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Revista Brasileira de Psicodrama

versão impressa ISSN 0104-5393versão On-line ISSN 2318-0498

Rev. Bras. Psicodrama vol.33  São Paulo  2025  Epub 08-Set-2025

https://doi.org/10.1590/psicodrama.v33.705 

ARTIGO ORIGINAL

A orientação psicodramática: olhar crítico para uma clínica (psico) terapêutica, política e (socio)educacional

Psychodramatic supervision: a critical perspective on a (psycho)therapeutic, political and (socio)educational clinical practice

Orientación psicodramática: una mirada crítica a una clínica (psico) terapéutica, política y (socio)educativa

Acileide Cristiane Fernandes Coelho1 
http://orcid.org/0000-0003-3063-4744

1Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social do Distrito Federal – Brasília (DF), Brasil.


RESUMO

Este escrito apresenta reflexões sobre a importância de se realizar leituras da realidade emergente na perspectiva da clínica ampliada, construídas ao longo do processo de orientação de trabalhos de conclusão de curso em psicodrama. Mediante uma abordagem metodológica qualitativa e narrativa, são apresentados dois relatos de experiência de orientações, conduzidas em formato virtual e presencial, que ilustram a relevância da análise contextual e da flexibilização das conservas formativas para atuações psicodramáticas alinhadas às necessidades sociais. Concluiu-se que o processo de orientação se configura como uma travessia que articula teoria, prática e subjetividade, reafirmando o papel do psicodramatista como sujeito ético, comprometido com a realidade e com uma clínica de caráter (psico)terapêutico, político e (socio)educacional.

PALAVRAS-CHAVE Psicodrama; Clínica ampliada; Ensino; Orientação

ABSTRACT

This paper presents reflections on the importance of reading emerging reality from an expanded clinical perspective, developed throughout the process of supervising final projects in psychodrama. By a qualitative narrative methodological approach, two reports of experiences of supervision are presented, conducted in virtual and in-person formats, which illustrate the relevance of contextual analysis and the flexibility of training practices for psychodramatic actions that meet social needs. It was concluded that the supervision process is configured as a journey that articulates theory, practice, and subjectivity, reaffirming the psychodramatist’s role as an ethical subject, committed to reality and to a (psycho)therapeutic, political and socio-educational clinic.

KEYWORDS Psychodrama; Expanded clinical practice; Teaching; Mentoring

RESUMEN

Este artículo presenta reflexiones sobre la importancia de interpretar la realidad emergente desde una perspectiva clínica ampliada, desarrolladas a lo largo del proceso de supervisión de proyectos finales de psicodrama. Adoptando un enfoque metodológico narrativo cualitativo, se presentan dos relatos de experiencias de supervisión, realizadas en formato virtual y presencial, que ilustran la relevancia del análisis contextual y la flexibilidad de las prácticas de formación para acciones psicodramáticas que responden a necesidades sociales. Se concluye que el proceso de supervisión se configura como un recorrido que articula teoría, práctica y subjetividad, reafirmando el rol del psicodramatista como sujeto ético, comprometido con la realidad y con una clínica de carácter (psico)terapéutico, político y (socio)educativo.

PALABRAS CLAVE Psicodrama; Clínica ampliada; Docencia; Acompañamiento formativo

INTRODUÇÃO

A exigência por enquadres – muitas vezes rígidos – pode fazer com que alunos e futuros psicodramatistas percam de vista as possibilidades que surgem do acaso, de uma clínica ampliada, mais sensível ao sofrimento psicossocial do mundo contemporâneo (Freitas & Vieira, 2018), bem como das leituras críticas, políticas e sociais que atravessam suas práticas e escolhas ao elaborarem seus trabalhos de conclusão de curso (TCC). Quando o foco está dividido entre abordagens psicoterápicas e socioeducacionais, somado às pressões normativas ou mercadológicas da formação, há o risco de que as práticas se tornem pouco espontâneas e desconectadas da dimensão política da clínica psicodramática e dos processos de subjetivação, conforme ressalta Dedomenico (2020).

