e Itália, entre outros24-27, investigar alterações na taxa de suicídio na Dinamarca28, para analisar a incidência de sífilis e gonorreia29, entre outros.

Desta forma, ressalta-se que a identificação de padrões epidemiológicos específicos e disparidades regionais permite uma abordagem personalizada e eficaz, capaz de fornecer informações essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas e programas de saúde direcionados, podendo contribuir para a redução das taxas de mortalidade por AVC.

Assim, o objetivo é avaliar a tendência do coeficiente de mortalidade e da mortalidade proporcional do acidente vascular cerebral na população de Pernambuco, no período de 2000 a 2021.

MÉTODO

Tipo do estudo

Trata-se de um estudo ecológico de séries temporais com dados da população do estado de Pernambuco, Brasil e no período de 2000 a 2021.

População estudada e fonte dos dados

As informações do número de óbitos e dados demográficos da população residente foram obtidos para o estado do Pernambuco, localizado na Região Nordeste brasileira, com densidade demográfica de 92,37 habitantes/km2, e Índice de Desenvolvimento Humano de 0,719. Todas as informações sobre mortalidade e estimativa populacional para o estado do Pernambuco foram extraídos do banco de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde - DATASUS (https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/). O DATASUS é o departamento de informática do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil responsável por coletar, processar e disseminar informações sobre saúde.

O número de óbitos por sexo e grupo etário no período de 2000 até 2021 foram extraídos pela aba Estatísticas Vitais e Mortalidade desde 1996 pela CID-10 no site DATASUS (https://datasus.saude.gov.br/mortalidade-desde-1996-pela-cid-10). No Brasil, as declarações de óbitos são emitidas por profissionais de saúde e cadastradas no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde do Brasil. Posteriormente, as informações das declarações de óbitos foram transladadas ao DATASUS.

A informações sobre a estimativa populacional foram extraídas no site do DATASUS (https://datasus.saude.gov.br/populacao-residente) nas sequências das abas: Demográficos e Socioeconômicos, População Residente e Estudo de Estimativas populacionais por município, sexo e idade - 2000-2021 Essas informações foram extraídas para o grupo total e por sexo e faixa etária para o período de 2000 até 2021.

Os critérios de eligibilidade foram os óbitos com causa básica o Acidente Vascular Cerebral ocorridos no estado de Pernambuco. As exclusões foram os dados catalogados como ignorados para sexo e faixa etária. As extrações dos dados foram realizadas por pesquisadores treinados. As possíveis discrepâncias na extração de dados entre os pesquisadores foram corrigidas por consenso mediante extrações repetidas.

Variável de estudo

A variável de estudo foi o óbito com a causa básica Acidente Vascular Cerebral (não especificado como hemorrágico ou isquêmico) ocorrido no estado de Pernambuco. A variável Acidente Vascular Cerebral foi extraída para toda a população e estratificada por sexo (masculino e feminino) e faixa etária (0 a 29 anos, 30 a 39 anos; 40 a 49 anos; 50 a 59 anos; 60 a 69 anos; 70 a 79 anos). anos; 80 anos ou mais) para anos civis entre 2000 e 2021. Na Classificação Internacional de Doenças versão 10, o acidente vascular cerebral é codificado como I6430.

Neste estudo adotou-se a definição de acidente vascular cerebral apresentada pela American Heart Association/American Stroke Association31, sendo: episódio de disfunção neurológica aguda, presumivelmente causado por isquemia ou hemorragia, persistindo 24 horas ou maior tempo ou até a morte, mas sem evidência suficiente para ser classificado como isquemia ou hemorragia.

Análise dos dados

As informações sobre número de óbitos por acidente vascular cerebral, óbitos por todas as causas e população, com estratificação por sexo e faixa etária, foram extraídas por meio do sistema de transferência de arquivos do banco de dados DATASUS para arquivo no formato de valores separados por vírgula (CSV).

Para cada ano entre 2000 e 2019, o coeficiente de mortalidade por 100.000 habitantes e a mortalidade proporcional por AVC foram calculados com auxílio de rotina elaborada na planilha eletrônica Microsoft Office Excel. Posteriormente, no programa Stata 17 foram calculadas a média, desvio padrão, assimetria e curtose do número total de óbitos para o grupo total e por sexo.

Para o cálculo do coeficiente de mortalidade foi dividiu-se o número de óbitos por AVC pela população total ou estratificado por sexo e faixa etária e o produto da divisão foi multiplicado por 100 mil habitantes. A mortalidade proporcional foi calculada dividindo-se o número de mortes por AVC pelo número de óbitos por todas as causas para população total e estratificado por sexo e faixa etária e o produto da divisão foi multiplicado por 100.

