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Revista da SBPH

Print version ISSN 1516-0858

Rev. SBPH vol.28  São Paulo  2025  Epub June 06, 2025

https://doi.org/10.57167/rev-sbph.2025.v28.722 

Pesquisa original

Representação social de mães adolescentes sobre a paternidade: narrativas em um hospital universitário

Social representation of teenage mothers about paternity: narratives in a university hospital

Gabrielle MACIEL-PEREIRA1  , Concepção do estudo, coleta de dados, análise dos dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0000-0002-8809-0498; lattes: 8416012637568207

Camila Pascoti Lapin GIUBBINA1  , Concepção do estudo, redação do manuscrito, revisão crítica para conteúdo intelectual importante
http://orcid.org/0000-0002-4147-6377; lattes: 7664520598270797

Flávia Ramos DUARTE1  , revisão crítica para conteúdo intelectual importante
http://orcid.org/0009-0009-5382-6870; lattes: 1487720309065037

Caio Cezar Sangioni CERATT2  , análise dos dados, redação do manuscrito, revisão crítica para conteúdo intelectual importante
http://orcid.org/0000-0002-7607-1089; lattes: 5166015033722133

1Universidade Federal do Paraná – UPFR, Complexo Hospital de Clínicas do Paraná – CHC, Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Atenção Hospitalar em Saúde da Mulher – PRIMAHSM. Curitiba, PR, Brasil

2Universidade Federal do Paraná – UFPR, Complexo Hospital de Clínicas do Paraná – CHC, Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Atenção Hospitalar em Saúde do Adulto e Idoso – PRIMAHSAI. Curitiba, PR, Brasil


Resumo

Refletir sobre a paternidade implica revisitar a história e os construtos sociais relacionados à definição de ser pai e às suas responsabilidades. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a Representação Social de gestantes e puérperas adolescentes quanto ao papel paterno esperado durante a gestação e na criação dos filhos. Trata-se de uma pesquisa de campo qualitativa, fundamentada na Teoria das Representações Sociais. A coleta de dados se deu por meio de entrevistas com adolescentes gestantes e puérperas em uma maternidade de alto risco no Paraná. Observou-se uma prevalência de ideal igualitário quanto ao cuidado da prole e às atividades domésticas. Os desfechos da gravidez na adolescência mostraram-se profundamente vinculados ao contexto social, escolaridade, rede de apoio e significado da maternidade para o grupo inserido, podendo assumir diferentes contornos conforme o ambiente em que ocorre.

Descritores: Gravidez na adolescência; Paternidade; Representação social

Abstract

Thinking about fatherhood means going through history and social constructs regarding the definition of being a father and its responsibilities. The objective of this research was to analyze the Social Representation of pregnant and postpartum women teenagers in relation to the expected paternal role during pregnancy and in raising their children. The present investigation was characterized as field research, with a qualitative approach, which used the Theory of Social Representations as a theoretical basis. The information was obtained through interviews with pregnant and postpartum adolescents from a high-risk maternity hospital in Paraná. One can observe a prevalence of an egalitarian ideal regarding the care of offspring and domestic activities. The outcomes of the phenomenon of teenage pregnancy are intrinsically linked to the social context, education, support network and significance of motherhood for the group in which it is inserted and can take on different contours depending on where it occurs.

Descriptors: Adolescent pregnancy; Paternity; Social representation

INTRODUÇÃO

Pensar sobre a parentalidade é percorrer a história e por construtos sociais acerca do que tange uma definição do ser mãe, pai e suas atribuições. O conceito de maternidade ideal, por exemplo, passou por significativas alterações ao longo dos séculos, constituindo o que hoje popularmente se entende como a função a ser desempenhada por uma mãe na sociedade. De modo geral, a maternidade esteve por milênios associada à uma concepção essencialista, relativa à função natural e instintiva de procriação, com foco sobretudo na preservação da espécie. Desde a antiguidade, há uma progressiva significação desse encargo, em que as mães passam a serem vistas como figuras centrais na composição familiar, visão moldada fortemente por valores patriarcais, religiosos, culturais, políticos e sociais de cada época e local (Badinter, 1985).

Com a evolução técnico-científica na modernidade, a maternidade passa a ser sistematicamente estudada pelas ciências biológicas e comportamentais. Um exemplo fundamental é a teoria de Freud (1905/1976), que trouxe a relação da díade mãe-bebê para o centro das atenções, postulando a importância das experiências precoces na infância e seu papel estruturante no desenvolvimento psíquico do indivíduo. Ainda, os textos de Winnicott (1957) e Bowlby (1958) expandiram essa visão e enfatizaram o cuidado materno consistente e responsivo como essencial para o desenvolvimento emocional saudável das crianças.

Esse movimento intensificou um processo de maternagem como objetivo final feminino nas décadas de 1950 e 1960, em que se idealizou a mãe como figura devotada e sacrificial, dedicada ao bem-estar doméstico, marital e da prole, às custas de suas próprias necessidades e interesses pessoais. Na história ocidental capitalista, esses conceitos foram e continuam norteados por uma estrutura patriarcal de sociedade, delimitando o espaço feminino e masculino; ao homem, os espaços públicos, à mulher, os espaços domésticos e o cuidado da prole (Braga & Lima, 2020).

Com o desenvolvimento do movimento feminista e progressiva inserção feminina no mercado de trabalho na década de 1970, vê-se um maior questionamento e ressignificação da maternidade nas sociedades ocidentais. A batalha por direitos reprodutivos e maior igualdade entre os gêneros ilumina o debate sobre escolher ou não gestar e criar um filho, assim como a divisão dos cuidados com o cônjuge e o papel individual de cada genitor no desenvolvimento infantil (Bruschini, 2007). Estudos contemporâneos trazem cada vez mais a maternidade como uma experiência plural, diversa, com inúmeras possibilidades de escolhas e desafios, como a conciliação entre carreira e responsabilidades familiares e pressões sociais de performar um papel de maternidade ideal (Beltrame & Donelli, 2012). Atualmente, entende-se a maternidade cada vez mais como um fenômeno dinâmico, multifacetado, complexo, moldado por fatores sociais, culturais, econômicos e psicológicos.

