SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.34Uterodrama: reflorestando o corpo-território índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

artigo

Indicadores

Compartilhar


Revista Brasileira de Psicodrama

versão impressa ISSN 0104-5393versão On-line ISSN 2318-0498

Rev. Bras. Psicodrama vol.34  São Paulo  2026  Epub 17-Abr-2026

https://doi.org/10.1590/psicodrama.v34.747 

ARTIGO DE REVISÃO

Impacto da grupoterapia psicodramática na promoção do antirracismo: Uma revisão bibliográfica

Psychodramatic group therapy and its impact on promoting antiracism: A bibliographic review

Terapia grupal psicodramática y su impacto en el antirracismo: Una revisión bibliográfica

Beatriz da Silva Evangelista, Conceitualização, Metodologia, Investigação, Escrita, Aprovação final1  * 
http://orcid.org/0009-0006-1112-7973

Thalia Maria de Lira, Conceitualização, Metodologia, Investigação, Escrita1 
http://orcid.org/0009-0004-3029-1336

Maria Vitória de Lima Gomes, Conceitualização, Metodologia, Investigação, Escrita1 
http://orcid.org/0009-0008-7780-7095

Paulo José Barroso de Aguiar Pessoa, Análise formal, Escrita1 
http://orcid.org/0000-0002-1465-8917

1Centro Universitário Frassinetti do Recife – Coordenação de Psicologia – Recife (PE), Brasil.


RESUMO

O psicodrama é uma intervenção socioterapêutica que utiliza métodos de ação para tratar as relações sociais, constituindo protagonismo na luta antirracial. Este artigo propõe analisar o impacto da grupoterapia psicodramática na promoção do antirracismo, com base em uma revisão bibliográfica com 8 ensaios teóricos e 4 práticos. Esses estudos evidenciam o potencial do psicodrama para propiciar a escuta, expressão e ressignificação da subjetividade, e como suas técnicas contribuem para o desenvolvimento de empatia, fortalecimento de identidades racializadas e a ampliação da consciência crítica acerca do racismo. Resgata-se, também, o histórico do psicodrama na luta antirracista, destacando o Teatro Experimental do Negro no Brasil. Por fim, conclui-se que o psicodrama favorece a criação de espaços de acolhimento e espontaneidade, contribuindo para a mudança social.

PALAVRAS-CHAVE Psicodrama; Racismo; Antirracismo; Grupoterapia

ABSTRACT

Psychodrama is a sociotherapeutic intervention that employs action methods to work with social relationships, taking a central role in the anti racist struggle. This article analyzes the impact of psychodramatic group therapy on promoting anti racism through a literature review including 8 theoretical and 4 practical studies. The findings show that Psychodrama facilitates listening, expression, and the re-signification of subjectivity, while its techniques foster empathy, strengthen racialized identities, and expand critical awareness of racism. The article also revisits the historical roots of Psychodrama in anti racist movements, highlighting Brazil’s Black Experimental Theatre. Overall, Psychodrama creates welcoming, spontaneous spaces that encourage dialogue, healing, and collective transformation, ultimately contributing to meaningful social change in diverse communities today across contemporary global contexts.

KEYWORDS Psychodrama; Racism; Antiracism; Group therapy

RESUMEN

El Psicodrama es una intervención socioterapéutica que utiliza métodos de acción para abordar las relaciones sociales, promoviendo protagonismo en la lucha antirracial. Este artículo propone analizar el impacto de la grupoterapia psicodramática en la promoción del antirracismo mediante una revisión bibliográfica con 8 ensayos teóricos y 4 prácticos. Estos estudios demuestran el potencial del Psicodrama para facilitar escucha, expresión y resignificación de la subjetividad, mostrando cómo sus técnicas contribuyen al desarrollo de empatía, fortalecimiento de identidades racializadas y ampliación de conciencia crítica sobre el racismo. También se rescata su historia en la lucha antirracista, destacando el Teatro Experimental del Negro en Brasil. Se concluye que el Psicodrama fomenta espacios de acogida y espontaneidad, impulsando transformación social.

PALABRAS-CLAVE Psicodrama; Racismo; Antirracismo; Terapia grupal

INTRODUÇÃO

O racismo é um sistema complexo que perpetua desigualdades, priva histórias de vida e anula as contribuições de indivíduos pertencentes a um determinado grupo, como a população negra (Sabino et al., 2025). Este preconceito também se configura como uma estrutura de poder enraizada na sociedade que gera angústia, sofrimento e ações adoecidas nas vítimas desta forma de violência, aparecendo em toda esfera da sociedade (Souza et al., 2025).

A partir disso, Silva et al. (2025) afirma que o racismo afeta de maneira negativa a construção da identidade negra, ao colocar características culturais e fenotípicas como inferiores e valorizar o que provém da branquitude como um ideal a ser atingido, afetando não só a autoestima de pessoas pretas e pardas, mas sua subjetividade, gerando danos psíquicos significativos. Na realidade brasileira, esse contexto reflete o quanto a herança escravagista ainda perpetua na sociedade atualmente, uma vez que, de acordo com Gomes (2019), a identidade original das pessoas escravizadas era praticamente aniquilada, haja vista que eram levadas a renunciar laços afetivos, status social, crenças religiosas e memórias coletivas. Isso evidencia que, mesmo após a abolição formal da escravidão, ela continua viva e cobra um alto custo às gerações do passado, presente e futuro.

Contrapondo esse cenário, emerge o antirracismo, compreendido como um conjunto de práticas e posicionamentos que visam ao enfrentamento do racismo, à promoção da equidade e a valorização e fortalecimento da população negra. Nesse sentido, Ribeiro (2019) propõe que o antirracismo pode ser uma prática contínua e um compromisso de toda a sociedade. A partir disso, a autora apresenta formas de chegar a esse objetivo: informar-se sobre o racismo; enxergar a negritude; reconhecer os privilégios da branquitude; perceber o próprio racismo internalizado; apoiar políticas antirracistas; ler autores negros; questionar a cultura; combater a violência racial e questionar a visão estigmatizada dos corpos negros.

Sob essa perspectiva, é notório que a sociedade brasileira ainda tem um longo percurso no que se refere à consolidação de práticas e políticas antirracistas, pois, como evidenciam os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e do Disque 100, o Brasil registrou 18.200 casos de injúria racial em 2024, um crescimento de 41,4% em comparação aos 12.813 casos registrados em 2023 (Campos & Lavocat, 2025). Além disso, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os casos de racismo também aumentaram de 14.919 para 18.923 no mesmo intervalo de tempo (Campos & Lavocat, 2025).

Ademais, de acordo com uma pesquisa realizada em 2023 pelo Instituto de Referência Negra Peregum e Projeto SETA (Sistema de Educação Por Uma Transformação Antirracista), 96% dos respondentes concordaram que as pessoas pretas são as que mais sofrem racismo. Além disso, 84% das pessoas pretas entrevistadas mencionaram ter sofrido algum tipo de discriminação referente à cor de sua pele (Santos et al., 2023).

