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Psicologia: teoria e prática
versão impressa ISSN 1516-3687
Psicol. teor. prat. vol.27 no.1 São Paulo 2025 Epub 06-Fev-2026
https://doi.org/10.5935/1980-6906/eptpcp17142.pt
Artigos de revisão (sistemática ou de escopo)
Psicoterapia com mulheres em situação de violência por parceiro íntimo: Uma revisão sistemática
1University of Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), Center for Health Sciences, Graduate Program in Psychology, São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil
A violência por parceiro íntimo é um problema de saúde pública e impacta a saúde mental de mulheres. Devido à complexidade do fenômeno, o atendimento psicológico das vítimas deve considerar as especificidades das demandas apresentadas e experienciadas por elas. Nesse sentido, essa revisão sistemática da literatura teve como objetivo mapear os estudos sobre psicoterapia com mulheres em situação de violência por parceiro íntimo, seguindo o modelo PRISMA. A busca de dados contemplou as bases Web of Science, Psycinfo, Pubmed, Lilacs e Scielo, incluindo artigos dos últimos cinco anos. Foram recuperados 133 artigos, e, a partir dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 17 artigos para análise. Como resultados, encontrou-se uma diversidade de intervenções disponíveis. A maioria dos estudos apresenta foco na comparação pré e pós-teste, mas poucos abordam o processo de psicoterapia e quais aspectos foram significativos para promover mudanças. Esse estudo contribui com a conscientização social e científica sobre a necessidade de acompanhamento psicológico a mulheres em situação de violência por parceiro íntimo.
Intimate partner violence is a public health issue that negatively affects women’s mental health. Due to the complexity of this phenomenon, psychological care for survivors must consider the specific demands they face and bring to therapy. In this context, this systematic review aimed to map the existing literature on psychotherapy for women experiencing IPV (intimate partner violence), following the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) guidelines. We searched the literature in Web of Science, PsycINFO, PubMed, LILACS, and SciELO, focusing on articles published over the past five years. We retrieved 133 articles and selected 17 based on inclusion and exclusion criteria. The findings revealed a range of available interventions. Most studies focused on pre- and post-test comparisons; however, few explored the psychotherapy process or the meaningful elements in fostering change. This review contributes to scientific and social awareness regarding the need for psychological support for women experiencing intimate partner violence.
Keywords: psychotherapy; intimate partner violence; systematic review; psychological intervention
Palavras-chave: psicoterapia; violência por parceiro íntimo; revisão sistemática; intervenção psicológica
La violencia de pareja íntima es un problema de salud pública e impacta la salud mental de las mujeres. Debido a la complejidad del fenómeno, la atención psicológica a las víctimas debe considerar las especificidades de las demandas presentadas y vividas por ellas. En este sentido, esta revisión sistemática de la literatura tuvo como objetivo mapear estudios sobre psicoterapia con mujeres que experimentan violencia de pareja íntima, siguiendo el modelo PRISMA. La búsqueda de datos incluyó las bases de datos Web of Science, Psycinfo, Pubmed, Lilacs y Scielo, incluyendo artículos de los últimos cinco años. Se recuperaron 133 artículos y, según los criterios de inclusión y exclusión, se seleccionaron 17 artículos para el análisis. Como resultado, se encontró una diversidad de intervenciones disponibles. La mayoría de los estudios se centran en la comparación previa y posterior a la prueba, pero pocos abordan el proceso de psicoterapia y qué aspectos fueron significativos para promover cambios. Este estudio contribuye a la conciencia social y científica sobre la necesidad de apoyo psicológico a las mujeres en situación de violencia de pareja íntima.
Palabras-clave: psicoterapia; la violencia de pareja; revisión sistemática; intervención psicológica
O fenômeno da violência por parceiro íntimo é considerado um importante problema de saúde pública global, assumindo diversas formas de manifestação, como a violência psicológica, física, moral, patrimonial e sexual (Brasil, 2006). Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35% da população feminina já experienciou pelo menos uma forma de violência por parceiro íntimo em algum momento da vida (World Health Organization [WHO], 2010). Ainda, um estudo transversal, para o qual foi utilizada uma base de dados de 454.984 notificações de violência contra mulher registradas entre 2011 e 2017 no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), demonstrou que 62,4% das notificações referiram-se à violência por parceiro íntimo (Brasil, 2016).
