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Estilos da Clinica

versión impresa ISSN 1415-7128versión On-line ISSN 1981-1624

Estilos clin. vol.26 no.2 São Paulo mayo/ago. 2021  Epub 10-Nov-2025

https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v26i2p383-393 

Artigo

A voracidade do supereu e a anorexia na adolescência

La voracidad del superyó y la anorexia en la adolescencia

The superego's voracity and the anorexia in adolescence

La voracité du surmoi dans l'anorexie à l'adolescence

Dayane Costa de Souza Pena1 
http://orcid.org/0000-0001-9137-3846

Cristina Moreira Marcos2 
http://orcid.org/0000-0002-2481-2172

*Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. Email: dayanecspena@gmail.com

**Doutora em Psicanálise e Psicopatologia Fundamental pela Universidade de Paris 7. Professora Adjunta IV da Faculdade de Psicologia e docente permanente do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: cristinammarcos@gmail.com


Resumo

Neste artigo, abordamos as implicações de um supereu voraz na anorexia durante a adolescência a partir da psicanálise lacaniana. Para tanto, evidenciamos a adolescência enquanto um marco no processo de subjetivação, que convoca um outro posicionamento em relação ao sexual e ao desejo. A anorexia pode aparecer como uma via de posicionamento do sujeito diante da questão do sexual. Nesse caso, a voz do supereu, convocada como uma reposta ao dilema adolescente, conduz o sujeito a uma armadilha na qual o gozo é resultado da renúncia. Seu alto preço se faz ver em um corpo devorado pela voracidade e tirania do supereu.

Palavras-chave: anorexia; adolescência; supereu; corpo; gozo

Resumen

En este artículo, abordamos las implicaciones de un superyó voraz para la anorexia durante la adolescencia a través del psicoanálisis lacaniano. Para ello, destacamos la adolescencia como un hito en el proceso de subjetivación, que reclama otra posición en relación a la sexualidad y el deseo. La anorexia puede aparecer como una forma de posicionar al sujeto frente a la cuestión sexual. En este caso, la voz del superyó convocada como respuesta al dilema adolescente conduce al sujeto a una trampa, en la que el goce es fruto de la renuncia y cuyo alto precio se ve en un cuerpo devorado por la voracidad y la tiranía del superyó.

Palabras clave: anorexia; adolescencia; superyó, cuerpo; goce

Abstract

In this article, we approach the implications of a voracious superego for anorexia during adolescence through lacanian psychoanalysis. For this, we highlight adolescence as a milestone in the process of subjectivation, which calls for another position in relation to sexuality and desire. Anorexia can appear as a way of positioning the subject in the face of the sexual issue. In this case, the superego's voice summoned as a response to the adolescent dilemma leads the subject to a trap, in which the joy is the result of renunciation and whose high price is seen in a body devoured by the voracity and tyranny of the superego.

Keywords: anorexia; adolescence; superego; body; joy

Résumé

Dans cet article, nous abordons les implications d'un surmoi vorace dans l'anorexie à l'adolescence du point de vue de la psychanalyse lacanienne. Ainsi, nous soulignons l'adolescence comme un jalon dans le processus de subjectivation, qui appelle un autre positionnement par rapport à la sexualité et au désir. L'anorexie peut apparaître comme un moyen de positionner le sujet par rapport à la problématique sexuelle. Dans ce cas, la voix du surmoi, convoquée en réponse au dilemme adolescent, entraîne le sujet dans un piège où la jouissance est le résultat du renoncement. Son prix élevé se voit dans un corps dévoré par la voracité et la tyrannie du surmoi.

Mots-clés: anorexia; adolescence; surmoi; corps; jouissance

A adolescência, enquanto um conceito que demarca uma fase da vida humana, é relativamente recente, datando do final do século XIX e início do século XX. Desde a sua origem, é um conceito embebido nas marcas do discurso de uma época, de um sistema socioeconômico e cultural. A adolescência é considerada um momento crítico marcado por conflitos, separações, questionamentos, não reconhecimento do corpo e não saber sobre seu lugar no mundo. Por isso mesmo, a adolescência se faz um momento de experimentação e construção - da identidade, de um corpo desvelado para o sexo, de parceiros amorosos etc.

