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Psicologia: teoria e prática

versão impressa ISSN 1516-3687

Psicol. teor. prat. vol.27 no.1 São Paulo  2025  Epub 13-Fev-2026

https://doi.org/10.5935/1980-6906/eptphd16869.pt 

Artigos originais baseados em dados empíricos

Promoção da Parentalidade Positiva: Fundamentos Teóricos de uma Intervenção On-line em Grupo e Avaliação dos Participantes

Fabiana Pinheiro Ramos1  , Design da pesquisa, coleta e análise de dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0000-0002-2233-0305

Jorge Luis de Souza Campista2  , Coleta e análise dos dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0009-0000-5406-6820

Rosana Suemi Tokumaru3  , Design da pesquisa, análise dos dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0000-0003-2859-4114

Kely Maria de Sousa Pereira4  , Design da pesquisa, análise dos dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0000-0001-9095-6556

Carina Nunes Bossardi5  , Design da pesquisa, análise dos dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0000-0003-3542-501X

Júlia Carvalho Rangel Luchi6  , Coleta e análise dos dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0009-0006-6192-5842

Loyane Fassarella Gasparini7  , Análise dos dados, redação do manuscrito
http://orcid.org/0009-0000-8004-246X

1Federal University of Espírito Santo, Department of Psychology, Graduate Program in Psychology, Vitória, ES, Brasil

2Federal University of Espírito Santo, Graduate Program in Psychology, Vitória, ES, Brasil

3Federal University of Espírito Santo, Department of Social and Developmental Psychology, Graduate Program in Psychology, Vitória, ES, Brasil

4Federal University of Espírito Santo, Department of Social and Developmental Psychology, Graduate Program in Psychology, Vitória, ES, Brasil

5University of Vale do Itajaí, Psychology Program, Graduate Program in Psychology, Itajaí, SC, Brasil

6Federal University of Espírito Santo, Psychology Program, Vitória, ES, Brasil

7Federal University of Espírito Santo, Graduate Program in Psychology, Vitória, ES, Brasil


Resumo

Propostas de intervenção presenciais em parentalidade são consagradas na literatura psicológica, mas o contexto imposto pela pandemia impulsionou a oferta de serviços psicológicos remotos para a população. Objetivou-se descrever e avaliar uma intervenção em parentalidade positiva elaborada para este estudo, com oito sessões de duas horas, cada uma com temática específica. A intervenção, da qual participaram 30 cuidadores, em sua maioria, mães de crianças (3 a 12 anos) com desenvolvimento típico, foi realizada de forma on-line, em grupo e com mediação. Os fundamentos teóricos de cada sessão são descritos, bem como são apresentados os resultados da avaliação de diversas variáveis ligadas à parentalidade (investimento parental, coparentalidade, envolvimento, ajustamento familiar, táticas de resolução de conflitos) e dos problemas de comportamento infantil na percepção dos cuidadores. Tais variáveis foram comparadas por meio da aplicação de seis instrumentos, antes e após a participação dos pais na intervenção. As diferenças entre pré e pós-teste foram comparadas por meio de um teste estatístico não paramétrico. Os participantes também responderam a um questionário qualitativo de avaliação da intervenção, analisado por meio de Análise de Conteúdo. Embora os cuidadores tenham avaliado positivamente a intervenção, os resultados da comparação dos instrumentos mostraram diferenças estatisticamente significativas apenas na dimensão problemas emocionais da criança (redução após a intervenção). Conclui-se que a intervenção não alcançou os efeitos esperados em termos de mudanças nas variáveis analisadas, e são discutidos os fatores que podem ter contribuído para esses resultados.

Abstract

In-person interventions addressing parenting practices are well established in psychological literature. However, remote psychological services have become more widely available due to the social distancing measures imposed by the Covid-19 pandemic. This study aimed to report and evaluate an intervention on positive parenting practices, consisting of eight two-hour sessions, each addressing a specific theme. Thirty caregivers, primarily mothers of 3 to 12-year-old children with typical development, participated in an online mediated group intervention. The theoretical foundations of each session are described along with the results obtained on the parenting-related variables (parental investment, coparenting, involvement, family adjustment, conflict resolution) and child behavior problems from the caregivers’ perceptions. These variables were measured using six instruments applied before and after participation in the intervention. Differences between the pre- and post-test scores were analyzed using a nonparametric statistical test. Additionally, participants completed a qualitative evaluation form, which was analyzed using Content Analysis. Although caregivers positively evaluated the intervention, the comparison between the pre- and post-test results showed statistically significant differences only in children’s emotional problems, which decreased after the intervention. The findings suggest that the intervention did not produce the expected changes in other variables. Possible factors contributing to this outcome are discussed.

Keywords: parenting; caregivers; psychosocial intervention; child; child development

Palavras-chave: parentalidade; cuidadores; intervenção psicossocial; criança; desenvolvimento infantil

Resumen

Las propuestas de intervención presencial en crianza de los hijos están asentadas en la literatura psicológica, pero el contexto impuesto por la pandemia ha impulsado la oferta de servicios psicológicos remotos a la población. El objetivo fue describir y evaluar una intervención en parentalidad diseñada para este estudio, con 8 sesiones de 2 horas, cada una con un tema específico. La intervención, en la que participaron 30 cuidadores, en su mayoría madres de niños (3 a 12 años) con desarrollo típico, se realizó de forma online, grupal y con mediación. Se describen los fundamentos teóricos de cada sesión, así como los resultados de la evaluación de variables vinculadas a parentalidad (inversión parental, coparentalidad, implicación, adaptación familiar, tácticas de resolución de conflictos) y problemas de conducta infantil en la percepción de los cuidadores. Estas variables se compararon mediante la aplicación de 6 instrumentos, antes y después de la participación de los padres en la intervención. Las diferencias entre la prueba previa y posterior se compararon mediante estadística no paramétrica. Los participantes también respondieron a un cuestionario de evaluación de intervención cualitativa, analizado mediante Análisis de Contenido. Aunque los cuidadores evaluaron positivamente la intervención, los resultados de la comparación de los instrumentos mostraron diferencias estadísticamente significativas solo en la dimensión problemas emocionales del niño (reducción después de la intervención). Se concluye que la intervención no logró los efectos esperados con respecto a los cambios en las variables analizadas, y se discuten los factores que pueden haber contribuido a estos resultados.

Palabras-clave: parentalidad; cuidadores; intervención psicosocial; niño; desarrollo infantil

As práticas parentais se referem ao conjunto de atividades realizadas por pais e/ou cuidadores a fim de garantir a sobrevivência e o pleno desenvolvimento da criança e do adolescente (Barroso & Machado, 2010) e têm efeitos em diversas esferas de suas vidas: na sua saúde física, mental, bem como no seu desenvolvimento motor, afetivo, cognitivo e linguístico (Pires et al., 2018). Nesse contexto, intervenções com foco na parentalidade são importantes para promover mudanças positivas nas práticas parentais e prevenir problemas de comportamento infantil (Bochi et al., 2016).

