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Journal of Human Growth and Development

versão impressa ISSN 0104-1282versão On-line ISSN 2175-3598

J. Hum. Growth Dev. vol.34 no.2 Santo André maio/ago. 2024  Epub 10-Fev-2025

https://doi.org/10.36311/jhgd.v34.16331 

ARTIGO ORIGINAL

O treinamento aquático intervalado de alta intensidade melhora o perfil cardiometabólico e a aptidão física em adultos ativos de meia-idade e idosos: estudo de ensaio clínico quase randomizado

Rayne Borges Torres Sette, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Conceituação, Metodologia, Análise Formal, Investigação, Recursos, Curadoria de Dadosa  b 

Tassiane Cristina Morais, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Preparação do Rascunho Originalc 

Andrea Cristina de Sousa Rocha do Rêgo Costa, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Metodologia, Investigaçãoa 

Luiz Vinicius de Alcântara Sousa, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Software, Análise Formal, Revisão e Edição de Textob 

Juliana Zangirolami-Raimundo, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Validaçãob  d 

Blanca Elena Guerrero Daboin, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Recursos, Preparação do Rascunho Originalb 

Henrique Ferreira Leite, Todos os autores contribuíram para o manuscritob 

Matheus Paiva Emidio Cavalcanti, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Curadoria de Dados, Preparação do Rascunho Original, Revisão e Edição de Textob  e 

Rodrigo Daminello Raimundo, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Conceituação, Metodologia, Validação, Análise Formal, Recursos, Revisão e Edição de Texto, Supervisão, Administração do Projetob  d 

aDepartamento de Fisioterapia, Centro Universitário Unifip, Patos, Paraíba, Brasil;

bLaboratório de Delineamento de Estudos e Escrita Científica, Centro Universitário FMABC, Santo André, São Paulo, Brasil;

cEscola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM), Vitória 29045-402, ES, Brasil;

dDisciplina de Ginecologia, Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Faculdade de Medicina FMUSP, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil;

ePrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas/Processos Imunes e Infecciosos. Faculdade de Medicina FMUSP, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.


RESUMO

Síntese dos autores

Por que este estudo foi feito?

Este estudo foi realizado para avaliar e comparar os efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade na água, com e sem caminhada intensa, na saúde metabólica, capacidade funcional e qualidade de vida de indivíduos com diabetes mellitus tipo 2, visando encontrar estratégias de exercício eficazes e seguras para melhorar a gestão desta condição crônica.

O que os pesquisadores fizeram e encontraram?

Os pesquisadores conduziram um estudo para investigar os efeitos do treinamento intervalado de alta intensidade (TAIAI) na água, com e sem caminhada intensa, em pessoas com diabetes tipo 2. Eles descobriram que ambos os tipos de treinamento melhoraram a saúde metabólica, a capacidade funcional e a qualidade de vida dos participantes, mas o TAIAI na água foi ligeiramente mais eficaz.

O que essas descobertas significam?

Esses achados sugerem que o treinamento intervalado de alta intensidade (TAIAI), especialmente quando realizado na água, pode ser uma estratégia eficaz para melhorar a saúde metabólica, a capacidade funcional e a qualidade de vida em pessoas com diabetes tipo 2. Isso destaca a importância do exercício físico, especialmente de modalidades como o HIIT na água, como parte integrante do manejo e tratamento dessa condição médica.

Palavras-Chave: exercício; andando; lipoproteína; consumo de oxigênio; treinamento intervalado aquático de alta intensidade

Resumo

Introdução

os exercícios aquáticos têm sido cada vez mais sugeridos à população. Apesar das evidências sobre os benefícios do treinamento intervalado de alta intensidade em ambientes aquáticos, a produção científica ainda precisa ser aprimorada. Pesquisas envolvendo indivíduos de meia-idade e mais velhos geralmente buscam respostas fisiológicas a partir do pressuposto de que são sedentários.

Objetivo

avaliar a aptidão física, o perfil lipídico e o controle glicêmico de adultos ativos de meia-idade e idosos submetidos a treinamento aquático intervalado de alta intensidade associado ou não à caminhada aquática intensa.

Método

trata-se de um ensaio clínico quase randomizado composto por 45 adultos ativos de meia idade e idosos subdivididos em dois grupos com treinamento aquático intervalado de alta intensidade na ausência (TAIAI) ou presença (TAIAIC) de caminhada aquática intensa. Os participantes receberam parâmetros bioquímicos, análise de bioimpedância e testes físicos e cardiopulmonares no início e no final da intervenção.

Resultados

ambos os grupos apresentaram aumento de HDL, redução de LDL e hemoglobina glicada, com aumento de resistência e força de membros superiores e inferiores. O grupo TAIAI apresentou ganho de massa magra e declínio de massa gorda em comparação ao TAIAIC. A caminhada intensa promoveu aumento do equivalente ventilatório de oxigênio, do consumo máximo de oxigênio e do equivalente metabólico da tarefa em valores assim como o TAIAI.

