O interesse, tanto da esfera acadêmica quanto da esfera aplicada, pela compreensão de como as pessoas lidam com situações adversas ou estressoras e suas consequências não é recente. No contexto de trabalho, o coping - estratégia de enfrentamento do estresse - tem sido investigado (Van den Brande, 2020) em razão dos estressores presentes e das consequências decorrentes para a saúde no trabalho.
Coping, de forma geral, consiste nas estratégias utilizadas pelos indivíduos para se adaptar às demandas com que se deparam em situações específicas. De acordo com a principal perspectiva que aborda o tema, a transacional, é definido como esforços cognitivos e comportamentais direcionados a demandas externas e/ou internas avaliadas como excessivas para os recursos do indivíduo (Folkman & Lazarus, 1980; Lazarus & Folkman, 1984).
A abordagem transacional propõe dois tipos de estratégias de coping: o coping focado na emoção (CFE), que diz respeito à utilização de pensamentos e ações para lidar com os sintomas do estresse; e o coping focado no problema (CFP), que se refere ao gerenciamento do problema que causa o estresse. Posteriormente, foi adicionado ao modelo (Folkman, 1997) o coping focado no significado (CFS), que sustenta o bem-estar através da regulação das emoções positivas (Dias & Pais-Ribeiro, 2019; Folkman, 1997). Essa categoria, entretanto, não tem sido considerada separada das demais, sendo identificadas apenas as duas dimensões propostas incialmente na maioria dos estudos que adotam o construto.
Outras perspectivas sobre o coping também foram desenvolvidas (e.g. Aspinwall & Taylor, 1997; Carver et al., 1989; Latack, 1986; Moos & Holahan, 2003) enfatizando aspectos diferentes desse fenômeno e, por consequência, operacionalizando-o de forma diversa. Mas, em geral, as classificações CFP e CFE acabam por incluir essas diversas estratégias, e funcionam como categorias gerais. Outra dimensão bastante identificada na literatura e que merece destaque é o coping focado na evitação (CFEv), que consiste na evitação da situação estressora e/ou das emoções dela decorrentes (Dewe et al., 2012; Gonçalves-Câmara et al, 2019). Esse tipo de coping se contrapõe ao coping de aproximação, em que tanto o CFP quanto o CFE podem ser incluídos, contemplando estratégias não inseridas nessas categorias.
É importante ressaltar que a utilização da estratégia de coping pode ser efetiva ou não, a depender do contexto em que está sendo empregada, como o nível de controle da situação (Dias & Pais-Ribeiro, 2019). A efetividade no uso do coping pode consistir tanto na prevenção dos sintomas decorrentes do estresse vivenciado, quanto na vivência de aspectos positivos. Nesse sentido, Demerouti (2018) aponta que o coping é um preditor de saúde e de resultados motivacionais o que indica, por exemplo, que o enfrentamento mais ativo da situação pode mitigar o efeito negativo das demandas a que a pessoa é exposta, evitando sintomas de burnout, ao mesmo tempo em que pode promover estados afetivos positivos, como o bem-estar. Estes indicadores de saúde também podem impactar o coping.
Apesar das evidências da relação entre coping e indicadores de saúde, como o bem-estar, as revisões das pesquisas que abordam estas associações, tanto no âmbito nacional quanto no internacional, focalizam categorias ocupacionais específicas e/ou não pormenorizam as relações entre coping e resultados positivos (e.g. Antoniolli et al., 2022; Hirschle & Gondim, 2020; Friganovic et al., 2019; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021; Souza et al., 2018). Esse quadro enseja a investigação mais detalhada dessas relações, como a identificação dos conceitos e das medidas utilizadas para analisar os fenômenos, o que pode proporcionar informações relevantes para intervenções que promovam o bem-estar.
O bem-estar é um dos principais construtos pesquisados na literatura relacionada à Psicologia Positiva (Ackerman et al, 2018), com ampla repercussão no campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT). Diversas definições deste construto podem ser identificadas, tanto de uma perspectiva mais positiva, a partir da presença de fatores positivos (como vitalidade), quanto de maneira inversa, ao considerar ausência e/ou níveis baixos de adoecimento (como baixo nível de ansiedade). Porém, as abordagens mais influentes sobre o bem-estar têm sido a perspectiva hedônica, que o considera composto por prazer ou felicidade - o bem-estar subjetivo (BES) -, e a perspectiva eudaimônica, em que o foco é na realização das potencialidades humanas, o bem-estar psicológico (BEP) (Cooke et al., 2016). O BES é definido como a avaliação geral das pessoas sobre suas vidas e experiências emocionais, o que inclui avaliações amplas como satisfação com a vida e sentimentos/emoções específicas (como afeto positivo e baixo afeto negativo) que refletem como as pessoas estão reagindo aos eventos e circunstâncias da vida (Diener et al, 2017). Já o conceito de BEP inclui múltiplos aspectos do bem-estar, relacionados ao desenvolvimento das potencialidades humanas, que, em conjunto, indicam o nível individual de BEP (Ryff & Keyes, 1995; Ryff, 2014), a citar: a) Autonomia: Autodeterminação e independência; b) Domínio do ambiente: Senso de domínio e competência na gestão do meio ambiente; c) Crescimento pessoal: Sensação de desenvolvimento contínuo; d) Relacionamento positivo com os outros: Possuir relacionamentos afetuosos, satisfatórios e de confiança; e) Propósito na vida: Ter objetivos na vida e um senso de direção; e f) Autoaceitação: Atitude positiva em relação a si mesmo.
