O suporte social pode ser caracterizado a partir da percepção, por parte dos indivíduos, de processos em que auxílios materiais e psicológicos são ofertados aos mesmos. Esses auxílios podem potencializar aspectos positivos em relação à saúde mental e física – impactando no bem-estar (Rodriguez & Cohen, 1998). No contexto de trabalho, Eisenberger et al. (1986) foram os pioneiros na literatura científica a abordarem sobre o conceito. De acordo com os autores, este construto está associado à percepção desenvolvida pelo trabalhador acerca do quanto a organização o valoriza e cuida de seu bem-estar. Em acréscimo, está relacionado à qualidade do tratamento percebido pelo trabalhador em retribuição aos esforços despendidos, sendo este apoio, se positivo, constantemente relacionado a indicadores de bem-estar, engajamento e qualidade de vida no trabalho. Por sua vez, se percebido de forma negativa, tende a se associar com indicadores de desmotivação, estresse, depressão e burnout (Eisenberger et al., 2020; Rockstuhl et al., 2020).
Os mesmos autores afirmaram que há três tipos de suportes amplamente estudados, sendo: (a) suporte social informacional, que baseia-se na percepção do indivíduo acerca da qualidade da informação que recebe de sua rede de apoio, como familiares, amigos, colegas de trabalho, dentre outros; (b) suporte social emocional, caracteriza-se pela percepção do indivíduo de que em sua rede de apoio (família, amigos, trabalho etc.), há pessoas que se possa confiar, que demonstrem preocupação e valorização para contigo; e (c) suporte social instrumental, que perpassa pela percepção do indivíduo de que sua rede de apoio oferece insumos materiais e financeiros, ou seja, apoio de ordem prática.
Com base nos pressupostos da teoria de suporte social de Rodriguez e Cohen (1998), Gomide Junior et al., (2004), elaboraram itens relacionados ao contexto laboral brasileiro e propuseram a Escala de Percepção de Suporte Social no Trabalho – EPSST. A medida foi construída e validada com o objetivo de mensurar a percepção dos trabalhadores acerca do suporte social oferecido por organizações onde trabalhavam. Inicialmente, a escala foi composta por 32 itens, porém após a apreciação por juízes foram reduzidos para 21 itens. O processo de validação com base na estrutura interna ocorreu mediante a aplicação da escala em 210 funcionários de empresas públicas e privadas. A escala foi submetida à análise de componentes principais, utilizando como critério de retenção dos fatores, os autovalores iguais ou maiores a 1,00; foram consideradas cargas fatoriais iguais ou acima de 0,30. Posteriormente, a escala foi submetida à análise fatorial utilizando a fatoração pelos eixos principais, com rotação oblíqua (oblimin) e com cargas fatoriais iguais ou acima de 0,35 – a indicação de retenção foi de três fatores.
A versão final da medida de Gomide Junior et al., (2004) é composta por 18 itens, divididos em três fatores, sendo: suporte social informacional (sete itens); suporte social emocional (seis itens) e suporte social instrumental (cinco itens). Os itens são respondidos em uma escala tipo Likert de 4 pontos (1 – discordo completamente; 2 – discordo parcialmente; 3 – concordo parcialmente; 4 – concordo completamente). Quanto à consistência interna, foi aferida mediante o alfa de Cronbach, que apresentou valores aceitáveis, sendo: suporte social emocional (α=0,83); suporte social instrumental (α=0,72) e suporte social informacional (α=0,85).
Há estudos que utilizaram a EPSST, como Moraes (2019), que investigou os impactos da liderança autêntica e da percepção de suporte social no trabalho, no engajamento de trabalhadores de empresas públicas e privadas. Lima (2021), que teve como objetivo analisar a relação entre condições de trabalho, percepção de suporte social no trabalho e a prevalência de transtornos mentais comuns e danos físicos entre os docentes da rede estadual de ensino. Böttcher e Monteiro (2021), que investigaram a influência dos fatores que compõem a percepção de sucesso na carreira, do suporte social no trabalho, autoeficácia e esperança deposicional sobre o engajamento no trabalho de gestores. Todavia, não há relatos nessas pesquisas a respeito das qualidades psicométricas da EPSST em relação às amostras estudadas.