Tais intervenções, embora realizadas com diferentes perspectivas e metodologias, apresentam, em geral, objetivos comuns voltados para o aperfeiçoamento das práticas parentais, sensibilização e capacitação dos cuidadores para as especificidades do desenvolvimento infantil, melhoria do investimento parental e criação de uma rede de apoio ao exercício da parentalidade (Martins et al., 2022; Schmidt et al., 2016). Propostas desta natureza visam, assim, ampliar o repertório comportamental dos pais e demais cuidadores, promovendo o aumento de suas capacidades de manejar as diferentes necessidades da criança a cada momento do seu desenvolvimento (Bochi et al., 2016).

A promoção de práticas parentais mais positivas, por meio da oferta de programas de intervenção, costuma culminar em resultados favoráveis em várias dimensões do desenvolvimento infantil, na medida em que tais intervenções estimulam o manejo mais saudável de situações desafiadoras no âmbito do exercício da parentalidade (Beagle & Dumas, 2011). Além disso, são eficazes em aprimorar a qualidade do contexto familiar, proporcionar mudanças significativas nas práticas parentais e em diminuir problemas de comportamento infantil (Altafim & Linhares, 2020). Não obstante tais intervenções serem dirigidas a quaisquer cuidadores, na prática, se verifica que quem delas participa de forma predominante são as mães, ou cuidadoras do sexo feminino (Finan et al., 2018), uma vez que a participação masculina na criação dos filhos costuma ser, na atualidade, ainda secundária ao papel da mãe (Borsa & Nunes, 2011).

Nesse contexto, diversas revisões de literatura sobre os efeitos das intervenções presenciais em parentalidade (às vezes denominadas de orientação parental, em outras, treinamento parental) evidenciam esta gama de repercussões positivas, sendo observadas melhoras consideráveis nas práticas parentais, na qualidade da relação familiar, na relação pais-criança, bem como na redução de problemas de comportamento infantil, além de redução de práticas parentais abusivas (Altafim & Linhares, 2016; Batista & Weber, 2014; Benedetti et al., 2020; Bochi et al., 2016; Knerr et al., 2013; Menting et al., 2013; Sanders et al., 2014; Schmidt et al., 2016; Wright, & Edington, 2016). Apesar desses resultados positivos, as taxas de desistência nesse tipo de intervenção são altas, sendo estimadas entre 40% e 80% (Marin et al., 2019). Como fatores facilitadores da adesão relacionados às características dos programas, a literatura apresenta o papel dos mediadores, a própria experiência do grupo e a adequação da proposta às necessidades dos participantes; como ameaças à adesão, são consideradas abordagens mais didáticas (baseadas na transmissão de conhecimento) e falta de foco do programa (Mytton et al., 2014).

Ademais, tais programas de intervenção também promovem benefícios diretos para os cuidadores participantes, sobretudo para sua saúde mental. A aquisição de habilidades relacionadas à parentalidade e o apoio grupal foram relacionados à redução dos sentimentos de culpa parental e isolamento, e ao aumento da percepção de autoeficácia (Enebrink et al., 2014; Irurita-Ballesteros et al., 2019). Também foram observados impactos positivos nas habilidades de resolução de conflitos, na redução do estresse parental (Vasquez et al., 2016) e na melhoria de indicadores positivos de saúde mental (Barlow et al., 2012) dos cuidadores. Tais efeitos são indicadores da relevância social desse tipo de programa, sobretudo em países em desenvolvimento.

No Brasil, algumas intervenções em parentalidade presenciais já foram validadas, com evidências científicas de seu funcionamento e resultados para a nossa população. O programa Adults and Children Together (ACT) Raising Safe Kids – traduzido para o português como Programa Adultos e Crianças em Conjunto Para Educar Crianças em Ambientes Seguros (Altafim & Linhares, 2020) –, por exemplo, foi implementado como política pública no estado do Ceará (Altafim & Linhares, 2022). Já o Programa de Parentalidade Positiva (Positive Parenting Program, ou Triplo P), apontado pela Organização Mundial de Saúde como um programa com excelentes evidências (Sanders, 2023), também foi avaliado no Brasil por Schulz et al. (2021).

Dessa forma, entende-se que as intervenções para a promoção da parentalidade são reconhecidas como ferramentas de suporte essenciais para a tarefa complexa de criar uma criança saudável e com habilidades de autorregulação emocional e comportamental (Souza et al., 2021). Com o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19 e o maior uso de ferramentas digitais após esse período, inúmeras formas de intervenções psicológicas precisaram se adaptar ao modelo digital, sendo utilizadas redes e plataformas on-line para possibilitar a continuidade dessas propostas (Santana et al., 2020).

Nesse cenário, uma das vantagens do modelo remoto é o potencial aumento da acessibilidade da população a tais grupos e treinamentos, possibilitando beneficiar um número maior de pessoas, sem restrições geográficas ou custos de deslocamento (Baumel et al., 2016). Como limitações desse formato, a literatura aponta o baixo nível de adesão ao longo da intervenção, tendo em vista que o contexto on-line, ao mesmo tempo que diminui as distâncias, pode dificultar o manejo do espaço e do tempo, considerando que os cuidadores participam da intervenção, em sua maioria, no ambiente doméstico (Aléssio et al., 2022). Adicionalmente, a disponibilidade de boa conexão de internet e de dispositivos com saída de vídeo e áudio (celulares ou computadores) acaba sendo um fator que limita o acesso aos estratos mais vulneráveis economicamente da população a esta forma de intervenção.

Embora a literatura internacional já aponte os efeitos positivos de intervenções em parentalidade na modalidade on-line (Baumel & Faber, 2018; Baumel et al., 2016; Breitenstein et al., 2016; Florean et al., 2020; Nieuwboer et al., 2013; Novianti et al., 2023; Sourander et al., 2022; Thongseiratch et al., 2020) tanto para problemas específicos como de programas mais gerais, a maioria dessas intervenções são do tipo autoinstrucional. Nesta modalidade, o participante assiste a vídeos, escuta podcasts e faz tarefas associadas aos conteúdos aprendidos, em websites ou aplicativos. No cenário nacional, a avaliação de intervenções psicológicas no formato remoto ainda é escassa, conforme apontado por Borloti et al. (2020).

A partir disso, o objetivo deste artigo é descrever os fundamentos teóricos da proposta da “Oficina de Parentalidade Positiva”, avaliar seus resultados a partir da comparação de diversas variáveis ligadas à parentalidade, antes e após a participação na intervenção, e avaliar a intervenção na perspectiva dos cuidadores. Buscou-se, portanto, responder à seguinte pergunta: “Que aspectos relacionados à parentalidade e ao comportamento da criança serão alterados após a participação de cuidadores em uma intervenção on-line focada na parentalidade positiva e como estes cuidadores avaliam a intervenção?”. A hipótese que norteou este estudo é de que a intervenção produziria mudanças em algumas variáveis dentre as investigadas e que os participantes teriam uma avaliação positiva da intervenção. A originalidade da pesquisa consiste na avaliação de uma proposta de intervenção em parentalidade no formato remoto, com mediação, no contexto nacional.

