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Revista Brasileira de Psicodrama

versão impressa ISSN 0104-5393versão On-line ISSN 2318-0498

Rev. Bras. Psicodrama vol.33  São Paulo  2025  Epub 08-Set-2025

https://doi.org/10.1590/psicodrama.v33.709 

ARTIGO DE REVISÃO

Violência de gênero e psicodrama: revisão integrativa da Revista Brasileira de Psicodrama

Gender violence and psychodrama: integrative review of the Revista Brasileira de Psicodrama

Violencia de género y psicodrama: revisión integrativa de la “Revista Brasileira de Psicodrama”

Mariana Leão Côrtes Berquó1  2  * 
http://orcid.org/0009-0000-2004-974X

1Universidade de Brasília – Instituto de Psicologia – Programa de Psicologia Clínica e Cultura – Brasília (DF), Brasil.

2Associação Brasiliense de Psicodrama e Sociodrama – Brasília (DF), Brasil.


RESUMO

Este trabalho realizou uma revisão integrativa sobre violência contra a mulher e psicodrama, com base em publicações da Revista Brasileira de Psicodrama (2010–2024), investigando como o psicodrama tem abordado esse tema e contribuído para a sua compreensão e intervenção. Foram selecionados seis artigos por meio de cinco descritores. Apenas três deles adotaram fundamentação em teoria de gênero. A ausência de perspectivas de gênero e interseccionalidades pode gerar interpretações limitadas e individualizantes, desconsiderando fatores estruturais. O sociodrama destacou-se como método potente de intervenção grupal. A revisão evidencia a escassez de estudos e aponta para a necessidade de ampliar pesquisas que levem em conta as dimensões socioculturais e estruturais da violência contra as mulheres no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE Violência contra a mulher; Violência de gênero; Relações de gênero; Psicodrama

ABSTRACT

This study conducted an integrative review on violence against women and psychodrama, based on publications of the Revista Brasileira de Psicodrama (2010–2024), to investigate how psychodrama has aided in research and contributed to the understanding and interventions related to this topic. Six articles were selected using five descriptors. Only three of them were based on gender theory. The absence of gender theory and intersectionality can lead to limited or individualizing interpretations, ignoring the cultural and structural dynamics. Sociodrama emerges as a powerful method of group intervention. This review highlights the scarcity of studies and the need to expand research that considers the sociocultural and structural dimensions of violence against women in Brazil.

KEYWORDS Violence against women; Gender violence; Gender relations; Psychodrama

RESUMEN

Este trabajo realizó una revisión integrativa sobre la violencia contra la mujer y el psicodrama, basada en publicaciones de la “Revista Brasileira de Psicodrama” (2010-2024), investigando cómo el psicodrama ha abordado y contribuido a la comprensión y intervención sobre este tema. Se seleccionaron seis artículos utilizando cinco descriptores. Solo tres de ellos se basaron en la teoría de género. La ausencia de perspectivas de género y interseccionalidades puede generar interpretaciones limitadas y individualizadoras, ignorando factores estructurales. El sociodrama se destacó como un método poderoso de intervención grupal. La revisión destaca la escasez de estudios y señala la necesidad de ampliar la investigación que considere las dimensiones socioculturales y estructurales de la violencia contra la mujer en Brasil.

PALAVRAS-CLAVE Violencia contra las mujeres; Violencia de género; Relaciones de género; Psicodrama

INTRODUÇÃO

O psicodrama, como ficou conhecida a ciência socionômica criada por Moreno (1889–1974), tem o intuito de estudar as leis que regem o comportamento social e grupal, tratar as leis do desenvolvimento e das relações sociais, as suas possibilidades de repetição e transformação e explorá-las. O ser humano, na teoria socionômica, é compreendido como um sujeito primordialmente social, pois nasce em sociedade e necessita dos outros para sobreviver. Individual e social são inseparáveis; as forças do grupo têm papel decisivo na estruturação da vida social (Moreno, 2009). As intervenções psicodramáticas privilegiam, considerando sua proposta original, os trabalhos com grupos vulnerabilizados, com métodos de ação e criação que permitem vivências ampliadoras de espontaneidade, criatividade, convivência e diálogo com as diversidades (Vidal & Dias, 2023).

