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Psicologia: teoria e prática
versão impressa ISSN 1516-3687
Psicol. teor. prat. vol.24 no.2 São Paulo maio/ago. 2022 Epub 10-Mar-2025
https://doi.org/10.5935/1980-6906/eptppe14051.pt
Psicologia e Educação
Relações entre leitura e empatia: Uma revisão integrativa da literatura
2Programa de Pós-Graduação em Educação, Processos Psicológicos em Contextos Educacionais, Universidade Federal do Paraná (UFPR)
O objetivo deste estudo foi conhecer as principais investigações sobre as relações entre a leitura de textos ficcionais e a empatia em crianças e adolescentes. Por meio de uma revisão integrativa da literatura científica nas bases SciELO, ERIC e PsycInfo, de 2009 a 2020, foram analisados, na íntegra, 21 artigos. A análise realizada mostrou uma predominância de estudos de intervenção, seguidos por estudos de caso e estudos correlacionais. A amostra das investigações se constitui, predominantemente, de estudantes, apesar de algumas incluírem também a percepção do professor e dos pais e responsáveis. Foram verificadas diferentes facetas da relação entre leitura e empatia, sendo identificados tanto estudos que enfatizam a contribuição da leitura para o desenvolvimento da empatia como estudos que mostram a contribuição da empatia para a aprendizagem inicial e o desenvolvimento da compreensão leitora. Grande parte das pesquisas foi realizada no contexto norte-americano, apontando uma lacuna no cenário brasileiro.
Palavras-chave: desenvolvimento; leitura; empatia; crianças; adolescentes
This study seeks to know the main investigations on the relationship between reading fiction texts and empathy in children and adolescents. Through an integrative review of the scientific literature from the Scientific Electronic Library Online (Scielo), Education Resources Information Center (Eric), and PsycInfo databases between 2009 and 2020, 21 articles were analyzed in detail, showing a predominance of intervention studies, followed by case and correlational studies. The research samples are predominantly made up of students, although some also include the perception of teachers, parents, and guardians. Different aspects of the relationship between reading and empathy were identified, both studies that emphasize the contribution of reading to the development of empathy and studies that show the contribution of empathy to initial learning and the development of reading comprehension were observed. Most of the research was conducted in the North American context, pointing out a gap in the Brazilian scenario.
Keywords: development; reading; empathy; children; adolescents
Este estudio busca conocer las principales investigaciones entre la relación de la lectura de textos de ficción y la empatía en niños y adolescentes. Mediante una revisión integradora de la literatura científica en las bases de datos SciELO, ERIC y PsycInfo (2009-2020), se analizaron detalladamente 21 artículos que demostró un predominio de estudios de intervención, seguido de estudios de casos y correlacionales. La muestra de investigaciones está constituida predominantemente por estudiantes, aunque algunas también incluyen la percepción de los maestro, padres y tutores. Se identificaron diferentes facetas de la relación entre lectura y empatía, se observaron tanto estudios que enfatizan la contribución de la lectura al desarrollo de la empatía como estudios que muestran la contribución de la empatía al aprendizaje inicial y el desarrollo de la comprensión lectora. La mayor parte de la investigación se realizó en el contexto norteamericano, señalando una brecha en el escenario brasileño.
Palabras clave: desarrollo; lectura; empatía; niños; adolescentes
Ler livros é uma atividade que passa a fazer parte da vida dos estudantes desde os anos iniciais do ensino fundamental (Piasta et al., 2018). Ademais, o ato de ler textos ficcionais está intimamente relacionado ao desenvolvimento da compreensão leitora e é também uma oportunidade de engajar os leitores em diferentes tipos de aventuras (Westbrook et al., 2019). Além disso tudo, a experiência de ler textos ficcionais pode ter um impacto importante e profundo sobre como os estudantes se sentem e se comportam no dia a dia (Mak & Fancourt, 2020). Nesse contexto, uma perspectiva importante que as pesquisas atuais sobre os efeitos da leitura têm levantado é a de que a experiência de ler ficção influencia na empatia do leitor (Mumper & Gerrig, 2017). Estudos vêm sugerindo que as pessoas que leem com frequência textos ficcionais se tornam mais empáticas, porque a ficção é uma simulação das experiências sociais - momento em que as pessoas praticam e aprimoram suas habilidades interpessoais (McCreary & Marchant, 2017; Mumper & Gerrig, 2017).
Os textos ficcionais são aqueles que contam ou simulam uma história de forma a estimular a imaginação do leitor (Oatley, 2016). O termo ficção geralmente é utilizado para estabelecer distinção entre fatos verídicos e fantasiosos; assim, um texto de literatura ficcional pertence ao reino da possibilidade mais do que da realidade (Mak & Fancourt, 2020). Nessa perspectiva, obras de ficção não têm o intuito de fornecer informações ou conhecimento detalhado do mundo, mas desenvolver a imaginação do leitor acerca de diferentes épocas, lugares e, até mesmo, culturas (Oatley, 2016). De tal modo, o leitor de textos ficcionais pode compreender melhor os outros, em parte, por conta do engajamento nessas histórias - que acontece por meio de inferências emocionais com as personagens e circunstâncias complexas que talvez ele não encontre em seu cotidiano (Oatley, 2016).