Sabe-se que a violência por parceiro íntimo ocasiona diversos tipos de impactos e consequências na saúde física e emocional de quem as sofre, como aumento da probabilidade de desenvolvimento de sintomas depressivos, ansiosos e de estresse pós-trauma, além do risco de abuso de substâncias psicoativas (Wong & Mellor, 2014). Entre os anos 2000 e 2003, um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em dez países contou com a participação de mais de 24 mil mulheres com idades entre 15 e 49 anos. Os resultados demonstraram associações significativas entre experiências de violência por parceiro íntimo ao longo da vida das participantes e relatos de problemas de saúde como sofrimento emocional, pensamentos e tentativas suicidas (Ellsberg, Jansen, Heise, Watts & Garcia-Moreno, 2008).
Ao considerar as diversas implicações na saúde das mulheres em situação de violência por parceiro íntimo, bem como o nível de complexidade do fenômeno, entende-se a importância da realização de acompanhamento psicológico especializado. Nesse sentido, ao longo dos últimos anos, o Conselho Federal de Psicologia vem desenvolvendo documentos com o objetivo de nortear e fomentar o trabalho qualificado dos profissionais com as mulheres em situação de violência por parceiro íntimo. Em 2013, por exemplo, através da elaboração de uma Norma Técnica, visou orientar o trabalho de psicólogos em programas de atenção básica. Mais adiante, em 2018, desenvolveu, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, um protocolo de intenções para viabilizar o atendimento integral e multidisciplinar às mulheres e seus dependentes em situação de violência, com foco no contexto jurídico (CFP, 2013; CFP, 2018).
Sabe-se que o atendimento psicológico de mulheres em situação de violência por parceiro íntimo deve considerar as especificidades das demandas apresentadas e experienciadas por elas. Dessa forma, o Conselho Federal de Psicologia aponta que o foco do atendimento a essa população deve pautar-se em uma escuta qualificada e acolhedora, além de adotar um viés que trabalhe a autonomia, a redução de culpa e a consolidação de laços sociais das mulheres em situação de violência (Conselho Federal de Psicologia, 2013). Para isso, na atuação profissional, o psicólogo deve ter conhecimento sobre quais são as referências teóricas e técnicas que nortearão o acompanhamento psicológico, a fim de alcançar qualidade e um atendimento ético e com respaldo científico (Conselho Federal de Psicologia, 2013).
Diante disso, observa-se que há espaço para o desenvolvimento de estudos voltados a entender e aprofundar de que forma se estabelece o processo de psicoterapia para mulheres que estão inseridas nesse contexto (Condino et al., 2016). Sendo assim, a presente investigação teve como objetivo mapear os estudos sobre psicoterapia com mulheres em situação de violência por parceiro íntimo.
Método
Realizou-se uma revisão integrativa de revisões sistemáticas da literatura conforme as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis (PRISMA) (Moher, Liberati, Tetzlaff, Altman, & The PRISMA Group, 2009). As buscas por artigos foram realizadas no mês de maio de 2023 por duas juízas, nas bases de dados: Web of Science, American Psychological Association Database (Psycinfo), Pubmed, Lilacs e Scielo. Foram empregados os descritores: (psychotherapy OR therapy OR “psychological counseling”) AND (“intimate partner violence” OR “gender violence” OR “violence against wom*”) NOT couple). As buscas foram feitas no idioma inglês.
A seleção dos artigos ocorreu a partir de critérios de inclusão e exclusão. Foram incluídos artigos científicos que abordassem a temática da psicoterapia com mulheres em situação de violência, com pesquisas empíricas, redigidos nos idiomas inglês, português e espanhol, referente aos anos de 2018 a 2023. Excluiu-se capítulos de livros, dissertações ou teses, estudos que não estavam alinhados à temática pesquisada, por exemplo, psicoterapia para homens agressores, casais ou família, artigos empíricos sobre doenças sexualmente transmissíveis, além dos que estavam duplicados entre as bases de dados.