Modelo de regressão Joinpoint

A tendência temporal do AVC foi avaliada por regressão Jointpoint, com auxílio do Programa de regressão Joinpoint (versão 5.0.2, 2023) desenvolvido pelo National Cancer Institute, Rockville, MD, EUA. Modelos de regressão Joinpoint32 e foram aplicados para identificar os pontos de mudança na série temporal e a tendência de cada segmento do coeficiente de mortalidade e mortalidade proporcional de 2000 a 2021.

Os modelos foram analisados para o grupo total e estratificado por sexo e faixa etária. Em cada modelo, as variáveis dependentes foram o coeficiente de mortalidade ou indicadores de mortalidade proporcional, e a variável independente foi o ano. As opções de erros heterocedásticos com variação constante, o número máximo de 3 joinpoints e o modelo log-linear foram escolhidos para a análise dos modelos. O método BIC ponderado foi aplicado para seleção do modelo.

A variação percentual anual (VPA) e a variação percentual média anual (VPMA) com intervalos de confiança de 95% estimadas pelo método paramétrico indicaram a direção e a magnitude das tendências temporais. Quando não houve tendência do segmento no período, o VPA foi semelhante ao VPMA. Modelos de regressão Joinpoint com valor de p igual ou inferior a 5% foram estatisticamente significativos.

Aspectos legais e éticos da pesquisa

O presente estudo foi realizado utilizando dados secundários disponíveis em um banco de domínio público, sem intervenção a indivíduos ou grupos de pessoas, portanto dispensou-se o parecer do Comitê de Ética em Pesquisa.

RESULTADOS

No período de 2000 até 2021 houve 39.410 óbitos tendo como causa básica o Acidente Vascular Cerebral. Destes, 49,0% (19.295 óbitos) era do sexo masculino e 51,0% (20.107 óbitos) era do sexo feminino. Na variável sexo houve 8 casos sem registro do sexo. O sexo feminino mostrou a média de 913,45 (desvio padrão: 189,51) no número de óbitos, sendo quantitativamente maior do que o a média identificada para o sexo masculino de 877,04 óbitos (desvio padrão: 181,52).

Os anos com maiores número de óbitos por acidente vascular cerebral foram em 2006, 2007 e 2008. No ano de 2018 houve a menor quantidade de registro de óbitos (1.057 óbitos) por Acidente Vascular Cerebral. Houve aumento progressivo no número de óbitos por AVC de 2018 até 2021. Na maioria dos anos o sexo masculino apresentou maiores valores de coeficiente de mortalidade.

Em 2006 houve o maior valor de coeficiente de mortalidade em ambos os sexos. A partir de 2018 ocorreu aumento progressivo no coeficiente de mortalidade nos sexos masculino e feminino. Na mortalidade proporcional, o sexo feminino mostrou maiores valores em todo período estudado.

Em ambos os sexos, no ano de 2006 houve os valores mais elevados de mortalidade proporcional e em 2018 os menores valores de mortalidade proporcional. Aumento progressivo na mortalidade proporcional ocorreu a partir de 2018 (tabela 1).

Tabela 1 : Número de óbitos, coeficiente de mortalidade e mortalidade proporcional da doença Acidente Vascular Cerebral por sexo na população do estado do Pernambuco, Brasil entre 2000 e 2021 

Total Masculino Feminino
Óbitos CM MP* Óbitos CM MP* Óbitos CM MP*
2000 1831 22,6 1,8 930 23,7 3,1 901 21,5 4,1
2001 1894 23,0 1,8 957 24,1 3,2 937 22,1 4,4
2002 2016 24,3 2,0 1019 25,4 3,4 997 23,2 4,5
2003 2003 23,8 1,9 982 24,2 3,2 1020 23,5 4,5
2004 2055 24,2 1,8 964 23,5 3,2 1090 24,8 4,7
2005 2171 25,3 2,0 1025 24,8 3,5 1146 25,8 5,1
2006 2384 27,5 2,2 1166 27,9 3,9 1218 27,1 5,5
2007 2255 25,8 2,1 1140 27,0 3,7 1114 24,6 4,9
2008 2265 25,6 2,0 1081 25,4 3,5 1184 25,8 5,1
2009 2036 22,8 1,8 991 23,1 3,2 1044 22,6 4,4
2010 1915 21,3 1,7 914 21,1 3,0 1000 21,4 4,2
2011 1998 22,0 1,8 1005 23,1 3,1 992 21,1 4,0
2012 1818 19,9 1,6 890 20,3 2,8 927 19,6 3,6
2013 1669 18,2 1,4 789 17,9 2,4 879 18,4 3,4
2014 1523 16,5 1,3 743 16,7 2,3 780 16,2 3,1
2015 1567 16,8 1,3 794 17,7 2,3 773 16,0 2,8
2016 1572 16,8 1,1 746 16,6 2,0 826 17,0 2,8
2017 1216 12,9 0,9 572 12,6 1,6 644 13,1 2,3
2018 1057 11,1 0,9 528 11,6 1,5 529 10,7 1,9
2019 1196 12,5 0,9 570 12,4 1,6 626 12,6 2,1
2020 1402 14,6 0,9 706 15,3 1,7 696 13,9 2,0
2021 1567 16,2 1,0 783 16,9 1,8 784 15,6 2,1
Total 39410 19295 20107
Média 1791,36 877,04 913,45
Desvio Padrão 367,89 181,52 189,51
Curtose 2,22 2,25 2,21
Assimetria -0,36 -0,39 -0,21