Já no tocante à paternidade, é possível visualizar na literatura que o conceito e a definição do que é de fato ser um pai foi se modificando ao longo da história, dependendo de características como contexto socioeconômico e cultural, nunca sendo algo definitivo e normativo. Por muito tempo, a função principal de um genitor era a de figura educadora, mantenedora e disciplinadora, não raramente permeando a rigidez e a repressão (Benczik, 2011).

Após a Segunda Guerra Mundial, ocorreram alterações importantes nas sociedades ocidentais no que concerne à família nuclear e as dificuldades econômicas e trabalhistas, o que acaba por trazer a figura paterna para mais perto das atividades e do desenvolvimento de seus filhos. Assim, em contraste com o modelo patriarcal, a sociedade pós-moderna traz o surgimento de novos formatos de família, onde a paternidade deixa de abarcar apenas a função provedora, para incluir atitudes de maior envolvimento afetivo com a prole (Souza & Benetti, 2009).

Especificamente acerca da função do pai, de acordo com Lamb (2010), por um longo período foi desconsiderada a importância deste no desenvolvimento infantil, resultando em pesquisadores focados na relação das mães e seus filhos. Atualmente, tem-se uma visão mais participativa do pai na vida dos filhos e filhas e, do mesmo modo, a paternidade como uma experiência importante para o homem. Entretanto, por mais que os estudos que tratam do tema tenham mostrado um pai contemporâneo mais participativo e compartilhando funções antes vistas como maternas, antigas concepções acerca dos papeis de gênero tradicionais ainda são bastante observadas, principalmente entre as camadas mais populares da sociedade (Bernardi, 2017; Bustamante, 2005). Santos e Kreutz (2014) apontam, ainda, a importância de novas investigações que analisem mais profundamente a paternidade atual e as relações iniciais na díade pai-bebê desde o período gestacional, visto que cresce o incentivo da participação paterna nas consultas pré-natais e no nascimento do filho nas salas de parto.

Investigações acerca do envolvimento paterno indicam que a relação pai-bebê durante o período gestacional age de maneira estruturante para a relação do pai com a criança após o nascimento (Menezes et al., 2019). Para Lamb et al. (1985), três aspectos devem ser levados em conta no tocante ao envolvimento paterno: interação, acessibilidade e responsabilidade. A interação, segundo os autores, se refere ao contato direto do pai com seu filho, provendo cuidados e compartilhando atividades; a disponibilidade está relacionada ao conceito de potencial do pai de estar disponível para a interação, em virtude de estar presente ou acessível à criança, interagindo diretamente no momento ou não; e a responsabilidade refere-se não à quantidade de tempo gasto sendo acessível aos filhos, mas ao papel que o pai assume certificando-se de que a criança é cuidada e providenciando a disponibilidade de recursos para a ela (Lamb et al., 1985).

Os autores salientam que a mudança que ocorre para chegar à paternidade acontece desde a gestação, momento em que o genitor pode acompanhar a gestante em sua rotina de preparação para o parto, incluindo o estreitamento do vínculo emocional com a mulher e o filho (Lamb et al., 1985). Assim, a chamada “nova paternidade” não se configura de maneira linear; ela traz consigo aspectos socioculturais que abrangem o conceito de homem e seu papel, além de elementos que atravessam suas experiências na família de origem, remontando suas próprias experiências com seus genitores.

A presença e interação do pai com seus filhos durante o crescimento da criança é um dos fatores mais importantes para que ela se desenvolva cognitiva, psicológica e socialmente, promovendo sua capacidade de aprendizagem e de integração em seu meio (Benczik, 2011). Eizirik e Bergmann (2004) confirmam em seu estudo que a ausência dessa interação pode promover crises durante o desenvolvimento psíquico infantil, assim como influir no surgimento de distúrbios comportamentais.

Bowlby (1989) traz em sua teoria a importância dos cuidadores de uma criança ou adolescente em prover um ambiente seguro e uma base onde esta possa explorar seu meio e retornar, certos de que serão encorajados a continuar a descobrir o mundo, onde terão apoio e serão confortados se houverem sofrimentos. O resultado dessa relação em que existe um apego seguro seria, segundo o autor, um sentimento de segurança e confiança da criança em relação aos que a rodeiam e a ela mesma (Bowlby, 1989).

Assim, vemos que o ideal de cuidador, pai e mãe, que é complexo e ainda não desvendado totalmente pelas ciências sociais, encara uma complexidade ainda maior quando compete à parentalidade adolescente. Tornar-se mãe, especificamente, durante a adolescência, é um evento de vida significativo e crítico; são confrontos com a crise de desenvolvimento em ser adolescente e tornar-se mãe. A transição que a mulher e o casal passam nesse período tem um grande impacto sobre suas vidas, suas famílias, seu meio e futuro (Uengwongsapat et al., 2017).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência é o período compreendido entre os 10 e os 20 anos incompletos e estaria dividida em Pré-adolescência – dos 10 aos 14 anos – e Adolescência – dos 15 aos 20 incompletos (World Health Organization [WHO], 2009). Para Macedo et al. (2017), a adolescência é caracterizada por um período do desenvolvimento que demarca a transição entre a infância e a vida adulta em nossa sociedade. As autoras descrevem essa fase como um momento de inúmeras transformações físicas, neuroquímicas, cognitivas, emocionais e comportamentais, trazendo novas demandas em relação ao convívio social, construção da identidade, valores, crenças, maior desenvolvimento da autopercepção, habilidades e competências novas, assim como tomadas de decisão quanto ao futuro profissional (Macedo et al., 2017).

