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Boletim - Academia Paulista de Psicologia

versão impressa ISSN 1415-711X

Bol. - Acad. Paul. Psicol. vol.45 no.109 São Paulo jul./dic. 2025  Epub 02-Fev-2026

https://doi.org/10.5935/2176-3038.20250016 

I. TEORIAS, PESQUISAS E ESTUDOS DE CASO

ESTILOS PARENTAIS E PRÁTICAS EDUCATIVAS NA PERSPECTIVA DA DÍADE PAI-FILHO(A)

Parenting styles and educational practices from the perspective of the parent-child dyad

Estilos parentales y prácticas educativas desde la perspectiva de la díada padre-hijo

22Graduada em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Curso de Psicologia - UNIVALI, Itajaí, SC, Brasil. (Responsável pela intervenção realizada e elaboração do estudo)

23Graduada em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Curso de Psicologia - UNIVALI, Itajaí, SC, Brasil. (Responsável pela intervenção realizada e elaboração do estudo)

24Pósdoutora pela Universidade do Algarve (Portugal). Doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Psicóloga clínica com especialização em Terapia Cognitiva-Comportamental e Professora universitária. (Professora orientadora da pesquisa)

25Doutora em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora do curso de Pós-graduação do Viver mais Psicologia e Psicóloga Clínica. (Responsável pela concepção e planejamento do projeto de intervenção; elaboração textual)


Resumo

Este estudo tem como objetivo analisar o estilo parental e as práticas educativas de pais (homens) de crianças entre nove e doze anos, na perspectiva da díade: pai-filho(a). Para tanto, trata-se de uma pesquisa transversal, quantitativa e descritiva. Participaram da amostra 48 participantes, constituída por 24 crianças e seus respectivos pais, os quais responderam individualmente aos instrumentos: Questionário semiestruturado sobre práticas parentais e o Inventário de Estilos Parentais. Realizaram-se análises estatísticas descritivas, tais como distribuição de frequência simples e porcentagem. Os resultados evidenciaram que os estilos parentais positivos se destacaram na amostra investigada. Além disso, os itens de brincadeiras e responsabilidades paternas estiveram presentes nas práticas parentais mencionadas. Todavia, práticas coercitivas, como abuso físico, além da ausência paterna, foram aspectos negativos relatados pelas crianças participantes. Salienta-se a importância de promover reflexões psicoeducativas para o desenvolvimento de estilos e práticas parentais saudáveis, assim como a participação paterna em diferentes contextos sociais.

Palavras-chave: parentalidade; práticas parentais; envolvimento parental.

Abstract:

This study aimed to analyze the parenting style and educational practices of parents (men) of children between nine and twelve years old, from the perspective of the dyad: father-son. Therefore, it is a cross-sectional, quantitative and descriptive research. The sample consisted of 48 participants, consisting of 24 children and their respective fathers, who responded individually to the instruments: Semi-structured questionnaire on parenting practices and the Parenting Styles Inventory. Descriptive statistical analyzes were performed, such as simple frequency and percentage distribution. The results showed that positive parenting styles stood out in the investigated sample. In addition, the play items and paternal responsibilities were present in the mentioned parenting practices. However, coercive practices, such as physical abuse, in addition to paternal absence, were negative aspects reported by the participating children. It emphasizes the importance of promoting psychoeducational reflections for the development of healthy parenting styles and practices, as well as paternal participation in different social contexts.

Keywords parenthood; parenting practices; parental involvement.

Resumen:

Este estudio tiene como objetivo analizar el estilo parental y las prácticas educativas de padres (hombres) de niños entre nueve y doce años, desde la perspectiva de la díada: padre-hijo. Para ello se trata de una investigación transversal, cuantitativa y descriptiva. La muestra estuvo conformada por 48 participantes, compuesta por 24 niños y sus respectivos padres, quienes respondieron individualmente a los instrumentos: Cuestionario semiestructurado sobre prácticas parentales y el Inventario de Estilos Parentales. Se realizaron los análisis estadísticos descriptivos, como distribución de frecuencia simple y porcentaje. Los resultados mostraron que los estilos parentales positivos se destacaron en la muestra investigada. Además, los ítems de juego y responsabilidades paternas estuvieron presentes en las prácticas parentales mencionadas. Sin embargo, las prácticas coercitivas, como el abuso físico, además de la ausencia paterna, fueron aspectos negativos reportados por los niños participantes. Se destaca la importancia de promover reflexiones psicoeducativas para el desarrollo de estilos y prácticas parentales saludables, así como la participación paterna en diferentes contextos sociales.

Palabras clave parentalidad; prácticas parentales; participación de los padres.

