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Journal of Human Growth and Development
Print version ISSN 0104-1282On-line version ISSN 2175-3598
J. Hum. Growth Dev. vol.34 no.1 Santo André Jan. 2024 Epub Jan 20, 2025
https://doi.org/10.36311/jhgd.v34.15777
ARTIGO ORIGINAL
Análise espaço-temporal da incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19 no Estado do Rio Grande do Norte, no período de 2020 a 2022, no Nordeste do Brasil
a Centro Universitário FMABC, Santo André, São Paulo, Brasil;
bPrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas/Processos Imunes e Infecciosos. Faculdade de Medicina FMUSP, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil;
cUniversidade Federal do Espirito Santo- UFES, Vitória, Espirito Santo, Brasil.
dInstituto Federal Goiano - Campus Ceres, Ceres, Goiás, Brasil; Instituto Federal Goiano - Campus Morrinhos, Morrinhos, Goiás, Brasil;
Por que este estudo foi feito?
Esse tipo de estudo pode ter implicações significativas tanto na área acadêmica quanto epidemiológica. Pois fornece informações importantes sobre a dinâmica da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, e poderá auxiliar no planejamento de intervenções e políticas de saúde, comparações regionais e temporais, e na avaliação da eficácia das medidas de controle implementadas, bem como impulsionar o avanço do conhecimento científico e ajudar na tomada de decisões informadas no combate à pandemia e em futuras emergências de saúde pública. Assim, o monitoramento dos padrões das séries temporais de incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19 é fundamental para desenvolver estratégias de mitigação e gestão adequadas, levando em consideração as especificidades das unidades federativas, regiões e do país.
O que os pesquisadores fizeram e encontraram?
Foi realizado um estudo epidemiológico analítico de séries temporais de incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19, do tipo ecológico de base populacional, no estado do Rio Grande do Norte, localizado na região Nordeste do Brasil, no período de 2020 a 2022. Os achados sugerem que a incidência da COVID-19 apresentou variações mensais ao longo do período analisado, com aumento progressivo nos casos a partir de março de 2020, atingindo um pico em junho de 2021, seguido de uma redução nos meses subsequentes. Houve um aumento expressivo nos óbitos por COVID-19 a partir de abril de 2020, com um pico em junho de 2021. Posteriormente, os números diminuíram, mas ainda houve variações ao longo dos meses. A letalidade mostrou uma diminuição significativa em 2020, no entanto, não foi observada uma tendência significativa em 2021 e nem em 2022.
O que essas descobertas significam?
A variação mensal na incidência da doença ao longo do período analisado indica a dinâmica da transmissão do vírus, com períodos de aumento e diminuição dos casos. O aumento expressivo nos óbitos a partir de abril de 2020 e o pico observado em junho de 2021 refletem a gravidade da COVID-19 e destacam a necessidade de intervenções efetivas para reduzir a mortalidade. A diminuição posterior dos óbitos pode ser atribuída às medidas de controle mais eficazes, como o avanço da vacinação e a adoção de medidas de distanciamento social e higiene pessoal. A redução da letalidade em 2020 indica uma possível melhoria na capacidade de diagnóstico, tratamento e manejo da doença. No entanto, a ausência de uma tendência significativa em 2021 e 2022 sugere que a letalidade se manteve relativamente estável ao longo desses anos, exigindo atenção contínua para o cuidado adequado dos casos graves e críticos.
Novidades
Entre março de 2020 e dezembro de 2022, o Rio Grande do Norte registrou um total de 582.618 casos e 8.689 óbitos confirmados por COVID-19.
O ano de 2021 teve a maior taxa de incidência e mortalidade, com 7.419,56 e 126,24 por 100.000 habitantes, respectivamente.
A letalidade foi mais alta no Rio Grande do Norte em 2020 (2,53%), mas teve uma diminuição nos anos seguintes.
Fica evidente que determinados meses, como junho e julho de 2020 e maio e junho de 2021, registraram números mais elevados de casos e óbitos, indicando possíveis picos de transmissão durante esses períodos específicos.
Palavras-Chave: COVID-19; pandemia; epidemiologia; incidência; mortalidade; letalidade
Introdução
a pandemia de COVID-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, tem exercido grande impacto sobre o estado do Rio Grande do Norte, bem como em todo o mundo, constituindo-se um desafio relevante para a saúde pública. Desde sua emergência, a doença propagou-se amplamente, ocasionando uma quantidade expressiva de casos confirmados e óbitos no Estado.
Objetivo
analisar a tendência da incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, situado na região Nordeste do Brasil, entre 2020 e 2022.
Método
consiste em uma análise ecológica de séries temporais de dados secundários retrospectivos em nível populacional. Foram estimadas as taxas de incidência e mortalidade por 100.000 habitantes, assim como a letalidade e a variação percentual diária, ambas expressas em porcentagem. A variação percentual diária foi calculada por meio da técnica de regressão linear generalizada utilizando o método de Prais-Winsten, e serviu para classificar a tendência em crescente, decrescente ou estacionária, considerando um nível de significância de 95%.
Resultados
a análise dos dados mostrou o registro de 582.618 casos e 8.689 óbitos de COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, durante o período de março de 2020 a dezembro de 2022. Houve um aumento inicial na taxa de incidência em 2020, seguido por uma redução significativa em 2021 e 2022. A mortalidade apresentou uma tendência decrescente em 2021 e uma tendência estacionária em 2022, sem variação notável em 2020. A taxa de letalidade diminuiu em 2020, mas não mostrou tendências significativas nos anos seguintes.
Conclusão
a análise epidemiológica da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte revelou variações na incidência, mortalidade e letalidade ao longo do período de estudo. A variação percentual diária no período total da série temporal de incidência foi de movimento estacionário, enquanto da mortalidade e letalidade foram decrescente.
Palavras-Chave: COVID-19; pandemia; epidemiologia; incidência; mortalidade; letalidade
Why was this study done?