Já o conceito de empatia pode ser entendido a partir da observação de uma demonstração: de uma pessoa estar psicologicamente sintonizada com os sentimentos, as emoções e as perspectivas de outra pessoa (Decety & Lamm, 2006; Szalavitz & Perry, 2010). Essa definição está relacionada à observação amplamente aceita de que as habilidades empáticas são de natureza multidimensional (Davis, 1980, 1983), composta por componentes emocionais distintos, confirmados por disposições de sentir preocupação e compaixão pelos outros (Israelashvili et al., 2020), e componentes cognitivos, evidenciados pelas possibilidades de conceber pontos de vista diferentes dos seus (Decety & Lamm, 2006).
A empatia pode ser entendida a partir de dois componentes: um afetivo e outro cognitivo (Davis, 1983). A empatia afetiva é a capacidade de compartilhar os sentimentos de outras pessoas sem qualquer estímulo emocional direto para si mesmo, enquanto a empatia cognitiva refere-se à capacidade de reconhecer e compreender o estado mental de outra pessoa (Davis, 1983). Ademais, a empatia está associada a uma ampla gama de habilidades intrapessoais e interpessoais (Konrath & Grynberg, 2013), estando positivamente relacionada à satisfação com a vida, à inteligência emocional e à autoestima (Eisenberg et al., 2006).
Por ser entendida como um tipo de competência ou atitude em relação aos sentimentos de outras pessoas (Israelashvili et al., 2020), pesquisas na área da educação e psicologia têm apontado que intervenções podem aumentar a competência empática em estudantes de diferentes níveis escolares (Guarisco & Freeman, 2015; Riquelme & Montero, 2013). Isso ocorre porque os leitores de textos ficcionais tendem a ter melhores habilidades de empatia do que os não leitores desse gênero textual (Mar et al., 2011). Nesse sentido, a leitura desse tipo de história tem demonstrado uma importante relação com o desenvolvimento da empatia (Mar & Oatley, 2008), pois, ao se transportar para uma narrativa, o leitor passa a entender diferentes perspectivas relacionadas à história que lê, e isso pode desenvolver tanto sua afeição quanto sua cognição (Israelashvili et al., 2020).
De acordo com Mar e Oatley (2008), ao ler um texto ficcional, um indivíduo simula, ou seja, sente emoções e experimenta pensamentos congruentes com as personagens da história. Os leitores também aprendem sobre o mundo social complexo, ao abstraírem significado, estabelecerem inferências e fazerem previsões sobre o desenvolvimento da narrativa e acerca das relações interpessoais presentes na história. Como a leitura possibilita vivenciar indiretamente as mesmas sutilezas de interação social e dificuldades das personagens da história fictícia, Mar e Oatley (2008) sugerem que, nesse processo, os leitores experimentam um crescimento empático.
Desse modo, a leitura de histórias ficcionais pode estar associada ao desenvolvimento da empatia em crianças, o que sugere que há um elo importante entre a empatia sentida pelas personagens fictícias e a capacidade de demonstrar empatia para com as pessoas na realidade (Aram & Aviram, 2009). Nesse cenário, Mar e Oatley (2008) apontam uma espécie de continuidade do envolvimento entre crianças e adultos nos mundos ficcional e real. Dito de outra forma, a experiência vivenciada pelo leitor é transposta para o mundo real, tornando os leitores de tais histórias pessoas mais empáticas.
Muitas vezes, só é possível compreender uma história se colocando no lugar do protagonista, entendendo suas crenças e dificuldades, e esse processo se tornará viável se o leitor estiver exercitando empatia cognitiva (Lodge, 2002). Segundo Lodge (2002), uma característica da ficção literária é que ela é capaz de fornecer descrições detalhadas de cada momento dos pensamentos e sentimentos internos de seus protagonistas, proporcionando, assim, uma rica oportunidade para os leitores experimentarem a empatia cognitiva. A empatia afetiva também tem sido estabelecida como um componente essencial do entendimento e do prazer da leitura (Hogan, 2010). De fato, Hogan (2010) argumenta que as representações literárias da emoção podem ser mais puras do que as encontradas na realidade e, portanto, têm o poder de aprimorar as respostas empáticas afetivas dos indivíduos.
O estudo da empatia é uma área de grande interesse para psicólogos, educadores e neurocientistas, relacionada a várias temáticas e situações que vêm despontando regularmente novas pesquisas. Pensando nisso, e diante do breve contexto apresentado aqui, este estudo teve por objetivos: 1. conhecer as principais pesquisas desenvolvidas envolvendo as relações entre leitura de textos ficcionais e empatia em crianças; 2. revisar como as duas principais dimensões da empatia são abordadas em pesquisas (isto é, a empatia afetiva e a empatia cognitiva) relacionadas às práticas de leitura de textos ficcionais; e 3. examinar quais fatores da leitura de textos ficcionais, por parte dos estudantes do ensino fundamental, colaboram para o desenvolvimento da empatia.