Conclusão

nossos achados indicam que o treinamento aquático de alta intensidade tem potencial para melhorar o perfil lipídico dos indivíduos. No entanto, a incorporação da caminhada na piscina no regime de treino não levou a quaisquer diferenças notáveis a este respeito. Por outro lado, a inclusão de exercícios aquáticos na piscina resultou em melhora da capacidade funcional dos participantes. Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC): #RBR-99b6jr6

Palavras-Chave: exercício; andando; lipoproteína; consumo de oxigênio; treinamento intervalado aquático de alta intensidade

RESUMO

Highlights

O treinamento aquático de alta intensidade (TAIAI) melhorou a resistência e força muscular dos membros superiores e inferiores.

O grupo TAIAI teve ganho de massa magra e redução de massa gorda comparado ao treinamento aquático de alta intensidade com caminhada intensa adicional (TAIAIC).

A caminhada intensa adicional (TAIAIC) melhorou o consumo máximo de oxigênio (VO2máx) e a capacidade funcional medida pelo teste de levantar da cadeira em 30 segundos, mostrando um benefício adicional sobre o TAIAI.

O treinamento aquático intervalado de alta intensidade demonstrou potencial para melhorar significativamente o perfil lipídico e a capacidade funcional, independentemente da inclusão da caminhada aquática intensa.

Palavras-Chave: exercício; andando; lipoproteína; consumo de oxigênio; treinamento intervalado aquático de alta intensidade

Abstract

Introduction

obesity is an important public health problem worldwide. It is believed that obese candidates for bariatric surgery present cardiac autonomic dysfunction and that weight reduction achieved through surgical treatment of obesity may promote improvement in autonomic nervous system activity, minimizing cardiovascular risks.

Objective

thus, the objective of this study is to assess the impact of surgical bariatric weight reduction on HRV and on anthropometric measurements (BMI, WHtR, and WC) comparing obesity classes II and III.

Method

the study included 25 obese individuals who underwent a preoperative assessment. Anthropometric measurements and heart rate varability (HRV) were collected preoperatively. The participants were then divided into two groups: obesity class II and obesity class III (class II: BMI from 35 to 39 k/m2, and class III: BMI from > 40 kg/m2). Thirty days after surgery, a postoperative assessment was performed and the data were compared.

Results

our results confirm that both class II and III obesity groups presented altered HRV preoperatively and that the participants in the obesity II group showed a statistically significant increase in the HRV index when compared to the obesity III group, through the mean RR, PNN50, SNS, and stress index.

Conclusion

the findings confirmed the important contribution that bariatric surgery makes to improving metabolic health and lowering important obesity indices. The varying alterations in heart rate variability indicate subtle advantages concerning autonomic function, especially for individuals classified as obese II.

Key words: Obesity management; Heart rate monitoring; Bariatric surgery

ABSTRACT

Authors summary

Why was this study done?

The study was conducted to verify the impact of weight reduction after bariatric surgery on Heart Rate Variability (HRV) and anthropometric measurements, comparing obesity classes II and III.

What did the researchers do and find?

Obese individuals of class II and III who underwent bariatric surgery were selected. They participated in pre- and post-operative evaluations, which included: anthropometric measurements and heart rate variability. The results showed the benefits of bariatric surgery for both groups. Benefits in relation to autonomic function were also observed, especially for individuals classified as obese class II.

What do these findings mean?

Our research confirmed the contribution of bariatric surgery in improving metabolic health and reducing obesity rates. An increase in heart rate variability after surgery indicates better autonomic function, especially for individuals classified as obese class II.

Key words: Obesity management; Heart rate monitoring; Bariatric surgery

ABSTRACT

Highlights

Obese individuals of classes II and III reduced anthropometric measurements after bariatric surgery.

Benefits related to cardiac autonomic function were observed, mainly in the obese class II group.

Key words: Obesity management; Heart rate monitoring; Bariatric surgery

INTRODUÇÃO

A atividade física é uma aliada fundamental para a saúde pública e pode prevenir e tratar a maioria das doenças não transmissíveis (DCNT)1. Mais de 15 milhões de mortes atribuídas às DCNT ocorrem entre pessoas com idades compreendidas entre os 30 e os 69 anos2, e 1,6 milhões de mortes anualmente podem estar associadas à falta de exercício físico.

As evidências indicam que o exercício físico pode prevenir doenças crónicas e é um fator de proteção contra o risco de doenças cardiovasculares; também pode mitigar as consequências fisiológicas do processo de envelhecimento humano3. Embora qualquer nível de atividade física possa ser benéfico, ainda existem dúvidas na literatura científica quanto ao tipo, intensidade, frequência e duração da prescrição do exercício4.

Além disso, o exercício físico pode aumentar a expressão de receptores localizados no fígado (receptor Liver X - LXR-LXR), tendo papel fundamental no metabolismo hepático do colesterol através de vias metabólicas que resultam no aumento dos níveis plasmáticos das subfrações do colesterol HDL, quadro essencial para reduzir fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares5,6.