Foi recuperado na literatura científica apenas um artigo que se propôs a investigar as qualidades psicométricas da EPSST com grupo semelhante (bombeiros militares) ao da presente pesquisa (Lopes, 2017). No referido estudo, testou-se as qualidades psicométricas da EPSST com uma amostra de 117 bombeiros militares do 2º Batalhão de Bombeiros Militares (2º BBM) de Campina Grande. A autora utilizou a análise dos componentes principais com rotação oblimin, fixando em três o número de fatores a serem extraídos e utilizando como critério de retenção dos fatores, os eigenvalues >1 e o Scree Plot. Os resultados apontaram para a retenção de três fatores com cargas fatoriais acima de 0,40. Apesar dos carregamentos dos itens serem diferentes em relação ao estudo original, a estrutura fatorial apresentou consistência interna satisfatória, sendo: suporte informacional (α = 0,90), suporte social emocional (α = 0,83) e suporte social instrumental (α=0,83).
Após o estudo de Lopes (2017), não foram encontradas na literatura científica outras pesquisas que tivessem como objetivo realizar estudos psicométricos para a EPSST com grupos amostrais de agentes de segurança pública, que são compostos por policiais militares, policiais civis, policiais penais, policiais federais, policiais técnicos-científicos, integrantes do corpo de bombeiros militares, policiais rodoviários federais e agentes penitenciários. No escopo da atividade laboral deste grupo amostral, pode-se destacar a busca por promover segurança e bem-estar para a população; a rígida disciplina nos processos de execução das atividades e a condução de situações imprevistas no âmbito do trabalho. Logo, considerando a potencialidade de adoecimento destes profissionais neste contexto, há a necessidade de atentar-se para variáveis organizacionais relacionadas à promoção de saúde integral, entre elas, o suporte social no trabalho (Ministério da Justiça & Secretaria Nacional de Segurança Pública, 2022).
Nesse sentido, a presente investigação se faz pertinente uma vez que o objetivo consistiu em submeter a EPSST à busca por fontes de evidências de validade baseadas na estrutura interna e aferição da consistência interna, tendo como público-alvo os profissionais de segurança pública de diversas corporações. A relevância de se investigar as propriedades psicométricas da medida em uma amostra diferente da utilizada na construção da mesma, é respaldada ao considerar que evidências de validade são contextuais e não universais. Desse modo, o estudo psicométrico da EPSST visa garantir que as interpretações dos escores se aplicam ao contexto da segurança pública, amostra essa investigada neste estudo (AERA et al., 2014).
Método
Participantes
A amostra desta pesquisa foi composta por 9.591 agentes da segurança pública, de todas as unidades federativas do Brasil, entre policiais militares, policiais civis, policiais penais, policiais técnicos-científicos, integrantes do corpo de bombeiros militares, policiais rodoviários federais e agentes do Departamento Penitenciário Nacional . O método de amostragem foi não probabilístico por conveniência.
Do total, 83,1% (f =8.029) dos respondentes eram do sexo masculino e 15,9% (f=1.527) do sexo feminino, sendo a média de idade de 40 anos (DP=7,69). Em relação ao estado civil, 73,9% (f=7.086) afirmaram que estavam casados(as) ou em união estável. Sobre a renda familiar, 32,7% (f=3.136) recebiam entre 3 e 5 salários-mínimos, 24,4 % (f =2.337) entre 5 e 7 salários-mínimos, 18,8% f=1.801) entre 7 e 10 salários-mínimos, 16,7% (f=1.606) acima de 10 salários-mínimos e 7,4% (f=711) entre 1 e 3 salários-mínimos. O tempo médio de serviço na instituição foi de 14 anos (DP=8,14).
Instrumentos
Questionário sociodemográfico. Elaborado visando a caracterização da amostra, instrumento foi composto por itens sobre: instituição de trabalho (corporação), sexo, idade, estado civil, renda familiar, tempo de serviço etc.
