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Estudos de Psicologia (Natal)

versión impresa ISSN 1413-294Xversión On-line ISSN 1678-4669

Estud. psicol. (Natal) vol.29  Natal  2024  Epub 10-Nov-2025

https://doi.org/10.69909/1678-4669.20240003 

Psicologia Social do Trabalho

Coping e suas relações com o bem-estar no trabalho: uma revisão de escopo

Coping and its relationships with well-being at work: a scope review

Coping y sus relaciones con el bienestar en el trabajo: una revisión de alcance

Lhaís Alves Souza Pereira Santana¹ 

Doutorado em Psicologia/ Psicologia Social e do Trabalho/ UFBA. E-mail: lhaispsi@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2083-8922


http://orcid.org/0000-0002-2083-8922

Laila Leite Carneiro¹ 

Doutorado em Psicologia/ Psicologia Social e do Trabalho/ UFBA. Professor Adjunto - Universidade Federal da Bahia (UFBA). E-mail: laila.carneiro@ufba.br ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7183-0501 Rua Caetano Moura, 107 - Federação, Salvador - BA, CEP: 40210-340 - Programa de Pós-graduação em Psicologia UFBA Telefone : (71) 3283.6433


http://orcid.org/0000-0001-7183-0501

Sônia Regina Pereira Fernandes¹ 

Doutorado em Saúde Coletiva/ UFBA. Professor Colaborador (PROPAP) - Universidade Federal da Bahia (UFBA). E-mail: sonregina@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6426-5452


http://orcid.org/0000-0001-6426-5452

1¹Universidade Federal da Bahia


RESUMO

O coping é um fenômeno que tradicionalmente é abordado quanto à relação com variáveis vinculadas ao adoecimento; por outro lado, estudos recentes têm evidenciado a sua relação com variáveis mais positivas, como o bem-estar. Esta revisão de escopo buscou mapear os tipos de evidências recentes (2010 a 2021) disponíveis na literatura nacional e internacional sobre as relações entre coping e bem-estar no contexto de trabalho. As buscas foram realizadas em bases de dados específicas; após aplicação dos critérios de seleção, quarenta e quatro artigos foram analisados. Os resultados obtidos apontaram para o predomínio do conceito de coping da perspectiva transacional e o de bem-estar da perspectiva hedônica (afetos e/ou satisfação). As relações identificadas são, em sua maioria, significativas estatisticamente, tendo como variáveis antecedentes principalmente as demandas de trabalho. Sugere-se a realização de novos estudos, a partir de desenhos alternativos como o longitudinal que possam pormenorizar as características dessas relações.

Palavras-chave: coping; bem-estar; trabalho

ABSTRACT

Coping is a phenomenon that is traditionally addressed in relation to variables linked to the illness; on the other hand, recent studies have shown its relationship with more positive variables, such as well-being. This scope review sought to map the types of recent evidence (2010 to 2021) available in the national and international literature on the relationship between coping and well-being in the work context. Searches were carried out in specific databases; after applying the selection criteria, forty-four articles were analyzed. The results obtained pointed to the predominance of the concept of coping from the transactional perspective and that of well-being from the hedonic perspective (affections and/or satisfaction). The relationships identified are, for the most part, statistically significant, with antecedent variables mainly being work demands. It is suggested that new studies be carried out, using alternative designs such as longitudinal designs that can detail the characteristics of these relationships.

Keywords: coping; well-being; work

RESUMEN

El coping es un fenómeno que tradicionalmente se aborda en relación a variables vinculadas a la enfermedad; por otro lado, estudios recientes han demostrado su relación con variables más positivas, como el bienestar. Esta revisión de alcance buscó mapear los tipos de evidencias recientes (2010 a 2021) disponibles en la literatura nacional e internacional sobre la relación entre afrontamiento y bienestar en el contexto laboral. Las búsquedas se realizaron en bases de datos específicas; después de aplicar los criterios de selección, se analizaron cuarenta y cuatro artículos. Los resultados obtenidos señalaron el predominio del concepto de afrontamiento de la perspectiva transaccional y el del bienestar de la perspectiva hedónica (afectos y/o satisfacción). Las relaciones identificadas son, en su mayor parte, estadísticamente significativas, y las variables antecedentes son principalmente demandas del trabajo. Se sugiere que se realicen nuevos estudios, utilizando diseños alternativos como diseños longitudinales que pueden detallar las características de estas relaciones.

Palabras-clave: coping; bienestar; trabajo

O interesse, tanto da esfera acadêmica quanto da esfera aplicada, pela compreensão de como as pessoas lidam com situações adversas ou estressoras e suas consequências não é recente. No contexto de trabalho, o coping - estratégia de enfrentamento do estresse - tem sido investigado (Van den Brande, 2020) em razão dos estressores presentes e das consequências decorrentes para a saúde no trabalho.

Coping, de forma geral, consiste nas estratégias utilizadas pelos indivíduos para se adaptar às demandas com que se deparam em situações específicas. De acordo com a principal perspectiva que aborda o tema, a transacional, é definido como esforços cognitivos e comportamentais direcionados a demandas externas e/ou internas avaliadas como excessivas para os recursos do indivíduo (Folkman & Lazarus, 1980; Lazarus & Folkman, 1984).