Identifica-se a sociedade brasileira atual como patriarcal, racista e machista, em que as violências de gênero são ainda muitas vezes normalizadas. Existe um ideal regulador sexista de discursos, valores, padrões e comportamentos baseado em uma cultura de hierarquia de gênero e cis-heteronormatividade socialmente construída (Butler, 2023; Zanello, 2018) e mantido por ela. Nesse cenário, de acordo com Pereira et al. (2023), há uma epidemia da violência contra as mulheres enraizada nos estigmas da virilidade masculina e da submissão feminina, advindos da hierarquização de poder do patriarcado. As autoras ressaltam que, nas relações entre homens e mulheres nas quais há proximidade entre vítima e agressor, se intensifica a vulnerabilidade das mulheres, especialmente na esfera afetivo-conjugal. Salienta-se que há diferentes fenômenos de violência de gênero com suas especificidades, além da violência contra as mulheres, como por exemplo a violência contra crianças e adolescentes e a violência contra as pessoas LGBTQIAPN+.

Segundo a definição estabelecida pela Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, de Belém do Pará, a violência contra as mulheres é caracterizada como “qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como privado” (Convenção Interamericana de Direitos Humanos,1994). Esse fenômeno, de proporções alarmantes e com impactos significativos para a sociedade, ganhou visibilidade na década de 1990, e a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2005) passou a reconhecê-lo como um grave problema de saúde pública (Pedrosa & Zanello, 2016). Para Bandeira (2014, p. 460), “a violência contra a mulher constitui-se em um fenômeno social persistente, multiforme e articulado por facetas psicológica, moral e física”. Uma relação de submissão e poder expressa por meio do uso da força concreta ou simbólica é caracterizada por medo, isolamento, dependência e intimidação, que objetiva subjugar o corpo e a mente da mulher.

No Brasil, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (2025), a violência contra a mulher é uma das principais expressões das desigualdades de gênero do país, caracterizando um alarmante problema público. Nos últimos 11 anos (2013–2023), 47.463 mulheres foram assassinadas, e em 2023 o feminicídio matou quase quatro mil mulheres. Nesse mesmo ano, ocorreram 275 mil notificações de violência contra mulheres, das quais 177.086 (64%) foram de violência doméstica. Também se observou um aumento expressivo da violência contra mulheres trans, com crescimento de mais de 1.100% na última década e alta de 43% entre 2022 e 2023, evidenciando que mulheres trans seguem como as principais vítimas entre a população LGBTQIAPN+.

Os números indicam que as mulheres continuam expostas a diferentes formas de violência, que mudam ao longo do ciclo de vida. Essas violências majoritariamente ocorrem em ambiente doméstico, estão ligadas às dinâmicas interpessoais, patriarcais e estruturais e têm alta reincidência. São dados que mostram a deficiência das estratégias atuais de enfrentamento e ressaltam a urgência de ações mais eficazes tanto na proteção das vítimas quanto na responsabilização dos agressores. A quantidade de mortes atinge desproporcionalmente mulheres negras (68,2% do total de homicídios femininos), revelando uma importante dinâmica estrutural. São números alarmantes, que caracterizam a população de mulheres como grupo vulnerável, ou seja, composto de pessoas que não participam de poder e privilégios (Costa & Lordello, 2021), e mostram como as questões de classe social, raça e etnia importam.

A violência resulta em adoecimento físico e mental das vítimas, traz consequências para a autoestima, dificulta o reconhecimento de recursos internos afetivos e emocionais, acentua a autocrítica, provocando desvalorização da experiência de vida pessoal e expressão da resiliência (Costa & Lordello, 2021). Conforme relatório apresentado pela OMS (2005), existe maior incidência de sofrimentos mentais, como depressão e ansiedade, em mulheres do que em homens. A violência traz prejuízos para diversas áreas da vida de todos os membros da família envolvidos, além da vítima (Moreira & Costa, 2021).

O fenômeno da violência contra as mulheres precisa ser abordado considerando suas dimensões social, coletiva e aquela mais íntima, o campo das afetividades e emoções. A violência doméstica evidencia a importância de se compreender as relações no contexto sociopolítico e cultural, levando em conta as configurações específicas de raça, etnia, classe social e gênero (Zanello, 2018). As emocionalidades são desenvolvidas em um campo histórico e social que cria entre homens e mulheres caminhos diferentes de subjetivação (Magalhães et al., 2023).

De acordo com Zanello (2018), existem dois dispositivos de gênero identitários e centrais na subjetivação das mulheres, que as torna mais vulneráveis a relações abusivas e violentas: o dispositivo materno e o dispositivo amoroso. O dispositivo materno refere-se à construção cultural de heterocentramento, na qual se priorizam as necessidades, as demandas e os desejos dos outros em vez dos próprios. A visão da capacidade de cuidar como do campo do feminino, e não do humano, impõe às mulheres o trabalho do cuidado não remunerado de todas as pessoas, revestido por uma capa afetiva romantizada e naturalizada.