Introdução

No atual contexto social, pesquisadores chamam a atenção para a importância do envolvimento parental no desenvolvimento infantil (Souza, Fiorini, & Crepaldi, 2020). O envolvimento parental é caracterizado pela interação materna e paterna com os filhos, como na participação ativa das atividades diárias, nos cuidados básicos de higiene e alimentação, tempo de lazer e brincadeiras, suporte emocional e disciplina (Dubeau, Devault, & Paquette, 2009). Nesse sentido, as práticas parentais positivas são essenciais para a manutenção de relações mais saudáveis entre pais e filhos. Para Grzybowski e Wagner (2010), o envolvimento parental pode ocorrer de forma direta, no que tange à interação nas formas de cuidado da criança, ou seja, por meio de brincadeiras e tempo de qualidade dedicado a ela; ou também pode ocorrer de forma indireta, por meio da interação e responsabilidade, pelo bem-estar da mesma, envolvendo-se em atividades relacionadas à escola, sustento e saúde. Apesar da importância de o envolvimento parental apresentar um conceito relacional, que envolva a figura da mãe e do pai, alguns estudos ainda atribuem o desenvolvimento infantil saudável e o exercício das práticas parentais, de modo sobressalente, aos cuidados maternos (Thomassin & Suveg, 2014). Todavia, avanços estão sendo realizados nesse campo, os quais associam a importância das práticas e do envolvimento parental, de modo recíproco para ambos os cuidadores, o que se permite obter uma perspectiva mais abrangente e atual das relações familiares (Meunier, Bisceglia, & Jenkins, 2012). Por sua vez, as práticas parentais referem-se às estratégias adotadas pela díade coparental com as funções de orientar, controlar ou reforçar os comportamentos da criança, além de promover a socialização (Guisso, Bolze, & Vieira, 2019). De modo mais abrangente, contempla o incentivo às habilidades sociais e valores morais, regras de convivência, monitoramento dos filhos em casa ou em ambientes externos, formas de punição quando a criança apresenta comportamentos inadequados, responsabilidade, independência, disciplina e autonomia (Souza, Fiorini, & Crepaldi, 2020). O nascimento de uma criança, por sua vez, provoca alterações na vida do casal, exigindo uma nova adaptação do sistema familiar (Pedrotti & Frizzo, 2019). As nuances das mudanças experienciadas, perpassam e reinventam as funções sociais e familiares. Para tanto, promover conhecimento acerca das práticas parentais é essencial, uma vez que “vestir” esses papéis está muito além dos fatores biológicos e dos cuidados essenciais. Trata-se de uma construção repleta de sentidos, significados e aprendizados (Pires, Roazzi, Nascimento, Souza, & Mascarenhas, 2018). No panorama contemporâneo, as divisões das funções maternas e paternas têm se modificado e, consequentemente, provocam transformações no funcionamento familiar (Lamb, 1997). Como exemplo, a mãe deixou de ser a única responsável em prover os cuidados das crianças e das atividades domésticas, tendo se inserido cada vez mais no mercado de trabalho e, ainda, aparece por vezes como a única responsável pelo sustento familiar. Tais mudanças ratificam os dados encontrados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua publicados pelo IBGE (2023), a qual evidencia a dupla jornada feminina de forma elevada entre as mulheres brasileiras. Embora a participação feminina no mercado de trabalho tenha atingido 53,3%, as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e pelos cuidados com outras pessoas, dedicando, em média, 21,3 horas semanais a essas atividades - quase o dobro do tempo gasto pelos homens (11,7 horas). Os dados também sugerem uma análise importante, tendo em vista que 28% das mulheres ocupadas estão em trabalhos de tempo parcial (até 30 horas semanais), proporção significativamente maior do que entre os homens (14,4%), o que sugere a tentativa de conciliar as exigências profissionais com as responsabilidades domésticas e familiares. Tais dados evidenciam que, embora inseridas no mercado de trabalho, as mulheres seguem enfrentando uma sobrecarga estrutural, expressa na manutenção da jornada dupla. Frente a isso, observam-se modificações acerca das funções de cada membro do grupo familiar e, muitas vezes, cabe ao pai responsabilizar-se pelas atividades domésticas e o cuidado com os filhos (Menezes & Scorsolini-Comin, 2019). Por conseguinte, a função paterna se encontra em processo de mudança. De acordo com os autores supracitados, a participação paterna era considerada limitada e, por vezes, ausente diante das necessidades durante o desenvolvimento psicológico e educacional dos filhos. Contudo, a paternidade tem sido cada vez mais discutida nas pesquisas atuais sobre o desenvolvimento, vulnerabilidade e comportamentos disruptivos das crianças (Jorge, Santos, Portes, & Bossardi, 2021). Em vista de tais apontamentos, cabe destacar que a função paterna é tão importante quanto à materna, de modo que o pai apresenta participação direta e indireta no envolvimento parental. A forma direta se caracteriza pelos cuidados básicos da criança, ou seja, relaciona-se aos cuidados que prezam pela sobrevivência básica, tais como alimentação, sono e higiene, enquanto o envolvimento indireto ocorre por meio da acessibilidade, garantia e responsabilidade pelo bem-estar (saúde, escola, sustento financeiro, cuidado das atividades domésticas), os quais refletem no desenvolvimento integral da criança (Becker, 2020). Cabe salientar que uma das funções paternas é promover, por meio de incentivos e exploração do ambiente, a promoção de habilidades e autoconfiança. O pai estimula a criança a entrar em contato com pequenos riscos, assim como estabelece limites a fim de garantir a segurança da criança ao longo da exploração do ambiente, promovendo assim perseverança e a disciplina. A exposição e a reação da criança diante dos desafios apresentados pelo pai, trazem como resultado, uma maior abertura ao mundo e o desenvolvimento da autonomia (Paraventi, Bittencourt, Schulz, Souza, Bueno, & Vieira, 2017). Dentro do âmbito multifacetado de funções, desafios