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Revista Psicologia Política

On-line version ISSN 2175-1390

Rev. psicol. polít. vol.25  São Paulo  2025  Epub Aug 25, 2025

https://doi.org/10.5935/2175-1390.v25e25126 

Artigo

CLÍNICA E SABER EM MOVIMENTO:PRODUÇÕES ACADÊMICAS SOBRE O DISPOSITIVO ACOMPA-NHAMENTO TERAPÊUTICO

Clínica y conocimiento en movimiento:producciones académicas sobre el dispositivo de monitoreo terapéutico

Clinic and knowledge in motion:academic productions on the therapeutic monitoring device

Ana Lúcia Mandelli de Marsillac, Conceitualização, Metodologia, Escrita original, Escrita - revisão e edição1 

Pós-doutora Universidade Nova de Lisboa. Professora associada do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina


http://orcid.org/0000-0002-2716-510X

Julia Polizeli Lobo, Conceitualização, Curadoria de dados, Análise formal, Investigação, Metodologia, Escrita original, Escrita - revisão e edição2 

Mestra em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Psicóloga em Secretaria do Estado de Saúde de Santa Catarina


http://orcid.org/0000-0002-5971-7714

Patricia Egerland Bueno, Conceitualização, Curadoria de dados, Análise formal, Investigação, Metodologia, Escrita original, Escrita - revisão e edição3 

Psicóloga pela Universidade Federal de Santa Catarina.


http://orcid.org/0000-0003-0252-162X

1Pós-doutora Universidade Nova de Lisboa. Professora associada do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis/SC/Brasil. Bolsista Pq do CNPq

2Mestra em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Psicóloga em Secretaria do Estado de Saúde de Santa Catarina, Florianópolis/SC, Brasil

3Psicóloga pela Universidade Federal de Santa Catarina. Psicóloga Clínica em Belo Horizonte/MG, Brasil


RESUMO:

Este artigo apresenta uma revisão de literatura entre os anos de 2015-2021 acerca do dispositivo do Acompanhamento Terapêutico (AT) no Brasil e tem por objetivo traçar análises e tecer discussões sobre a clínica do AT no país. A partir da pesquisa com palavras chaves (a) Acompanhamento (b) Terapêutico e (c) Psicologia feita em bases de dados SciELO e PEPSIC, foram obtidos 84 artigos e selecionados 32 destes que se debruçam sobre o AT enquanto prática da Psicologia. O estudo possui como metodologia a revisão sistemática de literatura. Ancorado na Psicanálise, a partir da leitura dos artigos, foram destacados significantes para posterior análise. É apresentado um panorama contextual e conceitual das produções, discorrendo sobre as especificidades do AT. Ao possibilitar a ampliação do setting para o contexto urbano, o AT se configura como um dispositivo clínico que atua na pólis, revelando a importância de articular direito, cidadania e saúde mental.

Palavras-chave: Acompanhamento terapêutico; Psicanálise; Saúde Mental; Laço social; Dispositivo

RESUMEN:

Este artículo presenta una revisión de la literatura entre los años 2015-2021 sobre el dispositivo de Acompañamiento Terapéutico (AT) en Brasil y tiene como objetivo delinear análisis y discutir la clínica de MT en el país. A partir de la búsqueda con las palabras clave (a) Monitoreo (b) Terapéutico y (c) Psicología realizada en las bases de datos SciELO y PEPSIC, se obtuvieron 84 artículos y se seleccionaron 32 de ellos que enfocan el MT como práctica de la Psicología. La metodología del estudio es una revisión sistemática de la literatura. Anclado en el Psicoanálisis, de la lectura de los artículos se destacaron significantes para su posterior análisis. Se presenta un panorama contextual y conceptual de las producciones, discutiendo las especificidades del MT. Al permitir la expansión del escenario al contexto urbano, el MT se configura como un dispositivo clínico que opera en la polis, revelando la importancia de articular derecho, ciudadanía y salud mental.

Palabras clave: Monitoreo terapéutico; Psicoanálisis; Salud Mental; Vínculo social; Dispositivo

ABSTRACT:

This article presents a literature review between the years 2015-2021 about the Therapeutic Accompaniment (TA) device in Brazil, and aims to outline analyzes and discuss the TM clinic in the country. From the search with keywords (a) Monitoring (b) Therapeutic and (c) Psychology carried out in the SciELO and PEPSIC databases, 84 articles were obtained and 32 of them were selected that focus on TM as a practice of Psychology. The study uses a systematic literature review as its methodology. Based on Psychoanalysis, the articles were read and signifier points were highlighted for further analysis. A contextual and conceptual overview of the productions is presented, discussing the specifics of TM. By enabling the expansion of the setting into the urban context, TM is configured as a clinical device that operates in the polis, revealing the importance of articulating rights, citizenship and mental health.

Keywords: Therapeutic Monitoring; Psychoanalysis; Mental Health; Social bond; Device

INTRODUÇÃO

Este estudo debruça-se sobre o dispositivo do Acompanhamento Terapêutico (AT) e sua expressão na produção acadêmica brasileira em psicologia entre os anos de 2015 e 20211. Partimos da compreensão de dispositivo para Michel Foucault (1998) de uma prática que articula diversos elementos em rede e que promove possibilidades de pensar, ver e agir. O AT enquanto dispositivo se constitui como essa prática que enreda elementos da dimensão clínica e política, produzindo efeitos no sujeito e no laço social, articulando a rede de atenção psicossocial e consolidando o cuidado em liberdade (Palombini, 2006).

Trata-se, assim, de uma pesquisa de revisão de literatura que tem por objetivo traçar análises e tecer discussões sobre a clínica do AT no Brasil. A leitura integral de cada artigo nos possibilita identificar e pinçar significantes presentes ao longo dos textos que irão guiar as nossas interpretações e discussões.

