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Avaliação Psicológica

versión impresa ISSN 1677-0471versión On-line ISSN 2175-3431

Aval. psicol. vol.22 no.3 Campinas  2023  Epub 29-Nov-2024

https://doi.org/10.15689/ap.2023.2203.24726.02 

Artigo

Evidências de Validade do PERMA-Profiler-Brasil para Profissionais da Segurança Pública

Evidence of Validity of the PERMA-Profiler-Brazil for Public Security Professionals

Evidencias de Validez del PERMA-Profiler-Brasil para Profesionales de la Seguridad Pública

Sérgio Eduardo Silva de Oliveira1  1  , Declaramos que todos os autores participaram da elaboração do manuscrito

Sérgio Eduardo Silva de Oliveira é psicólogo (Unilavras), doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, é Professor no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília.

Jean Carlos Natividade2  , Declaramos que todos os autores participaram da elaboração do manuscrito

Jean Carlos Natividade é psicólogo (UFSC), doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, é Professor no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Dionne Rayssa Cardoso Corrêa3  , Declaramos que todos os autores participaram da elaboração do manuscrito

Dionne Rayssa Cardoso é psicóloga (UnB), doutoranda no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília.

Diego Remor Moreira Francisco4  , Declaramos que todos os autores participaram da elaboração do manuscrito

Diego Remor Moreira Francisco é psicólogo (UNISUL), mestre em Psicologia pela Universidade de Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente, é Tenente Coronel da Polícia Militar de Santa Catarina e trabalha na Secretaria Nacional de Segurança Pública.

1Universidade de Brasília – UnB, Brasília-DF, Brasil

2Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio, Rio de Janeiro-RJ, Brasil

3Universidade de Brasília – UnB, Brasília-DF, Brasil

4Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis-SC, Brasil


RESUMO

Avaliar adequadamente o bem-estar é essencial para entender o seu impacto na saúde, principalmente para indivíduos que lidam com situações de alto risco e estresse em suas profissões. O objetivo deste estudo foi investigar evidências de validade de um instrumento para acessar o bemestar no modelo PERMA para uma amostra de profissionais da segurança pública. Os participantes foram 11.004 agentes da segurança pública das cinco regiões do Brasil. Os dados apresentaram adequado ajuste à estrutura de cinco fatores do PERMA, com a exclusão de um item, além de adequados coeficientes de fidedignidade. Evidências de validade com outras medidas foram observadas a partir de correlações entre os fatores do PERMA-Profiler-Brasil e variáveis de qualidade de vida e de dimensões psicopatológicas. Conclui-se que essa medida apresenta indicadores favoráveis de validade e fidedignidade para a avaliação do bem-estar em agentes da segurança pública brasileiros.

Palavras-chave: bem-estar; validade do teste; saúde mental

ABSTRACT

Properly assessing well-being is crucial for understanding its impact on health, particularly in individuals who deal with high-risk and stressful situations in their professions. This study aimed to investigate evidence of the validity of an instrument to assess well-being from the PERMA model for a sample of public security professionals. Participants were 11,004 public security agents from the five regions of Brazil. The PERMA five-factor structure presented a good fit to the data, with the exclusion of one item, as well as adequate reliability coefficients. Evidence of validity with other measures was observed based on correlations between the PERMA-Profiler-Brazil factors and quality of life variables and psychopathological dimensions. It was concluded that this measure presents favorable indicators of validity and reliability for assessing the well-being of Brazilian public security agents.

Keywords: well-being; test validity; mental health

RESUMEN

Evaluar adecuadamente el bienestar es crucial para entender su impacto en la salud, especialmente para aquellos que enfrentan situaciones de alto riesgo y estrés en su trabajo. Este estudio tuvo como objetivo investigar las evidencias de validez de un instrumento para evaluar el bienestar a partir del modelo PERMA para una muestra de profesionales de seguridad pública. Participaron 11,004 agentes de seguridad pública de las cinco regiones de Brasil. La estructura PERMA de cinco factores presentó un buen ajuste a los datos, con la exclusión de un ítem, además de coeficientes de confiabilidad adecuados. Se observó evidencias de validez con otras medidas a partir de correlaciones entre factores del PERMA-Profiler-Brazil y variables de calidad de vida y dimensiones psicopatológicas. Se concluye que esta medida presenta indicadores favorables de validez y confiabilidad para evaluar el bienestar de los agentes de seguridad pública brasileños.

Palabras clave: bienestar; validez del test; salud mental

O bem-estar é um importante indicador de saúde física e mental (Diener et al., 2017). Esse construto também está relacionado à autoestima, otimismo, esperança, satisfação com os relacionamentos, gratidão, e diversos outros desfechos positivos (e.g., Bandeira et al., 2015; Bartholomaeus et al., 2020; Butler & Kern, 2016; Carvalho et al., 2021; Carvalho et al., 2022; Diener et al., 2018; Hutz et al., 2014; Londero-Santos et al., 2021; Natividade et al., 2019). Dentre as perspectivas teóricas sobre o bem-estar, o modelo PERMA é especialmente relevante porque se baseia em cinco componentes considerados fundamentais para a promoção de uma vida plena e saudável: emoções positivas, engajamento, relacionamentos positivos, sentido de vida e realização (Seligman, 2011; 2018). Uma forma de se acessar esses cinco componentes do bem-estar é por meio do PERMA-Profiler (Butler & Kern, 2016).