A adolescência não é um conceito psicanalítico, contudo isso não nos impede de extrair da obra freudiana e do ensino lacaniano elementos para pensar a adolescência e produzir um saber acerca de suas implicações para as subjetividades. Sendo assim, a adolescência será aqui concebida como um processo de subjetivação importante, não sem custos, no qual os dilemas interpostos na relação com o Outro devem conduzir o sujeito a um novo posicionamento.

A adolescência, na qualidade de ser um momento eleito para um (re)posicionamento do sujeito frente às demandas do Outro, não deixa de ser depositária do mal-estar inerente à vida simbólica, marcada pela incompletude do ser. Não é sem razão que ela é considerada como uma crise na qual os adolescentes passam a compor vários “grupos de risco” para a criminalidade, as adicções, as doenças sexualmente transmissíveis, as anorexias, as bulimias etc. Ou seja, a adolescência é tida, nesse contexto, como sendo ela própria sintomática.

Stevens (2013) nos lembra da proposição lacaniana em que o sintoma e a fantasia são concebidos enquanto pontos de basta, pontos de estabilização para a existência. Ao final da infância, os sujeitos se deparam com um real que incide abruptamente no corpo, sob a forma de um empuxo hormonal. “A puberdade é esse real que as crianças encontram quando chegam à saída da infância” (p. 1). É precisamente no encontro do sujeito com esse real, em que os sintomas e as fantasias construídas na infância já não podem operar como tais, que há uma busca por uma outra resposta, outros pontos de estabilização, um novo posicionamento frente ao Outro. Nesse cenário, a adolescência emerge para o sujeito como um sintoma da puberdade, um tempo de reorientação da fantasia. É válido enfatizar que o sintoma, para a psicanálise, não é um sinônimo de patológico, embora uma direção patológica possa ser tomada quando o sintoma se transforma em fonte de sofrimento para o sujeito.

Desse modo, é preciso reconhecer que o sintoma, como uma das formações do inconsciente, pode ser tomado pelo adolescente como uma possível resposta ao Outro e ao seu desejo; consequentemente, uma resposta ao mal-estar oriundo da sua relação com estes - uma resposta, obviamente, de altos custos para o adolescente. Sobre isso, Costa-Moura (2005, p. 114) afirma que o adolescente é “um sujeito, enfim, cujas manifestações costumam ter esse caráter de corte, de alteridade com relação aos ideais da cultura que os sintomas evidenciam”.

Apostamos na perspectiva psicanalítica acerca da adolescência, na medida em que ela torna possível uma outra direção de tratamento para esse sintoma que ainda hoje coloca em questão vários campos do saber (medicina, psicopatologia, psicologia e nutrição) ao colocar perante eles um sujeito que escolhe renitentemente “morrer de fome”.

A anorexia, como sabemos, não é um novo sintoma, próprio da contemporaneidade. De acordo com Bidaud (1998), os termos “anorexia nervosa” e “anorexia histérica” datam aproximadamente do ano de 1870 com os trabalhos dos médicos William Gull e Charles Lasègue. Caracterizada principalmente por uma recusa radical do sujeito aos alimentos e drástico emagrecimento, a anorexia continua a chamar nossa atenção na atualidade com o seu crescente número de casos, em sua maioria compostos por adolescentes do sexo feminino, e a gravidade dos casos.

Para Fleitlich et al. (2000), a anorexia é a patologia alimentar mais comum em adolescentes, com taxa de incidência nessa população de significativos 0,7%, acompanhada de taxas de morbidade e mortalidade, que variam de 4 a 8% dos casos identificados - umas das mais altas no âmbito das psicopatologias. Devemos recordar ainda que a anorexia pode manifestar-se associada às síndromes dismorfofóbicas (Greco, 2010), apontando para uma incongruência entre um ideal e o corpo.

Em torno da recusa alimentar radical da anoréxica - ou, como veremos adiante, do comer nada da anoréxica (Lacan, 1955-1956/1995) -, forma-se um discurso atravessado por um ideal de magreza, que recai de modo igualmente radical sobre o corpo. Esse corpo, na anorexia, nunca está suficientemente magro, embora mortificado. Ele se torna um corpo devorado pelo ideal que o habita.