CM: Coeficiente de mortalidade por 100.000; MP: Mortalidade proporcional.

Na figura 1 observa-se que o número de óbitos por Acidente Vascular Cerebral estratificado por faixa etária na população do estado do Pernambuco, Brasil, 2000 e 2021. Em todos os anos estudados, a faixa etária com maior número de óbitos por AVC foi aos 80 anos ou mais com 16.376 óbitos (41,5%) e aos 70 a 79 anos com 11.526 óbitos (29,2%). Aos 80 anos ou mais, os anos com maior número de óbitos por AVC foi em 2006 (1.004 óbitos), 2007 (995 óbitos) e 2008 (1.047 óbitos).

Figura 1 : Número de óbitos por Acidente Vascular Cerebral estratificado por faixa etária na população do estado do Pernambuco, Brasil, 2000 e 2021 

Na tabela 2 e figura 2 há demonstração da variação percentual anual e a variação percentual média anual de coeficiente de mortalidade do Acidente Vascular Cerebral por sexo e idade. No período de 2000 até 2021 houve declínio na VPMA de -1,5 do coeficiente de mortalidade para o AVC no grupo total e no sexo feminino (p=0,056).

Tabela 2 : Variação percentual anual e variação percentual média anual de coeficiente de mortalidade da doença Acidente Vascular Cerebral por sexo e faixa etária na população do estado do Pernambuco, Brasil, entre 2000 até 2021 

Segmento VPA (IC95%) P VPMA (IC95%) p
Todos 2000-2021 -1,5 (-3,0; 0,0) 0,056
2000-2006 3,2 (1,5; 5,0) 0,002
2006-2015 -5,0 9-6,0; -3,9) <0,001
2015-2018 -12,5 (-20,8; -3,2) 0,014
2018-2021 12,5 (7,0; 18,3) <0,001
Sexo
Masculino 2000-2021 -1,4 (-3,6; 0,8) 0,217
2000-2007 2,2 (-0,8; 5,3) 0,136
2007-2019 -6,4 (-7,8; -5,0) <0,001
2019-2021 18,8 (-4,7; 48,2) 0,116
Feminino 2000-2021 -1,5 (-3,0; 0,0) 0,056
2000-2006 4,0 (2,2; 5,7) <0,001
2006-2015 -5,2 (-6,2; -4,1) <0,001
2015-2018 -12,0 (-20,3; -2,7) 0,017
2018-2021 11,0 (5,6; 16,7) 0,001
Faixa etária
0 a 29 anos 2000-2021 -0,9 (-4,8; 3,2) 0,656 -0,9 (-4,8; 3,2) 0,656
30 a 39 anos 2000-2021 -5,3 (-7,0; -3,5) <0,001 -5,3 (-7,0; -3,5) <0,001
40 a 49 anos 2000-2021 -6,8 (-8,0; -5,6) <0,001 -6,8 (-8,0; -5,6) <0,001
50 a 59 anos 2000-2021 -4,1 (-6,5; -1,6) 0,001
2000-2012 -5,1 (-6,6; -3,5) <0,001
2012-2018 -12,1 (-17,3; -6,6) <0,001
2018-2021 19,2 (4,0; 36,5) 0,015
60 a 69 anos 2000-2021 -4,4 (-6,2; -2,6) <0,001
2000-2007 -2,1 (-4,9; 0,8) 0,148
2007-2018 -9,0 (-10,6; -7,5) <0,001
2018-2021 8,7 (-2,7; 21,3) 0,129
70 a 79 anos 2000-2021 -3,9 (-5,8; -1,9) <0,001
2000-2006 0,5 (-2,7; 3,9) 0,731
2006-2019 -8,2 (-9,3; -7,1) <0,001
2019-2021 13,5 (-6,8; 38,2) 0,189
80 anos ou + 2000-2021 -2,6 (-4,9; -0,2) 0,031
2000-2006 5,2 (2,5; 8,0) 0,001
2006-2015 -6,0 (-7,6; -4,4) <0,001
2015-2018 -15,7 (-27,8; -1,4) 0,035
2018-2021 7,1 (-1,0; 15,7) 0,080

VPA: Variação percentual anual; VPMA: variação percentual média anual. Valor de p < 0,05*.