Escala de Percepção de Suporte Social no Trabalho (EPSST). Construída e com evidências de validade baseada na estrutura interna por Gomide Junior et al. (2004), mensura a percepção dos indivíduos acerca do suporte social oferecido por organizações onde trabalham. É composta por 18 itens, divididos em três dimensões, como: “As informações importantes para o trabalho são repassadas com agilidade” (percepção de suporte social informacional no trabalho); “As pessoas são amigas umas das outras” (percepção de suporte social emocional no trabalho); “Há ajuda financeira para que seus empregados se especializem” (percepção de suporte social instrumental/material no trabalho). Em relação a fidedignidade, a escala apresenta os seguintes valores de alfa de Cronbach, sendo: percepção de suporte social informacional (α=0,90), percepção de suporte social emocional (α=0,83) e percepção de suporte social instrumental (α=0,83). Os itens são respondidos em uma escala tipo Likert de 4 pontos (1 – discordo completamente; 2 – discordo parcialmente; 3 – concordo parcialmente; 4 – concordo completamente).
Procedimento
Os dados do presente estudo foram extraídos da pesquisa intitulada “Avaliação da Saúde e de Proposições de Intervenção na Área de Segurança Pública- Estudo Nacional”, realizada em todo território brasileiro, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED Nº 009/2019/CGPP/DPSP/SENASP) com a Universidade de Brasília (UnB). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa vinculado ao Centro Universitário de Brasília, sob o parecer nº3.965.395.
Por conta do sigilo, confidencialidade e sensibilidade das informações, a coleta de dados foi realizada por meio de uma plataforma on-line desenvolvida especificamente para a pesquisa, identificada como Sistema de Avaliação de Saúde da Segurança Pública – SASSP. Os participantes foram convidados a participar do estudo por meio de seus e-mails institucionais e por meio de mensagem via WhatsApp. Ao acessarem o link que conduzia à plataforma de coleta de dados, os participantes eram apresentados ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Após consentirem com a participação no estudo, os participantes tinham acesso aos questionários. A coleta ocorreu em dois momentos distintos, sendo: a) primeira coleta realizada entre junho e novembro de 2021; segunda coleta realizada entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022. Ressalta-se que a reabertura para a segunda coleta ocorreu após a decisão em relação a um termo aditivo no âmbito do Termo de Execução Descentralizada.
Análise de dados
Para caracterização da amostra, foram realizadas estatísticas descritivas (frequência, percentual, média, desvio padrão) por meio do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 25. Posteriormente, buscou identificar se os dados satisfaziam os pressupostos da Análise Fatorial Exploratória (AFE), a saber: fatorabilidade e normalidade dos dados (Hair et al., 2019). Por meio da linguagem de programação R, buscou-se identificar evidências de validade baseada na estrutura interna da Escala de Percepção de Suporte Social no Trabalho, realizou-se uma AFE e, a decisão sobre a quantidade de fatores a serem retidos se deu por intermédio da análise paralela (Damásio, 2012).
Em segundo momento foi realizada uma Análise Fatorial Confirmatória (AFC), testou-se o modelo multifatorial correlacionado, considerando a estrutura encontrada na AFE. Utilizou-se o método Weighted Least Squares Mean and Variance Adjusted (WLSMV). A adequação do modelo foi avaliada pelos índices de ajustes, sendo: Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA), que é um valor representativo da qualidade do ajuste que poderia ser esperado para os dados, caso o modelo fosse estimado na população, sendo que valores iguais ou abaixo a 0,08 são considerados desejáveis (Hair et al., 2019; Thompson, 2004). O Comparative Fit Index (CFI) e o Tucker-Lewis Index (TLI), que são índices de ajustes comparativos (do modelo existente a um modelo nulo, sendo que o modelo nulo é considerado um modelo insatisfatório, em que as covariâncias dos itens é zero), procurando levar em consideração a complexidade do modelo, valores superiores a 0,90 são desejados para ambos os índices (Bentler & Bonett, 1980; Hu & Bentler, 1999; Thompson, 2004).
Para a confiabilidade dos fatores da escala, ou seja, a possibilidade de a estrutura ser replicável em estudos diferentes, foram estimados o coeficiente de alfa de Cronbach (α), o lambda de Guttman (λ) e o ômega de McDonald’s (ω). Nos três indicadores são esperados valores acima de 0,70 (Campo-Arias & Oviedo, 2008).