Já o dispositivo amoroso trata do valor identitário do ser mulher validado pela capacidade de ser escolhida, e permanecer escolhida, por um homem. Os homens são, portanto, avaliadores, enquanto as mulheres, na “prateleira do amor” (metáfora criada pela autora), estão sob alvo constante de exame e julgamento. Essa aprendizagem específica da forma de amar impõe rigorosos padrões estéticos aos corpos das mulheres, atravessado pelo atual ideal estético do corpo branco, jovem, louro e magro, além de gerar rivalidade feminina e promover preterimento afetivo entre as que não estão em uma posição privilegiada (Zanello, 2018).

Quanto aos homens, constituem-se com base no dispositivo da eficácia, pautado na virilidade laborativa e sexual. Ou seja, a masculinidade é marcada pela capacidade de exercer violentamente poder e controle entre homens e, de maneira especial, em relação às mulheres, permeadas por uma cultura de silêncio que reforça os comportamentos e performances virilistas (Zanello, 2018). Os estudos têm mostrado como essas dinâmicas constitutivas participam significativamente da vulnerabilização das mulheres às diversas formas de abuso e violências (Zanello et al., 2022).

De acordo com Costa et al. (2019), o Brasil mostra-se deficitário em políticas públicas desenvolvidas com ações voltadas para a questão da violência sexual contra crianças, adolescentes e mulheres e também aos autores das violências. Se para a construção dessas políticas precisamos de estudos, como o psicodrama tem contribuído na pesquisa das violências contra as mulheres e como método de intervenção? Este artigo busca reflexões haja vista esse questionamento, explorando como a violência de gênero contra as mulheres tem sido tratada nos últimos anos pela abordagem psicodramática, sob o olhar da socionomia, identificando os principais temas, métodos e lacunas de pesquisa.

MÉTODO

Este artigo teve como objetivo realizar uma revisão integrativa de literatura sobre os temas violência de gênero e psicodrama, na Revista Brasileira de Psicodrama (RBP). Trata-se de uma pesquisa qualitativa com objetivo exploratório, que leva em consideração o olhar para a violência contra as mulheres em uma perspectiva sociocultural, em um país sexista como o Brasil, no qual papéis de gênero e sua construção são bem definidos (Zanello, 2018).

A revisão de literatura é empregada para consolidar informações, estabelecer a importância de determinado tema, preencher lacunas e ampliar estudos anteriores (Creswell, 2007). A revisão integrativa é um método de pesquisa que permite revisar e combinar estudos com diferentes metodologias e pode ser aplicado em diversas áreas do conhecimento. Além de combinar dados empíricos e teóricos, auxilia na definição de conceitos, identificação de lacunas, revisão de teorias e análise metodológica, amplia as possibilidades de análise da literatura e contribui para uma compreensão mais aprofundada do tema estudado (Costa et al., 2022).

A escolha da fonte para consulta se deu pela relevância das produções psicodramáticas da RBP, criada em 1993, por sua credibilidade acadêmica e científica. Trata-se do veículo oficial de publicações da Federação Brasileira de Psicodrama e tem como objetivos publicar, disseminar e promover o intercâmbio de resultados de pesquisa na área do psicodrama psicoterapêutico e socioeducacional nos âmbitos nacional e internacional (Revista Brasileira de Psicodrama, 2020). Atualmente, a RBP está classificada no sistema Qualis/Capes como B1. Todas as publicações eletrônicas da revista são textos completos com acesso gratuito.

O período de publicações contemplado na pesquisa foi de 2010 a 2024. A escolha do recorte temporal se justifica por a RBP ter digitalizado as publicações no ano de 2010. A busca foi realizada no mês de dezembro de 2024, e a revisão dos artigos ocorreu de dezembro de 2024 a maio de 2025. Trata-se de uma literatura importante para entender como o psicodrama brasileiro tem se debruçado sobre as questões de gênero e especificamente a violência contra as mulheres, o que também está relacionado à atuação e formação de psicodramatistas.