This type of study can have significant implications both in the academic and epidemiological areas. Because it provides important information about the dynamics of COVID-19 in the state of Rio Grande do Norte, and can help in the planning of interventions and health policies, regional and temporal comparisons, and in the evaluation of the effectiveness of the implemented control measures, as well as boosting advance scientific knowledge and help make informed decisions in fighting the pandemic and future public health emergencies. Thus, monitoring the patterns of the time series of incidence, mortality and case fatality of COVID-19 is essential to develop adequate mitigation and management strategies, taking into account the specificities of the federative units, regions and the country.
What did the researchers do and find?
An analytical epidemiological study of time series of incidence, mortality and case fatality of COVID-19, of the population-based ecological type, was carried out in the state of Rio Grande do Norte, located in the Northeast region of Brazil, in the period from 2020 to 2022. findings suggest that the incidence of COVID-19 presented monthly variations over the period analyzed, with a progressive increase in cases from March 2020, reaching a peak in June 2021, followed by a reduction in subsequent months. There was a significant increase in deaths from COVID-19 from April 2020, with a peak in June 2021. Subsequently, the numbers decreased, but there were still variations over the months. Case fatality showed a significant decrease in 2020, however, a significant trend was not observed in 2021 nor in 2022.
What do these findings mean?
The monthly variation in the incidence of the disease over the analyzed period indicates the dynamics of virus transmission, with periods of increase and decrease in cases. The significant increase in deaths from April 2020 and the peak observed in June 2021 reflect the severity of COVID-19 and highlight the need for effective interventions to reduce mortality. The subsequent decrease in deaths can be attributed to more effective control measures, such as the advancement of vaccination and the adoption of social distancing and personal hygiene measures. The reduction in case fatality in 2020 indicates a possible improvement in the ability to diagnose, treat and manage the disease. However, the absence of a significant trend in 2021 and 2022 suggests that case fatality has remained relatively stable over these years, requiring continued attention to the proper care of severe and critical cases.
Key words: COVID-19; pandemic; epidemiology; incidence; mortality; case fatality
Introduction
the COVID-19 pandemic, caused by the SARS-CoV-2 coronavirus, has had a great impact on the state of Rio Grande do Norte, as well as around the world, constituting a relevant challenge for public health. Since its emergence, the disease has spread widely, causing a significant number of confirmed cases and deaths in the state.
Objective
to analyze the trend of incidence, mortality and case fatality of COVID-19 in the state of Rio Grande do Norte, located in the Northeast region of Brazil, between 2020 and 2022.
Methods
consists of an ecological analysis of time series of retrospective secondary data in population level. Incidence and mortality rates per 100,000 inhabitants were estimated, as well as case fatality and daily percentage variation, both expressed in percentages. The daily percentage variation was calculated using the generalized linear regression technique using the Prais-Winsten method, and served to classify the trend as increasing, decreasing or stationary, considering a significance level of 95%.
Results
data analysis showed the registration of 582,618 cases and 8,689 deaths from COVID-19 in the state of Rio Grande do Norte, during the period from March 2020 to December 2022. There was an initial increase in the incidence rate in 2020, followed by a significant reduction in 2021 and 2022. Mortality showed a decreasing trend in 2021 and a stationary trend in 2022, without notable variation in 2020. The case fatality rate decreased in 2020, but did not show significant trends in the following years.
Conclusion
the epidemiological analysis of COVID-19 in the state of Rio Grande do Norte revealed variations in incidence, mortality and case fatality over the study period. The daily percentage change over the total period of the incidence time series was stationary, while mortality and case fatality were decreasing.
Key words: COVID-19; pandemic; epidemiology; incidence; mortality; case fatality
Between March 2020 and December 2022, Rio Grande do Norte registered a total of 582,618 confirmed cases and 8,689 deaths due to COVID-19.
The year 2021 had the highest incidence and mortality rates, with 7, 419.56 and 126.24 per 100,000 inhabitants, respectively.
The case fatality rates was highest in Rio Grande do Norte in 2020 (2.53%), but registred a decrease in the following years.
It becomes evident that certain months, such as June and July 2020, as well as May and June 2021, saw higher numbers of cases and deaths, indicating potential peaks in transmission during these specific periods.
Key words: COVID-19; pandemic; epidemiology; incidence; mortality; case fatality
INTRODUÇÃO
A pandemia de COVID-19, ocasionada pelo coronavírus SARS-CoV-2, tem representado um dos maiores desafios para a saúde pública global nos últimos anos1. Desde sua emergência no final de 2019, a doença se disseminou rapidamente pelo mundo, resultando em milhões de casos confirmados e um número preocupante de óbitos2.
A rápida disseminação do vírus e o elevado número de casos sobrecarregaram os sistemas de saúde em muitos países, criando uma escassez de leitos hospitalares, equipamentos de proteção individual e recursos médicos adequados, o que tem sido desafiador, tanto para os profissionais de saúde quanto para o sistema de saúde como um todo1,3.
A forma como o vírus se propaga tem sido impulsionada por fatores como urbanização rápida, altos níveis de trabalho informal, sistemas de saúde com recursos limitados, entre outros3-5. Esses desafios têm contribuído para o aumento da carga da doença e da mortalidade relacionada à COVID-19 em países da América Latina6,7.
As autoridades governamentais de várias nações têm adotado medidas de contenção, tais como o distanciamento social, o confinamento, o uso de máscaras e a limitação de viagens, com o propósito de conter a disseminação do vírus. Essas medidas são consideradas legítimas somente quando existe uma ameaça substancial à saúde pública8.
A comunidade científica tem dedicado esforços ao estudo da COVID-19, conduzindo pesquisas em diversas áreas, incluindo epidemiologia, virologia, tratamento e desenvolvimento de vacinas. A colaboração global entre cientistas, instituições governamentais e organizações têm desempenhado papel crucial no avanço do conhecimento e na busca de soluções para enfrentar a pandemia1,4.
No continente americano, a COVID-19 tornou-se um importante problema de saúde pública, especialmente na América Latina, onde as altas densidades populacionais e as desigualdades socioeconômicas têm impactado a disseminação e o controle da doença9,10.