Método

Trata-se de uma pesquisa quantitativa, com delineamento de sujeito como o próprio controle e comparação de medidas pré e pós-intervenção (Cozby, 2003). Além disso, na avaliação da intervenção, utilizou-se também de medidas qualitativas. A variável independente foi a participação na intervenção, e as variáveis dependentes, os aspectos da parentalidade e do comportamento da criança analisados pelos instrumentos.

Este estudo é parte de uma pesquisa mais ampla, com aplicação do programa da oficina de parentalidade positiva a famílias com crianças e adolescentes, com desenvolvimentos típico e atípico. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Espírito Santo, sob n.º 5.965.681, CAAE: 50637321.1.1001.5542. Para fins deste estudo, serão apresentados somente os resultados da intervenção realizada com cuidadores de crianças com desenvolvimento típico.

Participantes

Como critérios de inclusão na amostra, selecionada por conveniência, os participantes deveriam: 1) ter mais de 18 anos; 2) ser cuidador de criança na faixa etária de 3 a 12 anos e com desenvolvimento típico; e 3) ter condições de participar da intervenção com dispositivo com câmera, áudio e conexão com a internet. Não havia critério de exclusão, não obstante, só foram incluídos nesta amostra aqueles cuidadores que responderam ao pré e ao pós-teste e que não faltaram a mais de dois encontros da oficina. Os participantes que compõem esta amostra são oriundos de seis oficinas realizadas no período de agosto de 2021 a agosto de 2023, conduzidas por diferentes duplas de facilitadores.

Instrumentos

No pré-teste, os participantes responderam a questões sobre seu perfil sociodemográfico (renda per capita, número de crianças sob sua responsabilidade, grau de escolaridade, idade, estado civil) e sobre a criança que levou o cuidador a participar da oficina (idade, sexo). Os cuidadores também responderam no pré e no pós-teste, nesta sequência, aos seguintes instrumentos:

  • 1) Questionário de Dificuldades e Capacidades – SDQ (Fleitlich et al., 2000), que possibilita o rastreio da saúde mental de crianças em cinco escalas: comportamento pró-social (Ex.: “Tem consideração pelos sentimentos de outras pessoas”), hiperatividade (Ex.: “Está sempre agitado, balançando as pernas e mexendo as mãos”), problemas emocionais (Ex.: “Tem muitos medos, assusta-se facilmente”), de conduta (Ex.: “Às vezes é malicioso”) e de relacionamento (Ex.: “Em geral, é querido por outras crianças”). É respondido em escala Likert de 0 a 2 pontos, e o escore varia de 0 a 10 pontos para cada escala; sendo assim, quanto maior o escore, maior o indicador medido pelos fatores.

  • 2) Escala de Parentalidade e Ajustamento Familiar (PAFAS), na versão validada para o contexto brasileiro por Santana (2018). Tal instrumento analisa possíveis práticas funcionais ou disfuncionais na relação familiar em cinco fatores: práticas parentais disfuncionais (Ex.: “Se meu filho/minha filha não faz o que peço, eu desisto e eu mesmo faço”); desajustamento emocional dos pais (Ex.: “Eu me sinto estressado ou preocupado”); relacionamento familiar conflituoso (Ex.: “Os membros da nossa família criticam ou colocam uns aos outros para baixo”); problemas no trabalho em equipe dos pais (Ex.: “Eu discordo do meu companheiro/da minha companheira na criação dos filhos”); e qualidade do relacionamento pais-filhos (Ex.: “Eu converso com o meu filho/a minha filha”). Neste último fator, diferentemente dos outros, quanto maior o escore, mais positivo é o relacionamento. Neste instrumento, respondido em escala Likert de 0 a 3 pontos, cada fator tem uma pontuação máxima específica que será explicitada na seção de resultados.

  • 3) Questionário de Envolvimento Parental (QEP), na versão validada para o Brasil (Bossardi et al., 2019), que visa medir o engajamento parental dos pais por meio de cinco fatores, respondido em escala Likert de 0 a 6 pontos: cuidados diretos e indiretos (Ex.: “Dar de comer ou beber a seu filho”); suporte emocional (Ex.: “Tranquilizar seu filho quando ele tem medo”); evocações (Ex.: “Contar a seus colegas de trabalho ou amigos coisas engraçadas que seu filho tenha feito ou dito”); jogos e abertura (Ex.: “Ensinar esportes a seu filho: nadar, patinar, andar de bicicleta, jogar bola etc.”); e disciplina (Ex.: “Repreender seu filho quando ele desobedece”). Com tais fatores é possível analisar a intensidade e qualidade com que os pais ou cuidadores se engajam e se fazem presente na vida das crianças.

  • 4) Escala de Táticas de Resolução de Conflito (CTSPC), adaptada para o contexto brasileiro por Reichenheim e Moraes (2003), que avalia a maneira com que os cuidadores lidam com os conflitos com as crianças e quais práticas de correção de comportamento utilizam. É respondido em escala Likert de 0 a 7 pontos, e conta com cinco fatores: disciplina não violenta; (Ex.: “Você explicou à criança por que o que ela estava fazendo estava errado?”); agressão psicológica (Ex.: “Você falou alto, berrou ou gritou com a criança?”); punição corporal (Ex.: “Você deu uma palmada no bumbum da criança?”); maus-tratos físicos (Ex.: “Você jogou a criança no chão?”); e maus-tratos físicos graves (Ex.: “Você a ameaçou com uma faca ou arma?”).

  • 5) Escala de Investimento Parental (EIP): desenvolvida por Silva (2015), pretende averiguar a maneira com que os cuidadores investem na criança. Para isso, a escala tem três fatores, são eles: cuidado e afeto (Ex.: “Cuidar para que a criança durma e descanse”); convívio (Ex.: “Comemorar o aniversário da criança com a família”); e disciplina e valores (Ex.: “Ensinar sobre valores morais”). Nesta escala, a pontuação de cada item varia de 1 a 5 (Likert), sendo 0 marcado quando o item “não se aplica”.

  • 6) Escala de Relacionamento Coparental (ERC), com a adaptação brasileira de Carvalho et al. (2018), que pretende avaliar a qualidade do relacionamento coparental por meio de sete fatores: reconhecimento (Ex.: “Eu acredito que minha companheira é uma boa mãe”); proximidade (Ex.: “Eu me sinto satisfeito e mais próximo do meu companheiro quando eu o vejo brincar com nosso filho”); suporte (Ex.: “Quando eu estou no meu limite no papel de pai, minha companheira me dá o suporte extra que preciso”); sabotagem (Ex.: “Às vezes minha companheira faz piadas ou comentários sarcásticos – maldosos, ‘de gozação’ – sobre a maneira como eu sou como pai”); divisão de tarefas (Ex.: “Minha companheira não se preocupa em dividir de forma justa o cuidado do nosso filho”); acordo (Ex.: “Minha companheira e eu temos ideias diferentes sobre como criar nosso filho”); e o fator conflito (Ex.: “Discute com a sua companheira sobre o seu filho na presença de seu filho?”). Os itens de cada fator são respondidos em escala Likert de 0 a 6 pontos.