Assim, quando ocorre uma gestação nesse período, além dos conflitos de papeis entre vivenciar a adolescência e descobrir-se enquanto indivíduo integrante do meio em que vivem, os genitores tendem a experienciar estresses e sofrimentos psíquicos, resultantes de uma incapacidade em manejar as tarefas de seu próprio desenvolvimento com as da parentalidade (Levandowski et al., 2008). Além das psicológicas, as consequências sociais são inúmeras, como por exemplo: interrupção ou abandono escolar; atraso ou a inserção não qualificada no mundo do trabalho e uma continuidade do ciclo intergeracional de pobreza e desigualdade (Cruz et al., 2016).

Apesar da diminuição dos índices de gestações na adolescência nos últimos anos no Brasil, o país permanece acima da média mundial e ainda registra taxas altas em comparação a outros países, inclusive entre as faixas etárias mais baixas. Segundo os dados do Ministério da Saúde, compilados pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), adolescentes entre 10 e 14 anos dão à luz a mais de 19 mil bebês por ano. Urge, assim, a importância da disseminação de informações adequadas e da educação sexual como objeto de prevenção à gravidez precoce, instrumento de discussão e identificação de violências (Fundo de População das Nações Unidas [UNFPA], 2021), além da necessidade de produção de investigações que se apropriem de conceitos como a parentalidade e apresentem como esta tem se mostrado na atualidade, em diferentes contextos sociais e etários.

Desse modo, a Teoria das Representações Sociais (TRS), de Serge Moscovici (2003), é trazida como forma de identificação dessas narrativas maternas. O autor propõe que este é um “estudo científico do senso comum”; uma forma de conhecimento socialmente elaborado e compartilhado que tem um objetivo prático e concorre para a construção de uma realidade comum a um conjunto social, uma vez que, segundo o autor, o que entendemos do mundo são respostas aos estímulos recebidos pelo ambiente no qual vivemos (Moscovici, 2003). Seriam verdadeiras teorias do senso comum, elaboradas de maneira coletiva por meio das interações sociais sujeito-sujeito e sujeito-instituição, num determinado período de tempo, em espaços e cultura determinados, na busca de transformar o estranho em familiar e lidar com o que se apresenta (Moscovici, 2003).

Portanto, procurou-se analisar com a presente pesquisa a representação social de um grupo de mães e gestantes adolescentes acerca do ideal de atuação paterna nos cuidados com os seus filhos, o que seus parceiros fizeram ou mudaram durante a gestação e as expectativas em relação à criação dos bebês. Além disso, verificou-se a média de idade paterna de filhos de mães adolescentes, explorou-se variáveis relacionadas à atuação paterna e idade do genitor, e identificou-se a reação do genitor frente à notícia da gestação na visão das mães.

MÉTODO

A investigação caracterizou-se como uma pesquisa de campo que teve por objetivo identificar a Representação Social (RS) presente na narrativa de gestantes e puérperas (recém-mães) adolescentes em relação à atuação paterna esperada na gestação e na criação de seus filhos. Dentro da TRS, temos a abordagem processual ou culturalista de Denise Jodelet (2001), que entende as representações como definições compartilhadas nos processos e produtos simbólicos dos indivíduos, construídas como uma “visão consensual da realidade” (Jodelet, 2001, p. 71). Muito utilizada em investigações de método qualitativo, essa abordagem entende que um estudo em RS deve abranger a narrativa dos grupos que a criam de um objeto em específico, assim como suas práticas sociais e comportamentais expressas nas RS. Há também o exame documental e registros que institucionalizam os discursos e práticas do grupo, e interpretações que são dadas pelos meios de comunicação, que influenciam na manutenção e modificação das RS (Almeida, 2005; Wachelke & Camargo, 2007). Assim, a autora traz que a realização de entrevistas com os participantes, permite uma análise profunda das relações sociais e do comportamento das pessoas, além de suas falas (Jodelet, 2005).

A abordagem da investigação selecionada para análise dos dados foi a qualitativa, onde busca-se a tipificação da variedade de representações das pessoas em seu ambiente, com o objetivo de conhecer a maneira como as pessoas se relacionam com seu mundo cotidiano (Bauer & Gaskell, 2008). A pesquisa qualitativa preocupa-se com o nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, trabalha com o universo de significados, motivações, aspirações, crenças, valores e atitudes (Minayo, 2014).

A coleta de dados foi realizada por meio de aplicação de questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada em adolescentes gestantes ou puérperas, de 10 a 20 anos incompletos, internadas nos alojamentos conjuntos de uma maternidade em um hospital universitário no sul do Brasil, tendo todos os leitos destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), entre os meses de março e julho de 2023.

Os instrumentos foram aplicados em local apropriado, mediante autorização do responsável legal das adolescentes, por meio de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e concordância das participantes a partir da assinatura do Termo de Assentimento, conforme Resolução Nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (Conselho Nacional de Saúde [CNS], 2012), bem como autorização da instituição, por meio de Carta de Anuência. A partir da aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição, as participantes foram convidadas a responder a pesquisa fora do leito, em local reservado, após atendimento psicológico beira leito realizado por uma das autoras atuantes na Maternidade.

Visto o caráter qualitativo das informações coletadas, optou-se pela realização de uma análise temática dos dados coletados, que, segundo Ayres (2008), trata-se de uma estratégia que reduz e analisa as informações, pela qual os dados qualitativos são segmentados, categorizados, resumidos e reconstruídos, de modo que capture conceitos importantes inseridos no conjunto de dados obtidos. A análise temática é, principalmente, um meio descritivo que facilita a busca por padrões de experiência dentro de um conjunto de dados qualitativos; assim, o produto de uma análise temática é a descrição desses padrões e do abrangente que os une (Ayres, 2008).