Ao ensaiar uma leitura psicanalítica da produção de conhecimento, buscamos capturar, ao longo dos textos analisados e dos enunciados, as repetições e os enigmas que os autores nos trazem. A psicanálise nos ensina e nos convoca a realizarmos uma leitura flutuante, sob transferência, com as temáticas escolhidas, na qual se destacam elementos significantes e também as contingências sócio-históricas dos produtos culturais. Pesquisamos, assim, destacando elementos manifestos e literais, mas também aquilo que escapa e que se manifesta do inconsciente. Atendo-se a incompletude, que é característica da nossa linguagem, pois há um descompasso inerente entre a palavra escrita, o que se comunica e aquilo que o autor de fato quis nos dizer (Lange, 2008), pretendemos percorrer a possibilidade de adentrar na escrita, e assim, acompanhar os autores.

É importante demarcar que a pesquisa sustentada pelo método psicanalítico é guiada pela sua dimensão ética – a ética do desejo e do sujeito. Para tanto, ao seguir os seus pressupostos não se trata de ser guiado por uma metodologia que determina um padrão de pesquisa, mas sim por princípios epistemológicos, éticos e políticos que norteiam a pesquisa de forma singular, sendo construída em função de cada objeto sobre o qual se debruça (Marsillac, Bloss, & Matiazzi, 2019; Moreira, Oliveira, & Costa, 2018). Dessa forma, intenta-se adentrar no universo de significantes recolhidos através das leituras e análises, de modo que seja possível fazer reverberar inquietações sobre as produções científicas e os discursos. O desafio das pesquisadoras reside em recolher os fragmentos a partir desse recurso metodológico e “mover-se nessa tensão entre o que é da ordem do particular e o que é da ordem do geral” (Castro, 2015, p. 28).

Tanto o AT quanto sua produção em conhecimento possuem como característica uma clínica em movimento, pois se encontram em permanente reinvenção e criação de sua prática. Enquanto um dispositivo clínico, o AT acolhe o sofrimento psíquico em sua diferença, tendo como elemento basilar de sua clínica o rompimento com a estigmatização e com a exclusão do outro. Sendo assim, instaura novas formas de intervenção em saúde mental, numa perspectiva antagônica à lógica de psiquiatrização e medicalização dos modos de existência, tensionando o rompimento com os modelos asilares e biologicistas (Palombini, 2006).

O AT tem como uma de suas especificidades clínicas a ampliação do setting tradicional. Dessa forma, os atendimentos não se restringem a uma sala fechada, podendo ocorrer nos espaços públicos da cidade, nos territórios, nos espaços domésticos e escolas. O acompanhante vai ao encontro do sujeito acompanhado e delineia os percursos terapêuticos caso a caso. Esse deslocamento pela pólis tem como intuito ampliar os laços dos sujeitos acompanhados, buscando, dessa forma, a (re)inserção em diversos contextos sociais. Nesse sentido, o AT testemunha esse movimento de (re)criação dos laços sociais.

O método de intervenção do AT conduz a atuação do acompanhante em direção à clínica à céu aberto, onde irá articular o cuidado em liberdade, o território e a dimensão política dessa prática. O AT é historicamente conhecido por atender sujeitos em situações graves de adoecimento psíquico - ditos “loucos”, que possuem fragilidade de sustentação no laço social (Santos, Motta, & Dutra 2005), porém não está restrito a esse campo. Atualmente, observa-se uma expansão no público atendido, que inclui usu-ários de álcool e outras drogas, pessoas com deficiências físicas e mentais, idosos, entre outros (Godinho & Peixoto, 2019). Além disso, o AT se amplia para áreas além da Psicologia, uma vez que não é restrito ao fazer do psicólogo/a podendo ser exercida por profissionais da Enfermagem, Medicina, Educação, Educação Física, entre outras. Assim, pode-se verificar que o AT como uma prática interdisciplinar que compreende por diversas concepções teóricas e epistemológicas (Morais & Kyrillos, 2021).

Em termos históricos, a prática do AT iniciou na década de 1960/1970, nas comunidades terapêuticas na Argentina e no Brasil. Surgem, então, os chamados “auxiliares psiquiátricos” ou “amigos qualificados”, que assistiam os internados dentro das instituições, buscando evitar situações de crises. É registrado que os “auxiliares” ou “amigos qualificados”, tanto na Argentina como no Brasil, não se restringiram ao acompanhamento dos sujeitos dentro das instituições, mas lançaram a aposta de intervenção para além dos muros institucionais (Palombini, 2007), em decorrência das movimentações em torno da Luta Antimanicomial e da Reforma Psiquiátrica. Esses movimentos elaboraram críticas à psiquiatria tradicional e defendem a mudança nos tratamentos aos usuários, como a construção de uma nova perspectiva em torno do termo saúde, buscando intervenções com um novo enfoque na saúde mental. Assim, a proposta do AT é de auxiliar na construção de outros modelos de atendimento à saúde, fortalecendo práticas de cuidado em liberdade, que constroem possibilidades de ser e estar no laço social, rompendo com a lógica manicomial (Marsillac et al., 2018).

Considerando a importância desse dispositivo no campo da saúde mental, o objetivo deste artigo é o de refletir acerca da literatura que vem sendo produzida em relação ao AT no Brasil nos últimos anos, a fim de contribuir com as discussões e com o fortalecimento dessa prática.

Este estudo utiliza a metodologia de revisão sistemática de literatura e tem como objetivo principal mapear a produção acadêmica em Psicologia no Brasil, que aborda o dispositivo clínico Acompanhamento Terapêutico, no período entre 2015 e 2021. Para isso considerou-se apenas artigos científicos publicados em revistas periódicas, sendo realizada a revisão sistemática nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online Brasil – SciELO e Periódicos Eletrônicos em Psicologia – PEPSIC. A pesquisa nas bases de dados considerou as seguintes combinações de palavras-chave: (a) Acompanhamento e Terapêutico e Psicologia e (b) Acompanhamento e Terapêutico, utilizando-as na busca dos artigos os descritores Resumo e Todos os Índices para palavra Psicologia, e Ano de Publicação. Por meio da busca dos artigos nas bases de dados PEPSIC e SCIELO obteve-se 84 artigos, resultado dos descritores da categoria (A) e da categoria (B), havendo os que se repetiram em ambas (categoria AB).