Tais instrumentos quantitativos foram escolhidos pois, em seu conjunto, abarcam os elementos fundamentais relacionados às diversas dimensões da parentalidade, conforme a literatura da área (Barroso & Machado, 2010). Já a medida do comportamento da criança (SDQ) foi incluída por ser importante avaliar possíveis efeitos da oficina no comportamento infantil, ainda que de forma indireta (via relato dos cuidadores), uma vez que avaliar diretamente a própria criança se tornaria inviável em uma pesquisa que envolvia intervenção proposta no formato remoto.

Além desses instrumentos, no pós-teste, os participantes responderam, também, a um Questionário de Avaliação da Intervenção com questões quantitativas e qualitativas, adaptado de Eyberg (1993). Tal instrumento investigou a percepção dos pais sobre diversos aspectos das oficinas, como atuação dos facilitadores, sugestões de melhoria na intervenção, entre outros.

Descrição da intervenção

A intervenção foi desenvolvida no ano de 2021 para este estudo e baseou-se nos princípios apontados na literatura para a eficácia de programas de parentalidade (Alvarez et al., 2016). Foi realizada na modalidade em grupo, de forma síncrona e on-line, com mediação, a fim de discutir com cuidadores de crianças com desenvolvimento típico temas relevantes para a promoção da parentalidade positiva. Tal intervenção foi inicialmente desenvolvida para o formato remoto, devido à pandemia de covid-19, mas continuou a ser oferecida nessa modalidade após o fim do período de isolamento social.

A parentalidade, conforme apontado por Hoghughi (2004), é multifacetada e composta de inúmeros aspectos envolvendo: o cuidado físico, emocional e social com a criança; o estabelecimento de limites e regras; os recursos disponíveis para os pais e sua motivação; os estilos parentais adotados pelos cuidadores, entre outros elementos. Tais dimensões permitem constatar que muitos fatores pessoais e contextuais moldam a parentalidade (Kotchick & Forehand, 2002). Isso significa que qualquer intervenção deve abarcar diversos tópicos, com o intuito de englobar os diferentes determinantes, aspectos e dimensões da parentalidade (Barroso & Machado, 2010).

Dessa maneira, cada uma das sessões da oficina apresentava temas, objetivos e metodologia específicos, tendo duração de 1 hora e meia cada, totalizando, assim, 12 horas de intervenção. As sessões são denominadas: 1) Parentalidade positiva: expectativas e realidade; 2) Autocuidado e saúde mental parental; 3) Conjugalidade e coparentalidade; 4) Desenvolvimento: marcos e expectativas; 5) Influências da parentalidade e estilos parentais; 6) Práticas educativas positivas: regras e limites; 7) Práticas educativas positivas: afeto e habilidades sociais; e 8) Encerramento da oficina. Assim, a proposta da oficina buscou ser abrangente, mas ao mesmo tempo com um número de sessões que é apontado pela literatura como não muito longo (oito encontros), mas capaz de produzir resultados (Enumo et al., 2020).

A 1ª sessão tem por finalidade explicar os objetivos do grupo e nivelar as expectativas dos cuidadores; acolher e apresentar os participantes do grupo e os facilitadores, bem como elaborar o contrato do grupo. Nesta sessão, é introduzido e discutido o tema da parentalidade positiva, que consiste em o:

[...] conjunto de comportamentos parentais que visam ao melhor para a criança, assegurando a satisfação de suas necessidades, sua capacitação e autonomia, sem fazer o uso da violência, não obstante, orientando e impondo limites necessários para que possa ser possível o seu desenvolvimento saudável (Quintana & Lopez, 2013, p. 79, tradução nossa).

Destaca-se, nesta definição, a busca pelo melhor interesse da criança, o envolvimento emocional, a não utilização de práticas coercitivas e o estabelecimento de limites. Os seis princípios da parentalidade positiva, por sua vez, consistem em: resolver os problemas em conjunto, desenvolver rotinas, permitir que a criança tenha tempo livre, ouvir a criança e instruí-la com calma e construir competências (Kadzin, 2009). Enfatiza-se, ainda, nesta sessão, que a parentalidade é uma função, isto é, o que importa não é o vínculo biológico do cuidador com a criança, mas sua disponibilidade e seu interesse em participar da sua criação (Federacíon Españhola de Municípios y Provincias, 2015).

O autocuidado e a saúde mental parental são o foco da 2ª sessão. Inicialmente, na oficina-piloto realizada antes de se chegar à proposição final deste modelo de intervenção, esta temática não estava prevista. Mas percebeu-se sua necessidade, a partir do feedback fornecido pelos cuidadores participantes, e então essa temática foi incorporada nesse encontro. Nele, se objetiva refletir e estimular a importância do autocuidado parental como benefício para ambos, pais e filhos, bem como introduzir a importância da existência de uma rede de apoio (instrumental/material e emocional/afetiva) para o exercício do parentalidade (Álvarez et al., 2018). Essa rede de suporte é importante para evitar a sobrecarga dos cuidadores, que costuma ter efeitos negativos nas práticas parentais (Coltro et al., 2020).

Na 3ª sessão discute-se a conjugalidade e a coparentalidade, refletindo sobre a importância das relações coparentais e as diferenças em relação à conjugalidade, bem como são apresentadas práticas para a promoção de relações coparentais positivas. A coparentalidade se refere à forma como o cuidador (mãe ou o pai, por exemplo) divide a liderança e apoia (ou prejudica) outro cuidador no seu papel parental, bem como a maneira como ambos gerenciam os conflitos relacionados à criação dos filhos (Böing & Crepaldi, 2016). Assim, a relação coparental é compreendida como um subsistema familiar autônomo, que independe da existência de vínculo conjugal entre a dupla, e é produto da inter-relação entre dois adultos na condução e satisfação das necessidades das crianças (Feinberg et al., 2012).

Alguns estudos destacam a importância de os cuidadores conhecerem algumas especificidades do desenvolvimento infantil, a fim de ajustarem suas expectativas às reais possibilidades de comportamento da criança em uma dada faixa etária (Bochi et al., 2016; Peña et al., 2014; Schmidt et al., 2016). Esse é o tema da 4ª sessão, que visa sensibilizar os cuidadores sobre as necessidades da criança em seus diferentes momentos. Visa também ajustar as expectativas dos cuidadores em relação ao “desempenho” esperado da criança numa dada faixa etária. O conteúdo específico desta sessão, bem como os exemplos das demais sessões, são selecionados conforme a faixa etária das crianças sob responsabilidade dos cuidadores participantes de cada uma das oficinas oferecidas.