Para além de apontar uma determinação de um ideal social e cultural na anorexia, intencionamos, neste artigo, reconhecer as origens inconscientes em torno da construção do ideal de imagem corporal e sua articulação à adolescência e à anorexia. Para este empreendimento, o conceito de supereu, na obra freudiana e no ensino lacaniano, vem mostrando-se fecundo, ao possibilitar apreender o imperativo (de gozo) severo e cruel de cumprimento de um ideal de eu imposto pela adolescente anoréxica ao seu próprio corpo, mesmo que ao custo do seu aniquilamento. O preço que se paga se dá a ver nas dores estomacais, musculares e de cabeça intensas, desmaios, inanição, perda dos cabelos, quebra das unhas, perda cálcica dos ossos e amenorreia, em decorrência da restrição alimentar drástica e da prática de atividades físicas excessivas, além do uso abusivo, em alguns casos, de purgativos.

O supereu é a instância constituída pelas vozes de autoridade do Outro, incorporando deste toda a sua austeridade. Não podemos esquecer ainda que o supereu, de acordo com o ensino de Lacan, traz consigo a exigência imperativa do gozo - Goza! -; consequentemente, o que coloca em cena o corpo. Para os estudos em psicanálise acerca da anorexia na adolescência, a incidência do supereu sobre o corpo se mostra, então, extremamente importante, como aprofundaremos adiante.

A anorexia e a adolescência

Freud, em História de uma neurose infantil (1918[1914]/2010), ressalta a relação entre adolescência e anorexia, desvelando nela uma via de posicionamento do sujeito frente à questão do sexual. Ele afirma que a anorexia é uma neurose que se manifesta em meninas durante a puberdade ou pouco depois, na juventude, sendo um modo possível de expressão da aversão à sexualidade.

Cabe destacar que a sexualidade não deve ser tomada aqui enquanto reduzida à maturação dos órgãos genitais ou à produção de sensações de prazer sobre eles. A sexualidade, sobre a qual Freud nos ensina ao longo de sua obra, implica a possibilidade para o sujeito de fazer laço com o outro. Isso nos permite inferir que tudo que se refere às operações de linguagem, como o falar e o representar, bem como todo o possível investimento do sujeito em um semelhante, em um ideal ou em qualquer objeto da cultura, tem caráter sexual (Pena & Calazans, 2015).

Tal articulação, realizada por Freud (1918[1914]/2010), entre a sexualidade na adolescência e a anorexia, evidenciam, desse modo, uma motivação inconsciente por trás das manifestações de recusa da anoréxica - recusa do alimento, do tratamento, do falar, etc. Podemos compreender que essa motivação encontra-se sempre nas possibilidades de enlaces e desenlaces do sujeito com o Outro, como discutiremos melhor adiante.

O tema do posicionamento do sujeito perante a sexualidade na puberdade é também abordado por Freud em Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905/2016), mais especificamente no terceiro ensaio: As transformações da puberdade. Apesar de o autor não se utilizar do termo adolescência nesse ensaio, quando ele se refere à puberdade, não se limita aos aspectos da maturação dos genitais, mas também evoca os dilemas do sujeito quanto a uma nova possibilidade de enlaçamento simbólico com o Outro, a partir de um reposicionamento diante da sua lei. Declara, por exemplo, que “a afeição infantil pelos pais é sem dúvida o mais importante, embora não o único, dos vestígios que, reavivados na puberdade, apontam o caminho para a escolha de objeto” (Freud, 1905/2016, p. 216). É, então, no tempo da puberdade que o sujeito pode lançar mão das consequências de seu Édipo, quanto à partilha dos sexos e à inscrição da norma fálica, em uma das realizações psíquicas mais significativas e ao mesmo tempo mais dolorosas, que visa à sua separação da autoridade dos pais e à assunção da responsabilidade pelo desejo.

Assim, a partir de Freud (1915/2016), inferimos que as mudanças corporais próprias à puberdade também produzem seu efeito para o sujeito. Elas o convocam a lidar com o real do gozo e, desse modo, impõem a ele um reajuste quanto às suas identificações primordiais ao Outro. De um corpo infantil, cujas marcas do sexual estão veladas pelo discurso do Outro, a um corpo púbere, transformado pelos caracteres sexuais secundários e produtor de novas sensações, o sujeito, agora, deve se encontrar com um Outro sexuado, que deverá servir-lhe de referência para se localizar na partilha dos sexos.