O PERMA-Profiler é um instrumento que já foi adaptado e vem sendo utilizado em diferentes países, como, por exemplo, Austrália (Bartholomaeus et al., 2020), Indonésia (Elfida et al., 2021), Itália (Giangrasso, 2021), Coréia (Choi et al., 2019) e Equador (Lima-Castro et al., 2017). Além disso, diferentes contextos e públicos-alvo são investigados por meio desse instrumento, a saber: adolescentes latino-americanos (Álvarez et al., 2021), jovens adultos sobreviventes de tumor (Grenawalt et al., 2022), idosos (Mendes et al., 2022; Payoun et al., 2020), veteranos com problemas mentais (Umucu, 2021) e estudantes universitários de diferentes países (Chaves et al., 2023; Cobo-Rendón et al., 2020; Magare et al., 2022; Yang & Mohd, 2021). No Brasil, os estudos de adaptação e busca por evidências de validade foram realizados com adultos em uma amostra composta, majoritariamente, por estudantes universitários (Carvalho et al., 2021). Considerando-se que as evidências de validade de um instrumento devem ser buscadas para contextos e grupos específicos (American Educational Research Association [AERA] et al., 2014), este estudo buscou por evidências de validade e de precisão do PERMA-Profiller-Brasil para uma amostra de agentes de segurança pública.

Os profissionais da segurança pública são encarregados da preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, tendo como base os princípios da cidadania e dos direitos humanos, com o escopo de impactar na promoção do bem-estar da sociedade. Devido à natureza do trabalho de preservação da ordem, que envolve a possibilidade de atuarem tanto em ações de prevenção da quebra da ordem pública como em situações de intervenção quando essa quebra já ocorreu, é comum que os profissionais estejam expostos a ambientes de alta periculosidade e grande quantidade de estressores (Almeida & Chaves, 2020). Essas condições colocam os profissionais em situações de vulnerabilidade física e mental podendo gerar consequências tanto para os próprios profissionais, quanto para a população. Por exemplo, eles podem fazer uso equivocado de arma durante uma ação de trabalho e desenvolver psicopatologias como ansiedade, depressão e alcoolismo (Fonseca et al., 2021; Sousa et al., 2021; Souza et al., 2013).

O enfrentamento dessas situações estressantes e de alto risco requer recursos psicológicos específicos que podem ser desenvolvidos e potencializados. Identificar e mensurar esses recursos, incluindo-se o bem-estar e seus componentes, é crucial para potencializá-los e desenvolvê-los (Carr et al., 2021). Nesse sentido, um instrumento adequado e capaz de avaliar o bem-estar dos profissionais da segurança pública pode contribuir para a elaboração e aperfeiçoamento de programas de prevenção do estresse e promoção de saúde dessas pessoas. Assim, a busca por evidências de validade do PERMA-Profiler para agentes de segurança pública será um importante passo no sentido de garantir a confiabilidade dos resultados que se obtêm ao investigar o bem-estar dessa população.

O Modelo PERMA de Bem-Estar e o PERMA-Profiler

O bem-estar tem sido estudado e operacionaliza-do a partir de duas principais perspectivas filosóficas (Tov, 2018). A perspectiva hedônica enfatiza a dimensão afetiva e subjetiva do bem-estar, em que o próprio indivíduo é o responsável por avaliar seus níveis de bem-estar com base em seus sentimentos, emoções e prazer (e.g., bem-estar subjetivo – Diener, 1984). Em contrapartida, a perspectiva eudaimônica compreende o bem-estar como um estado de desenvolvimento humano pleno composto por componentes pré-concebidos por pesquisadores e estudiosos, e que transcende os sentimentos de prazer e emoções positivas (e.g., bem-estar psicológico – Ryff & Keyes, 1995). Essa perspectiva eudaimônica tem se expandido com a proposição de novos modelos de bem-estar que acrescentam componentes considerados essenciais para se atingir um estado de funcionamento ótimo, tais como o modelo PERMA (Seligman, 2011).

O acrônimo PERMA representa os cinco componentes considerados essenciais para o bem-estar (Seligman, 2011; 2018): P – Positive Emotions (Emoções Positivas), E – Engagement (Engajamento), R – Relationships (Relacionamentos Positivos), M – Meaning (Sentido de Vida) e A – Accomplishment (Realização). O fator Emoções Positivas (P) diz respeito a sentir emoções positivas e experimentar prazer, satisfação e alegria. O fator Engajamento (E) se refere a um estado de imersão completa em atividades que sejam desafiadoras e significativas, promovendo um estado de flow, isto é, uma experiência no qual a pessoa se envolve intensamente em uma atividade e sente-se bem (Csikszentmihalyi, 1990). Já o fator Relacionamentos Positivos (R) diz respeito ao estabelecimento de conexões significativas e duradouras com outras pessoas. O Sentido de Vida (M) refere-se à identificação de propósitos e significados em diferentes áreas da vida. Por fim, Realização (A) concerne alcançar metas e objetivos significativos que contribuem para o sentimento de competência e autoeficácia.