Dada a importância do coping nos processos de saúde, já bem documentada, e a concomitante escassez de estudos integrativos sobre coping e processos positivos, com a predominância de pesquisas que o avaliam em relação a resultados/indicadores negativos de saúde (como burnout, depressão e estresse), este estudo buscou responder ao seguinte problema de pesquisa: Quais as evidências disponíveis na literatura sobre a relação entre coping e bem-estar no contexto de trabalho? Como objetivo, buscou-se mapear os tipos de evidências disponíveis na literatura sobre as relações entre coping e bem-estar no contexto de trabalho a partir de uma revisão de escopo, que abarcou a literatura nacional e internacional.
Método
Para alcançar o objetivo proposto, foi realizada uma revisão de escopo de literatura, que possibilita o mapeamento dos conceitos-chave que sustentam uma área de pesquisa e as principais fontes e tipos de evidências disponíveis (Arksey & O’Malley, 2005). Sua realização cumpriu as seguintes etapas: formulação de questões; criação de protocolo; busca sistemática; seleção dos estudos; avaliação dos estudos; extração dos dados; síntese dos estudos; e escrita da revisão. Para organizar e resumir as principais informações dos artigos selecionados, foi construída uma matriz de revisão (Goldman & Schmalz, 2004). O método PRISMA extensivo às scoping reviews - PRISMA - ScR (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews) (Tricco et al, 2018) foi adotado. Todas as etapas foram realizadas de forma independente pelo (a) primeiro (a) autor (a); os (as) demais pesquisadores (as) realizaram a revisão teórica e empírica do estudo.
O levantamento foi feito em março de 2022 nas bases de dados Scopus; PubMed (National Library of Medicine); SciELO (Scientific Eletronic Library Online); e Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), escolhidas por abrangerem diversas disciplinas, tendo em vista que a temática é abordada em diferentes campos do conhecimento, como saúde e humanas. Realizou-se pesquisa booleana com os descritores (“coping”) AND (“wellbeing” OR “well being”) AND (“worker” OR “professional” OR “occupational” OR “work” OR “job” OR “labor” OR “employment”). Os termos foram pesquisados nos idiomas inglês e português, para possibilitar abrangência nacional e internacional e a busca foi restrita ao título do artigo, resumo e palavras-chave, com o objetivo de aumentar a sua precisão, incluindo artigos em inglês, português e espanhol. O período de publicação consistiu nos últimos dez anos (2012 a 2021), a fim de abarcar as evidências mais recentes sobre a temática. Nesta primeira fase da coleta, foram identificados 4.061 artigos. Após a exclusão dos estudos duplicados (n=761), foi feita a leitura dos títulos e resumos dos artigos pré-selecionados (n=3.300), considerando os seguintes critérios de inclusão: a) idioma inglês, português ou espanhol; b) artigos científicos empíricos quantitativos; c) foco no contexto de trabalho e/ou trabalhadores saudáveis - sem pré-condições de saúde específicas (exemplo estudo com trabalhadores diabéticos); d) população adulta de trabalhadores; e e) publicação completa disponível no formato eletrônico, totalizando 613 artigos avaliados de acordo com os critérios de exclusão. A Figura 1 apresenta o fluxograma desta revisão.
Após a aplicação dos critérios de exclusão, 44 artigos foram analisados, compondo a amostra final deste estudo, conforme apresentado na Tabela 1. Após a leitura completa dos artigos, foi realizada a análise temática (Braun & Clarke, 2006), considerando os seguintes eixos de análise: desenho da pesquisa (e.g., transversal), público-alvo (categoria profissional), instrumentos e suas bases teóricas, principal análise estatística realizada (e.g., análise de correlação) e conclusão, por possibilitarem verificar suas principais características. Para análise dos instrumentos de coping adotou-se as categorias gerais CFP, CFE e CFEv já que abarcam diversos subtipos de estratégias de enfrentamento; para os instrumentos de bem-estar, optou-se por adotar os conceitos de BES (afetos e/ou satisfação) e BEP (aspectos relacionados às potencialidades humanas), pois são os mais influentes no campo.
