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Journal of Human Growth and Development
Print version ISSN 0104-1282On-line version ISSN 2175-3598
J. Hum. Growth Dev. vol.34 no.1 Santo André Jan. 2024 Epub Jan 20, 2025
https://doi.org/10.36311/jhgd.v34.15782
ARTIGO ORIGINAL
O que conhecemos sobre os perpetradores de homicídio sexual de vítimas adultas? Revisão sistemática e metassíntese qualitativa
aFaculdade de Medicina da Universidade de Alfenas. Alfenas (MG), Brasil.
bDepartamento de Educação, Instituto Federal Goiano—Campus Ceres, Ceres, Goiás, Brasil
cDepartamento de Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade. Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. São Paulo (SP), Brasil.
4002Disciplina de Saúde Sexual, Reprodutiva e Genética Populacional. Faculdade de Medicina do ABC. Santo André (SP), Brasil.
Por que este estudo foi feito?
Homicídios praticados com motivação sexual são crimes considerados pouco comuns, embora tenham grande apelo e visibilidade social. Homicídios sexuais têm crescente interesse clínico e médico-legal por suas particularidades e pelas características do agressor.
O que os pesquisadores fizeram e encontraram?
Os autores realizaram revisão sistemática da literatura dos últimos 30 anos utilizando a estratégia PICO, apresentando resultados por metassíntese qualitativa. Foram selecionados 70 artigos, a maioria com ênfase nos transtornos psiquiátricos e comportamentais do homicida sexual, formas de violência sexual e de desfecho letal empregadas.
O que essas descobertas significam?
Os resultados apontam que homicidas sexuais se diferenciam de outros homicidas e de agressores sexuais, orientando seus crimes contra um grupo heterogêneo de vítimas em que predominam as mulheres.
Palavras-Chave: homicídio; delitos sexuais; sadismo; psicologia criminal; vítimas de crime
Introdução
o homicídio sexual é definido como violência letal associada com elementos ou motivações sexuais, majoritariamente praticado por homens contra mulheres. Apesar de se tratar de crime de menor frequência, observa-se crescente interesse clínico e médico-legal por suas particularidades e características do agressor.
Objetivo
revisar a literatura científica sobre homens autores de homicídio sexual de vítimas adultas.
Método
revisão sistemática com os MeSH ((“Sex Offenses”[Mesh]) AND “Homicide”[Mesh]) nas bases do MEDLINE, LILACS, MENDELEY e SciELO, entre 1992 e 2023. Utilizou-se a estratégia PICO com população estudada (agressores sexuais masculinos), intervenção (homicídio de vítimas adultas), contexto (violência sexual) e desfecho (potencial relação entre as questões). As etapas de seleção e de análise dos artigos contou com dois pesquisadores independentes. Foram incluídos estudos originais, excluindo-se revisões, cartas ao editor, publicações em anais, livros e capítulos, teses e dissertações. Os artigos selecionados foram apresentados por metassíntese qualitativa.
Resultados
dos 70 artigos selecionados, 66 artigos (94,2%) adotaram métodos quantitativos, 2 (2,9%) desenho qualitativo e 2 (2,9%) relatos de caso. Encontramos 41 artigos (58,6%) conduzidos na América do Norte e 22 artigos (31,4%) na Europa, totalizando 63 artigos (90,0%). Outros cinco artigos (7,1%) foram da Ásia, um (1,4%) da África e um (1,4%) da Oceania. Em 52 artigos (74,3%) encontramos ênfase aos aspectos relacionados aos transtornos psiquiátricos, comportamentais ou psicológicos do agressor, o sadismo sexual, ou formas de violência sexual ou de desfecho letal empregadas.
Conclusão
homens homicidas sexuais têm características que os diferenciam de outros agressores homicidas ou daqueles que praticam violência sexual, orientando seus crimes para um grupo heterogêneo de vítimas adultas. Os estudos se concentraram nos transtornos psiquiátricos e comportamentais do agressor, assim como a relação com vivências traumáticas na infância.
Palavras-Chave: homicídio; delitos sexuais; sadismo; psicologia criminal; vítimas de crime
Why was this study done?
Homicides driven by sexual motives are deemed relatively uncommon crimes, despite their significant appeal and social visibility. Sexual homicides are gaining increasing clinical and medico-legal interest due to their peculiarities and the characteristics of the perpetrator.
What did the researchers do and find?
The authors conducted a systematic literature review of the past 30 years using the PICO strategy, presenting results through qualitative metasynthesis. Seventy articles were selected, mostly focusing on the psychiatric and behavioral disorders of sexual homicide perpetrators, forms of sexual violence, and employed lethal outcomes.
What do these findings mean?
The results indicate that sexual homicide perpetrators differ from other murderers and sexual offenders, directing their crimes towards a diverse group of victims, with a predominance of women.
Key words: homicide; sex offenses; sadism; criminal psychology; crime victims
Introduction
sexual homicide is defined as lethal violence associated with sexual elements or motivations, predominantly perpetrated by men against women. Despite being a less frequent crime, there is a growing clinical and forensic interest in its specificities and the characteristics of the aggressor.
Objective
to review the scientific literature on men who commit sexual homicide against adult victims.
Methods
systematic review with MeSH ((“Sex Offenses”[Mesh]) AND “Homicide”[Mesh]) in the databases of MEDLINE, LILACS, MENDELEY and SciELO, between 1992 and 2023. The PICO strategy was used with the studied population (male sexual offenders), intervention (homicide of adult victims), context (sexual violence), and outcome (potential relationship between the issues). The stages of article selection and analysis involved two independent researchers. Original studies were included, excluding reviews, editorials, conference proceedings, books and chapters, theses, and dissertations. The selected articles were presented through qualitative meta-synthesis.
Results
of the 70 selected articles, 66 articles (94.2%) adopted quantitative methods, 2 (2.9%) qualitative design, and 2 (2.9%) case reports. We found 41 articles (58.6%) conducted in North America and 22 articles (31.4%) in Europe, totaling 63 articles (90.0%). Another five articles (7.1%) were from Asia, one (1.4%) from Africa, and one (1.4%) from Oceania. In 52 articles (74.3%), there was an emphasis on aspects related to psychiatric, behavioral, or psychological disorders of the perpetrator, sexual sadism, or forms of sexual violence or lethal outcomes employed.
Conclusion
sexual homicidal men possess characteristics that set them apart from other homicidal offenders or those who commit sexual violence, directing their crimes towards a heterogeneous group of adult victims. Studies have focused on the psychiatric and behavioral disorders of the perpetrator, as well as the relationship with traumatic experiences in childhood.
Key words: homicide; sex offenses; sadism; criminal psychology; crime victims
Sexual homicides were frequently associated with personality disorders, conduct disorders, sexual sadism, use of psychoactive substances, and paraphilias. Death of the victim by strangulation, beating, or mutilation were highlighted in sexual homicides. The recurrence of this type of crime proved to be relevant. Most of the articles point to a high prevalence of sexual homicides against women, which could be classified as sexual femicide.
Key words: homicide; sex offenses; sadism; criminal psychology; crime victims
INTRODUÇÃO
Os homicídios sexuais começaram a ser objeto de estudo em 1886, a partir da publicação Psychopathia Sexualis, do psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing, na qual cunhou os termos sadismo fatal relacionado à sua ocorrência1. Atualmente, o homicídio sexual pode ser definido como a violência letal intencional com evidência de elemento sexual praticado antes, durante ou após o homicídio1, embora alguns autores considerem que o contato sexual direto não seja obrigatório quando o ato de matar se torne a gratificação sexual do agressor2.
Não existe uma taxa global desse crime e poucos países têm estimativas como a África do Sul, onde ocorrem 3,65 casos por 100 mil mulheres adultas e adolescentes3. Contudo, há consenso de que o homicídio sexual é incomum e de baixa prevalência. Além disso, por depender de notificação e registro específico nos bancos de dados oficiais seus números são considerados incertos. Mesmo com essa limitação, as estimativas variam de 1% dos homicídios nos Estados Unidos4 a 4% no Canadá5. Acredita-se que a prevalência seja significativamente maior em países em conflito armado, principalmente contra mulheres e crianças, embora com motivações específicas e diferentes dos demais homicídios sexuais4.
A maioria dos homicídios sexuais é cometida por perpetradores do sexo masculino6,7 e a maioria das vítimas são mulheres8,9. O crime geralmente envolve um perpetrador e uma vítima e casos de múltiplos agressores ou de múltiplas vítimas simultâneas são incomuns10. Ainda menos frequentes são os homicídios sexuais praticados de forma serial11.