Inicialmente, os artigos foram anexados em um documento para análise dos seus respectivos resumos, com intuito de excluir aqueles artigos que não se adequaram aos objetivos deste estudo. Percebeu-se que uma parcela significativa dos artigos encontrados, apesar de conterem a palavra Acompanhamento Terapêutico nos seus resumos, se referiam a tratamentos medicamentosos e intervenções médicas, não trazendo em sua discussão temas acerca do Acompanhamento Terapêutico enquanto uma modalidade de intervenção da psicologia. Na base de dados da SCIELO, como resultado da categoria (A) obtivemos um artigo, 38 da categoria (B) e 6 da categoria (AB), totalizando 45 artigos. Destes, 9 foram incluídos com base nos critérios descritos. Na base da dados da revista PEPSIC, como resultado da categoria (A) obtivemos um artigo, 23 da categoria (B) e 15 da categoria (AB) totalizando 39 artigos, sendo 25 inclusos conforme os critérios estabelecidos. Entretanto, dois artigos se repetem em ambas as bases de dados, totalizando 32 artigos selecionados para análise e leitura na íntegra.

Tabela 1 Artigos selecionados e analisados 

Título Ano Periódico
Produção científica sobre Acompanhamento Terapêutico (AT) na pós-graduação brasileira: revisão da literatura. 2015 Psicologia: Teoria e Prática
Acompanhamento terapêutico escolar e autismo: caminhos para a emergência do sujeito 2015 Estilos da Clínica
Reabilitação Psicossocial e Acompanhamento Terapêutico: equacio-nando a reinserção em saúde mental. 2015 Psicologia Clínica, RJ
Migração, rupturas psíquicas e espaços terapêuticos 2015 Psicologia USP
Experiência de Acompanhamento Terapêutico: do hospital à cidade. 2016 Pesquisas e Práticas Psicossociais
Redução de danos e acompanhamento terapêutico: aproximações possíveis 2016 Rev. Nufen: Phenom. Interd.
Encontros, derivas e intercessores em um acompanhamento terapêutico. 2016 Psicologia em Revista
Uma acompanhante terapêutica para duas. 2016 Estilos da Clínica
Relação entre acompanhante e acompanhado: reflexões acerca do dispositivo amizade-clínica 2016 Fractal: Revista de Psicologia
Acompanhamento terapêutico de grupo: uma alternativa em saúde mental. 2016 Boletim Academia Paulista de Psicologia
Acompanhamento Terapêutico e Análise do Comportamento: Avanços e problemáticas nas definições deste fazer. 2017 Perspectivas em Análise do Comportamento
Saberes e práticas do acompanhamento terapêutico com crianças: uma revisão bibliográfica 2017 Revista da Abordagem Gestáltica
Sabe-se sobre a criança? Acompanhamento terapêutico e educação inclusiva. 2017 Estilos da Clínica
Acompanhamento Terapêutico: Concepções e Possibilidades em Serviços de Saúde Mental. 2017 Psicologia: Ciência e Profissão
O Acompanhamento Terapêutico e a psicanálise: pequeno histórico e caso clínico. 2017 Latinoamericana de psicopatologia fundamental
A clínica do Acompanhamento Terapêutico como pesquisa psicanalítica: uma escrita compartilhada entre vários 2017 Ágora
Acompanhamento terapêutico em saúde mental: estrutura, possibilidades e desafios para a prática no SUS. 2018 Revista da Abordagem Gestáltica
Acompanhamento terapêutico: concepções sobre a prática e setting terapêutico. 2018 Pesquisa e Práticas Psicossociais
O acompanhamento terapêutico como multiplicador de egos auxiliares. 2018 Revista Brasileira de Psicodrama
Acompanhamento terapêutico em saúde mental: estrutura, possibilidades e desafios para a prática no SUS. 2018 Phenomenological Studies - Revis-ta da Abordagem Gestáltica
Contribuições da psicanálise ao acompanhamento terapêutico: alguns apontamentos para a formação clínica do psicólogo. 2018 Psicologia em Revista
Entre o afeto e a sanção: uma crítica à abordagem punitiva da alienação parental. 2018 Revista Direito FGV
Clínica em movimento: a cidade como cenário do acompanhamento terapêutico 2019 Fractal: Revista de Psicologia
Acompanhamento Terapêutico: um espaço para viabilizar a saúde mental e o olhar do terapeuta na efetivação dessa nova estratégia 2021 Vínculo
A clínica psicanalítica no acompanhamento terapêutico: experiência, escrita e transmissão 2021 Jornal de Psicanálise
Tratamento asilar, desamparo e o Acompanhamento Terapêutico (AT) 2021 Psicologia e Sociedade
A voz do autismo: a linguagem da dor. 2021 Vínculo
Psicanálise e Acompanhamento Terapêutico: Quando a Cidade se Torna o Setting Analítico da Psicose 2021 Estudos e Pesquisas em Psicologia
Acompanhamento terapêutico em grupo: experiências argentinas e brasileiras 2021 Boletim Academia Paulista de Psicologia
Acompanhamento Terapêutico e Direitos Sociais: Territórios existenciais e sujeito biopsico-político-social 2021 Psicologia Clínica, RJ
Acompanhamento terapêutico: considerações sobre uma clínica a céu aberto 2021 Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia

Em sua maioria, as pesquisas estão vinculadas a projetos da área da saúde, como psicologia clínica e saúde coletiva. Alguns artigos foram resultados de estudos advindos de núcleos de pesquisa que se aproximam da psicologia social e educacional.