As evidências que descrevem os benefícios do treinamento intervalado de alta intensidade tem sido associadas à melhora do condicionamento aeróbico, fração de ejeção7, sensibilidade à insulina, redução da pressão arterial e composição corporal8. Os exercícios aquáticos têm sido cada vez mais oferecidos à população idosa, pois a imersão reduz a sobrecarga de peso corporal nas articulações e proporciona resistência à movimentação dos membros imersos9-14.

O treinamento intervalado de alta intensidade surgiu como uma alternativa para que os indivíduos concluíssem o treinamento contínuo com melhor condicionamento físico em menor tempo. Às vezes, realizar essas rotinas em locais terrestres também é uma escolha apropriada. Consequentemente, a realização de exercícios em ambientes aquáticos é uma alternativa eficaz que beneficia idosos ou pessoas com impedimentos físicos, como osteoartrite de joelho11,12.

Diversos estudos avaliaram caminhada aquática intensa com diferentes metodologias e análises comparativas na presença de diversas comorbidades (obesidade, fibromialgia, pós-AVC, doença arterial periférica, DPOC), também relacionadas à melhora da capacidade funcional e cardiorrespiratória, tolerância ao exercício, força muscular, qualidade de vida, mobilidade, equilíbrio, redução da dor e exercícios aeróbicos de baixo impacto15-19.

A caminhada aquática em piscina é uma ótima opção de exercício para pessoas com limitações físicas, pois minimiza o estresse nas articulações, ossos e músculos. É por isso que é comumente integrado em programas de reabilitação. A prática oferece diversas vantagens: ajuda a manter e aumentar a força, diminui o impacto do peso corporal, melhora a capacidade aeróbica e contribui para o bem-estar cardiovascular20-24.

Os benefícios potenciais da combinação de treinamento intervalado de alta intensidade e caminhada aquática permanecem inexplorados. Investigar os efeitos dos exercícios aquáticos pode contribuir para o estabelecimento de intervenções de saúde pública utilizando piscinas, atraindo indivíduos avessos às academias ou limitados por problemas musculoesqueléticos25.

A hipótese de nossa pesquisa afirma que a suplementação do treinamento intervalado aquático de alta intensidade com caminhada vigorosa na água poderia melhorar a aptidão física, o perfil lipídico e o controle glicêmico entre adultos de meia-idade e idosos. Portanto, este estudo tem como objetivo avaliar o impacto do treinamento intervalado aquático de alta intensidade, com ou sem caminhada aquática intensa, na aptidão física, no perfil lipídico e no controle glicêmico de adultos ativos de meia-idade e idosos.

MÉTODO

Desenho do estudo

Um Ensaio Clínico prospectivo Quase-Randomizado identificado com o número RBR-99b6jr6 no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) foi realizado em 2018. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos do Centro Universitário de Patos - UNIFIP (#2.623.793). Para minimizar o viés, foi empregada a ferramenta Risk of Bias in Non-randomized Studies of Interventions (ROBINS-I).

O desenho de pesquisa quase-experimental foi considerado porque os pesquisadores não tinham controle total sobre a alocação aleatória dos participantes nos grupos. Esta escolha foi feita com base em considerações éticas, pois alguns participantes manifestaram o desejo de mudar de grupo. É importante notar que, embora não tenhamos conseguido um experimento totalmente controlado, as mudanças causais ainda eram avaliáveis. Esta pesquisa é categorizada como quase experimental, em vez de um ensaio clínico randomizado “puro”, devido a casos em que os indivíduos solicitaram mudanças de grupo ao aprenderem sobre como passar mais tempo na piscina para caminhadas.

População de estudo e critério de eligibilidade

Os participantes foram selecionados a partir de um projeto de iniciativa universitária que visa beneficiar os moradores da cidade de Patos, no estado da Paraíba e áreas vizinhas, no Nordeste do Brasil. Este projeto tem como foco atividades físicas, promoção da saúde e orientações de bem-estar. Para serem elegíveis, os indivíduos tinham que atender a determinados critérios: precisavam fazer parte do projeto, possuir aprovação médica para participar de atividades aquáticas, praticar atividades físicas regularmente (seguindo o protocolo prescrito de 2 a 3 vezes por semana) e cair na faixa etária de 50 a 80 anos.

Os critérios de exclusão abrangeram indivíduos fisicamente incapazes de completar os testes de avaliação inicial e final, incluindo aqueles com dificuldades na marcha, dependência de auxiliares de marcha, sequelas de acidente vascular cerebral, osteoartrite avançada ou dependência de marca-passos. Foram excluídos os participantes com frequência inferior a 75% nas atividades semanais, que apresentaram infecções durante o estudo ou que não conseguiram completar as avaliações inicial e final.

Randomização

Um indivíduo independente, não associado ao estudo, conduziu a distribuição aleatória utilizando envelopes opacos lacrados contendo os nomes dos grupos. A equipe de coleta de dados que realizou as avaliações pós-teste permaneceu inconsciente das atribuições dos grupos, mantendo o cegamento único. A mesma equipe foi responsável pelas avaliações pré e pós-protocolo.