Conforme Heidegger (1999), “o permanente de um pensamento é o caminho”. Assim, na orientação de TCC no curso de formação em psicodrama, orientador e orientando fazem juntos um percurso que envolve aquecimento (preparação para a atuação ou pesquisa de campo), ação (desenvolvimento do trabalho), compartilhamento (diálogos sobre o vivido) e, por fim, a escrita (processamento do caminho percorrido). Essa travessia exige atenção à realidade, ao que acontece diante do que planejamos, às leituras sociais e políticas, na medida em que “a questão política diz respeito à abertura para o social” e “o político abre para o não sabido” (Merengué, 2020, p. 44-45). Por isso, o processo de orientação deve incluir uma autoanálise das práticas e dos afetos que emergem em cada encontro, recorrendo a ferramentas que promovam uma clínica socionômica implicada com o ser humano relacional, espontâneo e criativo.

A orientação psicodramática configura-se como um processo de escuta, descoberta e construção coletiva – caminho vivido, mais do que somente teorizado – com potencial de transformar o sujeito e sua compreensão da clínica. Como afirma Aguiar (1998), o conhecimento constrói-se por múltiplas mãos, pois ao diretor – aqui, o orientador – não cabe a posse do saber, mas a abertura para coconstruí-lo na relação.

Diante disso, este relato de experiências propõe uma reflexão sobre a clínica ampliada e a importância de se realizar leituras da realidade emergente ao longo do processo de orientação. Problematizamos os impasses impostos pelas conservas da formação e destacamos a necessidade de intervenções sensíveis às urgências contemporâneas, considerando as intersecções entre as práticas psicoterapêuticas e socioeducacionais. Por fim, propomos uma escrita crítica e implicada com a realidade social, que dialogue com a complexidade do presente, revisitando as fontes da teoria moreniana, os autores psicodramatistas contemporâneos e os aportes das teorias críticas decoloniais que nos ajudam a ler os dramas atuais.

A SOCIONOMIA E A CLÍNICA AMPLIADA: INTERSECÇÕES PARA ATUAÇÕES PSICODRAMÁTICAS NA CONTEMPORANEIDADE

A socionomia moreniana propõe uma compreensão do ser humano na intersecção entre o individual e o coletivo, com ênfase nas relações sociais (Moreno, 1975). Desde sua origem, o psicodrama já expressava premissas de uma clínica ampliada com foco psicossocial como alternativa aos modelos tradicionais. Ao privilegiar a ação, a espontaneidade e a expressão emocional por meio da dramatização, sua prática estendeu-se aos diversos espaços onde a vida acontece.

Moreno enxergou o psicodrama com impacto social não apenas como processo individual, mas como ferramenta voltada a grupos, instituições e comunidades. Seu trabalho com refugiados, pacientes psiquiátricos e populações marginalizadas revelou o potencial do psicodrama para ressignificar experiências e fortalecer vínculos sociais. Como afirma Fonseca (2021), Moreno, em sua atuação sociológica, educacional e psicoterapêutica, buscou ampliar a luta pela inclusão social “ajudando as pessoas a se incluírem em suas relações” (Fonseca, 2021, p. 46). A experiência de exclusão vivida por ele, desde a infância como imigrante em busca de pertencimento e nacionalidade, inspirou a formulação de conceitos e instrumentos fundamentais da socionomia, como a sociometria, a psicoterapia de grupo e o psicodrama, voltados à restauração de vínculos (Fonseca, 2021). Ainda que seja impossível abarcar toda a diversidade humana, esses instrumentos permitem uma clínica com foco social e relacional.

Ao investigarmos o conceito de clínica ampliada à luz de saberes como os da psicologia social comunitária e da saúde coletiva – que compreendem o cuidado em saúde para além do indivíduo, incorporando uma lógica psicossocial e coletiva –, percebemos que a socionomia caminha na mesma direção. O conceito de clínica ampliada emerge do campo da saúde coletiva propondo uma visão biopsicossocial do sujeito, inserido em um território e em redes de relações. Diferentemente do modelo tradicional de clínica psicológica, que tende a se limitar à relação individual no consultório, a clínica ampliada expande o setting terapêutico para outros espaços, como hospitais, escolas, comunidades e serviços públicos (Roehe & Prazeres, 2022).