Os fatores do PERMA mostram-se relacionados a diversos indicadores de saúde mental e de dimensões psicopatológicas. Por exemplo, Emoções Positivas (P) correlacionou-se positivamente com autoestima, esperança, otimismo e afetos positivos, e negativamente com depressão, estresse e ansiedade (Bartholomaeus et al., 2020; Butler & Kern, 2016; Carvalho et al., 2021). Correlações semelhantes, ainda que ligeiramente mais fracas, foram encontradas para os fatores Relacionamentos Positivos (P), Engajamento (E), Sentido de Vida (M) e Realização (A) (Bartholomaeus et al., 2020; Butler & Kern, 2016; Carvalho et al., 2021). Esses resultados sobre os fatores do PERMA e indicadores de saúde mental e psicopatologia são especialmente promissores ao se considerar que os níveis individuais nesses fatores podem ser aumentados por meio intervenções psicológicas, o que consequentemente contribui para a redução da depressão, ansiedade e estresse (ver Bolier et al., 2013; Carr et al., 2021).

O PERMΛA-Profiler (Butler & Kern, 2016) é um instrumento desenvolvido para avaliar os cinco fatores do PERMA por meio de 15 itens, três itens para cada fator. Além dos cinco fatores do modelo PERMA de bem-estar, o instrumento contém itens que acessam outros construtos, tais como: um item sobre felicidade geral, um item sobre solidão, três itens que avaliam as emoções negativas e três itens que acessam a percepção da saúde física. O estudo original e diversas adaptações para outras culturas mostram a adequação da estrutura de cinco fatores para instrumento, ao acessar o bem-estar (e.g., Butler & Kern, 2016; Carvalho et al., 2021; Chaves et al., 2023; Mendes et al., 2022; Wammerl et al., 2019). Os demais itens também apresentam evidências de validade e fidedignidade, embora não pertençam diretamente ao modelo pentafatorial do PERMA.

No Brasil, Carvalho et al. (2021) apresentaram satisfatórias evidências de validade para o instrumento com adultos de todas as regiões do país. Além da estrutura de cinco fatores, os autores demonstraram relações positivas entre todos os fatores do PERMA-Profiler-Brasil e auto-estima, otimismo e gratidão; bem como, relações conforme o esperado com os fatores do bem-estar subjetivo e bem-estar psicológico (Carvalho et al., 2021). Apesar dos resultados satisfatórios, as evidências de validade foram encontradas para população, majoritariamente, de estudantes de graduação e pós-graduação.

Presente Estudo

O objetivo deste estudo é investigar evidências de validade do PERMA-Pro/iler-Brasil para uma amostra de agentes de segurança pública. Para tanto, será utilizada uma ampla amostra de agentes de segurança e serão buscadas evidências de validade baseadas na estrutura interna do instrumento e relações com variáveis de qualidade de vida e de dimensões psicopatológicas.

Método

Participantes

Participaram 11.004 agentes de segurança pública de diferentes corporações, tais como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Técnico-Científica, Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional (atual Secretaria Nacional de Políticas Penais). A amostra representa cerca de 2,75% do efetivo nacional e o único critério de inclusão foi que os participantes atuassem em qualquer uma das instituições de segurança pública listadas. Tratou-se de uma amostra não probabilística por conveniência e, por isso, os resultados são circunscritos à amostra estudada, não sendo possível fazer generalizações para toda a população. Houve a participação de profissionais da segurança pública de todas as regiões do Brasil, sendo o Sudeste a região com o maior número de participantes (52,4%). As estatísticas descritivas da amostra podem ser vistas na Tabela 1.

Tabela 1 Caracterização da Amostra 

M DP
Idade 40,9 7,94
Tempo de trabalho (anos) 14,2 8,47
f %
Gênero
Masculino 9.001 81,8
Feminino 1.957 17,8
Não informado 46 0,4
Estado Civil
Casado/União estável 8.047 73,1
Solteiro 2.076 18,9
Viúvo 39 0,4
Divorciado 842 7,7
Renda
Até 1 salário-mínimo 43 0,4
Entre 1 e 2 salários 120 1,1
Entre 2 e 3 salários 594 5,4
Entre 3 e 5 salários 3.540 32,2
Entre 5 e 7 salários 2.727 24,8
Entre 7 e 10 salários 2.086 19,0
Mais de 10 salários 1.894 17,2
Região de residência
Norte 1.031 9,4
Nordeste 2.323 21,1
Centro-oeste 829 7,5
Sudeste 5.763 52,4
Sul 1.058 9,6

Nota. N=11.004

Destaca-se a participação predominante de homens (81,8%), de pessoas casadas ou em união estável (73,1%), com média de idade de 40,9 (DP=7,94), sendo a idade mínima 21 e a máxima 73 anos. A média do tempo de serviço dos profissionais participantes foi de 14,2 anos (DP=8,47), tendo esse período variado de 1 a 45 anos de serviço na instituição de segurança pública. Não foi possível descrever o quantitativo de participantes por instituições devido a restrições de sigilo estabelecidas pelo órgão financiador deste estudo. No que diz respeito à renda familiar, ou seja, a soma da renda individual de todos os membros da família que compartilham a mesma casa, a maior parte, 61%, apresentou renda acima de cinco salários-mínimos.

Instrumentos

Questionário para Caracterização da Amostra. Foi construído um questionário para descrição de dados sociodemográficos e ocupacionais, tais como gênero, idade, tempo de serviço e estado civil.