Os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: Grupo de Treinamento Aquático Intervalado de Alta Intensidade (TAIAI), que seguiu um regime de exercícios na piscina duas vezes por semana, e o Grupo de Treinamento Aquático Intervalado de Alta Intensidade e Caminhada Intensa (TAIAIC), que, em além do protocolo TAIAI, incluiu um terceiro dia de vigorosa sessão adicional de caminhada aquática.

Após explicação dos objetivos e procedimentos da pesquisa, 75 indivíduos elegíveis consentiram em participar mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Treze foram excluídos devido às limitações nos testes de avaliação. No final, foram escolhidos 62 participantes, sendo 35 atribuídos ao grupo TAIAI e 27 ao grupo TAIAIC. Alguns participantes solicitaram a troca de grupo quando souberam do tempo adicional de caminhada na piscina. Estas solicitações não puderam ser negadas, resultando numa distribuição desigual dos participantes, apesar da randomização. No entanto, a análise estatística não indicou diferença significativa entre os grupos.

Dos 35 indivíduos do grupo TAIAI, cinco desistiram e um não completou o teste ergométrico final. Dentro do grupo TAIAIC de 27 membros, 11 foram retirados – três desistiram e oito não completaram todos os conjuntos de avaliação final (figura 1).

Figura 1 : Fluxograma de seleção dos participantes 

Todos os participantes foram avaliados no início e no final do estudo, realizando medidas bioquímicas, análise de bioimpedância, força e resistência, flexibilidade e função cardiopulmonar.

Ao longo da pesquisa não foram fornecidas orientações nutricionais e o uso de medicamentos não teve impacto no andamento do estudo.

Questionários

Para melhor caracterizar o grupo participante, foi aplicado um questionário sociodemográfico elaborado pelos pesquisadores. Esta pesquisa abrangeu perguntas sobre idade, etnia, sexo, escolaridade, renda familiar, histórico médico, incluindo doenças e cirurgias anteriores, utilização de medicamentos prescritos e hábitos pessoais, como consumo de tabaco e álcool.

Além disso, também foi aplicado o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ). Esta ferramenta é adaptada e validada especificamente para a população idosa no Brasil26,27. O IPAQ estima o nível semanal de atividades físicas. Estruturado em quatro domínios – trabalho, deslocamento, tarefas domésticas e lazer – questiona a duração de atividades moderadas e vigorosas. O resultado do IPAQ categoriza os participantes em diferentes níveis de atividade: continuamente ativos, ativos, irregularmente ativos A e B ou sedentários.

Coleta dos dados

Teste laboratorial

Amostras de sangue para análise bioquímica foram coletadas duas vezes durante o estudo – uma vez no início do estudo e novamente na sua conclusão. As amostras foram coletadas pela manhã, após os participantes terem jejuado por cerca de 10 a 12 horas durante a noite.

Todos os indivíduos seguiram procedimento idêntico e tiveram seus exames realizados no mesmo laboratório. As medidas realizadas incluíram glicemia de jejum, níveis de hemoglobina glicada, níveis de colesterol total e frações (HDL - lipoproteína de alta densidade e LDL - lipoproteína de baixa densidade).

Avaliação física e análise de bioimpedância

As medidas antropométricas foram realizadas em balança específica (Welmy 110 CH - 150Kg). Os participantes foram instruídos a subir na balança descalços e ficar em pé, enquanto seu peso em quilogramas (Kg) era registrado. Além disso, foi solicitado que respirassem fundo para que sua altura em centímetros (cm) pudesse ser medida com precisão.

Para a análise da bioimpedância, os participantes receberam instruções específicas: deveriam usar roupas confortáveis, sem quaisquer acessórios metálicos (cinto, colar, pulseira, anel, relógio de pulso), abster-se de atividade física moderada/intensa nas últimas 12 horas, abster-se de comer por 2 horas e sem beber álcool, café, chás ou diuréticos por 24 horas antes da análise. Era importante que eles estivessem com a bexiga e os intestinos vazios durante a avaliação28,29. O aparelho Maltro-BF906, que emprega impedância bioelétrica tetrapolar, foi utilizado para avaliar a distribuição da massa corporal. A precisão deste método foi comparada à técnica de pesagem hidrostática30.

Os participantes foram posicionados em decúbito dorsal sobre uma maca não condutora. Os eletrodos foram colocados na mão e no pé direito. Esses eletrodos, constituídos por um pólo preto (Eletrodo de Tensão) próximo à mão e um pólo vermelho (Eletrodo de Corrente) próximo ao terceiro dedo29 foram precedidos de limpeza dos pontos de contato com algodão embebido em álcool. Após ligar o aparelho e inserir dados de peso e altura, vários parâmetros de composição corporal foram medidos. Estes incluíram o índice de massa corporal (IMC) em quilogramas por metro quadrado (Kg/m2), massa corporal magra, massa de gordura corporal e percentagem de água corporal.