Na 5ª sessão introduz-se o tema dos estilos parentais, com o objetivo de que os pais avaliem o que precisa ser melhorado nas duas dimensões desses estilos: responsividade (afeto) e limites (disciplina). A ideia de estilos parentais parte do pressuposto da existência de certos padrões na interação pais-filhos, incluindo a dimensão afetiva e de comunicação com a criança, bem como a maneira de lidar com a disciplina (Oliveira et al., 2018). A literatura da área da Psicologia, desde o final da década de 1970, investiga os diferentes estilos parentais, conceituados por Maccoby e Martin (1983) como autoritativo (também conhecido como democrático ou participativo), autoritário (no qual predomina o estabelecimento de limites de forma coercitiva), indulgente e negligente (estes dois últimos também chamados de permissivos), bem como seus efeitos no desenvolvimento infantil (Pinquart, 2016).

Na 6ª sessão, por sua vez, se aprofunda o tema das regras e dos limites na educação dos filhos, mapeando-se as formas de resolução de conflitos utilizadas pelos cuidadores e discutindo elementos importantes para o estabelecimento de limites. Sebre et al. (2015) apontam que a utilização de práticas parentais negativas (disciplina coercitiva e punições) está associada a maiores dificuldades infantis, enquanto as práticas positivas estão relacionadas a taxas mais baixas de problemas de comportamento. Além disso, as práticas negativas estão associadas a maiores níveis de ansiedade e depressão na criança. Assim, o uso de práticas coercitivas é largamente relacionado na literatura com os prejuízos no desenvolvimento da criança (Bolsoni-Silva & Loureiro, 2021). Muitas vezes, a utilização dessas práticas se deve ao não conhecimento de outras estratégias educativas (Barros et al., 2015), que são justamente apresentadas e discutidas nesta sessão.

A importância da dimensão afetiva no desenvolvimento, objetivando que os cuidadores identifiquem e ampliem as trocas afetivas com a criança, é o tema da 7ª sessão. Além disso, nesta sessão, é abordada a importância das habilidades sociais parentais (Bolsoni-Silva & Borelli, 2012), que são vinculadas ao repertório para se lidar com relações interpessoais, mas, nesse caso, voltadas para o aprendizado e desenvolvimento da criança. Por fim, a última sessão é dedicada à síntese e reflexão sobre o que foi aprendido e vivenciado na oficina, bem como é realizada a sua avaliação pelos cuidadores participantes.

Assim, o percurso temático das sessões da oficina parte da parentalidade e seu exercício para a rede de suporte parental, seguida das características do desenvolvimento da criança e das práticas educativas positivas e negativas. Todas as sessões contam com atividades diversas, como dinâmicas de grupo, exibição de discussão de pequenos vídeos, entre outras. Como o foco deste trabalho é a descrição dos fundamentos da intervenção, o detalhamento das atividades de cada sessão não será apresentado, por limitação de espaço.

Cada sessão da oficina conta, ainda, com uma atividade para ser realizada em casa pelo cuidador, sempre relacionada ao tema da sessão, juntamente com sugestões de leituras e vídeos adicionais sobre o tema. Esses materiais são enviados em forma de figura para o grupo de Whatsapp criado com a concordância dos participantes, após a primeira sessão.

Em cada oficina oferecida podem participar, no máximo, 15 cuidadores, e cada oficina é conduzida por uma dupla de estudantes de graduação em Psicologia, devidamente treinada e supervisionada, denominada de facilitadores. Antes de serem inseridos no grupo, os cuidadores participam de uma entrevista individual, na qual são informados os objetivos da proposta e a forma de funcionamento da oficina. Nesta entrevista, é explicada aos cuidadores a importância de participarem das sessões com recursos de câmera e áudio ativados, para melhor interação entre os participantes.

Procedimentos de coleta e análise dos dados

O recrutamento dos participantes se deu por meio da postagem de flyers em redes sociais, sendo a amostra, portanto, de conveniência. Após a inscrição e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido de forma on-line, os cuidadores eram convidados para uma entrevista individual (também on-line), na qual eram explicados os objetivos da intervenção e da pesquisa. Aqueles que concordavam em participar da pesquisa recebiam um link para preenchimento dos questionários no pré-teste. Em seguida, participavam das 8 sessões da oficina. Na última sessão, recebiam um novo link para a coleta de dados do pós-teste.

Os dados quantitativos dos instrumentos foram analisados conforme instruções dos autores. Após o cálculo dos escores individuais, a distribuição dos dados foi avaliada utilizando-se testes de Shapiro-Wilks. A maior parte das variáveis apresentou ausência de distribuição normal e, dessa forma, foram utilizados testes não paramétricos de Wilcoxon para as comparações entre os escores obtidos antes aos obtidos após a intervenção, com avaliação de significância no nível de p < 0,05.

Os dados quantitativos do Questionário de Avaliação da Intervenção foram submetidos à análise estatística descritiva. Os dados qualitativos deste instrumento, por sua vez, foram tratados conforme a Análise de Conteúdo, proposta por Bardin (2016), envolvendo as seguintes etapas: 1) pré-análise, na qual é realizada uma leitura superficial do material e se define o que será analisado e a formulação da hipótese; 2) codificação dos dados, ou seja, transformar os dados em informações menores, de modo que facilite a organização e interpretação de forma sistemática; 3) interpretação dos resultados, no qual se busca padrões e relações entre as respostas, por meio da criação de categorias; e, por fim, 4) as categorias que emergiram das etapas anteriores foram quantificadas, por meio da análise de sua frequência. Assim, obteve-se mais informações sobre as percepções dos cuidadores sobre diversos aspectos da intervenção.

Resultados

A amostra obtida contou com 30 participantes, e não houve cálculo amostral. Este número representa 27,8% do total de 108 cuidadores inscritos para as seis oficinas realizadas. Esse dado se deve à perda de sujeitos nas diversas fases da pesquisa, desde o comparecimento na 1ª sessão da oficina, após inscrição; englobando perdas de sujeito ao longo das oficinas; e também sujeitos que, apesar de terem participado de todas as sessões, não responderam a ambos, pré e pós-teste.

Dos 30 participantes, 28 (93,33%) eram mulheres (todas mães) e 2 (6,66%) eram homens (ambos pais). Dada a maioria de participantes mulheres, utilizaremos o termo “as participantes” ao longo do texto. A idade mínima foi de 26 anos e a máxima de 72 anos, obtendo-se uma mediana de 40,5 anos para a amostra. A maioria declarou-se casada (83,33%), 10% solteiras e 6,67% divorciadas. A maioria das participantes apresentou alta escolaridade (66,67% concluíram pós-graduação, 13,33%, graduação completa e 20%, ensino médio). A renda per capita da amostra variou de R$ 660,00 a R$ 10.000,00, com mediana de R$ 2.666,66.

A idade do filho foco, isto é, o filho que motivou a procura pela oficina, variou entre 3 e 12 anos, com mediana de 7 anos para a amostra. Em média, as participantes relataram cuidar de 1,5 crianças em seu dia a dia.