Retomando a anorexia, observamos que o que está em jogo para o sujeito é a tentativa de separação do Outro colocada em cena por seu “comer nada” (Lacan, 1956-1957/1995). É justamente a partir do seu “comer nada” que, conforme nos ensina Lacan em seu seminário A relação de objeto (1956-1957/1995), a anoréxica procura inverter a sua posição de dependência ao Outro materno, Outro esse tido como onipotente. No entanto, na anorexia, enquanto um sintoma, o sujeito sempre cai na sua própria armadilha. Essa armadilha está na condição de capricho que a anoréxica assume, a qual a coloca à mercê da sua própria onipotência, à mercê da Outra cena. Dessa maneira, a dinâmica da anorexia neurótica sempre comporta dois polos paradoxais - a alienação e a separação -, que são operados de forma radical pelo sujeito.

De um lado, a alienação radical, com o encontro do sujeito com um Outro tido como onipotente, que sufoca o desejo com o objeto que oferece - “a papinha sufocante” (Lacan, 1958/1998) -; e, do outro lado, a separação radical, em um propósito de negação absoluta, pela recusa radical do sujeito, à dependência constitucional por intermédio do Outro. Isto é, no ímpeto da separação anoréxica, existe uma “paixão absoluta pela liberdade em detrimento do vínculo imposto pelo significante” (Recalcati, 2007, p. 23).

A relação que pretendemos destacar entre a adolescência e a anorexia se inicia justamente com a convocação do sujeito frente à separação do Outro a partir dessas duas formas de se posicionar. Porém, apesar da atração entre ambas, existe um ponto de não convergência entre adolescência e anorexia. Enquanto a adolescência seria um arranjo, ainda que de elaboração e consequências difíceis para o sujeito, bem-sucedido frente à constituição e à responsabilização do sujeito para com seu desejo, a anorexia enreda-se em um arranjo mortífero; logo, malfadado, em que o sujeito não consegue assumir a responsabilidade por seu desejo nem pelas consequências da sua constituição pelo Outro. Um arranjo mortífero que pretende a anulação de quaisquer marcas do Outro, com destaque para as marcas no corpo, o preço alto da própria vida em muitos casos.

Corpo, imagem e supereu

Lembremo-nos do corpo anoréxico que, em concordância com Silva e Bastos (2006), é esquálido e mortificado, mas que, ainda assim, se configura como um corpo fálico, super-investido libidinalmente, que adentra no jogo de barganha entre o sujeito e o Outro “Pode ele [Outro] me perder?” (Lacan, 1964/2008, p. 210), é a pergunta formulada quando a criança lança mão da fantasia de seu desaparecimento, da sua própria morte, para testar os limites do amor e do desejo do Outro. Trata-se de um corpo que recua frente ao real do sexo e a uma nova modalidade de gozo, elementos pelos quais o Outro demanda um reposicionamento do sujeito.

O corpo púbere é aquele que coloca em questão para o sujeito o seu encanto imaginário, narcísico, mediante o reconhecimento de uma identidade formada anteriormente com o outro. Recalcati (2007, p. 126), em La última cena: anorexia y bulimia, denomina este desencontro do sujeito anoréxico com a imagem do corpo de “dismorfofobia estrutural”. Essa última traz à tona, para o sujeito, a incapacidade de controlar, de governar, o próprio corpo diante das transformações da puberdade, o que acaba por abalar a sua ilusão de um eu corporal organizado, funcional e silencioso. O sujeito defronta-se, dessa forma, com o real pulsional, que atravessa em excesso e rompe com o seu ideal de eu.

Mais precisamente, no tempo da adolescência, o problema do ‘governo’ de parte do eu da emergência do real pulsional, empreende na lógica anoréxica dois caminhos fundamentais: o caminho do masoquismo moral, ou seja, o caminho do supereu, e aquele que denominamos de a estetificação da imagem do corpo. Estes dois caminhos definem em seu conjunto o específico da operação anoréxica como operação que se origina na crise adolescente para fazer frente ao real da pulsão através do poder da imagem (Recalcati, 2007, p. 126: grifos do autor).