A flexibilidade foi avaliada por meio do teste Sit and Reach31, onde os participantes sentaram-se em um banco Wells Instant Flex (Sanny®) com pernas e braços estendidos. Eles foram orientados a flexionar o tronco sem dobrar os joelhos durante a expiração e a empurrar o marcador, seguido de uma fita métrica fixada no banco com a ponta dos dedos. A melhor distância entre as três repetições foi registrada em centímetros (cm).

Dois testes foram utilizados para medir a resistência e a força muscular: o teste Arm Curl e o teste de cadeira de 30 segundos31. No teste Arm Curl, os participantes utilizaram halteres de 2kg para mulheres e 3kg para homens. Utilizando um cronômetro (RS-013, Incoterm®), foi registrado o número de repetições controladas realizadas em 30 segundos. Vale ressaltar que todos os participantes do programa passaram por um check-up médico antes de participarem das atividades físicas nas piscinas aquáticas.

Teste cardiopulmonar

Dois protocolos distintos foram empregados para o teste ergoespirométrico: o protocolo de Bruce, modificado para indivíduos com até 60 anos, e o protocolo de Naughton, projetado para maiores de 60 anos. A abordagem de Naughton envolveu velocidades mais lentas e inclinações mais altas da esteira, acomodando adultos mais velhos com algum grau de artrose.

Para a realização dos testes foram utilizados o analisador metabólico MedGraphics 2000 e o ergômetro multiprogramável Super ATL- Ibramed, conectados a um computador. O software Breeze iniciou os protocolos e capturou prontamente medições metabólicas aproximadamente a cada 7 a 13 segundos.

O ambiente de testes foi mantido com temperatura controlada variando entre 18ºC e 22ºC por meio de termômetro e ar-condicionado. Os participantes foram orientados a usar roupas e tênis confortáveis, evitar exercícios moderados ou intensos nas últimas 24 horas e consumir dieta leve no dia do teste, evitando consumir alimentos, café ou álcool nas três horas anteriores ao teste. O uso de medicamentos permaneceu ininterrupto32.

Na chegada, os indivíduos foram equipados com um relógio Polar M460 e permaneceram sentados por dez minutos para medir a pressão arterial e a frequência cardíaca em repouso. O aparelho foi então calibrado através de um sistema de autocalibração e uma máscara facial foi instalada para medir o consumo basal de oxigênio (VO2).

Posteriormente, os participantes iniciaram o teste em esteira com monitoramento contínuo da frequência cardíaca. O exercício foi interrompido quando os indivíduos sinalizaram seu limite máximo, levando ao registro do pico da frequência cardíaca (FC) e da pressão arterial. Cinco minutos após a conclusão do teste, a frequência cardíaca e a pressão arterial foram verificadas novamente antes que os indivíduos fossem liberados da avaliação.

Para análise estatística foram utilizadas variáveis como FC pico, FC de repouso, VO2 pico e basal e equivalente ventilatório de oxigênio (VE/VO2).

Intervenção

O programa de intervenção durou um total de dezoito semanas, sendo as duas primeiras semanas dedicadas à adaptação a exercícios na piscina de baixa intensidade (cerca de 30% da FCM). Posteriormente, a fase principal de treinamento durou dezesseis semanas. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um grupo seguiu o Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade (TAIAI) duas vezes por semana, enquanto o outro grupo realizou as mesmas sessões de TAIAI, mas com a adição de uma sessão de caminhada aquática uma vez por semana (TAIAIC).

A temperatura da água da piscina foi mantida entre 30 a 32ºC e monitorada por meio de termômetro. A piscina era coberta e tinha profundidade variando de 1,00 a 1,50 metros. Cada sessão de treinamento durou de 50 a 60 minutos e foi estruturada da seguinte forma: uma rotina de aquecimento de 10 minutos, seguida de exercícios de força e potência, treinamento cardiorrespiratório e finalizando com um segmento de 10 minutos de exercícios de alongamento e equilíbrio.

Esta intervenção observou o protocolo dos estudos de Moreira et al.3 3,34 composto por mesociclos de quatro semanas cada. Voluntários, incentivados pelo instrutor (professor de educação física e fisioterapeuta), executaram cada série com o máximo esforço para atingir a máxima velocidade potencial de movimento.

Os mesociclos progrediram em termos de complexidade do exercício e duração da série: começando com duas séries de exercícios de 30 segundos cada (semanas 1-4), progredindo para três séries de 20 segundos (semanas 5-8), depois quatro séries de 15 segundos (semanas 9 a 12) e, finalmente, cinco séries de 10 segundos (semanas 13 a 16). Os participantes relataram fadiga muscular devido ao esforço após completar as rotinas de exercícios.

Para controlar a intensidade dos exercícios cardiorrespiratórios foi utilizada a Escala Borg CR1035, que avalia o esforço percebido em uma escala de 0 (sem esforço) a 10 (esforço máximo). Os participantes utilizaram um cartaz visual com expressões faciais representando diferentes níveis de esforço. Seguindo a Escala Borg CR10, os níveis de esforço aumentaram progressivamente ao longo dos mesociclos: nível 6 (aproximadamente 60% da FCM) para sessões de 16 minutos durante as semanas 1 a 4, nível 7 (aproximadamente 70% da FCM) para sessões de 13 minutos em semanas 5 a 8, nível 8 (aproximadamente 80% da FCM) para sessões de 9 minutos nas semanas 9 a 12, e nível 9 (aproximadamente 90% da FCM) para sessões de 7 minutos nas semanas 13 a 16 (tabela 1).