Os escores no PAFAS, que avalia a parentalidade e o ajustamento familiar, indicaram que as participantes apresentaram baixa frequência de práticas parentais disfuncionais, baixo desajustamento emocional, pouco conflito no relacionamento familiar e baixa frequência de problemas no trabalho em equipe dos pais e boa qualidade do relacionamento entre pais e filhos, tanto antes quanto após a intervenção (Tabela 1). Não houve diferença significativa nos escores entre as aplicações do instrumento.

Tabela 1 Comparação entre pré e pós-teste dos fatores dos instrumentos. 

Instrumentos (n) Fatores (pontuação) Pré-intervenção Pós-intervenção Z (Wilcoxon)
Mediana Min-Max Mediana Min-Max
PAFAS (30) Práticas parentais disfuncionais (0-51) 24 15 – 28 22 14 – 28 -1,739
Qualidade no relacionamento pais-filhos (0-33) 26 15 – 30 25 11 – 31 -1,203
Desajustamento emocional dos pais (0-15) 6 2 – 9 5,5 1 – 11 -0,945
Dificuldades no relacionamento familiar (0-12) 3,5 0 – 8 3 0 – 9 -0,041
Problemas no trabalho em equipe dos pais (0-9) 2 0 – 7 3 0 – 7 -1,145
SDQ (30) Problemas emocionais (0-10) 4 0 – 10 2,5 0 – 7 -2,081*
Problemas de conduta (0-10) 3,5 0 – 8 3 0 – 8 -0,639
Hiperatividade (0-10) 4 0 – 9 4 0 – 9 -0,498
Problemas sociais (0-10) 1 0 – 9 2 0 – 6 -0,42
Comportamentos pró-sociais (0-10) 9 4 – 10 9 6 – 10 -0,469
QEP (15) Cuidados diretos e indiretos (0-6) 4,18 1,9 – 6 4,09 1,63 – 5,18 -0,533
Suporte emocional (0-6) 5,55 2,11 – 6 5,77 3,88 – 6 -1,071
Evocações (0-6) 5,4 3 – 6 5,4 3,4 – 6 -0,848
Jogos e abertura (0-6) 3,5 2 – 5,5 3,5 2,16 – 5,33 -0,14
Disciplina (0-6) 3,66 0.66 – 6 4 0,33 – 6 -0,059
EIP (29) Cuidado e afeto (1-5) 4,8 4,3 – 5 4,92 4,08 – 5 -1,144
Convívio (1-5) 4,44 2,22 – 4,89 4,52 3 - 4,94 -0,394
Valores (1-5) 4,68 3,78 – 5 4,76 3,7 – 5 -1,202
CRS (25) Reconhecimento (0-6) 4,85 2,14 -5,86 4,28 1,85 – 6 -0,07
Proximidade (0-6) 4 1,2 – 6 4,6 0,4 – 6 -1,532
Suporte (0-6) 3,5 0,33 – 6 3,33 0 – 6 -0,302
Sabotagem (0-6) 0,66 0 – 3,83 1,16 0 – 5,5 -0,605
Divisão (0-6) 3 1 – 6 4 1 – 6 -1,475
Acordo (0-6) 4,5 1,5 4,25 1,25 – 6 -0,181
Conflito (0-6) 0,9 0 – 4,2 0,8 0 – 3 -1,851
CTSPC (29) Disciplina não violenta (0-6) 2,45 0 – 5 3 0,75 – 5,25 - 1,48
Agressão psicológica (0-6) 1 0 – 2,5 1 0 – 3,2 -0,286
Punição corporal (0-6) 0,4 0 – 3,6 0,5 0 – 3,5 -0,406
Maus-tratos físicos (0-6) 0 0 – 2 0 0 – 1 0
Maus-tratos físicos graves (0-6) 0 0 – 0,25 0 0 – 0,25 0

Nota: p< 0.05.

Quanto ao envolvimento parental, os escores no QEP indicam que as participantes apresentaram alta frequência de envolvimento em cuidados diretos e indiretos, suporte emocional, evocações, jogos e abertura e em disciplina. Os escores na EIP, por sua vez, indicam que houve alto investimento em cuidado e afeto, em convívio e em disciplina e valores. A comparação pré e pós não indicou diferenças significativa nos escores deste instrumento (Tabela 1).

Os escores na ERC indicam que as participantes apresentaram boa qualidade do relacionamento coparental com alta pontuação no reconhecimento do papel do parceiro, proximidade, suporte, divisão de tarefas e concordância, e baixa pontuação nas subescalas de conflito e de sabotagem, tanto antes quanto após a intervenção. Não houve diferença significativa nos escores entre as aplicações do instrumento (Tabela 1).

Os baixos escores na CTSPC indicaram que os participantes apresentaram pouco uso de disciplina violenta, agressão psicológica, punição corporal, maus-tratos físicos e maus-tratos físicos graves, tanto antes quanto após a intervenção. A comparação pré e pós também não indicou diferença significativa nos escores deste instrumento (Tabela 1).

Quanto às dificuldades e capacidades das crianças (SDQ), as participantes avaliaram que estas apresentavam alta pontuação em comportamentos pró-sociais e baixa pontuação em problemas sociais (Tabela 1). Quanto aos problemas emocionais, de conduta e hiperatividade, as participantes indicaram pontuação próxima à média, ou seja, avaliaram que as crianças apresentaram alguma dificuldade nessas dimensões. A maior parte dos escores foi semelhante nas avaliações pré e pós-intervenção, com exceção dos escores nos problemas emocionais, que apresentou diminuição significativa da avaliação pré para a avaliação pós-intervenção (Tabela 1).

Todas as participantes responderam o Questionário de Avaliação da Intervenção após a participação, que continha questões com respostas fechadas, em escala do tipo likert de 5 pontos, e questões com respostas abertas. As respostas fechadas indicaram que as participantes avaliaram que aprenderam muitas coisas nas oficinas, tiveram bom aproveitamento, sentiam-se mais confiantes após a participação e que gostaram de participar das oficinas (Tabela 2).

Tabela 2 Médias e desvios-padrão das respostas às questões quantitativas do Questionário de Avaliação da Intervenção. 

Questões Escala Likert (1 a 5 pontos) M Dp
Quando participei dos encontros da Oficina, acho que aprendi sobre parentalidade positiva… Nada – Muitas coisas 4,66 0,60
Em relação à minha participação na Oficina, considero que tive… Nenhum aproveitamento – Muito bom aproveitamento 4,40 0,56
Em relação a minhas habilidades como pai/mãe ou cuidador, após a participação na Oficina, sinto que estou… Muito inseguro – Muito mais confiante 4,16 0,46
Meu sentimento sobre participar dos encontros da Oficina de Parentalidade Positiva… Eu detestei muito – Eu gostei muito 4,93 0,25

As respostas para cada uma das três perguntas discursivas (questões com respostas abertas) foram categorizadas por meio da Análise de Conteúdo. Identificaram-se 49 respostas à questão “Que atividades ou discussões achou mais interessantes durante os encontros da oficina?”, que foram reunidas em 12 categorias (Tabela 3). “Saúde mental e autocuidado” e “Limites e disciplina” foram as categorias de resposta mais frequentes, além da resposta mais geral apontando todo o conteúdo como interessante.