e do engajamento entre pais e filhos, torna-se relevante refletir sobre o tipo de práticas parentais e suas repercussões sobre o desenvolvimento e o comportamento infantil. As práticas parentais positivas são aquelas capazes de fornecer suporte necessário para o desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual de uma criança. Já as práticas parentais negativas, são caracterizadas como negligentes ou demasiadamente punitivas, cujas relações são permeadas com excesso de críticas e violência, as quais aumentam a probabilidade de problemas comportamentais disruptivos nas crianças, como a desobediência, o comportamento desafiador opositor e a agressividade (Avelino, Neves, & Limaverde, 2020). Assim, os estilos parentais adotados pelos progenitores sofrem grandes influências da geração familiar anterior, no qual os modelos relacionais entre pais e filhos seguem regras geracionais resistentes a mudanças na continuidade de padrões relacionais similares (Weber, Selig, Bernardi, & Salvador, 2006). Para nortear essas práticas, Gomide (2006/2011), classificou os estilos parentais em duas categorias: (1) comportamentos pró-sociais e (2) comportamentos antissociais. A primeira categoria é composta por duas práticas educativas parentais que integra o estilo parental positivo, são elas: monitoria positiva e comportamento moral. A segunda é composta por cinco práticas educativas que integram o estilo parental negativo: abuso físico, punição inconsistente, disciplina relaxada, monitoria negativa e negligência. No que tange aos comportamentos pró-sociais, a prática da monitoria positiva é essencial, visto que exige um maior envolvimento dos pais nas tarefas e atividades dos filhos. Entra nessa categoria também, a escuta, a demonstração de afeto, e o auxílio em atividades. O comportamento moral apoia-se nos valores geracionais, sendo eles: senso de justiça, honestidade, ensino e auxílio na construção de valores da criança (Gomide, 2014). No que concerne às classificações parentais no desenvolvimento de comportamentos antissociais, destacam-se as práticas inconsistentes - escassas de afeto e punitivas. Na punição inconsistente, as consequências e as represálias são norteadas pelo humor e a instabilidade emocional dos cuidadores. Esses comportamentos levam à falta de compreensão da criança sobre as regras, os limites, bem como sobre o que é esperado dela. Já a negligência, é caracterizada pela ausência e falta de afetividade e cuidados básicos dos progenitores. Nesses casos, há baixa ou nenhuma demonstração de interesse pelo filho, tornando-se ausente nas atividades e necessidades fundamentais da criança (Gomide, 2014). Por sua vez, a disciplina relaxada é caracterizada quando os cuidadores deixam de cumprir as regras que estabeleceram para a criança. Ao contrário disso, tem-se a monitoria negativa, que ocorre quando os pais impõem normas ou as fiscalizam em excesso, repetindo diversas vezes a mesma regra. Por fim, se tem o abuso físico, o qual se demonstra quando os pais punem fisicamente os filhos para tentar controlar os comportamentos indesejados (Gomide, 2006/2011). Essas duas últimas práticas parentais são as que se apresentam como as maiores responsáveis por repercutir em comportamentos antissociais. É importante destacar que pais e cuidadores se constituem como padrão de referência, para a criança que se encontra sob seus cuidados. Isto é, o modelo de comportamento dos pais pode influenciar no comportamento e no desenvolvimento infantil (Souza et al., 2020). Desse modo, a disciplina inconsistente, pouca interação positiva, baixo monitoramento e supervisão insuficiente das atividades da criança, estão diretamente associados aos comportamentos infantis disruptivos (Weber et al., 2006). Tais comportamentos são influenciados pelo contexto ao qual a criança está inserida, seus modelos preditores de possibilidades de comportamentos funcionais ou disfuncionais ao longo de seu desenvolvimento. Nesse sentido, o envolvimento parental positivo e consistente promove e auxilia comportamentos socialmente mais saudáveis ao longo do desenvolvimento dos indivíduos (Lawrenz, Zeni, Arnoud, Foschiera, & Habigzang, 2020). O conjunto de práticas educativas parentais supracitadas definem os “estilos parentais”. Esses estilos são caracterizados por estratégias e técnicas parentais de controle e reforço comportamental (Baumrind, 1991). De acordo com o autor supracitado, esses são classificados em quatro estilos, sendo eles: (1) estilo democrático ou autoritativo; (2) autoritário; (3) permissivo ou indulgente; (4) negligente. O primeiro estilo - democrático ou autoritativo, é caracterizado por pais responsivos, os quais possuem habilidades assertivas em direcionar o comportamento dos filhos, bem como possibilitar o diálogo e o compartilhamento de discordâncias. O estilo autoritário (2) é caracterizado por comportamentos de baixa responsabilidade e altos níveis de cobrança/demandas. São progenitores que demonstram intenso controle, por meio de imposições de regras, sem abertura para o diálogo e a flexibilização dessas. Já no estilo permissivo ou indulgente (3), os pais apresentam altos níveis de responsividade, contudo baixo nível de cobrança. Demonstram serem pais flexíveis, tolerantes, carinhosos e receptivos às demandas dos filhos, contudo manifestam dificuldades em estabelecer regras e limites. Por fim, o estilo negligente (4) caracteriza-se por baixos níveis de responsividade e de cobranças. São pais indiferentes à sua função parental (Portes, Vieira, Souza, & Kaszubowski, 2020). Em vista de tais apontamentos, destaca-se que as práticas e os estilos parentais adequados, são fatores fundamentais para o desenvolvimento humano saudável. Os comportamentos de uma criança constituem-se indicadores, em potencial, da dinâmica relacional parental, ou seja, os filhos tendem a repetir os padrões comportamentais dos pais. Com base em tais reflexões, o objetivo deste estudo foi analisar o estilo parental e as práticas educativas de pais (homens) de crianças entre nove e doze anos, na perspectiva da díade: pai-filho(a).

