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Boletim - Academia Paulista de Psicologia

versão impressa ISSN 1415-711X

Bol. - Acad. Paul. Psicol. vol.45 no.108 São Paulo  2025  Epub 07-Nov-2025

https://doi.org/10.5935/2176-3038.20250010 

EDITORIAL

EDITORIAL

Esdras Guerreiro Vasconcellos1 

Editor

1Instituto de Psicologia - USP e Membro da Academia Paulista de Psicologia ocupando a Cadeira nº 10


Se há precariedade básica, há, também, efeitos nocivos inevitáveis?

O presente número do Boletim da Academia Paulista de Psicologia apresenta-lhes três focos distintos de reflexão que podem ser lidos como entrelaçados entre si e, ao mesmo tempo, com todos os demais. Uma gestalt holográfica permeia os nove artigos dessa edição.

Sobre o acolhimento contra a agressão externa podemos ler nos três primeiros artigos.

Na reflexão trazida no artigo de abertura, com o título “A esperança de adolescentes em situação de acolhimento: revisão sistemática” que leva a assinatura das colegas Cláudia Yaísa Gonçalves da Silva, Psicóloga, Doutora em Psicologia Clínica, Pesquisadora de Pós-Doutorado no Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) e Ivonise Fernandes da Motta, Psicóloga, Professora Livre Docente do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) é apontado que o acolhimento de crianças e adolescentes que vivem sob cuidados institucionais pode trazer-lhes de volta a esperança que almejavam ter antes de serem afetados pela violência externa. Essa conclusão eles formulam após lerem e analisarem os resultados de 13 pesquisas sobre o tema publicados em periódicos científicos de Psicologia entre 2010 e 2020. Para se saber quanto violência gera violência, os colegas Alfredo Mendes Chaves, Psicólogo, Mestre e doutorando pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - USP; Andrés Eduardo Aguirre Antúnez, Professor Associado III e Livre docente pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - USP, Coordenador do Laboratório de Saúde Mental Multimétodo - Labsamm - USP; Giselle Pianowski, Professora, Doutora no Departamento de Psicologia da Universidade São Francisco - USF; Thaís Cristina Marques-Reis, Professora, Doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP e Ariane Voltolini Paião, Psicóloga, Mestranda pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, recomendam a aplicação combinada de dois testes psicológicos. Eles escrevem em seu artigo com o título ”Agressividade em universitários borderline avaliada pelo R-PAS” que a verificação de aspectos agressivos incorporados na estrutura de personalidade de estudantes universitários com Transtorno de Personalidade Borderline pode ser feita com mais eficiência, se juntamente com o renomado Teste de Rorschach, for aplicado o Teste R-PAS, uma vez que esse consegue captar os “...modos indiretos da expressão agressiva”. É presumível que a agressão da violência externa, à qual se refere o primeiro artigo, se não for acolhida adequadamente pode ancorar-se na estrutura de personalidade. Esse tema vem sendo, atualmente, amplamente discutido, uma vez que a série “Adolescência”, na Netflix, alcançou audiência mundial e aponta, dentre outros fatores, a progressão da agressão no ambiente doméstico em crianças em idade escolar. Essa interessante série mostra também os efeitos nocivos do Bullying e das Redes Sociais. No terceiro momento, são as autoras Patrícia Vaz de Lessa, Universidade Estadual de Londrina, Estado do Paraná, Brasil e Marilene Proença Rebello de Souza, Titular Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil, membro da Academia Paulista de Psicologia, ocupando a Cadeira 2, que no artigo “Avaliação Psicológica Interventiva: escolarização e o desenvolvimento de Funções Psicológicas Superiores” apontam a função da escola em desenvolver nas crianças e adolescentes funções mais elevadas de vida. Conforme mencionamos acima, na referida série a violência doméstica se solidifica na escola levando um adolescente a um comportamento criminoso. O quarto e o quinto artigo vão abordar o papel da mãe e do pai em duas situações distintas: as autoras Ana Paula Sesti Becker, Doutora e Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Psicóloga clínica relacional e familiar sistêmica pelo Instituto Familiare e Professora universitária e de Pós-graduação e Maria Aparecida Crepaldi, Doutora em Saúde Mental pela UNICAMP, Pós-Doutora pela Universidade do Québec em Montrèal - UQÀM e pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), Psicóloga clínica especialista em Terapia Relacional Sistêmica pelo IFT/São Paulo e APRTF/Paris, em Psicologia Clínica Infantil pelo HC/USP, em Psicodrama pelo IPRP/ SP, em Terapias Narrativas e Trabalho Comunitário, Professora Titular aposentada da Universidade Federal de Santa Catarina e Professora voluntária da UFSC, Sócia-fundadora do Instituto Familiare Sistêmico, em seu artigo “Padrões intergeracionais do Apego na vivência da parentalidade” citam existir um padrão intergeracional no comportamento de mães e pais observado em filhos entre zero e seis anos. Segundo os autores “as mães relataram disciplinar mais os filhos do que os pais” que se ocupam, então, de “...atividades lúdicas e de incentivo à autonomia”.