Nesse processo de revisão, utilizaram-se as diretrizes da estratégia PICo (Costa et al., 2022; Lockwood et al., 2024) para a identificação das seguintes informações: população/problema (P); fenômeno de interesse (I); e contexto (Co) – nesta pesquisa, dados sobre violência contra as mulheres no contexto das intervenções psicodramáticas. Assim, a revisão foi conduzida buscando responder à seguinte questão: como o psicodrama tem contribuído na pesquisa das violências contra as mulheres e como método de intervenção?

A pesquisa ocorreu em três etapas. Na primeira, foi realizada uma busca na RBP, utilizando cinco grupos de descritores:

  • Violência de gênero, que localizou duas publicações;

  • Violência contra a mulher, encontrando uma publicação;

  • iolência doméstica, com cinco publicações;

  • Violência sexual, com oito publicações;

  • Violência intrafamiliar, com quatro publicações.

Houve também a busca pelo descritor violência conjugal, que foi descartado por não ter localizado publicações. A busca resultou no total de 20 publicações, das quais cinco foram excluídas por duplicidade.

A segunda etapa foi a leitura dos títulos e resumos das 15 publicações. Por fim, a terceira etapa consistiu na leitura na íntegra e na análise qualitativa dos seis artigos selecionados conforme os critérios de seleção e exclusão.

Sobre a escolha dos descritores, baseou-se na premissa de Bandeira (2014) de que os termos violência de gênero, violência contra a mulher, violência doméstica, violência sexual, violência conjugal e violência familiar/intrafamiliar são utilizados com sentidos equivalentes, ainda que possam ter significados diferentes a depender da descrição dos fenômenos e dos objetivos empíricos e teóricos. A priorização pelo uso do termo violência contra as mulheres se pautou na perspectiva histórica das violências incidentes a elas produzidas em contextos relacionais assimétricos de poder em relação aos homens.

Os critérios de inclusão definidos para a seleção dos artigos foram: artigos publicados em português, inglês e espanhol; e artigos na íntegra que retratassem intervenções psicodramáticas com foco na violência contra as mulheres. Já os critérios de exclusão eliminavam: produções em duplicidade; e trabalhos que tratassem de outros fenômenos de violência de gênero. A seleção resultou na exclusão de nove publicações, uma por ser uma apresentação de livro, outra por ser um artigo de reflexão, uma por trabalhar o impacto da violência transgeracional, e seis por tratarem da violência contra crianças e adolescentes.

Após a aplicação desses critérios, a amostra final resultou em seis artigos, selecionados conforme as etapas da Fig. 1. Esses artigos foram lidos na íntegra e revisados detalhada e qualitativamente quanto aos seguintes itens: ano de publicação, gênero dos autores, objetivo, contexto, população, metodologia de pesquisa e intervenção, principais conceitos teóricos utilizados, presença e perspectiva acerca da violência de gênero, principais resultados e lacunas do estudo.

Figura 1 Fluxograma das etapas de seleção dos artigos. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Fig. 2 apresenta a distribuição dos artigos em relação ao ano de publicação. Tem-se a média de menos de uma publicação anual envolvendo o tema da violência contra as mulheres, considerando o período dos 15 anos da busca. O número mantém-se baixo e relativamente constante, com um pico isolado de duas publicações no ano de 2013. Portanto, não houve aumento, diminuição ou diferença significativa ao longo dos anos em termos de número de publicações.

Figura 2 Número de artigos sobre violência contra as mulheres publicados na Revista Brasileira de Psicodrama no período de 2010 a 2024. 

Cabe destacar que nenhum dos artigos analisados abordou especificamente as mulheres trans como população de estudo, tampouco indicou se as mulheres participantes eram cisgênero, o que sugere ausência de atenção a esse recorte fundamental. A falta de clareza sobre a identidade de gênero das participantes limita a compreensão da amplitude da violência de gênero e invisibiliza as especificidades vividas por mulheres trans. Essa lacuna aponta para a necessidade de incluir de forma explícita recortes de identidade de gênero e outras interseccionalidades nas pesquisas psicodramáticas, ampliando o alcance e a relevância das investigações para diferentes realidades.

Em relação ao sexo dos 15 autores e coautores, 12 deles eram mulheres e quatro homens. Essa diferença indica como o gênero dos pesquisadores influencia na escolha dos temas investigados, evidenciando que as áreas de estudo priorizadas na comunidade científica refletem seus interesses pessoais e suas realidades (Araújo & Zanello, 2022).