Método

Delineamento

Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e de temporalidade transversal.

Participantes

A amostra de conveniência foi composta por 48 participantes, constituída por 24 crianças e seus respectivos pais (homens). As crianças tinham idades entre nove e doze anos, cursando o 4º ano e 6º ano do Ensino Fundamental, de uma escola da mesorregião da Grande Florianópolis (SC). Os critérios de inclusão foram crianças escolarizadas que mantivessem contato diário com o pai; e, ainda, pais que fossem alfabetizados. Tais medidas foram adotadas, de modo que os participantes pudessem fazer a leitura e responder aos instrumentos de autopreenchimento. Além disso, crianças nessa faixa etária já são capazes de compreender questões abstratas, refletir sobre suas relações familiares e expressar suas percepções com maior clareza, o que favorece a aplicação de instrumentos de autorrelato (Papalia & Feldman, 2013).

Instrumentos

• Questionário semiestruturado sobre práticas parentais

Caracteriza-se por um instrumento de autopreenchimento composto por 10 itens acerca das práticas parentais na percepção dos filhos - crianças e adolescentes, distribuídos entre questões fechadas e semiabertas, contendo espaços para que o participante pudesse complementar sua resposta. Inicialmente integra informações sociodemográficas, tais como as variáveis de sexo, idade, escolaridade e composição familiar. No segundo momento, são apresentadas as 10 questões, cujas temáticas foram agrupadas pelas seguintes categorias: a) tarefas escolares; b) brincadeiras; c) disciplina; d) sentimentos; e e) participação paterna. Os itens presentes tiveram como finalidade complementar o questionário de Estilos Parentais, apresentados na sequência.

• Inventário de Estilos Parentais (IEP) - (Gomide, 2014)

O Inventário de Estilos Parentais (IEP), elaborado por Gomide (2014), é o primeiro instrumento psicológico brasileiro que tem como finalidade avaliar as práticas educativas parentais de crianças e adolescentes. Constitui-se por 42 questões de autopreenchimento que se referem às práticas educativas positivas e negativas e pode ser respondido por cuidadores e também pelas próprias crianças e adolescentes. Nesse estudo, o instrumento foi aplicado às crianças e aos pais (homens). O IEP permite a identificação de sete práticas educativas parentais, duas consideradas positivas (monitoria positiva e comportamento moral) e cinco consideradas negativas (abuso físico, disciplina relaxada, monitoria negativa, negligência e punição inconsistente). As respostas são dispostas por meio de uma escala de três pontos, de modo que a reposta “sempre” corresponde a 2 pontos; a resposta “às vezes” equivale a 1 ponto; e a resposta “nunca” representa 0. Por fim, o instrumento fornece um escore, denominado de “índice de estilo parental” (IEP), resultado da subtração da soma das práticas parentais negativas da soma das práticas parentais positivas: (A+B) - (C+D+E+F+G). O escore bruto deve ser consultado nas tabelas normativas em que são encontrados os percentis correspondentes. Assim, é possível encontrar o valor percentual e verificar a prática parental predominante, se é do tipo negativa ou positiva. Os estilos parentais são classificados nas seguintes categorias: ótimo (80 a 99), bom (55 a 75), regular (30 a 50) e de risco (1 a 25).