Assim como em outros crimes violentos, os homicídios sexuais podem ser praticados com o uso de armas. Contudo, o estrangulamento, a asfixia ou o espancamento parecem ser mais frequentes nos homicídios sexuais12,13. Homens geralmente são apontados como os principais perpetradores7, com ampla variedade de pensamentos e de emoções que os motivam para o crime, desde o planejamento e a escolha da vítima, até o desfecho de um ato impulsivo e de fúria4,14,15. Acredita-se que cada homicídio sexual possa conter elementos que permitam distinguir dinâmicas internas e motivações do agressor4,16,17.
Estudos sobre homicidas sexuais têm encontrado prevalências significativas de transtornos psiquiátricos18, transtornos comportamentais19,20, parafilias21, sadismo9,22, transtornos de personalidade22,23, e antecedente de experiência traumática na infância23-25. Também são consideradas as lesões morfológicas e os déficits funcionais de certos centros cerebrais como parte de comportamentos violentos26 e de anormalidades genitais dos agressores na infância27-29.
Não existem dados sobre homicídios sexuais no Brasil e os poucos estudos disponíveis reportam situações envolvendo crianças e adolescentes. Mesmo assim, observa-se crescente interesse clínico e médico-legal, tanto pelas características da violência e sua gravidade como aspectos do agressor, como por sua ocorrência contra mulheres enquanto feminicídios sexuais. Assim, o objetivo é analisar os desfechos de mortalidade por perpetradores masculinos do homicídio sexual contra pessoas adultas.
MÉTODO
Revisão sistemática da literatura com metassíntese qualitativa, modalidade que compreende e associa achados qualitativos e quantitativos de estudos com diferentes desenhos permitindo a análise por outras perspectivas e interpretações. A metassíntese qualitativa é empregada nas ciências da saúde por permitir a inclusão de estudos com experiências individuais no processo saúde-doença, possibilitando a assimilação de características dos indivíduos perante experiências vividas e relações interpessoais, com indicação nas investigações em psiquiatria30.
Adotou-se a estratégia Patient, Intervention, Comparison e Outcomes (PICO) na construção da pesquisa, com a pergunta contendo a população estudada (agressores sexuais masculinos), intervenção (homicídio de vítimas adultas), contexto (violência sexual) e desfecho (potencial relação entre as questões). Dessa forma, a população do estudo foi de homens perpetradores de homicídio sexual, de qualquer idade, que praticaram o crime contra vítimas adultas, masculinas ou femininas. Foram excluídos estudos envolvendo crianças e adolescentes.
Os resultados de interesse da revisão foram: a) informações sobre a psicopatologia do homicida sexual; b) características sociodemográficas do agressor e da vítima; c) experiências traumáticas na infância do agressor; d) possibilidade de reincidência; e) modus operandi do agressor e cena do crime; f) tipo de violência sexual praticada; e g) forma de agressão para o desfecho letal.
Limitou-se a busca para o intervalo de 1992 a 2023, últimos 30 anos, período com maior concentração de publicações conforme apontado pelo Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE). Não se aplicou critério de idioma para a inclusão ou exclusão de artigos. Foram consultadas as bases de dados eletrônicas do Scientific Electronic Library Online (SciELO), do Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), MENDELEY e do MEDLINE, com a combinação de descritores (“Homicide”[Mesh]) AND “Sex Offenses”[Mesh]).
Foram considerados estudos originais de incidência, prevalência, prognóstico, diagnóstico, observacional, rastreamento, transversal, relato de caso, ensaio clínico controlado e pesquisas qualitativas. Foram excluídos artigos de revisão, cartas ou comentários ao editor, livros ou capítulos, duplicatas, teses, dissertações, monografias e artigos inacessíveis.
Todo o processo seleção e análise dos artigos foi conduzido por dois pesquisadores independentes e os casos de divergência sobre inclusão ou exclusão foram decididos por terceiro pesquisador. Na primeira etapa identificou-se 731 artigos, com 492 no MEDLINE, 193 na MENDELEY, 27 na LILACS, e 19 na SciELO. A triagem baseada na leitura de títulos, resumos e população de estudo resultou na exclusão de 506 artigos. Dos 225 artigos selecionados para leitura, 155 foram excluídos devido: 86 (55,5%) por fuga do tema; 39 (25,1%) revisões; 11 (7,1%) duplicatas; oito (5,2%) livros ou capítulos; cinco (3,2%) teses; quatro (2,6%) cartas ao editor; e dois (1,3%) artigos indisponíveis.
Terminou-se com 70 artigos selecionados com fichamento em Microsoft Excel®. Solicitação de pagamento para acessar o texto completo ocorreu em 49 (70,0%) dos 70 artigos selecionados. A síntese do fluxo, estratégia de busca e processo de seleção encontra-se na figura 1. Por se tratar de revisão sistemática este artigo está isento de submissão e aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Artigo 26 da Resolução N° 674, Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.
RESULTADOS
Considerando os delineamentos de pesquisa, 66 artigos (94,2%) adotaram métodos quantitativos, dois artigos (2,9%) desenho qualitativo e dois artigos (2,9%) foram relatos de caso. Quanto à distribuição geográfica da produção, 41 artigos (58,6%) foram conduzidos na América do Norte e 22 artigos (31,4%) elaborados na Europa, totalizando 63 artigos ou (90,0%) dos selecionados. Outros cinco artigos (7,1%) foram da Ásia, um artigo (1,4%) da África e um artigo (1,4%) da Oceania. Não ocorreram pesquisas da América Latina e do Caribe.
Os artigos abordaram vários aspectos relacionados ao autor do homicídio sexual utilizando instrumentos e modelos de análise diversos em populações heterogêneas, o que limitou comparações. Em 52 artigos (74,3%) observou-se o predomínio de variáveis de estudo relacionadas aos transtornos psiquiátricos, comportamentais ou psicológicos do homicida sexual, com ênfase ao sadismo, além de parafilias, formas de violência sexual e meios para o desfecho letal empregados. Uma ou mais temáticas identificadas foram agrupadas conforme a tabela 1, indicando suas autorias e a referência dos artigos em que foram abordadas.
Tabela 1 : Principais aspectos ou temas identificados nas variáveis de estudo dos 70 artigos selecionados, considerando uma ou mais temáticas abordadas por artigo
| Temática | n | % | Referência do artigo |
|---|---|---|---|
| Transtornos psiquiátricos ou comportamentais do agressor | 24 | 34,3 | 1, 13, 15, 17, 18, 19, 22, 23, 24, 25, 33, 47, 48, 50, 51, 55, 56, 57, 58, 60, 62, 64, 69, 80 |
| Tipos de violência sexual ou formas de desfecho letal empregadas | 19 | 27,1 | 3, 7, 8, 11, 13, 18, 29, 33, 35, 50, 51, 52, 55, 60, 66, 67, 70, 71, 79 |
| Sadismo sexual | 12 | 17,1 | 9, 12, 15, 22, 23, 24, 25, 42, 47, 48, 49, 80 |
| Antecedente de vivências traumáticas na infância | 8 | 11,4 | 13, 19, 23, 24, 44, 45, 77, 78 |
| Cena do crime e modus operandi do agressor | 8 | 11,4 | 16, 37, 38, 49, 65, 67, 72, 79 |
| Reincidência do agressor | 7 | 10,0 | 17, 19, 36, 73, 75, 77, 78 |
| Classificações, categorias, tipologias | 7 | 10,0 | 12, 14, 40, 41, 42, 53, 59 |
| Homicídios sexuais praticados por jovens | 7 | 10,0 | 19, 33, 34, 36, 42, 73, 78 |
| Crimes seriais de homicídio sexual | 5 | 7,1 | 11, 15, 25, 39, 56 |
| Transtornos físicos do agressor | 3 | 4,3 | 22, 27, 46 |
| Outros | 9 | 12,8 | 3, 6, 10, 32, 54, 61, 63, 68, 73 |
A síntese dos principais achados dos 70 artigos originais selecionados é apresentada no tabela 2 em ordem cronológica, indicando autores, ano de publicação, periódico e características do estudo.
