Neste livro, após um relato detalhado sobre a origem e o desenvolvimento da psicanálise de crianças, no Brasil e no mundo, e um comentário sobre o lugar dessa psicanálise no movimento psicanalítico, Marisa Pelella Mélega apresenta nove casos em que viveu intensamente a experiência psicanalítica com crianças de idade variada, no período entre 1973 e 1986.
As sessões dos casos são ilustradas com muitos desenhos e comentários, pelos quais podemos perceber que a autora-analista introjetou os conceitos fundamentais da psicanálise de crianças, particularmente os de Klein, Bion e Meltzer.
Chama a atenção a maneira como a autora, através de sua estimulante trajetória, demonstra sua grande sensibilidade, não apenas no manejo da criança como também no trabalho com os pais do grupo familiar.
Sem se descuidar das supervisões realizadas com Virgínia Leone Bicudo, Vida Marberino de Prego, Wilfred Bion, Irma Pick, Donald Meltzer e Arthur Hyatt Williams, Marisa aponta as dificuldades técnicas com as quais se deparou, a fim de incrementar naquelas pequenas pacientes o processo de simbolização, apresentando-se como um continente-acolhedor, um seio-mente falante e pensante.
Defendendo sua ideia de que o desenvolvimento da mente se dá no confronto entre constituição e ambiente, a autora, ao priorizar a relação mãe-bebê e a capacidade de reverie, também ajuda os pais – particularmente a mãe – a nomear angústias da criança (ver o caso de Gianni, de 1 ano e 10 meses), proporcionando a recuperação das falhas primárias existentes.
Através de casos muito bem descritos, nas diversas sessões, a analista nos ensina como acontece a retomada progressiva do desenvolvimento, a evolução da vida de fantasia e sua função simbólica.