Essas informações revelam que o preconceito racial permanece e evidenciam a importância de encontrar meios para enfrentá-lo. Diante disso, é possível encontrar diversas formas de lidar com essa questão, a exemplo das legislações, destacando a Lei n.º 10.639 (2003), que torna o ensino de história e cultura afro-brasileira obrigatório no currículo escolar, e a Lei n.º 7.716 (1989), que define os crimes resultantes de preconceito racial e é a principal lei contra o racismo no Brasil. Além disso, destacam-se outras intervenções, entre elas o trabalho com grupos, que podem contribuir diretamente na luta antirracista, evidenciando-se a grupoterapia psicodramática – que, segundo Oliveira (2025), é um instrumento fundamental na luta contra o racismo estrutural.

Essa abordagem se origina, conforme Nery e Conceição (2012), fundamentada na socionomia, a ciência que estuda as relações sociais, criada por Jacob Levy Moreno. Como resultado dela, surgiu a sociatria, a ciência que trata dessas relações propondo intervenções socioterapêuticas que usam métodos de ação. Entre essas intervenções estão: o psicodrama, o sociodrama, o teatro espontâneo, entre outras (Nery & Conceição, 2012). Todavia, ainda de acordo com as autoras, o psicodrama é um nome genérico difundido pelo mundo que se refere a várias práticas psicodramáticas e seus métodos. Logo, se em um grupo o orientador utilizar sociodrama, teatro espontâneo, jornal vivo ou qualquer outro método terapêutico focado em psicodramatização, utilizará uma modalidade de psicodrama (Nery & Conceição, 2012).

Medeiros (2023) aponta que o psicodrama é um método psicoterápico essencialmente grupal, que pode abordar conflitos interpessoais por meio da dramatização, integrando a ação e a palavra. Desde sua origem, o setting básico dessa terapia com grupos inclui o terapeuta (diretor de cena), os egos-auxiliares e os pacientes, que atuam como protagonistas ou plateia (Medeiros, 2023). Além disso, essa abordagem utiliza o cenário como um de seus principais instrumentos.

A sociatria chega ao Brasil no século 20 com a criação do Teatro Experimental do Negro (TEN), por Abdias do Nascimento, sendo por meio desse espaço que Alberto Guerreiro Ramos se associa à luta antirracista e começa a pensar os métodos de ação de um modo mais terapêutico e que ajudasse a empoderar a pessoa negra (Oliveira & Fontoura, 2023). Este teatro contribuiu para que a população negra fosse colocada no palco como protagonista, enfatizando os processos de patologização social das pessoas brancas que, desde o período colonial, moldou as relações sociais no Brasil (Malaquias, 2020).

A partir disso, é possível perceber que o psicodrama tem um histórico positivo com a população negra no Brasil, chegando ao país colocando a vivência negra como protagonista e questionando aspectos da sociedade. Outrossim, na atualidade, essa abordagem tem se aproximado da promoção de práticas antirracistas, especialmente pelo trabalho de psicodramatistas negros. Isso ganha ainda mais relevância devido ao fato de que falar sobre racismo é algo complexo, não só pela longa história de sofrimento que o tema acarreta, mas pelo impacto emocional, físico e psíquico a que ainda estão sujeitas as pessoas negras em território brasileiro nos dias atuais. Esse tipo de preconceito aparece tanto de maneira explícita quanto em atos sutis do cotidiano que, mesmo passando despercebidos, não deixam de ser uma forma de violência (Mendonça, 2025).

Nessa perspectiva, o psicodrama amplia o debate em relação ao preconceito racial para além da discussão intelectual, trazendo técnicas grupais que permitem aos participantes refletirem sobre suas ações e seus julgamentos por meio da experiência e da expressão. Exemplo disso é a intervenção de grupoterapia realizada por Oliveira (2024), baseada no pensamento moreniano e com a finalidade de conscientizar sobre o racismo, contribuindo para a reflexão dos participantes ao proporcionar maior contato com a vivência de pessoas pretas.

Assim, a relevância deste trabalho justifica-se pela necessidade de compreender como as sessões psicodramáticas realizadas em grupo podem auxiliar tanto para que a população negra se reconheça como protagonista de uma mudança social, quanto na desconstrução do preconceito racial na sociedade.

Para tanto, o objetivo geral deste artigo é analisar o impacto do psicodrama como ferramenta terapêutica grupal na promoção de práticas antirracistas; e tem, como objetivos específicos: discorrer o contexto em que as práticas de grupoterapia psicodramática aconteceram e foram discutidas; investigar as metodologias utilizadas nos processos de grupoterapia discutidos nos artigos; identificar os principais resultados e contribuições dessas práticas na promoção do antirracismo.

METODOLOGIA

O presente artigo propõe uma revisão bibliográfica integrativa de caráter qualitativo, voltada à análise de publicações científicas que articulam o psicodrama com temáticas relacionadas às questões étnico-raciais e sobre como essa abordagem pode auxiliar na promoção de práticas antirracistas.

De acordo com Campos et al. (2023), a revisão bibliográfica tem como objetivo ampliar o referencial teórico, acompanhar a construção de uma determinada temática, resumir, investigar e analisar textos publicados. Dessa forma, tem-se um instrumento metodológico que permite a compreensão de como o conhecimento sobre um assunto específico foi construído ao longo do tempo, assim, sendo essencial para a elaboração de qualquer pesquisa. Ao reunir livros, teses, dissertações e artigos científicos, possibilita a identificação de avanços, lacunas e até contradições nas produções da área, enriquecendo cada vez mais a ciência (Marconi & Lakatos, 2017).

Nesse sentido, a revisão integrativa torna-se uma ferramenta fundamental para a pesquisa, devido a sua finalidade de auxiliar na melhoria da coleta, extração, análise e síntese dos dados, permitindo a criação de novos saberes (Hassunuma et al., 2024). Além disso, para a construção deste trabalho, optou-se pela abordagem qualitativa, já que suas características principais se “traduzem na preocupação do pesquisador quanto ao contexto em que se insere a pesquisa, em registrar os fatos tais como são, não visar produtos e sim processos – por isso abordam o mundo de forma minuciosa” (Mendonça, 2017, p. 91).

Partindo desse pressuposto, foram realizadas buscas nas plataformas Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico e Periódicos Capes, considerando publicações de artigos científicos entre os anos 2021 e 2025. Como descritores, foram utilizadas combinações dos termos: “Psicodrama”, “Racismo”, “Antirracismo” e “Grupoterapia”.

Os critérios de inclusão, além do recorte de data mencionado, envolveram também estudos em língua portuguesa e inglesa, e que estabelecessem conexões entre a prática psicodramática e as práticas antirracistas promovidas pela abordagem. Artigos duplicados foram desconsiderados. No total, foram encontrados 12 artigos que atendiam aos critérios estabelecidos, sendo o percurso dessa busca nas bases de dados detalhado na Figura 1.

Fonte: Elaborada pelos autores.

Figura 1 Fluxograma – Seleção dos resultados. 

Após a leitura exploratória e seletiva, os resultados elegíveis foram organizados por afinidades temáticas e analisados criticamente com o intuito de compreender as contribuições do psicodrama para o enfrentamento das desigualdades raciais e para a promoção de espaços de escuta, reconhecimento e transformação coletiva. A seguir, no Quadro 1, são detalhadas as informações dos estudos selecionados.