Considerações Éticas

Por se tratar de uma pesquisa com seres humanos, a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP - UNIVALI), sob certificado pelo número 1.320.235. Após a anuência, deu-se início a coleta de dados. Para a aplicação dos instrumentos, se fez necessário a assinatura dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), sendo destinado um termo para os pais e um para os filhos, no qual estavam elucidadas as condições e objetivos da pesquisa, bem como a garantia da devolutiva dos resultados do estudo aos participantes.

Procedimentos

Coleta de dados

O primeiro contato ocorreu com os responsáveis da escola para o levantamento do número de alunos com os critérios de inclusão estabelecidos. Após o delineamento da amostra, as pesquisadoras agendaram encontros individuais com cada criança e seu pai, para que fossem aplicados os instrumentos, de modo individual. A aplicação do inventário e do questionário sociodemográfico durou em média, 1 hora aproximadamente.

Análise dos dados

A análise de dados realizou-se a partir da estatística descritiva, por meio do registro de frequência e percentil (Sampieri, Collado, & Lucio, 2013). A tabulação dos dados ocorreu por meio da folha de resposta própria do instrumento IEP, que verifica sete práticas educativas. Após esse procedimento inicial de registro, os resultados obtidos foram submetidos a análises estatísticas através do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS) - versão 23.0, para melhor visualização e organização dos dados.

Resultados e discussão

A amostra analisada (n=48) foi composta por pais (n=24) e filhos (n=24). A maioria dos participantes da categoria “filhos” era do sexo feminino (58,3%), enquanto 41,6% pertenciam ao sexo masculino. Quanto à idade dos filhos, a maioria possuía idade entre 9 e 11 anos (79,1%), com maior concentração de escolaridade no 4º e 5º ano do Ensino Fundamental (70%).

Estilos Parentais

Em relação aos estilos parentais apontados no (IEP) por Gomide (2014), identificou-se que 16,6% dos pais classificaram-se como ótimos; 37,5% como bons; 29,1% como regulares e 16,67% como de risco. Já no que tange à resposta dos filhos, os resultados demonstram que 33% dos participantes classificaram o estilo parental como ótimo; 41,67% foram classificados como bons; 8,3% como regulares e 16,6% classificaram como de risco. Tais resultados estão apresentados na Figura 1. Acerca disto, discute-se a discrepância entre a percepção dos pais e dos filhos sobre o estilo parental avaliado como “ótimo” no Inventário de Estilos Parentais (IEP): enquanto 16,67% dos pais se autoperceberam com esse estilo, 33,33% dos filhos atribuíram essa classificação a seus pais. Tal disparidade pode estar relacionada a processos de autoexigência paterna, além dos pais não reconhecerem plenamente suas práticas positivas por se compararem a ideais parentais muitas vezes inatingíveis. Por outro lado, a avaliação dos filhos pode fazer menção às experiências afetivas e idealizadas da valorização familiar (Lamb, 2010; Pleck, 2010). Dados como esses destacam a importância de considerar a perspectiva das crianças na avaliação das práticas parentais, pois elas oferecem uma leitura relacional que complementa e, muitas vezes, ressignificam a autopercepção dos pais.

Figura 1 Estilos parentais na percepção de pais e filhos 

Os resultados possibilitam verificar ainda, que 37,5% dos pais se consideraram ou foram considerados por seus filhos - 41,6% - com estilo parental bom, isto é, encontram-se fora de grupo de risco. Nesse sentido, Sabbag e Bolsoni-Silva (2015), elucidam que quanto mais positivos forem os estilos e práticas parentais, no sentido de demonstrar a habilidade para o diálogo, permitir a expressão de opiniões, sentimentos e demonstrar carinho, bem como a participação ativa e o estabelecimento de limites, mais positivos serão os comportamentos dos filhos. Para tanto, o uso de atenção, afeto e responsividade estimulam as habilidades sociais positivas. Todavia, 16,67% dos pais foram descritos por seus filhos com o estilo parental de risco e, obteve-se a mesma porcentagem no que se refere ao resultado da autopercepção paterna sobre seus comportamentos. Bolsoni-Silva e Loureiro (2019), sustentam que os estilos parentais disruptivos, caracterizados pelo predomínio de práticas parentais negativas, parecem aumentar a probabilidade de problemas comportamentais externalizantes nos filhos e até mesmo prejudicar o desenvolvimento socioemocional infantil. Diante desses resultados, pode-se observar que 54,17% dos pais entrevistados apresentaram estilos parentais “ótimo e bom”, isto é, apresentam comportamentos considerados favoráveis ao desenvolvimento infantil, os quais são apresentados por meio de comportamentos de afeto, atenção, bem como, do uso de estratégia que auxiliam na compreensão de limites e regras. Já os pais dos estilos parentais “regular e de risco”, compõem 45,83% dessa amostra. Os comportamentos emitidos por estes sugerem um contexto familiar com vulnerabilidade e lacunas de afetividade, visto que as trocas de carinho são reduzidas, com baixo incentivo para o desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais das crianças, cujas respostas emitidas por meio do questionário semiestruturado de práticas parentais, na percepção dos filhos, ratificou os dados obtidos do IEP.