Para sistematização e leitura, os artigos selecionados foram organizados por ano de publicação e categorizados a partir dos seguintes tópicos de análise: Metodologia de pesquisa; Concepção teórica; Definição de AT; Contextos e sujeitos; Vinculação institucional; AT e laço social e, por último, Dimensão política do AT.

O método de análise será ancorado nos pressupostos psicanalíticos, de modo que o pesquisador deve se posicionar enquanto analisante, ou seja, deve ser movido pelo não saber e apoiado na interpretação. A metodologia está orientada por princípios e técnicas que são inerentes à escuta psicanalítica às quais compõem o processo interpretativo, tais como, a associação livre, a escuta flutuante e a relação transferencial (Dunker, Paulon, & Milan-Ramos, 2016). Através do método analítico busca-se, portanto, desestabilizar os conceitos, as teorias e as intervenções, com intuito de colocar as produções de conhecimentos e os sujeitos em movimento, semelhante àquilo que acontece no processo entre analisado e analisante (Pinto, 2009).

Esses princípios guiam a pesquisa de maneira singular, sendo construída em função de cada objeto ao qual se debruça, neste caso a análise dos artigos selecionados (Marsillac, Bloss, & Matiazzi, 2019). Desse modo, é a partir das leituras dos artigos que será possibilitado o encontro com o novo, produzindo outros sentidos e significados (Moreira et al., 2018).

Entendendo que é fundamental elaborar inquietudes e desvelar “novas perguntas ao que fora produzido na tentativa de deslocar efeitos de verdade que as afirmações teóricas produzem no exercício de sua mestria” (Moreira et al., 2018, p. 134), será através desta pesquisa que se procura produzir efeitos tanto nas pesquisadoras, como na produção de conhecimento e na prática do AT.

RESULTADOS

Do total de artigos selecionados para a análise, 4 artigos foram publicados no ano de 2015. Em seguida, os anos com maior publicação foram 2021, com 8 artigos publicados, 2016 com 7 artigos, 2017 e 2018 com 6 artigos. Há uma diminuição significativa no ano de 2019 em relação aos anos anteriores, havendo apenas uma publicação. No ano de 2020 não foram incluídos nenhum artigo para leitura e análise, pois não abordavam o AT como uma prática clínica da psicologia, sendo estes um dos critérios estabelecidos, como apresentado anteriormente.

Em relação aos artigos analisados, verificou-se que em sua maioria os autores estão vinculados a Universidades ou Institutos de Ensino Federais, em núcleos de graduação e programas de pós-graduação, localizados nas cinco regiões do país e, uma das publicações foi feita em parceria com a Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina. As outras produções variaram entre vinculações a Institutos de Formação, como o Instituto A Casa, a Sociedade de Psicodrama e a programas de residência em saúde mental.

Entre as Universidades que se destacaram em relação ao número de artigos produzidos encontram-se a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade de São de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Verificou-se que grande parte da produção de artigos em Acompanhamento Terapêutico advém de projetos de pesquisas atrelados às universidades e estão circunscritos às modalidades de extensão universitária, projetos de iniciação científica ou estágios curriculares. Evidencia-se os projetos de extensão desenvolvidos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul intitulado “AT na Rede - Acompanhamento Terapêutico na Rede de Saúde Pública” e na Universidade Federal de Santa Catarina intitulado “Acom-panhamento Terapêutico: clínica e criação na cidade”, pois ambos oferecem atendimentos à comunidade em parceria com a rede de atenção à saúde.

Acerca dos tipos de artigos publicados, 36% (12 artigos) são provenientes de pesquisas de campo, ou seja, realizadas com a participação de seres humanos ou análise de documentos, 21% (7 artigos) são ensaios teóricos, 9% (3 artigos) são do tipo revisão bibliográfica com pesquisa em base de dados, 18% (6 artigos) se constituem em relatos de experiências e 12% (4 artigos) como estudo de casos clínicos.

É possível destacar que a grande quantidade de relatos de experiências deve-se ao fato, anteriormente destacado, de que os artigos analisados estão vinculados a universidades e laboratórios/núcleos de pesquisas que desenvolvem estágios obrigatórios em saúde mental, iniciações científicas, extensões universitárias e teses de mestrados. Esse dado reflete o papel fundamental das universidades e dos núcleos de pesquisas no desenvolvimento de conhecimento científico em saúde mental e no dispositivo clínico.

O AT, fomentado por instituições universitárias, proporciona a consolidação de intervenções extramuros das universidades - estreitando laços e fortalecendo a comunidade, uma vez que os atendimentos ocorrem no território, em articulação com a família, com a rede de atenção psicossocial e com as políticas de saúde mental (Morais & Kyrillos, 2021). Ao produzir conhecimento e construir intervenções, reafirma o compromisso ético e político com a desinstitucionalização, com as políticas de saúde mental coletiva e com os preceitos da clínica ampliada.

Em relação aos sujeitos pesquisados através das pesquisas empíricas, análises de casos clínicos e relatos de experiências, obtivemos que a maioria dos sujeitos em acompanhamento terapêutico eram adultos. Esse dado já vem sendo apontado na literatura, segundo os autores Manuel dos Santos et al. (2015) que realizaram uma pesquisa de revisão de literatura em dissertações e teses produzidas no período de 2000 a 2011, que corrobora com o dado da predominância do AT com o público adulto.

Entre os profissionais da saúde que foram abordados nas pesquisas empíricas, às quais foram realizadas principalmente por meio de entrevistas e questionários, estavam profissionais da Atenção Básica e das equipes de saúde mental dos serviços como CAPS i, CAPS AD II, CAPS II e enfermaria psiquiátrica, docentes do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Paraná (UFPR) envolvidos na estruturação da proposta de AT junto ao estágio de saúde mental e profissionais de nível superior que trabalham ou já atuaram como AT.