Essa abordagem busca uma escuta que ultrapassa os limites da subjetividade individual, considerando aspectos sociais e políticos implicados no sofrimento humano. Ao olhar a clínica na origem da palavra kliné enquanto “procedimento de observação direta e minuciosa” (Barbier, 2002, p. 45), recorremos à compreensão das relações e dos conflitos dos sujeitos no lócus onde a vida acontece. Tal perspectiva visa não apenas ao atendimento individual, mas também ao fortalecimento das redes de apoio e à construção de estratégias coletivas de enfrentamento das questões sociais contemporâneas. Em um país onde o acesso à clínica tradicional é privilégio para poucos, a noção de clínica ampliada constitui uma ferramenta importante ao realizar leituras da realidade social e ao buscar estratégias de oferta de atendimentos possíveis.

A centralidade nas relações e a ênfase na análise e abordagem do sujeito coletivo evidenciam a interseção entre a clínica ampliada e o projeto socionômico de Moreno, estruturado em três eixos fundamentais: a sociodinâmica, que estuda as relações e os processos grupais; a sociometria, voltada para a compreensão dos vínculos interpessoais; e a sociatria, que abrange os métodos de intervenção nos grupos. Considerando as convergências entre a socionomia e a clínica ampliada, Freitas e Vieira (2018) propõem os quatro universais morenianos – tempo, espaço, realidade e cosmo – como chaves de leitura para essa perspectiva clínica. O tempo revela os efeitos da aceleração contemporânea sobre o sofrimento psíquico; o espaço expande o setting terapêutico para os territórios coletivos; a realidade suplementar, enquanto possibilidade interventiva, permite novas respostas às situações vividas; e o cosmo estimula a criatividade humana, rompendo com visões reducionistas.

Outro ponto fundamental é o papel da espontaneidade, da criatividade e das conservas culturais. Romper as conservas permite ações criadoras perante a exclusão, favorecendo o contato com o vivido e a subversão de ordens dominantes (Merengué, 2020). Dessa forma, o psicodrama, enquanto método sociátrico com técnicas e instrumentos alicerçados na fenomenologia existencial (Vidal & Amaral, 2025), e a atuação com o olhar na clínica ampliada convergem ao criticar subjetividades hegemônicas e padrões que subalternizam grupos sociais. Portanto, o psicodrama emerge como ferramenta potente de dramatização das opressões e promoção de emancipação, resgatando a espontaneidade criadora como potência política (Vieira, 2025).

Integrar os princípios da clínica ampliada e da socionomia permite construir práticas psicológicas mais inclusivas e transformadoras. A socionomia torna-se, então, uma “prática clínica e política que produz modos de existência espontâneos e criadores” (Dedomenico, 2020, p. 187), capaz de transpor os limites do consultório e tornar a clínica uma ação democrática. Tal abordagem reconhece as dimensões políticas e sociais do sofrimento e amplia a capacidade de resistência e atuação dos sujeitos. Dessa forma, é essencial que a formação em psicodrama forneça subsídios para uma atuação psicoterapêutica, social, política e educacional em contextos diversos, considerando a complexidade das realidades contemporâneas. Nesse sentido, torna-se imprescindível dialogar com teorias críticas decoloniais, como propõem Albernaz et al. (2021), as quais destacam a necessidade de uma autocrítica profissional, vivencial e pedagógica diante dos desafios atuais.

As teorias críticas decoloniais centram-se em reflexões e práticas que buscam desconstruir os efeitos persistentes do colonialismo e das lógicas eurocêntricas nas formas de conhecimento, nas estruturas sociais e nos modos de vida contemporâneos. Autores como Quijano (2005), Fanon (2008), entre outros propõem alternativas de existência e resistência perante a colonização da vida social, o racismo epistêmico, os sistemas de opressão e a hierarquização do saber e do ser. Como destacam Albernaz et al. (2021), a socionomia contribui para a desconstrução dessas estruturas, ao promover experiências coletivas que reconhecem a multidimensionalidade humana e desvelam relações coloniais. Nesse contexto, o Teatro Experimental do Negro, conduzido por Guerreiro Ramos, assim como produções contemporâneas voltadas às relações étnico-raciais (Malaquias, 2020) e aos sistemas de opressão e exclusão (Vieira, 2025), evidencia a potência do conhecimento e da prática socionômica em uma perspectiva crítica decolonial.