Práticas Parentais

Brincadeiras

Por meio da aplicação do questionário semiestruturado de práticas parentais, identificou-se, na dimensão de brincadeiras entre pais e filhos, que os pais dos estilos parentais “regular e de risco” apresentaram um resultado de 23%. Já para os pais dos estilos parentais “ótimo e bom”, o percentual de brincadeiras foi de 54,54%. Esses dados revelam que a interação por meio de brincadeiras e jogos físicos, é bastante característico do envolvimento paterno quando comparado com o envolvimento materno, que ainda se mantém mais relacionado aos cuidados básicos de alimentação, higiene e suporte emocional (Bossardi, Gomes, Vieira, & Crepaldi, 2013). Além disso, Becker e Crepaldi (2022), salientam que as demonstrações de carinho, perpassadas pelas brincadeiras entre pais e filhos, podem favorecer o desenvolvimento do apego seguro para a saúde mental, presente e futura, do indivíduo. Em contrapartida, negligenciar as necessidades infantis, tais como a participação ativa por meio de brincadeiras e jogos físicos - linguagens do universo simbólico e infantil , podem acarretar em prejuízos no desenvolvimento cognitivo e social das crianças (Bolsoni-Silva & Loureiro, 2019). As brincadeiras e as trocas afetivas facilitam a capacidade de aprendizagem e de habilidades sociais na infância. Em casos cuja interação entre pai e filho é menor, o desenvolvimento cognitivo infantil pode ser prejudicado, sendo este um fator de vulnerabilidade (Gomide, 2011).

Disciplina

Quanto ao aspecto da disciplina, as crianças cujos pais estão no grupo de estilos parentais “regular e de risco” atribuíram que 30,76% do comportamento de castigar era uma prática realizada pelo pai e 15,38% apontaram que se tratava de uma prática compartilhada entre o pai e a mãe. Tais aspectos, quando comparados aos estilos parentais “ótimo e bom”, 27% relataram ser o pai a figura que disciplina, embora que essa prática estivesse geralmente compartilhada com a figura materna. Segundo Gomide (2006), para o desenvolvimento saudável das habilidades parentais e das relações familiares, deve-se buscar uma distribuição equilibrada e congruente na aplicação da disciplina, dividida entre ambos os pais, a fim de estabelecer os limites, regras e valores na educação infantil. Os participantes apontaram que os castigos mais comuns aplicados pelos pais dos estilos parentais “regular e de risco” são: a) retirada de aparelhos eletrônicos como celular e tablet (30,76%); b) proibir de jogar bola (30,76%); c) proibir de brincar na rua (7,69%). Contudo, para 15,38% a prioridade é conversar ao invés de atribuir algum castigo. Em pais com os estilos parentais “ótimo e bom”, os castigos apresentados são: a) retirada de aparelhos eletrônicos como o celular (27,27%); b) proibir de assistir televisão (27,27%); c) proibir de jogar bola (27,27%); d) proibir de brincar na rua (9,09%); e) chinelada (18,18%); e f) sem castigo (27,27%). Esses dados obtidos chamam a atenção, pois na percepção dos filhos, os pais classificados com estilos parentais “ótimo e bom” foram aqueles que fizeram uso de práticas parentais coercitivas como o abuso físico, enquanto os pais com estilos parentais “regular e de risco” manifestaram a privação de atividades e objetos estimados das crianças e em algumas ocasiões, adotaram a estratégia do diálogo. Nesse sentido, é importante refletir ao conceito de “lealdades invisíveis” que, conforme Boszormenyi-Nagy e Spark (1984), são formas inconscientes de honrar as gerações familiares anteriores. Observa-se, assim, o reconhecimento de validar como um estilo parental positivo, a punição corporal, como uma herança afetiva familiar recebida. Entretanto, é importante reiterar que as práticas parentais coercitivas se caracterizam como estratégias negativas e danosas ao desenvolvimento afetivo, cognitivo e social dos indivíduos (Becker & Crepaldi, 2022). Ainda em relação ao item da disciplina, o questionário semiestruturado possibilitou verificar os motivos atrelados à disciplina e, neste caso, ao castigo - cuja prática parental de advertência foi a que mais se destacou. Em ambos os estilos parentais as respostas obtidas foram positivas, no sentido de explicar às crianças o motivador do castigo, bem como o comportamento desejado e que não correspondeu às expectativas paternas. Como resultados, os pais que apresentaram estilos parentais “regular e de risco”, a porcentagem de explicar a disciplina apontou 76,92% e nos estilos parentais “ótimo e bom” foi de 81%, na percepção dos filhos. Bolsoni-Silva, Loureiro e Marturano (2016), esclarecem que a comunicação clara a respeito do estabelecimento dos limites, regras e da expressão dos sentimentos, constituem-se práticas educativas positivas, de modo que as crianças consigam ter clareza daquilo que lhe é esperado.