No que se refere a infância e adolescência, encontramos entre os estudos empíricos, relatos de experiências e casos clínicos, três artigos que tiveram como foco de intervenção crianças e adolescentes com transtornos mentais graves, quadros de psicoses e/ou deficiências. De acordo com Ana Laura Batista, Tatyanne Flor e Ricardo da Silveira (2017), é pautado nos princípios de cuidado e compromisso ético com a inclusão da loucura em diversos âmbitos da vida social que o AT volta sua atenção ao atendimento de crianças e adolescentes. Ao olhar para a infância e adolescência tem como objetivo adentrar em espaços fundamentais como os espaços escolares.

Outro dado relevante que foi constatado é que na maioria dos estudos e intervenções do AT foram realizadas com homens. No que se refere aos atravessamentos de raça e etnia, nenhum dos artigos selecionados pautaram esses analisadores na descrição dos sujeitos em acompanhamento terapêutico.

Em relação à concepção teórica dos artigos analisados, a maioria (14 artigos) partiram da Psicanálise como método de análise e como base teórica de suas pesquisas, abordando os clássicos como Freud e Lacan e pesquisadores e psicanalistas como Analice Palombini, Ana Lúcia Marsillac e Antonio Quinet.

Em geral, os artigos dialogam com os pressupostos da Reforma Psiquiátrica e da Clínica Ampliada, e trazem teóricos como Franco Basaglia, Eugene Minkowski e Antonio Lancetti. Ainda em diálogo com as perspectivas teóricas, Benedetto Saraceno e a teoria da Reabilitação Social são apresentadas em dois dos artigos analisados. A Redução de Danos (RD), através de Eduardo Henrique Passos e Tadeu Paula Souza, aparece em um dos artigos como uma proposta de aproximação com o AT no campo da saúde mental. Além disso, a Esquizoanálise, de Gilles Deleuze e Félix Guattari é posta em discussão em quatro artigos, dialogando com a Psicanálise e com Michel Foucault.

Pontualmente, um dos artigos, publicado em revista de abordagens fenomenológicas, parte da perspectiva teórica do psicodrama, resgatando Jacob Levy Moreno e outra produção específica apresentava o AT a partir do Behaviorismo e da Análise do comportamento.

DISCUSSÕES

CONCEPÇÃO TEÓRICA E DEFINIÇÃO DE AT

O Acompanhamento Terapêutico é definido de muitas formas pelos autores das pesquisas analisadas, desde prática clínica, como uma modalidade de tratamento e de atendimento, ou intervenção terapêutica e instrumento clínico. Em outro artigo, apresenta-se a ideia de que o AT é um dispositivo “estratégico para o trabalho com as psicoses” (Marsillac et al., 2018, p. 561), que envolve a construção de outras propostas clínicas.

Devido a conceituação de AT como dispositivo, sendo “clínico” ou “clínico político”, de forma bastante expressiva nos artigos (Alberti, Teixeira, Beteille, Rodrigues, & Martinez, 2017; Gruska & Dimenstein, 2015; Cirilo & Dimenstein, 2016; Marsillac et al., 2018; Silveira, 2016), buscamos a definição desse conceito em Michael Foucault, a fim de compreendê-lo na sua relação com a psicologia e com o AT. Foucault (1998) define dispositivo como “um conjunto decididamente heterogêneo que engloba dis-cursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas (p. 244)”.

Como exposto anteriormente, grande parte dos artigos orientam-se a partir da psicanálise. Um exemplo que se pode apresentar sobre a relação do AT com a psicanálise é na construção do caso, observada no artigo intitulado “Acompanhamento Terapêutico e psicanálise: pequeno histórico e caso clínico” (Alberti et al., 2017), em que se ressalta a posição ética adotada na compreensão de sujeito para a psicanálise, compreendendo que o saber sobre o acompanhado se constrói ao longo do atendimento em si, partindo do próprio saber do sujeito, que é o inventor do seu sintoma. Assim, o AT se apresenta como uma possibilidade de sustentar esses sintomas que imobilizam os laços desses sujeitos, apostando em intervenções que preservam seus recursos e possibilidades (Silva, Próchno, & Silveira, 2016).

Júlia Caetano e Antônio Teixeira (2021) localizam a relação fundamental da psicanálise com a saúde mental ao retomar Freud e a sua escolha em ouvir o que seu paciente tinha a dizer, ao invés de silenciar a palavra do louco, compreendendo que aqueles que sofrem têm sim o que dizer. Nesse sentido, os autores Marcela Gomes et al. (2018) apresentam a palavra e a escuta como uma forma que potencializa o sujeito de direito “na medida em que legitimam histórias que foram invisibilizadas, cujos discursos foram silenciados e substituídos por significantes únicos, como ‘o louco’, o ‘vagabundo’ ‘o delinquente’” (p. 63).

A tendência da relação da psicanálise com o AT aparece também na justificativa de artigos com outra concepção teórica, como em “Acompanhamento terapêutico e Análise de comportamento: avanços e problemáticas nas definições deste fazer” dos autores Otávio Beltramello e Nádia Kienen (2017). Ao apresentar a problemática de que, muito do que se tem de conhecimento sobre AT até então, trata-se de um fazer que se utiliza de metáforas, “recursos conceituais explicativos internalistas, na maioria das vezes vinculados a propostas psicanalíticas” (Beltramello & Kienen, 2017, p. 63), os autores apontam para uma “falta de clareza” e “delimitação” quanto à prática, inclusive no campo da Análise de Comportamento (AC). Defendem que para uma definição de AT é necessário identificar quais são as classes de comportamentos constituintes desse fazer e apresentam as contribuições possíveis da AC, como exame de variáveis que compõem ou que participam de eventos comportamentais, aplicação de procedimentos de avaliação e análise de comportamentos, entre outras.

