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Revista Brasileira de Psicanálise

Print version ISSN 0486-641X

Rev. bras. psicanál vol.56 no.3 São Paulo July/Sept. 2022  Epub Aug 05, 2024

https://doi.org/10.5935/0486-641x.v56n3.13 

Entrevista

Paulo Marcio Bacha1


RBP: Você pode nos contar um pouco sobre a história da Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul (SPMS)?

PMB: Consideramos que o início do movimento psicanalítico em Mato Grosso do Sul aconteceu na década de 1970, com o trabalho pioneiro da Dra. Maria Teodorowic, psiquiatra e psicanalista da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ), que em seu retorno a Campo Grande se dedicou a difundir o pensamento psicanalítico nos cursos de medicina e psicologia das universidades locais – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), hoje Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT), hoje Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) – e criou o Centro de Estudos Sul-Mato-Grossense de Psicoterapia Dinâmica (Cesmapid), com o objetivo de difundir as práticas psicoterápicas de orientação psicanalítica.

Muitas mudanças aconteceram com a divisão entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que completa 45 anos no dia 11 de outubro deste ano. Esse fato é muito importante. Somos psicanalistas brasileiros inseridos na cultura de uma região singular. Buscamos nossas singularidades sem perder o vínculo com o universal do conhecimento psicanalítico.

Na época, alguns viram a divisão como traumática, e outros como benéfica. Aos poucos, todos aceitamos essa condição. Vivemos e fazemos questão de nos considerar como sul-mato-grossenses.

Na cidade existiam grupos de estudos que se formaram com o intuito de discutir as práticas psicoterápicas de orientação psicanalítica, como o Grupo de Estudos de Psicoterapia Analítica de Grupo (Gepag) e o Grupo de Estudos de Psiquiatria, Psicologia e Psicoterapia da Infância (Gepppi).

O Cesmapid, coordenado pela Dra. Maria Teodorowic, foi se desenvolvendo gradativamente no sentido de buscar uma formação nos padrões da Associação Psicanalítica Internacional (IPA). Na época, o Dr. Fábio Leite Lobo, analista didata e um dos membros fundadores da SPRJ, começou a vir a Campo Grande e pleiteou à Dra. Maria a formação de um núcleo psicanalítico dirigido pela SPRJ. O Dr. Fábio, porém, faleceu alguns meses depois. Veio então para Campo Grande, para o Cesmapid, o Dr. Clodoaldo Frizon, também psicanalista da SPRJ, e estruturou reuniões e palestras, além de analisar membros do grupo.

Em 1989, a Dra. Maria Teodorowic, a Dra. Clemilda Barbosa de Souza e o Dr. Antônio Dutra Jr. tiveram êxito em trazer a formação psicanalítica da SPRJ, dando início ao processo que viabilizaria a formação psicanalítica nos moldes da IPA. O Núcleo Psicanalítico de Mato Grosso do Sul (NPMS) foi formado em janeiro de 1990, sob a responsabilidade do Instituto de Psicanálise da SPRJ.

Nesse momento, destacou-se aquilo que mais caracterizou a nossa Sociedade: a competência de seus componentes, todos profissionais com seus consultórios e já com uma personalidade profissional local.

A chegada dos novos analistas, no entanto, trouxe um novo sentimento: a rivalidade. Iniciou-se uma relação complexa entre os analistas recém-chegados e os candidatos, que estavam desde o início no trabalho para constituir uma sociedade psicanalítica ligada aos padrões da IPA. Os analistas didatas, sentindo-se controlados pelo grupo, começaram a agir de forma pouco integrada ao funcionamento grupal, com atuações que complicavam as discussões. Foi uma época muito sofrida, pelos ataques fratricidas estimulados pelas feridas narcísicas dos analistas. Achávamos que, através das tarefas e do desenvolvimento do núcleo, as arestas iriam diminuir.

A passagem do NPMS a Grupo de Estudos Psicanalíticos de Mato Grosso do Sul (Gesp-MS) se concretizou no 40º Congresso Internacional de Psicanálise, em Barcelona, em julho de 1997. Até o ano 2000, o Gesp-MS foi presidido pela Dra. Maria Teodorowic. Nesse ano, fui nomeado pelo Comitê de Apoio da IPA para o cargo de presidente, com o objetivo de fazer a transição para Sociedade provisória.