Interação

No tocante às questões relacionadas à interação e atenção direcionada para as crianças, obtiveram-se os seguintes resultados: no grupo de estilos parentais “regular e de risco”, constatou-se que 15,38% das crianças sentiam-se tristes com a atenção dispensada; 7,69% bravos e 46,15% afirmaram sentir-se indiferentes em relação à falta de atenção do pai. Já nos estilos parentais “ótimo e bom”, 45% relataram sentir-se triste; 18% bravos e 36% indiferentes. Dados como esses são fundantes para refletir acerca dos sentidos atribuídos à presença paterna na concepção infantil. Neste caso, o sentimento de indiferença pode se constituir como um potencial fator de vulnerabilidade e de risco ao desenvolvimento, tendo em vista que a ausência de suporte emocional ou de negligência implicam em fatores prejudiciais para a saúde mental presente e, ainda, na formação de vínculos afetivos na vida adulta (Becker & Crepaldi, 2019; Steele, Townsend, & Grenyer, 2019). Gomide (2011), também complementa que filhos com pais negligentes podem se tornar agressivos, inseguros ou com baixa autoestima. Já nos estilos parentais “ótimo e bom” predominaram a tristeza perante a falta de atenção paterna, demonstrando assim que o pai exerce constantemente uma monitoria positiva, visto que os filhos sentem a falta da presença desta figura. Acerca disto, discute-se que o fator temporal, no sentido não apenas da qualidade da interação entre pai-filho, mas no tempo dispensado à criança, é um dos atributos que Lamb (2000) considera ao conceituar a dimensão de interação como um dos componentes que explicam o envolvimento paterno. Logo, envolver-se com o filho remete à quantidade de tempo e à qualidade da interação estabelecida com a criança, seja no auxílio das tarefas escolares, na provisão dos cuidados básicos ou na participação das brincadeiras.

Responsabilidades paternas

A fim de identificar as responsabilidades que o pai assume em casa, nos cuidados com o filho, atribuíram-se as seguintes classificações: 1) estar presente durante as refeições; 2) tirar dúvidas sobre as tarefas escolares; 3) colocar o filho para dormir; 4) assistir desenho ou TV; 5) passeios, esportes e andar de bicicleta. No grupo de pais dos estilos parentais “regular e de risco”, 46,15% das crianças identificaram a participação em mais de três das atividades apontadas acima; 30,76% participação em duas ou três atividades e 23,07% o pai participa de somente uma das atividades. No grupo pertencente aos pais de estilos parentais “ótimo e regular”, 63% das crianças responderam que o pai participa de mais de três atividades; 9% apontaram que o cuidador participa de todas as atividades propostas; outros 9% que a participação ocorre em duas ou três atividades e 18% apontaram para uma das alternativas. Dentre todas as respostas, a atividade em que o pai mais participa é durante a refeição, de modo que a soma de ambos os grupos obteve uma porcentagem total de 83% nesse quesito. Em relação à participação dos pais no auxílio às atividades diárias das crianças, as opções foram: tomar banho, escovar os dentes, pentear os cabelos, regras de etiqueta na mesa e arrumar a cama. No grupo de pais com estilos parentais “regular e de risco”, 61% das crianças optaram por somente uma das alternativas; 15% escolheram entre duas e três alternativas; 15% acima de três alternativas e 7% todas as alternativas. No grupo composto pelos pais de estilos parentais “ótimo e bom”, 9% das crianças responderam que o pai procura desenvolver todas as alternativas; 18% relataram acima de três alternativas; 45% entre duas e três alternativas e 27% que o pai está atento em uma das alternativas. A garantia de cuidados básicos são aspectos fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança desde o seu nascimento. Conforme Macarini, Crepaldi e Vieira (2016), a presença afetiva de um adulto cuidador na formação dos primeiros hábitos infantis e na satisfação de suas necessidades imediatas como alimentação, higiene, calor, abrigo e proteção são fatores primários para o desenvolvimento da afetividade, personalidade, sociabilidade e inteligência da criança. Dentro do aspecto das responsabilidades paternas, o tópico “tarefas escolares” sobressaiu-se entre as práticas parentais relatadas pelas crianças. Identificou-se, portanto, uma participação mais ativa dos pais relacionada às tarefas escolares nos estilos parentais “ótimo e regular”, correspondendo a 45% dessa amostra. Já nos pais com estilos parentais “regular e de risco”, a participação em tarefas escolares correspondeu a 23% das respostas. De acordo com os resultados apresentados, os pais com os estilos parentais “ótimo e bom” apresentaram participação mais ativa na vida escolar dos filhos. A presença da figura paterna nas atividades acadêmicas do filho demonstrou ser importante para as crianças participantes. Compreende-se que ao se envolver nas atividades escolares, o pai demonstra atenção concentrada no filho, estimula a afetividade e pode permitir o senso de autoestima e coesão familiar (Cia, Pamplin, & Wiliams, 2008). Por outro lado, a falta de participação paterna caracteriza-se como indicador de vulnerabilidade, por apresentar lacunas no que tange a atenção, omissão ou até mesmo ausência de afetividade (Vieira et al., 2014). Diante dos dados apresentados, considera-se que os estilos parentais positivos parecem demonstrar maior participação nas atividades diárias dos filhos, cuja literatura indica que quanto maior o envolvimento paterno, as chances do desenvolvimento de comportamentos pró-sociais, habilidades afetivas e cognitivas, bem como uma melhor interação entre pais e filhos, também são maiores de se fazerem presentes (Bolsoni-Silva & Loureiro, 2019; Bossardi et al., 2013).