Figura 2 : Variação percentual anual do coeficiente de mortalidade do Acidente Vascular Cerebral por sexo e por faixa etária na população do estado do Pernambuco, Brasil, 2000 e 2021 

O sexo masculino mostrou estabilidade no coeficiente de mortalidade no período estudado, exceto naquela idade de zero a 29 anos. O grupo total teve quatro segmentos de variação percentual anual (tabela 2).

Entre 2000 até 2006 identificou-se aumento na VPA de 3,2 (p=0,002) no coeficiente de mortalidade. Nos segmentos de 2006 até 2015 e de 2015 até 2018 ocorreram declínios na VPA do coeficiente de mortalidade em -5,0 (p<0,001) e -12,5 (p=0,018), respectivamente. Posteriormente, houve aumento no coeficiente de mortalidade (VPA: 12,5; p<0,001) (tabela 2).

O sexo feminino mostrou segmentos em períodos semelhantes ao grupo total, com aumento no coeficiente de mortalidade entre 2000 até 2006, declínios de 2006 até 2018 e posterior aumento até o ano de 2021. O sexo masculino teve declínio somente no segmento entre 2007 até 2019 (VPA: -6,4; p<0,001) (tabela 2).

Com exceção da faixa entre 0 a 29 anos, houve tendência de declínio (p<0,05) no coeficiente de mortalidade nas faixas etárias maiores de 30 anos. As faixas etárias de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos tiveram um segmento com tendência de declínio (p<0,001) no coeficiente de mortalidade entre 2000 até 2021. Na faixa etária de 50 a 59 anos a VPA mostrou declínio (p<0,001) nos segmentos de 2000 a 2012 e de 2012 a 2018, com posterior aumento (p<0,014) de 2018 até 2021 (figura 2).

Nas faixas etárias de 60 a 69 anos e de 70 a 79 anos tiveram um segmento com declínio na VPA, sendo de 2007 até 2018 com -9,0 (p<0,001) e de 2006 até 2019 com -8,2 (p<0,001), respectivamente. Na faixa etária de 80 anos ou mais na VPA houve aumento (p<0,001) no segmento de 2000 até 2006, com posterior declínio (p<0,05) nos segmentos de 2006 até 2015 e de 2015 até 2018 e seguido segmento de estabilidade até 2021 (figura 2).

Na tabela 3 e figura 3 estão apresentadas a variação percentual anual e a variação percentual média anual da mortalidade proporcional do Acidente Vascular Cerebral por sexo e faixa etária na população do estado do Pernambuco, Brasil, entre 2000 até 2021. No período de 2000 até 2021 houve declínio na VPMA de -2,9 (p<0,001) da mortalidade proporcional para o AVC no grupo total. Do mesmo modo, os sexos masculino e feminino mostraram declínio na mortalidade proporcional na VPMA de -2,6 (p=0,001) e -3,2 (<0,001), respectivamente.

Tabela 3 : Variação percentual anual e variação percentual média anual da mortalidade proporcional da doença acidente vascular cerebral por sexo e grupo etário na população do estado do Pernambuco, entre 2000 até 2021 