Na figura 1, apresenta-se o fluxograma que descreve o processo de busca e seleção dos artigos. Na primeira busca realizada foram recuperados 133 artigos, sendo 48 artigos na Web of Science, 50 na American Psychological Association Database (Psycinfo), 35 na Pubmed e nenhum no Portal Regional da Biblioteca Virtual de Saúde e na Lilacs. A partir da leitura dos títulos, excluiu-se 55 artigos duplicados e 45 artigos pelos critérios de exclusão, como: tratamento focado em homens (n=5), casais ou famílias (n=6), artigos de revisão (n=3), estudos de associação (n=5), foco na identificação ou tratamento medicamentoso para doenças sexualmente transmissíveis (n=9), projeto de pesquisa (n=1) e estudos de prevalência da violência (n=15). Posteriormente, realizou-se a leitura dos resumos de 33 artigos e, considerando os critérios de inclusão e exclusão, 12 artigos foram excluídos, por serem revisões da literatura (n=2), focados em homens (n=3), capítulos de livros (n=2), projeto de pesquisa (n=1), focados na experiência do psicólogo (n=1) e dissertações ou teses (n=3). Após essa etapa, procedeu-se à leitura dos 21 artigos na íntegra, e 4 artigos foram excluídos por apresentarem artigos teóricos (n=2), de associação (n=1) e de outro tratamento (n=1). Assim, incluiu-se nessa revisão 17 artigos que atenderam aos critérios. Na Figura 1, é possível verificar o fluxograma da busca e seleção dos artigos.
Resultados
Para caracterizar os artigos incluídos, foi realizada uma análise descritiva, identificando ano e país de publicação, objetivos do estudo, metodologia e participantes. Essas informações podem ser conferidas na Tabela 1.
Tabela 1 Caracterização dos artigos da revisão sistemática
| n | Autores | Ano | País da pesquisa | Objetivo do estudo | Metodologia | Resultados |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Lakshmin, Slootsky, Polatin, & Griffith | 2018 | EUA | Aplicação da “Terapia testemunhal” em 3 mulheres imigrantes sobreviventes de VPI | Estudos de caso | Todas as três mulheres encontraram significado em exaltar um poder espiritual e, assim, aprofundar sua fé, além de permanecerem clinicamente estáveis após o processo |
| 2 | Skop, Darewych, Root, & Mason | 2022 | Canadá | Explorar as experiências de sobreviventes de violência por parceiro íntimo através da Arte Terapia em grupo | Estudo qualitativo | As participantes apontam que criaram conexões em um espaço seguro com terapeutas; através das obras de arte, foi possível projetar pontos de vista pessoais, sonhos, memórias, emoções e crenças, memórias traumáticas passadas |
| 3 | Galovski, Werner, Weaver, Morris, Dondanville, Nanney, Wamser-Nanney, McGlinchey, Fortier, & Iverson | 2022 | EUA | Comparar a Cognitive processing therapy individual, entregue ao longo de 5 dias (mCPT), com Cognitive processing therapy padrão (sCPT), entregue em sessões semanais, para mulheres sobreviventes de VPI | Série de casos múltiplos | Nenhum efeito do grupo de tratamento foi encontrado para a gravidade do TEPT entre mCPT e sCPT, entre a intenção de tratar. Ambos os tratamentos foram associados com melhora no TEPT. Os resultados indicam que o mCPT parece ser eficaz na redução dos sintomas psicológicos de mulheres sobreviventes de VPI |
| 4 | Newlands & Benuto | 2021 | EUA | Fornecer uma visão geral e avaliação do tratamento de uma vítima de VPI com deficiência intelectual usando a abordagem DBT | Estudo de caso | Este estudo sugere que um tratamento de DBT modificado pode ser implementado com sucesso com esta população; apostilas e trabalhos de casa devem ser modificados para aumentar a compreensão e retenção. Questões de autoestima e validação devem ser abordadas em cada sessão; fornecer tratamento com tempo adicional para revisar habilidades é benéfico |
| 5 | Andersson, Olsson, Ringsgard, Sandgren, Viklund, Andersson, Hesselman, Johansson, Nordgren, & Bohman | 2021 | Suécia | Explorar a viabilidade da TCC entregue pela internet (iCBT) em sobreviventes de VPI e explorar os efeitos do tratamento em comparação com uma condição de controle de lista de espera | Ensaio clínico randomizado | As participantes ficaram satisfeitas com o tratamento. Os resultados da avaliação preliminar dos efeitos do tratamento mostraram que havia um efeito grande e estatisticamente significativo entre os grupos nas medidas de TEPT e depressão na avaliação pós, favorecendo a condição de tratamento |