Sobre o procedimento de análise de dados, foi utilizado o software IRaMuTeQ (Interface de Rpour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires) (Ratinaud, 2009), com o propósito de se conduzir uma análise textual, de acordo com a análise de similitude, nuvem de palavras e a técnica de Classificação Hierárquica Descendente (Camargo & Justo, 2013; Reinert, 1990).

A análise de similitude se baseia na teoria dos grafos, possibilitando a identificação e ocorrências concomitantes entre palavras, trazendo indicações da conexidade entre elas, o que auxilia a detecção da estrutura de um corpus textual, diferenciando, ainda, comuns e especificidades em função das variáveis ilustrativas (descritivas) identificadas na análise (Marchand & Ratinaud, 2011). A nuvem de palavras as agrupa e as organiza graficamente em função da sua frequência, possibilitando uma rápida identificação das palavras-chave de um corpus (Camargo & Justo, 2013).

Já o método de Classificação Hierárquica Descendente (CHD) proposto por Reinert (1990) classifica os segmentos do texto transcrito para o corpus em função do vocabulário identificado, e seu conjunto é dividido com base na frequência de suas formas reduzidas, ou seja, palavras já lematizadas. Esta análise tem como objetivo obter classes de Unidades de Contexto Elementares (UCE) que apresentam vocabulário semelhante entre si, e vocabulário diferente das UCE das outras classes identificadas.

RESULTADOS

Ao todo, foram entrevistadas 30 jovens, três gestantes e 27 puérperas, com idades entre 14 e 20 anos, conforme descrito no Tabela 1. A maior parte da amostra apresenta-se como legalmente maior de idade (53,3%), natural do estado do Paraná (93,3%), primípara (80%), em união estável (56,6%), com ensino médio incompleto (53,3%) e em ocupações empregatícias ou estudantis pré-gestação (50%). Em relação a formação, 56,6% relataram ter evadido da escola em algum momento do período acadêmico, sendo que 40% delas se afastou das ocupações estudantis devido a questões diretamente relacionadas à gestação.

Tabela 1 Descrição etária das entrevistadas e genitores 

Idade em anos Genitores Genitoras
n % n %
+20 18 60 - -
20 3 10 3 10
19 3 10 7 23,3
18 2 6,6 6 20
17 2 6,6 4 13,3
16 2 6,6 4 13,3
15 - - 5 16,6
14 - - 1 3,3

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Sobre as ocupações exercidas anteriormente ou durante o período gestacional, metade das participantes alegou estar desempregada ou fora da escola, 26,6% estavam estudando no momento da coleta, 16,6% tinham vínculo formal de trabalho, 10% trabalhavam de forma autônoma ou informal, e 3,3% trabalhavam de forma informal e concomitantemente estudavam.

Sobre as características principais dos genitores, a maioria era composta por homens acima de 20 anos (70%), natural do estado do Paraná (70%), sendo pai pela primeira vez (83,4%), em união estável (60%), onde 36,6% possuíam Ensino Médio Completo e a mesma porcentagem com Ensino Médio Incompleto. 46,6% evadiram do colégio em algum momento do período escolar, mas nenhum dos afastamentos foi devido questões diretamente relacionadas à gestação de suas companheiras. Cerca de 40% dos genitores possuíam vínculo formal empregatício no momento da entrevista, e a mesma porcentagem trabalhava de forma autônoma ou informal.

Foi questionado o uso de SPA (Substância Psicoativa) pelas participantes durante o período gestacional ou anterior, com índice positivo em 26,6% da amostra. Destas, 10% fizeram ou faziam uso de narguilé, 6,6% utilizaram cigarro de tabaco durante a gravidez, 6,6% fizeram uso de cannabis na gestação e 3,3% referiram uso de cocaína anterior à gestação. Dentre as participantes que relataram fazer uso de SPA durante a vida, a idade média referida para início do uso foi de 14 anos. Já em relação ao uso de substância pelos genitores, 33,3% relataram histórico de uso anterior ou atual. Destes, 13,3% faziam uso de narguilé no momento da coleta, 13,3% faziam uso de cannabis, 6,6% utilizavam cigarro de tabaco, e a mesma porcentagem fazia uso de álcool diariamente; 3,3% fizeram uso de cocaína anteriormente. Dentre os relatos de uso de SPA, a idade média referida para início do uso pelos genitores de seus filhos foi de 15 anos.

Das participantes que relataram estar em um relacionamento amoroso no momento da entrevista, 80% se relacionavam com os genitores dos filhos que esperavam ou acabaram de ter, onde 63,3% destas também residia com estes homens. A maioria (30%) das participantes relatou estar em um relacionamento amoroso no período entre um e dois anos, 26,6% até um ano, 16,6% entre três e quatro anos, 6,6% entre dois e três anos e 3,3% estava em um relacionamento a mais de quatro anos. Das participantes que referiram estar solteiras, foi verificado que o relacionamento afetivo que resultou na gestação teve a média de duração de no máximo um 1 ano.

Acerca do uso de métodos contraceptivos durante este período, 66,5% referiram ter feito uso durante todo o relacionamento ou pelo menos em algum período; 33,3% relataram não ter feito uso de nenhum método durante todo o relacionamento. Das que referiram utilizar, 45% relataram ter utilizado métodos anticoncepcionais hormonais, entre eles: anticoncepcional oral, injeção anticoncepcional mensal ou trimestral, e DIU (Dispositivo Intrauterino) hormonal. 40% referiram fazer uso de preservativo masculino e 15% faziam uso de métodos mistos.