Apenas uma das pesquisas utilizou metodologia quantitativa, verificando a correlação entre espontaneidade e bem-estar psicológico, mediante três questionários: Inventário de Avaliação de Espontaneidade; Medida de Resultado; e Inventário de Depressão de Beck (Testoni et al., 2013). Esse artigo também foi o único escrito por estrangeiros; os cinco demais foram escritos por brasileiros e utilizaram metodologia qualitativa. A discrepância quanto à metodologia está ligada ao psicodrama clássico, que com suas etapas, contextos e instrumentos fundamenta intervenções e pesquisas essencialmente qualitativas e participativas, transitando entre a pesquisa-intervenção e a pesquisa-ação crítica (Contro, 2020; Nery et al., 2006).

O Quadro 1 classifica os artigos selecionados quanto a população, método de intervenção, contexto e presença ou não de teoria de gênero na pesquisa.

Quadro 1 Artigos sobre violência contra as mulheres publicados na Revista Brasileira de Psicodrama, entre 2010 e 2014, analisados por população, método de intervenção e contexto e presença ou não de teoria de gênero. 

Autores Título População Método de intervenção e contexto Presença de teoria de gênero
Ramos (2013) “Homens e mulheres envolvidos em violência e atendidos em grupos socioterapêuticos: união, comunicação e relação” Homens e mulheres envolvidos em situação de violência contra a mulher Grupo socioterapêutico com abordagem sociodramática em contexto de justiça Sim
Abritta et al. (2015) “A importância do acolhimento e do aquecimento em grupos sem demanda no contexto da Justiça” Homens envolvidos em violência doméstica Grupo socioterapêutico com abordagem sociodramática em contexto de justiça Não
Giombelli (2018) “Violência doméstica em cena: perspectivas psicodramáticas com grupo de mulheres no judiciário” Mulheres vítimas de violência doméstica Grupos com abordagem sociodramática em contexto de justiça Não
Testoni et al. (2013) “Violência de gênero. Testando um modelo: espontaneidade, bem-estar psicológico e depressão” Estudantes universitários italianos e austríacos Aplicação de três questionários quantitativos no contexto educacional Sim
Khouri (2021) “Os estados de ego pela experiência psicodramática bipessoal: a externalização de papéis internos (partes)” Duas pacientes mulheres Relatos de intervenção psicodramática bipessoal para trabalhar traumas, contexto clínico Não
Vidal e Dias (2023) “O feminino em jogo: a concepção de mundo de mulheres gamers Mulheres gamers Sociopsicodrama online em grupo, contexto social Sim

Dos seis artigos analisados, três tiveram mulheres como público-alvo: um deles abordava mulheres vítimas de violência doméstica, um analisava mulheres gamers, e outro apresentou casos clínicos envolvendo duas pacientes mulheres que sofreram violência. Dois investigaram homens autores de violência, e em um deles o grupo também incluía mulheres envolvidas em situações de violência doméstica. Além disso, em um estudo a população foi composta de estudantes universitários.

Esses dados revelam a predominância de estudos que têm as mulheres como foco principal da análise, de maneira especial enquanto vítimas de diferentes formas de violência, o que reflete a centralidade da experiência feminina nesse campo de investigação. Também é possível notar um interesse emergente em compreender os agressores, majoritariamente homens, e os contextos em que a violência ocorre, como as relações domésticas e os ambientes virtuais. O artigo com estudantes universitários como população-alvo indica uma tentativa de ampliar o escopo da discussão, abordando aspectos mais gerais da vivência da violência entre jovens. Ainda assim, o número reduzido de estudos, a dispersão temática e a ausência de recortes interseccionais, como estudos com mulheres trans, apontam para a necessidade de aprofundamento e ampliação das pesquisas sobre a temática.

Quanto ao contexto de pesquisa, três dos estudos foram realizados em contexto de justiça, um em contexto clínico, um em contexto universitário e um no contexto social. O dado evidencia que as pesquisas em contexto de justiça muitas vezes têm parceria com universidades, que incentivam as pesquisas e publicações.

Em relação ao enfoque psicodramático – psicoterápico ou socioeducacional –, em cinco artigos foram realizadas intervenções socioeducacionais em grupo, e em apenas um, intervenções psicoterapêuticas. Nesse artigo psicoterápico, foram apresentados estudos de caso e manejo de técnicas, sem abordar teoria de gênero, ainda que todos os casos fossem com mulheres que sofreram violências.