Devido às inseguranças alimentadas, enfrentamos na época uma divisão. Uma parte do grupo apresentou uma tendência paralisante, impedindo o desenvolvimento científico necessário para o amadurecimento grupal. Alguns analistas didatas começaram a criar nos candidatos resistência às determinações da IPA e de seus representantes locais, através de um discurso democratizante, desejando eleições, colocando-se de tal forma que ficamos empobrecidos como grupo. Outra parte criava discussões teóricas infindáveis e estéreis sobre o estatuto e outros assuntos esvaziados.

Ao me tornar presidente, contei com o apoio de poucos colegas. A criatividade estava bloqueada, e a produção científica era pobre, quase inexistente. A fantasia persecutória, cheia de boatos e intrigas, de um modelo idealizado da Sociedade-mãe, alimentada por análises mal conduzidas, preenchia a cena. Uma crise institucional foi deflagrada, com o impedimento de uma analista que tinha sob sua responsabilidade a análise de vários candidatos. Essa crise causou a renúncia da comissão coordenadora da época e a instalação de uma comissão de ética. Uma nova comissão coordenadora, presidida pelo Dr. Carlos Roberto Saba, da sprj, assumiu, tendo como objetivo claro a reestruturação do núcleo.

Essas lutas fratricidas deixaram cicatrizes profundas na nossa maneira de nos organizar e crescer como instituição. Vários colegas abandonaram a instituição e foram se desenvolver em outras instituições, com as quais se identificaram mais. Na época, eu era o presidente nomeado e tenho a minha percepção singular do processo. Superficialmente, vejo que a insegurança e o medo eram disseminados, dando a sensação de que o maior perigo era o desejo de independência.

Como disse, fui nomeado presidente do Gesp-MS em 2000. A turma não aceitou a nomeação, e sinto até hoje o sentimento de ódio de parte do grupo à minha pessoa. Sei que a dimensão do conflito é própria da psicanálise, mas nesse caso a questão do grupo era de sobrevivência, pois se tratava de evitar o seu aniquilamento, estimulado pelos analistas didatas visitantes e por alguns dos seus analisandos, que se posicionavam de modo ambivalente quanto ao crescimento científico do grupo.

Após a crise, conseguimos realizar as eleições, com Leila Tannous Guimarães sendo escolhida como presidente. Em 2005, no 44º Congresso Internacional de Psicanálise, no Rio de Janeiro, mais organizados, nos tornamos Sociedade provisória. Todos compartilhávamos a compreensão de que precisávamos nos dedicar ao futuro da transmissão psicanalítica em nossa região.

Em 2007, no 45º Congresso Internacional de Psicanálise, em Berlim, a spms alcançou a categoria de Sociedade componente da IPA.

Em setembro de 2013, realizou-se em Campo Grande o 24º Congresso Brasileiro de Psicanálise, com o título Ser contemporâneo: medo e paixão, sobre questões que afligem a contemporaneidade e suas repercussões na técnica psicanalítica atual, pondo em evidência a condição da cultura regional.

Hoje, mais de 30 anos depois da chegada da formação psicanalítica ao Mato Grosso do Sul, a spms segue independente e forte, realizando a transmissão da psicanálise, estabelecendo diálogo com outras áreas do saber, desenvolvendo projetos arrojados e inovadores, contribuindo com o aprimoramento dos seus membros, instrumentalizando-os a lidar com os crescentes desafios que a psicanálise enfrenta nos dias atuais, e buscando se adaptar às mudanças socioculturais da região.

RBP: Quais características expressam melhor a personalidade da sua Sociedade?

PMB: A diretoria que formamos tem como objetivo desenvolver a nossa sociedade psicanalítica diante dos novos desafios que a cultura vem estabelecendo, tanto para a nossa prática, com a inserção de novas tecnologias, quanto para a capacidade de teorização dessa prática. Vemos a psicanálise como ato cultural e produto dessa cultura. Temos como desafio ampliar o ensino da psicanálise numa situação de novas demandas, por meio de seu método de investigação, que busca o significado inconsciente de palavras, ações e produções imaginárias do indivíduo e do coletivo.

Somos formados por um grupo de pessoas, na grande maioria mulheres, muito atuantes, que procuram constituir uma Sociedade democrática, prezando pelo bom convívio.

Na formação psicanalítica propriamente dita, preservamos a análise didática, os seminários e as supervisões. Buscamos a inserção da psicanálise na cultura da região através de debates com as várias áreas do conhecimento.

Os desafios que as novas queixas e demandas – situadas predominantemente aquém da fantasia e além do princípio do prazer – apresentam à prática clínica são tomados como motor para o enriquecimento das elaborações teóricas e da pesquisa sobre a recriação dos dispositivos.