PERMA-Profler-Brasil (Carvalho et al., 2021). Trata-se da versão adaptada para o contexto brasileiro do instrumento de Butler e Kern (2016). O instrumento avalia os cinco fatores do bem-estar conforme o modelo PERMA: Emoções Positivas (P), Engajamento (E), Relacionamentos Positivos (R), Sentido de Vida (M) e realização (A). Os cinco fatores do PERMA são estimados por meio de 15 itens, três para cada fator. Além dos itens referentes aos cinco fatores, o instrumento oferece medidas para quatro outros construtos: Emoções Negativas (3 itens), Saúde Física (3 itens), Solidão (1 item) e Felicidade Geral (1 item), totalizando 23 itens. Os itens são apresentados em formato de perguntas e os respondentes devem indicar, em uma escala de 11 pontos, as respostas que melhor se aplicam a eles (os pontos extremos das escalas de resposta variam ao longo do instrumento, sendo: nunca a sempre; nada a completamente; e terrível a excelente). O instrumento ainda permite o cálculo de um fator geral de bem-estar a partir dos 15 itens do PERMA e o item de felicidade geral. Escores mais elevados nos fatores do PERMA indicam melhores indicadores de bem-estar. Os coeficientes alfa e ômega encontrados neste estudo para o instrumento são apresentados na Tabela 3.

Tabela 3 Resultados de Consistência Interna do PERMA-Profiler-Brasil 

Método P E (sem item 17) R M A Geral (sem item 17) Em. Negativas Saúde Física
α 0,93 0,58 (0,77) 0,83 0,90 0,80 0,96 (0,96) 0,81 0,93
G-λ6 0,90 0,56 (0,63) 0,79 0,86 0,77 0,96 (0,97) 0,75 0,90
ω 0,93 0,66 (0,77) 0,84 0,90 0,82 0,97 (0,97) 0,82 0,93
MCI 0,82 0,32 (0,63) 0,62 0,75 0,57 0,57 (0,64) 0,59 0,82

Nota. P=Emoções Positivas; E=Engajamento; R = Relacionamentos Positivos; M=Sentido de Vida; A=Realização; Em. Negativas=Emoções Negativas; α=alfa de Cronbach; G-λ6=lâmbda-6 de Guttmann; ω=ômega de McDonald; MCI=média das correlações intra-itens; N=11.004

Short Form Health Survey (SF-36) versão brasileira (Ciconelli et al., 1999). Essa é uma versão adaptada para o Brasil do instrumento de Ware e Sherbourne (1992). Trata-se de um instrumento de 36 itens que afere a qualidade de vida por meio de oito fatores: Capacidade Funcional (10 itens), Limitação por Aspectos Físicos (4 itens), Dor (2 itens), Estado Geral de Saúde (5 itens), Vitalidade (4 itens), Aspectos Sociais (2 itens), Limitação por Aspectos Emocionais (3 itens) e Saúde Mental (5 itens). O item 2 não integra nenhuma escala e visa a avaliação da percepção acerca da mudança da saúde em geral em comparação ao ano anterior. Os itens são respondidos em diferentes escalas de respostas, por exemplo, há itens que são respondidos de forma dicotômica, outros em uma escala de três pontos e há outros que são respondidos em uma escala de cinco e seis pontos. Os escores brutos dos fatores do SF-36 são transformados em escores que variam de 0 a 100, sendo que escores mais elevados indicam melhores níveis de qualidade de vida. Os coeficientes de alfa de Cronbach encontrados neste estudo para o instrumento podem ser vistos na Tabela 4.

Tabela 4 Correlações Entre as Variáveis do PERMA-Profiler-Brasil e Medidas de Psicopatologia e Qualidade de Vida 

P E R M A Geral EN SF S F
EBR-HiTOP
Internalizante (α=0,95) −0,69 −0,57 −0,57 −0,63 −0,57 −0,66 0,62 −0,62 0,37 −0,63
Externalizante (α=0,91) SF-36 −0,30 −0,31 −0,31 −0,35 −0,32 −0,34 0,34 −0,28 0,21 −0,31
Capacidade Funcional (α=0,92) 0,45 0,30 0,31 0,34 0,30 0,36 −0,27 0,57 −0,16 0,35
Limitação/Físico (α=0,83) 0,41 0,31 0,29 0,34 0,31 0,35 −0,31 0,45 −0,17 0,34
Dor (α=0,91) 0,50 0,34 0,35 0,38 0,35 0,41 −0,40 0,57 −0,23 0,41
Saúde Geral (α=0,83) 0,66 0,48 0,47 0,54 0,48 0,56 −0,48 0,74 −0,28 0,55
Vitalidade (α=0,90) 0,73 0,57 0,54 0,61 0,55 0,65 −0,62 0,67 −0,34 0,64
Aspectos Sociais (α=0,80) 0,64 0,48 0,50 0,54 0,47 0,58 −0,57 0,58 −0,35 0,59
Limitação/Emocional (α=0,83) 0,45 0,39 0,35 0,41 0,38 0,43 −0,40 0,41 −0,23 0,41
Saúde Mental (α=0,91) 0,75 0,60 0,59 0,65 0,58 0,70 −0,71 0,63 −0,40 0,71

Nota. P=Emoções Positivas; E=Engajamento; R=Relacionamentos Positivos; M=Sentido de vida; A=Realização; Geral=Fator geral – os cinco fatores do PERMA juntamente com o item de felicidade geral; EN=Emoções Negativas; SF=Saúde Física; S=Solidão; F=Felicidade geral; EBR-HiTOP=Escala de Rastreio da Hierarchical Taxonomy of Psychopatology. SF-36=Short Form Health Survey. O N variou de 10.852 a 10.905. Todos os coeficientes foram significativos com valores de p<0,001 (unicaudal)