A abordagem transacional propõe dois tipos de estratégias de coping: o coping focado na emoção (CFE), que diz respeito à utilização de pensamentos e ações para lidar com os sintomas do estresse; e o coping focado no problema (CFP), que se refere ao gerenciamento do problema que causa o estresse. Posteriormente, foi adicionado ao modelo (Folkman, 1997) o coping focado no significado (CFS), que sustenta o bem-estar através da regulação das emoções positivas (Dias & Pais-Ribeiro, 2019; Folkman, 1997). Essa categoria, entretanto, não tem sido considerada separada das demais, sendo identificadas apenas as duas dimensões propostas incialmente na maioria dos estudos que adotam o construto.

Outras perspectivas sobre o coping também foram desenvolvidas (e.g. Aspinwall & Taylor, 1997; Carver et al., 1989; Latack, 1986; Moos & Holahan, 2003) enfatizando aspectos diferentes desse fenômeno e, por consequência, operacionalizando-o de forma diversa. Mas, em geral, as classificações CFP e CFE acabam por incluir essas diversas estratégias, e funcionam como categorias gerais. Outra dimensão bastante identificada na literatura e que merece destaque é o coping focado na evitação (CFEv), que consiste na evitação da situação estressora e/ou das emoções dela decorrentes (Dewe et al., 2012; Gonçalves-Câmara et al, 2019). Esse tipo de coping se contrapõe ao coping de aproximação, em que tanto o CFP quanto o CFE podem ser incluídos, contemplando estratégias não inseridas nessas categorias.

É importante ressaltar que a utilização da estratégia de coping pode ser efetiva ou não, a depender do contexto em que está sendo empregada, como o nível de controle da situação (Dias & Pais-Ribeiro, 2019). A efetividade no uso do coping pode consistir tanto na prevenção dos sintomas decorrentes do estresse vivenciado, quanto na vivência de aspectos positivos. Nesse sentido, Demerouti (2018) aponta que o coping é um preditor de saúde e de resultados motivacionais o que indica, por exemplo, que o enfrentamento mais ativo da situação pode mitigar o efeito negativo das demandas a que a pessoa é exposta, evitando sintomas de burnout, ao mesmo tempo em que pode promover estados afetivos positivos, como o bem-estar. Estes indicadores de saúde também podem impactar o coping.

Apesar das evidências da relação entre coping e indicadores de saúde, como o bem-estar, as revisões das pesquisas que abordam estas associações, tanto no âmbito nacional quanto no internacional, focalizam categorias ocupacionais específicas e/ou não pormenorizam as relações entre coping e resultados positivos (e.g. Antoniolli et al., 2022; Hirschle & Gondim, 2020; Friganovic et al., 2019; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021; Souza et al., 2018). Esse quadro enseja a investigação mais detalhada dessas relações, como a identificação dos conceitos e das medidas utilizadas para analisar os fenômenos, o que pode proporcionar informações relevantes para intervenções que promovam o bem-estar.

O bem-estar é um dos principais construtos pesquisados na literatura relacionada à Psicologia Positiva (Ackerman et al, 2018), com ampla repercussão no campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT). Diversas definições deste construto podem ser identificadas, tanto de uma perspectiva mais positiva, a partir da presença de fatores positivos (como vitalidade), quanto de maneira inversa, ao considerar ausência e/ou níveis baixos de adoecimento (como baixo nível de ansiedade). Porém, as abordagens mais influentes sobre o bem-estar têm sido a perspectiva hedônica, que o considera composto por prazer ou felicidade - o bem-estar subjetivo (BES) -, e a perspectiva eudaimônica, em que o foco é na realização das potencialidades humanas, o bem-estar psicológico (BEP) (Cooke et al., 2016). O BES é definido como a avaliação geral das pessoas sobre suas vidas e experiências emocionais, o que inclui avaliações amplas como satisfação com a vida e sentimentos/emoções específicas (como afeto positivo e baixo afeto negativo) que refletem como as pessoas estão reagindo aos eventos e circunstâncias da vida (Diener et al, 2017). Já o conceito de BEP inclui múltiplos aspectos do bem-estar, relacionados ao desenvolvimento das potencialidades humanas, que, em conjunto, indicam o nível individual de BEP (Ryff & Keyes, 1995; Ryff, 2014), a citar: a) Autonomia: Autodeterminação e independência; b) Domínio do ambiente: Senso de domínio e competência na gestão do meio ambiente; c) Crescimento pessoal: Sensação de desenvolvimento contínuo; d) Relacionamento positivo com os outros: Possuir relacionamentos afetuosos, satisfatórios e de confiança; e) Propósito na vida: Ter objetivos na vida e um senso de direção; e f) Autoaceitação: Atitude positiva em relação a si mesmo.

Dada a importância do coping nos processos de saúde, já bem documentada, e a concomitante escassez de estudos integrativos sobre coping e processos positivos, com a predominância de pesquisas que o avaliam em relação a resultados/indicadores negativos de saúde (como burnout, depressão e estresse), este estudo buscou responder ao seguinte problema de pesquisa: Quais as evidências disponíveis na literatura sobre a relação entre coping e bem-estar no contexto de trabalho? Como objetivo, buscou-se mapear os tipos de evidências disponíveis na literatura sobre as relações entre coping e bem-estar no contexto de trabalho a partir de uma revisão de escopo, que abarcou a literatura nacional e internacional.