Como aponta Recalcati (2007), o masoquismo moral e a estetificação da imagem do corpo são operações aliadas, que atuam em função de um supereu tirânico, no posicionamento do adolescente anoréxico frente ao real pulsional do corpo e à convocação de um Outro sexuado. Para melhor compreensão dessas operações, partimos daquilo que Freud (1924/2011), em O problema econômico do masoquismo, nos ensina sobre o masoquismo moral.

Efeito direto da crueldade do supereu sobre o eu, Freud (1924/2011, p. 200) relaciona o masoquismo moral a um “sentimento de culpa inconsciente” que advém principalmente pelo fracasso da realização do ideal de eu. Tal sentimento de culpa, segundo o autor, é passível de ser reconhecido igualmente como “uma necessidade de punição” (p. 200) voltada contra o eu. Ademais, é no masoquismo moral que encontramos certa insistência de conservação do sofrimento por uma via mórbida - o ganho do sintoma -, configurando-se um impedimento à cura.

O supereu, em sua face de herdeiro do Complexo de Édipo, é a instância que se apropria da autoridade e da severidade dos pais em seus atos normativos e de punição. Ainda que eles sejam, por outro lado, solícitos e amorosos com seus filhos, esses últimos aspectos são deixados de lado. Isso porque o supereu não é constituído de acordo com o modelo de criação dado pelos pais, mas sim com o próprio supereu dos pais. Daí, o seu caráter cruel e tirânico, que ameaça incessantemente o eu sob pena da perda do amor do outro. Contudo, Freud (1933[1932]/2006) ressalta que o supereu não se encerra nos pais. Ele é capaz de ampliar suas referências para figuras de autoridade análogas, como são os professores, as governantas e os líderes religiosos.

Na atualidade, não seria possível acrescentar à lista dessas referências as mídias e as redes sociais? Pois nos parece que essas ferramentas ou mais especificamente os discursos que nelas transitam, assumem cada vez mais a forma de um imperativo - o que indica também para o caminho da impessoalidade tomado pelo supereu no sujeito. Dessa maneira, o conteúdo do supereu traz as marcas dos valores morais e restrições sociais e culturais que são transmitidas ao longo das gerações. Ou seja, trata-se de articulações entre discursos e, por conseguinte, entre formas de laço de social que, quando sustentadas nas figuras que encarnam essa autoridade para o sujeito, tornam a punição do eu sempre iminente.

O supereu desempenha as funções de auto-observação, de consciência moral e de ideal de eu (Freud, 1933[1932]/2006). A consciência moral é formada, a priori, pela incorporação da crítica parental e, posteriormente, da crítica da sociedade. Ela é resultado das vozes de uma multidão não passível de identificação de acordo com Freud (1914/2004). Vozes do Outro, conforme podemos apreender do ensino lacaniano, que impõem ao eu um imperativo de gozo do qual não pode fugir. Então, é preciso que o sujeito faça algo dele. O mesmo processo pode ser pensado para a função da auto-observação, com a diferença de que é a incorporação do olhar vigilante do Outro que atravessa o eu.

O ideal de eu, por sua vez, é resultado do investimento libidinal dos pais sobre o corpo da criança, oriundo do próprio ideal narcísico daqueles que não o cumpriram. Um ideal de perfeição, que a criança se vê impelida a resgatar e a lançar sempre, enquanto exigência de realização futura, em decorrência de seu fracasso no presente. Eis que o ideal de eu “é transmitido pela voz e tutelado pela consciência moral” (Freud, 1914/2004, p. 114). Isso implica que a exigência de cumprimento do ideal de eu é feita em consonância com a voz severa e a crueldade do crivo crítico do Outro assimilado pela consciência moral. Há aqui, portanto, um imperativo tirânico dirigido ao eu que visa a atingir um suposto gozo através da efetuação do ideal. Como já mencionamos, é justamente no fracasso inerente à realização do ideal de eu que habita o sentimento de culpa e o ímpeto de punição do masoquismo moral resultante da voracidade do supereu sobre o eu.