ORIENTAÇÃO PSICODRAMÁTICA E CLÍNICA AMPLIADA: ENTRE OS IMPASSES E A CONSTRUÇÃO DE UM OLHAR CRÍTICO SOBRE A REALIDADE QUE SE APRESENTA

O olhar crítico para a orientação psicodramática remete à ideia de que “o laboratório para o estudo da realidade é a própria realidade” (Martín, 1984, p. 79). Isso nos convida à reflexão sobre os desafios presentes na orientação de TCCs em psicodrama, sobretudo quando o orientando confronta a distância entre a cena idealizada e a realidade. Frequentemente, os alunos elaboram projetos com temas definidos, setting clínico planejado e público-alvo específico, mas deparam com resultados diferentes, provocando frustrações diante do descompasso entre teoria e prática.

Esse impasse, longe de indicar fracasso, pode abrir caminho para se escutar a realidade: o que ela revela? Que necessidades ainda ocultas emergem nos territórios? Psicólogos em fase final da formação no psicodrama nível I, muitas vezes, projetam sua prática em espaços psicoterápicos convencionais influenciados pelo foco psicoterápico da formação. Todavia, ao longo do percurso, são convocados pela própria realidade a atuar em contextos fora do setting clássico – hospitais, serviços socioassistenciais, grupos comunitários. Esses espaços são férteis para intervenções terapêuticas e propõem um exercício clínico com implicações políticas e educativas.

Moreno (1992, p. 214-215) já dizia: “Trabalhadores sociodramáticos devem organizar encontros preventivos, didáticos e de reconstrução na comunidade em que vivem e trabalham”. O olhar clínico ampliado leva a repensar a dicotomia entre o foco psicoterapêutico e o socioeducacional, que tantas vezes aprisiona o processo de orientação. Diante da pergunta recorrente “esse trabalho é psicoterapêutico ou socioeducacional?”, é necessário tensionar as fronteiras e refletir sobre o que, de fato, promovemos quando facilitamos o encontro, o vínculo e a emergência da espontaneidade.

A formação psicodramática, ao reforçar enquadres fixos, pode reproduzir conservas culturais (Moreno, 1975), limitando criatividade e potência transformadora do método. Aguiar (1998) recomenda uma leitura integrada do psicodrama e contesta a separação entre suas aplicações, a visão dicotômica entre “psicodrama terapêutico” e “psicodrama aplicado”. Ao relembrar o sentido grego de therapeutikós – cuidar, tratar, servir –, compreende que o cuidado não se restringe ao setting clássico, mas está no encontro e no reconhecimento do outro.

Bareicha (1999, p. 133) reforça: “O psicodrama é sempre terapêutico, artístico e educativo”. Essa visão sugere uma postura contra-hegemônica na formação e orientação, exigindo o reconhecimento das intersecções das práticas e da complexidade dos contextos. Dedomenico (2020) também critica a fragmentação da atuação socionômica para fins psicoterapêuticos e socioeducacionais, considerando que o que muda é o contexto de atuação. Assim, ele propõe uma articulação mais ampla, capaz de abarcar subjetividades e dimensões políticas da prática psicodramática.

Seguindo esses caminhos, torna-se necessário ler o contexto sócio-histórico em que a prática ocorre, reconhecendo os entrelaçamentos políticos, psicoterápicos e educativos. A orientação psicodramática apresenta-se como experiência de coconstrução de saber (Vidal, 2024), baseada na análise do vivido, tanto na prática quanto na escrita. Merengué (2020) defende que descongelar conservas culturais exige abertura à criatividade-espontaneidade, com escuta sensível da realidade viva.