Segmento VPA (IC95%) p VPMA (IC95%) p
Todos 2000-2021 -2,9 (-4,5; -1,4) <0,001
2000-2008 2,1 (0,1; 4,2) 0,043
2008-2018 -8,3 (-9,9; -6,8) <0,001
2018-2021 2,5 (-6,6; 12,4) 0,579
Sexo
Masculino 2000-2021 -2,6 (-4,2; -1,1) 0,001
2000-2008 2,5 (0,4; 4,6) 0,022
2008-2018 -8,1 (-9,7; -6,5) <0,001
2018-2021 3,1 (-6,1; 13,2) 0,497
Feminino 2000-2021 -3,2 (-4,1; -2,4) <0,001
2000-2007 3,9 (2,5; 5,4) <0,001
2007-2018 -8,1 (-8,9; -7,4) <0,001
2018-2021 -0,9 (-6,0; 4,4) 0,702
Faixa etária
0 a 29 anos 2000-2021 1,4 (-2,7; 5,7) 0,479 1,4 (-2,7; 5,7) 0,479
30 a 39 anos 2000-2021 -4,0 (-5,9; -2,1) <0,001 -4,0 (-5,9; -2,1) <0,001
40 a 49 anos 2000-2021 -5,8 (-6,9; -4,7) <0,001 -5,8 (-6,9; -4,7) <0,001
50 a 59 anos 2000-2021 -4,1 (-6,3; -1,9) <0,001
2000-2011 -3,2 (-4,8; -1,5) 0,001
2011-2018 -10,5 (-14,2; -6,6) <0,001
2018-2021 8,4 (-4,5; 22,9) 0,194
60 a 69 anos 2000-2021 -4,6 (-6,1; -3,0) <0,001
2000-2007 -0,0 (-2,6; 2,6) 0,971
2007-2018 -8,6 (-10,0; -7,2) <0,001
2018-2021 0,2 (-9,0; 10,4) 0,957
70 a 79 anos 2000-2021 -4,0 (-5,5; -2,6) <0,001
2000-2007 1,1 (-0,8; 3,1) 0,244
2007-2019 -8,2 (-9,1; -7,3) <0,001
2019-2021 4,0 (-10,0; 20,3) 0,569
80 anos ou + 2000-2021 -3,0 (-4,3; -1,6) <0,001
2000-2007 6,3 (4,0; 8,6) <0,001
2007-2018 -9,1 (-10,3; -8,0) <0,001
2018-2021 -0,0 (-7,8; 8,3) 0,991

Figura 3 : Variação percentual anual do coeficiente de mortalidade do Acidente Vascular Cerebral por sexo e por faixa etária na população do estado do Pernambuco, Brasil, 2000 e 2021 

O grupo total e os sexos masculino e feminino tiveram 3 segmentos na variação percentual anual da mortalidade proporcional. De modo semelhante, o grupo total e os sexos masculino e feminino mostraram aumento (p<0,05) no primeiro segmento, declínio (p<0,001) no segmento e estabilidade no terceiro segmento (figura 3).

Com exceção da faixa entre 0 a 29 anos, houve tendência de declínio (p<0,001) na VPMA da mortalidade proporcional nas faixas etárias maiores de 30 anos. As faixas etárias de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos tiveram um segmento com tendência de declínio (p<0,001) na VPA da mortalidade proporcional entre 2000 até 2021. Na faixa etária de 50 a 59 anos a VPA teve declínio (p<0,001) nos segmentos de 2000 a 2011 e de 2011 a 2018, com posterior segmento revelando estabilidade até 2021 (p>0,05) (tabela 3).

Nas faixas etárias de 60 a 69 anos e de 70 a 79 anos tiveram um segmento com declínio, sendo de 2007 até 2018 (VPA: -8,6; p<0,001) e de 2007 até 2019 (VPA: -8,2; p<0,001). Na faixa etária de 80 anos ou mais na VPA houve aumento (p<0,001) no segmento de 2000 até 2007, com posterior declínio (p<0,001) no segmento de 2007 até 2018 e segmento estável entre 2018 até 2021 (p>0,05) (tabela 3).

DISCUSSÃO

No período de 2000 até 2021 houve maior número de óbitos por Acidente Vascular Cerebral nas mulheres em contraste aos homens na população do Pernambuco, Brasil. Houve tendência de declínio no AVC tanto no coeficiente de mortalidade como na mortalidade proporcional. Na maioria dos anos analisados os homens tiveram maior coeficiente de mortalidade. No entanto, as mulheres mostraram maior mortalidade proporcional em todo o período estudado. No período de 2018 até 2021 houve aumento progressivo no coeficiente de mortalidade e mortalidade proporcional do AVC.

Entre os anos 2000 e 2021, houve oscilações no número absoluto de fatalidades por AVC no estado de Pernambuco. Foram registrados 39.410 óbitos no total, com 20.107 ocorrendo no sexo feminino e 19.295 no sexo masculino, conforme indicado na tabela 1. Além disso, a média de óbitos entre indivíduos do sexo feminino foi maior do que a média entre os do sexo masculino.

Ainda na tabela 1, observamos que os anos de 2006, 2007 e 2008 registraram os maiores números de óbitos por AVC, enquanto em 2018 houve o menor registro. Houve um aumento contínuo no número de óbitos por AVC de 2018 a 2021. Em geral, o sexo masculino apresentou coeficientes de mortalidade mais altos, exceto nos anos de 2004, 2005, 2008, 2010, 2013, 2016, 2017 e 2019.