Quadro 1 Artigos selecionados. 

Título Autor(es) Ano Idioma Tipo de ensaio
Sob o manto do esquecimento: Maria de Lourdes Vale do Nascimento e o Teatro Experimental do Negro Almeida 2024 Português Teórico
Raízes e ancestralidade: um processo grupal sociodramático como enfrentamento do racismo na escola Crisostono e
Ribeiro
2024 Português Prático
Educação antirracista como prática emancipatória: uma pesquisaintervenção com educadores Crisostono et al. 2025 Português Prático
Relato de uma psicodramatista preta e os compromissos do Psicodrama brasileiro no século XXI Formiga 2024 Português Teórico
Psychodrama Group Therapy for Social Issues: A Systematic Review of Controlled Clinical Trials López-González
et al.
2021 Inglês Teórico
Racismo e resistência: o povo negro no palco psicodramático Oliveira e
Fontoura
2023 Português Teórico
Aplicação da grupoterapia como prática de intervenção antirracista Oliveira 2024 Português Prático
Psicodrama brasileiro e a luta antirracista: o legado de Alberto Guerreiro Ramos Oliveira 2025 Português Teórico
The Psychodrama Method of Group Psychotherapy Pylypenko et al. 2023 Inglês Teórico
Teatro Experimental do Negro: rompendo a brancura da cena (1944-1969) Rocha 2022 Português Teórico
O impacto do racismo estrutural na construção da identidade das mulheres negras: uma visão psicodramatista Silva et al. 2025 Português Teórico
Escola de anarquia: psicodrama e letramento LGBTQIA+ e racial Vomero e Nery 2024 Português Prático

Fonte: Dados da pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Histórico do psicodrama na luta antirracista

As bases das contribuições do psicodrama para a luta antirracista podem ser identificadas a partir dos estudos de Moreno (1975/2013), uma vez que o autor enfatizava a importância de as pessoas se colocarem na posição da população negra para que conseguissem compreender os efeitos do preconceito racial em suas subjetividades.

Este estudo é referente ao seu trabalho intitulado “O problema negro-branco: um protocolo psicodramático”, de 1934, que trouxe a importância de a sociedade se familiarizar com essa temática abordada (Oliveira, 2024), já que a familiarização permite que o público se conecte de forma mais profunda com o papel fundamental da família negra, experimentando e processando essa realidade de maneira ativa e conjunta, como se estivesse em um palco psicodramático (Moreno, 1975/2013). E é neste palco de psicodrama que será possível imaginar e vivenciar como é para a pessoa preta enfrentar o racismo.

Ademais, para tratar dos impasses e conflitos relacionados a grupos étnico-raciais, Moreno desenvolveu, em 1974, o etnodrama, que investiga essas questões utilizando técnicas do psicodrama com o objetivo de elevar a percepção de si e dos participantes, ajudando na construção de suas imagens pessoais (Silva et al., 2025).

Na esteira do pensamento de Moreno emergem estudos que exploram de forma mais aprofundada e sistemática o impacto do psicodrama na luta contra o preconceito racial, sobretudo nas contribuições de autores brasileiros e, de modo especial, de psicodramatistas negros, que serão apresentados e discutidos a seguir.

O psicodrama brasileiro no movimento antirracista: o Teatro Experimental do Negro e o legado de Alberto Guerreiro Ramos

Segundo Oliveira e Fontoura (2023), o psicodrama ganha forças no Brasil com a criação do TEN em 1944, na cidade do Rio de Janeiro. Ele foi criado por Abdias do Nascimento (1914-2011), conhecido como um grande ativista do movimento negro, além de ter sido eleito o primeiro senador preto do país (Oliveira, 2025).

A ideia deste teatro surgiu em uma viagem de Nascimento ao Peru, em 1940, quando assistiu ao espetáculo “O Imperador Jones”, de Eugene O’Neill, que retratava como protagonista um ator branco pintado de preto. Após muitas reflexões e indignações sobre tal espetáculo, Nascimento se empenhou em fundar um teatro que pudesse valorizar e reconhecer os artistas negros (Nascimento, 2004, como citado em Oliveira & Fontoura, 2023).

Sendo assim, influenciado pelo pensamento de Moreno, o TEN foi pensado por Nascimento como uma ferramenta de mudança, e sua implementação auxiliou na luta contra o preconceito racial e na recuperação dos princípios da cultura africana, permitindo que o povo negro fosse enxergado com protagonismo no cenário da sociedade (Oliveira & Fontoura, 2023).

Ademais, Formiga (2024), em seu estudo, discorre que o TEN pôs em análise o racismo alicerçado na crença da democracia racial brasileira e convida os indivíduos negros a afirmarem sua identidade. Assim, esta autora compreende que, no Brasil, a chegada da socionomia (psicodrama, sociodrama, grupoterapia) também é influenciada pelo cenário político, visto que, naquele período, o país experimentava tensões políticas assinaladas pela queda do Estado Novo. Este cenário evidenciava o quanto a existência da população negra sempre foi negligenciada, expondo as incongruências do Estado e de uma intelectualidade eugenista que mantinha os negros em situação de exclusão e vulnerabilidade – tudo isso fundamentado em paradigmas pseudocientíficos (Formiga, 2024).

Outrossim, ressalta-se, ainda, a relevância de Maria de Lourdes Vale Nascimento (1924-1995), também fundadora do TEN e criadora do Departamento Feminino do Teatro Experimental do Negro, que posteriormente se tornou o Conselho Nacional de Mulheres Negras, cuja finalidade era auxiliar a integração dessas mulheres na sociedade, além de lutar contra o racismo e buscar direitos trabalhistas para as empregadas domésticas (Almeida, 2024). Atrelado a isso, Maria de Lourdes, que era assistente social, foi responsável, ao lado de Alberto Guerreiro Ramos, pela elaboração da técnica utilizada no palco psicodramático do TEN que auxiliava na formação cênica da população negra e consistia em encenar os problemas reais que afligiam esta população – a fim de que os conflitos apresentados fossem resolvidos ou, pelo menos, reconhecidos (Almeida, 2024).

As ações do TEN ocorreram por meio de diversas sessões de terapia de grupo, encontros abertos ao público, e contando com a participação da população negra como protagonista, tática essencial para o ativismo negro que se desenvolveria no país nos anos subsequentes com a fundação do Movimento Negro Unificado (MNU) (Formiga, 2024). O TEN possuía uma atuação de especialidade terapêutica e psicossocial, favorecendo o processo de consolidação da identidade da população negra e permitindo ao negro se perceber como o ator central de uma mudança social (Oliveira & Fontoura, 2023). Estes autores ainda acrescentam que, por meio das encenações em suas obras teatrais, o TEN analisava as consequências psicológicas geradas pelo racismo.