Tabela 1: Síntese principais características dos estudos analisados
| Autor (es), ano | Desenho de pesquisa | Categoria profissional | Instrumentos - Coping / Bem-estar |
| 1 McFadden et al., 2021 | Transversal | Saúde e Serviço social (n = 3425) | Brief COPE (Carver, 1997); 15-item Clark et al. (2014) / Short Warwick Edinburgh Mental Wellbeing Scale (Stewart-Brown et al, 2009) |
| 2 Finuf et al., 2021 | Transversal | Saúde (n = 44) | Cybernetic Coping Scale (Guppy et al., 2004) / BBC Subjective Well-being scale (Pontin et al., 2013). |
| 3 Murphy et al., 2021 | Transversal | Saúde (n = 130) | 15-item Coping and Adaptation Scale - short form (CAPS-SF) (Roy et al., 2016) / Spiritual Health And Life Orientation Measure (Fisher, 2010). |
| 4 Dimunová et al. | Transversal | Saúde (n = 509) | Brief COPE (Carver, 1997) / Personal Wellbeing Index - Adult - PWI-A (International Wellbeing Group, 2013) |
| 5 Russo et al., 2021 | Longitudinal | Tecnologia da informação (n = 192) | Brief COPE (Carver, 1997) / Satisfaction with Life Scale - SWLS (Diener et al., 1985) |
| 6 Lanivich et al., 2021 | Transversal | Diversas | Resource-induced Coping Heuristic (Lanivich, 2015) / Satisfação no trabalho - 1 item (Camman et al., 1983); Bem - estar financeiro (ad hoc) - 4 itens |
| 7 Ni’matuzahroh et al., 2021 | Transversal | Saúde (n = 146) | Brief-COPE (Carver, 1997)/ Psychological Well-being Scale (Ryff, 1989) |
| 8 Ng et al., 2021 | Transversal | Diversas (n = 546) | Fazer desejos (ad hoc) / Satisfação no trabalho (Iverson et al., 1998) |
| 9 Tandler et al., 2020 | Transversal | Diversas (n = 372) | Stress Coping Questionnaire (Erdmann & Janke, 2008)/ Job Diagnostic Survey (JDS; Hackman & Oldham, 1975). |
| 10 Bartone & Bowles, 2020 | Transversal | Segurança pública (n = 817) | Problem Focused Coping Scale (Nowack, 1990)/ Emotional Wellbeing Scale - Work Life Well Being Measure (Bowles, 2014). |
| 11 Ryu et al., 2020 | Transversal | Segurança pública (n = 112) | Ways of Coping (Lazarus & Folkman, 1984; Park & Lee, 1992)/ PANAS (Watson et al., 1988); SWLS (Diener et al., 1985) |
| 12 Stapleton et al., 2020 | Transversal | Professores (n = 166) | Brief COPE (Carver, 1997)/SWLS (Diener et al., 1985); Subjective Happiness Scale - SHS (Lyubomirsky & Lepper, 1999) |
| 13 Keech et al., 2020 | Transversal | Segurança pública (n = 134) | Proactive Under Stress Scale (Keech et al., 2018) / Warwick-Edinburgh Mental Well-being Scale - WEMWBS (Tennant et al., 2007). |
| 14 Piotrowski et al., 2020 | Transversal | Segurança pública (n = 779) | COPE (Carver et al., 1989) / UWES-9 (Schaufeli & Bakker, 2003); BEP - Ladder of Health Scale (Zubaia & Cantril, 1965). |
| 15 Lee et al., 2019 | Transversal | Saúde (n = 474) | Brief COPE (Carver et al., 1989)/PWBS (Ryff & Essex, 1992) |
| 16 Petru & Jarosova, 2019 | Transversal | Diversas (n = 100) | The Coping Resources Inventory - CRI (Marting & Hammer, 1988, 2004) / The Five Factor Wellness Inventory - FFWI (Myers & Sweeney, 2004). |
| 17 Giunchi et al., 2019 | Transversal | Diversas (n = 769) | Specific Coping Strategies (ad hoc) / SWLS (Diener et al., 1985). |
| 18 Smetackova et al., 2019 | Transversal | Professores (n = 2.394) | Stress Coping Style Questionnaire - SVF 78 (Janke & Erdmann, 2003) / Satisfação no trabalho (ad hoc) |
| 19 Rahim, 2019 | Transversal | Diversas (n = 173) | WCC (Lazarus & Folkman, 1984) / Flourishing Scale (Diener et al., 2009). |
| 20 Jang et al., 2019 | Transversal | Saúde (n = 399) | WCC (Folkman & Lazarus, 1985)) / PWB scale (Ryff, 1989) |
| 21 Lyngdoh et al., 2018 | Transversal | Vendas (n = 334) | Escala de enfrentamento do vendedor - adaptada (Lazarus & Folkman, 1984) / Flourishing Scale (Diener et al., 2009) |
| 22 Hewett et al., 2018 | Transversal | Diversas (n = 3.217) | Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ; Pejtersen et al, 2010) / Affective well being (Warr, 1990) |
| 23 Pašková, 2018 | Transversal | Saúde (n = 240) | Coping Strategies Inventory (CSI) (Tobin et al., 1989) / SUPSO questionnaire (Mikšík’s, 2004); SEHP Emotional Habitual Subjective Wellbeing questionnaire (Džuka & Dalbert, 2002). |