Desde 2018, houve um aumento progressivo nos coeficientes de mortalidade para ambos os sexos. A mortalidade proporcional foi consistentemente maior no sexo feminino ao longo do período estudado, com 2006 apresentando os maiores valores para ambos os sexos e 2018 os menores. O aumento progressivo na mortalidade proporcional teve início em 2020 para a população total e feminina, e em 2018 para o sexo masculino.

Em todos os anos analisados, a faixa etária com o maior número de óbitos por Acidente Vascular Cerebral foi de 80 anos ou mais. Os anos de 2006, 2007 e 2008 registraram os maiores números de óbitos nessa faixa etária. Em 2018, o menor número de óbitos por AVC ocorreu em indivíduos entre 0 e 29 anos, conforme demonstrado na figura 1.

Na figura e na tabela 2, foi identificado um declínio da VPMA do coeficiente de mortalidade para o AVC na população total e no sexo feminino. Quando segmentado por períodos, de 2000 a 2006, houve um aumento no coeficiente de mortalidade, nos períodos de 2006 a 2015 e de 2015 a 2018, houve declínios. Posteriormente, observou-se um aumento no coeficiente de mortalidade.

O sexo feminino apresentou padrões semelhantes ao grupo total, com um aumento no coeficiente de mortalidade entre 2000 e 2006, seguido por declínios entre 2006 a 2015 e 2015 a 2018, e um aumento até 2021. Em contrapartida, sexo masculino registrou declínio apenas no período entre 2007 e 2019.

Ainda na tabela 2, houve uma tendência de declínio na média do coeficiente de mortalidade anual em todas as faixas etárias acima de 30 anos. As faixas etárias de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos registraram uma tendência de declínio em todo o período. Em indivíduos entre 50 e 59 anos, houve declínio de 2000 a 2018, seguido por um aumento até 2021. Nas faixas etárias de 60 a 69 anos e de 70 a 79 anos, houve declínio de 2007 a 2018 e de 2006 a 2019, respectivamente. No grupo com 80 anos ou mais, houve aumento de 2000 a 2006, seguido de declínio de 2006 a 2018 e estabilidade até 2021.

Na tabela 3 e figura 3 foi constatado um declínio na VPMA da mortalidade proporcional por AVC ao longo de todo o período. Esse declínio também foi observado nos sexos masculino e feminino. Tanto o grupo total quanto os sexos masculino e feminino apresentaram três segmentos na variação percentual anual da mortalidade proporcional. Eles exibiram padrões semelhantes, com aumento no primeiro segmento, declínio no segundo e estabilidade no terceiro segmento.

Exceto para a faixa etária de 0 a 29 anos, houve uma tendência de declínio na VMPA na mortalidade proporcional em todas as faixas. As faixas etárias de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos apresentaram um declínio na mortalidade proporcional de 2000 a 2021. Em indivíduos entre 50 e 59 anos, houve declínio de 2000 a 2018, seguido por estabilidade até 2021. Nas faixas etárias de 60 a 69 anos e de 70 a 79 anos, houve declínio de 2007 a 2018. Por fim, na faixa etária de 80 anos ou mais, houve aumento de 2000 a 2007, seguido de declínio entre 2007 e 2018 e um período estável de 2018 a 2021.

O número de óbitos por AVC apresentou variações ao longo período estudado, o que indica uma dinâmica complexa, sugerindo que fatores diversos podem influenciar a incidência de óbitos por AVC, como obesidade, hipertensão arterial, pré-disposição genética, doença ateromatosa, fibrilação atrial, uso de anticoncepcional oral e mixoma auricular33.

Em concordância com os achados desta pesquisa, um estudo que analisou a tendência das taxas de mortalidade por AVC em todo o Brasil entre 2000 e 2009 identificou um aumento maior no número da taxa de mortalidade em indivíduos do sexo feminino34. Além disso, na Rondônia, Estado da região norte do Brasil, 52,1% das internações por AVC foram ocasionadas por pacientes do sexo feminino35.

O estudo de De Carvalho et al. (2011)36 incluiu uma análise epidemiológica do AVC no Brasil, demonstrando uma maior incidência no sexo feminino (51,8%) em um grupo de 2.407 pacientes. Semelhante ao encontrado por Pinheiro e Gomes (2012)37, que observaram uma maior taxa de óbito entre indivíduos do sexo feminino.