Método

Para alcançar o objetivo proposto, foi realizada uma revisão de escopo de literatura, que possibilita o mapeamento dos conceitos-chave que sustentam uma área de pesquisa e as principais fontes e tipos de evidências disponíveis (Arksey & O’Malley, 2005). Sua realização cumpriu as seguintes etapas: formulação de questões; criação de protocolo; busca sistemática; seleção dos estudos; avaliação dos estudos; extração dos dados; síntese dos estudos; e escrita da revisão. Para organizar e resumir as principais informações dos artigos selecionados, foi construída uma matriz de revisão (Goldman & Schmalz, 2004). O método PRISMA extensivo às scoping reviews - PRISMA - ScR (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews) (Tricco et al, 2018) foi adotado. Todas as etapas foram realizadas de forma independente pelo (a) primeiro (a) autor (a); os (as) demais pesquisadores (as) realizaram a revisão teórica e empírica do estudo.

O levantamento foi feito em março de 2022 nas bases de dados Scopus; PubMed (National Library of Medicine); SciELO (Scientific Eletronic Library Online); e Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), escolhidas por abrangerem diversas disciplinas, tendo em vista que a temática é abordada em diferentes campos do conhecimento, como saúde e humanas. Realizou-se pesquisa booleana com os descritores (“coping”) AND (“wellbeing” OR “well being”) AND (“worker” OR “professional” OR “occupational” OR “work” OR “job” OR “labor” OR “employment”). Os termos foram pesquisados nos idiomas inglês e português, para possibilitar abrangência nacional e internacional e a busca foi restrita ao título do artigo, resumo e palavras-chave, com o objetivo de aumentar a sua precisão, incluindo artigos em inglês, português e espanhol. O período de publicação consistiu nos últimos dez anos (2012 a 2021), a fim de abarcar as evidências mais recentes sobre a temática. Nesta primeira fase da coleta, foram identificados 4.061 artigos. Após a exclusão dos estudos duplicados (n=761), foi feita a leitura dos títulos e resumos dos artigos pré-selecionados (n=3.300), considerando os seguintes critérios de inclusão: a) idioma inglês, português ou espanhol; b) artigos científicos empíricos quantitativos; c) foco no contexto de trabalho e/ou trabalhadores saudáveis - sem pré-condições de saúde específicas (exemplo estudo com trabalhadores diabéticos); d) população adulta de trabalhadores; e e) publicação completa disponível no formato eletrônico, totalizando 613 artigos avaliados de acordo com os critérios de exclusão. A Figura 1 apresenta o fluxograma desta revisão.

Figura 1: Fluxograma de busca e seleção dos artigos 

Após a aplicação dos critérios de exclusão, 44 artigos foram analisados, compondo a amostra final deste estudo, conforme apresentado na Tabela 1. Após a leitura completa dos artigos, foi realizada a análise temática (Braun & Clarke, 2006), considerando os seguintes eixos de análise: desenho da pesquisa (e.g., transversal), público-alvo (categoria profissional), instrumentos e suas bases teóricas, principal análise estatística realizada (e.g., análise de correlação) e conclusão, por possibilitarem verificar suas principais características. Para análise dos instrumentos de coping adotou-se as categorias gerais CFP, CFE e CFEv já que abarcam diversos subtipos de estratégias de enfrentamento; para os instrumentos de bem-estar, optou-se por adotar os conceitos de BES (afetos e/ou satisfação) e BEP (aspectos relacionados às potencialidades humanas), pois são os mais influentes no campo.