Tabela 1 : Protocolo de intensidade de exercício ao longo das 16 semanas 

Mesociclos (semanas) séries numéricas (repetições de cada exercício) Tempo de execução tempo de recuperação Intensidade de execução (Borg)
1° - 4° 2 25” 1’ 6
5° - 8° 3 16” 1’20” 7
9° - 12° 4 12” 1’30” 8
13° - 16° 5 10” 1’40” 9

Ao longo de 16 semanas, os participantes realizaram exercícios em pé com água na altura do peito na seguinte ordem: flexão/extensão de cotovelo com abdução de ombro, abdução/adução de quadril, flexão/extensão horizontal de ombro com cotovelo estendido e flexão de quadril e joelhos.

O grupo TAIAIC utilizou o mesmo treino duas vezes por semana, juntamente com uma caminhada intensa adicional na piscina uma vez por semana. Durante as sessões de caminhada, os indivíduos tiveram um período de 10 minutos para se acostumarem com a água e realizarem exercícios de alongamento. Em seguida, eles foram instruídos a caminhar em movimentos circulares. Posteriormente, eles foram solicitados a mudar a direção da caminhada sempre que a água favorecesse uma mudança. O arrasto gerado na mudança de direção aumentou a resistência à água.

A intensidade da caminhada na água variou entre níveis moderado e vigoroso, sendo está determinada utilizando como diretriz a escala Borg CR10 com duração de 30 minutos. A rotina de caminhada aquática incluiu os seguintes componentes: um período de caminhada regular de 5 minutos para aquecimento, seguido de 20 minutos de caminhada adequada à capacidade funcional específica de cada participante, orientada pela classificação na escala Borg CR10. A escala de Borg foi escolhida porque não foi possível monitorar todos os indivíduos (na água) e basear a frequência cardíaca de treinamento no VO2 medido. Este protocolo foi baseado em estudos anteriores de Lobanov et al.36, Sklempe et al.37e Peyré -Tartaruga et al.38. O instrutor motivou consistentemente os participantes verbalmente. A sessão foi concluída com cinco minutos de relaxamento usando flutuadores após o término da sessão de 30 minutos.

Análise estatística

As variáveis qualitativas foram descritas em frequência absoluta e relativa. O teste Qui-quadrado e o teste t-student compararam as variáveis categóricas. Os dados são apresentados como valores médios de grupo e desvios padrão. Para a criação do banco de dados foram utilizados os softwares Excel® e SPSS® (Statistical Package for Social Research) 20.0 (Chicago, IL, EUA) para análise estatística.

Foram realizadas estatísticas descritivas para cálculo de medidas de tendência central e dispersão. O teste de Shapiro-Wilk foi utilizado para verificar a normalidade dos dados. A análise ANOVA das variáveis dependentes foi utilizada para o TAIAIC e TAIAI em diferentes momentos (inicial vs. final) com medidas repetidas no fator final. Comparações post-hoc foram realizadas utilizando o teste de Bonferroni. O nível de significância foi estabelecido em p < 0,05.

Aspectos éticos e legais

O conteúdo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos do Centro Universitário de Patos - UNIFIP (#2.623.793). Consentimento informado foi obtido de todos os sujeitos envolvidos no estudo.

RESULTADOS

Foram avaliados 45 indivíduos divididos em dois grupos. Ambos os grupos apresentaram características sociodemográficas semelhantes (tabela 2).

Tabela 2 : Comparação das variáveis sociodemográficas entre os grupos 

Variáveis Grupo p*
TAIAI n (%) TAIAIC n (%)
Sexo
Feminino 25 (86,21) 16 (100) 0,126
Masculino 4 (13,79) -
Raça
Branco 21 (72,41) 12 (75,00) 0,851
Negro 8 (27,59) 4 (25h00)
Estado civil
Casado 14 (48,27) 8 (50,00) 0,757
Solteiro 2 (6,90) 1 (6,25)
Viúvo 7 (24,14) 2 (12,50)
Divorciado 6 (20,69) 5 (31,25)
HAS
Não 15 (51,72) 6 (37,50) 0,360
Sim 14 (48,28) 10 (62,50)
Med_HAS
Não 16 (55,17) 8 (50,00) 0,739
Sim 13 (44,83) 8 (50,00)
DM
Não 25 (86,21) 11 (68,75) 0,161
Sim 4 (13,79) 5 (31,25)
IPQ
Ativo 8 (27,59) 5 (31,25) 0,742
Muito ativo 21 (72,41) 11 (68,75)
Educação
Alfabetização 1 (3,44) 0 (0%) 0,856
Educação básica 7 (24,14) 5 (31,25%)
Ensino médio incompleto 7 (24,14) 3 (18,75%)
Ensino médio completo 4 (13,79) 4 (25%)
Educação superior incompleta 1 (3,45) 1 (6,25%)
Educação superior completa 7 (24,14) 3 (18,75%)
Pós-graduação 2 (6,90) 0
Renda familiar
Menos de um salário mínimo 3 (10,35) 3 (18,75%) 0,599
De 1 a 3 no mínimo remunerações 22 (75,86) 11 (68,75%)
De 3 a 6 no mínimo remunerações 4 (13,79) 2 (12,50%)
Média (Mínimo - Máximo) p**
Idade (anos) 64,43 (47,00 – 83,00) 62,37 (52,00 - 78,00) 0,451