| 24 Stauder et al., 2018 | Intervenção - pré e pós-teste (questionários) | Diversas (n = 89) | Life Skills Scale (Hocking et al., 2003) / WHO Wellbeing Questionnaire (Bech et al. 1996) e 1 item - satisfação geral com a vida (ad hoc) |
| 25 Arble et al., 2018 | Transversal | Saúde (n = 3.656) e segurança pública (n = 917) | Itens derivados de grupos focais com socorristas na Suécia - dimensões: exposição ao estresse, bem-estar, suporte social, estilos de coping, uso de substâncias, saúde física e crescimento pós-traumático. |
| 26 Hutchins et al., 2018 | Transversal | Professores (n = 310) | Brief COPE (Carver, 1997) / Job Satisfaction Subscale - Michigan Organizational Assessment Questionnaire (Cammann et al, 1979) |
| 27 Arble & Arnetz, 2017 | Transversal | Saúde (n = 3.656) | Elaborados a partir dos resultados obtidos em grupos focais realizados com profissionais participantes do estudo. |
| 28 Darabi et al., 2017 | Transversal | Professores (n = 216) | Brief COPE (Carver 1997)/ SWLS (Diener et al., 1985); PANAS (Watson et al., 1988) |
| 29 Lu et al., 2016 | Transversal | Turismo (n = 461) | Leisure Coping Strategies (Iwasaki & Mannel, 2000) / Escala de BEP Geral (Grossi, 2006), SWLS - 4 itens (Diener et al., 1985), Satisfação no Trabalho - 4 itens (Rick & Guppy, 1984) |
| 30 Arrogante et al., 2016 | Transversal | Saúde (n = 208) | Brief-Cope (Carver, 1997)/ Psychological Well-Being Scales (Van Dierendonck, 2004) |
| 31 Versey, 2015 | Transversal | Diversas (n = 2.091) | Reavaliação positiva - escala de 4 itens (autor não referido) / Fatores Domínio do ambiente e crescimento pessoal (Ryff & Keyes, 1995) (autor não informado). |
| 32 Stiglbauer e Batinic, 2015 | Transversal | Diversas (n = 162) ; Professores (n=510) | Proactive Coping Subscale (Proactive Coping Inventory; Greenglass, Schwarzer, & Taubert, 1999) |
| 33 Saksvik-Lehouillier, et al., 2015 | Transversal | Saúde (n = 1.529) | Instrumental Mastery Oriented Coping factor - IMOC (Eriksen et al., 1997) / Job Satisfaction Index (Brayfield & Rothe, 1951) |
| 34 Linnabery et al., 2014 | Transversal | Diversas (n = 188) | Self-help Coping subscale (Zuckerman & Gagne, 2003) / Job-role Strain (Bohen e Viveros-Long, 1981); Career Satisfaction (Greenhaus et al., 1990); SWLS (Diener et al., 1985). |
| 35 Cheng, Mauno e Lee, 2014 | Transversal | Diversas (n = 2.764) | Cybernetic Coping Scale (Brough et al., 2005; Guppy et al., 2004) / UWES-9 (Schaufeli et al., 2006); Shirom and Melamed Vigour Measure Scale (Shirom, 2003); Emotional Energy at Home; Kansas Marital Satisfaction Scale (Schumm et al., 1986). |
| 36 van Der Ham et al., 2014 | Transversal | Trabalho doméstico (n = 500) | Lista Estratégias de Coping (escala dicotômica) (fonte não referenciada); Escala de Capacidade Geral de Enfrentamento Percebida no Exterior (fonte não referenciada) / Escala Bem-estar Percebido no Exterior (fonte não referenciada). |
| 37 Thiruchelvi e Supriya, 2012 | Transversal | Tecnologia da informação (n = 154) | Cognitive Coping Strategies Inventory - Revised (CCSIR) (Thorn et al., 2003) / Workplace Wellbeing Index (Page, 2005) |
| 38 Avsec et al., 2012 | Transversal | Saúde (n = 139) | COPE (Carver et al., 1989) - exceto a Escala de Coping Religioso; Emotional Approach Coping Questionnaire - EAC (Stanton et al., 2000) / PANAS (Watson et al., 1988); SWLS (Diener et al.,1985) |
| 39 Briscoe et al., 2012 | Transversal | Diversas (n = 362) | Coping with Change Measure (Judge et al., 1999) / Berkman's Neuroticism Measure (Berkman, 1971) |
| 40 Dehue et al., 2012 | Transversal | Diversas (n = 361) | Coping Style Section - Dutch Occupational Stress Indicator (DOSI) (Spanningsmeter) (Evers et al., 2000) / GHQ (Goldberg, 1972) |
| 41 Mark e Smith, 2012 | Transversal | Diversas (n = 427) | WCC (Folkman & Lazarus, 1980) / Subescala de satisfação da COPSOQ (Kristensen et al., 2005). |
| 42 Tsaur e Tang., 2012 | Transversal | Turismo - mulheres (n = 308) | Regulatory Leisure Coping Styles (Patry et al., 2007) / Job Satisfaction (Anderson et al., 2002); Psychological General Well-Being Index - PGWB-S (Grossi et al., 2006). |