O afluxo de novas realidades, potencializado pela tecnologia, transformado pelas informações e imagens veiculadas, submetido a injunções econômicas, políticas e ideológicas que emanam de fontes pouco confiáveis ou mesmo invisíveis, produz o sentimento de estar perdido num campo de valores mutantes e de novas utopias, criando o sujeito contemporâneo em um lugar fora de si, comandado por forças ou poderes pouco conhecidos, externos ao seu desejo ou controle.

Vemos como perigo tanto os que impedem novas possibilidades, ao se apresentarem como guardiães do saber psicanalítico, quanto os que de forma permissiva descaracterizam a singularidade do saber psicanalítico no manejo da transferência e da contratransferência.

RBP: Como foi sua trajetória profissional?

MMB: Nasci em Campo Grande, onde sempre estudei em escolas públicas. Na adolescência, queria conhecer outras formas de viver, apesar de ser bastante tranquilo e ter muitos amigos e amigas. Aos 16 anos, comecei a viajar sozinho pelo meu estado e a conhecer as poucas cidades que tínhamos. Quando podia, ia ao Rio de Janeiro e a São Paulo.

Mudei para o Rio na década de 1970. Pela primeira vez, ingressei num colégio particular, o Colégio Andrews. Eu me casei logo depois de prestar o vestibular. Na época, minha esposa estudava psicologia e meu irmão medicina. Através dos dois, entrei em contato com as obras de Freud. Fiz o vestibular e passei na Faculdade de Medicina de Teresópolis, onde morei por alguns meses. Lá eu vi o que não queria. Voltei ao Rio, fiz novamente o vestibular e passei na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM-Uerj). O meu interesse era clínica médica e doenças tropicais. No quarto ano, tive uma crise ao perceber que estava enganado na escolha e que faltava algo naquele estudo.

Foi então que surgiu a ideia de fazer a residência em psiquiatria. Inicialmente, fiz psicoterapia de sonho acordado ou poética de Gaston Bachelard, técnica terapêutica que acontece num estado de relaxamento, em ambiente privado de estímulos luminosos e sonoros, através do desencadeamento de imagens dirigido por um terapeuta.

Depois de formado, fiz residência médica em psiquiatria no Hospital Pedro Ernesto, tendo como preceptores o Dr. Paulo Pavão, o Dr. Washington Loyello e o Dr. Villano.

Após alguns anos, resolvi voltar a Campo Grande, onde logo retomei minha análise em alta frequência com a Dra. Maria Teodorowic e fiz supervisão dos meus casos de consultório com o Dr. Antônio Dutra Jr. e com a Dra. Galina Schneider, que se tornaram meus supervisores oficiais. Dessa maneira, entrei na primeira turma de formação em psicanálise.

Hoje trabalho como sempre trabalhei em meu consultório, onde exerço a profissão de médico psiquiatra e psicanalista, e faço de maneira esporádica perícias médicas como psiquiatra forense. Meus filhos e netos moram em São Paulo (capital).

RBP: Como foi sua trajetória institucional na SPMS?

PMB: Minha história profissional psicanalítica está profundamente vinculada à instituição SPMS. Iniciei a análise pessoal em 1985. Em 1990, comecei a análise didática oficial no NPMS/SPRJ. Na época do npms, fui diretor científico. Eu já era analista associado da SPRJ e do NPMS. Em 2000, fui indicado presidente pelo Comitê de Apoio da IPA a fim de ajudar na passagem para Sociedade provisória. Fui colocado como uma espécie de presidente interino, até a realização de eleições. Com isso, naquele momento, foi controlada a possibilidade de desagregação, e mais tarde elegemos por unanimidade Leila Tannous Guimarães como presidente.

Nos anos seguintes à nossa passagem a Sociedade da ipa, eu me afastei das atividades administrativas da instituição. Quando comecei a fazer análise com analistas de outras Sociedades da IPA, me interessei mais pelo estudo da técnica psicanalítica.

Apesar da distância de mil e poucos quilômetros dos centros formadores, eu me mantive em contato com os congressos e as atividades grupais em outras cidades. Somente em 2021 resolvi voltar a participar das atividades administrativas. Eu me candidatei ao cargo de presidente da spms e obtive apoio unânime.

Frequentei com assiduidade encontros winnicottianos e bionianos em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Participei também, com o Dr. Plinio Montagna, da Comissão de Psicanálise e Direito da ipa, estudando a intersecção entre psicanálise e direito. Para muitos, é difícil imaginar um ambiente mais alienígena para a psicanálise do que um tribunal.