Em 1949, o TEN recebeu Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982), que iniciou sua trajetória nesse teatro, em específico no Jornal Quilombo, no qual começou a publicar textos como “Teoria e prática do psicodrama”, “Uma experiência de grupoterapia”, entre muitos outros, que tinham a finalidade de refletir e questionar a realidade dos povos negros no Brasil (Oliveira, 2024). Nessa perspectiva, Ramos (2023) considerava o TEN como um espaço artístico social de independência para a população preta que, por meio da dramatização, permitia confrontar as vivências traumáticas ocorridas durante o período escravista e as dificuldades sociais enfrentadas por esse grupo.

É a partir da chegada de Ramos que o psicodrama realmente se instalou no território brasileiro, tornando-se o pioneiro dessa abordagem no país, já que implementou métodos de ação no TEN que possibilitavam uma maneira de trabalhar os traumas e o sofrimento psicológico que carregavam os sujeitos pretos que participavam desse teatro (Malaquias, 2020). Diante disso, Ramos adicionou pautas raciais e sociais ao palco psicodramático (Oliveira, 2025). Assim, além de ser uma técnica terapêutica, o psicodrama foi pensado por ele como uma resposta inédita aos modelos fixos, repetitivos e coloniais (Oliveira, 2025).

Além disso, a primeira referência à aplicação do psicodrama grupal no país para tratar das questões étnico-raciais, precisamente na cidade do Rio de Janeiro, surgiu nos seminários grupoterápicos do Instituto Nacional do Negro (INN), projeto estabelecido por Ramos como um desdobramento do TEN, em 1950 (Malaquias, 2020). Outrossim, Oliveira e Fontoura (2023) acrescentaram que o INN, além de realizar seminários, organizava cursos na área da educação e qualificação profissional, ambos com o intuito de fortalecer os artistas negros, sendo também um espaço terapêutico em que eles pudessem debater acerca da realidade social discutida nas dramatizações.

Durante seu trabalho com o psicodrama no TEN, Ramos conduziu algumas apresentações das sessões psicodramáticas, enfatizando a importância de o psicodrama ser entendido não somente como uma mera ferramenta psicoterápica, mas como um método de ação investigativa das interações humanas e sociais (Oliveira, 2025). Por exemplo, em seu texto “Teoria e prática do psicodrama”, Ramos salienta que a atuação psicodramática não é restrita e sublinha que as sessões de psicodrama podem ocorrer também nos formatos bipessoal, individual ou em grupo (Oliveira, 2025).

Portanto, percebe-se que o TEN e as contribuições de Ramos foram um marco na luta contra o racismo no Brasil. Apesar de o TEN ter encerrado seus trabalhos em 1968 com o exílio de Abdias do Nascimento nos Estados Unidos (Rocha, 2022), é evidente que seu legado ainda permanece na arte, na cultura e na política brasileira.

O psicodrama como ferramenta terapêutica grupal na promoção de práticas antirracistas

Criada para estudar os grupos e propor métodos socioterapêuticos, a socionomia é fundamentada sobre três eixos: a sociodinâmica, que estuda a dinâmica dos grupos; a sociometria, que mede e analisa as relações; e, por fim, a sociatria, que se concentra na intervenção (Nery & Conceição, 2012). Com base nisso, é possível notar que a dramatização é primazia em vários dos métodos de intervenção da sociatria, sendo principalmente a partir dela que os participantes de um grupo voltado à promoção de práticas antirracistas podem explorar diversas situações em que o racismo se apresenta – e os indivíduos racializados, expressar suas dores, medos e desafios. Como exemplo, pode-se mencionar o trecho no qual Nery afirma que “os participantes ressaltaram a importância de se imaginar na pele de alguém que sofre preconceitos. Expressaram preconceitos e discriminações vividos como uma das maiores dores pessoais e afirmaram quanto precisavam aprender para ser mais tolerantes às diferenças” (Nery & Conceição, 2012, p. 111).

Tal perspectiva emergiu no contexto de uma intervenção de sociodrama voltada à diversidade, na qual a dramatização abordou diferentes marcadores de exclusão social – pessoas negras, homossexuais, com transtornos mentais, pobres e pessoas com deficiência. Os participantes enfatizaram a importância da experiência de ocupar o lugar do outro que sofre preconceito, bem como refletiram sobre os efeitos nocivos do preconceito e da discriminação, reconhecendo a necessidade de um processo contínuo de aprendizagem (Nery & Conceição, 2012).

Outrossim, é válido ressaltar que, para Ramos, a própria grupoterapia se apresenta como uma prática decolonial que coloca a ação psicodramática como uma ferramenta antirracista, evidenciando que as violências sofridas pelo corpo negro são capazes de corromper sua subjetividade e identidade (Oliveira, 2025).

Atrelado a isso, Oliveira (2024) realizou uma intervenção de grupoterapia, baseando-se na teoria moreniana, com a finalidade de gerar conscientização sobre a importância da reflexão a respeito de comportamentos que reforçam o racismo. Essa intervenção contou com 16 estudantes, brancos, de ambos os gêneros, com idade variando de 20 a 50 anos, iniciando com os aquecimentos – sendo esta a fase de contato inicial entre o responsável por conduzir o grupo e os membros do grupo, com o objetivo de aumentar a espontaneidade e diminuir as inibições entre os participantes (López-González et al., 2021).

Nessa primeira parte, por meio do aquecimento inespecífico, os participantes foram incentivados a perceber e falar o que sentiam ao entrar em contato com objetos. Já no aquecimento específico, foram orientados a formarem duplas, olhando uns para os outros de maneira amistosa, acolhedora e, depois, preconceituosa, sendo questionados sobre como se sentiram em ambas as ocasiões. Em seguida, os participantes também foram apresentados a relatos de pessoas pretas que sofreram racismo, a partir dos quais expuseram ter sentido angústia, tristeza, impotência e incapacidade (Oliveira, 2024).

De acordo com o autor, esse aquecimento específico foi pensado com a finalidade de sensibilizar os integrantes do grupo para a dramatização denominada por ele de “aquecimento racial”, cujo propósito é gerar conexão e empatia com as experiências de sujeitos pretos. Oliveira (2024) também enfatizou a importância de perceber os olhares, assim “treinando” o grupo para notar as “nuances na interação”, sendo isso fundamental para a luta contra o racismo, pois, como argumenta Ribeiro (2019), a maioria dos brasileiros reconhece o racismo no país, mas não se identifica como racista, o que demonstra a falha da sociedade em reconhecer a existência do preconceito, especialmente nas próprias atitudes. Dessa forma, é possível concluir que “o perceber das sutilezas” é algo essencial para a identificação e o combate ao preconceito racial, auxiliando as pessoas a terem mais consciência de suas ações.

Na intervenção de Oliveira (2024), ainda foram formados três grupos, que deveriam performar uma cena de racismo que eles ou seus amigos haviam vivenciado. Ao longo desse processo, foram utilizados procedimentos, por exemplo, o congelamento de cenas, bem como técnicas do psicodrama, como solilóquio e inversão de papéis, que eram utilizados a fim de gerar reflexão nos integrantes do grupo.