Construímos aqui a hipótese segundo a qual quando o adolescente é convocado a um novo posicionamento em face do real do sexo em seu corpo, real que escancara o desgoverno do eu sobre o gozo e sobre o desejo, ele recorre ao supereu, cuja autoridade e ideal já estão fortemente instaurados como verdades. Verdades construídas pelas vozes que povoam o inconsciente do sujeito e sustentadas por lhe conferirem um a mais de gozo. O adolescente anoréxico, então, toma o imperativo do supereu como algo externo a ele próprio e sem implicação. Resgatando as origens do supereu, esse sujeito apreende o seu imperativo enquanto ordens do Outro, tirânico e cruel, que o impedem de se separar.

Segundo Recalcati (2007, p. 152), as ações do supereu excluem o sujeito e imputam um movimento automático e repetitivo, sem qualquer dialética entre a Lei e o desejo, enredando uma armadilha de gozo - “‘Não comas!’ (imperativo anoréxico)”. Ao optar por lançar mão do supereu em resposta ao dilema adolescente, o sujeito encontra na anorexia uma via de identificação com a Lei do Outro, identificação que se configurará uma forma de gozo. É aqui que nos deparamos com o masoquismo moral na anorexia, em que o gozo advém da renúncia de um desejo, por meio do sentimento de culpa e necessidade de punição do eu.

Cabe retomar que o descumprimento da Lei do Outro coloca em cena, para o sujeito, a possibilidade de perda do amor do Outro. Quanto a isso, a anoréxica parece não querer se arriscar ainda que pague o valor do seu assujeitamento radical ao Outro. Para se separar de um Outro tão feroz e voraz, como este que se apresenta para o sujeito por meio do supereu, a estratégia de separação da anoréxica precisa ser igualmente radical a ponto de almejar paradoxalmente a sua anulação.

Pela via da estetificação da imagem corporal, mencionada por Recalcati (2007), a anoréxica ratifica, uma vez mais, a sua posição paradoxal diante do Outro e do desejo. A operação da estetificação da imagem também retoma o supereu, para referenciar-se em sua função de ideal. Entretanto, diferentemente do que poderia ser esperado mediante o supereu, não é o ideal de eu que se apresenta aqui, mas sim o eu ideal. Isso porque “a anoréxica parece dar lugar a uma espécie de construção patológica do eu ideal que impede o acesso à construção simbólica do ideal de eu” (Recalcati, 2007, p. 114).

Para Recalcati (2007), diante do aumento da espessura real da pulsão sobre o corpo, a adolescente, pela via da anorexia, recorre a um simétrico aumento da espessura do registro imaginário por meio de uma inflação exacerbada e narcísica do eu ideal. Uma estratégia da qual a anoréxica adolescente se serve, que se mostra muito precária, uma vez que logra uma possibilidade de domínio do ideal imaginário sobre a pulsão. Falta a esse sujeito, portanto, “um organizador simbólico consistente para tratar o real” (Cunha & Lima, 2012, p. 799). Ou melhor, ante o real da pulsão, ele opta pela ilusão da imagem ideal em detrimento da operação simbólica da castração.

Para Pencak e Bastos (2009), não se trata aqui da exclusão da castração na anorexia - como ocorre na psicose. Refere-se a uma atualização da vertente imaginária da castração, em que a anoréxica toma a magreza como forma de sua execução, de encarná-la, mediante um corpo que sempre apresenta um excesso a ser extirpado - de carne, gordura, curvas. Claramente, essa castração imaginária se faz insuficiente e paradoxal, na medida que exige ser constantemente revalidada. É um corpo nunca suficientemente magro, antagônico ao ideal da imagem corporal.

É no âmbito da estetificação da imagem corporal que o eu ideal é então resgatado pelo sujeito, dos primórdios da sua relação com o Outro e com o corpo (narcisismo primário), mediante o supereu, como um tirânico e voraz imperativo de gozo pela imagem. Daí, a fixação à imagem na anorexia, que alude à recusa do sujeito em se haver com o real do sexo, o qual atravessa o corpo do adolescente e deturpa sua imagem idealizada, assim como com a falta-a-ser inerente à condição de desejo: “Nesse ponto, o sujeito lança mão da imagem para tentar recobrir, com uma espécie de prótese imaginária, o falta-a-ser” (Val, Marinho, Ferreira & Rosa, 2014, p. 254). Trata-se, na anorexia, de uma tentativa obstinada de fazer o ser coincidir-se com a imagem, excluindo qualquer mediação do simbólico e não abrindo possibilidade para a instauração do ideal de eu.