*Qui-quadrado e **Teste t de Student; (TAIAI) Grupo de Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade; (TAIAIC) Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade e Grupo de Caminhada Intensa; (HAS) Hipertensão Arterial Sistêmica; (Med_HAS) Hipertensão Arterial Sistêmica Medicamentosa; (DM) Diabetes Mellitus; (IPAQ) Questionário Internacional de Atividade Física.

A figura 2 ilustra as comparações inter e intragrupos para medidas relacionadas aos parâmetros de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL), colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL) e hemoglobina glicada (HbA1c). Houve redução de LDL e HbA1c, bem como aumento de HDL em ambos os grupos, mas não houve diferença estatística na comparação dos grupos. A glicemia de jejum (GJ) e o colesterol total também foram avaliados, mas não houve diferença estatística entre os momentos inicial e final.

Figura 2 : Comparação dos parâmetros bioquímicos - intra e intergrupos.ANOVA (valores expressos em média e desvio padrão); (TAIAI) Grupo de Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade; (TAIAIC) Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade e Grupo de Caminhada Intensa; (LDL) Colesterol lipoproteico de baixa densidade; (HDL) Colesterol lipoproteico de alta densidade; (HbA1c) Hemoglobina glicada. 

A inclusão da intensidade da caminhada ao lado dos exercícios aquáticos de alta intensidade contribuiu, ao final das atividades, para o aumento do consumo máximo de oxigênio (VO2máx) (figura 3). Entretanto, não houve diferenças entre os dois grupos e entre os momentos (inicial vs. final) em termos de frequência cardíaca de repouso, equivalente ventilatório de oxigênio (Ve/VO2) e equivalente metabólico da tarefa (MET).

Figura 3 : Consumo máximo de oxigênio (VO2max) - comparação intra e intergruposANOVA (valores expressos em média e desvio padrão); (TAIAI) Grupo de Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade; (TAIAIC) Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade e Grupo de Caminhada Intensa; (VO2max) Consumo máximo de oxigênio 

A figura 4 mostra a comparação inter e intragrupos para o teste de levantar da cadeira de 30 segundos. Notavelmente, ambos os grupos exibiram um aumento no número de repetições. No entanto, surgiu uma diferença estatisticamente significativa (p=0,022), indicando que o grupo que incorporou caminhada intensa demonstrou uma melhora mais significativa. Embora também tenham sido avaliados o teste de sentar e alcançar e o teste de rosca direta, não foram observadas diferenças estatísticas significativas entre os momentos inicial e final.

Figura 4 : Teste de cadeira em 30 segundos, comparação intra e intergruposANOVA (valores expressos em média e desvio padrão); (TAIAI) Grupo de Treinamento Intervalado Aquático de Alta Intensidade; (TAIAIC) Treinamento intervalado aquático de alta intensidade e Grupo de Caminhada Intensa 

A implementação do treinamento intervalado aquático de alta intensidade não resultou em nenhuma alteração discernível nos marcadores de bioimpedância. Não foram observadas distinções entre os dois grupos ou entre diferentes momentos (inicial vs final) em relação à massa magra corporal, massa gorda corporal, água corporal e índice de massa corporal.

DISCUSSÃO

Nossa pesquisa mostrou que o treinamento aquático de alta intensidade teve efeito positivo no perfil lipídico dos indivíduos. No entanto, a adição da caminhada na piscina ao regime de treinamento não levou a quaisquer alterações perceptíveis nos níveis de LDL, HDL ou hemoglobina glicada. Por outro lado, a inclusão da caminhada resultou em consumo máximo de oxigênio, força nas pernas e resistência.

Curiosamente, o treinamento intervalado aquático de alta intensidade não provocou alterações nos marcadores de bioimpedância. Embora ambos os grupos tenham apresentado diminuição do colesterol LDL e aumento do HDL com diferenças estatisticamente significativas, essas alterações não se refletiram no colesterol total e no perfil lipídico geral. Resultados semelhantes foram relatados em um estudo de Kim et al.39, envolvendo mulheres idosas, onde o exercício aquático melhorou notavelmente o LDL e o HDL, embora não tenha impactado significativamente o colesterol total. Isto está de acordo com as conclusões da meta-análise de Igarashi & Yoshie Nogami40, que enfatizou os efeitos positivos do exercício aquático nos perfis lipídicos do sangue. A duração limitada da nossa intervenção e a falta de restrições alimentares nos nossos critérios de exclusão podem ter influenciado o resultado relativo à redução do colesterol total.