Essas duas técnicas são muito utilizadas no psicodrama brasileiro pela luta antirracista. Outrossim, de acordo com Pylypenko et al. (2023), por meio da inversão de papéis, o protagonista é convidado a trocar de perspectiva com outra pessoa, assumindo pensamento e comportamento desse outro personagem. Dessa forma, essa técnica promove a empatia ao vivenciar a experiência do outro. Por sua vez, durante o solilóquio, os participantes são convidados a fazer um monólogo sobre o que estão sentindo no momento ou sobre coisas que não contariam a ninguém, revelando, assim, pensamentos escondidos (Pylypenko et al., 2023).

Durante a intervenção, os participantes relataram emoções intensas e profundas, identificando sentimentos de comoção, tristeza, angústia e incômodo, associados à percepção da violência simbólica e direta sofrida pela pessoa preta nas cenas (Oliveira, 2024). Ao refazerem uma das cenas com a possibilidade de intervir, muitos expressaram uma forte empatia com o personagem oprimido, e surgiram ações ligadas a solidariedade, acolhimento e responsabilidade coletiva, acompanhadas de um senso de compromisso e engajamento. Esse momento foi marcado por uma demonstração de união, fortalecimento emocional e esperança, indicando que a intervenção favoreceu a passagem da dor e do desconforto para uma vivência de ação, apoio mútuo e consciência antirracista (Oliveira, 2024).

A título de exemplo, durante a cena escolhida para intervenção dos participantes, um dos membros do grupo destacou o compromisso coletivo com a luta antirracista e afirmou que estaria ao lado do protagonista. Em seguida, conduziu-o para fora da cena, verbalizando que ele não estava sozinho e que todos os presentes lutariam ao lado dele. Diante disso, os demais estudantes também se uniram, formando uma corrente de mãos dadas e afirmando que a luta antirracista é uma responsabilidade compartilhada por todas as pessoas (Oliveira, 2024). Nas palavras do autor: “Eles utilizaram a coletividade como uma ferramenta fundamental para desafiar e combater a opressão racial da época” (Oliveira, 2024, p. 7).

Ademais, a etapa do compartilhamento, que pode resultar na integração emocional ou cognitiva do mundo dos participantes, contribui para uma vivência mais profunda e transformadora (López-González et al., 2021). Assim, como visto na intervenção de Oliveira (2024), foi durante o compartilhar que os estudantes concluíram e enfatizaram a importância do papel do coletivo e de como é essencial que todas as pessoas estejam empenhadas na luta antirracista, indo além do campo intelectual e reflexivo, denunciando situações de racismo e abrindo mão dos próprios privilégios.

Esse contexto entra em concordância com a visão de Davis (1981/2016), que argumenta que não basta apenas não praticar o racismo; é necessário ser antirracista. Em outras palavras, é essencial reconhecer as estruturas de poder presentes na sociedade e se opor a elas para que haja, de fato, uma transformação social. Tal aspecto se manifestou no palco psicodramático pelo discurso dos participantes ao final da intervenção de Oliveira (2024), confirmando, desse modo, o pensamento de Ramos (2023), que traz esse palco como um lugar que precisa gerar questionamentos e enfrentamento dessas estruturas impostas desde a época colonial.

Outrossim, em uma pesquisa-intervenção realizada por Crisostono e Ribeiro (2024) com seis adolescentes autodeclarados pretos ou pardos, sendo estes estudantes dos anos finais do ensino fundamental em uma escola pública em São Paulo, foram realizadas 13 sessões, nas quais foram trabalhados diversos aspectos, como questões étnico-raciais e o resgate das raízes e culturas africanas, além de como o racismo se apresenta no ambiente escolar (Crisostono & Ribeiro, 2024).

O intuito de cada encontro foi proporcionar aos participantes a construção de um ambiente distinto da realidade cotidiana que eles vivenciavam, sendo estabelecidos acordos para um melhor desenvolvimento do processo grupal, como “respeitar o outro”, a fim de que houvesse uma formação de vínculos significativos e de uma intervenção efetiva (Crisostono & Ribeiro, 2024). Pôde-se observar, também, que a experiência ampliou o conhecimento sobre suas origens culturais e os ajudou a reconhecer situações racistas presentes em seu cotidiano.

Em uma dessas sessões, os aquecimentos se iniciaram com jogos e prosseguiram com a leitura de manchetes de casos de racismo. Por meio da fantasia dirigida, os jovens foram convidados a pensar sobre o caso que mais lhes impactara; esta foi a principal técnica utilizada pelas autoras nessa intervenção. Assim, após comentarem sobre suas reverberações, eles deveriam escolher uma cena, música ou representar, por meio de escultura corporal, aquilo que foi compartilhado (Crisostono & Ribeiro, 2024).

Além disso, nessa pesquisa-intervenção foram utilizados vídeos, trechos de histórias, imagens e a produção de desenhos e pinturas com a finalidade de trazer conhecimento e reflexão a respeito de figuras históricas, celebridades e divindades afro-brasileiras (Crisostono & Ribeiro, 2024). A partir disso, as autoras puderam perceber que os adolescentes não conheciam boa parte das personalidades apresentadas; todavia, eles demonstraram interesse e envolvimento com as histórias no decorrer das sessões. Esse contexto de apagamento de figuras importantes afro-brasileiras e de religiões de matrizes africanas do ambiente escolar e acadêmico evidencia o preconceito ainda intrínseco na sociedade, pois, apesar da existência da Lei n.º 10.639 (2003), o ensino desses conteúdos ainda é negligenciado, embora haja disposição em aprender por parte dos alunos.

Outra contribuição importante a destacar dessa pesquisa-intervenção é a criação de vínculos afetivos entre os participantes. Em uma das sessões, no trecho “tudo tudo tudo o que nóis tem é nóis”, da música Principia, do cantor Emicida, foi trabalhado o quanto os estudantes se sentiram seguros, acolhidos e confortáveis para falar de suas dores e seus sentimentos naquele grupo. Uma das falas dos participantes a se considerar é a seguinte: “eu não gosto de falar da dor, machuca, eu prefiro deixar ela quietinha, mas aqui eu não me senti mal falando, foi bom pôr pra fora” (Crisostono & Ribeiro, 2024, p. 247). Essa perspectiva reflete o quão a grupoterapia psicodramática foi importante para a subjetividade dos alunos, já que, segundo as autoras, eles vivenciam o preconceito racial e a exclusão social diariamente, e pertencer a esse grupo colaborou para que eles se sentissem incluídos, podendo formar laços afetivos e desenvolver habilidades.

Com base na análise da referida intervenção de Crisostono e Ribeiro (2024), foi possível perceber que ela proporcionou um impacto significativo nos participantes, promovendo uma maior aproximação com a cultura negra e propiciando um espaço acolhedor para os seis estudantes. Por ter acontecido em um grupo menor, surge o questionamento sobre que resultados seriam obtidos em um grupo maior.

Outra pesquisa-intervenção, realizada por Crisostono et al. (2025), ocorreu com 36 educadores, membros do Núcleo Pedagógico da Diretoria de Ensino (DE) de um município no interior de São Paulo. A princípio, foi realizado um trabalho de observação na DE para identificar ações antirracistas e, posteriormente, ocorreu a intervenção – sob um viés sociodramático – em três encontros, com o intuito de ajudar no letramento racial desses profissionais no ambiente de ensino e no resgate epistêmico dos saberes dos povos afro-brasileiros. É importante ressaltar que apenas 10 participantes fizeram formação relacionada à Lei n.º 10.639 (2003), sendo a maior parte palestras virtuais, enquanto 26 nunca haviam feito formação a respeito (Crisostono et al., 2025).