No Brasil, devido à sua diversidade e dimensões continentais, a COVID-19 apresentou padrões heterogêneos de disseminação e impacto em diferentes regiões11. A região Nordeste do Brasil, com suas particularidades socioeconômicas e demográficas, enfrentou reveses adicionais durante a pandemia11,12.
Destaca-se que a concentração populacional em áreas urbanas densamente povoadas, a infraestrutura de saúde limitada e as desigualdades regionais no acesso aos cuidados médicos amplificam os efeitos da COVID-1911. Além disso, fatores socioeconômicos, como baixa renda, acesso limitado a saneamento básico e dificuldades no distanciamento social, podem contribuir para a disseminação do vírus em comunidades vulneráveis12.
A constante evolução da dinâmica pandêmica do SARS-CoV-2, e as novas evidências que podem surgir à medida que a pandemia continua sendo estudada e enfrentada2 são aspectos que justificam a realização deste estudo no estado do Rio Grande do Norte, localizado na região Nordeste do Brasil.
O estado do Rio Grande do Norte apresenta características socioeconômicas que desempenham um papel relevante na dinâmica da pandemia de COVID-19. Essas características podem influenciar tanto a disseminação do vírus quanto a capacidade de resposta do Estado diante dos desafios impostos pela doença5,13-15.
Desta forma, reforça-se a a presença de desigualdades socioeconômicas13. Dado que uma parte significativa da população potiguar vive em condições de vulnerabilidade social e econômica, o que impacta diretamente em sua capacidade de adotar medidas de prevenção, como o distanciamento social e a higiene adequada16,17.
As desigualdades socioeconômicas podem afetar o acesso a serviços de saúde e recursos necessários para enfrentar a pandemia, ampliando as disparidades no combate à doença4,18,19. Os índices socioeconômicos do Estado, como a renda per capita e o acesso a serviços básicos, também podem influenciar a resposta à pandemia20.
Populações com menor poder aquisitivo podem enfrentar dificuldades em adquirir recursos essenciais, como máscaras, álcool em gel e produtos de higiene, que são fundamentais para prevenir a propagação do vírus. A falta de acesso a serviços primários, como saneamento básico adequado, também contribui para a disseminação da doença em comunidades vulneráveis4.
A infraestrutura de saúde é outro fator a ser considerado. O estado do Rio Grande do Norte possui uma rede de saúde limitada em determinadas regiões, o que pode dificultar a oferta de leitos hospitalares, equipamentos médicos e recursos adequados para o tratamento da COVID-1914. Essa limitação da infraestrutura de saúde sobrecarrega os sistemas de saúde locais, colocando em risco a capacidade de atendimento adequado aos pacientes afetados pela doença20.
A interação entre os aspectos socioeconômicos e a saúde pública constitui adversidade adicional para as autoridades do estado no enfrentamento da COVID-1917. Desta forma, compreender a evolução temporal da incidência, mortalidade e letalidade dessa doença é essencial e contribui para o monitoramento, avaliação da eficácia das intervenções implementadas e na identificação de possíveis lacunas na resposta à pandemia21.
Portanto, o presente estudo teve como objetivo analisar a evolução temporal da incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, situado na região Nordeste do Brasil, durante o período compreendido entre 2020 e 2022.
MÉTODO
Desenho e local do estudo
Trata-se de um estudo ecológico de séries temporais baseado no protocolo desenvolvido por Abreu, Elmusharaf e Siqueira (2021)22. As séries temporais são necessárias para fazer inferências válidas a partir dos dados, contabilizando a correlação entre as observações repetidas ao longo do tempo23.
Foram utilizados dados secundários oficiais de divulgação publica governamental de casos e óbitos por COVID-19 notificados ao Ministério da Saúde (MS) do Brasil para o estado do Rio Grande do Norte (https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Coronavirus-COVID-19).
As caracteristicas sociodemograficas do Rio Grande do Norte estão apresentadas na tabela 1.
Amostra e Criterio de eligibilidade
Foi incluido todos os casos e óbitos por COVID-19 de março de 2020 a dezembro de 2022. As ocorrências foram confirmadas por diagnóstico laboratorial; clínico e epidemiológico clínico. A doença da COVID-19 foi classificado de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10) como “U07.1 COVID-19, vírus identificado” ou “U07.2 COVID-19, vírus não identificado”, respectivamente24.
De acordo com o último dia de atendimento, classificamos os óbitos e os casos por início da data dos sintomas. Em seguida, um segundo autor verificou os dados extraídos e um terceiro pesquisador fez uma revisão final para verificar discrepâncias. Por fim, as informações foram escritas em uma planilha do Excel (Microsoft Corporation, Redmond, WA, EUA)25 para análise da incidência, mortalidade e letalidade.
Análise dos dados e estatística
O número de casos e óbitos da COVID-19 foram ilustrados por frequência absoluta (n) e relativa (%). Para cada estado, foram calculados a taxa de incidência (número de casos por 100 mil habitantes), mortalidade (número de óbitos por 100 mil habitantes) e letalidade (%) conforme descrito abaixo:
Utilizou-se a população estimada para o ano de 2020, (3.598.288 habitantes), de 2021 (3.627.158 habitantes) e 2022 (3.655.233 habitantes)26.
Para a analisar a tendência, utilizou-se o protocolo de Antunes e Cardoso (2015)27. As séries temporais foram construídas aplicando o modelo de regressão de Prais-Winsten. Ele permitiu a autocorrelação de primeira ordem para analisar os valores das séries temporais e facilitar a avaliação e classificação da incidencia, mortalidade e da letalidade em crescente, decrescente ou estacionária. As tendências foram classificadas como estacionárias quando o p-valor não foi significativo (p >0,05).
Os valores de probabilidade (p) e de variação percentual diária (VPD), considerando um nível de 95% de significância, e assim foram calculados através das equações abaixo (4 - 6), onde β é o coeficiente angular da regressão linear, os índices ul significam o limite superior, e ll é o limite inferior do nível de confiança.