Desta forma, é possível que a disparidade do número de óbitos decorrentes de AVC entre os sexos pode variar de acordo com as distintas localidades de pesquisa. Essa variação geográfica pode ser influenciada por uma série de fatores, como acesso a serviços de saúde, características demográficas específicas de cada região, hábitos de vida prevalentes e a qualidade dos sistemas de atendimento médico. Portanto, é essencial explorar e compreender as diferenças regionais para desenvolver abordagens eficazes e personalizadas na prevenção e gestão do AVC34.

No ano de 2019, um estudo mostrou que o Brasil registrou um total de 73.920 óbitos decorrentes de Acidente Vascular Cerebral isquêmico. Observou-se um aumento na prevalência desse tipo de AVC em concordância com o avanço da idade38. O número de óbitos relacionados a doenças cerebrovasculares é maior na faixa etária idosa, principalmente após os 65 anos de idade39, corroborando com os achados deste estudo.

Em termos gerais, as doenças cerebrovasculares podem manifestar-se em qualquer faixa etária; no entanto, o risco aumenta a partir dos 60 anos, dobrando a cada década subsequente40. Além disso, a ocorrência de AVC aumenta significativamente com o avanço da idade. Após atingir os 55 anos, o risco de sofrer um AVC dobra a cada década subsequente41.

Indivíduos mais idosos apresentam incidências mais elevadas e desfechos adversos significativos, manifestando uma taxa de mortalidade superior tanto na fase aguda quanto a longo prazo, influenciadas pelo grau de gravidade da doença, perfil cardiovascular, aspectos sociodemográficos e incapacidade funcional prévia42. Deste modo, a idade emerge como um dos principais fatores de risco não modificáveis43.

Desta forma, é importante destacar que os fatores de risco do AVC aumentam por volta dos 60 anos e a partir deste momento, dobra a cada dez anos40.

O declínio do coeficiente de mortalidade por AVC também foi identificado por Garritano et al. (2012)34, que relatou uma tendência de queda na taxa de mortalidade por esta condição entre os anos de 2000 e 2009 em todo o Brasil. Ainda, no seguimento de 2000 e 2005, um estudo ecológico realizado com dados da população do Distrito Federal apresentou uma tendência à diminuição nas taxas de mortalidade37.

Os motivos que podem justificar a redução do coeficiente de mortalidade por AVC estão relacionados à incidência e letalidade da doença, sendo os fatores de risco como hipertensão, diabetes e obesidade determinantes na incidência, além da eficácia do tratamento. O controle dos fatores de risco, a prevenção de doenças circulatórias e melhorias socioeconômicas contribuem para a queda da mortalidade. Procedimentos de alta tecnologia, maior disponibilidade de equipamentos diagnósticos e atendimentos rápidos também ajudam. No entanto, no Brasil, a desigualdade regional e a escassez de recursos na saúde limitam o acesso a esses procedimentos em algumas localidades34.

Nos achados de Lutufo (2019)44, observou-se redução na taxa de mortalidade por AVC, de acordo o método de regressão Joinpoint. Em ambos os sexos, as taxas de mortalidade apresentaram declínios significativos entre 1990 e 2017. Esses achados são concordantes com os resultados descritos na tabela 2, porém para o sexo masculino e no período de 2000 a 2007 e 2019 a 2021 não houve manutenção desse desfecho epidemiológico.

Na literatura cientifica, muitos estudos se contrapõem ao achado de que a população feminina possui mais óbitos por AVC. Os resultados de um estudo epidemiológico de AVC no Brasil mostraram que o número absoluto de fatalidades entre pessoas do sexo masculino foi maior34.

Os achados encontrados por Santos, Luquini e Fagundes (2020)45, que detalharam os parâmetros epidemiológicos dos óbitos decorrentes de doenças cerebrovasculares no estado do Paraná, na região sul do Brasil, durante o período de 2008 a 2018, revelaram uma maior quantidade de óbitos em indivíduos do sexo masculino. Ainda, resultados semelhantes foram encontrados pela Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares46, por De Almeida e Vianna (2018)47e Carvalho et al. (2019)48.

Pesquisas recentes indicam que o AVC não é mais considerado uma doença de pessoas idosas, uma vez que os adultos jovens estão mais vulneráveis a doenças crônicas de acordo com o padrão de vida adotado49-51. Nas últimas décadas, houve um aumento na incidência de AVC em adultos menores de 45 anos52, no entanto, esta faixa etária possui melhores prognósticos53.

Entre os fatores de risco que apresentam grande relevância na população mais jovens destacam-se o tabagismo, doenças imunológicas, uso de contraceptivos orais, enxaqueca, hipertensão arterial sistêmica, diabetes, aterosclerose, consumo de drogas ilícitas, gravidez e puerpério54.