Esses profissionais refletiram sobre a necessidade da aplicação dessa lei e sobre a recorrente relativização de sua implementação, uma vez que o ensino da cultura negra em sala de aula é frequentemente associado a incômodos e até a possíveis conflitos com familiares dos estudantes (Crisostono et al., 2025). No entanto, como afirma Ribeiro (2019), a partir do momento em que se conhece uma cultura, constrói-se também o respeito por ela. Nessa perspectiva, a promoção de interações com histórias africanas pode contribuir para a construção da subjetividade de pessoas negras e para o rompimento da visão inferiorizada da cultura negra entre pessoas brancas. Assim, essa lacuna existente no currículo escolar colabora para a manutenção das estruturas de poder que sustentam o racismo, uma vez que a ausência desse conhecimento favorece a perpetuação de uma visão histórica distorcida sobre a negritude.

Ademais, salienta-se que cinco desses educadores se autodeclaram pretos e pardos, e 31 se consideram brancos. Nesse contexto, o principal método utilizado na intervenção foi a fantasia dirigida, a exemplo de um dos encontros no qual foram utilizadas manchetes de casos de racismo ocorridos no ambiente escolar, em que os participantes experimentaram se colocar no papel da vítima. Como resultado, surgiu muita sensibilização por parte dos educadores, como se fosse a primeira vez que entrassem em contato com os casos que ocorrem nas escolas brasileiras. A fala de um deles exemplifica isso: “Foi muito desconfortável me colocar no lugar da menina negra, e eu sei que não senti 1% do que ela sentiu. Precisamos mudar as escolas, os professores. Rápido. De algum jeito” (Crisostono et al., 2025, p. 5). Por meio dessa colocação, é perceptível um desejo de mobilização por parte do educador, que emergiu a partir da intervenção em grupo psicodramático. A percepção do racismo na própria história trouxe mais consciência, uma vez que o grupo percebeu que os casos nas manchetes são observáveis no dia a dia e que o problema não é algo específico do outro, mas também sobre si e está em todos os ambientes (Crisostono et al., 2025).

A intervenção revelou que os educadores, em sua maioria brancos, só se impactaram com o racismo escolar quando vivenciaram a fantasia dirigida, como se o problema não estivesse presente em seu cotidiano. Esse estranhamento demonstra como os processos de socialização influenciados pela branquitude podem levar sujeitos racializados como brancos a se distanciarem da experiência de discriminação racial, naturalizando-a ou não dando a devida importância. O seguinte trecho pode colaborar para fundamentar tal afirmação: “Ainda hoje as equipes escolares ‘confundem’ situações de racismo com bullying na escola, e ao invés de legitimar e combater, estabelecem pouca importância para as queixas” (Crisostono et al., 2025, p. 6).

É precisamente esse aspecto que Vomero e Nery (2024) enfatizam ao defenderem a descolonização do processo de formação do psicodramatista, que implica reconhecer que racismo, LGBTfobia e outras formas de preconceito estão estruturalmente inscritos e naturalizados na sociedade. As autoras problematizam, ainda, o discurso da neutralidade como prejudicial e nocivo às minorias, bem como destacam o potencial do psicodrama na promoção da inclusão, reflexão e do protagonismo de experiências e vivências historicamente marginalizadas (Crisostono et al., 2025).

Na intervenção realizada por Vomero e Nery (2024), em um evento na escola Viver Mais Psicologia, em Santa Catarina, com cerca de 15 pessoas, um dos pontos levantados foi: qual o nível de repulsa que dialogar sobre minorias gera? Esse questionamento se deu a partir da abstenção das pessoas brancas em se posicionar sobre questões raciais e pela quantidade pequena de participantes em uma oficina, cujo foco era a inclusão na formação profissional. Diante disso, as autoras compreenderam a presente amostra como um recorte da sociedade, que costuma evitar essas temáticas (Vomero & Nery, 2024).

Ao longo dessa intervenção, foi enfatizado, pelos membros do grupo, o quanto sentiam falta desse tipo de experiência na formação do psicodramatista e do quanto é necessário esse espaço de discussão. Outrossim, eles também trouxeram, na etapa de compartilhamento, como o processo, além de gerar reflexão, também gerou sentimentos de segurança, fortalecimento e motivação.

Para além dessas intervenções práticas, é importante ressaltar o impacto do Teatro Experimental do Negro na luta antirracista. Como citado, esse teatro possibilitou que a população negra ganhasse um espaço no palco psicodramático, assim como analisou as consequências psicológicas geradas pelo racismo por meio das encenações em suas obras teatrais (Oliveira & Fontoura, 2023). De acordo com Almeida (2024), o TEN formava atores e atrizes trabalhando os conflitos reais que afligiam a população negra, colocando os problemas apresentados pelos participantes em evidência nas cenas, com a intenção de gerar reconhecimento e, se possível, a resolução das questões apresentadas.

Atrelado a isso, na estreia do TEN, com “O Imperador Jones”, o jornalista e dramaturgo Henrique Pongetti afirmou que foi a primeira grande expressão de arte dramática brasileira realizada por pessoas negras (Rocha, 2022). A peça rompeu com a visão limitante que atribuía aos negros papéis meramente decorativos e caricatos na sociedade, configurando-se como um evento revolucionário, sobretudo por ocorrer no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, espaço que era historicamente restrito apenas às pessoas da elite (Rocha, 2022). Segundo um comentário de Oliveira (1945), como citado em Rocha (2022), o TEN estabeleceu uma marca profunda na sensibilidade de um público até então indiferente e descrente da capacidade dramática de artistas negros.

O TEN realizou também outras ações culturais e sociais ao longo de sua trajetória, como cursos de alfabetização de jovens e adultos, cursos de história e sociologia do negro no Brasil, concursos de beleza e arte negra, concursos de artes plásticas, publicações de livros, entre outras contribuições que permanecem como legado fundamental na luta antirracista protagonizada pela população negra (Rocha, 2022). Faz-se também necessário o destaque para as intervenções ministradas por Guerreiro Ramos, de caráter heterogêneo, ajudando no empoderamento de pessoas pretas e pardas, além de conscientizar as pessoas brancas (Oliveira, 2025).

Portanto, percebe-se que a grupoterapia pode ser um instrumento de luta contra a opressão, como afirmava Ramos em suas obras. Atrelada ao psicodrama, essa forma de terapia ajudou a empoderar várias pessoas pretas no Teatro Experimental do Negro. Além disso, é capaz de gerar sensibilização, reflexão, diálogo e auxiliar no desenvolvimento de empatia em pessoas de outras raças e etnias.

Em síntese, é notório que o psicodrama, como ferramenta grupal, tem um impacto significativo na promoção de práticas antirracistas, compreendendo técnicas estruturadas de ação e experiência que podem ser pensadas para que a intervenção seja realizada da melhor forma, possibilitando maior interação, comunicação, debate construtivo e, principalmente, a criação de uma nova perspectiva sobre questões como o racismo e a vivência da pessoa negra na sociedade.