Tabela 1: Síntese principais características dos estudos analisados 

Autor (es), ano Desenho de pesquisa Categoria profissional Instrumentos - Coping / Bem-estar
1 McFadden et al., 2021 Transversal Saúde e Serviço social (n = 3425) Brief COPE (Carver, 1997); 15-item Clark et al. (2014) / Short Warwick Edinburgh Mental Wellbeing Scale (Stewart-Brown et al, 2009)
2 Finuf et al., 2021 Transversal Saúde (n = 44) Cybernetic Coping Scale (Guppy et al., 2004) / BBC Subjective Well-being scale (Pontin et al., 2013).
3 Murphy et al., 2021 Transversal Saúde (n = 130) 15-item Coping and Adaptation Scale - short form (CAPS-SF) (Roy et al., 2016) / Spiritual Health And Life Orientation Measure (Fisher, 2010).
4 Dimunová et al. Transversal Saúde (n = 509) Brief COPE (Carver, 1997) / Personal Wellbeing Index - Adult - PWI-A (International Wellbeing Group, 2013)
5 Russo et al., 2021 Longitudinal Tecnologia da informação (n = 192) Brief COPE (Carver, 1997) / Satisfaction with Life Scale - SWLS (Diener et al., 1985)
6 Lanivich et al., 2021 Transversal Diversas Resource-induced Coping Heuristic (Lanivich, 2015) / Satisfação no trabalho - 1 item (Camman et al., 1983); Bem - estar financeiro (ad hoc) - 4 itens
7 Ni’matuzahroh et al., 2021 Transversal Saúde (n = 146) Brief-COPE (Carver, 1997)/ Psychological Well-being Scale (Ryff, 1989)
8 Ng et al., 2021 Transversal Diversas (n = 546) Fazer desejos (ad hoc) / Satisfação no trabalho (Iverson et al., 1998)
9 Tandler et al., 2020 Transversal Diversas (n = 372) Stress Coping Questionnaire (Erdmann & Janke, 2008)/ Job Diagnostic Survey (JDS; Hackman & Oldham, 1975).
10 Bartone & Bowles, 2020 Transversal Segurança pública (n = 817) Problem Focused Coping Scale (Nowack, 1990)/ Emotional Wellbeing Scale - Work Life Well Being Measure (Bowles, 2014).
11 Ryu et al., 2020 Transversal Segurança pública (n = 112) Ways of Coping (Lazarus & Folkman, 1984; Park & Lee, 1992)/ PANAS (Watson et al., 1988); SWLS (Diener et al., 1985)
12 Stapleton et al., 2020 Transversal Professores (n = 166) Brief COPE (Carver, 1997)/SWLS (Diener et al., 1985); Subjective Happiness Scale - SHS (Lyubomirsky & Lepper, 1999)
13 Keech et al., 2020 Transversal Segurança pública (n = 134) Proactive Under Stress Scale (Keech et al., 2018) / Warwick-Edinburgh Mental Well-being Scale - WEMWBS (Tennant et al., 2007).
14 Piotrowski et al., 2020 Transversal Segurança pública (n = 779) COPE (Carver et al., 1989) / UWES-9 (Schaufeli & Bakker, 2003); BEP - Ladder of Health Scale (Zubaia & Cantril, 1965).
15 Lee et al., 2019 Transversal Saúde (n = 474) Brief COPE (Carver et al., 1989)/PWBS (Ryff & Essex, 1992)
16 Petru & Jarosova, 2019 Transversal Diversas (n = 100) The Coping Resources Inventory - CRI (Marting & Hammer, 1988, 2004) / The Five Factor Wellness Inventory - FFWI (Myers & Sweeney, 2004).
17 Giunchi et al., 2019 Transversal Diversas (n = 769) Specific Coping Strategies (ad hoc) / SWLS (Diener et al., 1985).
18 Smetackova et al., 2019 Transversal Professores (n = 2.394) Stress Coping Style Questionnaire - SVF 78 (Janke & Erdmann, 2003) / Satisfação no trabalho (ad hoc)
19 Rahim, 2019 Transversal Diversas (n = 173) WCC (Lazarus & Folkman, 1984) / Flourishing Scale (Diener et al., 2009).
20 Jang et al., 2019 Transversal Saúde (n = 399) WCC (Folkman & Lazarus, 1985)) / PWB scale (Ryff, 1989)
21 Lyngdoh et al., 2018 Transversal Vendas (n = 334) Escala de enfrentamento do vendedor - adaptada (Lazarus & Folkman, 1984) / Flourishing Scale (Diener et al., 2009)
22 Hewett et al., 2018 Transversal Diversas (n = 3.217) Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ; Pejtersen et al, 2010) / Affective well being (Warr, 1990)
23 Pašková, 2018 Transversal Saúde (n = 240) Coping Strategies Inventory (CSI) (Tobin et al., 1989) / SUPSO questionnaire (Mikšík’s, 2004); SEHP Emotional Habitual Subjective Wellbeing questionnaire (Džuka & Dalbert, 2002).
24 Stauder et al., 2018 Intervenção - pré e pós-teste (questionários) Diversas (n = 89) Life Skills Scale (Hocking et al., 2003) / WHO Wellbeing Questionnaire (Bech et al. 1996) e 1 item - satisfação geral com a vida (ad hoc)
25 Arble et al., 2018 Transversal Saúde (n = 3.656) e segurança pública (n = 917) Itens derivados de grupos focais com socorristas na Suécia - dimensões: exposição ao estresse, bem-estar, suporte social, estilos de coping, uso de substâncias, saúde física e crescimento pós-traumático.
26 Hutchins et al., 2018 Transversal Professores (n = 310) Brief COPE (Carver, 1997) / Job Satisfaction Subscale - Michigan Organizational Assessment Questionnaire (Cammann et al, 1979)
27 Arble & Arnetz, 2017 Transversal Saúde (n = 3.656) Elaborados a partir dos resultados obtidos em grupos focais realizados com profissionais participantes do estudo.
28 Darabi et al., 2017 Transversal Professores (n = 216) Brief COPE (Carver 1997)/ SWLS (Diener et al., 1985); PANAS (Watson et al., 1988)
29 Lu et al., 2016 Transversal Turismo (n = 461) Leisure Coping Strategies (Iwasaki & Mannel, 2000) / Escala de BEP Geral (Grossi, 2006), SWLS - 4 itens (Diener et al., 1985), Satisfação no Trabalho - 4 itens (Rick & Guppy, 1984)
30 Arrogante et al., 2016 Transversal Saúde (n = 208) Brief-Cope (Carver, 1997)/ Psychological Well-Being Scales (Van Dierendonck, 2004)
31 Versey, 2015 Transversal Diversas (n = 2.091) Reavaliação positiva - escala de 4 itens (autor não referido) / Fatores Domínio do ambiente e crescimento pessoal (Ryff & Keyes, 1995) (autor não informado).
32 Stiglbauer e Batinic, 2015 Transversal Diversas (n = 162) ; Professores (n=510) Proactive Coping Subscale (Proactive Coping Inventory; Greenglass, Schwarzer, & Taubert, 1999)
33 Saksvik-Lehouillier, et al., 2015 Transversal Saúde (n = 1.529) Instrumental Mastery Oriented Coping factor - IMOC (Eriksen et al., 1997) / Job Satisfaction Index (Brayfield & Rothe, 1951)
34 Linnabery et al., 2014 Transversal Diversas (n = 188) Self-help Coping subscale (Zuckerman & Gagne, 2003) / Job-role Strain (Bohen e Viveros-Long, 1981); Career Satisfaction (Greenhaus et al., 1990); SWLS (Diener et al., 1985).
35 Cheng, Mauno e Lee, 2014 Transversal Diversas (n = 2.764) Cybernetic Coping Scale (Brough et al., 2005; Guppy et al., 2004) / UWES-9 (Schaufeli et al., 2006); Shirom and Melamed Vigour Measure Scale (Shirom, 2003); Emotional Energy at Home; Kansas Marital Satisfaction Scale (Schumm et al., 1986).
36 van Der Ham et al., 2014 Transversal Trabalho doméstico (n = 500) Lista Estratégias de Coping (escala dicotômica) (fonte não referenciada); Escala de Capacidade Geral de Enfrentamento Percebida no Exterior (fonte não referenciada) / Escala Bem-estar Percebido no Exterior (fonte não referenciada).
37 Thiruchelvi e Supriya, 2012 Transversal Tecnologia da informação (n = 154) Cognitive Coping Strategies Inventory - Revised (CCSIR) (Thorn et al., 2003) / Workplace Wellbeing Index (Page, 2005)
38 Avsec et al., 2012 Transversal Saúde (n = 139) COPE (Carver et al., 1989) - exceto a Escala de Coping Religioso; Emotional Approach Coping Questionnaire - EAC (Stanton et al., 2000) / PANAS (Watson et al., 1988); SWLS (Diener et al.,1985)
39 Briscoe et al., 2012 Transversal Diversas (n = 362) Coping with Change Measure (Judge et al., 1999) / Berkman's Neuroticism Measure (Berkman, 1971)
40 Dehue et al., 2012 Transversal Diversas (n = 361) Coping Style Section - Dutch Occupational Stress Indicator (DOSI) (Spanningsmeter) (Evers et al., 2000) / GHQ (Goldberg, 1972)
41 Mark e Smith, 2012 Transversal Diversas (n = 427) WCC (Folkman & Lazarus, 1980) / Subescala de satisfação da COPSOQ (Kristensen et al., 2005).
42 Tsaur e Tang., 2012 Transversal Turismo - mulheres (n = 308) Regulatory Leisure Coping Styles (Patry et al., 2007) / Job Satisfaction (Anderson et al., 2002); Psychological General Well-Being Index - PGWB-S (Grossi et al., 2006).
43 Parker et al., 2012 Transversal Professores (n = 430) Motivation and Engagement Scale-Work - MES-W (Martin, 2007) / Escalas que avaliam diversas dimensões (e.g., satisfação no trabalho e flutuabilidade no local de trabalho) (Martin, 2007).
44 O’Driscoll et al., 2012 Transversal Diversas (n = 1700) COPSOQ (Kristensen et al., 2005)/BES (Warr, 1990)