Desta forma, análises estatísticas indicam um aumento significativo nos casos de AVC em adultos jovens ao longo das últimas décadas. Esse cenário coloca essa condição como a principal entre as doenças que mais resultam em óbitos e incapacitações em indivíduos em idade produtiva, tornando-se assim uma questão premente de saúde pública49.

Em relação ao coeficiente de mortalidade, entre 2018 e 2021, foi identificado um aumento médio anual. Um estudo realizado nos municípios Paraná e Maringá analisou a tendência de óbitos por AVC nos municípios entre os anos de 2005 e 2015. Os resultados mostraram que a tendência de mortalidade geral se apresentou constante, entretanto, a tendência crescente foi encontrada apenas no sexo masculino54.

Apesar de apresentar uma distribuição desigual, as taxas de mortalidade atuais no Brasil ainda são elevadas. O ônus da mortalidade por AVC nas principais cidades brasileiras é significativamente superior ao observado nos Estados Unidos, Canadá e países da Europa Ocidental, e está em níveis semelhantes aos do Leste Europeu e do Japão. Em relação a outros países da América Latina, o Brasil também registra as maiores taxas, tanto para homens quanto para mulheres. Mesmo após uma queda em todas as faixas etárias, as taxas de mortalidade entre adultos e pessoas de meia-idade no Brasil ainda superam as observadas entre idosos em países desenvolvidos55-57.

Os achados do estudo revelam variações significativas ao longo do período analisado, evidenciando mudanças temporais nas proporções de mortes atribuídas ao AVC no estado de Pernambuco. Essas variações destacam uma tendência geral de redução nas taxas de mortalidade relacionadas à doença ao longo do tempo. Tal achado sugere que medidas preventivas e intervenções de saúde pública implementadas ao longo dos anos podem estar contribuindo para a melhoria dos resultados em saúde relacionados ao AVC na região.

Por ser estudo de banco de dados secundários os resultados deverão ser utilizados para formação de hipóteses de novas pesquisas. No entanto, o estudo apresenta diversos pontos fortes e demonstra sua significativa importância. O uso de um método de análise de séries temporais, proporciona uma abordagem robusta para examinar as variações temporais dos indicadores de saúde ao longo do período, o que permite identificar possíveis mudanças nas tendências ao longo do tempo, fornecendo informações importantes para compreender a evolução da mortalidade por AVC na população do estado de Pernambuco, Brasil.

Além disso, o uso de dados provenientes do DATASUS permite uma análise ampla e representativa da situação epidemiológica do estado de Pernambuco, região nordeste brasileira. Ao focalizar especificamente em Pernambuco, o estudo oferece dados relevantes para o planejamento e implementação de políticas de saúde direcionadas, visando a prevenção e controle do AVC naquele estado brasileiro.

Compreender a tendência e os fatores associados ao AVC é imprescindível para orientar intervenções eficazes de saúde pública. Portanto, este estudo não apenas contribui para o conhecimento científico sobre a epidemiologia do AVC em Pernambuco, mas também oferece subsídios fundamentais para a formulação de políticas e programas de saúde voltados para a prevenção e manejo dessa condição grave de saúde da população.

Ademais, destaca-se que O DATASUS disponibiliza informações que podem servir para subsidiar análises objetivas da situação sanitária, tomadas de decisão baseadas em evidências e elaboração de programas de ações de saúde, tal qual a pesquisa sobre AVC foi realizada.

A mensuração do estado de saúde da população é uma tradição em saúde pública, permitindo a melhor compreensão do conceito de saúde e de seus determinantes populacionais e da análise da situação sanitária brasileira.

CONCLUSÃO

No período de 2000 até 2021 houve maior número de óbitos por acidente vascular cerebral nas mulheres em contraste aos homens na população do Pernambuco, Brasil. Houve tendência de declínio no Acidente Vascular Cerebral tanto no coeficiente de mortalidade como na mortalidade proporcional. Na maioria dos anos analisados os homens tiveram maior coeficiente de mortalidade. No entanto, as mulheres mostraram maior mortalidade proporcional. No período de 2018 até 2021 houve aumento progressivo no coeficiente de mortalidade e mortalidade proporcional do AVC. Nas idades de zero a 29 anos não houve declínio no coeficiente de mortalidade e mortalidade proporcional por AVC.

Acknowledgments

The authors thanks Professor Luiz Carlos de Abreu.

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Funding: The authors, and the coauthors did not receive any funding to declare.

Recebido: Maio de 2023; Aceito: Dezembro de 2023; Publicado: Abril de 2024

Autor correspondente: joseluiz.figueiredo@gmail.com

Conflicts of Interest:

The authors report no conflict of interest.

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