Para comparar proporções, foi utilizado o teste z bicaudal, considerando as diferenças com p-valor<0,05 como significativo.
As análises estatísticas foram realizadas com o software STATA 14.0 (College Station, Texas, EUA, 2013)28.
Aspectos Éticos
Os dados obtidos dos sistemas de informação mantidos pelo Ministério da Saúde são confiáveis, possibilitando o seu uso como ferramenta factível para análise dos indicadores epidemiológicos da COVID-19. Como se tratam de dados públicos e de amplo acesso, não se faz necessário dar entrada no Comitê de Ética de Pesquisa Científica (CEP) para a obtenção da aprovação do estudo.
RESULTADOS
No período inicial das infecções por COVID-19, entre o mês de março de 2020 a dezembro de 2022, no estado do Rio Grande do Norte, foram registrados um total de 582.618 casos e 8689 óbitos confirmados.
Na tabela 2, é possível observar a distribuição mensal dos casos e óbitos confirmados por COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte no periodo total analisado.
Tabela 2 Distribuição da frequência absoluta e relativa de casos e óbitos por COVID-19, segundo o mês e o ano, no estado do Rio Grande do Norte. Brasil, 2020-2022
| Anos | Meses | Casos confirmados | Óbitos confirmados | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Frequencia Absoluta | Frequencia relativa | Frequencia Absoluta | Frequencia relativa | ||
| n | % | n | % | ||
| 2020 | Março | 82 | 0,01 | 1 | 0,01 |
| Abril | 1,095 | 0,19 | 55 | 0,63 | |
| Maio | 6,225 | 1,07 | 249 | 2,87 | |
| Junho | 22,885 | 3,93 | 729 | 8,39 | |
| Julho | 20,129 | 3,45 | 743 | 8,55 | |
| Agosto | 11,332 | 1,95 | 479 | 5,51 | |
| Setembro | 7,685 | 1,32 | 137 | 1,58 | |
| Outubro | 11,743 | 2,02 | 184 | 2,12 | |
| Novembro | 13,947 | 2,39 | 111 | 1,28 | |
| Dezembro | 22,960 | 3,94 | 305 | 3,51 | |
| 2021 | Janeiro | 22,500 | 3,86 | 292 | 3,36 |
| Fevereiro | 26,312 | 4,52 | 300 | 3,45 | |
| Março | 29,366 | 5,04 | 922 | 10,61 | |
| Abril | 26,714 | 4,59 | 953 | 10,97 | |
| Maio | 45,451 | 7,80 | 656 | 7,55 | |
| Junho | 71,739 | 12,31 | 652 | 7,50 | |
| Julho | 19,500 | 3,35 | 325 | 3,74 | |
| Agosto | 5368 | 0,92 | 174 | 2,00 | |
| Setembro | 3586 | 0,62 | 70 | 0,81 | |
| Outubro | 5065 | 0,87 | 60 | 0,69 | |
| Novembro | 8019 | 1,38 | 99 | 1,14 | |
| Dezembro | 5499 | 0,94 | 76 | 0,87 | |
| 2022 | Janeiro | 38,664 | 6,64 | 133 | 1,53 |
| Fevereiro | 51,806 | 8,89 | 345 | 3,97 | |
| Março | 19,567 | 3,36 | 71 | 0,82 | |
| Abril | 6173 | 1,06 | 54 | 0,62 | |
| Maio | 3162 | 0,54 | 27 | 0,31 | |
| Junho | 19,905 | 3,42 | 65 | 0,75 | |
| Julho | 20,233 | 3,47 | 128 | 1,47 | |
| Agosto | 4991 | 0,86 | 49 | 0,56 | |
| Setembro | 5122 | 0,88 | 25 | 0,29 | |
| Outubro | 692 | 0,12 | 14 | 0,16 | |
| Novembro | 6987 | 1,20 | 13 | 0,15 | |
| Dezembro | 18,114 | 3,11 | 193 | 2,22 | |
| Total | Total | 582,618 | 100,00 | 8,689 | 100,00 |
Fonte: Informações extraídas do Painel Coronavírus em 12 de janeiro de 2023, disponível em: https://covid.saude.gov.br/.
Ao analisar os dados de frequência absoluta e relativa dos casos e óbitos observamos que o primeiro caso ocorreu no mês de março de 2020, o que corresponde a 0,01% dos casos totais no período total analisado. Além disso, o primeiro óbito por COVID-19 ocorreu neste mesmo mês, correspondendo a frequência relativa de 0,01% dos óbitos totais analisados.
No primeiro ano analisado (2020), o estado do Rio Grande do Norte obteve 118.083 (20,26%) casos totais e 2993 (34,44%) óbitos por COVID-19. As maiores proporções de casos no ano de 2020 foram em junho (3,93%) e dezembro (3,94%) enquanto a de óbitos foi em julho (8,55%) e junho (8,39%).
Seguindo para o segundo ano (2021), foi observado a maior proporção em relação a todo o periodo, tanto para casos quanto para óbitos, com um total de 269.119 casos (46,19%) e 4579 obitos (52,69%). Os meses mais afetados com números de casos e óbitos confirmados foram junho (12,31%) e abril (10,56%) respectivamente.
Ao analisar a tabela de frequências relativas e absolutas (tabela 2) para o ano de 2022, foi verificado um total de 195.416 (33,54%) casos e 1117 (12,85%) óbitos confirmados. O mês de fevereiro apresentou o maior número de casos e óbitos deste ano, com um total de 51.806 (8,89%) casos e 345 (3,97%) óbitos.
Na tabela 3 podemos verificar as taxas de incidência, mortalidade e as proporção da letalidade da COVID-19 para o estado Rio Grande do Norte nos 3 anos analisados.