Tabela 2 : Síntese dos principais achados em 70 artigos selecionados sobre homens perpetradores de homicídios sexuais de vítimas adultas, período de 1992 a 2023
| Autores/Ano | Publicação | Características do Estudo | Síntese de Resultados |
|---|---|---|---|
| Myers e Blashfield33 (1997) | Journal of American the Academy of Psychiatry and the Law | Análise de personalidade e psicopatologia de 14 homicidas sexuais jovens. Conduzido nos EUA | Encontrados escores altos de transtornos de personalidade e psicopatia. Dois terços relataram fantasias sexuais violentas. A maioria usou faca para matar vítimas conhecidas selecionadas por risco baixo |
| Firestone et al.23 (1998) | Journal of American the Academy of Psychiatry and the Law | Compara 48 homicidas sexuais com autores de incesto utilizando o Derogatis Sexual Functioning Inventory, Buss-Durkee Hostility Inventory, e Psychopathy Checklist-Revised. Conduzido no Canadá | Homicidas sexuais relataram terem sido retirados do lar na infância e mais experiências de violência. Mostraram níveis mais altos de resposta a estímulos pedófilos, maior frequência de psicose, transtorno de personalidade, parafilias, sadismo e uso de substâncias |
| Myers et al.19 (1998) | Journal of Forensic Sciences | Estudo descritivo com 14 homens jovens encarcerados por homicídio sexual por meio de entrevistas. Conduzido nos EUA | Todas as vítimas eram mulheres da mesma raça e moravam no mesmo bairro. Armas foram usadas em quase todos os casos. Treze jovens tinham histórico de violência. Contextos caóticos, abusivos e má adaptação escolar foram típicos. Transtorno de conduta esteve presente em doze jovens. Fantasias sexuais violentas foram reportadas em metade da amostra |
| Myers e Monaco34 (2000) | Journal of Forensic Sciences | Estudo com 14 jovens que cometeram homicídio sexual empregando diferentes instrumentos. Conduzido nos EUA | Os autores não encontraram evidências de que os homicídios sexuais praticados por adolescentes sejam consequência da raiva |
| Gacono et al.57 (2000) | Journal of Clinical Psychology | Comparação de 32 psicopatas não agressores sexuais, 38 homicidas sexuais e 39 pedófilos em variáveis selecionadas do Rorschach. Conduzido nos EUA | Os perpetradores de homicídios sexuais apresentaram altos níveis de pensamento obsessivo e incapacidade de se desvencilhar dos estímulos ambientais |
| Kocsis et al.14 (2002) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Estudo com amostra de 85 homicídios sexuais de todas jurisdições australianas, com escalonamento multidimensional. Conduzido na Austrália | Foram identificados quatro padrões de agressor: predador, furioso, perversão e estupro. Cada padrão apresentou dinâmicas e estilos distintos de crime |
| Langevin24 (2003) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Compara 33 assassinos sexuais com 80 agressores sexuais não homicidas condenados. Conduzido no Canadá | Homicidas sexuais iniciaram crimes mais cedo, participaram mais de grupos criminosas e cometeram mais crueldade com animais. Foi mais frequente o sadismo, fetichismo e voyeurismo, transtorno de personalidade e comprometimento neuropsicológico |
| Porter et al.1 (2003) | Law and Human Behavior | Comparação de 18 homicidas sexuais psicopatas e 20 não psicopatas pelo Psychopathy Checklist-Revised (PCL-R). Conduzido no Canadá | 84,7% dos assassinos sexuais pontuaram na faixa moderada a alta no PCL-R. 82,4% dos homicidas sexuais psicopatas apresentou algum grau de comportamento sádico nos crimes |
| Milsom et al.44 (2003) | Sexual Abuse | Estudo qualitativo sobre níveis de solidão de homicidas sexuais e estupradores não homicidas. Conduzido no Reino Unido | Assassinos sexuais apresentaram níveis mais altos de queixa em relação às mulheres na infância e de solidão na adolescência |
| Huprich et al.58 (2004) | Behavioral Sciences & the Law | Aplicação Rorschach Oral Dependency Scale em 32 psicopatas não agressores sexuais, 38 homicidas sexuais e 39 pedófilos. Conduzido nos EUA | Pedófilos não violentos apresentaram escores mais altos de dependência interpessoal. Observou-se alto grau de associação entre dependência interpessoal e agressão entre homicidas sexuais |
| Hill et al.48 (2006) | Journal of Personality Disorders | Compara características de 61 homicidas sádicos sexuais e 105 homicidas sexuais não sádicos. Conduzido na Alemanha | Nos agressores com sadismo sexual foi mais frequente antecedente na infância de enurese noturna, isolamento, sinais de TDAH, abuso físico e mentiras recorrentes |
| Briken et al.46 (2006) | American Journal of Medical Genetics, Neuropsychiatric Genetics | Análise de três casos de homicidas sexuais com cariótipo XYY (Síndrome de Jacob). Conduzido no Canadá | A Síndrome de Jacob foi encontrada em 1,8% dos agressores de homicídios sexuais, com anormalidades pré-púberes, problemas escolares e abuso físico. Todos foram diagnosticados como sádicos sexuais |
| Briken et al.49 (2006) | Journal of Forensic Sciences | Compara a associação de transtorno parafílico e transtorno sexual excessivo não parafílico em 161 homicidas sexuais. Conduzido na Alemanha | O grupo com ambas as condições apresentou o mais transtorno de impulsividade sexual, mais problemas de desenvolvimento, maior número de crimes sexuais anteriores, sadismo sexual e masturbação compulsiva. |
| Hill et al.25 (2006) | Psychopathology | Compara transtornos psiquiátricos entre 130 homicidas sexuais únicos e 36 múltiplos com o Structured Clinical Interview. Conduzido na Alemanha | Nos homicidas sexuais múltiplos foi mais frequente o sadismo sexual, voyeurismo e transtornos de personalidade sádicos, antissociais e esquizoides |
| Oliver et al.62 (2007) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Comparação entre 58 homicidas sexuais e 112 estupradores com a escala Millon Clinical Multiaxial Inventory-III. Conduzido no Reino Unido | Homicidas sexuais se mostraram menos propenso a ter relacionamento no momento do crime e tenderam a selecionar vítimas mais velhas. Não foram encontradas diferenças nas escalas de personalidade |
| Morrison64 (2007) | Journal of Forensic Sciences | Relato de caso. Conduzido no Canadá | Relato de caso de stalking no local de trabalho seguido de homicídio sexual da mulher. Discute o stalker predatório como agressor perigoso e violento |
| Ujeyl et al.17 (2008) | Der Nervenarzt | Comparação de 45 homicidas sexuais detidos em hospital psiquiátrico forense e 89 homicidas sexuais em sistema prisional. Conduzido na Alemanha | Homicidas sexuais em hospitais psiquiátricos mostraram maior morbidade psiquiátrica e risco pouco maior de violências sexual e não sexual futura. Com menor frequência foram liberados do hospital, mas não apresentaram reincidência mais alta de violência sexual |
| Hill et al.74 (2008) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Estudo sobre reincidência com 90 homicidas sexuais por análises de Kaplan-Meier. Conduzido na Alemanha | O risco foi de 23,1% para reincidências violentas sexuais e de 18,3% para reincidências violentas não sexuais. As reincidências violentas foram associadas com agressores jovens no primeiro crime sexual |
| Abrahams et al.3 (2008) | Forensic Science International | Comparação de homicídios sexuais e não sexuais de mulheres com mais de 13 anos em amostra nacional aleatória e proporcional de laboratórios médico-legais. Conduzido na África do Sul | Homicídio sexual ocorreu em 16,3% dos casos, taxa de 3,65/100.000 mulheres. Foi mais frequente o agressor não conhecer a vítima, geralmente mais velha do que ele, com maior número de ferimentos e de morte por estrangulamento ou trauma contuso |
| Myers et al.71 (2008) | Forensic Science International | Relato de caso. Conduzido nos EUA | Cinco casos de homicidas sexuais em série com asfixia autoerótica. Todos apresentaram sadismo sexual |
| Busch et al.77 (2009) | Psychological Reports | Estudo sobre risco de reincidência de adultos jovens condenados por estupro, homicídio sexual e abuso sexual. Conduzido nos EUA | A baixa maturidade social e condenação anterior foram preditores de risco de reincidência de homicidas sexuais pareados com delinquentes não violentos, os preditores foram baixa maturidade social e contatos judiciais |
| Häkkänen-Nyholm et al.13 (2009) | Forensic Science International | Compara 676 condenados por homicídio sexual e não sexual a partir de boletins de ocorrência e laudos de exame forense, pontuados com o PCL-R. Conduzido na Finlândia | Em 18 casos (2,8%) foi identificado homicídio sexual. Estrangulamento e descarte do corpo foram mais frequentes nos homicídios sexuais. Problemas de saúde mental, abuso sexual na infância e história de crime sexual foram mais comuns em homicidas sexuais |
| Myers et al.36 (2009) | Journal of Investigative Psychology and Offender Profiling | Estudo descritivo sobre reincidência com 22 jovens homicidas sexuais. Conduzido no Canadá | Transtorno de conduta, de personalidade e sadismo sexual foram prevalentes. Reincidência ocorreu em 55% com maiores escores no Hare Psychopathy Checklist-Revised. 27% evoluiu para homicidas sexuais em série |