Escala Brasileira de Rastreio da Hierarchical Taxonomy of Psychopatology (EBR-HiTOP) (Oliveira & Corrêa, no prelo). O instrumento contém 57 itens representando 11 dimensões de sintomas e traços psicopatológicos: Afetos Negativos (5 itens), Distúrbio do Medo (5 itens), Patologia Alimentar (5 itens), Distúrbios Sexuais (6 itens), Distanciamento Interpessoal (5 itens), Queixas Somáticas (5 itens), Transtornos do Pensamento (5 itens), Externalizante Desinibido (6 itens), Comportamento Antissocial (5 itens), Sintomas Maníacos (5 itens) e Externalizante Antagonista (5 itens). O respondente avalia cada um dos itens a partir de uma escala de frequência de cinco pontos, variando de 1 “nunca” até 5 “sempre”. Os 11 fatores se organizam em duas dimensões de segunda ordem: transtornos internalizantes (incluindo os fatores Afetos Negativos, Distúrbios do Medo, Patologia Alimentar, Distúrbios Sexuais, Distanciamento Interpessoal, Queixas Somáticas e Transtornos do Pensamento) e transtornos externalizantes (abarcando os fatores Externalizante Desinibido, Comportamento Antissocial, Sintomas Maníacos e Externalizante Antagonista). Os coeficientes de alfa de Cronbach encontrados neste estudo para essas duas dimensões de segunda ordem são mostrados na Tabela 4.

Procedimento

Os participantes foram recrutados por meio de convites, contendo o link para o questionário, enviados aos seus endereços de e-mail institucional e convites em redes-sociais (WhatsApp). Os dados foram coletados no período de junho de 2021 a fevereiro de 2022. O acesso à amostra foi oportunizado por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). A equipe de pesquisa e servidores da SENASP divulgaram o estudo para as diferentes instituições de segurança pública. Os participantes foram contatados ou diretamente em seus e-mails institucionais ou por meio da divulgação da pesquisa por parte de suas próprias instituições. Ações sistemáticas de sensibilização para participação na pesquisa foram empregadas de modo a aumentar a adesão ao estudo, dentre elas, reuniões com os representantes institucionais de todas as unidades da federação explicando a pesquisa. Ao acessarem o link, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) era apresentado. Os participantes que consentiam com a participação no estudo, após confirmarem a leitura e o aceite do TCLE, eram direcionados para as perguntas dos questionários. O projeto obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) vinculado à Instituição Centro Universitário IESB, sob o parecer nº 3.965.395.

Análise de dados

Para as análises, incialmente, realizou-se a limpeza no banco de dados, excluindo-se os participantes que deixaram de responder algum dos itens do PERMA-Profiler-Brasil. Dado o grande tamanho da amostra, a aplicação desse critério de exclusão não impacta negativamente o poder das análises estatísticas realizadas. Em seguida, a fim de buscar evidências de validade baseadas na estrutura interna do instrumento, realizaram-se análises fatoriais confirmatórias (AFC). Para tanto, foram testados três modelos, baseados na literatura prévia sobre o instrumento (Butler & Kern, 2016; Carvalho et al., 2021): Modelo A, estrutura de um fator explicando os 15 itens do PERMA e o item de felicidade geral; Modelo B, estrutura de cinco fatores correlacionados do PERMA explicando os seus respectivos itens; Modelo C, estrutura com um fator geral de segunda ordem explicando os cinco fatores do PERMA e o item de felicidade geral. O ajuste dos modelos aos dados foi verificado por meio dos critérios sugeridos pela literatura da área (e.g., Hu & Bentler, 1999), tais como Robust Tucker-Lewis Index (TLI) e Robust Comparative Fit Index (CFI) e Robust Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA) e Standardized Root Mean Squared Error (SRMR). Os critérios de adequação do modelo foram: CFI e TLI>0,95 e RMSEA e SRMR<0,08. Para as análises, utilizou-se o software R versão 4.1.3, no servidor RStudio versão 2022.02.0, por meio do pacote lavaan versão 0.6-7 (Rosseel, 2012) e o estimador weighted least square mean and variance adjusted (WLSMV).

A consistência interna do PERMA-Profiiler-Brasil foi investigada por meio dos métodos do alfa de Cronbach (α), ômega de McDonald (ω) e lambda 6 de Guttman (G-λ6). O alfa de Cronbach (α) é um dos coeficientes mais tradicionais de consistência interna, mas é criticado por seu pressuposto de tau equivalência. O método do ômega de McDonald (ω), por sua vez, baseia-se na estimação estrutural da dimensão, enquanto que o lambda 6 de Guttman (G-λ6) considera a quantidade de variância em cada item que pode ser explicada pela regressão linear de todos os outros itens (correlação múltipla quadrada), ou mais precisamente, a variância dos erros (Revelle, 2013). Assim, buscou-se analisar a consistência interna dos escores fatores do PERMA-Proiiler-Brasil na amostra estudada a partir de três métodos distintos, aumentando assim o nível de informação referente a confiabilidade da medida. Complementarmente, foram calculadas as médias de correlações intra-itens. Para essas análises utilizou-se o pacote “psych” (Revelle, 2013).

Em busca de evidências de validade baseadas nas relações com outras variáveis, testaram-se correlações de Pearson entre os fatores do PERMA-Proiiler-Brasil, os oito fatores da qualidade de vida da SF-36 e os dois fatores de segunda ordem de psicopatologia (internalizante e externalizante) da EBR-HiTOP. Esperava-se encontrar correlações positivas entre o PERMA-Proiiler-Brasil e o SF-36 e correlações negativas entre o PERMA-Proiiler-Brasil e a EBR-HiTOP.