Referente ao planejamento familiar, 76,6% dos casais não pretendiam ter filhos no momento da descoberta gestacional, mas 83,3% desejava ser mãe e pai em outro período de suas vidas. A maior parte (73,3%) das gravidezes foi descoberta ao longo do primeiro trimestre gestacional, e a notícia foi recebida majoritariamente (66,6%) com sentimentos de medo, nervosismo, desespero, susto e choque pelas jovens.

A maior parte (60%) das famílias das gestantes apresentou reações descritas como positivas e acolhedoras, onde 93,3% referiu ter recebido algum tipo de apoio durante a gestação. De modo semelhante, 73,3% das famílias dos genitores de seus filhos tiveram reações descritas como positivas e acolhedoras frente à notícia da gestação, onde 93,3% referiu ter recebido algum tipo de apoio da família do genitor durante a gestação. Frente à notícia da gestação de suas companheiras ou ex-parceiras, 93,3% das participantes referiram reações positivas, e 33,3% dos genitores apresentou ou verbalizou sentimentos como medo, nervosismo, desespero, susto e choque.

A maior parte da amostra (40%) referiu ter comunicado inicialmente a gestação aos companheiros e genitores dos bebês, onde 90% classificaram a própria rede de apoio como efetiva durante o período perinatal. Em relação aos registros paternos em cartório, a maioria (60%) ainda não o havia realizado, principalmente pela ocorrência do nascimento há cerca de dois dias do momento da entrevista e/ou o genitor não estar presente no hospital durante o parto e pós-parto.

Acerca das próprias criações, a maior parte das participantes (53,3%) referiu ter sido criada por ambos os genitores, e uma parte menor, 33,3%, alegou ter sido criada apenas pela mãe. O índice de separação entre os genitores das jovens entrevistadas durante o período perinatal ou ao longo de suas criações foi de 50%. Já em relação aos genitores, a maior parte das participantes (46,6%) referiu que estes foram criados por ambos os pais. Uma parte menor, 30%, alegou ter sido criado apenas pela mãe.

Referente a qualidade do vínculo das participantes com os próprios genitores, metade da amostra referiu ter vínculo afetivo com ambos os pais, 23,3% relataram ter relação próxima apenas com a mãe, 23,3% responderam ter relacionamento distante ou ruim com o seu genitor, 16,6% referiram não ter nenhum tipo de vínculo com o próprio genitor, 10% relataram ter vínculo distante ou ruim com ambos e 13,3% responderam ter passado pela perda de um dos genitores. Sobre a qualidade do vínculo dos genitores com seus pais, 40% das respondentes referiram ter vínculo afetivo com ambos os pais, 26,6% relataram ter relação próxima apenas com suas mães, 16,6% responderam ter relacionamento distante ou ruim com ambos os genitores, 16,6% referiram não ter nenhum tipo de vínculo com o genitor, 6,6% relataram ter vínculo afetivo apenas com os genitores, 10% responderam ter passado pela perda de um dos genitores, 3,3% são órfãos e 3,3% não souberam informar.

Foi perguntado às jovens, ainda, por meio de questões abertas, suas visões e expectativas em relação à atuação dos genitores durante a gestação, parto, primeiros cuidados e ao longo da criação de seus filhos. De modo semelhante em todas as questões, o conceito de os genitores estarem presentes durante os períodos citados foi o mais frequentemente relatado como esperado pelas jovens.

O corpus utilizado para as análises textuais foi constituído por 216 Unidades de Contexto Iniciais (UCI) com 147 segmentos analisados, ou seja, 68,06% do corpus. A partir de matrizes cruzando segmentos de texto e palavras, aplicou-se o método da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e obtivemos 4 classes (Figura 1).

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Figura 1 Dendograma da classificação hierárquica descendente 

O Dendograma de Classificação Hierárquica Descendente permite compreender as expressões e cada uma das palavras proferidas pelos participantes, analisando-as a partir de seus lugares e inserções sociais (Mendes et al., 2016). Nessa figura, que ilustra as relações interclasses, a leitura deve ser feita da esquerda para a direita, ou seja, num primeiro momento, o corpus foi dividido em dois subgrupos. Num segundo momento, o subgrupo inferior foi dividido novamente em dois, onde o superior se repartiu novamente, e resultaram as classes 2 e 3. Isso significa que a classe 1 possui menor relação ou proximidade com as classes 2, 3 e 4, e as classes 2 e 3 possuem maior relação ou proximidade entre si e com a classe 4. A CHD parou aqui, pois as quatro classes mostraram-se estáveis, ou seja, compostas por UCE com vocabulário semelhante.

Cada classe traduz uma pergunta aberta realizada às participantes durante a entrevista, respectivamente: o ideal de atuação paterna durante a gestação; expectativa de atuação durante o trabalho de parto, parto ou procedimento cesáreo; funções a serem desempenhadas durante o pós-parto imediato e puerpério; e práticas idealmente realizadas pelos genitores durante o desenvolvimento infantil de seus filhos.

Mais da metade (56,6%) das participantes citaram a palavra “presença” e derivados em seus discursos referente ao papel que desejam que seus companheiros desempenhem durante suas gestações; 43,3% citaram “ajuda” e “apoio”, onde destes, 13,3% foram referentes ao apoio emocional/mental, 10% ao financeiro e 20% não especificaram o tipo de auxílio esperado; 23,3% citaram “companhia” e “companheirismo” e 10% citaram a importância do acompanhamento paterno nas consultas de pré-natal. A frequência de cada termo foi ilustrada por meio da técnica de nuvem de palavras e análise de frequência realizada no software IRaMuTeQ (Ratinaud, 2009), descritas, respectivamente, na Figura 2 e Tabela 2.