Resultados e discussão

No primeiro eixo de análise, desenho da pesquisa, houve a predominância do método transversal (n=42), com a realização de levantamento/survey. Apenas um estudo realizou intervenção, a qual teve como objetivo melhorar as habilidades de coping, com pré e pós-teste (sem grupo controle), e um estudo utilizou o desenho longitudinal (com duas ondas separadas por duas semanas). A predominância do desenho transversal também foi observada na revisão conduzida por Muller et al. (2020). A utilização desse delineamento e da técnica de levantamento possibilitam uma coleta de dados mais prática e menos custosa, entretanto, a possibilidade de compreensão de causalidade é menor. Por isso, identifica-se que há espaço na literatura para a realização de mais estudos longitudinais e de intervenção.

Em relação ao público-alvo das pesquisas, as amostras foram compostas por trabalhadores advindos de várias categorias (n=16) ou pertencentes a uma ou duas categorias profissionais específicas (n=28). Ao se considerar o último grupo, observa-se a predominância de pesquisas com profissionais de cuidados com a saúde (incluindo bombeiros) (n=13), coerente com revisões anteriores (Melo et al., 2016; Muller et al., 2020). Em seguida, pode-se identificar estudos com professores (n=6) e profissionais vinculados à segurança pública (como policiais) (n=5). Essas categorias são comumente identificadas como expostas a diversos estressores; adicionalmente, o bem-estar dos profissionais de saúde ganhou destaque nos últimos dois anos devido às demandas provenientes da pandemia da COVID-19, o que também pode ter contribuído com o maior número de estudos.

No terceiro eixo de análise, pôde-se observar que o conceito de coping proposto pelo modelo transacional foi o adotado de forma mais frequente (n=18). Porém, a escala desenvolvida por Folkman e Lazarus (1985), a Ways of Coping Checklist - WCC, foi utilizada em apenas dois estudos, contrastando com a revisão dos estudos sobre coping relacionado ao trabalho feita por Melo et al. (2016), que verificaram a predominância do uso dessa escala no contexto nacional. A proposta teórica de Carver et al. (1989) também foi bastante utilizada (n=9), bem como as escalas derivadas deste modelo, a Coping Orientation to Problems Experienced - COPE (Carver et al., 1989) (n=2) e a sua versão reduzida, a Brief COPE (Carver, 1997) (n=9). Esta abordagem do coping é congruente com o modelo transacional, sendo a COPE desenvolvida a partir do modelo de estresse de Lazarus e do modelo de autorregulação. Notadamente, os autores operacionalizam o construto a partir de dimensões específicas que compõem o CFP, como enfrentamento ativo e planejamento; o CFE, como busca de apoio social emocional e negação; e as respostas de coping comprovadamente pouco úteis, como negação (Carver et al., 1989; Gonçalves-Câmara et al., 2019). Em meta-análise sobre as escalas de coping, Kato (2015) observou que a COPE foi a mais empregada em artigos publicados no período de 1998 a 2010, no idioma inglês, de modo que os dados aqui encontrados indicam que essa tendência se mantém.