Método
Tipo de estudo
O estudo aqui apresentado consiste em uma revisão integrativa da literatura científica, o qual se propõe a traçar um mapeamento acerca da temática circunscrita à leitura e empatia, e, ao mesmo tempo, elaborar um debate integrado e crítico, desvelando evidências científicas para a área e apontando possíveis lacunas. Nesse sentido, a revisão proposta se baseia nos procedimentos empregados por Mendes et al. (2008), seguindo, portanto, 1. a identificação do tema; 2. o estabelecimento de critérios de inclusão/exclusão; 3. a categorização dos estudos; 4. a avaliação dos estudos selecionados; 5. a interpretação dos resultados; e 6. a síntese do conhecimento desenvolvido. Destaca-se que o trabalho inicial de levantamento e seleção dos estudos foi realizado de forma independente pelas duas autoras deste artigo.
Bases indexadas e descritores utilizados
Conforme mencionado anteriormente, o foco desta pesquisa foram os estudos envolvendo práticas de leitura de textos ficcionais e suas relações com o desenvolvimento da empatia. As buscas pelos artigos indexados ocorreram, de forma sistemática, nas seguintes bases de dados: Portal de Periódicos da Scientific Electronic Library Online (SciELO), do Education Resources Information Center (ERIC) e da PsycInfo (base de dados no campo da psicologia, desenvolvida pela Associação Americana de Psicologia). A escolha por essas bases deve-se ao fato de elas recuperarem grande parte dos estudos nacionais e estrangeiros nas áreas da psicologia e educação. Para a realização das buscas, foram utilizados os descritores: “Empatia”, “Leitura”, “Compreensão textual” e “Leitura de ficção”, e seus correspondentes em inglês: Empathy, Reading, Reading Comprehension e Ficcional Reading, que deveriam ser encontrados, ao menos, em uma das seguintes áreas de busca: título, palavras-chave ou assunto e resumo. Além disso, realizaram-se os cruzamentos permitidos a partir da combinação dos termos por meio do operador booleano AND.
Critérios de inclusão e exclusão
Incluíram-se: 1. artigos indexados acerca do tema, publicados em português, inglês ou espanhol, veiculados entre 2009 e 2020 - optou-se pelo recorte a partir de 2009 justamente por conta de uma publicação desse ano ser citada de forma recorrente em outros artigos e trazer importante contribuição para o debate da empatia a partir de práticas de leitura para crianças (Aram & Aviram, 2009); 2. estudos empíricos que abordassem relações entre a leitura e a empatia.
Excluíram-se: 1. estudos em forma de teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias de curso de graduação; 2. artigos indexados e publicados antes de 2009; 3. artigos cujos participantes não fossem estudantes do ensino fundamental ou amostras com estudantes adultos ou fora da faixa etária considerada para o estudo, como é o caso da educação de jovens e adultos (EJA) e universitários; 4. artigos que se distanciassem do tema proposto por esta revisão ou apenas mencionassem a empatia ou a leitura de forma superficial; 5. artigos de revisões teóricas ou bibliográficas.
Procedimentos
Coleta de dados
A seleção de artigos ocorreu em junho de 2020. Inicialmente, foi realizada uma leitura cuidadosa dos resumos encontrados com base no uso dos descritores, bem como das buscas booleanas, excluindo-se os artigos repetidos e os que não se encaixaram nos critérios de inclusão adotados pela pesquisa. Os descritores selecionados e suas combinações foram utilizados nas bases SciELO, ERIC e PsycInfo a partir do acesso BVS-Psi. Durante o acesso às bases de dados eletrônicas, os artigos resultantes foram lidos e analisados segundo os critérios de inclusão e exclusão elegíveis para esta revisão.
Análise de dados
Os artigos elencados foram catalogados em um arquivo do Excel para posterior análise. A catalogação foi realizada de acordo com as seguintes classes: o título do estudo, o ano de publicação, os autores, o periódico de publicação, o tipo de estudo, a amostra, a perspectiva teórica, os instrumentos, os objetivos, os resultados e os principais achados do estudo. A partir dessa classificação, criaram-se categorias temáticas com a finalidade de apresentar o perfil das publicações envolvendo leitura e empatia em estudantes da educação básica. Dentro dessa lógica, a análise dos dados foi desenvolvida com base nessas categorias, explorando os resultados dos estudos e as lacunas do conhecimento relacionado à temática em foco. Posto isso, os resultados das análises realizadas serão apresentados a partir das seguintes categorias temáticas: 1. “Efeitos da experiência de leitura na empatia em crianças e adolescentes”; 2. “Como a leitura impacta os componentes cognitivo e afetivo da empatia?”; 3. “Fatores da leitura de textos ficcionais que colaboram para o desenvolvimento da empatia em estudantes do ensino fundamental”; 4. “Identificando perspectivas da relação entre leitura e empatia”.