Resultados

A fim de verificar a adequação dos dados à estrutura interna do PERMA-Profiler-Brasil para a amostra de profissionais de segurança pública, testaram-se três modelos por meio de AFC. Os resultados dos modelos podem ser vistos na Tabela 2. Destaca-se que todos os modelos apresentaram adequados índices de ajuste, com exceção do indicador de RMSEA, tendo o modelo de cinco fatores correlacionados (Modelo B) se mostrado superior aos demais.

Tabela 2 Análises Fatoriais Confirmatórias do PERMA-Profiler-Brasil para Profissionais de Segurança Pública 

χ2 rob. gl p CFI TLI RMSEA [IC 90%) SRMR
Modelo A 39425,5 104 <0,001 0,950 0,942 0,185 (0,184; 0,187) 0,050
Modelo B 15964,8 80 <0,001 0,972 0,964 0,134 (0,133; 0,136) 0,035
Modelo C 28156,1 99 <0,001 0,964 0,957 0,161 (0,159; 0,162) 0,044
Item A – um fator B – cinco fatores
Carga Res. P E R M A
Carga Carga Carga Carga Carga Res.
P 3 0,87 0,24 0,89 0,21
13 0,89 0,21 0,92 0,19
22 0,95 0,10 0,94 0,14
E 2 0,69 0,52 0,72 0,52
10 0,89 0,21 0,92 0,17
17 0,15 0,98 0,16 0,98
R 8 0,64 0,59 0,71 0,61
20 0,84 0,30 0,92 0,19
21 0,80 0,35 0,87 0,26
M 7 0,89 0,21 0,92 0,18
9 0,87 0,25 0,89 0,24
19 0,82 0,32 0,85 0,33
A 1 0,82 0,32 0,89 0,22
5 0,80 0,36 0,86 0,25
15 0,66 0,57 0,72 0,66
Feli. 23 0,94 0,11
Correlações entre fatores
P
E 0,93
R 0,88 0,81
M 0,92 0,97 0,86
A 0,85 0,92 0,75 0,91
C – um fator geral de segunda ordem e cinco fatores
Geral Carga Res. Item P Carga E Carga R Carga M Carga A Carga Res.
P 3 0,88 0,23
0,98 0,04 13 0,90 0,19
22 0,96 0,07
E 2 0,72 0,49
0,97 0,07 10 0,93 0,14
17 0,16 0,98
R 8 0,70 0,51
0,89 0,22 20 0,92 0,16
21 0,87 0,25
M 7 0,91 0,16
0,96 0,07 9 0,89 0,21
19 0,85 0,28
A 1 0,89 0,20
0,90 0,20 5 0,86 0,26
15 0,72 0,49
Feli. 0,95 23 0,09

Nota. A=modelo de um fator geral explicando todos os itens do PERMA-Profiler e o item de felicidade; B=modelo de cinco fatores correlacionados explicando seus respectivos itens; C=modelo de um fator geral de segunda ordem explicando os cinco fatores e o item de felicidade geral; χ2 rob.=qui-quadrado robusto; CFI=Comparative Fit Index; TLI=Tucker-Lewis Index; RMSEA=Root Mean Square Error Of Approximation; SRMR=Standardized Root Mean Square Residuals; P=Emoções Positivas; E=Engajamento; R= Relacionamentos Positivos; M=Sentido de Vida; A=Realização; Feli.=item sobre felicidade geral; Carga=carga fatorial; Res.= Variância residual; N=11.001

A investigação da confiabilidade dos escores do PERMA-Profiler-Brasil na amostra de profissionais da segurança pública foi feita com base em diferentes métodos de estimação da consistência interna. Os resultados podem ser vistos na Tabela 3. Todos os fatores apresentaram adequados coeficientes de consistência interna, com exceção do fator Engajamento (E), o qual inclui o item 17, que também apresentou baixa carga fatorial nos modelos estruturais analisados. Diante do importante aumento da confiabilidade do fator Engajamento sem o item 17, esse item foi retirado das análises seguintes.

As relações com outras variáveis podem ser vistas na Tabela 4. Destacam-se as correlações negativas entre os fatores do PERMA-Profiler-Brasil e a dimensão internalizante de psicopatologia, e as relações positivas entre os fatores do PERMA e os fatores Saúde Geral, Vitalidade, Aspectos Sociais e Saúde Mental da medida de qualidade de vida. Essas foram as correlações mais fortes observadas. As demais correlações encontradas foram no sentido esperado, confirmando as expectativas de que níveis mais altos de bem-estar tendem a ser acompanhados de poucos sintomas psicopatológicos e elevada percepção de qualidade de vida.

Discussão

O objetivo deste estudo foi investigar evidências de validade do PERMA-Profiler-Brasil para uma amostra de profissionais da segurança pública. A busca por evidências de validade de instrumentos psicológicos em contextos e populações específicas é uma necessidade a fim de se reconhecer a utilidade dos instrumentos para determinados grupos de pessoas (AERA et al., 2014). Carvalho et al. (2021) já haviam apresentado satisfatórias evidências de validade deste instrumento no Brasil. Contudo, essas evidências foram encontradas a partir de uma amostra majoritariamente universitária. Neste estudo, utilizou-se uma ampla amostra de profissionais de segurança pública (N=11.004) e investigou-se a pertinência do modelo PERMA para a avaliação do bem-estar nesse contexto específico.