A leitura crítica da realidade passa a considerar se a prática gerou modos de existência criativos e espontâneos, inaugurando novos valores, afetos e políticas (Dedomenico, 2020). A formação psicodramática, assim, deve incluir a análise do ato criativo, haja vista que a intervenção nasce do encontro, da tele e da relação. A aprendizagem, nesse sentido, passa pelo afeto e pela experimentação (Deleuze, 1987). O olhar crítico não deve buscar respostas certas ou técnicas ideais, mas acolher as afetações provocadas pelos encontros. Como aponta Dedomenico (2020), rompemos a dicotomia entre teoria e prática quando compreendemos a socionomia como experiência viva, e não como teoria ou técnica gourmetizada. Enfim, a orientação precisa trazer para a reflexão as referências cosmológicas que fundamentam o método e as técnicas, a essência fenomenológica dos acontecimentos, e não apenas um “conjunto de técnicas desprovido de anima”, como apontam Vidal e Amaral (2025, p. 3). Portanto, a socionomia é criação no vivido.

DO CAMPO PRÁTICO À ESCRITA: UMA COSTURA DE SABERES PARA A ANÁLISE DO ENCONTRO

Na lógica da complexidade, o caos não é apenas colapso de sentidos, mas fonte de criação ao romper padrões fixos (Morin, 1998). Em orientações de TCCs na formação em psicodrama, é comum que orientandos expressem dúvidas quanto à validade de sua prática: “Não sei se foi tão psicodramático”, “não sei bem como relacionar a prática à teoria”. Diante disso, percorremos o trajeto vivido – do aquecimento à ação – em análise fenomenológica. O foco passa do que deveria ter sido ao que de fato emergiu, valorizando a leitura das dinâmicas sociátricas e sociodinâmicas.

O papel do psicodramatista se realiza no ato – corpo que afeta e é afetado –, rompendo dicotomias entre teoria e prática. Na escrita, torna-se essencial apresentar a intencionalidade e promover uma autorreflexão. Recursos como uma carta de reflexividade (Olmos-Vega et al., 2022) auxiliam na leitura do processo e na construção de sentidos. Dedomenico (2020) chama esse movimento de metapsicodrama: análise das ações em cena e suas escolhas. É também fundamental ler o contexto histórico da prática e cruzá-lo com o relato do vivido. Nenhum saber, isoladamente, dá conta da complexidade da realidade – entendida como “tecido junto” (Morin, 1998). Por isso, é necessário religar conhecimentos e adotar lentes filosóficas que fundamentem teoria, método e prática. Sem isso, as técnicas reduzem-se a ferramentas utilitárias, voltadas ao cumprimento de metas, e não à transformação (Merengué, 2020).

Nesse processo, orientando e orientador cuidam para dar protagonismo ao acontecimento e ao que o circunda em seu contexto sócio-histórico. É necessário evitar a sobreposição da técnica e a tendência à sobrecodificação, como aponta Merengué (2020), em detrimento da elaboração das histórias vividas e contadas. Isso ocorre, por vezes, no afã de provar que “fomos psicodramatistas” porque utilizamos determinada técnica ou método. Não se trata de negar o valor das técnicas ou das escolhas sociátricas na prática, mas de religá-las a uma análise do vivido. Essa lógica, ancorada em uma lente filosófica e nas teorias que sustentam a experiência, pode nortear a estrutura do texto, guiando os principais pontos teóricos a serem desenvolvidos na primeira parte do trabalho.

A descrição da prática, no entanto, muitas vezes parece escapar aos limites da escrita. O uso do diário de campo (Kroef et al., 2020) torna-se precioso para captar nuanças subjetivas da experiência. Uma estratégia eficaz é redigir o relato livremente e, depois, realizar sua leitura teórica. Esse movimento permite compreender processos de subjetivação (Dedomenico, 2020). Para enfrentar as desistências entre a prática e a escrita, a relação orientador-orientando precisa ser vista sob uma ótica psicodramática (Vidal, 2024). É preciso enfrentar as conservas da escrita acadêmica, explicitar os caminhos trilhados e construir parcerias críticas e decoloniais.

Este tópico não tem como objetivo oferecer um modelo de escrita. Pelo contrário, sugere um percurso criativo, no qual se possa escrever até mesmo sobre os impasses. O psicodramatista em formação, como afirma Merengué (2020), não assume um papel pronto, mas cria-o continuamente, em luta com o próprio inacabamento. Ao retomar as frases iniciais dos orientandos e considerando o processo de criação da escrita e da atuação rumo a uma formação psicodramática, talvez seja um ato político e ético afirmar:

O psicodramatista em luta é alguém que – na contramão daqueles que pregam a autoconfiança desbragada – duvida de seu próprio trabalho, pois ele nunca está pronto. Trata-se sempre de uma obra em construção. Não existe um papel pronto, e sim um papel sendo criado a cada momento

(Merengué, 2020, p. 45).