O estudo foi organizado em três etapas, sendo: a primeira foi realizada a AFE do conjunto de itens da EPSST em uma amostra de 4.795 agentes da segurança pública; a segunda etapa consistiu na AFC com base em uma amostra de 4.796 agentes da segurança pública (por decisão metodológica dos autores, a amostra total foi dividida em duas subamostras de forma aleatória por meio da linguagem de programação R); e na terceira, considerando a amostra total deste estudo (n=9.591), foram verificadas as estimativas de precisão para a EPSST por intermédio do alpha de Cronbach, lambda de Guttman e o ômega de McDonald’s.
Resultados
Inicialmente, buscou-se verificar a possibilidade de fatorabilidade da matriz, mediante o teste de esfericida-de de Bartlett (111448,03, gl=153, p<0,000) e Kaiser-Meyer-Olkin (0,94), que sugeriram interpretabilidade da matriz de correlação dos itens. É possível observar na Figura 1, os resultados em relação a retenção dos fatores na AFE.
Por meio da análise paralela foi possível constatar três fatores com autovalores superiores a 1,0 , e que apresentaram valores maiores do que os autovalores obtidos por meio dos dados aleatórios. Nessa mesma direção, solicitou-se a retenção de itens cujas cargas fatoriais fossem superiores a 0,30 (Damásio, 2012).
Dos 18 itens da EPSST, dois foram retirados, o primeiro [7 – “pode-se confiar nos superiores”] por apresentar cargas fatoriais acima de 0,30 em mais de um fator, e o segundo item [13 – “os empregados têm os equipamentos necessários para desempenharem suas tarefas”], pertencente ao fator de percepção de suporte social informacional, que, embora tenha apresentado carga fatorial acima de 0,30, carregou no fator de percepção de suporte social instrumental/material no trabalho. A versão da EPSST após AFE foi composta por 16 itens, que podem ser observados na Tabela 1.
Tabela 1 Distribuição dos itens da EPSST após AFE e respectivas cargas fatoriais (n=4.765)
| Itens | 1 | 2 | 3 |
|---|---|---|---|
| [17] Os superiores compartilham as informações importantes com os empregados. | 0,92 | ||
| [18] As informações importantes para o trabalho são compartilhadas por todos. | 0,91 | ||
| [16] As informações importantes para o trabalho são repassadas com agilidade. | 0,90 | ||
| [9] As pessoas são informadas sobre as decisões que envolvem o trabalho que realizam. | 0,79 | ||
| [8] As informações circulam claramente entre os setores da Instituição. | 0,72 | ||
| [12] Há facilidade de acesso às informações importantes. | 0,64 | ||
| [3] As pessoas são amigas umas das outras. | 0,97 | ||
| [1] As pessoas gostam umas das outras. | 0,87 | ||
| [2] As pessoas podem compartilhar umas com as outras seus problemas pessoais. | 0,76 | ||
| [6] Pode-se confiar nas pessoas. | 0,70 | ||
| [15] As pessoas se preocupam umas com as outras. | 0,70 | ||
| [4] Há recompensa financeira pelos esforços dos empregados. | 0,74 | ||
| [11] Há ajuda financeira para que seus empregados se especializem. | 0,72 | ||
| [14] São pagos salários compatíveis aos esforços dos empregados. | 0,67 | ||
| [5] Os equipamentos estão sempre em boas condições de uso. | 0,48 | ||
| [10] Existe o cumprimento das obrigações financeiras com os empregados. | 0,38 | ||
| Quantidade de itens | 6 | 5 | 5 |
Nota. 1 – Suporte social informacional; 2 – Suporte social emocional; 3 – Suporte social instrumental ou material
O primeiro fator, denominado suporte social informacional, foi composto por seis itens (com cargas fatoriais entre 0,64 e 0,92), que avaliam o quanto o trabalhador percebe o apoio por parte de superiores e colegas de trabalho, acerca da qualidade da circulação de informações no contexto laboral. O segundo fator, suporte social emocional, possui cinco itens (cargas fatoriais entre 0,70 e 0,97), que mensuram a percepção de apoio laboral em termos de afetividade (sentir-se respeitado e que os superiores e colegas de trabalho confiam e se preocupam com o mesmo). O último fator da EPSST, suporte social instrumental ou material, aglutinou cinco itens (cargas fatoriais entre 0,38 e 0,74), que avaliam a percepção de suporte prático recebido.