Tabela 3 :Distribuição mensal das taxas de incidência e mortalidade e a proporção da letalidade da COVID-19 nos estado do Rio Grande do Norte, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022
| Meses | Incidência (100,000 hab.) | Mortalidade (100,000 hab.) | Letalidade (%) |
|---|---|---|---|
| Ano | 2020 | ||
| Jan | 0 | 0 | 0 |
| Fev | 0 | 0 | 0 |
| Mar | 2,28 | 0,03 | 1,22 |
| Mai | 30,43 | 1,53 | 5,02 |
| Jun | 173,00 | 6,92 | 4,00 |
| Jun | 636,00 | 20,26 | 3,19 |
| Jul | 559,40 | 20,65 | 3,69 |
| Ago | 314,93 | 13,31 | 4,23 |
| Set | 213,57 | 3,81 | 1,78 |
| Out | 326,35 | 5,11 | 1,57 |
| Nov | 387,60 | 3,08 | 0,80 |
| Dez | 638,60 | 8,48 | 1,33 |
| Total* | 3281,64 | 83,18 | 2,53 |
| Ano | 2021 | ||
| Jan | 620,32 | 8,05 | 1,30 |
| Fev | 725,42 | 8,27 | 1,14 |
| Mar | 809,61 | 25,42 | 3,14 |
| Abril | 736,50 | 26,27 | 3,57 |
| Mai | 1253,07 | 18,09 | 1,44 |
| Jun | 1977,83 | 17,98 | 0,91 |
| Jul | 537,61 | 8,96 | 1,67 |
| Ago | 147,99 | 4,80 | 3,24 |
| Set | 98,87 | 1,93 | 1,95 |
| Out | 139,64 | 1,65 | 1,18 |
| Nov | 221,08 | 2,73 | 1,23 |
| Dez | 151,61 | 2,10 | 1,38 |
| Total* | 7419,56 | 126,24 | 1,70 |
| Ano | 2022 | ||
| Jan | 1057,77 | 3,64 | 0,34 |
| Fev | 1417,31 | 9,44 | 0,67 |
| Mar | 535,31 | 1,94 | 0,36 |
| Abr | 168,88 | 1,48 | 0,87 |
| Mai | 86,51 | 0,74 | 0,85 |
| Jun | 544,56 | 1,78 | 0,33 |
| Jul | 553,54 | 3,50 | 0,63 |
| Ago | 136,54 | 1,34 | 0,98 |
| Set | 140,13 | 0,68 | 0,49 |
| Out | 18,93 | 0,38 | 2,02 |
| Nov | 191,15 | 0,36 | 0,19 |
| Dez | 495,56 | 5,28 | 1,07 |
| Total* | 5346,20 | 30,56 | 0,57 |
Quando analisado os valores de incidência, mortalidade, e letalidade por COVID-19 para o estado do Rio Grande do Norte, foi observado que o ano de 2021 obteve a maior taxa de incidência e mortalidade por 100.000 habitantes com 7419,56 e 126,24 respectivamente, já a letalidade foi maior no ano de 2020 (2,53%).
Em 2020, os meses mais impactados em relação à incidência, mortalidade e letalidade, foram junho (636,00 por 100.000 hab.) e dezembro (638,08 por 100.000 hab.) com valores de incidências similares, já para mortalidade os meses de junho (20,26 por 100.000 hab.) e julho (20,65 por 100.000 hab.) foram os mais marcantes, enquanto para letalidade o mês de abril (5,02%) foi o mais afetado.
No ano seguinte (2021) o mês de abril foi marcado com as maiores valores de mortalidade (26,27 por 100.000 hab.) e letalidade (3,57%), enquanto o mês de junho obteve a maior taxa de Incidência do ano (1977,83 por 100.000 hab.).
Ao fim do periódo analisado (2022), constatou-se que as maiores taxas de incidência (1417,31 por 100.000 habitantes) e mortalidade (9,44 por 100.000 habitantes) foram no mês de fevereiro, enquanto a maior proporção de letalidade foi apresentada no mês de outubro (2,02%).
As tendências das taxas de incidência, mortalidade e a proporção da letalidade da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte podem ser visualizadas na tabela 4. Para as análises consideradas estatisticamente significativas (p<0,05), a Variação porcentual diária (VPD) revela a porcentagem de variação diária, sendo demonstrado o acréscimo ou decréscimo para as variáveis.
Tabela 4 : Estimativas da regressão de Prais-Winsten e variação percentual diária (VPD) das taxas de Incidência, mortalidade e proporção da letalidade da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022
| Taxa/ano | Regressão linear | ||||
|---|---|---|---|---|---|
| β | DPC | (IC95%) | P | Tendência | |
| MORTALIDADE | |||||
| 2020 | -0,00019 | -0,04 | -0,37 : 0,28 | 0,794 | Estacionária |
| 2021 | -0,00302 | -0,69 | -0,86 : -0,52 | <0.001* | Decrescente |
| 2022 | -0,00085 | -0,19 | -0,40 : 0,02 | 0,069 | Estacionária |
| LETALIDADE | |||||
| 2020 | -0,00339 | -0,78 | -0,96 : -0,59 | <0.001* | Decrescente |
| 2021 | -0,00015 | -0,03 | -0,18 : 0,11 | 0,656 | Estacionária |
| 2022 | 0,00057 | 0,13 | -0,14 : 0,41 | 0,345 | Estacionária |
| INCIDÊNCIA | |||||
| 2020 | 0,00471 | 1,09 | 0,75 : 1,43 | <0.001* | Crescente |
| 2021 | -0,00294 | -0,68 | -0,85 : -0,50 | <0.001* | Decrescente |
| 2022 | -0,00161 | -0,37 | -0,72 : -0,02 | 0,037* | Decrescente |
β – coeficiente de regressão; P – p-value; DPC – daily percent change; IC95% - intervalo de confiança 95%. * Diferença estatística detectada pelo teste de regressão de Prais-Winsten, p<0,05.
A taxa de incidência apresentou uma tendência crescente em 2020, seguido por uma redução nos anos subsequentes. Em relação à taxa de mortalidade, verificou-se uma tendência decrescente em 2021, enquanto nos anos de 2020 e 2022 ela se manteve estável. Quanto à letalidade, houve uma diminuição em 2020, seguida de estabilidade nos anos seguintes.