Os resultados referentes à estrutura do construto se mostraram consistentes com estudos anteriores, em que o melhor ajuste foi obtido para o modelo de cinco fatores correlacionados (e.g., Butler & Kern, 2016; Carvalho et al., 2021; Chaves et al., 2023; Mendes et al., 2022; Wammerl et al., 2019). Isso mostra que o bem-estar é um construto multidimensional cujos fatores estão positivamente relacionados entre si, sendo possível, portanto, resumi-lo com uma única variável (Butler & Kern, 2016; Seligman, 2018). Contudo, recomenda-se, sempre que possível, abordar o construto de forma multidimensional.

Destaca-se que os valores de RMSEA ficaram acima do ponto de corte esperado nos modelos obtidos. Isso pode ser explicado pelas fortes correlações entre os fatores, indicando que as variâncias dos itens do PERMA podem ser explicadas por diferentes dimensões do modelo. Destaca-se ainda que o índice RMSEA apresenta pior performance do que o SRMR em modelos de análises fatoriais ordinais (Shi et al., 2019). Observa-se que o índice padronizado (SRMR) apresentou valores adequados de ajuste.

Ainda em relação à estrutura fatorial do PERMA-Profiler-Brasïl na amostra de servidores da segurança pública, chama a atenção, o item 17 ter apresentado uma carga fatorial tão baixa, tanto no modelo unidimensional, como no modelo pentafatorial. Resultado semelhante foi encontrado por Carvalho et al. (2021) no Brasil e por Mendes et al. (2022) em Portugal. Uma análise semântica do conteúdo do item permite a inferência de que algumas pessoas podem interpretar a “perda da noção de tempo” (descrita no item) como um comportamento indesejado, caracterizando, por exemplo, uma falta de controle de tempo, distração ou irresponsabilidade. Ainda, destaca-se que o fator que inclui esse item, a saber, Engajamento (E), foi o único que também apresentou coeficientes de consistência interna mais baixos. Ao retirar esse item a consistência interna aumentou. Butler e Kern (2016) listam outras opções de itens que, em estudos futuros, devem ser usados como alternativas para mensurar o domínio Engajamento. Recomenda-se a realização de novas pesquisas em busca de evidências de validade de uma versão atualizada, com novos itens no fator Engajamento do PERMA-Profiler-Brasil.

Além das evidências de validade baseadas na estrutura interna, também se encontraram evidências de validade baseadas nas relações com outras variáveis. Existem diversas evidências de relação negativa entre bem-estar e sintomas psicopatológicos na literatura (e.g., Bartholomaeus et al., 2020; Diener et al., 2017; Ryan et al., 2019). De fato, por definição, um transtorno mental deve estar associado a prejuízos psicossociais e/ou a sofrimento clinicamente significativos (American Psychiatric Association, 2014). Como esperado, encontraram-se correlações negativas entre os fatores do PERMA e as dimensões dos espectros internalizante e externalizante.

A manifestação de sintomas internalizantes e externalizantes é multideterminada e está associada a fatores contextuais. Especificamente em relação ao contexto da segurança pública, Carleton et al. (2018) identificaram que 44,5% de profissionais do Canadá testaram positivo para um ou mais transtornos mentais, o que supera em muito a estimativa da população geral canadense (~10,1%). Conforme os autores, a repetida exposição a situações de risco, de estresse e de vivência de eventos traumáticos se associa a maiores índices de manifestações psicopatológicas. Ademais, instituições de segurança pública são organizações bastante verticalizadas, onde a hierarquia possui um sistema rígido de funcionamento. Pesquisas mostram que a hierarquia está associada a licenças para transtornos mentais (Lima et al., 2015) e estresse ocupacional (Bezerra et al., 2013).

No presente estudo foram observadas correlações mais fortes dos fatores do PERMA com o fator internalizante, em comparação com o fator externalizante. O espectro internalizante envolve sintomas associados ao próprio self, ao passo que o espectro externalizante envolve problemas na relação com o ambiente (Kotov et al., 2017). O espectro internalizante inclui experiências emocionais negativas, perspectivas negativas relacionadas ao self e aos outros e a comportamentos mal adaptativos relacionados ao self, como patologia alimentar, por exemplo (Watson et al., 2022). Esse resultado, indica que níveis mais elevados de sintomas internalizantes tendem a ser acompanhados por níveis mais baixos de bem-estar, ao passo que, embora os sintomas externalizantes também estejam associados a níveis baixos de bem-estar, essa relação não é tão forte em comparação com os sintomas internalizantes. Essa relação mais fraca pode ser explicada pelo fato de muitos sintomas externalizantes (e.g., atitudes hostis), não provocarem necessariamente uma sensação de mal-estar por parte da pessoa que apresenta esses tipos de comportamentos.

Os resultados também confirmaram as esperadas correlações positivas entre as dimensões do modelo PERMA e os fatores de qualidade de vida relacionados à saúde. A experiência subjetiva de se sentir saudável se associou à autopercepção de bem-estar. As correlações mais fortes das variáveis do PERMA-Profiler-Brasil foram em sua maioria com o fator Saúde Mental do SF-36. A única exceção foi a variável Saúde Física do PERMA-Profiler-Brasil que se correlacionou mais fortemente com o fator Saúde Geral do SF-36, que reúne os domínios de percepção de qualidade de vida relacionados à saúde física. Ryan et al. (2019) encontraram um padrão de correlação bastante semelhante, sugerindo que a sensação de bem-estar está mais fortemente associada à percepção de qualidade de vida relacionada à saúde mental do que à saúde física. Esse resultado sublinha a importância da saúde mental em relação ao bem-estar, porque, apesar de dores físicas tenderem a gerar uma sensação de mal-estar, é possível que uma pessoa que esteja com problemas físicos se sinta realizada e feliz, apesar das dores e limitações físicas. Por outro lado, uma pessoa com sua funcionalidade física em pleno vigor pode não se sentir bem por problemas emocionais.