Resultados
As buscas iniciais conduziram ao seguinte resultado, em termos da quantidade de materiais registrados: SciELO (n = 6), ERIC (n = 107) e PsycInfo (n = 41), totalizando 154 registros. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão do estudo, bem como da exclusão das pesquisas repetidas, elencaram-se 21 artigos que se encaixavam nos critérios desta pesquisa. Os trabalhos excluídos diziam respeito a estudos teóricos abordando conceitos de empatia e formas de relacioná-la à leitura ou descrições sobre como as emoções, em especial a empatia, estavam associadas à leitura, ou, ainda, estudos empíricos realizados com estudantes universitários ou adultos. Assim, o corpus final de análise constituiu-se de 21 artigos que foram lidos na íntegra, como pode ser observado na Figura 1.

Nota. *17 estudos duplicados, sendo: 16 registrados na PsycInfo e no ERIC; e um na PsycInfo e na SciELO.
Figura 1 Fluxograma do processo de revisão sistemática com base no protocolo PRISMA
Após a leitura, a análise e a categorização dos trabalhos elencados, foi organizado um perfil dos artigos com base nas seguintes características: tipo de estudo, amostra e perspectiva teórica. Os resultados dessa categorização podem ser visualizados na Tabela 1.
Tabela 1 Classificação e frequência dos artigos elencados em termos de tipo de estudo, amostra e perspectiva teórica (n = 21)
| Classes | Características, frequências absolutas e porcentagens | Exemplos na amostra |
|---|---|---|
| Tipo de estudo | Estudo de intervenção (n = 8; 38,1%) Estudo de caso (n = 7; 33,3%) Estudo correlacional (n = 6; 28,6%) |
Riquelme e Montero (2013)
Lysaker e Sedberry (2015) Lonigro et al. (2014) |
| Amostra dos estudos |
Estudantes (n = 16; 76,2%) Professores e estudantes (n = 4; 19%) Pais e estudantes (n = 1; 4,8%) |
Venegas (2019)
Bostic (2014) Deschamps et al. (2014) |
| Perspectiva teórica |
Teóricos da educação e psicologia propõem que a leitura pode desenvolver a moral e a empatia (n = 18; 85,7%) |
Brett (2016) |
| Habilidades socioemocionais, foco na empatia, como parte do currículo escolar (n = 3; 14,3%) | Schonert-Reichl et al. (2015) |
Em relação ao tipo de estudo envolvendo a leitura e a empatia, a maior parte das pesquisas desenvolveu estudos de intervenção (n = 8; 38,1%). No estudo apresentado como exemplo, Riquelme e Montero (2013) planejaram e implementaram um programa de intervenção (quase experimental) para estimular a competência emocional de crianças (de 6 a 8 anos) por meio da leitura de literatura infantil. Além dos estudos de intervenção, foram encontrados estudos de caso (n = 7; 33,3%) e estudos correlacionais (n = 6; 28,6%). De forma sintética, esses estudos apontam que a habilidade de ler textos literários influencia e desenvolve a empatia nos estudantes. Entretanto, alguns poucos estudos investigam a direção contrária da influência entre as habilidades em foco, ou seja, se a habilidade de empatia pode predizer e/ou desenvolver o nível de compreensão textual dos estudantes.
O perfil de participantes das amostras dos estudos elencados para esta revisão foi, majoritariamente, composto apenas por estudantes do ensino fundamental (n = 16; 76,2%), entretanto alguns estudos incluíram as percepções dos professores em relação às investigações feitas com os estudantes durante a pesquisa (n = 4; 19%). Apenas um estudo agregou a percepção dos pais e/ou responsáveis dos estudantes aos dados (Deschamps et al., 2014). Destaca-se que, embora todos os estudos tenham sido realizados em escolas públicas, um deles teve uma amostra que incluía tanto escolas públicas quanto particulares (Jensen et al., 2011).
Pesquisadores das áreas da psicologia e linguagem têm, nos últimos anos, apontado para uma importante associação entre ler narrativas ficcionais e experiências emocionais (Aram & Aviram, 2009; Brett, 2016; Karniol, 2012). Entre as possíveis experiências emocionais, a empatia - em seus componentes cognitivo e afetivo - destaca-se como uma das habilidades mais desenvolvidas pela leitura (McTigue et al., 2015). Isso ocorre porque um livro de ficção pode provocar sentimentos e identificações que vão desde tristezas, por conta de dificuldades vividas pelas personagens, até sorrisos, provocados pela superação de desafios antes instransponíveis (Guarisco & Freeman, 2015). Por essa razão, muitos teóricos têm proposto (n = 18; 85,7%), como demonstrado pela revisão, que a literatura ficcional estimula, desenvolve e aprofunda a capacidade de ser empático (Hibbin, 2016; Lysaker & Sedberry, 2015). Além disso, recentemente o trabalho com as habilidades socioemocionais como parte integrante do currículo escolar tem enfatizado a importância da promoção da empatia por meio da literatura (Schonert-Reichl et al., 2015), o que aparece em alguns estudos localizados nesta revisão (n = 3; 14,3%).