Nos demais estudos, as escalas utilizadas se assemelham às propostas por Carver et al. (1989) e Folkman e Lazarus (1985), considerando as estratégias CFP e CFE, porém operacionalizadas de forma diferente. Outra classificação do coping também referida na literatura diz respeito às estratégias de aproximação (lidar diretamente com o estressor ou as emoções relacionadas, correspondentes ao CFP e ao CFE, respectivamente) e de evitação (escapar da ameaça ou das emoções relacionadas) (Dewe et al., 2012; Gonçalves-Câmara et al, 2019), e que também embasam os modelos teóricos e medidas adotadas nos estudos selecionados. Em suma, apesar da diversidade de escalas adotadas, todas incluem tipos de coping que incorporam as categorias gerais CFP, CFE e CFEv.

Já a diversidade de escalas utilizadas para mensurar o bem-estar, que deriva das variadas concepções sobre esse fenômeno, pode estar relacionada à atualidade das suas investigações. Tal aspecto também foi identificado por Carneiro e Bastos (2020) ao analisarem conceitual e empiricamente o “bem-estar no trabalho” considerando a literatura nacional. Esses autores constataram a existência de diversas nomenclaturas alusivas ao fenômeno e, de forma concomitante, o uso de uma mesma nomenclatura para definições diferentes. A proliferação de construtos traz consequências negativas para o campo científico, como a obstrução do desenvolvimento de teorias organizacionais parcimoniosas e a dificuldade de criar conhecimento cumulativo (Shaffer et al., 2016). Assim, é importante ponderar na escolha do construto a ser investigado, tendo em conta aspectos como clareza conceitual e a possível sobreposição com outros constructos.

Ao se considerar as características tanto do conceito adotado quanto do instrumento utilizado para sua mensuração, verificou-se que a perspectiva do BES (afetos e/ou satisfação com a vida e/ou o trabalho) predominou (n=31), seja de forma exclusiva (n=20), seja em conjunto com outros construtos como BEP (n=6), engajamento (n=2) e saúde geral (n=3), e ainda a partir da avaliação do fenômeno direcionado especificamente ao trabalho (n=7). As escalas adotadas com maior frequência foram a Satisfaction with Life Scale (SWLS), de Diener et al. (1985) (n=4) e a Positive and Negative Affect Schedule (PANAS) (Watson et al., 1988) (n=3). As demais, apesar de diferentes, avaliam as mesmas dimensões, afetos e/ou satisfação. Além disso, muitos estudos utilizaram mais de um instrumento. O BES apresenta evidências empíricas que ratificam o modelo teórico proposto (Diener et al., 2017), e pesquisas recentes apontam que a maioria das medidas usadas sobre bem-estar estão embasadas nessa perspectiva (Carneiro & Bastos, 2020; Linton et al., 2016).

O BEP, a partir da abordagem de Ryff e Keyes (1995), também foi adotado em alguns dos estudos (n=7), que, em sua maioria (n=5), utilizaram a Psychological Well-Being Scale, desenvolvida por esses autores. Esse instrumento é composto por subescalas referentes às seis dimensões que compõem o BEP; evidências empíricas também sustentam o modelo teórico deste construto, conforme apontado por Ryff (2018). Vale ressaltar que a referida escala mensura o bem-estar de forma geral, sem considerar especificidades do contexto de trabalho, assim como a SWLS e a PANAS, que têm como base a perspectiva do BES. Quanto a essa característica, Linton et al. (2016) ressaltam que instrumentos de bem-estar que avaliam dimensões específicas são mais apropriados para uma avaliação focada. Nessa mesma ótica, Carneiro e Bastos (2020) afirmam que é muito comum a utilização de medidas gerais de bem-estar no campo das organizações e do trabalho, mesmo havendo evidências da maior eficácia de medidas contextualizadas. Os resultados do presente estudo coadunam com essa análise.

Foi observada também a utilização do construto engajamento como indicador de bem-estar (n=3), com a adoção, de forma predominante, da medida Utretch Work Engagement Scale (UWES 9, versão curta) (Schaufeli, Bakker & Salanova, 2006) (n=2), que se baseia na definição de engajamento no trabalho enquanto vigor, dedicação e concentração (Schaufeli, 2018). Apesar de esse conceito se relacionar com o de bem-estar, Schaufeli (2018) destaca que os dados empíricos indicam que o engajamento expressa um estado psicológico singular, não se sobrepondo ao bem-estar. Os demais estudos (n=9) utilizaram conceitos e medidas diversas como florescimento, saúde geral e depressão (níveis baixos). A diversidade de conceitos e medidas de bem-estar também foi relatada em outros estudos de revisão sobre o tema (e.g. Carneiro & Bastos, 2020; Hirschle & Gondim, 2020).

Em suma, os estudos analisados tenderam a focalizar aspectos atinentes ao BES, com a maioria das escalas utilizadas avaliando os afetos e/ou a satisfação com a vida/trabalho. O BEP também foi adotado, mas, em uma quantidade inferior de estudos. Isso expõe a tendência das pesquisas que avaliam o coping em considerar o bem-estar como um fenômeno composto por afetos e satisfação com a vida, congruente com a perspectiva hedônica.