A diferença do enfoque está diretamente ligada ao potencial do sociodrama como método de pesquisa e intervenção que trata ativamente grupos e relações, investigando a complexidade de redes afetivas, conflitos e sofrimentos (Nery et al., 2006). O sociodrama consiste em um método interventivo que privilegia a participação dos sujeitos e permite a superação de crises e conflitos pelo potencial espontâneo e cocriador da ação, mesmo em situações delicadas como os contextos de violência (Pereira et al., 2015), com capacidade de atingir pessoas em uma escala mais ampla. De acordo com Moreira e Costa (2021), no Brasil a grande maioria das vítimas de violência é tratada em contexto público ou social, geralmente em intervenções grupais que possibilitam maior acesso aos usuários. O sociodrama, portanto, é um método potente para tratar as questões de violência de gênero.

A principal teoria psicodramática utilizada como fundamentação nos artigos foi a teoria de papéis; ela aparece em todos eles. No psicodrama, papel é definido como “a forma de funcionamento que o indivíduo assume no momento específico em que reage a uma situação específica, na qual outras pessoas ou objetos estão envolvidos” (Moreno, 2009, p. 27). Esses papéis são anteriores ao surgimento do eu e são estruturantes psíquicos, tendo elementos privados e coletivos, de ordens social e cultural. Nessa compreensão, devem-se incluir três dimensões: os papéis sociais, expressando a relação com a sociedade; os papéis psicodramáticos, experienciando a dimensão psicológica; e os papéis psicossomáticos, constituintes da dimensão fisiológica. Como psicodramatistas, precisamos considerar, conforme Ramos (2013, p. 42), que “os papéis se desenvolvem na função do gênero, o que nos leva a pensar as relações a partir dos papéis de gênero”.

Apesar de a teoria psicodramática ter forte ligação com a dimensão social, dos seis artigos, a violência de gênero e sua dimensão histórica se apresentaram em apenas dois deles, nos quais o sociodrama foi utilizado como intervenção (Ramos, 2013; Vidal & Dias, 2023). O artigo quantitativo (Testoni et al., 2013) abordou a questão de gênero em termos teóricos e na leitura dos dados obtidos.

Considerando a complexidade do tema violência de gênero, que envolve diferentes fatores e possibilidades de intervenção, os seis artigos foram classificados, em agrupamentos convergentes com o problema de pesquisa e temas que sobressaíram, em três categorias de análise:

  • Violência como aprendizado familiar, com um artigo relacionado;

  • Violência de gênero e papéis sociais, com três artigos;

  • O potencial transformador do como se no enfrentamento à violência, com dois artigos.

Destaca-se que a distribuição dos artigos nas categorias foi conceitual e interpretativa, com base no referencial teórico adotado para interpretar os resultados obtidos.

Categoria A: Violência como aprendizado familiar

De acordo com Bandeira (2014), existe o pressuposto de que a violência contra as mulheres é aprendida nos processos primários de socialização, mas a autora afirma que os atos violentos estão fundamentados em relações de gênero em um sistema cis, hierárquico e de poder.

Na categoria violência como aprendizado familiar, um artigo foi incluído, no qual a violência é compreendida como um fenômeno profundamente enraizado nas dinâmicas familiares e transgeracionais. As intervenções psicodramáticas mostraram-se eficazes para reconhecer como a violência é aprendida no contexto familiar, resgatar a espontaneidade e a criatividade para romper com padrões violentos e promover uma transformação nos papéis internalizados e nas relações familiares marcadas pela violência.

Khouri (2021), no único artigo da amostra com enfoque psicoterápico, relatou dois estudos de caso clínicos, nos quais as pacientes eram mulheres. Focou em como traumas complexos, como a violência doméstica, geram papéis internos fragmentados, muitas vezes relacionados à introjeção de figuras parentais violentas ou negligentes. As técnicas psicodramáticas permitiram explorar, diferenciar e reorganizar esses papéis, algumas vezes transmitidos de forma transgeracional. A terapia ajudou as pacientes a transformá-los, pela compreensão de como as dinâmicas familiares moldaram sua visão sobre relações afetivas e violentas. De acordo com a análise dos dados, verificou-se que o artigo não ressalta a importância das questões de gênero, etnia ou classe social no aprendizado familiar da violência, apresentando com isso o risco de uma psicologização do fenômeno sem considerar seus importantes componentes sociais, históricos e culturais.

Categoria B: Violência de gênero e papéis sociais

Na categoria violência de gênero e papéis sociais, três artigos foram incluídos. Os artigos selecionados para essa categoria compreenderam a violência de gênero ligada ao contexto sociocultural e a construção dos papéis sociais de homem e mulher. Eles ilustraram como as dinâmicas patriarcais, as relações de poder e os estereótipos de gênero moldam comportamentos e perpetuam desigualdades que culminam em diferentes formas de violência.