Nosso estudo também observou que o treinamento intervalado de alta intensidade realizado em ambiente aquático não levou à redução dos níveis séricos de glicemia de jejum. Entretanto, ambos os programas de treinamento propostos reduziram o percentual de hemoglobina glicada. Apesar do impacto mínimo bem estabelecido do exercício físico neste marcador, particularmente em indivíduos diabéticos41, a literatura é divergente quanto aos efeitos do exercício aquático nos níveis séricos de glicemia em jejum.

Pesquisas envolvendo pacientes com diabetes tipo 2 produziram resultados variados em termos do impacto do exercício aquático nos níveis séricos de glicose no sangue em jejum. Por exemplo, alguns estudos demonstraram uma redução notável dos níveis42, enquanto outros não observaram uma diferença significativa, tanto em doentes idosos43, como em indivíduos com diabetes tipo 244. Assim como nosso estudo, que teve duração concisa, Gonçalves et al.44 explicaram que a duração da intervenção foi um fator fundamental que influenciou a ausência de diferenças nos níveis séricos de glicemia em jejum.

Depiazzi et al.14 conduziram uma revisão sistemática com uma meta-análise para examinar a eficácia do treinamento intervalado de alta intensidade em ambiente aquático. Concluíram que essa forma de treinamento potencializa a força muscular dos membros inferiores. Esta observação ressalta o papel da intensidade do exercício e do padrão de contração na formação da remodelação dos músculos esqueléticos por meio do treinamento aeróbico45. Outro estudo envolvendo mulheres na pós-menopausa que foram submetidas a um regime de treinamento aquático intervalado de alta intensidade por 24 semanas, como o protocolo do estudo atual, relatou melhorias na força, flexibilidade e equilíbrio34.

Vários estudos relataram que o treino aquático de alta intensidade pode levar a uma redução na percentagem de gordura corporal em adultos jovens sedentários26 e mulheres idosas com osteoartrite11. Lambert et al.46propuseram que a diminuição do percentual de gordura corporal poderia ser atribuída ao aumento do gasto energético durante o período de intervenção.

Contudo, revisões sistemáticas com meta-análises apresentam achados diferentes. Estas revisões sugerem que o treino intervalado aquático de alta intensidade pode não afetar significativamente a composição corporal14,15. Os autores destas revisões atribuem estes resultados mistos ao número limitado de estudos que avaliam estes parâmetros e à insensibilidade dos métodos de medição utilizados. Além disso, os efeitos do treino intervalado de alta intensidade na composição corporal são influenciados por vários fatores, incluindo a duração e intensidade do treino, métodos de avaliação da composição corporal e intervenções dietéticas47.

É importante destacar que os participantes do nosso estudo, adultos de meia-idade e idosos, foram categorizados como altamente ativos de acordo com o IPAQ. Esta distinção é crucial porque influencia os processos de perda de massa corporal e aptidão cardiorrespiratória, diferenciando estes indivíduos de congéneres sedentários ou obesos como visto nas intervenções anteriormente mencionadas. O processo de envelhecimento tende a ter um impacto negativo na função cardiorrespiratória, aumentando particularmente os riscos de doenças cardiovasculares entre os idosos, especialmente aqueles com elevado índice de massa corporal (IMC)48.

Em nosso estudo, não houve diferenças significativas na função cardiorrespiratória entre os grupos. Essa observação chama atenção porque os participantes já eram indivíduos ativos ou altamente ativos. As ligeiras alterações nos parâmetros cardiorrespiratórios para o grupo de caminhada intensa foram devidas à maior carga de treinamento. Entretanto, é importante ressaltar que a combinação do treinamento intervalado aquático de alta intensidade e caminhada intensa foi fundamental para aumentar o consumo máximo de oxigênio (VO2max).

Nestas circunstâncias, o estudo destaca os benefícios potenciais do treinamento intervalado aquático de alta intensidade para adultos ativos de meia-idade e idosos. Esta forma de treino pode ajudar a mitigar os riscos cardiovasculares e aumentar a capacidade funcional que muitas vezes é comprometida pelo processo de envelhecimento.

No entanto, as principais limitações do estudo foram a incapacidade de controlar as calorias consumidas pelos participantes de cada grupo. Além disso, as taxas de abandono e as mudanças de grupo mediante solicitações individuais resultaram em tamanhos de amostra diferentes entre os grupos.

CONCLUSÃO

Nossas descobertas indicam que o treinamento aquático de alta intensidade tem potencial para melhorar o perfil lipídico dos indivíduos. No entanto, a incorporação da caminhada na piscina no regime de treino não levou a quaisquer diferenças notáveis a este respeito. Por outro lado, a inclusão de exercícios aquáticos na piscina resultou em melhora da capacidade funcional dos participantes.

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Financiamento : Esta pesquisa não recebeu financiamento externo.

Recebido: Maio de 2024; Aceito: Junho de 2024; Publicado: Julho de 2024

Autor correspondente rodrigo.raimundo@fmabc.br

Conflito de interesse :

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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