Para uma melhor visualização a nível gráfico, podemos observar nas figuras 1, 2 e 3 as projeções das taxas de incidência, mortalidade e a proporção da letalidade, respectivamente, no período total analisado.
Nos anos de 2021 e 2022, o estado do Rio Grande do Norte apresentou uma tendência decrescente na incidência da COVID-19, ao contrário do padrão observado em 2020, que foi marcado por um aumento. É relevante ressaltar que tanto em 2020, quanto em 2022, houve uma tendência crescente na incidência da COVID-19 entre os meses de outubro a dezembro (figura 1), evidenciando uma semelhança entre esses dois períodos.

Figura 1 : Análise de tendência das taxas de Incidência da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022
Em todo periodo analisado, observou-se variações de aumento e descréscimo da incidencia, que podem ter sido influenciados por diversos fatores como medidas de proteção e vacinação. Destaca-se que, nesses tres anos, o mês de maio apresentou características semelhantes, de aumento da incidência, como observado no gráfico (figura 1). Em contrapartida, os meses em que mais apresentarma redução nesta taxa, foi setembro nos anos de 2020 e 2021 e entre outubro e novembro em 2022.
A figura 2 representa a taxa de mortalidade por COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte entre os anos de 2020 e 2022. Assim como a incidência, a mortalidade também apresentou variações crescentes e decrecentes ao longo desses três anos. O período de maior crescimento da mortalidade ocorreu entre os meses de fevereiro e maio de 2021.

Figura 2 : Análise de tendência das taxas de Mortalidade da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022
Nos tres anos estudados, o maior índice de letalidade encontrada foi entre os meses de março e maio de 2020. Em contrapartida, as menores taxas foram observadas em junho de 2022. Este fato pode estar relacionado com a falta de compreensão do comportamento viral, a sobrecarga dos sistemas de saúde, a falta de tratamentos específicos e de imunização contra o COVID-19.
DISCUSSÃO
Ao longo do período analisado, foram identificadas variações significativas nas séries temporais de casos e óbitos da COVID-19, indicando alterações na incidência, mortalidade e letalidade dessa doença no estado do Rio Grande do Norte. É importante destacar que nos valores mensais foram observadas discrepâncias sazonais, evidenciando a ocorrência de números mais elevados de casos e óbitos nos meses de junho e julho de 2020, bem como maio e junho de 2021. Esses padrões sugerem um possível aumento na transmissão da COVID-19 durante esses períodos específicos.
O aumento dos casos foi progressivo a partir do mês de março de 2020, partindo de 82 casos e atingindo o pico em junho de 2021, com 71.739 casos registrados. Em seguida, houve uma diminuição gradual nos meses subsequentes, chegando a 18.114 casos em dezembro de 2022. Esta redução apresentou o menor valor no mês de outubro, com 692 casos. Porém, em fevereiro de 2022, foi observado um novo aumento na quantidade de casos, com um total de 51.806 casos.
Essas variações ressaltam a importância contínua do monitoramento da situação epidemiológica e da adoção de medidas de controle da doença. É fundamental reconhecer que a redução inicial nos casos e óbitos não implica necessariamente em uma trajetória de declínio constante e sustentável da incidência e mortalidade da COVID-19. Assim, uma abordagem vigilante e proativa é necessária para enfrentar possíveis recidivas e garantir a proteção da saúde pública em todos os momentos. Os resultados observados dos padrões sazonais reforçam a necessidade de uma resposta contínua e flexível para enfrentar a evolução da pandemia com eficácia18,29.
No Rio Grande do Norte, é notável as diferenças na relação entre casos confirmados e óbitos por COVID-19. Durante o período de março a abril de 2021, ocorreu um aumento significativo nos óbitos, enquanto não houve um correspondente aumento na frequência de casos confirmados da doença. É relevante destacar que nos meses de junho e julho de 2020, bem como em março e abril de 2022, foi registrada uma proporção relativamente alta de óbitos em relação aos casos, o que sugere uma maior gravidade da doença.
Em relação ao número de óbitos por COVID-19, foi encontrado um aumento significativo a partir de abril de 2020, atingindo em julho do mesmo ano, 743 óbitos. A partir do mês de abril de 2021, foram registrados aumentos expressivos, com 953 óbitos.
Os números elevados de óbitos e as variações identificadas indicam um período crítico entre 2020 e 2022, em relação ao impacto da doença no estado do Rio Grande do Norte. O que destaca a importância da implementação de intervenções efetivas com o objetivo de reduzir a morbidade e mortalidade associadas à doença.
Reforçando esta hipótese, após abril de 2021, o estado do Rio Grande do Norte apresentou uma redução gradual no número de óbitos. Esse cenário pode ser atribuído devido à adoção de medidas de controle mais eficazes, como a ampla distribuição das vacinas, conscientização e adesão ao distanciamento social, além da ênfase nos cuidados com a higiene. Essas estratégias desempenharam um papel fundamental na contenção da doença e na proteção da população30,31.
No período analisado, observaram-se padrões distintos nas séries temporais da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte. Em 2020, a mortalidade apresentou uma tendência estacionária, a letalidade revelou uma tendência decrescente e em contrapartida, a incidência foi crescente. Em 2021, a incidência e a mortalidade assumiram uma tendência decrescente, e a letalidade, estacionária, indicando um agravamento da situação. No ano de 2022, a incidência e a letalidade decresceram, e a mortalidade permaneceu estacionária, o que sugere melhor manejo da doença e de sua propagação.
Entretanto, ao longo de todo o período de estudo, enquanto a incidência da doença permaneceu estacionária, ou seja, com variação limitada ao longo do tempo, tanto a mortalidade como a letalidade demonstraram uma tendência decrescente, indicando uma melhoria na resposta ao tratamento e nas medidas de controle.
A estabilidade da incidência ao longo dos anos ressalta a necessidade de manter uma atenção constante na implementação de medidas adequadas para a contenção da doença e dos óbitos. O que evidencia a importância de uma abordagem contínua e cuidadosa no enfrentamento da COVID-19.