Por esse ângulo, é importante advertir sobre a busca pelo alcance do BES. Embora o humor positivo e a satisfação com a vida tenham benefícios, a felicidade intensa e constante não é necessariamente desejável; pode ser mais benéfico ficar apenas acima do ponto neutro na maior parte do tempo (Diener et al., 2017). Friedman e Kern (2014), ao questionarem relações diretas entre humor positivo e saúde e longevidade, ressaltam que buscar a felicidade emocional por si só pode levar ao desapontamento e impedir o bem-estar. Assim, intervenções que busquem aumentar o BES devem levar em consideração um nível adequado de afetos positivos, não os superestimando.

Já considerando as análises estatísticas realizadas pelos estudos, foi possível identificar que a maioria (n=40) investigou o papel mediador e/ou moderador do coping na relação entre uma variável antecedente e a variável bem-estar, considerada como consequente. Esse dado reforça proposições teóricas acerca da relação entre coping e bem-estar (Folkman, 1997) e a tendência das pesquisas em avaliar esse formato de relação (Kato, 2015; Hirschle & Gondim, 2020), em que o bem-estar é considerado como sendo influenciado pela estratégia adotada.

Entretanto, dois estudos relataram a relação inversa, ou seja, o impacto do bem-estar sobre o coping. A reciprocidade existente entre coping e bem-estar já foi apontada por Folkman (1997), ao expor que os processos de coping geram estados psicológicos positivos e estes últimos podem ajudar a sustentar novos esforços de coping focados no problema e na emoção ao lidar com uma condição estressante crônica. Assim, processos de reavaliação positiva, por exemplo, podem ajudar o indivíduo a redefinir e focar no significado positivo, o que pode motivá-lo a se engajar novamente nos esforços para lidar com o estressor contínuo, e o afeto positivo pode energizar o comportamento focado no problema (Folkman, 1997). Esse tipo de relação, em que o bem-estar influencia o coping, deve ser melhor investigada.

Considerando o coping como variável mediadora ou moderadora, variáveis diversas foram eleitas como antecedentes da sua relação com o bem-estar. Dentre elas estão estresse no trabalho (n=5) e conflito trabalho-família (n=2), classificadas como demandas de trabalho; e inteligência emocional (n=1), e suporte social (n=1), classificadas como recursos pessoais e de trabalho, respectivamente. As demandas são aspectos do trabalho que requerem esforço físico e/ou psicológico, enquanto os recursos do trabalho contribuem para atingir as metas, reduzir as demandas e os custos associados. Os recursos pessoais consistem nas autoavaliações positivas relacionadas ao sentimento de sua capacidade de controlar e impactar seu ambiente com sucesso (Bakker et al., 2023).

Verifica-se que a quantidade de estudos que incluíram apenas demandas de trabalho nos modelos testados foi bem maior (n=23) que a quantidade de estudos que incluíram tanto demandas quanto recursos (n=10) e somente recursos (n=7). Este resultado pode estar relacionado ao fato de as demandas serem caracterizadas como estressores, pois o coping está intrinsecamente relacionado ao processo de estresse (Lazarus & Folkman, 1984). Entretanto, enquanto as demandas de trabalho são consideradas os preditores mais importantes de resultados negativos, como a exaustão, os recursos são considerados os preditores mais importantes de resultados positivos, como prazer, motivação e envolvimento no trabalho (Bakker et al., 2023). Tendo isso em conta, o entendimento mais claro e preciso da relação entre coping e bem-estar (resultado positivo) deve levar em consideração a interação entre esses dois conjuntos de características.

Os principais resultados identificados nos estudos analisados apontam que, de forma geral, lidar diretamente com o estressor parece contribuir com o bem-estar, tanto em seus aspectos afetivos, quanto em relação à satisfação (geral ou com o trabalho) e ao desenvolvimento das potencialidades humanas. Entretanto, em situações de cronicidade e maior nível de estresse, como a vivência recorrente de bullying (e.g Dehue et al, 2012; Giunch, 2019; Hewett et al, 2016), as estratégias ativas não contribuem com o bem-estar, podendo até prejudicá-lo. Já as estratégias que manejam os sintomas do estresse, apesar de serem majoritariamente efetivas, o abuso de substâncias e a auto culpabilização impactam de forma negativa o bem-estar. As estratégias de evitação tendem a ser mais prejudiciais, principalmente em situações controláveis (e.g. Peta et al., 2020); já em algumas situações não controláveis, podem contribuir com o bem-estar (e.g. Ryu et al, 2020). Tais dados corroboram as reflexões de Kato (2015), que identificou estratégias como enfrentamento ativo e busca de apoio social instrumental, que se enquadram teoricamente como CFP, correlacionadas significativamente com um alto nível de bem-estar. Já estratégias relacionadas tanto à evitação quanto ao CFE, como negação ou desligamento mental, apresentaram relação inversa (Kato, 2015). Esses achados também são corroborados por revisões anteriores sobre o coping vinculado ao trabalho (Antoniolli et al., 2022; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021) que apontam para a eficácia das estratégias relacionadas ao CFP na redução dos sintomas de estresse e para a baixa efetividade das estratégias de evitação.