Ademais, um olhar sobre os métodos, os procedimentos e os instrumentos utilizados nos estudos demonstrou que as intervenções se organizaram com momentos de pré-teste, com testes de leitura (McTigue et al., 2015) e escalas de empatia (Schonert-Reichl et al., 2015) para os estudantes, seguidos de intervenções (Guarisco & Freeman, 2015; McTigue et al., 2015) e, finalmente, pós-teste, com a repetição da bateria de investigação inicial, para aferir melhorias nos testes de leitura e de empatia em grupos de controle e grupos experimentais (Riquelme & Montero, 2013). Os estudos de caso envolveram, principalmente, observação (Venegas, 2019) e entrevistas (Lysaker & Sedberry, 2015) a partir de um trabalho com textos de ficção, incluindo, também, medidas de aferição da empatia (Parsons, 2013) e da leitura (Newstreet et al., 2018). Os estudos transversais correlacionais, em grande maioria, verificaram se a leitura de textos narrativos poderia predizer os níveis de empatia demonstrados pelos estudantes (Chisholm et al., 2017; Jensen et al., 2011).
Como já foi destacado anteriormente, mais de 90% dos estudos, dentro de suas diferentes especificidades, investigaram como a leitura poderia influenciar no desenvolvimento da empatia (Aram & Aviram, 2009; Chisholm et al., 2017; McTigue et al., 2015; Merga, 2017). No entanto, foi possível verificar também estudos que analisaram se o nível de empatia demonstrado pelos estudantes influenciaria no desempenho de atividades de leitura e compreensão de textos literários, bem como de outras competências acadêmicas (Schonert-Reichl et al., 2015).
Nas últimas décadas, pesquisadores adotaram o argumento de que a leitura de textos narrativos oferece aos leitores benefícios sociais demonstráveis, especialmente em relação ao desenvolvimento da empatia (Mar & Oatley, 2008). Nessa perspectiva, a maior parte dos estudos revisados destaca que a leitura de textos literários pode levar ao desenvolvimento da moral, de habilidades sociais, mas, principalmente, da empatia (n = 18; 85,7%). Entretanto, vale ressaltar que, mais recentemente, foram realizados estudos partindo da perspectiva teórica da aprendizagem socioemocional como parte essencial do currículo escolar (Venegas, 2019), focalizando a empatia como habilidade a ser desenvolvida pelos estudantes participantes das pesquisas (n = 3; 14,3%).
Discussão
Pesquisas vêm demonstrando que o envolvimento, por meio da leitura, de estudantes com textos literários pode aumentar e aprimorar suas habilidades de empatia em diferentes estágios do ensino fundamental (Karniol, 2012; Nikolajeva, 2012; Parsons, 2013). Essa afirmação é apoiada por uma diversidade de evidências empíricas (Chisholm et al., 2017; Merga, 2017; Newstreet et al., 2018). Por sua vez, o nível de empatia dos estudantes pode estar relacionado à capacidade de compreensão textual (Lonigro et al., 2014). Pensando nisso, e diante do que já foi apresentado sobre o perfil das publicações selecionadas nesta revisão, é importante discutir os principais achados, bem como o que parece controverso neles.
Efeitos da experiência de leitura na empatia em crianças e adolescentes
A maneira como as narrativas ficcionais apresentam aos estudantes/leitores as personagens, os eventos e o cenário acaba por transportá-los ao mundo ficcional, e, por isso, acredita-se que o leitor possa mudar por meio da história (Aram & Aviram, 2009; Jensen et al., 2011). Isso ocorre porque a ficção apresenta uma simulação de problemas do mundo real, o que traz consequências reais para o leitor (Guarisco & Freeman, 2015; Fjällström & Kokkola, 2015). A leitura de textos ficcionais também desenvolve tanto o componente afetivo (Chisholm et al., 2017) quanto o cognitivo da empatia (McTigue et al., 2015), o que a leitura de textos não ficcionais, como jornais e revistas, parece não promover (McTigue et al., 2015). Assim, a jornada desencadeada pela leitura de textos narrativos possibilita transformações nos estudantes, pois suscita vários processos, incluindo o envolvimento emocional com a história e a identificação com as personagens (Hibbin, 2016; Lysaker & Sedberry, 2015; McTigue et al., 2015).
Jensen et al. (2011) descobriram que a leitura por prazer, além de levar os estudantes a procurar textos ficcionais com mais frequência, influencia também seu engajamento emocional na prática de leitura. Ao se transportar para o texto literário, um mecanismo de identificação emocional com as personagens da narrativa é ativado, elevando o envolvimento dos estudantes (do quarto e quinto anos) com a narrativa e estimulando a compreensão da perspectiva do outro, o que resulta no desenvolvimento da empatia em seu componente cognitivo. Nessa perspectiva, Chisholm et al. (2017) desenvolveram uma intervenção para que, a partir da leitura de textos ficcionais, os estudantes fossem capazes de promover a empatia. Seus resultados apontaram melhoria na capacidade de estabelecer inferências durante as leituras relacionadas à emoção, mostrando que o trabalho com a literatura promoveu tanto a compreensão leitora como a empatia em seus componentes afetivo e cognitivo nos estudantes participantes da intervenção, quando comparados com os do grupo de controle.