Entendemos que a anoréxica, em resposta ao dilema adolescente, espera restaurar as referências de uma imagem corporal e de um Outro primordial por ela já constituídos e conhecidos ainda que ao preço da manutenção de seu assujeitamento. Todavia, o ônus do assujeitamento ao ideal narcísico de perfeição ditado pelo Outro primordial é cobrado justamente quando ela se coloca frente ao espelho e não vê a imagem ideal (eu ideal), já que esta é da ordem do impossível de ser encarnada. Dessa maneira, o que a anoréxica vê no espelho é sempre uma imagem “monstruosa”, não compatível com a imagem idealizada de um corpo magérrimo, perfeito (Recalcati, 2007). Incompatibilidade que é retratada com frequência pela anoréxica em seu discurso, como no caso apresentado por Tfouni, Mouraria e Ferriolli (2011, p. 366: grifo do autor): “Então assim, a minha dificuldade é autoimagem e mesmo assim, se você se olhar no espelho, você se enxerga gorda no espelho apesar de você estar magra (...)”.

É por haver algo de insuportável nesta imagem “monstruosa” que retorna à anoréxica - um resto da não identidade entre o real e o imaginário (Recalcati, 2007) -, que as paradoxais operações de alienação e de separação do Outro são colocadas em cena pelo sujeito de forma radical. Valendo-se dos caminhos da própria imagem, a anoréxica procura capturar o olhar e causar o horror ao Outro pondo em questão o seu ideal de perfeição, por exemplo, quando leva às últimas consequências um ideal de beleza magra vigente e amplamente veiculado na cultura. É se fazer morrer e mostrar morrer para o Outro em prol de um ideal (masoquismo moral) conforme também podemos extrair do relato de caso:

Então assim que (...) que eu não estava enxergando aquilo, que eu estava tão assim (...) obcecada com a intenção de morrer, com a (...) ideação (difícil entender) suicida mesmo, que eu não queria viver mais, que aquilo ali não estava me assustando, e isso assustava a equipe, não a mim, a mim aquilo lá não preocupava nem um pouco. (...) eu usava diurético, laxante, esses remédios desses que eles fazem propaganda na televisão para regime, eu tinha bicicleta ergométrica, eu ficava à base, assim, de duas horas pedalando na bicicleta ergométrica (Tfouni, Mouraria & Ferrioli, 2011, p. 367: grifo do autor).

É assim que, concomitantemente ao questionamento do ideal do Outro, presenciamos a paradoxal e inexorável adesão a esse ideal narcísico, imposto cruelmente pelo supereu, a ponto de o sujeito considerar que sua única possibilidade de separação é pela negação absoluta do Outro, o que resultaria na sua própria anulação.

Inferimos que a via da estetificação da imagem corporal, indicada por Recalcati (2007), coincide, além disso, com a posição subjetiva que a anoréxica assume de “ser” um corpo, e não de “ter” um corpo. Isso implica uma identificação maciça com o seu corpo e, por conseguinte, um apagamento do sujeito, por meio de uma alienação radical à imagem em detrimento da falta inerente à articulação entre os significantes do discurso.

Desse modo, vemos a anoréxica seguir na contramão daquilo que Lacan (1975-1976/2007, p. 146), em seu seminário O sinthoma, nos ensina sobre a relação do sujeito com o corpo, pois “tem-se seu corpo, não se é ele em hipótese nenhuma”. À medida que o sujeito assume a posição de ter um corpo, e não de sê-lo, ele permite que o corpo se torne um elemento significante, logo, portador de uma dialética, de uma mobilidade, passível de circulação em uma cadeia. Isso significa que esse corpo pode ingressar nas relações de troca entre o sujeito e o Outro.