Portanto, a conclusão da escrita não representa um fim, mas a abertura de novas trilhas reflexivas.

ENTRE A PEDRA E O CAMINHO: SOBRE O VIVIDO, A ESCRITA E AS TRAVESSIAS DA FORMAÇÃO PSICODRAMÁTICA

A seguir, apresentamos um breve relato de experiência de orientações de TCCs que se destacaram pelas transformações vivenciadas da realidade trazida ao longo do processo de orientação. As orientações ocorreram por meio de encontros virtuais e presenciais, no contexto da formação e pós-graduação em psicodrama, em uma escola do Distrito Federal vinculada à Federação Brasileira de Psicodrama.

Em uma perspectiva metodológica qualitativa e narrativa, os relatos de experiência são uma forma de expressão escrita que traduz vivências consideradas significativas, capazes de contribuir para a produção de conhecimento em determinada temática (Mussi et al., 2021). Nesse sentido, o relato de experiência e sua análise narrativa, reflexiva e crítica destacam a pesquisa participativa que envolve o pesquisador-narrador (Daltro & Faria, 2019).

Este relato segue as diretrizes da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, por ser um trabalho voltado ao aprofundamento teórico de situações que emergem espontânea e contingencialmente na prática profissional, sem a exposição de dados que permitam a identificação dos sujeitos envolvidos.

O recorte apresentado ilustra as reflexões centrais do artigo. Dessa forma, não se trata de descrever todo o processo de orientação, mas de lançar luz sobre algumas pedras – dificuldades surgidas entre a prática e a escrita. As experiências vividas são compreendidas como parte de uma travessia formativa que vai além da conclusão de um trabalho acadêmico. Consiste em um momento de autoanálise, nos sentidos propostos por Freire (2011) e Gilles Deleuze (1987), em que o aprendizado se constrói nos próprios movimentos da vida, nos encontros e no imprevisível, sem roteiro fixo nem destino traçado.

A CLÍNICA QUE ACONTECE: QUANDO A REALIDADE ORIENTA O PSICODRAMATISTA EM UMA ATUAÇÃO (PSICO)TERAPÊUTICA E (SOCIO)EDUCACIONAL

Esta experiência revela a abertura ao acaso e à escuta sensível de um território que convocava um ato psicodramático. A orientanda escolheu-me por conhecer minha trajetória com grupos no campo comunitário, onde tenho atuado há mais de 17 anos, no Sistema Único de Assistência Social. Compartilhávamos um histórico de atuação com mulheres em situação de violência, tema que entrelaçava nossas histórias. A orientação ocorreu entre o fim de 2024 e o início de 2025.

No primeiro encontro de orientação, a orientanda apresentou sua proposta de prática para o TCC: conduzir um grupo de mulheres com foco psicoterapêutico e a temática voltada para as desproteções nas relações cotidianas. Conversamos sobre sua escolha e os aspectos de sua trajetória pessoal ligados ao tema; sugeri que escrevesse acerca disso. A prática já contava com formulário de inscrição e setting organizados. Em poucos dias, cerca de 30 mulheres se inscreveram para participar do grupo psicoterapêutico. No entanto, no primeiro encontro, apenas uma compareceu a ele e informou que não daria continuidade ao processo. Ao entrar em contato com as demais inscritas, aquelas que haviam respondido afirmativamente relataram diferentes motivos que, naquele momento, as impediam de participar.

A frustração e a leitura da ausência foram tema do segundo encontro. Discutimos o acontecimento no aqui e agora. A pedra no caminho apareceu sob o nome de não adesão, termo comum nos contextos da clínica, da saúde e da assistência social. Mas será mesmo uma não adesão? Ou a intervenção não aderiu à realidade concreta das mulheres? São perguntas sem resposta objetiva, as quais exigem análise do cenário em que a clínica acontece: horários incompatíveis, sobrecarga feminina, distância, receios, além da lógica da superprodutividade – intensificada na pandemia –, que transforma inscrições em intenções, mas nem sempre em compromissos reais.