É importante salientar que a maior parte dos estudos selecionados nesta revisão foi desenvolvida com base na hipótese de que a leitura de textos ficcionais promove o desenvolvimento da empatia (Merga, 2017; Parsons, 2013). No entanto, alguns poucos estudos investigaram, inicialmente, o nível de empatia dos leitores e como a habilidade influenciaria a leitura (Bostic, 2014; Lonigro et al., 2014). Bostic (2014), por exemplo, analisou se a empatia demonstrada por professores do ensino fundamental contribuía para que os estudantes se sentissem mais motivados com a leitura e melhorassem o seu desempenho em testes de leitura, mas os resultados apontaram não haver ligação entre a empatia do professor e o desempenho dos estudantes em testes de leitura. Por sua vez, Lonigro et al. (2014) focalizaram diretamente os estudantes do quarto e quinto anos do ensino fundamental em estudo que buscou entender como o nível de empatia contribuía para o engajamento em atividades de leitura. Os resultados desse estudo destacaram que os estudantes com mais empatia se saíam melhor na interpretação de textos literários porque eram mais capazes de reconhecer corretamente as emoções e os sentimentos das personagens.
Os resultados de muitos dos estudos selecionados para esta revisão sugerem que a leitura de textos narrativos exerce influência socializadora nos estudantes, especialmente no desenvolvimento da habilidade de empatia - em seus componentes afetivo e cognitivo (Guarisco & Freeman, 2015; Venegas, 2019). Além disso, destaca-se que a leitura, envolvendo um trabalho com a empatia como parte do currículo escolar, por parte de estudantes do ensino fundamental, também resulta em melhorias no clima escolar (Brett, 2016; Schonert-Reichl et al., 2015), aperfeiçoando o rendimento de discentes que estão sendo alfabetizados - nas séries iniciais (Karniol, 2012; Merga, 2017). Um outro fator que merece destaque é que os estudantes passam a se engajar mais com os temas das aulas - especialmente os pré-adolescentes e adolescentes, uma vez que a empatia cognitiva é encontrada de forma mais consistente em adolescentes do que em crianças -, com seus colegas e com seus professores, pois passam a entender a perspectiva deles, descentrando-se do seu próprio ponto de vista (Bostic, 2014; Newstreet et al., 2018).
Como a leitura impacta os componentes cognitivo e afetivo da empatia?
Este estudo define a empatia de acordo com Davis (1980, 1983): a capacidade cognitiva e intelectual de reconhecer as emoções de outras pessoas e de responder emocionalmente a elas. Nos últimos anos, tem sido argumentado que a leitura de textos narrativos pode desenvolver a afeição e a cognição de crianças (Nikolajeva, 2012), adolescentes (Fjällström & Kokkola, 2015) e adultos (Mar & Oatley, 2008). Entretanto, para esta revisão foram selecionados estudos que tiveram como participantes crianças e adolescentes matriculados em turmas do ensino fundamental. Nesse sentido, procurou-se analisar a possível diferença dos efeitos promovidos pela leitura no desenvolvimento do componente cognitivo e do componente afetivo da empatia.
Os estudos na área tendem a investigar os dois componentes, o cognitivo e o afetivo, simultaneamente (Chisholm et al., 2017; Riquelme & Montero, 2013). No entanto, alguns estudos têm demonstrado que crianças em séries iniciais do ensino fundamental, matriculadas no primeiro, segundo e terceiro anos, ou em processo de alfabetização apresentam um desenvolvimento maior do componente afetivo (Karniol, 2012; Merga, 2017; Nikolajeva, 2012) em comparação ao cognitivo. Por sua vez, o trabalho pedagógico com textos ficcionais tem demonstrado um acentuado desenvolvimento do componente cognitivo da empatia em estudantes a partir do quarto ano do ensino fundamental (Jensen et al., 2011; Newstreet et al., 2018; Parsons, 2013). A experiência de ler leva o estudante a estabelecer inferências sobre os sentimentos e os pensamentos das personagens (McTigue et al., 2015). Além disso, o fato de o estudante precisar compreender os diferentes pontos de vista do narrador e das personagens principais e secundárias desenvolve a empatia cognitiva de forma acentuada (Guarisco & Freeman, 2015; Lysaker & Sedberry, 2015).
O desenvolvimento do componente cognitivo da empatia, promovido a partir da leitura de textos literários, tem sido associado também à criatividade na escrita, com redução da ansiedade (Betzalel & Shechtman, 2010; Hibbin, 2016), bem como a níveis mais elevados de compreensão de justiça social, redução de comportamentos de preconceito e discriminação em relação a opiniões diferentes (Lysaker & Sedberry, 2015; Newstreet et al., 2018).