| 43 Parker et al., 2012 | Transversal | Professores (n = 430) | Motivation and Engagement Scale-Work - MES-W (Martin, 2007) / Escalas que avaliam diversas dimensões (e.g., satisfação no trabalho e flutuabilidade no local de trabalho) (Martin, 2007). |
| 44 O’Driscoll et al., 2012 | Transversal | Diversas (n = 1700) | COPSOQ (Kristensen et al., 2005)/BES (Warr, 1990) |
Resultados e discussão
No primeiro eixo de análise, desenho da pesquisa, houve a predominância do método transversal (n=42), com a realização de levantamento/survey. Apenas um estudo realizou intervenção, a qual teve como objetivo melhorar as habilidades de coping, com pré e pós-teste (sem grupo controle), e um estudo utilizou o desenho longitudinal (com duas ondas separadas por duas semanas). A predominância do desenho transversal também foi observada na revisão conduzida por Muller et al. (2020). A utilização desse delineamento e da técnica de levantamento possibilitam uma coleta de dados mais prática e menos custosa, entretanto, a possibilidade de compreensão de causalidade é menor. Por isso, identifica-se que há espaço na literatura para a realização de mais estudos longitudinais e de intervenção.
Em relação ao público-alvo das pesquisas, as amostras foram compostas por trabalhadores advindos de várias categorias (n=16) ou pertencentes a uma ou duas categorias profissionais específicas (n=28). Ao se considerar o último grupo, observa-se a predominância de pesquisas com profissionais de cuidados com a saúde (incluindo bombeiros) (n=13), coerente com revisões anteriores (Melo et al., 2016; Muller et al., 2020). Em seguida, pode-se identificar estudos com professores (n=6) e profissionais vinculados à segurança pública (como policiais) (n=5). Essas categorias são comumente identificadas como expostas a diversos estressores; adicionalmente, o bem-estar dos profissionais de saúde ganhou destaque nos últimos dois anos devido às demandas provenientes da pandemia da COVID-19, o que também pode ter contribuído com o maior número de estudos.
No terceiro eixo de análise, pôde-se observar que o conceito de coping proposto pelo modelo transacional foi o adotado de forma mais frequente (n=18). Porém, a escala desenvolvida por Folkman e Lazarus (1985), a Ways of Coping Checklist - WCC, foi utilizada em apenas dois estudos, contrastando com a revisão dos estudos sobre coping relacionado ao trabalho feita por Melo et al. (2016), que verificaram a predominância do uso dessa escala no contexto nacional. A proposta teórica de Carver et al. (1989) também foi bastante utilizada (n=9), bem como as escalas derivadas deste modelo, a Coping Orientation to Problems Experienced - COPE (Carver et al., 1989) (n=2) e a sua versão reduzida, a Brief COPE (Carver, 1997) (n=9). Esta abordagem do coping é congruente com o modelo transacional, sendo a COPE desenvolvida a partir do modelo de estresse de Lazarus e do modelo de autorregulação. Notadamente, os autores operacionalizam o construto a partir de dimensões específicas que compõem o CFP, como enfrentamento ativo e planejamento; o CFE, como busca de apoio social emocional e negação; e as respostas de coping comprovadamente pouco úteis, como negação (Carver et al., 1989; Gonçalves-Câmara et al., 2019). Em meta-análise sobre as escalas de coping, Kato (2015) observou que a COPE foi a mais empregada em artigos publicados no período de 1998 a 2010, no idioma inglês, de modo que os dados aqui encontrados indicam que essa tendência se mantém.
Nos demais estudos, as escalas utilizadas se assemelham às propostas por Carver et al. (1989) e Folkman e Lazarus (1985), considerando as estratégias CFP e CFE, porém operacionalizadas de forma diferente. Outra classificação do coping também referida na literatura diz respeito às estratégias de aproximação (lidar diretamente com o estressor ou as emoções relacionadas, correspondentes ao CFP e ao CFE, respectivamente) e de evitação (escapar da ameaça ou das emoções relacionadas) (Dewe et al., 2012; Gonçalves-Câmara et al, 2019), e que também embasam os modelos teóricos e medidas adotadas nos estudos selecionados. Em suma, apesar da diversidade de escalas adotadas, todas incluem tipos de coping que incorporam as categorias gerais CFP, CFE e CFEv.