Contudo, o racismo, enquanto elemento estruturante da sociedade, ultrapassa a esfera das ações individuais e se inscreve de modo sutil e contínuo nas práticas cotidianas, nas relações sociais e na produção cultural. Isso se evidencia, entre tantos aspectos, na sub-representação de pessoas pretas e pardas nos corpos docentes e discentes das universidades, na centralidade epistemológica de autores e autoras brancas, na exclusão profissional de pessoas pretas retintas, na limitação de atores e atrizes negras a papéis subalternizados, bem como na estigmatização do cabelo crespo – com efeitos diretos sobre a autoestima de pessoas pretas. De acordo com Almeida (2019), tais manifestações são definidas como racismo estrutural, responsável pela hierarquização da sociedade e que posiciona tudo o que constitui as pessoas negras como inferior em relação ao que caracteriza as pessoas brancas.

Sob essa perspectiva, é possível refletir sobre as limitações da abordagem psicodramática diante desse sistema. Afinal, o que poderia fazer em relação à estrutura de poder que determina o que fará parte ou não do currículo acadêmico, ou quem será escalado para a posição de protagonista em uma novela de uma grande emissora? Todavia, isso não destitui o psicodrama de sua eficácia em auxiliar, junto a outras práticas, no combate ao racismo em sua totalidade, haja vista que as intervenções de grupoterapia dessa abordagem são capazes de produzir questionamentos e considerações sobre as estruturas que compõem a sociedade, além de serem terapêuticas e acolhedoras para quem participa. Para Silva et al. (2025), o psicodrama pode ser um meio de autoconhecimento e empoderamento para a população negra, trazendo resgate de expressividades antes silenciadas pelo racismo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do exposto, evidencia-se que o psicodrama possui um histórico significativo de contribuições à luta antirracista ao enfatizar a necessidade de que sujeitos brancos se aproximem, de forma crítica e implicada, das vivências da população negra. Conforme assinala Moreno (1975/2013), a possibilidade de colocar-se no lugar do outro favorece a compreensão dos impactos traumáticos que a discriminação racial produz na constituição das subjetividades. Nessa perspectiva, o psicodrama revela seu potencial transformador na construção de práticas antirracistas ao estimular a participação ativa e a conscientização dos sujeitos, rompendo o silêncio e a passividade diante das injustiças raciais, uma vez que o enfrentamento do racismo constitui um compromisso coletivo que demanda autoconsciência e ação contínua.

Desse modo, com base na análise dos estudos selecionados, torna-se possível afirmar o impacto do psicodrama como ferramenta terapêutica grupal na promoção de práticas antirracistas. Essa ação se mostra potente ao mobilizar métodos que contribuem de forma significativa para a ampliação da consciência racial. As intervenções em grupoterapia psicodramática configuram-se, assim, como espaços privilegiados para a identificação e a ressignificação de preconceitos internalizados, operando de maneira dialógica: simultaneamente, promovem o engajamento de sujeitos brancos no enfrentamento do racismo e fortalecem o protagonismo e a autonomia da população negra.

Nesse sentido, as sessões psicodramáticas reforçam a compreensão de que os sujeitos se expressam e elaboram sua realidade interna e subjetiva por meio da dramatização. A encenação possibilita a vivência e a experimentação de novos modos de ser e de se relacionar, favorecendo o desenvolvimento da empatia e contribuindo para a construção de relações sociais mais éticas e respeitosas no enfrentamento do racismo.

Ademais, a utilização de técnicas psicodramáticas no combate ao racismo tem se configurado como um instrumento relevante para o empoderamento da população negra, ao possibilitar que esses sujeitos ocupem posições de protagonismo no palco psicodramático e, simbolicamente, na vida social. Tal dimensão pode ser observada, por exemplo, na fundação do TEN e no legado de Alberto Guerreiro Ramos, cujas contribuições, analisadas nos estudos revisados, evidenciam o esforço em romper com estereótipos racializados e em resgatar valores da cultura africana, promovendo o reconhecimento da negritude.

Embora os estudos analisados estejam situados predominantemente no contexto brasileiro, os resultados apontam para a relevância de se pensar a implementação de um psicodrama comprometido com a luta antirracista para além desse território. Considerando as especificidades de cada contexto sociocultural e a atuação de psicodramatistas implicados com a causa antirracista, torna-se possível a construção de espaços de acolhimento e promoção da espontaneidade-criatividade, nos quais a população negra possa se reconhecer como agente de transformação social.

No decorrer da pesquisa, também foram identificadas limitações importantes, especialmente no que se refere à escassez de estudos e intervenções que articulem a grupoterapia psicodramática e a luta antirracista. Observou-se um número reduzido de publicações no período analisado, o que pode indicar um engajamento ainda restrito de psicodramatistas com essa temática. Mesmo diante dessa realidade, as pesquisas interventivas analisadas neste estudo são recentes, destacando-se, de forma significativa, o protagonismo de psicodramatistas negros nesse campo. Soma-se a isso a existência de lacunas nos processos formativos no que diz respeito às questões raciais. Portanto, há um vasto campo para ser explorado pelo psicodrama no enfrentamento de estigmas e preconceito racial por meio de estudos e intervenções práticas.

Diante disso, torna-se fundamental o incentivo à realização de novas investigações e à publicação de experiências psicodramáticas que abordem o antirracismo no contexto da psicoterapia grupal. Tais iniciativas poderão ampliar os referenciais teóricos e metodológicos da área, favorecer a aproximação de mais profissionais com a temática e promover maior acolhimento das vivências da população negra no cenário psicodramático, bem como o desenvolvimento da consciência racial em sujeitos brancos. Dessa forma, tende a se tornar ainda mais evidente o papel do psicodrama como dispositivo clínico, social e político no enfrentamento do racismo.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a nossa família e nossos amigos pelo apoio.

DECLARAÇÃO DE USO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIALDeclaramos que foram utilizadas ferramentas de inteligência artificial exclusivamente para auxiliar na tradução do resumo para inglês e espanhol e na redução para 120 palavras em cumprimento aos critérios da revista. Afirmamos e garantimos que houve curadoria humana em todo o artigo e nenhum uso de IA foi feito para construção do resumo original e de qualquer outro conteúdo da pesquisa.

FINANCIAMENTONão se aplica.

DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA

Todos os dados foram gerados/analisados no presente artigo.