| Schlesinger et al.37 (2010) | Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law | Amostra nacional de 38 agressores seriais de homicídio sexual sexuais e 162 vítimas, avaliando o uso rituais ou marcas pessoais nos crimes. Conduzido nos EUA | Não se encontrou sinais de “assinatura” do agressor ou envolvimento com rituais. A conduta dos homicidas sexuais na cena do crime se mostrou heterogênea e complexa |
| Chan et al.65 (2010) | Journal of Forensic Sciences | Relação entre raça do agressor e a vítima em amostra do Supplemental Homicide Reports, 1976-2005. Conduzido nos EUA | Homicidas sexuais brancos foram altamente propensos a matar pessoas da mesma raça, enquanto que agressores negros mataram tanto pessoas negras como brancas |
| Koch et al.22 (2011) | Journal of Forensic Sciences | Compara transtornos psiquiátricos entre 166 homicidas sexuais e 56 não homicidas usando o Structured Clinical Interview for DSM Axis II Disorders (SCID-II) e o PCL-R. Conduzido na Alemanha | Homicidas sexuais foram diagnosticados mais frequentemente com transtorno de personalidade (80,1% versus 50%), personalidade esquizoide (16,3% versus 5,4%), sadismo sexual (36,7% versus 8,9%) e disfunções sexuais (21,7% versus 7,1%) |
| Hill et al.75 (2012) | Journal of Interpersonal Violence | Estudo com 90 homicidas sexuais após libertados com PCL-R, Assessing Risk for Violence-20 (HCR-20), Sexual Violence Risk-20 (SVR-20) e Static-99 na predição de reincidência. Conduzido na Alemanha | Os escores totais e as subescalas dos instrumentos examinados não se mostraram capazes de predizer a reincidência do homicídio sexual |
| Healey et al.59 (2013) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Estudo com 268 homicidas sexuais sobre sadismo sexual e aspectos da cena do crime. Conduzido no Canadá | Os resultados sugeriram que vários comportamentos na cena do crime se sobrepõem ao diagnóstico de sadismo sexual, capazes de distinguir entre agressores sexuais de mulheres e homicidas sexuais |
| Beauregard e Martineau8 (2013) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Estudo descritivo sobre 250 homicídios sexuais solucionados entre 1948 e 2010. Conduzido no Canadá | As vítimas foram mulheres (89,7%) com média de idade 27,2 anos e brancas (62,8%). Agressor com média de idade 28,4 anos, branco (66%) e solteiro (57,2%). Os homicídios ocorreram com espancamento (47,1%), estrangulamento (41,7%) e intercurso vaginal (46,3%) |
| Rettenberger et al.27 (2013) | The Journal of Sexual Medicine | Investiga antecedente de anormalidades genitais na infância e o desenvolvimento de problemas psicossexuais entre 163 condenados por homicídio sexual. Conduzido na Alemanha | A prevalência de criptorquidia, hipospádia e fimose foi maior nos homicidas sexuais do que na população geral. Agressores com essas anormalidades mostraram mais disfunções sexuais na idade adulta e interesses sexuais masoquistas. |
| Sewall et al.40 (2013) | Sexual Abuse | Estudo com dados biográficos de 82 homicidas sexuais em série para testar modelo de tipologia do agressor. Conduzido no Canadá | A análise produziu cinco componentes compostos por características do agressor e do crime. A análise de cluster revelou três grupos distintos de perpetradores: infratores sádicos, infratores em desvantagem competitiva e slashers |
| Chan et al.56 (2015) | Criminal Behavioral Mental Health | Comparação entre 73 homicidas sexuais com vítima única e 13 homicidas sexuais em série. Conduzido no Canadá | Homicidas sexuais em série foram mais propenso a fantasias sexuais desviantes, selecionar vítima e de premeditação estruturada. Apresentaram mais traços narcisistas, esquizoides e obsessivo-compulsivos, masoquismo sexual, pedofilia e voyeurismo |
| Kerr e Beech60 (2016) | Journal of Interpersonal Violence | Estudo qualitativo com oito condenados por homicídio sexual detidos em hospital de segurança. Conduzido no Reino Unido. | Encontrados quatro temas significativos para compreender homicídio sexual: vingar o abuso sexual, reação transtorno psíquico, impulso homicida e solidão |
| Khachatryan et al.78 (2016) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Análise de oito casos de adolescentes homicidas sexuais após 30 anos da condenação. Conduzido nos EUA | A duração média da pena foi de 12 anos e 2 meses. Metade dos agressores foram presos novamente por crimes sem relação com o homicídio sexual |
| Chan e Beauregard18 (2016) | Journal of Interpersonal Violence | Comparação do perfil psicopatológico de 96 agressores sexuais não homicidas e 74 homicidas em detenção. Conduzido no Canadá. | Homicidas sexuais selecionaram e mutilaram mais as vítimas, têm mais fantasias sexuais desviantes e admitem o crime quando presos. Têm mais traços de personalidade paranoide, esquizoide, borderline, histriônica, narcisista e obsessivo-compulsiva |
| Healey et al.41 (2016) | Sexual Abuse | Explora o homicida sexual como tipo único de hipótese de agressor e o homicídio sexual como desfecho diferencial da hipótese de agressão sexual. Conduzido no Canadá | Os resultados sugeriram que ambas as hipóteses podem ser sustentadas |
| Myers et al.31 (2016) | Criminal Behavioral Mental Health | Estudo sobre idade de prisão e tendências de incidência do homicídio sexual em três décadas. Conduzido nos EUA | A idade média da prisão por homicídio sexual aumentou de 25 anos para 29 anos. No período estudado houve queda nos números de homicídio sexual |
| Beauregard e Martineau38 (2016) | Journal of Interpersonal Violence | Avalia o efeito do comportamento organizado do homicida sexual em evitar a detecção do crime. Conduzido no Canadá | Houve relação entre o comportamento organizado do agressor e medidas para retardar ou evitar a detecção do crime |
| Martineau e Beauregard72 (2016) | Police Practice and Research | Estudo sobre o deslocamento do homicida sexual em amostra de 214 casos. Conduzido no Canadá | Homicidas sexuais que se envolvem em deslocamentos relacionados ao crime tendem a, atingir vítimas profissionais do sexo e mover o corpo após o crime |
| Carter et al.67 (2017) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Compara a cena do crime de 65 casos de homicídio sexual e 64 casos de homicídio não sexual. Conduzido no Reino Unido | As vítimas de homicídio sexual foram geralmente encontradas no domicílio, com a metade inferior do corpo exposta e com evidências de sexo vaginal, com lesões extremas e estrangulamento mais frequentes |
| Schlesinger et al.39 (2017) | Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law | Amostra nacional não aleatória com 44 homicidas sexuais seriais e 201 vítimas buscando estabelecer o tempo entre os crimes. Conduzido nos EUA | 56,8% dos agressores cometeram homicídios sexuais com mais de 14 dias de intervalo, 43,2% cometeram crimes em sequência rápida (menos de 14 dias), e 13,6% com intervalo de poucos dias |
| Myers et al.6 (2017) | Journal of Forensic Sciences | Análise de 55 homicídios sexuais com recorte de idade de 55 anos a partir de dados do US Supplementary Homicide Reports. Conduzido nos EUA | 32 homicidas sexuais tinham idade ≥ 55 anos (0,5%). Praticaram o crime contra mulheres com mais idade, sendo dois terços com 40 anos ou mais e um terço com 55 anos ou mais |
| Higgs et al.68 (2017) | Sexual Abuse | Comparação de 48 homicídios sexuais de mulheres com ato sexual post-mortem com 48 crimes sexuais sem homicídio. Conduzido no Reino Unido | Os homicídios sexuais com atos sexuais post-mortem não foram relacionados com vítimas desconhecidas ou com o uso de armas |
| DeLisi e Beauregard45 (2018) | Journal of Forensic Sciences | Estudo com 85 homens condenados por homicídio sexual associando o crime com experiências adversas sofridas na infância pelo agressor. Conduzido no Canadá | A chance de cometer homicídio sexual aumentou 334% no antecedente de violência, 249% quando vitimados, e 546% no total de experiências adversas. Os efeitos se intensificaram em modelos ajustados para enurese infantil, crueldade com animais, abandono parental, comportamento sexual desviante, problemas de autoimagem e transtornos sexuais |
| Chan et al.7 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Dados de 59 homicídios sexuais coletados de relatórios de casos e de banco de dados policiais, 1994 a 2016. Conduzido na China | Agressores mostraram idade média de 32,4 anos, 97% homens, 67% solteiros, 68% com ensino médio, 80% sem condenação anterior. 83% das vítimas foram mulheres, 63% sem relação com o agressor, 57% abordadas com fraude. Em 41% se utilizou arma para o crime, 88% com ato vaginal e 47% com mutilação |
| Higgs et al.10 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Estudo descritivo com 21 homicídios sexuais com dois ou mais agressores e duas vítimas simultâneas. Conduzido no Canadá | Nenhum homicida sexual foi identificado como dominante ou passivo e eram ativos nos atos sexuais e violentos. Não se encontrou evidência de que um dos agressores fosse coagido pelo outro |