Tabela 3 Frequência das categorias de resposta à questão sobre as atividades consideradas mais interessantes pelas participantes da oficina. 

Categorias N %
Saúde mental e autocuidado 11 22,45
Tudo foi interessante 9 18,37
Limites e disciplina 7 14,29
Tarefas de casa 3 6,12
Outros 3 6,12
Habilidade sociais parentais 3 6,12
Troca de experiências e depoimentos entre o grupo 3 6,12
Empatia e acolhida dos facilitadores 2 4,08
Importância do afeto 2 4,08
Coparentalidade 2 4,08
Forma de abordagem e de reflexão dos temas 2 4,08
Desenvolvimento infantil, marcos e expectativas 2 4,08
Total 49 100

Identificaram-se 31 respostas à questão sobre sugestões de mudanças ou melhorias na intervenção, que foram reunidas em 12 categorias (Tabela 4). Apesar de a resposta mais frequente ter sido que não havia sugestão de mudança ou que tudo foi positivo, as sugestões de aumento no número de encontros e de fornecimento de mais materiais para estudo também foram bastante frequentes.

Tabela 4 Frequência das categorias de resposta à questão sobre sugestões de mudanças na intervenção. 

Categorias N %
Nenhuma sugestão de mudança/Tudo foi positivo 7 22,58
Maior número de encontros 6 19,35
Mais material para estudo 4 12,90
Novos conteúdo não abordados na oficina (ex.: alimentação) 3 9,67
Diminuir o tempo de duração de cada encontro 2 6,45
Acompanhamento dos participantes após a finalização da oficina 2 6,45
Problemas com acesso à internet/oficina presencial 2 6,45
Aumentar o tempo de duração de cada encontro 1 3,23
Mais conteúdo, dentre os temas já abordados 1 3,23
Questionário extenso 1 3,23
Manter a postura de acolhida dos facilitadores 1 3,23
Maior regularidade na frequência dos participantes 1 3,23
Total 31 100

Ao serem perguntados sobre a atuação dos facilitadores, ainda no Questionário de Avaliação da Intervenção, foram identificadas 58 respostas reunidas em cinco categorias: 1) ótimos/excelentes (n= 19; 32,76%); 2) seguros, preparados e coerentes (n= 15; 25,85%); 3) acolhedores/empáticos (n= 12; 20,69%); 4) conduziram de forma dinâmica e prazerosa (n= 8; 13,79%); e 5) compromissados/responsáveis (n= 4; 6,9%).

Discussão

Em relação ao perfil sociodemográfico das participantes, houve predominância das mulheres-mães na intervenção, dado que vai ao encontro do apontado pela literatura (Finan et al., 2018). Isso evidencia que, ainda hoje, a preocupação com o cuidado e educação dos filhos é mais intensamente associada à figura materna, enquanto o pai assume, muitas vezes, um papel coadjuvante (Borsa & Nunes, 2011). Torna-se, dessa forma, importante desenvolver estratégias que possam promover o engajamento paterno nesse tipo de intervenção.

A maioria das participantes eram casadas, e a alta renda e escolaridade da amostra indicam que as cuidadoras não se encontravam em um contexto de vulnerabilidade. Sabe-se que a existência de uma rede de apoio e a disponibilidade de recursos são fatores contextuais que influenciam o exercício da parentalidade (Kotchick & Forehand, 2002). Nesse sentido, tais aspectos podem ter contribuído para que as participantes apresentassem escores elevados nos indicadores de parentalidade já na avaliação do pré-teste. Outro fator que poderia explicar os altos escores em parentalidade no pré-teste é o viés de seleção, uma vez que a amostra foi de conveniência, sendo esta uma das limitações deste estudo.

Assim, é provável que as pessoas que buscaram a oficina estivessem previamente motivadas a aprenderem mais sobre a parentalidade e já apresentassem práticas mais positivas que gostariam de aperfeiçoar. A favor desta hipótese explicativa consideramos as respostas que demonstram o interesse das participantes, bem como as sugestões de aumento no número de encontros e de fornecimento de mais materiais de estudo.

Aplicamos diversos instrumentos que avaliaram parentalidade, coparentalidade, conflito entre pais e filhos, dificuldades e capacidades da criança antes e após a intervenção, buscando identificar mudanças nas respostas que indicassem efeitos positivos da intervenção. A hipótese inicial deste estudo, de que haveria diferenças significativas nos aspectos ligados à parentalidade investigados, após a intervenção, foi refutada. De forma geral, não identificamos diferenças significativas nessas medidas após a intervenção. Ainda assim, é importante destacar que, em cada instrumento aplicado, foram observadas algumas mudanças consideradas positivas nas médias.

Na meta-análise de Sanders et al. (2014), intervenções com foco na promoção da parentalidade positiva melhoraram diversos aspectos das práticas parentais, ajustamento parental, além do comportamento social e emocional da criança. No que se refere às habilidades das crianças, Baumel e Faber (2018) buscaram avaliar um programa em parentalidade on-line que incentivava o desenvolvimento dos filhos, o ensinar novas habilidades e o prevenir e manejar comportamentos de desobediência para pais de crianças. Como resultado, os autores encontraram que o programa foi eficaz para redução dos problemas de comportamento infantil. Na intervenção aqui proposta, foi observada diminuição significativa somente nos problemas emocionais da criança, mas não nos demais indicadores avaliados (o que difere do apontado pela literatura da área), ainda que tenha sido proposto um número de encontros (8) considerado suficiente para produzir resultados (Enumo et al., 2020).

Pode-se aventar duas possíveis explicações para essa diminuição significativa, no caso do fator problemas emocionais do SDQ. Primeiro, as habilidades e os conhecimentos adquiridos com a participação na intervenção podem ter possibilitado aos pais manejar melhor o seu cuidado com a criança, diminuindo a ocorrência de problemas emocionais. Outra, ainda, que após adquirir conhecimentos referentes ao desenvolvimento infantil durante a intervenção, os pais passaram a reconhecer certos comportamentos como esperados, em determinado momento do desenvolvimento, vendo-os como menos problemáticos.

A ausência de diferenças significativas nos demais instrumentos utilizados e nas demais subescalas do SDQ podem indicar que a intervenção não modificou os construtos avaliados por estes instrumentos. Não é possível saber se tal ausência de mudanças se deve às características dos participantes ou da própria intervenção. Assim, embora a oficina tenha sido baseada nos princípios da literatura (Alvarez et al., 2018) e tenha abordado temáticas também presentes em outros programas, como os de Altafim e Linhares (2020), de Baumel e Faber (2018) e de Kadzin (2009), a proposta de sessões e atividades desta intervenção é única, bem como a característica de ser on-line e mediada por graduandos em Psicologia. Tais fatores podem ter implicações nos resultados obtidos, menos favoráveis que o esperado.