Diante dessa vivência, sugeri que a orientanda registrasse todos os aspectos do caminho entre prática, orientação e escrita, incluindo os sentimentos e acontecimentos que atravessavam sua jornada. Como propõem Kroef et al. (2020), esse registro em um diário de campo evidencia a implicação do pesquisador com o campo, compondo um campo-tema marcado por afetos e escolhas, considerando não apenas o fenômeno em sua apresentação objetiva, mas a relação existencial estabelecida, marcada por posicionamentos ético-políticos.

Para além da análise da situação inicial, no segundo encontro, apresentei à orientanda uma nova possibilidade. Fui procurada por um espaço comunitário que relatou a necessidade de oferta de oficinas voltadas a mulheres em situação de vulnerabilidade. Diante disso, sugeri que poderíamos propor a esse espaço o desenvolvimento de um trabalho terapêutico. Em diálogo com a orientanda, refletimos juntas sobre as demandas concretas que a realidade nos apresentava. Ela se animou com a ideia de atuar naquele contexto, construindo um ato terapêutico psicodramático. Os atos terapêuticos, segundo Iunes e Conceição (2017), ocorrem em um único encontro, com caráter temático, visando oferecer suporte e empoderamento de forma pontual.

Todavia, logo surgiu uma inquietação: “Será que esse trabalho será considerado psicoterapêutico ou socioeducacional?”. A preocupação com o enquadramento exigido pela formação parecia sobrepor-se ao valor da ação. Discutimos, então, as conservas culturais que sustentavam essa dúvida e ampliamos o olhar para a clínica ampliada – uma prática que integra dimensões terapêuticas, políticas e socioeducacionais. Como propõe Dedomenico (2020), seria desejável que as ações pudessem acontecer com essa organicidade.

Na prática, o trabalho deu-se em ato; acompanhei seu desenvolvimento e testemunhei sua potência. Cerca de 30 mulheres participaram dele, uma coincidência em números com a proposta inicial que nos fez pensar no caminho percorrido mais uma vez. A vivência gerou cenas espontâneas, criações coletivas, trocas significativas e fortalecimento de redes sociométricas. Uma das mulheres compartilhou experiências de fragilidade relacional, sendo protagonista em uma dramatização que desencadeou vínculos, escutas e afetos entre as participantes. Aqui, a ação trouxe suporte terapêutico a essa protagonista e uma construção grupal com caráter socioeducacional sobre as desproteções relacionais vividas no cotidiano.

Ao processar a vivência, a orientanda perguntou: “Será que fui bem?”. Quando analisamos o processo além do desempenho, ela pôde reconhecer a força da experiência. Adotamos um olhar fenomenológico para o vivido e, em seguida, relacionamos técnica e método. A intervenção articulou dimensões psicoterapêuticas, educativas e artísticas – pela criação coletiva, pela narração de histórias, pela dramatização e, sobretudo, pelos encontros de saberes, partilhas e estratégias de proteção.

Nos encontros seguintes, buscamos construir a escrita, enfrentando os desafios inerentes ao processo de transformar em texto uma experiência tão intensa e vivida. A orientanda deparou com a dificuldade de sintetizar o vivido, pois a experiência parecia não caber na tradução escrita. Optou, então, por apresentar os resultados em formato mais narrativo, utilizando o diário de campo como recurso central, dialogando com teorias relacionadas ao tema e refletindo sobre as pedras no caminho como parte da travessia formativa. Como destaca Dedomenico (2020, p. 193):

A ação dramática é o próprio território onde desempenhamos tal papel [papel de psicodramatista]. Ao mesmo tempo, ao exercê-lo damos-lhe vida, numa relação de imanência. Essa inversão de entendimento faz-se necessária, por já mudar a política relacional na qual estamos inseridos profissionalmente, em quem nos tornamos durante o desempenho de um papel.