| 6 | Naismith, Ripoll, & Pardo | 2021 | Colômbia | Testar a viabilidade e aceitabilidade de uma intervenção baseada na Terapia Focada na Compaixão | Quase experimental, com pré e pós-teste e follow up | Os resultados indicam que intervenções baseadas na compaixão podem beneficiar essa população, visto que houve aceitação muito alta da intervenção e redução de sintomas de estresse, ansiedade e depressão |
| 7 | Jackson, Mantler, Jackson, Walsh, Baer, & Parkinson | 2020 | Inglaterra | Conhecer a percepção sobre a participação em uma intervenção (Trauma and Violence-Informed (TVICBT) para mulheres gestantes que vivenciaram IPV e têm problemas de saúde mental | Estudo de casos múltiplos | As mulheres identificaram que a intervenção no período perinatal ajudou a aliviar a ansiedade e a ter insights para entender seus desafios de saúde e identificar gatilhos. Também relataram que a TVICBT foi um meio para falarem de suas experiências e lutas sem julgamento, levando a uma parentalidade positiva |
| 8 | Allard, Norman, Thorp, Browne, & Stein | 2018 | EUA | Investigar até que ponto a redução na culpa desadaptativa relacionada ao trauma contribui para melhorias no TEPT | Quase experimental, com pré e pós-teste e follow up | Houve melhorias clinicamente significativas na redução do TEPT e na culpa desadaptativa com grandes tamanhos de efeito no pós-tratamento. As melhorias foram mantidas no follow-up. Reduções na culpa pré-tratamento e no meio dele predisseram os resultados funcionais de TEPT pós-tratamento |
| 9 | Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor | 2022 | Irã | Avaliar as diferenças em ideação suicida e distorções cognitivas pré e pós- A Terapia Focada na Compaixão (CFT) e comparar a melhora psicológica no grupo experimental com um grupo de controle | Ensaio clínico randomizado | Mulheres do grupo experimental indicaram uma maior redução nos escores pós-teste de ideação suicida e suas subescalas, incluindo ideação suicida passiva, preparação para o suicídio e ideação suicida ativa, quando comparados aos controles. Também indicaram uma maior redução (pós-teste) de distorções cognitivas do que os controles |
| 10 | Orang, Ayoughi, Moran, Ghaffari, Mostafavi, Rasoulian, & Elbert | 2018 | Alemanha | Investigar a viabilidade e eficácia da Terapia de Exposição Narrativa (NET), em comparação com o aconselhamento | Ensaio clínico randomizado | Os participantes da NET mostraram uma redução significativamente maior dos sintomas em comparação com o grupo controle em TEPT, depressão e estresse percebido em ambos os acompanhamentos. A melhora no funcionamento diário e a redução das experiências de VPI e sintomas não foram significativamente diferentes entre os dois grupos de tratamento no acompanhamento |
| 11 | Johnson, Palmieri, Zlotnick, Johnson, Hoffman, Holmes, & Ceroni | 2020 | EUA | Comparar o HOPE (Helping to Overcome PTSD through Empowerment) a uma versão adaptada da terapia centrada no presente (PCT+) em residentes de abrigos de violência doméstica com transtorno de estresse pós-traumático de violência por parceiro íntimo | Ensaio clínico randomizado | O HOPE e o PCT+ foram associados a reduções significativas e grandes nos sintomas de transtorno de estresse pós-traumático relacionados à violência por parceiro íntimo: depressão, empoderamento, cognições pós-traumáticas e qualidade de vida relacionada à saúde |
| 12 | Miguel & Pino-Juste | 2021 | Espanha | Determinar a eficácia de um programa baseado em dramaterapia, teatro do oprimido e psicodrama para reduzir o mal-estar psicológico e estereótipos sexistas | Quase experimental, pré e pós-teste | Redução nas médias dos sintomas psicológicos de depressão e estresse e nos estereótipos de sexismo ambivalente |
| 13 | Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor | 2022 | Irã | Investigar os efeitos da Terapia Focada na Compaixão (CFT) na evitação experiencial, significado na vida e senso de coerência em mulheres que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) | Ensaio clínico randomizado | Os sujeitos do grupo experimental indicaram uma maior redução nos escores de evitação experiencial e aumento no sentido da vida no pós-teste. No entanto, não houve alteração no nível de senso de coerência em função do CFT |
| 14 | Garcia & Ferras | 2022 | Espanha | Analisar a eficácia das terapias de mensagens de texto combinadas com terapias presenciais em grupo entre mulheres vítimas de violência de gênero | Estudo de caso | Os resultados mostram que terapias combinadas com mensagens de texto móveis combinadas com terapias de grupo face a face melhoraram significativamente a saúde dessas mulheres |