Já a diversidade de escalas utilizadas para mensurar o bem-estar, que deriva das variadas concepções sobre esse fenômeno, pode estar relacionada à atualidade das suas investigações. Tal aspecto também foi identificado por Carneiro e Bastos (2020) ao analisarem conceitual e empiricamente o “bem-estar no trabalho” considerando a literatura nacional. Esses autores constataram a existência de diversas nomenclaturas alusivas ao fenômeno e, de forma concomitante, o uso de uma mesma nomenclatura para definições diferentes. A proliferação de construtos traz consequências negativas para o campo científico, como a obstrução do desenvolvimento de teorias organizacionais parcimoniosas e a dificuldade de criar conhecimento cumulativo (Shaffer et al., 2016). Assim, é importante ponderar na escolha do construto a ser investigado, tendo em conta aspectos como clareza conceitual e a possível sobreposição com outros constructos.
Ao se considerar as características tanto do conceito adotado quanto do instrumento utilizado para sua mensuração, verificou-se que a perspectiva do BES (afetos e/ou satisfação com a vida e/ou o trabalho) predominou (n=31), seja de forma exclusiva (n=20), seja em conjunto com outros construtos como BEP (n=6), engajamento (n=2) e saúde geral (n=3), e ainda a partir da avaliação do fenômeno direcionado especificamente ao trabalho (n=7). As escalas adotadas com maior frequência foram a Satisfaction with Life Scale (SWLS), de Diener et al. (1985) (n=4) e a Positive and Negative Affect Schedule (PANAS) (Watson et al., 1988) (n=3). As demais, apesar de diferentes, avaliam as mesmas dimensões, afetos e/ou satisfação. Além disso, muitos estudos utilizaram mais de um instrumento. O BES apresenta evidências empíricas que ratificam o modelo teórico proposto (Diener et al., 2017), e pesquisas recentes apontam que a maioria das medidas usadas sobre bem-estar estão embasadas nessa perspectiva (Carneiro & Bastos, 2020; Linton et al., 2016).
O BEP, a partir da abordagem de Ryff e Keyes (1995), também foi adotado em alguns dos estudos (n=7), que, em sua maioria (n=5), utilizaram a Psychological Well-Being Scale, desenvolvida por esses autores. Esse instrumento é composto por subescalas referentes às seis dimensões que compõem o BEP; evidências empíricas também sustentam o modelo teórico deste construto, conforme apontado por Ryff (2018). Vale ressaltar que a referida escala mensura o bem-estar de forma geral, sem considerar especificidades do contexto de trabalho, assim como a SWLS e a PANAS, que têm como base a perspectiva do BES. Quanto a essa característica, Linton et al. (2016) ressaltam que instrumentos de bem-estar que avaliam dimensões específicas são mais apropriados para uma avaliação focada. Nessa mesma ótica, Carneiro e Bastos (2020) afirmam que é muito comum a utilização de medidas gerais de bem-estar no campo das organizações e do trabalho, mesmo havendo evidências da maior eficácia de medidas contextualizadas. Os resultados do presente estudo coadunam com essa análise.
Foi observada também a utilização do construto engajamento como indicador de bem-estar (n=3), com a adoção, de forma predominante, da medida Utretch Work Engagement Scale (UWES 9, versão curta) (Schaufeli, Bakker & Salanova, 2006) (n=2), que se baseia na definição de engajamento no trabalho enquanto vigor, dedicação e concentração (Schaufeli, 2018). Apesar de esse conceito se relacionar com o de bem-estar, Schaufeli (2018) destaca que os dados empíricos indicam que o engajamento expressa um estado psicológico singular, não se sobrepondo ao bem-estar. Os demais estudos (n=9) utilizaram conceitos e medidas diversas como florescimento, saúde geral e depressão (níveis baixos). A diversidade de conceitos e medidas de bem-estar também foi relatada em outros estudos de revisão sobre o tema (e.g. Carneiro & Bastos, 2020; Hirschle & Gondim, 2020).
Em suma, os estudos analisados tenderam a focalizar aspectos atinentes ao BES, com a maioria das escalas utilizadas avaliando os afetos e/ou a satisfação com a vida/trabalho. O BEP também foi adotado, mas, em uma quantidade inferior de estudos. Isso expõe a tendência das pesquisas que avaliam o coping em considerar o bem-estar como um fenômeno composto por afetos e satisfação com a vida, congruente com a perspectiva hedônica.
Por esse ângulo, é importante advertir sobre a busca pelo alcance do BES. Embora o humor positivo e a satisfação com a vida tenham benefícios, a felicidade intensa e constante não é necessariamente desejável; pode ser mais benéfico ficar apenas acima do ponto neutro na maior parte do tempo (Diener et al., 2017). Friedman e Kern (2014), ao questionarem relações diretas entre humor positivo e saúde e longevidade, ressaltam que buscar a felicidade emocional por si só pode levar ao desapontamento e impedir o bem-estar. Assim, intervenções que busquem aumentar o BES devem levar em consideração um nível adequado de afetos positivos, não os superestimando.