A diferença de papéis demonstrada pelos dois gêneros é observada também na demonstração de emoções diante de perdas significativas. As autoras Beatriz dos Santos Silva, Psicóloga Residente do Programa Multiprofissional Integrada em Saúde da Mulher do Hospital das Clínicas - Universidade Federal de Pernambuco; Érika Neves de Barros, Mestrado em Saúde Materno Infantil pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira - IMIP, Psicóloga Hospitalar e preceptora de estágio e residência no Hospital das Clínicas de Pernambuco HC-UFPE e Paula Jaeger Tenório, Mestrado em Saúde Integral pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira - IMIP, Psicóloga hospitalar e preceptora de estágio e residência no Hospital das Clínicas HC-UFPE intitulam seu artigo “Perda Gestacional: vivências de luto para casais”. Eles observam que “o luto paterno é socialmente invisibilizado” e “...é esperado que os homens anulem sua dor para apoiar suas companheiras” quando estas “...tendem a expressar seus sentimentos de forma mais aberta”. Ora, sabemos, sobejamente, como essa repressão nos homens pode gerar comportamentos de agressão ocultos e até de feminicídio. Psicologia no Brasil, Formação em Residência Psicológica, Preferência teórica de estudantes e Psicólogos Clínicos, bem como a Regulação emocional em estudantes de Psicologia são os temas que abordarão os demais artigos desta edição:

As autoras Francielle de Souza Lopes, Graduanda em Psicologia, jornalista pelo Centro Universitário Dinâmica das Cataratas, Foz do Iguaçu - PR; Nandra Soares, Mestre em Desenvolvimento Comunitário, Doutoranda em Educação, Docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Dinâmica das Cataratas, Foz do Iguaçu, PR e Monica Augusta Mombelli, Doutora em Saúde Pública, Docente do curso de Medicina da Universidade Federal da Integração Latino- Americana, Foz do Iguaçu, PR, Brasil mostram um panorama nacional sobre o ensino da disciplina Prática da Psicologia Baseada em Evidência (PPBE) - titulo do artigo “Prática baseada em evidência nos cursos de Psicologia no Brasil: um estudo documental” - e demonstram que é no Sudeste onde essa disciplina é menos ministrada (1,23%), enquanto no Sul (2,01%) onde ela mais aparece no currículo dos cursos universitários. No entanto, no panorama geral, os índices são excessivamente baixos e “a maioria dos cursos não oferta essa disciplina”.

Homero Artur Belloni Silva, Universidade Estadual de Londrina, Londrina - Paraná e Maria Elizabeth Barreto Tavares dos Reis, Docente da Universidade Estadual de Londrina, demonstram que a Psicanálise é o método teórico preferido pelos estudantes de Psicologia, como também pelos Psicólogos formados em seus primeiros anos de atividade clínica: “Psicanálise, graduação e pós-graduação: um estudo exploratório com psicólogos recém-graduados”.

No que tange a formação em Residência Multiprofissional os autores Luiz Henrique Bezerra, Psicólogo, residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Criança e do Adolescente pelas Faculdades Pequeno Príncipe (FPP), Curitiba, Paraná e Bruno Jardini Mäder, Psicólogo, Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, Paraná no artigo “Relato de experiência em um grupo de ouvidores de vozes em um centro de atenção psicossocial infantojuvenil” descrevem a necessidade de melhor formação no manejo das crises de alucinações auditivas de crianças e jovens e quais “...habilidades teórico-práticas um programa de residência” precisa oferecer. Voltados para os psicólogos em formação também é o tema do nono artigo desta edição. Os autores Jéferson Pereira Batista, Bacharel em Psicologia FACISA/ UFRN, Caicó, RN, Brasil; Vanda Silva de Araújo, Bacharel em Psicologia FACISA/UFRN, Santa Cruz, RN, Brasil; Emily O’hanna de Oliveira Silva, Bacharel em Psicologia pela FACISA/UFRN, Santa Cruz, RN, Brasil; Gênnife Sonayrne Silva de Oliveira, Santa Cruz, RN, Brasil e Maria José Nunes Gadelha, Psicóloga, Doutora, Professora adjunta do curso de Psicologia da FACISA/UFRN, Avenida Rio Branco, S/N, Centro, Santa Cruz, RN se ocupam da Regulação Emocional dos universitários no contexto de crise da Covid-19 e constatam que a intervenção e treinamento com a Terapia do Esquema muito pode ajudar esse grupo. O artigo “Terapia do esquema emocional on-line para estudantes universitários: protocolo de intervenção grupal” cuida das “relações parcimoniosas com as emoções” por parte dos colegas psicólogos. Desejando a todos os leitores uma agradável e produtiva leitura.

Cordialmente,

Drª. Marilda Emmanuel Novaes Lipp - Editora

Dr. Esdras Guerreiro Vasconcellos - Editor

Editor

Dr. Marilda Emmanuel Novaes Lipp

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