Atualmente, por conta da pandemia, diminuí bastante as minhas atividades em outras cidades. Quanto às atividades online, sinto que não oferecem a possibilidade de ter uma relação de vinculação e que só se deve recorrer a elas em condições muito especiais, dado o risco de serem um simulacro, algo insatisfatório.

RBP: Como se organiza a formação dos candidatos na SPMS?

PMB: Nossa formação se faz respeitando o modelo proposto por Eitingon.

Na primeira fase da seleção, após seu aceite, o postulante necessita estar em análise de quatro vezes por semana, até uma segunda entrevista, quando poderá ser aceito ou não para ingressar no curso teórico e técnico.

No período entre a primeira e segunda etapa de seleção, no segundo semestre, a turma de postulantes tem pré-seminários, temáticos, que incluem mitos, obras literárias, filmes etc.

O curso teórico e clínico é feito em sistema de turma, durante cinco anos, com aulas de 2h30 de duração, duas vezes na semana. O último semestre é de escolha da turma.

O candidato também deve passar pela experiência de duas supervisões de seus atendimentos psicanalíticos.

Como pré-requisito para a formação, o postulante deve ser médico ou psicólogo há pelo menos dois anos.

Atualmente, temos duas turmas em seminários: a 9ª Turma, que está no último semestre do curso, e a 10ª Turma, que está no primeiro semestre do terceiro ano.

Os cronogramas seguidos por cada turma são atualizados sempre que possível e necessário, com revisão e atualização da bibliografia recomendada a cada seminário, de acordo com sugestões dos coordenadores de seminários ou da própria Comissão de Currículo.

RBP: Quais são os projetos para o futuro da SPMS?

PMB: Nosso principal projeto para o biênio 2021-2023 é implantar a formação integrada. A primeira atividade voltada a esse projeto foi uma reunião com a Dra. Virginia Ungar, então presidente da IPA, e a Dra. Nilde Parada Franch, chair do Comitê de Psicanálise da Criança e do Adolescente (Cocap). Depois, houve uma coleta de informações com as Sociedades brasileiras sobre formação integrada.

Aproveitando o formato de eventos online, montamos uma programação que possibilite o intercâmbio com outras Sociedades, e também a conversa com especialistas em crianças e adolescentes em vários níveis e tipos de atividade.

Para implantar a formação integrada, precisamos modificar alguns detalhes da estrutura e promover discussões sobre a formação que queremos para a nossa Sociedade e o nosso tempo. Centramos nossas atividades em ampliar e reciclar nosso corpo docente e, futuramente, em introduzir cursos que sejam eletivos e/ou obrigatórios, dependendo da escolha de titulação do candidato.

Introduzimos novas revisões semestrais das ideias de autores, revisões que até então eram destinadas somente a Sigmund Freud, Melanie Klein e Wilfred Bion. Tivemos:

  1. Revisão da Primeira Tópica de Freud, com Alírio Dantas Jr., da Sociedade Psicanalítica do Recife (SPRPE)

  2. Revisão das Ideias de Bion, com Sandra Nunes Caseiro, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto (SBPRP)

  3. Revisão da Teoria Estrutural de Freud, com Carlos Gari Faria, da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA)

  4. Revisão das Ideias de Melanie Klein, com Vera Fonseca, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)

Teremos outra Revisão das Ideias de Melanie Klein, agora com Marly Terra Verdi, do Grupo de Estudos de Psicanálise de São José do Rio Preto e Região (GEP Rio Preto e Região). Introduzimos a Revisão das Ideias de André Green, com Zelig Libermann (SPPA), e para o segundo semestre está programado um seminário sobre as ideias de Donald Winnicott.

Nesse processo, outros autores também serão contemplados. Vale ressaltar que a revisão é feita no semestre posterior àquele em que foram ministrados os seminários sobre o autor, segundo a proposta curricular das turmas.

No próximo semestre, iniciaremos um curso eletivo, em que possam participar o corpo docente e o corpo discente.

Está prevista ainda uma reformulação curricular, para atender às necessidades da formação voltada para crianças e adolescentes e da formação voltada para adultos, podendo haver cursos eletivos e/ou obrigatórios, que satisfaçam os pré-requisitos de cada uma.

O Grupo de Estudos de Temas Didáticos e Pesquisa (GTDP) é um foro de discussão, do corpo docente e da membresia como um todo, sobre a formação psicanalítica, sobre temas que pertencem ao exercício das funções didáticas.

1Membro efetivo e presidente da Sociedade Psicanalítica de Mato Grosso do Sul (SPMS)

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