Já considerando as análises estatísticas realizadas pelos estudos, foi possível identificar que a maioria (n=40) investigou o papel mediador e/ou moderador do coping na relação entre uma variável antecedente e a variável bem-estar, considerada como consequente. Esse dado reforça proposições teóricas acerca da relação entre coping e bem-estar (Folkman, 1997) e a tendência das pesquisas em avaliar esse formato de relação (Kato, 2015; Hirschle & Gondim, 2020), em que o bem-estar é considerado como sendo influenciado pela estratégia adotada.
Entretanto, dois estudos relataram a relação inversa, ou seja, o impacto do bem-estar sobre o coping. A reciprocidade existente entre coping e bem-estar já foi apontada por Folkman (1997), ao expor que os processos de coping geram estados psicológicos positivos e estes últimos podem ajudar a sustentar novos esforços de coping focados no problema e na emoção ao lidar com uma condição estressante crônica. Assim, processos de reavaliação positiva, por exemplo, podem ajudar o indivíduo a redefinir e focar no significado positivo, o que pode motivá-lo a se engajar novamente nos esforços para lidar com o estressor contínuo, e o afeto positivo pode energizar o comportamento focado no problema (Folkman, 1997). Esse tipo de relação, em que o bem-estar influencia o coping, deve ser melhor investigada.
Considerando o coping como variável mediadora ou moderadora, variáveis diversas foram eleitas como antecedentes da sua relação com o bem-estar. Dentre elas estão estresse no trabalho (n=5) e conflito trabalho-família (n=2), classificadas como demandas de trabalho; e inteligência emocional (n=1), e suporte social (n=1), classificadas como recursos pessoais e de trabalho, respectivamente. As demandas são aspectos do trabalho que requerem esforço físico e/ou psicológico, enquanto os recursos do trabalho contribuem para atingir as metas, reduzir as demandas e os custos associados. Os recursos pessoais consistem nas autoavaliações positivas relacionadas ao sentimento de sua capacidade de controlar e impactar seu ambiente com sucesso (Bakker et al., 2023).
Verifica-se que a quantidade de estudos que incluíram apenas demandas de trabalho nos modelos testados foi bem maior (n=23) que a quantidade de estudos que incluíram tanto demandas quanto recursos (n=10) e somente recursos (n=7). Este resultado pode estar relacionado ao fato de as demandas serem caracterizadas como estressores, pois o coping está intrinsecamente relacionado ao processo de estresse (Lazarus & Folkman, 1984). Entretanto, enquanto as demandas de trabalho são consideradas os preditores mais importantes de resultados negativos, como a exaustão, os recursos são considerados os preditores mais importantes de resultados positivos, como prazer, motivação e envolvimento no trabalho (Bakker et al., 2023). Tendo isso em conta, o entendimento mais claro e preciso da relação entre coping e bem-estar (resultado positivo) deve levar em consideração a interação entre esses dois conjuntos de características.
Os principais resultados identificados nos estudos analisados apontam que, de forma geral, lidar diretamente com o estressor parece contribuir com o bem-estar, tanto em seus aspectos afetivos, quanto em relação à satisfação (geral ou com o trabalho) e ao desenvolvimento das potencialidades humanas. Entretanto, em situações de cronicidade e maior nível de estresse, como a vivência recorrente de bullying (e.g Dehue et al, 2012; Giunch, 2019; Hewett et al, 2016), as estratégias ativas não contribuem com o bem-estar, podendo até prejudicá-lo. Já as estratégias que manejam os sintomas do estresse, apesar de serem majoritariamente efetivas, o abuso de substâncias e a auto culpabilização impactam de forma negativa o bem-estar. As estratégias de evitação tendem a ser mais prejudiciais, principalmente em situações controláveis (e.g. Peta et al., 2020); já em algumas situações não controláveis, podem contribuir com o bem-estar (e.g. Ryu et al, 2020). Tais dados corroboram as reflexões de Kato (2015), que identificou estratégias como enfrentamento ativo e busca de apoio social instrumental, que se enquadram teoricamente como CFP, correlacionadas significativamente com um alto nível de bem-estar. Já estratégias relacionadas tanto à evitação quanto ao CFE, como negação ou desligamento mental, apresentaram relação inversa (Kato, 2015). Esses achados também são corroborados por revisões anteriores sobre o coping vinculado ao trabalho (Antoniolli et al., 2022; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021) que apontam para a eficácia das estratégias relacionadas ao CFP na redução dos sintomas de estresse e para a baixa efetividade das estratégias de evitação.
Conclusão
A presente revisão de escopo apresentou uma síntese das principais características e resultados dos estudos recentes sobre coping e bem-estar no trabalho, contribuindo em nível teórico e prático na medida em que expôs os conceitos consensualmente adotados para os fenômenos, as análises estatísticas mais utilizadas para investigar as relações entre eles e a direção dessas relações, apontando as estratégias de coping que tendem a ser mais adaptativas (i.e., favoráveis à vivência do bem-estar subjetivo e/ou psicológico) para situações de trabalho específicas. Em relação ao coping, verificou-se certa homogeneidade nas escalas e modelos teóricos adotados, com predomínio das propostas de Carver et al (1989) e Lazarus e Folkman (1984). Mesmo nas pesquisas que referiram modelos diversos da perspectiva transacional, estes se vinculavam à sua proposta, diferenciando-se pela operacionalização do construto. Por outro lado, as escalas utilizadas para mensurar o bem-estar foram mais diversas e numerosas. Essa diferença pode estar atrelada à consolidação do campo de estudo do coping, que vem sendo estudado há mais tempo, em relação ao do bem-estar, que é relativamente recente.