| Sturup et al.61 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Comparação de 33 homicídios sexuais identificados em banco de dados, 1990-2013, comparando com homicídios não sexuais. Conduzido na Suécia | Homicídios sexuais foram 1,6% dos casos. 82% foram esclarecidos, mas levou mais tempo. Foi mais frequente o estrangulamento e menor idade da vítima. A maioria tinha transtorno de personalidade |
| Chan e Li52 (2019) | Behavioral Sciences & the Law | Compara características de 82 homicidas sexuais que mutilaram vítimas e 31 que não o fizeram. Conduzido na China | Agressores que mutilaram vítimas foram mais motivados pelo sexo do que por ganho financeiro e mais propensos a ter condenação anterior por crime sexual |
| Stefanska et al.9 (2019) | Psychological Assessment | Explora o sadismo em amostra nacional de 350 homicídios sexuais contra mulheres com o Sexual Sadism Scale (SeSaS). Conduzido no Reino Unido | A prevalência do sadismo sexual foi estimada em 37% na amostra |
| Chopin e Beauregard63 (2019) | Behavioral Sciences & the Law | Comparação entre 1.263 estupros violentos e 303 homicídios sexuais de mulheres adultas. Conduzido na França | Violência física e resistência da vítima foram associadas ao homicídio sexual, assim como uso de substâncias psicoativas e isolamento social do agressor |
| Sea et al.35 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Compara homicídios sexuais cometidos por agressores coreanos e canadenses. Conduzido na Coreia. | Encontraram diferenças específicas entre os dois grupos agressores relacionadas à história criminal, idade do agressor, modus operandi, tipo de violência e uso de armas |
| Rajan47 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Análise de agressores de 51 casos de homicídio sexual a partir de escores para sadismo sexual e para psicopatia. Conduzido na Escócia | A psicopatia e o sadismo sexual desempenharam papéis-chave no homicídio sexual, interagindo entre si e determinando diferentes aspectos dos crimes e dos agressores |
| James et al.15 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Análise de 120 homicídios sexuais comparando 33 agressores seriais e 87 agressores não seriais. Conduzido na França | O modus operandi dos agressores seriais se mostrou moldado por fantasias homicidas, sádicas e de estupro. Nos agressores não seriais foi moldado pela necessidade de satisfazer necessidades sexuais imediatas |
| Chan et al.66 (2019) | Sexual Abuse | Compara 3.009 homicídios sexuais praticados por homens e 151 por mulheres sobre tipo de arma empregada. Conduzido nos EUA | Homicidas sexuais do sexo masculino usaram significativamente menos armas que exigissem menor contato físico direto com a vítima, como armas de fogo e armas brancas |
| Koeppel et al.11 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Amostra nacional comparando 207 homicídios sexuais não seriais e 53 seriais e introdução de objetos estranhos no corpo da vítima. Conduzido nos EUA | A ocorrência de introdução de objetos estranhos foi semelhante nos dois grupos. Não se encontrou evidência de que esses agressores fossem psicóticos, com níveis semelhantes de sadismo nos dois grupos |
| Chan et al.53 (2019) | Criminal Behavioral Mental Health | Análise de 67 homicídios sexuais de três regiões da China segundo motivação por poder e controle, sexo e raiva, e ganho financeiro. Conduzido na China | Homicidas sexuais motivados por sexo, dinheiro e raiva eram mais propensos a atingir mulheres desconhecidas. Os agressores motivados por poder e controle foram mais propensos a atingir as parceiras |
| Rodre et al.50 (2019) | Nordic Journal of Psichiatry | Registros nacionais de homicídios com sentenças judiciais com 72 agressores do sexo masculino submetidos ao PCL-R. Conduzido na Suécia | Condenados por homicídio sexual apresentaram escores mais altos de PCL-R. 60% tinham condenação anterior por crime violento, 80% das vítimas eram mulheres e 60% usaram arma de fogo |
| Chopin e Beauregard80 (2019) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Compara homicidas sexuais, homicidas não sexuais e agressores sexuais violentos não homicidas. Conduzido no Canadá | Homicidas sexuais foram mais propensos a transtornos parafílicos e disfunção sexual. Foi mais frequente vítima desconhecida abordada de forma súbita ou fraude. Armas empregadas foram menos propensas de serem retiradas do local e mais recuperadas pela polícia. |
| Chopin e Beauregard42 (2020) | Journal of Forensic Sciencies | Comparação de 55 homicidas sexuais jovens com 281 adultos. Conduzido no Canadá | Quatro padrões diferentes de homicida sexual jovem foram identificados: oportunista explosivo, sádico, raiva supercontrolada e predador |
| Chan e Li54 (2020) | Journal of Criminal Justice | Estudo descritivo com 84 homicídios sexuais cometidos por homens em três regiões da China. Conduzido na China | Nas vítimas do sexo feminino os homicídios sexuais foram motivados principalmente pelo sexo e com uso de fraude para realizar a abordagem |
| Beauregard e DeLisi51(2021) | Journal of Interpersonal Violence | Comparação de 85 homicidas sexuais com agressores sexuais violentos não homicidas e agressores sexuais não homicidas. Conduzido no Canadá | Homicidas sexuais apresentaram maior frequência de Transtornos de Personalidade Esquizoide e Borderline, foram mais propensos a selecionar vítimas, empregar armas e usar drogas ilícitas e álcool antes do crime |
| Skott et al.32 (2021) | Journal of Interpersonal Violence | Estudo com banco de dados policial comparando 89 homicidas sexuais de mulheres adultas e 306 homicidas não sexuais. Conduzido na Escócia | Homicidas sexuais mostraram maior associação com indicadores de instrumentalidade e de desvio sexual |
| Chan73 (2021) | Behavioral Sciences & the Law | Amostra com 2.851 homicídios sexuais do Supplementary Homicide Reports, comparando crimes contra profissionais do sexo ou não. Conduzido no EUA | Nas trabalhadoras do sexo ocorreu maior frequência de armas de fogo e armas brancas (65,5% versus 41,5%) e contato físico violento menos frequente (34,5% versus 58,5%) |
| Chopin et al.69 (2021) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Análise de 109 homicídios sexuais com atos sexuais post-mortem praticados pelo agressor. Conduzido no Canadá | Quatro padrões de necrofilia no homicídio sexual foram encontrados: preferencial, oportunista, experimental e sádico. Apenas os homicidas preferenciais mataram vítimas para fazer sexo |
| Stefanska et al.55 (2021) | Journal of Interpersonal Violence | Análise de 350 homicídios sexuais comparando se o elemento sexual e o ato de matar se associavam de forma direta ou indireta, e nível de lesões segundo o Homicide Injury Scale (HIS). Conduzido no Reino Unido | Agressores com associação direta entre o elemento sexual e o crime se mostraram mais relacionados com fantasias desviantes. Não se encontrou diferença na média dos escores do HIS nos dois grupos. |
| Chai et al.16 (2021) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Investigação de padrões de descarte do corpo da vítima de homicídio sexual entre 250 casos solucionados e 100 não solucionados. Conduzido no Canadá | Em casos solucionados o corpo foi movido quando a vítima era trabalhadora do sexo e o corpo estava escondido e em decúbito ventral. Em casos não solucionados movimentação do corpo foi encontrada na trabalhadora do sexo com corpo recuperado ao ar livre |
| Beauregard et al.70 (2022) | Journal of Interpersonal Violence | Estudo com 662 casos de homicídio sexual comparando a inserção de objetos estranhos na vítima e homicídios sexuais sem inserção de objetos. Conduzido no Canadá | A inserção de objetos estranhos ocorreu em 84 casos (12,7%), mais frequente entre agressores com disfunção sexual, entre vítimas que usaram álcool ou drogas antes do crime ou que foram espancadas. Sexo post-mortem foi mais provável nos casos com a inserção de objetos |
| Kim et al.12 (2023) | Journal of Forensic and Legal Medicine | Análise de 451 homicídios sexuais de mulheres adultas por estrangulamento. Conduzido no Canadá | Três hipóteses apoiaram o homicídio sexual por estrangulamento: oportunidade, vulnerabilidade da vítima e sadismo sexual |
| Chopin et al.79 (2023) | Journal of Interpersonal Violence | Estudo com 613 agressores sexuais, 60 deles condenados por homicídio sexual. Conduzido no Canadá. | Indivíduos que experimentaram experiências adversas na infância eram mais propensos a desenvolver fatores de risco para o homicídio sexual |
| Chopin e Beauregard29 (2023) | International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology | Comparação de homicídios sexuais contra homens e mulheres adultas com dados do Homicide International Database. Conduzido no Canadá. | No homicídio sexual contra o sexo masculino foram usadas estratégias que consideraram o enfrentamento físico com a vítima. O gênero desempenhou papel importante nas escolhas dos agressores |
DISCUSSÃO
Dos 70 artigos selecionados, apenas um estudo reportou declínio dos homicídios sexuais. A análise de Myers et al.54, no período de 1976 a 2007, encontrou redução desse crime nos EUA praticado por homens jovens e adultos, além de significativo aumento da média de idade do agressor de 25 para 29 anos.