| 15 | Vaca-Ferrer, Ferro-Garcia, & Valero-Aguayo | 2020 | Espanha | Avaliar a eficácia de um programa de intervenção com mulheres vítimas de violência de gênero | Quase experimental, pré e pós-teste | Diminuição estatisticamente significativa na gravidade do desconforto, diminuição dos indicadores de risco de suicídio, melhoria do comportamento problemático dentro e fora das sessões e maior abertura para os outros |
| 16 | Gross, Zamora, Ruoso, Ligório, Rodrigues, Freitas, & Habigzang | 2023 | Brasil | Avaliar o impacto de um protocolo de Psicoterapia Cognitivo-comportamental para mulheres com histórico VPI | Quase experimental, pré e pós-teste | Aumento no nível de satisfação com a vida, redução na ansiedade, depressão e sintomas relacionados ao trauma |
| 17 | Nikparvar, Sasanian, Spencer & Stith | 2023 | EUA | Examinar a eficácia da terapia de aceitação e compromisso (ACT), terapia do esquema nos níveis de depressão, estresse, bem-estar psicológico e resiliência em VPI no Irã | Ensaio clínico randomizado | Nos grupos de ACT e esquemas, o estresse diminuiu e o bem-estar aumentou. Não houve diferença significativa para depressão e resiliência |
Considerando os últimos cinco anos, o maior número de artigos é relativo aos anos de 2021 (n=4) e 2022 (n=5). Apesar de ser possível perceber uma diversificação nos países das pesquisas, os Estados Unidos apresentaram notoriedade, e o inglês foi o idioma predominante. Destaca-se que foram identificados estudos em países de baixa renda, como o Brasil (Gross et al., 2023) e a Colômbia (Naismith et al., 2021). Sobre a conceituação da violência por parceiro íntimo, não houve consenso: 10 artigos observaram definições distintas entre si e 7 não apresentaram uma definição. Em relação à metodologia, há predominância de estudos com a metodologia de ensaios clínicos randomizados (n=7), seguidos de estudos de caso ou estudos de casos múltiplos (n=5), quase experimentais com delineamento pré e pós-teste (n=5) e delineamento qualitativo (n=1). Em relação aos resultados, apesar de metodologias diversas, os estudos apontam para a redução de sintomatologia avaliada após a participação das mulheres nas intervenções, assim como satisfação com a proposta oferecida.
Além da descrição dos artigos, com base nos objetivos propostos, foi elaborada a Tabela 2 para apresentar a caracterização das intervenções investigadas nos 17 estudos empíricos. Nota-se uma diversidade de propostas, tanto nos objetivos de cada uma quanto na abordagem que sustenta o trabalho com mulheres em situação de violência por parceiro íntimo. Destaca-se o apoio da teoria cognitivo-comportamental de segunda e terceira onda na maior parte das intervenções avaliadas pelos estudos que foram incluídos nesta revisão. O formato grupal prevaleceu em comparação ao individual e os encontros variaram de 1 a 16 sessões.
Tabela 2 Caracterização das intervenções
| n | Intervenção | Nº encontros | Formato | Abordagem | Temáticas abordadas |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Terapia Testemunhal | 1 a 3 sessões | Individual e grupal | Crença católica latino-americano | Recontagem de experiências traumáticas a um terapeuta que documenta a narrativa |
| 2 | Arte-terapia | 12 semanas | Grupo | Arte-terapia | Autodescoberta, externalização de sentimentos, criação de arte, representação de sensações em objetos artísticos |
| 3 | Cognitive processing therapy individual (mCPT) | 5 dias | Individual | Terapia do processamento cognitivo | Desafiar e mudar crenças disfuncionais, alterar emoções e comportamentos negativos |
| Cognitive processing therapy padrão (sCPT) | 12 semanas | Individual | Terapia do processamento cognitivo | Desafiar e mudar crenças disfuncionais, alterar emoções e comportamentos negativos | |
| 4 | Tratamento de DBT | 12 semanas | Individual | Terapia Comportamental Dialética | Habilidades de regulação emocional, técnicas de comunicação, tolerância ao estresse, resolução de problemas, mindfulness |
| 5 | TCC entregue pela internet (iCBT) | 8 semanas | Individual | Cognitivo--comportamental | Psicoeducação, identificação e modificação de crenças, exposição, ativação comportamental |
| 6 | Intervenção baseada na Terapia Focada na Compaixão | 5 sessões | Grupo | Terapia Focada na Compaixão | Psicoeducação, autocriticismo, comunicação assertiva, autocompaixão |
| 7 | Trauma and Violence-Informed (TVICBT) | Não indica | Não indica | Cognitivo--comportamental | Resolução de problemas, identificar e alterar padrões de resposta desadaptativos |