Em artigos orientados pela psicanálise e pelos pressupostos da Reforma Psiquiátrica, nota-se que a definição de AT remete a uma prática que circula pelos territórios, públicos e privados, para além dos limites do setting terapêutico tradicional, tendo a cidade como meio dessa prática itinerante (Alberti et al., 2017; Cunha, Pio, & Raccioni, 2017; Gruska & Dimenstein, 2015; Gulassa, 2018; Refosco & Fernandes, 2018; Cirilo & Dimenstein, 2016; Santos et al., 2015; Tristão, Avellar, & Ribeiro, 2017). Ainda dentro dessa perspectiva, Viktor Gruska e Magda Dimenstein (2015) abordam o AT como uma “forma de cuidados intensivos em saúde mental, articulada à prevenção de riscos, ao manejo terapêutico e à promoção de saúde” (p. 111). Uma prática que visa prevenir e romper com o isolamento, buscando desenvolver as potencialidades dos sujeitos juntamente com a sua inserção no laço social.

Outra modalidade como o AT é apresentado encontra-se em “Acompanhamento Terapêutico de Grupo: uma alternativa em saúde mental” (França, 2016) e “Acompanhamento terapêutico em grupo: experiências argentinas e brasileiras” (França & Frank, 2021), sendo o Acompanhamento Terapêutico em Grupo uma alternativa para o tratamento de pacientes hospitalizados. A proposta é que um grupo de pacientes possa sair em passeios pela cidade, acompanhados da equipe profissional. Demétrius França (2016) defende que esta seria também uma alternativa possível de adequar o AT ao SUS, uma vez que poderia abranger mais usuários, não limitando a um profissional por usuário, sendo este um dos grandes problemas enfrentado na rede de atenção à saúde: o baixo quadro profissional.

O AT é um dispositivo clínico em constante ampliação e consolidação na área da saúde mental, abrangendo assim outros campos de intervenção, como as infâncias e adolescências. Nessa direção foram encontrados dois artigos que abordaram a inserção do AT no contexto escolar. Ambos identificam a prática com o objetivo de inclusão das crianças nesse ambiente, sejam elas psicóticas ou autistas (Spagnuolo, 2017) ou crianças com necessidades educativas especiais (Nascimento, Silva, & Dazzani, 2015). Para Lenara Spagnuolo (2017), o objetivo é trabalhar em parceria com os outros profissionais da escola a fim de tornar um lugar “possível e suportável para a criança na escola” (p. 294).

SUJEITOS E CONTEXTOS PESQUISADOS

Ao analisar os casos clínicos e estudos com sujeitos em acompanhamento terapêutico, a ampla maioria dos artigos menciona uma situação ou hipótese diagnóstica sendo elas de esquizofrenia e/ou quadro psicótico com produções delirantes, espectro autista e deficiência mental, dos quais alguns retratam situações de reincidência de internações de breve ou longa permanência em hospitais psiquiátricos, ou que havia passagens em hospitais de custódia. Por meio desta análise, constatou-se que o AT manteve como seu principal foco de intervenção o atendimento com sujeitos em situação de intenso sofrimento psíquico e com diagnósticos psiquiátricos envolvendo desde transtornos no desenvolvimento mental ou questões relacionadas à adição de álcool e outras drogas. Sobretudo destaca-se que a intervenção do AT está voltada para casos de psicose.

O dado exposto anteriormente, de que os artigos analisados não pautaram raça e etnia como um ponto de análise na relação dos sujeitos em acompanhamento, evidencia o argumento apresentado por Ana Paula Moreira et al. (2022), de que ainda há pouca discussão acerca de Acompanhamento Terapêutico e racialidade. Reconhecer o racismo enquanto elemento estruturante da sociedade é fundamental para o acompanhamento visto que o sujeito é atravessado pelos efeitos psicossociais do racismo.

Assim, o AT como essa prática que busca a possibilidade de participação do sujeito no tecido social (Moreira et al., 2022), deve compreender que este social é estruturado a partir de diversos aspectos: o racismo, como dito anteriormente, mas também por questões de gênero e classe. Portanto, se faz necessário que os acompanhantes terapêuticos possam intervir nesse âmbito, buscando problematizar as ideias cristalizadas e hegemônicas.

Grande parte dos estudos empíricos apontam que, em conjunto com o AT, os acompanhados estavam referenciados pela rede de atenção psicossocial, sendo citados o CAPS II, CAPS AD e CAPSi e Hospital Dia. Essa forte relação entre AT e dispositivos de atenção psicossocial está associada ao fato que o AT tem sua fundação concomitante com a eclosão dos movimentos de Reforma Psiquiátrica e Sanitária. Esses movimentos assumiram um papel preponderante na construção de políticas de saúde mental e fomentaram a criação de novas práticas e dispositivos de saúde mental. Alinhando-se com a proposta de cuidado em liberdade e em rede, o AT é caracterizado como um dispositivo clínico e político que se opõe aos métodos asilares e biologizantes (Acioli & Amarante, 2013).

Ainda houve dois artigos empíricos que tiveram como sujeito da pesquisa e enfoque do estudo os programas de extensão universitários, aqui anteriormente citados, atrelados a duas instituições públicas do Sul do país, UFRGS e UFSC (Alves, Bloss, & Marsillac, 2021; Ecker & Palombini, 2021).

ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO E LAÇO SOCIAL

O AT enquanto dispositivo clínico irá olhar para os sujeitos que possuem fragilidade no laço social, se encontram à margem da sociedade por expressarem seus sofrimentos, delírios, crises, e por possuírem dificuldades de circulação na pólis. Acrescido a isso, opera a exclusão daqueles que se localizam na estrutura psicótica, uma vez que o laço social é organizado pela estrutura neurótica e, como consequência, outras formas de ser e estar são paulatinamente escamoteadas. O AT, enquanto dispositivo clínico, atua na criação de possibilidades e estratégias para que o sujeito possa circular no laço social, operando na realização de furos no laço neurotizante. A aposta é que, a partir do encontro com o outro, reverbere articulações e amarrações simbólicas com o laço social, possibilitando a criação de redes que produzam acolhimento do diferente (Bazhuni, 2010).