Conclusão

A presente revisão de escopo apresentou uma síntese das principais características e resultados dos estudos recentes sobre coping e bem-estar no trabalho, contribuindo em nível teórico e prático na medida em que expôs os conceitos consensualmente adotados para os fenômenos, as análises estatísticas mais utilizadas para investigar as relações entre eles e a direção dessas relações, apontando as estratégias de coping que tendem a ser mais adaptativas (i.e., favoráveis à vivência do bem-estar subjetivo e/ou psicológico) para situações de trabalho específicas. Em relação ao coping, verificou-se certa homogeneidade nas escalas e modelos teóricos adotados, com predomínio das propostas de Carver et al (1989) e Lazarus e Folkman (1984). Mesmo nas pesquisas que referiram modelos diversos da perspectiva transacional, estes se vinculavam à sua proposta, diferenciando-se pela operacionalização do construto. Por outro lado, as escalas utilizadas para mensurar o bem-estar foram mais diversas e numerosas. Essa diferença pode estar atrelada à consolidação do campo de estudo do coping, que vem sendo estudado há mais tempo, em relação ao do bem-estar, que é relativamente recente.

Suprindo uma lacuna de revisões de literatura anteriores (e.g., Antoniolli et al., 2022; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021) que não focavam em experiências positivas, foi possível avançar na compreensão do coping relacionado ao bem-estar, identificando características específicas dessas relações no contexto de trabalho que podem subsidiar intervenções com esse enfoque. De forma específica, os resultados indicaram que o coping é abordado, majoritariamente, a partir das categorias funcionais foco no problema, foco na emoção e coping evitativo, enquanto o bem-estar tem sido analisado principalmente através da perspectiva hedônica, que enfoca os aspectos avaliativos e afetivos do fenômeno (satisfação e afetos). As estratégias de coping ativas tendem a associar-se à vivência de bem-estar, exceto diante de demandas intensas, crônicas e/ou de difícil resolução (e.g., bullying). Nesses casos, é necessário que a organização atue diretamente por meio de medidas que inibam e/ou interrompam esse tipo de demanda e afins (e.g., assédio moral), já que individualmente o profissional tem restritas possibilidades de alteração da situação e suas consequências. Assim, a organização pode tentar minimizar o adoecimento relacionado ao trabalho e facilitar a vivência de bem-estar a partir de medidas contra assédio moral, bullying e discriminação, para citar exemplos. As estratégias que focam o manejo das emoções (e.g., relaxamento) também parecem contribuir com o bem-estar; porém, a esquiva em relação às emoções (e.g., negação) pode prejudicá-lo, já que essas emoções são suprimidas temporariamente, podendo ser vivenciadas novamente de forma mais intensa. Essa mesma lógica se aplica ao uso do coping evitativo, pois não soluciona e/ou não possibilita a reinterpretação do problema, mas leva à esquiva temporária dele. Esses resultados estão coerentes com a literatura sobre coping no contexto de trabalho (e.g., Antoniolli et al., 2022; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021), o que permite afirmar que o coping associa-se tanto a resultados negativos, como burnout - foco tradicional dos estudos -, quanto a resultados positivos, como o bem-estar no trabalho (afetos positivos, satisfação e aspectos vinculados às potencialidades humanas). Esses resultados apontam para a importância deste fenômeno nas pesquisas que buscam compreender a vivência de experiências positivas no contexto laboral. Ressalta-se que estes resultados dizem respeito ao contexto de trabalho, que possui características peculiares que podem auxiliar ou prejudicar o emprego do coping.

É importante apontar aspectos ainda pouco explorados nas pesquisas, como a testagem de modelos complexos, que explorem o papel de moderação e/ou mediação do coping na relação entre variáveis favoráveis ao bem-estar, como os recursos de trabalho e o bem-estar no trabalho. Além disso, salienta-se que o predomínio de análises que consideram características do trabalho potencialmente estressoras, ou seja, as demandas, o que possibilita o gerenciamento focado desses aspectos no contexto laboral para prevenção do adoecimento não é suficiente para promover o bem-estar, que exige o reconhecimento das características propulsoras destas experiências positivas.

Aponta-se a necessidade de que pesquisas futuras investiguem de forma mais aprofundada e diversificada as relações entre coping e bem-estar, utilizando, por exemplo, testes de predição em que o bem-estar seja considerado como antecedente e análises de possíveis relações não-lineares entre essas variáveis. Os estudos aqui analisados apontam o coping como preditor do bem-estar, entretanto, é importante investigar outras formas de associação, já que poucos estudos consideraram o bem-estar como antecedente do coping e proposições teóricas defendem um modelo cíclico, com influência mútua entre os fenômenos (Folkman, 1997). Sugere-se também a inclusão, em um mesmo modelo teórico-empírico a ser testado, além das variáveis classificadas como demandas, variáveis consideradas como recursos, os quais têm a função de promover o bem-estar e atenuar o impacto das demandas. Não menos importante, a utilização de outros desenhos de estudo, como o longitudinal, e a avaliação de programas, podem aumentar a fidedignidade dos resultados encontrados sobre a relação entre coping e bem-estar.

Como limitações desse estudo, o período de publicação das pesquisas, delimitado aos últimos dez anos, as bases de dados escolhidas e a exclusão da literatura cinza, podem ter omitido outros estudos também relevantes sobre a temática, com desenhos de pesquisa e métodos diversos, além de amostras diferentes. Apesar disso, foi possível obter um panorama geral das pesquisas sobre a temática.

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Recebido: 01 de Março de 2023; Revisado: 24 de Outubro de 2023; Aceito: 09 de Novembro de 2023

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