REFERÊNCIAS

Almeida, E. de S. (2024). Sob o manto do esquecimento: Maria de Lourdes Vale do Nascimento e o Teatro Experimental do Negro. Lutas Sociais, 26(49), 260-271. https://doi.org/10.23925/ls.v26i49.62337 [ Links ]

Almeida, S. (2019). Racismo estrutural. Pólen. [ Links ]

Campos, A. M., & Lavocat, M. E. (2025, setembro 4). Dia da raça: Brasil ainda enfrenta desafios no combate ao racismo. Correio Braziliense. https://www.correiobraziliense.com.br/direito-e-justica/2025/09/7241004-dia-da-raca-brasil-ainda-enfrenta-desafios-no-combate-ao-racismo.html#google_vignetteLinks ]

Campos, L. R. M., Cruvinel, B. V., Santos, A. O., & Oliveira, G. S. (2023). A revisão bibliográfica e a pesquisa bibliográfica numa abordagem qualitativa. Cadernos da Fucamp, 22(57), 96-110. https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/3042Links ]

Crisostono, S. M. de O., & Ribeiro, D. de F. (2024). Raízes e ancestralidade: um processo grupal sociodramático como enfrentamento do racismo na escola. Conecte-Se! Revista Interdisciplinar de Extensão, 8(17), 238-256. https://doi.org/10.5752/P.2594-5467.2024v8n17p238-256 [ Links ]

Crisostono, S. M. de O., Ribeiro, D. F., & Siqueira, M. R. (2025). Educação antirracista como prática emancipatória: uma pesquisa-intervenção com educadores. Revista Brasileira de Psicodrama, 33, 1-10. https://doi.org/10.1590/psicodrama.v33.728 [ Links ]

Davis, A. (2016). Mulheres, raça e classe. Boitempo. (Obra original publicada 1981) [ Links ]

Formiga, G. C. B. (2024). Relato de uma psicodramatista preta e os compromissos do Psicodrama brasileiro no século XXI. Conecte-se! Revista Interdisciplinar de Extensão, 8(17), 130-144. https://doi.org/10.5752/P.2594-5467.2024v8n17p130-144 [ Links ]

Gomes, L. (2019). Escravidão Volume I: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares. Globo Livros. [ Links ]

Hassunuma, R. M., Garcia, P. C., Ventura, T. M. O., Seneda, A. L., & Messias, S. H. N. (2024). Revisão integrativa e redação de artigo científico: uma proposta metodológica em 10 passos. Revista Multidisciplinar de Educação e Meio Ambiente, 5(3), 1-16. https://doi.org/10.51189/integrar/rema/4275 [ Links ]

Lei n.º 7.716, de 5 de janeiro de 1989. (1989). Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7716.htmLinks ]

Lei n.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003. (2003). Altera a Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira”, e dá outras providências. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htmLinks ]

López-González, M. A., Morales-Landazábal, P., & Topa, G. (2021). Psychodrama group therapy for social issues: a systematic review of controlled clinical trials. International journal of environmental research and public health, 18(9), 4442. https://doi.org/10.3390/ijerph18094442 [ Links ]

Malaquias, M. C. (2020). Psicodrama e relações étnico-raciais: diálogos e reflexões (2a ed.). Ágora. [ Links ]

Marconi, M. de A., & Lakatos, E. M. (2017). Fundamentos da metodologia científica (8a ed.). Atlas. (Obra original publicada 1985) [ Links ]

Medeiros, S. R. (2023). Psicodrama: uma corrente grupalista. Científica. [ Links ]

Mendonça, M. dos N. L. (2025). Racismo: desconstruindo falas e expressões do cotidiano. International Integralize Scientific, 5(46). https://iiscientific.com/artigos/84a430/Links ]

Mendonça, P. B. O. (2017). A metodologia científica em pesquisas educacionais: pensar e fazer ciência. Interfaces Científicas, 5(3), 87-96. https://doi.org/10.17564/2316-3828.2017v5n3p87-96 [ Links ]

Moreno, J. L. (2013). Psicodrama. Cultrix. (Obra original publicada 1975) [ Links ]

Nery, M. da P., & Conceição, M. I. G. (2012). Intervenções grupais: o psicodrama e seus métodos. Ágora. [ Links ]

Oliveira, D. R. (2024). Aplicação da grupoterapia como prática de intervenção antirracista. Revista Brasileira de Psicodrama, 32, 1-10. https://doi.org/10.1590/psicodrama.v32.680 [ Links ]

Oliveira, D. R. (2025). Psicodrama brasileiro e a luta antirracista: o legado de Alberto Guerreiro Ramos. Revista Brasileira de Psicodrama, 33, 1-5. https://doi.org/10.1590/psicodrama.v33.696 [ Links ]

Oliveira, D. R., & Fontoura, A. M. T. (2023). Racismo e resistência: o povo negro no palco psicodramático. Cadernos de InterPesquisas, 1, 115-133. https://doi.org/10.5281/zenodo.8126527 [ Links ]

Pylypenko, N., Radchuk, H., Shevchenko, V., Horetska, O., Serdiuk, N., & Savytska, O. (2023). The psychodrama method of group psychotherapy. BRAIN - Broad Research in Artificial Intelligence and Neuroscience, 14(3), 134-149. https://doi.org/10.18662/brain/14.3/466 [ Links ]

Ramos, A. G. (2023). Negro sou: a questão étnico-racial e o Brasil: ensaios, artigos e outros textos (1949-73) (M. S. Barbosa, Ed.). Zahar. [ Links ]

Ribeiro, D. (2019). Pequeno manual antirracista. Companhia das Letras. [ Links ]

Rocha, G. dos S. (2022). Teatro Experimental do Negro: rompendo a brancura da cena (1944-1969). Moringa, 13(1), 11-30. https://doi.org/10.22478/ufpb.2177-8841.2022v13n1.63324 [ Links ]

Sabino, S. S., Sisti, S. P. P., & Silva, I. S. (2025). Etnodrama como ferramenta para o enfrentamento ao racismo estrutural: uma experiência de psicodrama público. Revista Brasileira de Psicodrama, 33, 1-10. https://doi.org/10.1590/psicodrama.v33.722 [ Links ]

Santos, J., Oliveira, L. R., & Nganga, J. G. (2023). Percepções sobre o racismo no Brasil. Peregum – Instituto de Referência Negra, Projeto SETA – Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista. https://projetoseta.org.br/wp-content/uploads/2023/12/Sumario-Executivo-Percepcoes-sobre-o-Racismo-no-Brasil.pdfLinks ]

Silva, V. H. S., Ramos, E. de J. O., Luz, U. J. D., Nunes, J. F., & Sousa, Q. de C. D. de. O. (2025). O impacto do racismo estrutural na construção da identidade das mulheres negras: uma visão psicodramatista. Revista Ibero-americana de Humanidades, Ciências, e Educação, 11(10), 2477-2486. https://doi.org/10.51891/rease.v11i10.21387 [ Links ]

Souza, D. A., Diniz, E. H. G., & Oliveira, D. R. (2025). Silêncios que gritam: a imobilidade frente ao racismo na sala de aula. Revista Brasileira de Psicodrama, 33, 1-10. https://doi.org/10.1590/psicodrama.v33.724 [ Links ]

Vomero, L. de S. Z., & Nery, M. de P. (2024). Escola de anarquia: psicodrama e letramento LGBTQIA+ e racial. Revista Brasileira de Psicodrama, 32, 1-13. https://doi.org/10.1590/psicodrama.v32.660 [ Links ]

Recebido: 28 de Agosto de 2025; Aceito: 09 de Fevereiro de 2026

*Autora correspondente: beatriz.evangelista2003@gmail.com

Editor de seção:

Fernando Cordovio https://orcid.org/0000-0003-0950-1832

CONFLITO DE INTERESSE

Nada a declarar.

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.