Alguns estudos descritivos colaboraram com informações sociodemográficas do agressor. Na China, dados de 59 homicídios sexuais coletados de relatórios de casos e banco de dados policiais entre 1994 e 2016, mostraram que os agressores tinham média de idade de 32,4 anos, 97% eram homens, 67% solteiros, 68% tinham ensino médio e 80% não tinham condenação criminal anterior7. No Canadá, estudo com 250 homicídios sexuais solucionados entre 1948 e 2010 encontrou média de idade do agressor de 28,4 anos, com 66% brancos e 57,2% solteiros8.
Homicidas sexuais de mulheres adultas parecem estar mais associados com indicadores de instrumentalidade e portadores de desvios sexuais com maior frequência73. Myers et al.19 estudaram homicidas sexuais jovens encarcerados nos EUA. Todas as vítimas foram mulheres da mesma raça e que moravam no mesmo território, sofrendo atos vaginais em mais da metade dos casos. Armas foram empregadas em quase todos os casos. Treze jovens agressores tinham histórico de violência e doze já haviam sido presos antes do homicídio sexual. Contextos caóticos, abusivos e baixa adaptação na escola foram eventos comuns, com transtorno de conduta presente em doze jovens e fantasias sexuais violentas reportadas em metade da amostra. Em estudos posteriores, Myers e Monaco32 e Myers e Blashfield31 não identificaram que os homicídios sexuais praticados por jovens fossem motivados pela raiva.
Homicidas sexuais jovens foram abordados no artigo de Myers e Blashfield31. Em 14 casos estudados foram encontrados escores moderadamente altos de transtornos de personalidade e psicopatia, com dois terços dos homicidas sexuais jovens relatando fantasias sexuais violentas. A maioria desses agressores usou facas para matar vítimas conhecidas e selecionadas como de baixo risco.
Por outro lado, encontrou-se apenas um artigo abordando homicidas sexuais idosos. Nos EUA, Myers et al.6 compararam 3.453 casos de homicídio sexual com recorte de idade de 55 anos a partir de dados do US Supplementary Homicide Reports. Os autores identificaram 32 homicidas sexuais idosos, 0,5% da amostra, destacando-se a preferência de vítimas mulheres com mais idade. Da mesma forma, apenas um artigo comparou características de homens homicidas sexuais de dois países64.
O homicídio sexual praticado de forma serial foi encontrado em alguns artigos. Myers et al.44, em estudo com 22 homens jovens que praticaram homicídio sexual encontraram alta prevalência de transtornos de conduta, transtornos de personalidade e sadismo sexual. A reincidência ocorreu em 55% dos casos nos agressores que apresentaram maiores escores no Hare Psychopathy Checklist-Revised, com 27% deles evoluindo para homicidas sexuais em série.
Schlesinger et al.45 avaliaram amostra nacional nos EUA de 38 homicidas sexuais em série e 162 vítimas sobre a possibilidade de que se envolveriam em rituais ou que deixariam alguma “assinatura” nos crimes. Os achados não sustentaram essas hipóteses, sugerindo que a conduta de homicidas serias na cena do crime se mostrou complexa e heterogênea.
Alguns estudos apontaram que autores de homicídio sexual em série, embora considerados metódicos, levaram tempo substancial entre os crimes para evitar serem identificados, da mesma forma que comportamentos organizados de homicidas sexuais não seriais parecem fazer para postergar a detecção do crime55. No entanto, essa informação foi contestada no estudo de Schlesinger et al.58, ao analisarem amostra nacional não aleatória de 44 homicidas sexuais seriais e 201 vítimas. Os autores encontraram 56,8% dos homicídios sexuais com mais de 14 dias de intervalo entre crimes, 43,2% praticados com menos de 14 dias, e 13,6% em rápida sequência com poucos dias de diferença.
No artigo de Sewall et al.49 testou-se um modelo que situou o homicídio sexual em série em três tipos de agressores a partir de dados biográficos de 82 indivíduos, considerando que outras tipologias careciam de embasamento teórico e suporte empírico. A análise produziu cinco componentes compostos por características do agressor e do crime e a análise de cluster revelou três grupos distintos de perpetradores: infratores sádicos, infratores em desvantagem competitiva e slashers.
Healey et al.53 exploraram o assassino sexual como tipo único de hipótese de agressor e o homicídio sexual como desfecho diferencial da hipótese de violência sexual. Em se tratando de homens homicidas sexuais jovens, Chopin e Beauregard70, identificaram padrões de agressor caracterizados em oportunista explosivo, sádico, raiva supercontrolada e predador.
Pesquisas enfocando possível efeito de experiências adversas na infância em homens que cometeram homicídio sexual são consideradas escassas, embora modelos teóricos têm postulado sua associação com o desenvolvimento de fatores de risco internos do agressor70. Contudo, encontrou-se alguns artigos que trataram desse aspecto. No Reino Unido, Milsom et al.34 realizaram estudo qualitativo comparando níveis de solidão emocional entre homicidas sexuais e estupradores não assassinos, empregando o método indutivo-dedutivo da Grounded Theory. Os homicidas sexuais relataram níveis mais altos de queixa em relação às mulheres na infância e de solidão na adolescência.
No Canadá, estudo de DeLisi e Beauregard60utilizou a estrutura de experiências adversas na infância para associações entre exposição à violência, vitimização e experiências adversas totais na infância, com amostra de 85 homens condenados por homicídio sexual. As chances de cometer homicídio sexual aumentaram 334% quando o agressor tinha antecedente de violência na infância, 249% quando foram vitimados, e 546% no total de experiências adversas. Esses efeitos se intensificaram em modelos ajustados para enurese infantil, crueldade com animais, abandono parental, comportamento sexual desviante, problemas de autoimagem e transtornos sexuais.
No Canadá, Firestone et al.23 compararam 48 homicidas sexuais com perpetradores de incesto, utilizando os instrumentos Derogatis Sexual Functioning Inventory, Buss-Durkee Hostility Inventory e o Psychopathy Checklist-Revised (PCL-R). Homicidas sexuais apresentaram relato mais frequente de terem sido retirados de suas casas na infância e de terem enfrentado mais experiências violentas. Na Finlândia, o antecedente de abuso sexual na infância também foi reportado como mais frequente entre homicidas sexuais13.