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Figura 2 Nuvem de palavras referente a expectativa de atuação paterna durante a gestação 

Tabela 2 Frequência de ocorrência de formas ativas 

Forma Frequência Tipos
presença 15 nom
ajudar 6 ver
apoio 6 nom
acompanhar 4 ver
companheirismo 4 nom
companhia 3 nom

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Notas: ver = verbal; nom = nominal.

Durante o período de trabalho de parto, 73,3% citaram termos como “dar força”, “apoiar”, “ajudar” e “passar calma”; 26,6% referiram a importância da presença de seus companheiros no momento do parto e 10% citaram termos relacionados à “companheirismo” e “companhia”. A frequência de cada termo foi ilustrada por meio da técnica de nuvem de palavras na Figura 3.

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Figura 3 Nuvem de palavras referente a expectativa de atuação paterna durante o parto 

No período do pós-parto imediato e puerpério, as palavras “ajuda” e “auxílio” foram referidas no discurso de 46,6% da amostra, principalmente em referência a tarefas domésticas e aos cuidados básicos de higiene com o recém-nascido. 30% acreditam que o ideal seja uma divisão de tarefas de modo igualitário entre os genitores nos cuidados com o bebê e com a casa, e 23,3% das entrevistadas citaram a presença paterna como característica fundamental na atuação do genitor neste período. A Figura 4 ilustra a frequência dos termos supracitados.

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Figura 4 Nuvem de palavras referente a expectativa de atuação paterna durante o puerpério 

Finalmente, quando questionadas acerca do papel a ser desempenhado idealmente pelo genitor ao longo do desenvolvimento de seus filhos, 46,6% das participantes referem a educação como atuação paterna essencial, 40% citam sua presença como fundamental durante o crescimento da criança, 26,6% referem a importância do cuidado, amor e demonstração de afeto, e 20% relatam a crença de uma divisão igualitária nas tarefas diárias e cuidados com a criança. A frequência de cada conceito citado foi ilustrada por meio da técnica de nuvem de palavras e análise de frequência descritas, respectivamente, na Figura 5 e Tabela 3.

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Figura 5 Nuvem de palavras referente a expectativa de atuação paterna durante o desenvolvimento infantil 

Tabela 3 Frequência de ocorrência de formas ativas 

Forma Frequência Tipos
educar 9 ver
presença 9 nom
amor 5 nom
carinho 5 nom
cuidar 5 ver
educação 5 nom
ajudar 4 ver
cuidado 4 nom
amar 3 ver
dar 3 ver
dividir 3 ver
ensinar 3 ver
presente 3 nom

Fonte: Elaborado pelos autores (2024).

Notas: ver = verbal; nom = nominal.

DISCUSSÃO

É relevante, antes de discutir os resultados encontrados, a contextualização de onde parte a presente investigação. A escolha pela coleta de dados com mães e gestantes adolescentes, ao invés de com os recém-pais, deu-se em conformidade à experiência das autoras nos Alojamentos Conjuntos da referida Maternidade, onde constatou-se que a grande maioria das jovens que ganham seus filhos no local, permanecem acompanhadas de suas mães e outras mulheres de sua confiança. Esse fenômeno evidencia como as tarefas de cuidado são frequentemente associadas às mulheres e interpretadas como parte natural da vivência do gênero feminino, reforçando uma divisão de papeis sustentada por construções sociais (Guedes & Daros, 2009).

Outro fator decisivo para o delineamento do método utilizado na investigação se deu frente à escassez percebida na literatura nacional sobre o tema, apesar de sua grande relevância para entender a dinâmica social em relação à gestação precoce e criação de futuras intervenções psicossociais acerca da gestação na adolescência, planejamento familiar e perspectivas maternas e paternas na inserção no mercado de trabalho.

A partir disso, pode-se verificar alguns padrões na amostra pesquisada. Enquanto a média de idade das jovens entrevistadas foi de 17,4 anos, a média etária dos genitores foi de 22,1 anos, apresentando uma diferença média de 4,7 anos entre os casais. Ainda que todas as relações tenham sido classificadas como consentidas legalmente pelas idades das jovens, e referidas como aceitas no âmbito social e familiar, pode-se hipotetizar o pouco controle das adolescentes frente o evento da iniciação sexual. Calcula-se que mulheres que iniciaram suas vidas sexuais com homens mais velhos, com sete ou mais anos de diferença, proporção referida por 30% das entrevistadas, têm o dobro de probabilidade de relatar uma iniciação não desejada em comparação com as que iniciaram com homens em idades similares (Federação Latino-Americana de Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia [FLASOG], 2011).

Corroborando este dado, Aquino et al. (2003) refere como resultado de sua investigação um índice de 37,6% das jovens entrevistadas tendo sua primeira gestação com um parceiro de dois a quatro anos mais velho que elas, e 42,2% com um parceiro cinco ou mais anos mais velhos. A diferença de idade entre as partes traduz uma assimetria em relação a posições binárias, influenciando tanto a responsabilização unilateral pela prevenção da gestação quanto os cuidados com a criança. Essa discrepância etária tende a trazer problemáticas tanto para a gestante quanto para seu concepto, uma vez que as diferenças de maturidade cognitiva, desenvolvimento socioemocional e experiência de vida entre os genitores facilita, por exemplo, a ocorrência de episódios de abuso ou coerção, tendo em vista que muitas jovens nessas situações acreditam que a submissão seria a única forma de manter o relacionamento (Minayo et al., 2011; Santiago & Coelho, 2010; Schleiniger, 2014).