Alguns dos artigos analisados revelaram a importância dos atendimentos na criação de articulações entre o sujeito em acompanhamento e o outro, propiciando a produção de enlaçamentos com sua rede. É possível analisar no texto: “Migração, rupturas psíquicas e espaços terapêuticos”, de autoria de Ademir Ferreira (2015), a descrição sobre um caso de AT com um sujeito migrante, que expressa em suas crises e delírios uma reação frente à ameaça de invasão desse outro — que pode ser entendido como a violência da adequação a outra cultura. Por meio dos atendimentos, são propiciadas aberturas para que o acompanhado possa compartilhar suas lembranças e reconstruir os espaços em que costumava habitar, retomando os valores e as experiências de infância. Ao compartilhar sua narrativa com outro, emerge a possibilidade de elaboração das crises e do sofrimento. Dessa forma, acompanhante e acompanhado contornam a possibilidade de inserção e recriação de laços nesse novo contexto.

No artigo de Verônica Nascimento et al. (2015) remete-se à atuação do Acompanhante Terapêutico no contexto educativo voltado à atuação com crianças psicóticas. Os autores destacam que o objetivo central da intervenção é o estabelecimento do laço social e o investimento nas possibilidades de criação de endereçamentos e produção de enlaces com o outro. É destacado que atuação do AT na escola intenciona atribuir à criança um lugar no contexto educativo, sendo que ao construir no imaginário dos sujeitos um lugar social confere a ela a posição de sujeito (Batista et al., 2017; Spagnuolo, 2017).

Os estudos de Kelly Tristão et al. (2017) e Cristiana Gerab (2016) apresentaram fragmentos e nuances onde habitar o contexto urbano possibilitou articulações com o laço social. Assim, as intervenções foram atravessadas pela importância do acesso à cidade, construção de autonomia e busca de direitos sociais. Ao habitar as ruas, indo às compras, pegando ônibus e adentrando no seu espaço domiciliar, o acompanhante se movimenta em consonância com o cotidiano do acompanhado, e assim pode atuar nos imprevistos e nas singularidades que surgem em contato com o outro (Tristão et al., 2017).

Podemos refletir que o gesto de circular pelos espaços produz efeitos não só no acompanhado, como também na comunidade, na família e nos serviços, dando lugar para a alteridade e ao não apagamento das diferenças. No artigo de Gerab (2016), as afetações produzidas pelo AT ressoavam nos familiares, uma vez que as saídas com a acompanhante adolescente se tornaram essenciais para simbolizar a separação dessa filha com a sua mãe.

A potencialidade da inserção no laço social para a desinstitucionalização da loucura fica evidenciada no artigo de Mauricio Cirilo e Magda Dimenstein (2016), em que os autores narram a trajetória de um sujeito de longa permanência em instituições, inicialmente no hospital de custódia e em seguida no hospital psiquiátrico. Ao realizar saídas com o AT, o sujeito retorna a sua cidade durante o acompanhamento e, posteriormente, utilizando o transporte público, possibilitando assim, a retomada do contato com os familiares. Assim, os autores relatam que essa foi a primeira vez, após anos de institucionalização, em que pôde caminhar pelas ruas.

O AT está alicerçado nos preceitos da Reforma Psiquiátrica e traceja possibilidades de inserção da loucura no laço social (Marsillac et al., 2018). Desse modo, tem como intuito produzir ações que possam atravessar os muros da institucionalização, questionando e desnaturalizando por meio de suas práticas “as categorias psiquiátricas que amoldam a loucura nas noções de periculosidade, defeito e incapacidade” (Gruska & Dimenstein, 2015, p. 118). Ao adentrar em locais que historicamente ocupam-se da loucura, como Hospitais Psiquiátricos, o AT tem como foco traçar caminhos e deslocamentos que contribuam para desinstitucionalização de sujeitos com longa permanência nessas instituições.

Caetano e Teixeira (2021) pontuam que essa relação entre paciente e o laço social, se apresenta como um “lugar de fronteira”, que convoca os acompanhantes a ocuparem esse lugar com uma disposição ética. Desse modo, implica em consequências clínicas do acompanhamento no cotidiano do sujeito que, além das afetações clínicas e individuais, são também políticas e sociais.

AT E A RELAÇÃO COM A POLÍTICA

Observa-se que os artigos analisados remetem o AT como uma prática que se ocupa da relação dos sujeitos acompanhados e da sociedade e que, portanto, tem uma perspectiva política importante ao romper com uma clínica individualizante. Salientamos que essa política não se refere a questões partidárias, mas partem da premissa da política enquanto condição humana, marcado por singularidades que se articulam e se posicionam ante ao laço social. Retomamos Analice Palombini e Lorenna Rocha (2017), que definem o AT como “um meio pelo qual se pode efetuar a passagem do individual ao social, do privado ao público, do íntimo ao compartilhável” (p. 738). Nesse sentido, os autores Luana Tosta e Thaysa Silva (2016), apontam que o objetivo principal do AT é o de colocar as pessoas acompanhadas “em contato direto com a vida em sociedade, de onde se entende que a cidade é também um espaço clínico” (p. 82), articulando a construção de direitos e da autonomia.

A proposta do AT pressupõe a construção de uma prática de compromisso ético com os sujeitos, em que sustenta uma postura de criação e invenção afastando-se dos moldes tradicionais (Batista et al., 2017). Portanto, os pressupostos basilares do AT localizam-se na aposta do sujeito de desejo, remetendo ao sujeito um lugar fundamental, atribuindo como centralidade a fala e seu sofrimento (Palombini & Rocha, 2017). E, por se caracterizar como um lugar de invenção e compromisso ético, o terapeuta em conjunto com o sujeito em acompanhamento possibilita dar novos sentidos e significados ao que já está colocado (Tosta & Silva, 2016).