| 8 | Cognitive Trauma Therapy (CTT) | 12 sessões | Individual | Terapia cognitiva | Psicoeducação, relaxamento, exposição, treino de assertividade, estratégia de coping, tarefa de casa |
| 9 | Terapia Focada na Compaixão (CFT) | 8 sessões | Grupo | Terapia Focada na Compaixão | Psicoeducação, autocompaixão, valores, autocriticismo, aceitação |
| 10 | Terapia de Exposição Narrativa (NET) | 10 a 12 sessões | Grupo | Cognitivo-comportamental, terapia de testemunho e terapia de exposição prolongada | Contar narrativa, encorajamento, direitos humanos, psicoeducação, linha do tempo, exposição |
| 11 | HOPE (Helping to Overcome PTSD through Empowerment) | 16 sessões | Grupo | Cognitivo--comportamental e teoria feminista multicultural | HOPE: empoderamento, autocuidado, reestruturação cognitiva, higiene do sono, relaxamento, treino de assertividade, planejamento de segurança e controle da raiva |
| Terapia Centrada no Presente (PCT+) | 16 sessões | Grupo | Terapia Centrada no Presente | Resolução de problemas, planejamento de segurança. NÃO inclui exposição do trauma, e sim foco no presente | |
| 12 | Intervenção baseada no psicodrama | 20 sessões | Grupo | Psicodrama | Habilidades sociais, exercícios de linguagem corporal, exercícios de voz e respiração |
| 13 | Terapia Focada na Compaixão (CFT) | 8 sessões | Grupo | Terapia Focada na Compaixão | Treino de empatia e simpatia, autocompaixão, aceitação, tolerância, responsabilidade e autoestima, treino e perdão |
| 14 | Terapias de mensagens de texto combinadas com terapias presenciais | 2 sessões | Individual e em grupo | Não refere | Autoestima, relaxamento, habilidades de comunicação, reflexão, resiliência, superação da timidez e gerenciamento de emoções |
| 15 | Intervenção baseada em Psicoterapia Analítica Funcional, Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e Ativação Comportamental (AC) | 11 sessões | Grupo | Princípios da psicoterapia analítica funcional, ACT e AC | Contexto violento, relacionamentos, valores, autoestima, sentimentos e pensamentos negativos, relação com a ansiedade, tomada de decisão |
| 16 | Psicoterapia cognitivo-comportamental | 16 sessões | Grupo | Cognitivo--comportamental | Psicoeducação sobre violência e reestruturação cognitiva, exposição, solução de problemas, estratégias de proteção e planos futuros |
| 17 | Terapia de aceitação e compromisso | 8 semanas | Grupo | Terapia de aceitação e compromisso | Flexibilidade psicológica, meditação, atenção plena |
| Terapia do Esquema | 8 semanas | Grupo | Terapia do Esquema | Meditação, estilos de enfrentamento, diálogo com imagens mentais, identificação de esquemas |
Discussão
A temática da violência por parceiro íntimo necessita de constante observação e atualização (Miranda, & Preuss, 2020; Oliveira, & Silva, 2021; Zanchetta et al., 2020). Entende-se que, cada vez mais, os estudos sobre essa temática tenham também como foco a interface entre a VPI, a psicoterapia e as intervenções realizadas dentro dos contextos de saúde e cuidado (Garcia, & Silva, 2018; Mascarenhas et al., 2020; Santos & Monteiro, 2018).
Entendida como um problema de saúde pública (World Health Organization [WHO], 2019), faz-se necessário que os profissionais acessem formas de prevenção e tratamento para atender às mulheres em situação de violência. A psicoterapia, como uma intervenção psicológica, segundo a APA (2021), é o processo em que o terapeuta busca auxiliar o paciente a encontrar o alívio emocional, a solução para um problema específico ou a modificação de sua forma de pensar, sentir e se comportar.
Considerando a complexidade do fenômeno da violência por parceiro íntimo, recomenda-se que a psicoterapia esteja ancorada em evidências científicas de eficácia e efetividade, promovendo, assim, tratamentos psicológicos com aplicação de técnicas e práticas empiricamente comprovadas em termos de avaliação e intervenção (BERG, 2019; CFP, 2013). Entretanto, ao analisar os estudos incluídos nesta revisão, percebe-se que todos descrevem as temáticas abordadas nas intervenções, mas somente a minoria (Andersson et al., 2021; Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor, 2022a; Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor, 2022b; Naismith, Ripoli, & Pardo, 2021; Newlands & Benuto, 2021; Nikparvar et al., 2023) descreve o passo a passo das intervenções. Isso pode dificultar o acesso dos profissionais a uma atuação cientificamente validada e com possibilidade de replicar estudos, visto que podem ter acesso aos temas e técnicas, mas não à estrutura das intervenções, distanciando-os de uma prática baseada em evidências científicas.