Ainda referente a idade dos genitores e suas especificidades, foi verificado que, mesmo com a menor frequência de pais com idades abaixo de 20 anos, foi maior a porcentagem de ações consideradas positivas por essa população durante o período perinatal, o que indica viés favorável de atuações positivas em genitores de menor idade em comparação a genitores mais velhos. A esse respeito, a literatura da área aponta os benefícios de ações voltadas à inclusão do pai adolescente nos acompanhamentos perinatais em saúde, onde observa-se um impacto positivo tanto na vida deles quanto na de seus filhos, abrindo possibilidades para reflexões mais amplas referentes ao compromisso por parte dos adolescentes nas esferas da vida sexual e reprodutiva e do cuidado para com a criança (Levandowski et al., 2008; Meincke & Carraro, 2009; Melo et al., 2012).

Referente à reação dos genitores, observou-se que 93,3% das participantes referiram ter recebido respostas positivas frente à notícia da gestação, e 33,3% dos genitores apresentaram ou verbalizam sentimentos como medo, nervosismo, desespero, susto e choque. Achados de outras investigações demonstraram a existência de mudanças consideradas positivas no processo de tornar-se pai; muitos jovens encaram a paternidade como uma espécie de rito de passagem para a vida adulta, consagrando um perfil mais responsável de viver, vendo no nascimento da criança uma oportunidade de se firmar em seu meio social (Arilha 2001; Cabral, 2002; Fávaro et al., 2019; Melo et al., 2012). Por outro lado, alguns autores assinalam a ocorrência também de emoções negativas e anseios frente à notícia de uma gestação precoce, como medo, angústia e insegurança, indicando que a forma como a paternidade é representada e vivenciada varia de acordo com o contexto em que ela acontece (Melo et al., 2012; Souza, 2013).

Acerca da Representação Social de gestantes e puérperas adolescentes em relação à atuação paterna esperada no período perinatal e criação de seus filhos, pode-se observar uma prevalência de um ideal igualitário quanto ao cuidado da prole e atividades domésticas. Grande parte da amostra cita que, independentemente de estarem em um relacionamento amoroso, a presença, afeto e divisão de cuidados da criança com o genitor seria o ideal durante o desenvolvimento de seus filhos. A literatura corrobora uma mudança de paradigma nos últimos anos referente a criação de filhos em países ocidentais; hoje vemos uma crescente troca do núcleo familiar em relação ao modelo hierárquico anteriormente vigente, onde as funções familiares pré-estabelecidas e o poder centralizado na figura do pai é cada vez mais deixada de lado, e um modelo mais igualitário, no qual se destacam os ideais de liberdade e respeito à individualidade toma lugar. Há uma crescente desconstrução de padrões e normas previamente estabelecidas, com muitas funções e papeis sendo negociados entre os membros (Bem & Wagner, 2006; Böing & Crepaldi, 2016; Trindade et al., 1997; Weber et al., 2004).

De certo modo, vê-se que a própria definição de família parece estar em questão no discurso das jovens, uma vez que o modelo tradicional herdado dos anos 50, do pai trabalhador e a mãe doméstica, parece estar deixando de ser hegemônico. Esse modelo de divisão de funções rigidamente delimitadas aparece como uma primeira versão do que se pode chamar de família moderna, que, apesar de localizar-se em um curto período de tempo, compreendido entre 1900 e 1970, produziu forte impacto sobre o imaginário popular, produzindo profundas raízes em termos de ideais de casamento e de papeis de gênero a serem desempenhados (Amato et al., 2007; Jablonski, 2010).

Todavia, embora haja crescimento de evidências científicas de uma maior participação masculina em tarefas domésticas e atividades de cuidado com os filhos nos últimos anos, autores apontam que esse aumento ainda não foi suficiente para que as mulheres não se sintam sobrecarregadas ao final do dia, demonstrando possível insuficiência na realização dessas atividades pela população masculina (Bruschini & Ricoldi, 2012; Picanço et al., 2021).

Dentre os resultados verificados no estudo, em geral, nota-se pela fala das jovens mães um desejo de que os companheiros sejam pais de maneira holística; ativos, conscientes, envolvendo-se de maneira afetiva e contribuindo no cuidado e bem-estar físico e emocional dos filhos. Para além das expectativas das adolescentes, a presença do pai na divisão de tarefas domésticas e no cuidado com os filhos favorece o bem-estar da díade mãe-bebê, podendo traduzir-se, ainda, em uma redução de eventuais sintomatologias depressivas no período perinatal (Souza et al., 2013; Theme Filha et al., 2016). Além disso, uma participação paterna ativa auxilia no desenvolvimento social e intelectual, melhora o desempenho acadêmico e reduz problemas e conflitos no ambiente escolar das crianças (Benczik, 2011; Cia & Barham, 2009; Hennigen, 2010; Oliveira et al., 2022).

Jodelet (2001) evidencia que as Representações Sociais de uma determinada experiência, como saberes elaborados e compartilhados em um meio social específico, constituem-se a partir de atores sociais, inseridos naquele contexto, e de objetos sociais. Desse modo, como exercício do senso comum, as representações refletem grupos e pessoas que os constituem, delineando e concebendo fenômenos que traduzem um sentido específico e consensual da realidade que os permeia. Nesta pesquisa, as condições de produção das RS dizem respeito diretamente à cultura, posição econômica e social, institucional e educacional, dentre outras variáveis sociodemográficas das jovens entrevistadas. Nesse sentido, para o grupo investigado, a ocorrência da paternidade, adolescente ou não, pressupõe responsabilidade. Assim, a construção de uma nova configuração familiar e relacional entre os genitores demonstra alterações principalmente no que tange aos cuidados do filho recémchegado (Barbosa et al., 2016; Guedes et al., 2012; Souza et al., 2012).