Este relato sobre as pedras que surgem no caminho da pesquisa, da orientação e da prática psicodramática não é um caso isolado. Já em uma primeira orientação, em 2023, a experiência também teve início com uma pedra. O orientando, psicólogo com atuação na área social, havia planejado uma prática presencial com foco psicoterápico destinada a 15 mulheres, em um setting clínico bem estruturado, no entanto todas as interessadas informaram que somente poderiam participar dessa prática de forma on-line. Essa mudança frustrou o plano inicial, mas, ao refletir sobre a situação e os encontros com as participantes, compreendeu-se que a própria sobrecarga feminina – tema central do trabalho – havia conduzido ao novo formato. A escuta da realidade foi o primeiro conteúdo lido. A experiência virtual gerou reflexões potentes e demonstrou-se uma forma de conexão viável, desde que técnicas e manejos considerassem o contexto e as necessidades tanto do diretor quanto dos participantes, como apontam Vidal e Castro (2020).

Durante o processo até a banca, compreendemos que a centralidade do trabalho não residia nas técnicas ou no formato dos encontros, mas nas histórias compartilhadas, na escuta construída e nas reflexões sobre gênero, sobrecarga e invisibilidade do trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. O grupo, por meio do protagonismo de uma história, constituiu-se como espaço terapêutico e educativo, ao abordar questões contemporâneas ligadas à perspectiva de gênero. Na escrita, o trabalho trouxe como referência autores psicodramatistas e teóricos de gênero, enriquecendo a análise. Como afirma Vieira (2025), o psicodrama deve contribuir para uma socionomia que revele exclusões e enfrente questões sociais urgentes.

Como o psicodrama pode ler esses fenômenos? Como essas experiências contribuem para essa leitura? Como criamos espaço para escuta e ampliação da espontaneidade? Essas perguntas conduzem-nos a olhar para a clínica com uma lente política e social. O relato dessas experiências revela que o processo de orientação é também uma travessia, uma jornada que envolve a análise de uma clínica diversa, atravessada por complexidades que, ao considerar o contexto sócio-histórico, não cabe em enquadres rígidos. Ao contrário, ela abre espaço para reflexões, criações e reinvenções de caminhos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A orientação psicodramática, tal como vivida nos relatos aqui apresentados, revelou-se uma travessia, um caminho feito de encontros, tropeços, escutas e reinvenções. Buscamos refletir sobre a importância de se realizar leituras da realidade emergente em uma perspectiva da clínica ampliada ao longo do processo de orientação. A escuta da realidade, com suas urgências e imprevistos, exige do orientador e do orientando a capacidade de flexibilizar conservas formativas e reconhecer que a clínica acontece para além do setting tradicional, no tecido vivo das relações.

Nesse sentido, pensar a orientação psicodramática à luz da clínica ampliada é um ato político e epistemológico. É reconhecer que há potências nas margens, que o psicodramatista pode (e deve) escutar os chamados da realidade e que a formação só se torna efetiva quando consegue dialogar com a vida concreta. Como no exemplo de Moreno em Viena (Moreno, 1975), ao observar crianças brincando no jardim, é do cotidiano que emergem as cenas nas quais precisamos atuar.

A experiência, como aponta Heidegger (2003, p. 121), é “percorrer um caminho, o qual precisamos [...] atravessar, sofrer, receber o que nos vem ao encontro, harmonizando-nos e sintonizando-nos com ele”. Dessa forma, mais do que buscar respostas prontas ou modelos fixos de atuação, é o próprio movimento da orientação – reflexivo, sensível e ético – que deixa suas marcas duradouras. A travessia – e não o destino – é o que configura a formação do psicodramatista enquanto sujeito crítico, ético e implicado com a realidade que o convoca.

Enfim, o papel do psicodramatista não está dado de antemão; ele se constitui no ato, na ação que afeta e é afetada, no gesto que escuta e se transforma com o outro. E talvez seja aí – no meio do caminho, e não no ponto de chegada – que mora a potência do encontro psicodramático.

AGRADECIMENTOS

Agradeço aos alunos, professores e colegas da Associação Brasiliense de Psicodrama, os caminhos de cocriação e de reflexão na formação.

FINANCIAMENTONão se aplica.

DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA

Não se aplica.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 21 de Abril de 2025; Aceito: 07 de Julho de 2025

Autora correspondente: leidecris@gmail.com.

Editor de seção:

Giceli Carvalho Formiga https://orcid.org/0000-0002-7285-086X

CONFLITO DE INTERESSE

Nada a declarar.

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