A percepção da qualidade de vida relacionada à saúde implica na sensação de satisfação com o próprio funcionamento físico e mental. A dimensão da saúde física se refere à satisfação da pessoa com suas capacidades para desempenhar suas atividades diárias com autonomia e sem dores (Ciconelli et al., 1999; Ware & Sherbourne, 1992). Por sua vez, a dimensão da saúde mental diz respeito aos recursos internos, sociais e ambientais disponíveis que favorecem uma pessoa a se sentir bem consigo mesma e com o suporte que ela percebe dos outros (Ciconelli et al., 1999; Ware & Sherbourne, 1992). Desse modo, entende-se que profissionais da segurança pública que executam suas atividades com destreza física e sem incômodos corporais, assim como com vitalidade e suporte das pessoas, tendem a experimentar maiores níveis de bem-estar. Desse modo, a promoção de ambientes saudáveis e colaborativos, podem auxiliar na promoção do bem-estar.

Limitações e Estudos Futuros

Apesar de o presente estudo ter contato com uma grande amostra da população de interesse, isto é, agentes da segurança pública do Brasil, a coleta de dados foi feita de forma on-line e, portanto, sujeita aos vieses específicos dessa modalidade. Assim, não se tem segurança se as condições dos participantes, durante a resposta aos instrumentos desta pesquisa, eram apropriadas, como tempo hábil e privacidade para completar a participação. Entretanto, convém destacar que uma meta-análise identificou que pesquisas realizadas online ou presenciais são comparáveis, isto é, possuem variâncias de erro similares (Weigold et al., 2018). Ademais, não foram empregadas nesta pesquisa estratégias para o controle da qualidade das respostas dos participantes, podendo existir vieses de desatenção, de desejabilidade social, de aquiescência, entre outros. Recomenda-se que em estudos futuros sejam incluídas técnicas de controle de qualidade das respostas. Ademais, recomenda-se o desenvolvimento de estudos que verifiquem a relação das dimensões do PERMA-Profiler-Brasil com desfechos e variáveis típicos do contexto da segurança pública, como aqueles relacionados ao clima organizacional, demandas e recursos no trabalho, desfechos de saúde e de desempenho. Assim, as intervenções para essa população podem ser desenhadas com base em evidências empíricas. Por fim, a impossibilidade de identificação do quantitativo de participantes por tipo de instituição de segurança pública limitam a generalização dos achados para toda a população de profissionais da segurança pública. Estudos futuros que utilizem amostras representativas de cada uma das instituições, que possuem características distintas entre si, podem subsidiar informações acerca da replicabilidade dos achados.

Conclusão

Ao que se conhece, esse é o primeiro estudo que investigou as propriedades psicométricas do PERMA-Profiler-Brasil em uma ampla amostra de servidores da segurança pública brasileira. Os resultados mostraram evidências de validade e de fidedignidade desse instrumento para a avaliação do bem-estar nessa população. Somente um item (item 17 do fator Engajamento) se mostrou inadequado para o modelo, sugerindo-se que em estudos futuros esse item seja substituído por outro que contemple de forma mais adequada o construto. Para além disso, os dados mostraram que os níveis de problemas internalizantes e de percepção de qualidade de vida relacionada à saúde mental dos profissionais de segurança pública se associaram fortemente à sensação de bem-estar. Esses resultados salientam a importância do cuidado à saúde mental desses servidores.

Financiamento

Todas as fontes de financiamento para elaboração e produção do estudo (coleta, análise e interpretação dos dados, bem como, escrita dos resultados no presente no manuscrito) foram fornecidas pelo projeto de pesquisa “Avaliação da Saúde e de Proposições de Intervenção na Área de Segurança Pública – Estudo Nacional”, realizada em todo território brasileiro, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED Nº 009/2019/CGPP/DPSP/SENASP) entre a Universidade de Brasília (UnB) e o Ministério da Justiça/Secretaria Nacional de Segurança Pública (MJ/SENASP). O projeto foi realizado no Centro de Pesquisa em Avaliação e Tecnologias Sociais e coordenado pela profa Dra Cristiane Faiad.

Disponibilidade de dados e materiais

Todos os dados e sintaxes gerados e analisados durante esta pesquisa serão tratados com total sigilo devido às exigências do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.

Agradecimentos

Agradecemos ao Ministério da Justiça/Secretaria Nacional de Segurança Pública (MJ/SENASP) pelo fomento por meio do Termo de Execução Descentralizada (TED Nº 009/2019/CGPP/DPSP/SENASP) com a Universidade de Brasília (UnB). Agradecemos aos coordenadores do projeto da UnB, do qual os dados desta pesquisa foram derivados, aos colaboradores da SENASP e aos servidores da segurança pública que participaram do estudo.

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Recebido: 01 de Março de 2023; Aceito: 01 de Setembro de 2023

1 Endereço para correspondência: Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro, ICC Sul, Instituto de Psicologia, 70910-900, Brasília, DF. Tel.: (61) 3107-6624. E-mail:sesoliveira@unb.br

Conflitos de interesses

Os autores declaram que não há conflitos de interesses.

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