Aspectos da saúde física dos homicidas sexuais foram reportados em poucos artigos. Na Alemanha, Rettenberger et al.27 investigaram 163 homicidas sexuais encontrando ocorrência de anormalidades genitais na infância (criptorquidia, hipospádia e fimose) significativamente maior do que na população geral. Também encontraram maior frequência de disfunção sexual na idade adulta e maior tendência de interesses sexuais masoquistas.
O artigo de Briken et al.37 descreveu a identificação de cariótipo XYY, Síndrome de Jacob, em três homicidas sexuais. A prevalência foi 1,8%, significativamente maior do que a encontrada em amostras não selecionadas de condenados (0,7% a 0,9%) e do que na população geral (0,01%). Os três homens apresentavam anormalidades pré-púberes, problemas escolares, sofreram abusos físicos e foram diagnosticados como sádicos sexuais.
Estudos neuroquímicos e de neuroimagem indicam a participação de lesões morfológicas e de déficits funcionais de certos centros cerebrais como parte de comportamentos violentos, principalmente o sistema límbico, lobos temporais e lobos frontais26. No entanto, nenhum dos artigos selecionados nesta revisão conduziu pesquisa nesse campo, apresentando ênfase em estudos clínicos sobre transtornos psiquiátricos e comportamentais relacionados ao homicídio sexual.
Na Austrália, Kocsis et al.14 estudaram 85 casos de homicídio sexual amostrados de todas jurisdições do país utilizando procedimento estatístico de escalonamento multidimensional. Os autores identificaram quatro padrões distintos de agressores: predador, fúria, perversão e estupro. Cada padrão apresentou dinâmica e estilo distinto de crime.
O sadismo sexual foi abordado em vários artigos como elemento importante do homicídio sexual. Rajan et al.65, na Escócia, encontraram a psicopatia e o sadismo sexual com papéis-chave interagindo entre si e determinando diferentes aspectos do homicídio sexual e dos agressores. Stefanska et al.9, utilizando o Sexual Sadism Scale (SeSaS), encontraram prevalência do sadismo de 37% em amostra nacional de 350 homens que cometeram homicídio sexual na Inglaterra e País de Gales contra mulheres adultas. Na Alemanha, Hill et al.36 compararam características de 61 homicidas sexuais sádicos e 105 não sádicos, encontrando maior antecedente de enurese noturna na infância, isolamento, sinais de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, abuso físico e mentiras recorrentes entre homicidas sádicos.
No estudo de Porter et al.1 se analisou 18 homicidas sexuais psicopatas e 20 não psicopatas codificados pelo PCL-R. A maioria dos homicidas sexuais (84,7%) pontuaram na faixa moderada a alta do PCL-R e em 82,4% dos casos com psicopatas se encontrou algum grau de comportamento sádico no crime. O sadismo sexual também se relacionou com vários aspectos na cena do homicídio, permitindo distinguir os dois grupos38. No artigo de Rodre et al.68 também se descreveu escores mais altos de PCL-R em condenados por homicídio sexual.
No artigo de Hill et al.25 se comparou a presença de transtornos psiquiátricos sexuais entre 130 homicidas sexuais com vítima única e 36 com múltiplas vítimas, a partir de relatórios psiquiátricos e dos instrumentos Criteria from the Structured Clinical Interview e PCL-R. No grupo de homicídios sexuais múltiplos foi mais frequente o sadismo sexual, voyeurismo e transtornos de personalidade sádicos, antissociais e esquizoides.
No artigo de Beauregard e DeLise72, a comparação entre homicidas sexuais com agressores sexuais não homicidas encontrou que os homicidas apresentaram maior frequência de Transtornos de Personalidade Esquizoide e Borderline e se mostram significativamente mais propensos a selecionar vítimas, empregar armas e usar drogas ilícitas e álcool antes do crime. Encontrou-se estudo semelhante de Langevin24 comparando esses dois grupos, verificando que homicidas sexuais iniciaram crimes mais cedo, integraram grupos criminosos e praticaram crueldade com animais. Mostraram maior frequência de sadismo, fetichismo, voyeurismo e coleta de pornografia, mais transtorno de personalidade antissocial, comprometimento neuropsicológico e dificuldades de aprendizagem.
A motivação do homicida sexual para o crime foi enfocada em alguns artigos, a maior parte conduzidos na China. Os que mutilaram as vítimas se mostraram mais motivados pelo sexo do que por ganho financeiro e mais propensos a ter condenação anterior por crime sexual, segundo Chan e Li62. Agressores motivados por sexo, dinheiro e raiva foram mais propensos a atingir mulheres desconhecidas, enquanto que os motivados por poder e controle foram mais propensos a atingir as parceiras, conforme Chan et al.67. Homicídios sexuais contra mulheres fundamentados no sexo foram verificados por Chan e Li71.
Homicidas sexuais e agressores não homicidas canadenses foram estudados em artigo de Chan e Beauregard18. Homicidas sexuais frequentemente selecionaram e mutilaram a vítima, apresentaram mais fantasias sexuais desviantes e admitiram o crime com mais facilidade quando identificados e detidos. Apresentam mais traços de personalidade paranoide, esquizotípica, borderline, histriônica, narcisista, obsessivo-compulsiva e impulsiva. Frequentemente se envolvem com exibicionismo, fetichismo, frotteurismo, pedofilia homossexual e masoquismo sexual.
No Reino Unido, Stefanska et al.76 também abordaram as fantasias desviantes em homicidas sexuais não seriais comparando se o elemento sexual e o ato de matar se associavam de forma direta ou indireta e o nível de lesões, segundo o Homicide Injury Scale (HIS). Apesar de não encontrarem diferença na média dos escores, houve associação direta entre o elemento sexual e o crime.
Temática semelhante foi encontrada no artigo de Koch et al.22, que compararam a prevalência de transtornos psiquiátricos em 166 homicidas sexuais e 56 não homicidas, com os instrumentos Structured Clinical Interview for DSM Axis II Disorders (SCID-II) e PCL-R. Homicidas sexuais foram diagnosticados mais frequentemente com transtorno de personalidade (80,1% versus 50%), personalidade esquizoide (16,3% versus 5,4%), sadismo sexual (36,7% versus 8,9%) e disfunções sexuais (21,7% versus 7,1%).
Em parte, esses achados também surgiram nos crimes em série. No artigo de Chan et al.50 comparou-se 73 homicidas sexuais com vítima única e 13 homicidas sexuais seriais. Homicidas seriais foram mais propensos a relatar fantasias sexuais desviantes, selecionar e humilhar vítimas, e premeditar o crime. Apresentaram mais traços narcisistas, esquizoides e obsessivo-compulsivos, além de masoquismo sexual, pedofilia homossexual, exibicionismo e voyeurismo.
Encontrou-se outros artigos com populações de estudo distintas. Nos EUA, Gacono et al.33 analisaram 32 psicopatas não agressores sexuais com 38 homicidas sexuais e 39 portadores de pedofilia não violentos em variáveis selecionadas do teste de Rorschach. Os homicidas sexuais apresentaram altos níveis de pensamento obsessivo e incapacidade de se desvencilhar dos estímulos ambientais. Huprich et al.35 aplicaram o Rorschach Oral Dependency Scale em 32 psicopatas não agressores sexuais, 38 homicidas sexuais e 39 pedófilos. Os autores encontraram alto grau de associação entre dependência interpessoal e agressão entre os homicidas sexuais. No artigo de Healey et al.48 sugeriu-se que vários comportamentos na cena do crime se sobrepõem ao diagnóstico de sadismo sexual, capazes de distinguir entre agressores sexuais de mulheres e homicidas sexuais.
Kerr e Beech51 publicaram um dos poucos artigos qualitativos que identificamos, analisando oito condenados por homicídio sexual no Reino Unido. Os autores encontraram quatro temas significativos para compreender homicídio sexual, atribuídos à vingança, transtorno psíquico, impulso homicida e solidão emocional.
Dois artigos trataram da investigação e da resolução dos homicídios sexuais. Na Suécia, Sturup et al.61 encontraram percentuais semelhantes de solução dos homicídios sexuais (82%) e não sexuais, mas verificaram que casos com componente sexual demoram maior tempo para serem solucionados. No Canadá, Chai et al.16investigaram padrões de descarte do corpo da vítima de homicídio sexual. Nos casos solucionados os corpos foram movidos quando a vítima era trabalhadora do sexo e o corpo estava escondido e em decúbito ventral. Nos casos não solucionados, a movimentação do corpo foi encontrada quando a vítima era trabalhadora do sexo e o corpo foi recuperado ao ar livre.