Considerações Finais

Os estilos e práticas parentais positivas e consistentes podem promover o desenvolvimento saudável de habilidades sociais e afetivas dos filhos, além do melhor engajamento entre pares, autoestima e desempenho acadêmico na infância. Para tanto, este estudo se propôs a analisar o estilo parental e as práticas educativas de pais (homens) de crianças entre nove e doze anos, na perspectiva da díade pai-filho(a). De modo geral, os resultados apontaram que os estilo parentais dos participantes, do tipo “ótimo e bom”, se destacaram na amostra investigada. Dados como esses podem refletir em comportamentos considerados favoráveis ao desenvolvimento infantil, os quais são apresentados por meio de comportamentos afetivos, atenção, bem como do uso de estratégias que auxiliam na compreensão de regras e limites. Em relação às práticas parentais, o item das brincadeiras se evidenciou com maior frequência nos estilos parentais “ótimo e bom”, em contraposição ao “estilo regular e de risco”. Por outro lado, no quesito da disciplina, os pais classificados com estilos parentais “ótimo e bom” foram aqueles que fizeram uso de práticas parentais coercitivas como o abuso físico, enquanto pais com estilos parentais “regular e de risco” manifestaram a privação de atividades e objetos estimados das crianças e, em algumas ocasiões, adotaram a estratégia do diálogo. Na percepção infantil, uma parcela significativa de crianças manifestou tristeza e indiferença em relação à falta de atenção do pai. Tais resultados emergiram em ambos os grupos de estilos parentais: “ótimo e bom” e “regular e de risco”. Verificou-se, portanto, que a ausência paterna nas atividades cotidianas se constituiu um dado significativo. De outro modo, entre as responsabilidades paternas no âmbito doméstico, nos cuidados com o filho, emergiram as práticas de estar presente durante as refeições; tirar dúvidas sobre as tarefas escolares; colocar o filho para dormir; assistir desenho ou TV; andar de bicicleta, passear e praticar esportes em conjunto. Destacam-se como pontos positivos do estudo o recorte metodológico adotado, no sentido de investigar a relação paterna, sob a díade pai-filho(a), bem como o delineamento da temática, que somente pelo fato de realizar a pesquisa, em campo, possibilitou a visibilidade e a sensibilização do engajamento paterno e das práticas parentais para o comportamento infantil. Por outro lado, as limitações encontradas residiram no delineamento transversal e na aplicação da estatística descritiva que permitiu resultados pontuais acerca do fenômeno, não adotando métodos mais sofisticados de estatística inferencial, tais como os cálculos de correlação e regressão linear. Nesse sentido, sugerem-se estudos futuros do tipo longitudinais, os quais permitiriam o maior detalhamento e acompanhamento do fenômeno, ao decorrer do tempo, além de técnicas estatísticas mais aprofundadas e com diferentes variáveis sociodemográficas envolvidas, como renda, escolaridade e diferentes arranjos familiares. Espera-se que as reflexões discutidas neste estudo possam trazer subsídios para o avanço do conhecimento especializado, bem como oportunizar novos olhares na prática profissional de Psicólogos e terapeutas de família, no sentido de considerar a relevância das relações afetivas desenvolvidas na infância e a participação da figura paterna em diferentes contextos da sociedade.

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Recebido: 07 de Agosto de 2024; : 25 de Julho de 2025; Aceito: 28 de Julho de 2025

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