A segunda etapa deste estudo foi a condução da AFC em uma amostra de 4.796 agentes de segurança pública, para o conjunto de 16 itens gerados a partir da AFE. Foram verificadas algumas medidas para se constatar a qualidade de ajuste entre o modelo proposto e os dados obtidos por meio da amostra, a saber: CFI, RMSEA e TLI. No conjunto de dados, o índice CFI obtido foi de 0,97, considerado adequado. O valor do RMSEA foi de 0,09, estando pouco acima do considerado adequado. Por fim, o TLI apresentou valor de 0,96, considerado adequado (Bentler & Bonett, 1980; Hair et al., 2019; Hu & Bentler, 1999; Thompson, 2004).
A Tabela 2 apresenta a distribuição dos itens da EPSST após procedimento de AFC, por meio da qual pode-se constatar que a estrutura com três fatores da escala se mostrou plausível ao conjunto de dados do presente estudo.
Tabela 2 Distribuição dos Itens da EPSST após AFC e suas respectivas cargas fatoriais (n=4.796)
| Itens | 1 | 2 | 3 |
|---|---|---|---|
| [17] Os superiores compartilham as informações importantes com os empregados. | 0,91 | ||
| [18] As informações importantes para o trabalho são compartilhadas por todos. | 0,91 | ||
| [16] As informações importantes para o trabalho são repassadas com agilidade. | 0,90 | ||
| [9] As pessoas são informadas sobre as decisões que envolvem o trabalho que realizam. | 0,87 | ||
| [8] As informações circulam claramente entre os setores da Instituição. | 0,87 | ||
| [12] Há facilidade de acesso às informações importantes. | 0,81 | ||
| [3] As pessoas são amigas umas das outras. | 0,88 | ||
| [1] As pessoas gostam umas das outras. | 0,86 | ||
| [2] As pessoas podem compartilhar umas com as outras seus problemas pessoais. | 0,75 | ||
| [6] Pode-se confiar nas pessoas. | 0,86 | ||
| [15] As pessoas se preocupam umas com as outras. | 0,89 | ||
| [4] Há recompensa financeira pelos esforços dos empregados. | 0,66 | ||
| [11] Há ajuda financeira para que seus empregados se especializem. | 0,70 | ||
| [14] São pagos salários compatíveis aos esforços dos empregados. | 0,75 | ||
| [5] Os equipamentos estão sempre em boas condições de uso. | 0,84 | ||
| [10] Existe o cumprimento das obrigações financeiras com os empregados. | 0,60 | ||
| Quantidade de itens | 6 | 5 | 5 |
Nota. 1 – Suporte social informacional; 2 – Suporte social emocional; 3 – Suporte social instrumental ou material
Como pode ser observado, em ambos os procedimentos executados (AFE e AFC), o modelo de três fatores foi constatado, com a permanência da mesma estrutura de itens por fatores (cargas fatoriais variaram entre 0,60 e 0,91, na AFC). A seguir serão apresentadas as estimativas de precisão considerando a amostra total da pesquisa.
Tabela 3 Indicadores de Precisão dos Fatores da EPSST (n=9.591)
| Fatores | Alpha de Cronbach | Lambda de Guttman | Ômega de McDonald’s |
|---|---|---|---|
| Fator 1 – Suporte social informacional | 0,93 | 0,92 | 0,94 |
| Fator 2 – Suporte social emocional | 0,89 | 0,88 | 0,91 |
| Fator 3 – Suporte social instrumental ou material | 0,76 | 0,73 | 0,78 |
Por fim, foram realizadas análises quanto à consistência interna dos fatores da EPSST, considerando a totalidade da amostra (n = 9.591). Quanto aos resultados de consistência interna, todos os indicadores foram adequados, com valores superiores a 0,70 (Campo-Arias & Oviedo, 2008).
Discussão
O presente estudo alcançou o objetivo inicialmente proposto de apresentar evidências de validade baseadas na estrutura interna e aferição da consistência interna da EPSST. Ao comparar os resultados encontrados na presente pesquisa com os resultados da escala original (Gomide Júnior et al., 2008), foi possível perceber que a quantidade de fatores retidos em ambos os estudos foram três, ou seja, se mantiveram semelhantes – apesar do método de estimação e da técnica de retenção de fatores serem diferentes.