Dentre as abordagens para psicoterapia, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Teoria do Processamento Cognitivo se destacam como teorias que sustentam a maior parte das intervenções abordadas nos estudos (Allard et al., 2018; Andersson et al., 2021; Curia et al., 2023; Galovski et al., 2022; Jackson et al., 2020; Johnson et al., 2020; Orang et al., 2018). Uma das hipóteses de uma maior utilização em tais estudos é devido ao enfoque da abordagem em trabalhar a mudança cognitiva do evento traumático, buscando também reduzir sintomas associados (Habigzang, Petersen, & Maciel, 2019). As abordagens de terceira onda da TCC apresentaram notoriedade nessa revisão (Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor et al., 2022a; Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor et al., 2022b; Naismith, Ripoll, & Pardo et al., 2021; Nikparvar et al., 2023; Newlands, & Benuto et al., 2021; Vaca-Ferrer, Ferro-Garcia, & Valero-Aguayo et al., 2020), como Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Terapia Comportamental Dialética e Terapia Focada na Compaixão. Essas abordagens podem ter apresentado destaque por serem largamente estudadas atualmente com diferentes populações e enfatizarem a função dos comportamentos, funcionais ou não, no contexto que se está inserido. Também compartilham uma perspectiva transdiagnóstica que direciona o trabalho para os processos de mudança, como regulação emocional, aceitação e treino de habilidades de atenção no momento presente (Hayes, Strosahl, & Wilson, 2021).
Nessa perspectiva também se encontra o trabalho de Kelly e Garland (2016), que visou reduzir sintomas de estresse pós-traumático em mulheres com histórico de violência com uma intervenção baseada em mindfulness. Apesar de essa intervenção não ter como objetivo o acesso às memórias traumáticas, os autores destacam os ganhos obtidos pela prática meditativa aliada à psicoeducação sobre trauma e violência, além do trabalho de autorregulação.
Nessa direção, uma pesquisa de estudo de caso também aplicou intervenção baseada em mindfulness que envolveu meditações com foco em atenção plena, aceitação de sentimentos e pensamentos, além de manejo de emoções intensas. Os resultados apontam para redução nos níveis de ansiedade e sintomas depressivos da paciente (Dantas, 2020). Ambas as pesquisas direcionam para a importância dos programas englobarem a psicoeducação sobre violência, unida aos exercícios de atenção plena, aceitação, não julgamento das experiências (Dantas, 2020; Kelly & Garland, 2016).
Dois estudos chamam a atenção por envolverem religião e arte, especificamente sobre psicoterapia testemunhal e arteterapia (Lakshmin et al., 2018; Skop et al., 2022), diferentemente do que comumente se encontra na literatura como intervenções reconhecidas dentro do contexto de violência por parceiro íntimo. No que se refere à psicoterapia testemunhal, questiona-se o benefício do entrelaçamento entre psicoterapia e religião, na medida em que esta última se vincula aos valores e às crenças pessoais dos envolvidos e, em muitos casos, defende a perpetuação da família tradicional, o que pode manter o ciclo da violência (Análio, 2021). Vale ainda lembrar que no artigo 2º do princípio fundamental V do Código de Ética Profissional do(a) psicólogo(a) destaca-se que é vedado induzir a convicções religiosas, entre outras, no exercício das funções, o que precisa ser um ponto de atenção (Conselho Federal de Psicologia, 2005). Já o outro estudo aborda o grupo de arteterapia como um recurso terapêutico conduzido por uma equipe composta de assistentes sociais, conselheiros da comunidade e arteterapeuta registrado. Essa perspectiva tem sido indicada como Prática Integrativa no Sistema Único de Saúde do Brasil e então necessita de estudos como o proposto, a fim de avaliar seus efeitos em diferentes populações (Paganotto, 2018).