Testoni et al. (2013) verificaram, por meio de um estudo quantitativo, a correlação entre espontaneidade e bem-estar psicológico, em amostras de estudantes italianos e austríacos. Os resultados reforçaram a hipótese inicial de que maior espontaneidade está associada a menor sofrimento. Houve diferença quanto à questão de gênero/cultura, considerando as mulheres italianas, em todas as escalas, indicando que a Itália mantém uma cultura mais tradicional e machista do que a Áustria.

A pesquisa de Ramos (2013) se realizou em contexto de justiça, por meio de sociodramas, com um grupo composto de homens e mulheres, casados – com ou sem seus companheiros(as) – e descasados, todos envolvidos em violência contra a mulher, em uma perspectiva histórica considerando o patriarcado e as relações de poder socioculturalmente construídas dos homens em relação às mulheres. Além da questão de gênero, o estudo ressalta a importância da comunicação patológica, especialmente pela desqualificação e desconfirmação do outro, na dinâmica e violências conjugais. Por intermédio da conscientização promovida nos encontros, houve transformações significativas da percepção de si e do outro, da forma de se comunicar e de se comportar, rompendo as dinâmicas violentas. Essa foi a única pesquisa das seis que especificou a classe da população estudada, C e D1.

Vidal e Dias (2023) realizaram um sociodrama online, com quatro mulheres gamers, para compreender suas concepções de mundo no sentido das relações e dos papéis sociais. Fundamentaram todo o trabalho na perspectiva de teoria de gênero como construção social que predefine comportamentos e valores, tornando-os muitas vezes estereotipados. Em uma sociedade patriarcal, essas vivências trazem desvantagens, preconceitos, violências e vulnerabilizações para as mulheres. Em espaços compreendidos socialmente como masculinos, como o dos jogos eletrônicos, as violências contra as mulheres são reproduzidas como elas são representadas e tratadas, refletindo a realidade social. O grupo trouxe e trabalhou as violências de gênero cotidianas sofridas nesse contexto, como sexualização, assédio e invalidação.

No conjunto, esses estudos sublinharam a necessidade de integrar teorias de gênero nas intervenções psicodramáticas, pois as teorias de gênero não apenas enriquecem a compreensão dos fenômenos de violência de gênero, mas também potencializam a eficácia das intervenções em diferentes contextos.

Categoria C: O potencial transformador do como se no enfrentamento à violência

Na categoria o potencial transformador do como se no enfrentamento à violência, dois artigos foram incluídos, ressaltando a riqueza da abordagem psicodramática, sua epistemologia, métodos e técnicas para o trabalho de enfrentamento à violência de gênero.

Abritta et al. (2015) pesquisaram grupos de homens envolvidos em violência doméstica em contexto de justiça, com ênfase à importância do acolhimento e do aquecimento para a protagonização dos sujeitos nas intervenções, resgate da espontaneidade e adequação à vida social.

Giombelli (2018) compartilhou experiências psicodramáticas voltadas para mulheres vítimas de violência doméstica em contexto de justiça. O uso das dramatizações mostrou-se útil, atrativo e original para as participantes vivenciarem modos diferentes no papel de mulher. Confirmou-se a efetividade do uso de sociodramas e jogo de papéis, para trabalhar o tema da violência na coletividade, promover reflexões e ampliar discussões.

Os artigos analisados destacaram que o como se não apenas facilita a expressão e a compreensão dos conflitos relacionados à violência, mas também abre espaço para a transformação individual e social, tornando-se uma ferramenta potente nas intervenções, corroborando a riqueza metodológica do psicodrama no enfrentamento à violência, promovendo reflexões, mudanças e ressignificações para construir relações mais saudáveis e menos violentas. A ludicidade do espaço dramático e das técnicas de ação trouxe ganhos para o trabalho com o complexo e árduo tema da violência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com este artigo, propôs-se analisar o que as pesquisas publicadas na RBP revelam sobre violência contra as mulheres e quais intervenções vêm sendo realizadas com essa temática, em um recorte temporal de 15 anos (entre 2010 e 2024). O baixo número de publicações sobre a temática evidencia a necessidade de maior investimento em pesquisas que articulem o psicodrama e o enfrentamento à violência contra as mulheres quanto à urgência de ampliar o debate na comunidade psicodramática.