As divergências que circundam a representação da gestação precoce como um fenômeno desejado ou como um risco estão intrinsecamente ligadas ao contexto cultural, econômico, social e político para serem formadas, uma vez que interferem no processos ancoragem e objetivação, descritos por Moscovici (2003), que evidencia que estes “(. . .) transformam o não-familiar em familiar, primeiramente transferindo-o a nossa esfera particular, onde nós somos capazes de compará-lo e interpretá-lo; e depois, reproduzindo-o entre as coisas que nós podemos ver e tocar, e, consequentemente controlar” (p. 61).

Desse modo, quando a gestação precoce se ancora em uma visão idealizada da maternidade, observa-se a construção de uma identidade responsável ou de um status social valorizado. No entanto, ao ser associada à concepção contemporânea de adolescência, ela é frequentemente percebida como um risco às expectativas sociais para o jovem, o que pode resultar em evasão escolar, perpetuação da pobreza e imaturidade. Assim, ao considerar as Representações Sociais (RS) como fenômenos que amparam a compreensão tanto do subjetivo quanto da realidade social do indivíduo, torna-se essencial investigar esses processos para compreender os fenômenos da gravidez na adolescência e da paternidade (Moscovici, 2003).

Ainda, é interessante verificar o fenômeno da maternidade e paternidade na adolescência dentro de uma perspectiva social dos gêneros. Uma vez que 40% de todas as evasões escolares maternas nesta investigação permeiam questões diretamente relacionadas à gestação, nenhuma das evasões paternas teve relação direta à gestação de suas companheiras. Vemos, então, que apesar de descrito na literatura uma progressiva participação paterna no desenvolvimento dos filhos, os papeis feminino e masculino aparecem ainda consolidados como marcadores sociais binários, onde, antes mesmo do nascimento, a maior responsabilidade e vivência da parentalidade ainda recaem mais fortemente sobre o feminino (Dias & Teixeira, 2010; Santos et al., 2016).

Do viés biológico, há um aumento considerável no risco de recém-nascidos de mães adolescentes apresentarem desfechos negativos como parto prematuro, baixo peso ao nascer e mortalidade neonatal, quando comparados a filhos de mães adultas. Adolescentes que gestam pela primeira vez possuem maior probabilidade de experienciar intercorrências obstétricas, como infecções urinárias, pré-eclâmpsia, eclampsia, e ruptura prematura de membranas (Rossetto et al., 2014; Brandão & Cabral, 2021). Já as multíparas ficam mais suscetíveis a problemas hipertensivos e de restrição de crescimento uterino (RCIU), dado importante quando considerado que a reincidência de gestações precoces aumenta conforme idade materna, inadequação escolar pela idade e jovens que possuem o companheiro como provedor (Assis et al., 2022).

CONCLUSÃO

A parentalidade precoce e não intencional representa um evento social complexo e multifacetado, que impacta significativamente o curso de vida dos jovens que a vivem. Esta investigação objetivou explorar as representações sociais de mães adolescentes sobre o papel paterno, revelando que, para o grupo pesquisado, o ideal de paternidade está atrelado a uma presença igualitária e ao envolvimento direto no cuidado dos filhos e nas responsabilidades domésticas. Esse ideal demonstra uma expectativa de transformação dos papeis de gênero tradicionais presentes nas sociedades patriarcais, evidenciando o desejo de um modelo de paternidade mais participativo e afetivo, que se distancia do estereótipo de pai apenas como provedor financeiro.

As descobertas desta pesquisa reforçam o caráter fundamental de políticas públicas e iniciativas governamentais voltadas tanto para mães quanto para pais adolescentes no contexto da saúde pública brasileira, especialmente em contextos de fragilidade socioeconômica. A inclusão do genitor, principalmente adolescente, no acompanhamento perinatal e no desenvolvimento infantil é de suma importância para fortalecer a rede de apoio e proporcionar um ambiente familiar funcional. Medidas como essas tendem a contribuir para a promoção em saúde mental materna durante todo o período perinatal, reduzindo potenciais sobrecargas e favorecendo um desenvolvimento saudável do recém-nascido e do infante.

Ainda, este estudo evidencia as consequências sociais da gravidez precoce no Brasil, que se manifesta em desafios como abandono escolar, inserção tardia e precária no mercado de trabalho e perpetuação do ciclo intergeracional de pobreza. Ao mesmo tempo, a experiência da parentalidade na adolescência é intrinsecamente mediada por fatores culturais, socioeconômicos e educacionais, que moldam as representações sociais e influenciam as atitudes e práticas parentais de cada jovem.

Desse modo, são necessárias estratégias de educação sexual e planejamento familiar que incluam discussões sobre o papel da paternidade e o fortalecimento de habilidades emocionais e sociais nos adolescentes. A sensibilização para a corresponsabilidade nos cuidados e na educação dos filhos pode contribuir para que, mesmo em casos de parentalidade precoce, haja um maior equilíbrio nas funções e maior apoio mútuo entre os pais. Esse investimento promove um crescimento no bem-estar do jovem núcleo familiar, reduzindo também possíveis alterações comportamentais futuras e questões de saúde mental nas crianças, estruturando, assim, um ambiente familiar mais estável e adequado às suas necessidades desenvolvimentais.

Financiamento:Bolsista do Ministério da Saúde pelo Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Atenção Hospitalar em Saúde da Mulher da Universidade Federal do Paraná.

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Recebido: 30 de Abril de 2024; Revisado: 14 de Novembro de 2024; Aceito: 18 de Novembro de 2024

Correspondência: Gabrielle Maciel Pereira gabrielle0maciel@gmail.com

Conflito de interesses:

Os autores declaram não haver conflito de interesses.

FICHA TÉCNICA

Editor-chefe: Marcus Vinícius Rezende Fagundes Netto

Editora assistente: Layla Raquel Silva Gomes

Editora associada: Leila Guimarães

Secretaria editorial: Monica Marchese Swinerd

Coordenação editorial: Andrea Hespanha

Consultoria e assessoria: Oficina de Ideias

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