Assim, o AT se faz enquanto uma prática indissociável do político, entremeado à movimentações que reivindicavam a desinstitucionalização da loucura, constituindo-se em contraposição aos modelos classificatórios e nosológicos que historicamente incidem sobre a subjetividade dos sujeitos (Alberti et al., 2017). De acordo com Ferreira (2015) opera enquanto “uma perspectiva contrária ao procedimento médico clássico, em que a alta ocorre somente a partir da avaliação da remissão dos sintomas, que é geralmente atribuída ao efeito dos psicotrópicos (p. 195)”.

Lucas Alves, Gerusa Bloss e Ana Lúcia Marsillac (2021) refletem que as lógicas hierárquicas e dominantes de marginalização da loucura não se encerram na dinâmica dos manicômios e discursos medicalizantes, mas também se fazem presentes nas decisões políticas, que retiram recursos para políticas públicas em saúde e sociais. Os projetos de governo que possuem essa perspectiva de desmonte incidem diretamente na deslegitimação dos dispositivos de diversos pontos da rede, de suas práticas e de seus princípios éticos e políticos (Alves, Bloss, & Marsillac, 2021)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a seleção dos artigos, que totalizou 32, foi realizada a leitura sistemática, bem como análises a partir do referencial teórico e ético da Psicanálise. Foram destacadas sete categorias, a saber: Metodologia de pesquisa; Concepção teórica; Definição de AT; Contextos e sujeitos; Vinculação institucional; AT e laço social e Dimensão política do AT. A partir das análises, podemos concluir que o Acompanhamento Terapêutico, enquanto dispositivo clínico contribui para a construção de intervenções clínicas comprometidas com o cuidado em liberdade e com o acolhimento do outro e do diferente.

A escolha pelas publicações em periódicos científicos ocorreu por serem os principais meios de divulgação de conhecimento científico e o espaço de reconhecimento desses estudos. Contudo, é impor-tante destacar que as produções não se esgotam em estudos publicados em periódicos, mas se estendem também para produções sobre o AT em livros e revistas indexadas em outras plataformas.

A ampla maioria dos artigos tinham vinculação com núcleos de pesquisas de universidades públicas reforçando a importância do papel dessas instituições na construção do conhecimento científico em saúde mental, com práticas de desinstitucionalização, com o cuidado em liberdade e com a clínica ampliada. Assim, o mapeamento dos Projetos de Extensão que tenham o Acompanhamento Terapêutico como referência na prática clínica mostra-se também com um trabalho que pode vir a ser desenvolvido a partir desta pesquisa e que pode, certamente, contribuir para maior conhecimento da realidade atual do AT no Brasil.

Com o levantamento das produções científicas dos últimos anos, vemos a continuidade da aproximação da prática do AT com o referencial teórico, ético-político da Psicanálise. Ainda que algumas produções tenham outras abordagens teóricas, como o Behaviorismo e o Psicodrama, a Psicanálise é a que se apresentou em maior número nos artigos lidos.

A partir das leituras, observa-se o avanço da prática do AT em outros âmbitos para além das instituições e serviços em Saúde, como na Educação, havendo a presença do acompanhante em espaços escolares. É possível identificar que esta prática, portanto, amplia-se para outros sujeitos e pode, novamente, contribuir para a inserção destes em ambientes muitas vezes hostis. Podemos compreender essa atuação não somente pela via do acompanhamento do sujeito, mas também como na relação do acompanhante com a instituição e com os outros que nela se articulam, como professores, diretores, colegas de sala de aula, familiares. O AT, portanto, pode ser uma forma de contribuir com a inserção de crianças psicóticas ou com alguma deficiência no processo de escolarização.

Cabe ressaltar, que também pode ser um dispositivo voltado à clínica com crianças em geral, uma vez que possibilita esse alargamento do setting. Apresenta-se, assim, no campo das intervenções com a infância apenas de forma inicial, mostrando que há muito ainda a ser construído a partir dessa prática e, portanto, revela a importância social do desenvolvimento de outras pesquisas com este tema da relação entre o AT, educação e infância em específico.

Ao direcionar a escuta voltada à intervenção no laço social, propicia-se a criação de endereçamentos e produção de enlaces no contexto urbano. É marca do AT e da sua relação com a pólis e com a política, uma vez que articula no próprio dispositivo o público, o social à singularidade do acompanhante e acompanhado. Uma das funções do AT é a de produzir deslocamento nas cristalizações e marginalização daqueles que são historicamente excluídos.

Tendo a cidade como setting, instiga e fortalece um encontro com a diferença, percorrendo o limiar entre o público e o privado, exterior e interior, o familiar e o estranho (Santos et al., 2019). É marcante a aposta no cuidado um a um e ao mesmo tempo em ocupar um novo lugar social para a loucura na cidade, rompendo com os estigmas historicamente reiterados. Ao transitar pela casa, pelas instituições, pelo espaço público sustenta e testemunha a diferença no laço social. Assim, possibilita reverberações não só no sujeito em acompanhamento, mas também naqueles que habitam os espaços urbanos, articulando direitos, desejos, cuidado, território, comunidade e cultura.

1Artigo produzido a partir do Projeto de Extensão “Acompanhamento Terapêutico: clínica e criação na cidade (6a edição)” que foi contemplado com duas Bolsas de Extensão - EDITAL n° 5/2019/PROEX - PROBOLSAS 2020.

FinanciamentoProjeto de Extensão financiado pela Universidade Federal de Santa Catarina (PROEX/SEPLAN/UFSC), através do EDITAL n° 5/2019/PROEX - PROBOLSAS 2020, com duas bolsas de extensão para estudantes participantes do projeto. Bolsa de produtividade do CNPq à Professora Ana Lúcia Mandelli de Marsillac

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Recebido: 25 de Novembro de 2023; Revisado: 06 de Maio de 2024; Aceito: 06 de Maio de 2024

Editor científico:

Antonio Euzébios Filho

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