Cabe destaque para artigos sobre a relação entre vítima e agressor. Oliver et al.39 compararam 58 homicidas sexuais e 112 agressores sexuais. Os homicidas sexuais se mostraram menos propensos a ter relacionamentos no momento do crime e apresentaram tendência de selecionar vítimas menos jovens. Contudo, os autores não encontraram diferenças nas escalas de personalidade do Millon Clinical Multiaxial Inventory-III. Abrahams et al.3, encontraram ser mais frequente o agressor não conhecer a vítima, geralmente mais velha do que ele.
A questão de gênero foi abordada no artigo de Chopin e Beauregard29, que compararam 100 vítimas masculinas e 552 vítimas femininas de homicídio sexual. Segundo os autores, o gênero desempenhou papel expressivo nas condutas dos agressores, adaptando estratégias para superar riscos de um confronto físico com vítimas masculinas. Nas vítimas mulheres a violência física e resistência ao agressor foram fortemente associadas com o homicídio sexual63.
A escolha da vítima também envolveu situação específica em um artigo. Morrison40 apresentou relato de caso de stalking no local de trabalho seguido de homicídio sexual de mulher com múltiplos ferimentos corto-contundentes. O autor chama atenção para o stalker denominado predatório como diverso dos demais, por sua natureza perigosa e por praticar violência sexual.
Identificou-se um artigo que abordou aspectos raciais no homicídio sexual. Chan et al.46 examinaram a influência da raça e da idade na relação vítima-agressor em amostra do Supplemental Homicide Reports, com dados de 1976 a 2005. Os homicidas sexuais brancos foram altamente propensos a matar pessoas da mesma raça, enquanto que os negros mataram tanto negras como brancas.
Os artigos apontaram significativa heterogeneidade das vítimas de homicídio sexual, assim como os atos sexuais praticados e as formas de desfecho letal envolvidas. Apenas um artigo tratou de múltiplos agressores e mais de uma vítima simultânea10. Os artigos de Chan7 e de Chan et al.66 apontam para a mutilação do corpo da vítima e para atos com penetração vaginal. Para Beauregard e Martineau8 o intercurso vaginal ocorreu em 46,3% dos homicídios sexuais e o anal em 16,3%. As vítimas foram mulheres (89,7%), brancas (62,8%) e com idade média de 27,2 anos. O homicídio sexual ocorreu principalmente por espancamento (47,1%) e estrangulamento (41,7%). Resultados semelhantes foram encontrados no artigo de Abrahams et al.3, com vítimas de homicídio sexual com maior número de ferimentos e desfecho letal por estrangulamento ou trauma contuso.
No Reino Unido, Carter et al.57 compararam a cena do crime nos homicídios sexuais e não sexuais, constatando que vítimas de casos sexuais foram mais frequentemente encontradas no domicílio, com a metade inferior do corpo exposta, com evidências de ato sexual vaginal, e com lesões extremas e estrangulamento. Quanto aos atos sexuais praticados post-mortem, Higgs et al.59não encontraram maior emprego de armas ou de vítimas desconhecidas nos homicídios sexuais. Nesses casos, Chopin et al.75 sugeriram quatro padrões de necrofilia no homicídio sexual: preferencial, oportunista, experimental e sádico. Apenas agressores preferenciais mataram vítimas para fazer sexo com os cadáveres, enquanto que nos demais agressores a necrofilia fez parte de um processo desviante e secundário.
Alguns artigos também apresentaram estudos associando o homicídio sexual e transtornos parafílicos. O piquerismo foi descrito por Pettigrew21, em caso em que o agressor empregou múltiplas facadas para o homicídio sexual de cinco vítimas masculinas. Estudo canadense de Beauregard et al.77 com 662 casos de homicídio sexual comparou a inserção de objetos estranhos na boca, ânus ou vagina com homicídios sexuais sem inserção. Em 84 casos (12,7%) objetos estranhos foram inseridos no corpo da vítima, mais frequente quando o agressor apresentava disfunção sexual, sadismo, quando vítimas usaram álcool ou drogas antes do crime, e quando foram espancadas. Ato sexual post-mortem e estratégias para dificultar a identificação agressor foram mais prováveis nos casos de inserção de objetos.
Nos EUA, Koeppel et al.11 compararam amostra nacional não aleatória de 207 homicídios sexuais não seriados e 53 seriais encontrando em 50 casos (19,2%) a inserção de objeto estranho na vítima, com distribuição semelhante nos dois grupos e níveis semelhantes de sadismo.
Embora parte expressiva dos homicídios sexuais envolva o uso de armas67, os artigos revelaram que homicidas sexuais mostraram preferência pelo estrangulamento, asfixia ou espancamento8,12. Situação excepcional foi descrita apenas por Myers et al.42, com cinco casos de homicídio sexual decorrentes de asfixia autoerótica, quatro nos EUA e um na Rússia, todos associados com sadismo sexual do agressor. Somente um artigo se ateve ao deslocamento do homicida sexual, sugerindo que os que se envolvem em percursos longos tendem a atingir vítimas profissionais do sexo e a mover o corpo após o crime, conforme Martineau e Beauregard56. Informações sobre homicídios sexuais de mulheres profissionais do sexo foram apresentadas por Chan74.
Encontrou-se número relevante de artigos sobre a reincidência do homicídio sexual. Na Alemanha, Hill et al.41 avaliaram 90 homicidas sexuais por análise de Kaplan-Meier encontrando risco de 23,1% de reincidências violentas sexuais e de 18,3% de reincidências violentas não sexuais. As reincidências violentas foram associadas com a pouca idade do agressor no primeiro crime sexual.
Em outro estudo, Hill et al.47 examinaram retrospectivamente a acurácia preditiva do PCL-R, Assessing Risk for Violence-20 (HCR-20), Sexual Violence Risk-20 (SVR-20) e do Static-99, com base em relatórios psiquiátricos. Assim como em outros estudos, os escores totais e as subescalas dos instrumentos não foram capazes de predizer a reincidência do homicídio sexual36,41,47Para Busch et al.43, pouca maturidade social e condenação anterior foram preditores de risco de reincidência. O artigo de Khachatryan et al.52 com adolescentes homicidas sexuais observou que o tempo médio de pena foi de 12 anos e 2 meses. Após 30 anos da condenação, metade deles foram novamente condenados por crimes sem homicídio. Chopin et al.78 reforçaram que fatores adversos na infância constituem risco para o homicídio sexual.
O artigo de Chopin e Beauregard69 reforça que os homicidas sexuais apresentam diferenças significativas quando comparados com outros homicidas ou agressores sexuais violentos não homicidas, sugerindo se tratar de tipo específico de agressor. Os autores encontraram que os homicidas sexuais foram mais propensos a apresentar transtornos parafílicos e disfunção sexual, mais engajados em atividades sociais e menos propensos a usar substâncias psicoativas e se envolver em atividades criminosas. No modus operandi foi mais frequente a vítima desconhecida surpreendida ou abordada por meio de fraude. Homicidas sexuais cometeram o crime com mais frequência em residências ou locais de entretenimento. As armas empregadas foram menos propensas de serem retiradas do local do crime e mais recuperadas pela polícia.
Consideramos que a perspectiva de gênero deva ser incorporada ao estudo dos homicídios sexuais, na medida em que parte significativa dos casos envolve vítimas do sexo feminino. Segundo Lucena e Tristán-Cheever79, a desigualdade de gênero tem raízes no patriarcalismo colonialista mesclando-se com o racismo. De fato, estudo de Monteiro et al.80 indica que as taxas de feminicídio são maiores entre as mulheres negras, embora não seja possível conhecer quantos desses óbitos tenham motivação sexual.
CONCLUSÃO
Os homicídios sexuais são crimes letais de menor ocorrência. Homens homicidas sexuais se mostraram grupo heterogêneo, mas com diversas características que os diferenciam de outros homicidas, pedófilos e agressores sexuais. Esses perpetradores parecem orientar seus crimes para um grupo heterogêneo de vítimas adultas, com particularidades nas formas de desfecho letal e nos atos sexuais praticados. Há alta prevalência de problemas psiquiátricos, transtornos de comportamento e vivências traumáticas na infância nesse grupo de homicidas.
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Financiamento: Os autores agradecem ao Instituto Federal Goiano e Grupo de Saúde da Criança e do Adolescente (GPSaCA - https://www.gpsaca.com.br) pelo apoio.
Recebido: Novembro de 2023; Aceito: Dezembro de 2023; Publicado: Abril de 2024
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