Suprindo uma lacuna de revisões de literatura anteriores (e.g., Antoniolli et al., 2022; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021) que não focavam em experiências positivas, foi possível avançar na compreensão do coping relacionado ao bem-estar, identificando características específicas dessas relações no contexto de trabalho que podem subsidiar intervenções com esse enfoque. De forma específica, os resultados indicaram que o coping é abordado, majoritariamente, a partir das categorias funcionais foco no problema, foco na emoção e coping evitativo, enquanto o bem-estar tem sido analisado principalmente através da perspectiva hedônica, que enfoca os aspectos avaliativos e afetivos do fenômeno (satisfação e afetos). As estratégias de coping ativas tendem a associar-se à vivência de bem-estar, exceto diante de demandas intensas, crônicas e/ou de difícil resolução (e.g., bullying). Nesses casos, é necessário que a organização atue diretamente por meio de medidas que inibam e/ou interrompam esse tipo de demanda e afins (e.g., assédio moral), já que individualmente o profissional tem restritas possibilidades de alteração da situação e suas consequências. Assim, a organização pode tentar minimizar o adoecimento relacionado ao trabalho e facilitar a vivência de bem-estar a partir de medidas contra assédio moral, bullying e discriminação, para citar exemplos. As estratégias que focam o manejo das emoções (e.g., relaxamento) também parecem contribuir com o bem-estar; porém, a esquiva em relação às emoções (e.g., negação) pode prejudicá-lo, já que essas emoções são suprimidas temporariamente, podendo ser vivenciadas novamente de forma mais intensa. Essa mesma lógica se aplica ao uso do coping evitativo, pois não soluciona e/ou não possibilita a reinterpretação do problema, mas leva à esquiva temporária dele. Esses resultados estão coerentes com a literatura sobre coping no contexto de trabalho (e.g., Antoniolli et al., 2022; Melo et al., 2016; Muller et al., 2021), o que permite afirmar que o coping associa-se tanto a resultados negativos, como burnout - foco tradicional dos estudos -, quanto a resultados positivos, como o bem-estar no trabalho (afetos positivos, satisfação e aspectos vinculados às potencialidades humanas). Esses resultados apontam para a importância deste fenômeno nas pesquisas que buscam compreender a vivência de experiências positivas no contexto laboral. Ressalta-se que estes resultados dizem respeito ao contexto de trabalho, que possui características peculiares que podem auxiliar ou prejudicar o emprego do coping.
É importante apontar aspectos ainda pouco explorados nas pesquisas, como a testagem de modelos complexos, que explorem o papel de moderação e/ou mediação do coping na relação entre variáveis favoráveis ao bem-estar, como os recursos de trabalho e o bem-estar no trabalho. Além disso, salienta-se que o predomínio de análises que consideram características do trabalho potencialmente estressoras, ou seja, as demandas, o que possibilita o gerenciamento focado desses aspectos no contexto laboral para prevenção do adoecimento não é suficiente para promover o bem-estar, que exige o reconhecimento das características propulsoras destas experiências positivas.
Aponta-se a necessidade de que pesquisas futuras investiguem de forma mais aprofundada e diversificada as relações entre coping e bem-estar, utilizando, por exemplo, testes de predição em que o bem-estar seja considerado como antecedente e análises de possíveis relações não-lineares entre essas variáveis. Os estudos aqui analisados apontam o coping como preditor do bem-estar, entretanto, é importante investigar outras formas de associação, já que poucos estudos consideraram o bem-estar como antecedente do coping e proposições teóricas defendem um modelo cíclico, com influência mútua entre os fenômenos (Folkman, 1997). Sugere-se também a inclusão, em um mesmo modelo teórico-empírico a ser testado, além das variáveis classificadas como demandas, variáveis consideradas como recursos, os quais têm a função de promover o bem-estar e atenuar o impacto das demandas. Não menos importante, a utilização de outros desenhos de estudo, como o longitudinal, e a avaliação de programas, podem aumentar a fidedignidade dos resultados encontrados sobre a relação entre coping e bem-estar.
Como limitações desse estudo, o período de publicação das pesquisas, delimitado aos últimos dez anos, as bases de dados escolhidas e a exclusão da literatura cinza, podem ter omitido outros estudos também relevantes sobre a temática, com desenhos de pesquisa e métodos diversos, além de amostras diferentes. Apesar disso, foi possível obter um panorama geral das pesquisas sobre a temática.