A ocorrência de variações na incidência, mortalidade e letalidade ao longo do tempo ocorrem com frequência em diversos países e regiões, como também foi observado neste estudo. Esses padrões são amplamente observados e têm sido objeto de estudo em diferentes contextos29,32.
Para Matos (2018)33, é imprescindível realizar um monitoramento constante dos padrões de variação cíclica, levando em consideração a experiência adquirida com as pandemias de influenza. Embora exista uma considerável incerteza, é de extrema importância buscar uma certa previsibilidade a partir de estudos já realizados a fim de enfrentar futuras situações pandêmicas.
É importante ressaltar as características distintas de cada região, e que as variações nas séries temporais de casos e óbitos da COVID-19 diferem entre as localidades, não apresentando um padrão uniforme de comportamento. Desta forma, cada região e/ou país possui suas próprias características epidemiológicas e a partir destas, são desenvolvidas e adotadas medidas de resposta específicas4,29,32,34.
De acordo com os achados de um estudo comparativo realizado pela Fiocruz Pernambuco, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, foi evidenciado um aumento significativo nas taxas de incidência de COVID-19 durante dois períodos distintos: até meados de abril e até meados de maio de 2020. O ritmo de aceleração das taxas de incidência nessas regiões foi consideravelmente mais elevado em comparação com o restante do país35.
Desta forma, a análise revelou um deslocamento de maior incidência da COVID-19 entre os estados brasileiros das regiões Norte e Nordeste. Essa mudança indica uma possível influência das ausências governamentais e da vulnerabilidade nas regiões menos favorecidas do Brasil35.
A pandemia de COVID-19 impacta de maneira desigual as populações mais vulneráveis, abrangendo aqueles com menor acesso a cuidados de saúde adequados, moradias apropriadas e condições de trabalho seguras. Os fatores socioeconômicos e as condições de vida precárias contribuem para a disseminação e o aumento dos casos da doença35,36.
Mediante isto, no contexto do estado do Rio Grande do Norte, é relevante considerar fatores socioeconômicos e condições de vida precárias como variáveis explicativas fundamentais37. Essa abordagem possibilita um melhor planejamento para a implementação de medidas eficazes de controle e prevenção da doença, bem como para a redução do impacto da pandemia neste local quanto em outras localidades que se assemelham às características socioeconômicas e epidemiológicas17,36,37.
De acordo com o estudo de Horton (2022)38, a abordagem governamental para lidar com a pandemia baseia-se, em grande parte, em perspectivas científicas e em dados epidemiológicos. Desta forma, o autor recomenda às autoridades de saúde e aos poderes públicos que desenvolvam estratégias de prevenção, controle e mitigação da COVID-19 guiados pela perspectiva da pandemia.
Esse conceito abrange a complexa interação entre fatores biológicos, sociais, econômicos e culturais que influenciam a propagação e o impacto da COVID-19. Além de reconhecer que medidas de controle devem ir além de apenas conter a transmissão do vírus, mas também considerar as desigualdades e vulnerabilidade sociais, as condições socioeconômicas e os determinantes estruturais16.
Os aspectos sociais e contextuais desempenham um papel crucial nos desdobramentos e comportamento da doença38. É um contexto que exige resposta integrada abrangente de políticas públicas, estratégias de proteção social e intervenções específicas direcionadas às populações mais vulneráveis, como as populações do Norte e Nordeste do Brasil17,36,37.
Pesquisas sobre COVID-19 no Brasil e no mundo, envolvendo análises de séries temporais, têm destacado a importância das condições socioeconômicas como fatores de vulnerabilidade18,19, que influenciam o perfil epidemiológico dessa doença, e possuem uma correlação linear positiva com os casos e óbitos39-42, corroborando a proposição de Horton et al. (2022)38.
O estudo epidemiológico de Baggio et al. (2021)42, sobre a dinâmica espacial da COVID-19 e sua relação com a condição de vida no estado de Amapá, região Norte do Brasil, destaca as taxas de incidência mais elevadas em municípios com menor IDH e naqueles com maior vulnerabilidade social. Isso fornece insights relevantes para entender a situação da pandemia da COVID-19 no Norte e Nordeste, e em outras localidades com condições socioeconômicas desfavoráveis.
Contudo, o aumento dos casos de COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte foi menor em comparação aos outros estados brasileiros localizados nas regiões Norte e Nordeste, os quais experimentaram crescimento nas taxas de casos por milhão de habitantes superiores à média nacional, durante o período de 2020 a 2021.Em dois deles o aumento foi de quase 50 vezes em maio: Tocantins (49,8) e Sergipe (47,8)29.
Entre os estados das regiões Norte e Nordeste, as taxas de casos por milhão de habitantes em Alagoas, Pará e Paraíba aumentaram mais de 20 vezes. Enquanto isso, em Roraima, Piauí, Acre, Maranhão, Amazonas e Amapá, houve crescimento de mais de 10 vezes, e na Bahia, Roraima, Ceará e Pernambuco, o aumento foi de 9 vezes. Em média, o país registrou um crescimento de 7 vezes nas taxas de casos por milhão de habitantes. O Rio Grande do Norte foi o único estado abaixo do valor nacional, com 6,632,43,44.
Além disso, o Rio Grande do Norte apresentou taxas médias de mortalidade e letalidade abaixo das médias regionais e nacional. Em contrapartida, os achados do estudo de vulnerabilidade multidimensional da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apontou que o eixo Fortaleza/CE-Mossoró/Rio Grande do Norte seria uma das regiões mais afetadas pela pandemia no Nordeste44.
No contexto da região Nordeste do Brasil, os estados mais afetados, em termos de casos notificados e mortalidade por milhão de habitantes em maio de 2020, foram Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte37. Quanto à distribuição espacial da incidência e mortalidade, observa-se que as regiões Norte e Nordeste apresentam as maiores taxas45. Essas regiões possuem municípios com taxas de incidência de 2 a 10 vezes maiores do que as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste44.