Ao tentar “ser” um corpo, reduzido ao imaginário, a anoréxica impõe-se uma ausência de movimento, de circulação na cadeia significante, de recusa ao discurso (mutismo próprio às anoréxicas). Ela encontra-se, tal como Narciso, enfeitiçada por uma imagem que sempre lhe escapa. Mantém-se alheia à vida (simbólica) a ponto de morrer de fome, de inanição. Contudo, ainda que a aposta da anoréxica na imagem seja compatível com uma tentativa de anulação do Outro, pela identificação com o engodo de uma imagem perfeita, não podemos esquecer o que Lacan (1949/1998) ensina: para que a imagem unificada se institua para a criança e sobreponha seu corpo, é preciso um Outro que a ratifique no espelho.

Embora a adolescente anoréxica se aliene radicalmente numa tentativa de identificação à imagem ideal, sabemos que essa identificação não consegue se sustentar - como demonstra o retorno de uma imagem sempre monstruosa perante o espelho. Aspecto que expõe, outra vez mais, o emaranhamento do sujeito ao sintoma pela ordem do supereu, que adentra em um circuito característico da pulsão de morte, no qual prevalece “a tentativa e repetição de recuperação de gozo” (Cordeiro & Bastos, 2011, p. 455) - diga-se ainda: dimensão de gozo impossível e mortífera.

Além disso, o ideal sempre cobra o alto preço da renúncia pulsional e, como sabemos, não é esse o caminho de uma análise. A abstinência da satisfação pulsional não provoca o apaziguamento do supereu. É justamente o oposto disso, na renúncia à pulsão habita um supereu ainda mais voraz, poderoso e impetuoso. (Cordeiro & Bastos, 2011).

Considerações finais

Em face do real da puberdade que invade o corpo na saída da infância, a adolescência se revela como um marco no processo de subjetivação, o qual convoca um outro posicionamento em relação ao sexual e ao desejo. O adolescente é então conduzido a um (re)encontro com o próprio corpo - dessa vez um corpo atravessado e transformado pela puberdade -, com o sexo e, por conseguinte, com outras possibilidades de gozar. Enquanto isso, na relação com o Outro e o seu desejo cabe ao sujeito operar uma separação - tarefa nada fácil, conforme nos alerta Freud (1905/2016).

Eis que aqui a anorexia pode ser eleita pelo sujeito enquanto resposta ao dilema adolescente. Com certeza uma via de alto custo para o sujeito, ao consideramos a radicalidade do posicionamento anoréxico, pelo qual ele quase sempre joga com o limite entre a vida e a morte. Assim, se existe uma relação entre a adolescência e a anorexia, esta se inicia com o chamamento do sujeito para uma separação do Outro. Pela anorexia, como vimos, o sujeito almeja se separar do Outro, mas de uma forma radical, o que paradoxalmente escancara a sua igualmente radical posição de assujeitamento ao Outro. Isto posto, a anoréxica não consegue se separar verdadeiramente do Outro, uma vez que ela só vislumbra essa separação pela via da anulação do Outro (uma tentativa de solução para o seu assujeitamento), porém sem o qual se faz impossível desejar. Da mesma maneira, a anoréxica não quer arcar com o corpo púbere e tudo que ele pode representar no campo do Outro sexuado, ela nega esse corpo.

É precisamente essa radicalidade assumida pelo sujeito na anorexia que nos indica o caminho para um supereu tirânico e voraz. Supereu que imputa ao sujeito um imperativo de um gozo impossível de um ideal também impossível. Na anorexia, parece-nos que se trata de um ideal impossível de se fazer existir como pura imagem. Pois, como sabemos, o corpo não se reduz a uma superfície imaginária, ele possui um peso e uma consistência.

Portanto, apostamos que a possibilidade de uma psicanálise com a anoréxica encontra-se precisamente naquilo que o ideal não pode sustentar, possibilitando um lugar para a falta(-a-ser). É nas trilhas do desejo, tão caro ao sujeito na anorexia e posto em cena na tentativa (embora malfadada do sintoma) de separação do Outro, que caberá ao analista promover um tratamento para o supereu e apontar uma outra direção para o gozo.

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**O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

Revisão gramatical: Rogério Lucas de Carvalho. E-mail:gerocarvalho@hotmail.com

Recebido: Outubro de 2020; Aceito: Julho de 2021

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