Tal escassez pode refletir uma lacuna na formação, uma possível resistência em lidar com o tema ou mesmo uma invisibilização da violência contra as mulheres como campo legítimo de intervenção. Assim, esse levantamento aponta para a importância de fomentar espaços de produção e reflexão teórico-prática que contribuam para o fortalecimento de estratégias psicodramáticas de prevenção, acolhimento e transformação das relações marcadas por esse tipo de violência. O contexto clínico destacou-se na ausência de estudos que contemplam teorias de gênero. Os dados mostram a urgência e necessidade de mais pesquisas de gênero com mulheres vítimas de violência, considerando a estrutura opressiva às mulheres e tantas violências que as acometem, principalmente na realidade brasileira.

Quanto às intervenções, o sociodrama foi o método mais utilizado e teve importantes resultados. Como os estudos evidenciaram, podemos afirmar que se trata de um método potente e eficiente nas intervenções relacionadas à violência de gênero, ao promover mudanças pessoas e sociais na medida em que “facilita ao sujeito percepções e análises próprias que terminam, não raras, por elucidar as motivações, os desejos e as expressões afetivo-emocionais presentes nas ações humanas” (Ramos, 2013, p. 46).

Diante da análise dos seis artigos selecionados, os dados mostraram que são escassos os estudos psicodramáticos que relacionam teorias de gênero, questões de poder e suas interseccionalidades, como raça, etnia, classe social, orientação sexual e identidade de gênero. Além disso, destaca-se a ausência de estudos que contemplam especificamente mulheres trans. A ausência das interseccionalidades limita a compreensão da complexidade da violência de gênero e reforça a necessidade de ampliar e aprofundar as investigações, levando em conta as múltiplas dimensões que atravessam as experiências das mulheres. Ressalta-se a importância, ainda quando o objetivo do artigo não seja aprofundar questões teóricas, de relacionar teoria de gênero aos estudos qualitativos psicodramáticos que tratam de violência contra as mulheres.

De acordo com Costa et al. (2019), essa é uma ação necessária para construir conhecimento, disseminação e orientação técnica. Quando ela não é feita, corre-se o risco de abordar essas questões de forma limitada, ignorando as dinâmicas estruturais e culturais que sustentam as violências, e reduzem-se as possibilidades de transformação efetiva. Sem a conexão com a teoria de gênero, os estudos podem reproduzir interpretações simplistas, preconceituosas ou individualizantes, deixando de considerar como relações de poder, normas sociais e desigualdades históricas influenciam a perpetuação e reincidência das violências. Além disso, a ausência dessa perspectiva pode comprometer a eficácia das intervenções psicodramáticas, uma vez que questões fundamentais sobre desigualdade de gênero e seus impactos permanecem subexplorados.

Este estudo, portanto, mostra a necessidade de novas pesquisas no psicodrama para avançar na construção e utilização do viés de gênero em sua complexidade e nas suas intervenções, que, como se mostra, traz um aporte metodológico importante e potente no enfrentamento às violências. Reconhece-se o esforço dos profissionais e pesquisadores dedicados ao complexo tema da violência, e pretende-se que as conclusões incentivem novas pesquisas. Observou-se um número de produções significativas ligado a universidades, o que demonstra o papel central das instituições acadêmicas na produção de conhecimento, incentivo à pesquisa e formação de profissionais capacitados para lidar com essas questões.

Um limite dessa revisão envolve o não acesso a outros dados sobre o geral das publicações da RBP no período de 2010 a 2024, como o número de publicações total e os principais temas abordados, os quais poderiam enriquecer a discussão. Quanto aos descritores, tem-se a necessidade de melhorias no refinamento da busca na revista. A revisão integrativa de literatura, então, contribuiu para apresentar o cenário escasso da pesquisa psicodramática sobre violência de gênero contra a mulher, tema muito importante da realidade brasileira.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha amiga Acileide Coelho todo o apoio.

1Classificação criada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que define classes A/B/C/D/E conforme a renda familiar. Nesse caso, a classe C refere-se a famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, e a classe D, a famílias com renda entre um e três salários mínimos (Alvarenga, 2024).

FINANCIAMENTONão se aplica.

DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA

Todos os conjuntos de dados foram gerados ou analisados no estudo atual.

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Recebido: 16 de Maio de 2025; Aceito: 08 de Julho de 2025

*Autora correspondente: marianaleaocb@gmail.com

Editora de seção:

Marília Meneghetti Bruhn https://orcid.org/0000-0002-7078-1530

CONFLITO DE INTERESSE

Nada a declarar.

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