No que se refere às características dos participantes, dois elementos podem ser levantados. O primeiro refere-se ao bom desempenho inicial nas práticas parentais positivas, envolvimento e investimento parental e à baixa frequência de conflito e disciplina coercitiva apresentado pela amostra. O bom desempenho inicial pode ter impedido que a aprendizagem e experiência na intervenção tenham sido refletidas no aumento dos escores após a intervenção. Ou seja, a ausência de diferenças significativas pode ter ocorrido devido a um efeito de teto (Breakwell et. al., 2010) relacionado ao perfil da amostra, já discutido anteriormente, que incluiu participantes com alta escolaridade e renda, e previamente motivada para aprender sobre parentalidade.

Outro fator que pode ter contribuído para a ausência de diferenças entre a aplicação pré e a aplicação pós-intervenção é o pequeno número de participantes. Quanto menor o número de participantes, maior a possibilidade de que a variação entre indivíduos mascare efeitos de diferenças entre grupos (Sprent & Smeeton, 2001). Assim sendo, não obstante a ausência de mudanças significativas na maioria dos escores pós-intervenção, as participantes mostraram-se satisfeitas com a intervenção no Questionário de Avaliação aplicado ao final.

Na análise quantitativa desse instrumento, todos os aspectos avaliados receberam pontuação média próxima da nota máxima, demonstrando que as participantes indicaram ter aprendido muitas coisas com a intervenção e se sentiram mais confiantes para cuidar dos filhos após a participação. Além disso, informaram ter tido um bom aproveitamento e ter gostado muito da oficina. Medidas de satisfação em intervenções em parentalidade são importantes indicadores, conforme apontado por Eyberg (1993).

No que se refere à análise das questões discursivas, verificamos que os temas que mais interessaram os participantes foram a saúde mental e o autocuidado e limites e disciplina. Esse achado indica a importância da temática saúde mental ser abordada em intervenções de parentalidade positiva, considerando seus benefícios para os participantes (Enebrink et al., 2014; Barlow et al., 2016; Vazquez et al., 2016) e os fatores de risco para o desenvolvimento da criança (Irurita-Ballesteros et al., 2019). Além disso, sinaliza que umas das maiores dificuldades em relação às práticas educativas de cuidadores se refere à disciplina, sem uso de coerção (Barros et al., 2015; Bolsoni-Silva & Loureiro, 2021).

A segunda questão, por sua vez, abordou as sugestões de melhorias dos participantes na proposta da oficina. A resposta mais frequente indicava que tudo foi positivo ou afirmava que não havia nenhuma sugestão de mudança na proposta, o que indica, novamente, a avaliação positiva da intervenção em termos de satisfação dos usuários. As duas categorias seguintes, em termos de frequência, são indicadoras do interesse dos participantes na intervenção, já que são sugeridos maior número de encontros e mais material para estudo. O feedback dos participantes indica, no entanto, algumas mudanças importantes a serem realizadas para as próximas ofertas da oficina, como a redução do número de instrumentos utilizados na coleta de dados pré e pós-teste e a realização de seguimento após o término da oficina.

Em relação à avaliação dos facilitadores, esta foi muito positiva, aspecto indicado por todas as categorias presentes na análise de conteúdo. Estudos indicam que a atuação dos mediadores da intervenção como um elemento importante para seu sucesso (Altafim & Linhares, 2020). Embora a oficina tenha sido avaliada de forma positiva pelas participantes, este estudo apresenta algumas limitações que precisam ser analisadas.

Uma delas está relacionada ao perfil das participantes, composto majoritariamente por mães de camadas mais elevadas da população em termos de renda e escolaridade, o que não permite a generalização dos resultados para outros cuidadores de diferentes níveis educacional e socioeconômicos. Outras camadas da população podem não ter considerado essa modalidade de intervenção atraente, por não visualizar possíveis benefícios associados à sua participação. O acesso à internet de qualidade, bem como a dispositivos eletrônicos com câmera e áudio, pode ter sido fator adicional que dificultou que outros estratos da população tenham tido a possibilidade de acessar a intervenção (Santana et al., 2020).

Além dessas limitações, também se destaca a problemática da adesão dos participantes, já que ocorreu perda de sujeitos, sobretudo já entre a inscrição e o comparecimento na 1ª sessão da oficina. Dessa maneira, os cuidadores se inscreviam para a intervenção, mas já não compareceram ao seu início, configurando uma perda não diretamente relacionada às características das sessões de intervenção. A perda total de sujeitos, da ordem de pouco mais de 70%, apesar de alta, está dentro dos parâmetros apontados na literatura da área (Marin et al., 2019). Assim, conforme apontado por Aléssio et al. (2022), embora o contexto remoto tenha vindo para ficar, exige maior flexibilidade e alternativas criativas por parte dos atores envolvidos, profissionais e participantes, na realização de adaptações ao modelo presencial.

Outra limitação a ser considerada nos próximos estudos é a inclusão de metodologia que abarque o manejo e análise de um grupo controle e o acompanhamento com os participantes após a finalização da intervenção (follow-up). Dessa maneira, sugerimos que sejam realizadas adaptações no programa proposto a fim superar as limitações identificadas. Após essas adaptações, novos estudos poderão indicar se a proposta de intervenção desenvolvida de forma remota apresenta os mesmos benefícios indicados pela literatura em intervenções nessa modalidade, no âmbito de nosso país.

A modalidade remota foi muito utilizada durante a pandemia de covid-19, sendo a única ferramenta possível naquela ocasião (Santana et al., 2020). Com o fim da pandemia, essa modalidade ainda continua sendo relevante, e não obstante alguns benefícios já apontados na literatura internacional (Baumel & Faber, 2018; Baumel et al., 2016; Breitenstein et al., 2016; Nieuwboer et al., 2013; Novianti et al., 2023; Sourander, et al., 2022. Thongseiratch et al., 2020), sua eficácia na promoção da parentalidade em território nacional ainda carece de evidências.

Conclui-se, portanto, que a Oficina de Parentalidade Positiva, apesar de ter sido avaliada de forma positiva pelos cuidadores, apresentou poucas mudanças significativas nas variáveis parentais investigadas, ao contrário da hipótese inicial. No que se refere à percepção do comportamento infantil, houve diminuição somente no relato de problemas emocionais da criança, mas na análise qualitativa foi possível observar que as características do programa têm potencial para gerar reflexões, ajustes nas rotinas e no modo de funcionamento familiar. Assim, sugere-se a realização de novas pesquisas que possam avaliar se o programa teria impactos diferentes em cuidadores de outros contextos, considerando que não teve efeitos estatisticamente significativos na população pesquisada.

Financiamento:Universidade Federal do Espírito Santo, bolsa de iniciação científica.

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Recebido: 18 de Março de 2024; Aceito: 16 de Janeiro de 2025

Correspondências referentes a este artigo devem ser enviadas a Fabiana Pinheiro Ramos, Departamento de Psicologia da Ufes, Avenida Fernando Ferrari n. 514, Goiabeiras, Vitória, ES, Brasil. CEP 29.075910. E-mail: fabiana.ramos@ufes.br

Conflito de interesses:

Não há.

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