Em relação às cargas fatoriais, o ponto de corte adotado para ambos os estudos foi o mesmo, a saber 0,30. Todavia, ao contrário do estudo original, o item “[7] – pode-se confiar nos superiores”, apresentou carga fatorial acima de 0,30 em mais de um fator, e o item “[13] – os empregados têm equipamentos necessários para desempenharem suas tarefas”, carregou em um fator diferente da estrutura original – o que resultou na exclusão dos mesmos (Guilford & Fruchter, 1978). A versão original da medida (Gomide Júnior et al., 2008), apresentou uma estrutura fatorial com 18 itens, enquanto esta versão com amostra exclusiva de agentes da segurança pública brasileira apresentou uma estrutura com 16 itens.
Em relação à consistência interna, neste estudo com agentes de segurança pública brasileira e no estudo de Gomide Júnior et al. (2008), foram encontrados indicadores satisfatórios de precisão, ou seja, acima de 0,70 conforme postularam Campo-Arias e Oviedo (2008). Entretanto, cabe ressaltar que Gomide Júnior et al. (2008), no estudo original, utilizaram somente o indicador de alfa de Cronbach, enquanto nesta versão, além do alfa de Cronbach, incluiu-se os indicadores Lambda de Guttman e Ômega de McDonald’s. A inclusão destes indicadores respalda-se ao considerar algumas limitações que o Alfa de Cronbach pode apresentar, a saber: premissa da tau-equivalência; premissa dos itens contínuos com distribuições normais e premissa dos erros não correlacionais. Em contraponto, os indicadores adicionais apresentaram um bom desempenho em estudos anteriores, não se utilizam de suposições tão rigorosas como o alfa de Cronbach e são conceitualmente semelhantes ao mesmo (Hauck-Filho & Valentini, 2020; McNeish, 2018). Desse modo, acredita-se que a apresentação destes indicadores pode ser considerada uma vantagem em termos psicométricos.
Outro avanço que este estudo apresentou, quando comparado ao de construção do instrumento, foi a realização de análises mais robustas no processo de busca por evidência de validade com base na estrutura interna, com a utilização de procedimentos de análise fatorial confirmatória dos itens. Conforme visualizado nos resultados, foi possível observar a mesma estrutura de itens da análise fatorial exploratória e com índices de ajustes adequados (Bentler & Bonett, 1980; Hair et al., 2019; Hu & Bentler, 1999; Thompson, 2004), o que sugere a confirmação da estrutura encontrada.
Acredita-se que o presente estudo contribuiu ao apresentar evidências robustas baseadas na estrutura interna da medida, o que impacta positivamente em termos de mensuração válida e precisa da percepção de suporte social no trabalho em agentes de segurança pública. Apesar da contribuição para o contexto de segurança pública, a pesquisa também apresenta uma possível limitação, sendo a divisão da amostra para a realização da AFE e a da AFC. Em relação a esse procedimento metodológico, não há evidências precisas na literatura que direcionem a realizar ou não realizar a divisão de amostra para a análise fatorial; e não há um consenso claro entre pesquisadores em relação às implicações desse procedimento metodológico (Damásio, 2012; Orcan, 2018). Apesar disso, no presente estudo, pode-se concluir que a EPSST apresentou indicadores psicométricos satisfatórios, mostrando-se adequada para mensuração do construto em futuras pesquisas com amostras de agentes de segurança pública.
Sugere-se que em estudos futuros, seja realiza análise fatorial confirmatória multigrupo, com o objetivo de testar se a estrutura encontrada e os parâmetros da medida são equivalentes (invariantes) em relação às instituições de segurança pública e em relação ao sexo dos participantes – considerando que na presente pesquisa, houve um tamanho amostral maior de participantes do sexo masculino quando comparado com participantes do sexo feminino. Além disso, novos estudos com a aplicação da EPSST e outros instrumentos (relacionados, por exemplo, a bem-estar e satisfação no trabalho, e outros associados à saúde mental, como estresse, indicadores de depressão e burnout) podem ser aplicados em amostras de profissionais da segurança pública, visando a verificação de evidências de validade com base na relação com outras variáveis. Também pode-se considerar, enquanto agenda de pesquisa, a realização de estudos normativos no que tange à percepção de suporte social no trabalho, a partir da EPSST, para profissionais da segurança pública.