De acordo com o modelo cognitivo de leitura, a compreensão de textos é uma habilidade que exige distintos processos cognitivos (Jensen et al., 2011). O entendimento de que a empatia é um dos processos envolvidos na compreensão da leitura é consistente com esse modelo (Jensen et al., 2011). Além disso, sem fazerem distinção entre os componentes da empatia - afetivo e cognitivo -, as pesquisas destacam a contribuição da leitura de textos ficcionais como promotora da empatia - esta colabora para que crianças e adolescentes em idade escolar matriculados em turmas do ensino fundamental possam entender a perspectiva dos outros (Guarisco & Freeman, 2015), o que melhora a relação professor-aluno (Bostic, 2014) e faz com que os estudantes se engajem e, consequentemente, atinjam níveis mais elevados de compreensão e interpretação textuais (Schonert-Reichl et al., 2015).
Fatores da leitura de textos ficcionais que colaboram para o desenvolvimento da empatia em estudantes do ensino fundamental
A leitura de narrativas está associada ao desenvolvimento de comportamentos pró-sociais, positivamente relacionados com a autorregulação e com a empatia em crianças, principalmente a partir do quarto ano do ensino fundamental (Jensen et al. 2011). Assim, a partir da leitura e da conexão com as personagens da história e os seus desafios, os estudantes passam a perceber suas próprias ações de forma diferente - isso é especialmente verdadeiro quando os conflitos trazidos pela história se assemelham a algum elemento do contexto do estudante (Jensen et al. 2011).
Conforme um estudo realizado por Parsons (2013), a leitura de textos ficcionais pode estabelecer nas crianças diferentes conexões com as personagens das histórias: imaginar-se ao lado dessas personagens, querer ajudá-las; ou imaginar que se tornaram as personagens, mas mantendo a identidade pessoal. Esse processo é mais intenso em textos com foco narrativo na primeira pessoa, quando o narrador é a personagem principal da história. Como resultado dessas conexões com as personagens, os estudantes do ensino fundamental engajam-se na leitura dos textos, desenvolvendo e aprofundando sua capacidade de entender o ponto de vista dos outros, desenvolvendo também sua capacidade de realizar inferências, o que se relaciona ao componente cognitivo da empatia e contribui para um maior desempenho escolar em outras disciplinas (Parsons, 2013).
Um aspecto importante a ser salientado é que a observação das imagens que acompanham as histórias pode ajudar no desenvolvimento do componente afetivo da empatia, pois as crianças se identificam emocionalmente com as expressões/emoções alegres e tristes, positivas ou negativas das personagens das histórias (Karniol, 2012; Nikolajeva, 2012). Nesse contexto, as principais emoções identificadas em histórias pelos estudantes das séries iniciais do ensino fundamental foram alegria, tristeza, surpresa, nojo, raiva e medo, as quais são tidas como emoções básicas, por serem descritas como universais por muitos pesquisadores em diferentes culturas e épocas (Aram & Aviram, 2009; Karniol, 2012; Nikolajeva, 2012).
Destaca-se também que o trabalho com a leitura feito a partir do quarto ano do ensino fundamental demonstra um aumento no vocabulário emocional, o qual passa a abarcar estados emocionais mais complexos e socialmente aprendidos, como vergonha, aflição, desamparo, compaixão, entre outros (Lysaker & Sedberry, 2015). Além disso, foram identificados estudos apontando que, ao desenvolverem a empatia com base na leitura de textos ficcionais, os estudantes, a partir do quarto ano do ensino fundamental, demonstram menos agressividade em discussões com colegas que têm opiniões diferentes das suas, bem como passam a evidenciar menos atitudes preconceituosas e discriminatórias com culturas diferentes do padrão dominante (Lysaker & Sedberry, 2015; Lonigro et al., 2014).
Identificando perspectivas da relação entre leitura e empatia
Até o momento, a associação entre a leitura e a empatia foi estudada principalmente pelos norte-americanos, com pesquisas conduzidas sobretudo nos Estados Unidos e no Canadá (Bostic, 2014; Schonert-Reichl et al., 2015). No que se refere aos estudos brasileiros, os resultados encontrados nas bases com indexação em revistas nacionais, além de escassos, não cumpriram os requisitos dos critérios de inclusão. Isso aponta para uma lacuna no cenário da pesquisa nacional: a carência de estudos envolvendo a leitura de textos ficcionais e o desenvolvimento da empatia.
O que se viu foi que grande parte dos estudos envolvendo a temática desta revisão tem a finalidade de investigar se é possível desenvolver a empatia a partir da leitura de textos ficcionais de forma a contribuir com o desempenho dos estudantes em atividades de compreensão textual (Bostic, 2014; McTigue et al., 2015), além de verificar os fatores que podem se associar à empatia como resultado da leitura de textos ficcionais (Brett, 2016). Além disso, o autorrelato apenas dos estudantes é a forma mais frequente de trabalho para examinar como a habilidade de empatia se desenvolveu a partir da leitura de textos ficcionais (Venegas, 2019). Poucos estudos incluem a participação dos professores (Ness, 2019) ou dos pais e responsáveis (Deschamps et al., 2014). Incluir os pais ou professores nos estudos poderia contribuir para a compreensão do processo de associação entre leitura ficcional e empatia, especialmente no que diz respeito às diferenças individuais, pouco exploradas nos estudos.