A heterogeneidade da doença reforça a hipótese de que a incidência e mortalidade por COVID-19 estão associadas a uma combinação de fatores geográficos, econômicos, sociais e culturais que refletem o modo de vida da população19. O Nordeste, uma das regiões mais desfavorecidas socioeconomicamente do país, representa 27% da população brasileira e apresenta cerca de um terço de todos os casos (34%) e dos óbitos (32%) de COVID-19. Isso reforça a hipótese de que a alta taxa de mortalidade está relacionada a essas condições44.
Em Mascarello et al. (2021)19, 2021 é ressaltada a necessidade de uma abordagem abrangente que leve em conta os determinantes sociais, culturais e geográficos ao analisar a incidência e mortalidade da COVID-19. Compreender e considerar esses aspectos é de extrema importância para orientar a implementação de intervenções efetivas, políticas públicas e estratégias de proteção social, com o objetivo de mitigar o impacto da doença em populações vulneráveis.
É importante destacar as limitações provenientes do desenho do estudo, o qual, por se tratar de um estudo ecológico de análises de séries temporais, seu foco restringe-se a análise espaço temporal dos padrões de séries temporais de incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19 no estado do Rio Grande do Norte, não analisando o contexto multifatorial ou fatores determinantes da maior ou menor mortalidade e letalidade.
A análise de dados secundários pode ser limitada pela incompletude ou/e falta de detalhamento do conjunto de dados utilizados. Destaca- se o fato de não terem sido consideradas variáveis individuais, como idade, sexo e raça, o que pode restringir as conclusões do estudo. Além disso, o número de casos pode ser maior do que o inserido no banco de dados, visto que o número de testes específicos para a doença foi limitado ao longo dos três anos de vigência da pandemia. Entretanto, este estudo permite um retrato dos três anos de evolução da pandemia no estado do Rio Grande do Norte.
A redução da incidência observada no estudo não significa diminuição da circulação do vírus SARS-CoV e sim que suas manifestações na forma da doença COVID-19 está mais leve e seus sintomas mais semelhantes com as gripes presentes no cotidiano populacional.
Por outro lado, a letalidade e mortalidade são decrescentes ao longo dos três anos da pandemia da COVID-19 e muito possivelmente por ação da barreira farmacológica da vacinação em massa ocorrida no Brasil nos anos de 2022 e 2023.
No início da pandemia da COVID-19, no ano de 2020, o combate à pandemia foi restrito às medidas não farmacológicas. Porém, essas medidas não foram suficientes para que o sistema de saúde pudesse atender adequadamente os pacientes que desenvolveram a forma mais grave da doença e precisaram de internação hospitalar.
As medidas de vacinação em massa ocorridas no Brasil nos dois últimos anos da pandemia da COVID-19 foram o fator determinante para redução da letalidade e mortalidade na população geral, em especial no estado do Rio Grande do Norte.
Limitações
Uma das limitações está ligada ao método utilizado. Por se tratar de um estudo ecológico, ele possui um viés de falácia ecológica. Sendo um estudo regional com dados inerentes ao estado do Acre, não podemos fazer inferências causais fora da região analisada, incluindo a abordagem das variáveis individuais.
Outra limitação do trabalho é a subnotificação existente no banco de dados, devido ao desenvolvimento de meios para identificação do vírus, principalmente no início da pandemia. Em pacientes acometidos com a COVID-19, podem constar erros relacionados ao tempo de identificação do vírus, o que pode gerar valores alterados no status de vírus confirmado, resultando em alterações diretas no número de casos e consequentemente na incidência calculada.
CONCLUSÃO
A pandemia da COVID-19 é um grande problema de saúde pública na região Nordeste do Brasil, mais especificamente, no Rio Grande do Norte. Durante os três anos analisados houve variações significativas na incidência, mortalidade e taxa de letalidade.
Além disso, foi observado um aumento inicial na taxa de incidência em 2020, seguido por uma redução significativa em 2021 e 2022. Em relação à mortalidade, percebeu-se uma tendência decrescente em 2021 e uma tendência estacionária em 2022, sem variação notável em 2020. Quanto à taxa de letalidade, verificou-se uma diminuição em 2020, sem identificação de tendências crescentes significativas nos anos subsequentes.
É fundamental ressaltar a importância da monitorização contínua da pandemia, especialmente em relação aos desdobramentos da COVID-19 em estágios posteriores baseada em dados epidemiologicos e científicos, o que continua sendo um grande desafio para os gestores de saúde pública.
Table 1 : Características sociodemográficas do Rio Grande do Norte, região nordeste do Brasil
| Características sociodemográficas | Rio Grande do Norte |
|---|---|
| Região* | Nordeste |
| Municípios* | 167 |
| Capital do estado* | Natal |
| Área territorial* | 52.809,599 km2 |
| População estimada (2022)* | 3.302.406 pessoas |
| Densidade demográfica (2022)* | 62,53 hab/km2 |
| Situação domiciliar urbana (2010)* | 2.464.991 pessoas |
| Situação domiciliar rural (2010)* | 703.036 pessoas |
| Rendimento nominal mensal domiciliar per capita (2022)* | 1.267 R$ |
| Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) (2021)* | 0.728 |
| Número de Unidades Básicas de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) (2009)* | 1932 estabelecimentos |
| SUS ambulatorial* | 1372 estabelecimentos |
| SUS diálise* | 14 estabelecimentos |
| SUS emergencia* | 106 estabelecimentos |
| SUS internação* | 161 estabelecimentos |
| SUS UTI* | 26 estabelecimentos |
| Número de leitos para internação em estabelecimentos de saúde (2009)* | 6.851 leitos |
| Público* | 3.706 leitos |
| Privado* | 3.145 leitos |
*Source: IBGE.
Agradecimentos
Os autores agradecem ao Instituto Federal Goiano e Grupo de Saúde da Criança e do Adolescente (GPSaCA - https://www.gpsaca.com.br) pelo apoio.
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Recebido: Maio de 2023; Aceito: Dezembro de 2023; Publicado: Abril de 2024
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