Ainda, o formato grupal apresentou maior prevalência nos estudos, apesar de encontros individuais terem sido considerados. Embora não seja o foco dos artigos a análise do processo de psicoterapia, e sim os resultados, acredita-se ser necessário expor o potencial de aspectos técnicos e de processo grupal como variáveis importantes na promoção de mudanças. Características presentes no processo grupal, como, por exemplo, a universalidade, pode auxiliar no sentimento de pertencimento e alívio, visto que as mulheres presentes no grupo apresentam pontos em comum nas suas vivências pautadas por diversas violências. Ou ainda o conceito de homogeneidade, que perpassa a coesão grupal, o aprendizado interpessoal, as observações, falas, escutas múltiplas e a possibilidade de se sentir pertencente (D’Affonseca & Williams, 2017; Matos et al., 2012).
No que se refere aos desfechos encontrados, todos os estudos incluídos nesta revisão apontam para melhorias em diferentes desfechos avaliados. Alguns relatam medidas observáveis específicas, como: percepção de melhora nos sintomas do TEPT (Allard et al., 2018; Andersson et al., 2021; Curia et al., 2023; Galovski et al., 2022; Johnson et al., 2020, Naismith, Ripoll, & Pardo et al., 2021; Orang et al., 2018), depressão (Andersson et al., 2021; Curia et al., 2023; Johnson et al., 2020, Miguel & Pino-Juste et al., 2021; Naismith, Ripoll, & Pardo et al., 2021; Orang et al., 2018), ansiedade (Curia et al., 2023; Jackson et al., 2020; Naismith, Ripoll, & Pardo et al., 2021), ideação suicida (Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor, 2023a; Vaca-Ferrer, Ferro-Garcia, & Valero-Aguayo et al., 2020), estresse (Miguel & Pino-Juste et al., 2021; Nikparvar et al., 2023; Orang et al., 2018), bem como aumento no nível de satisfação com a vida (Curia et al., 2023; Daneshvar, Shafiei, & Basharpoor et al., 2022b). Já outros destacam em seus resultados aspectos grupais de satisfação e viabilidade do programa (Garcia & Ferras, 2022; Newlands, & Benuto et al., 2021).
Este artigo apresenta contribuições importantes para o estudo da psicoterapia com mulheres em situação de violência. Ao mesmo tempo apresenta limitações. A partir da seleção dos estudos, identifica-se a busca em cinco bases de dados e a não inclusão de teses, dissertações e capítulos de livros. Salienta-se a presença de apenas um estudo brasileiro de intervenção (Curia et al., 2023), o que demonstra a escassez de estudos no Brasil sobre essa temática. Além disso, expõe uma lacuna social e científica, na medida em que se tem dados alarmantes de violência contra mulheres no Brasil (Brasil, 2016), em contraste ao pequeno número de estudos científicos localizados sobre intervenções psicológicas com as mulheres vítimas. Por fim, não foram identificados estudos de processo de psicoterapia, ou seja, que avaliem como ocorrem as mudanças esperadas durante o tratamento com essa população.
Considerações finais
Diante do objetivo do artigo de mapear os estudos sobre psicoterapia com mulheres em situação de violência por parceiro íntimo, nota-se que há uma diversidade de intervenções disponíveis como tentativas de apoiá-las e, mais do que isso, reduzir sintomas associados a essa vivência. Por um lado, essas diferentes opções de tratamento podem atender a populações que divergem em aspectos como escolaridade, aspectos do contexto, acesso a serviços de saúde e preferência de intervenção. Ao mesmo tempo, por outro lado, levanta-se a crítica de que, com esse leque de diferentes possibilidades, a maioria dos estudos apresenta resultados na comparação pré e pós-teste, mas poucos abordam o processo de psicoterapia em si e os aspectos que foram significativos para promover essas mudanças.
É imperativo que os profissionais sejam capacitados para acolher as demandas, propiciar uma escuta qualificada e propor tratamento às mulheres em situação de VPI. Dessa forma, entende-se ser necessário que os estudos e as pesquisas que abordam o tema, como fontes de conhecimento que são, possam propiciar acesso não somente aos resultados, mas também aos processos que os levaram até eles.
Considerando a alta prevalência de mulheres que sofrem VPI no Brasil, salienta-se a importância de estudos nacionais para viabilizar intervenções baseadas em evidências nesse contexto. Faz-se necessário também que futuros estudos busquem não só descrever resultados, mas apresentar o passo a passo das intervenções com o intuito de possibilitar o acesso de clínicos, pesquisadores e profissionais que atendem essa população.
Agradecimentos:
Produto acadêmico fruto de dissertação de mestrado.
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Recebido: 20 de Junho de 2024; Aceito: 31 de Março de 2025










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