Finalmente, é importante sublinhar que não há uma teoria específica para o estudo da relação entre a leitura e o desenvolvimento da empatia até o momento. O que se identificou foram perspectivas teóricas que incentivam o desenvolvimento de pesquisas sobre o assunto (Mar & Oatley, 2008; Mumper & Gerrig, 2017). Ademais, os estudos têm sido feitos com crianças (Merga, 2017), adolescentes (Guarisco & Freeman, 2015) e adultos em contexto universitário (Mar & Oatley, 2008). As pesquisas com crianças querem demonstrar, em sua maioria, que é importante incluir o desenvolvimento da empatia como parte do currículo escolar em séries do ensino fundamental (Venegas, 2019), tendo em vista que a aprendizagem social e emocional, notadamente a empatia, traz variados benefícios acadêmicos, entre eles os relacionados à aprendizagem da leitura e da compreensão textual, melhorando, ainda, o clima escolar e a convivência entre professores e estudantes durante as aulas (Schonert-Reichl et al., 2015).
Considerações finais
Considerando os objetivos propostos para este estudo e os resultados apresentados, alguns pontos ganham destaque. Previamente é importante ter em conta que a pesquisa realizou um recorte que vai de 2009 a 2020 e selecionou estudos que tiveram como participantes estudantes matriculados em turmas do ensino fundamental, bem como seus professores, pais ou responsáveis. Nesse contexto, identificou-se que os estudos analisados, por vezes, não salientam a direção da relação entre a leitura de textos ficcionais e a empatia, ou se elas (leitura e empatia) se influenciam mutuamente, embora grande parte das pesquisas considere que o efeito parte da leitura em direção ao desenvolvimento da empatia. Os efeitos da empatia sobre a aprendizagem da leitura podem variar, desde facilidade na alfabetização e alto desempenho em atividades de leitura até proficiência na compreensão de textos em séries finais do ensino fundamental. Além disso, não se pode deixar de destacar as conclusões dos estudos: de que o aumento da empatia dos estudantes, por meio da leitura de textos ficcionais, leva-os a se importar mais com os colegas, bem como com as outras pessoas ao redor.
Em relação aos componentes afetivo e cognitivo da empatia, os estudos analisados demonstraram que as intervenções possibilitam o desenvolvimento de ambos, ora com predominância do afetivo, ora com predominância do cognitivo. De forma específica, parece que o componente afetivo se desenvolveu predominantemente em contextos com crianças em início de escolarização. Nesses contextos, a utilização de textos com figuras e expressões faciais de suas personagens, acompanhando a narrativa, intensificou a identificação por parte dos estudantes das emoções de tristeza, alegria, surpresa, medo, raiva e nojo. O componente cognitivo, por sua vez, foi enfatizado nos estudos envolvendo estudantes do quarto, quinto e sexto anos do ensino fundamental, especialmente porque, nessas séries, realiza-se um trabalho pedagógico com diferentes estratégias para a compreensão da leitura, como a formulação de hipóteses e predições sobre o que pode acontecer às personagens das narrativas - sendo a empatia uma habilidade fundamental para que os alunos possam compreender pontos de vista diferentes daqueles a que estão habituados.
Vale ressaltar ainda que os principais estudos encontrados foram de intervenção, com a finalidade de desenvolver a empatia nos estudantes por meio de práticas de ensino específicas. Além disso, encontraram-se estudos correlacionais que objetivavam entender se a empatia é preditora da leitura e como essa relação ocorre nos diferentes anos/etapas do ensino fundamental. Outros estudos de caso tiveram a finalidade de examinar como propostas de ensino envolvendo a leitura e a empatia podem impactar grupos específicos de estudantes, aprofundando o entendimento dessas proposições por meio de observações e entrevistas.
Finalmente, com base no exposto, sugere-se que estudos envolvendo a leitura e a empatia sejam realizados em diferentes cenários culturais, especialmente no Brasil, pois, até o momento, observa-se uma lacuna nessa área de pesquisa. Novos estudos poderão proporcionar uma compreensão mais profunda sobre a relação entre leitura de textos ficcionais e empatia no contexto educacional do ensino fundamental. Entretanto, é possível sugerir também que os formuladores de políticas educacionais considerem os resultados desta revisão para (re)pensar práticas de leitura de textos ficcionais que possam promover a empatia e outras habilidades socioemocionais que vêm se tornando imprescindíveis para a convivência e o desenvolvimento de crianças e adolescentes em contextos educacionais.
Financiamento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) - Código de Financiamento 001.
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Recebido: 14 de Setembro de 2020; Aceito: 20 de Agosto de 2021









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