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Avaliação Psicológica

versão impressa ISSN 1677-0471versão On-line ISSN 2175-3431

Aval. psicol. vol.24  Campinas  2025  Epub 15-Set-2025

https://doi.org/10.15689/ap.2025.24.e24040 

Relato de pesquisa

Validação do Inventário de Perspectiva Temporal de Zimbardo-ZTPI com Trabalhadores Maduros

Validation of the Zimbardo Time Perspective Inventory-ZTPI with Mature Workers

Validación del Inventario de Perspectiva de Tiempo de Zimbardo-ZTPI con Trabajadores Maduros

Andreia Pereira de Souza

possui graduação em Psicologia pela Universidade Santa Úrsula. Tem experiência na área de Psicologia do Trabalho e Organizacional. Mestre em Psicologia Social pela Universidade Salgado de Oliveira e atualmente Doutoranda em Psicologia pela Universo.

1  1  , participaram da redação inicial do estudo, conceitualização, investigação, visualização, participaram da elaboração do manuscrito, declaram que estão de acordo com o conteúdo do manuscrito submetido à revista Avaliação Psicológica
http://orcid.org/0000-0002-0167-968X

Lucia Helena de Freitas Pinho França

é Prof. titular do PPG em Psicologia na UNIVERSO. PhD em Psicologia, University of Auckland, NZ (2004). Tem apoio da FAPER e é bolsista de Produtividade do CNPq. Coordenadora do Laboratório do Envelhecimento no Contexto Organizacional e Social – LECOS. Orientadora de Doutorado.

1  , participaram da redação inicial do estudo, conceitualização, investigação, visualização, participaram da elaboração do manuscrito, declaram que estão de acordo com o conteúdo do manuscrito submetido à revista Avaliação Psicológica
http://orcid.org/0000-0003-0676-3757

Larissa Maria David Gabardo-Martins

possui Graduação, Mestrado e Doutorado em psicologia pela Universidade Salgado de Oliveira- UNIVERSO. Tem pós-graduação em Apoio Matricial e atuação em Psicologia Positiva, Organizacional e do Trabalho e Clínica. Professora do PPG em Psicologia da UNIVERSO.

1  , participou da análise dos dados, da redação final do trabalho, revisão e edição, participaram da elaboração do manuscrito, declaram que estão de acordo com o conteúdo do manuscrito submetido à revista Avaliação Psicológica
http://orcid.org/0000-0003-1356-8087

Silvia Miranda Amorim

é professora adjunta da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia: Cognição e Comportamento. Coordena atividades de pesquisa e extensão no Laboratório de Estudos sobre Trabalho, Sociabildiade e Saúde – LETSS da mesma Universidade.

2  , participou da redação final do manuscrito e da revisões realizadas a partir das análises dos avaliadores, participaram da elaboração do manuscrito, declaram que estão de acordo com o conteúdo do manuscrito submetido à revista Avaliação Psicológica
http://orcid.org/0000-0002-3066-0005

1Universidade Salgado de Oliveira – Universo, Rio de Janeiro-RJ, Brasil

2Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte-MG, Brasil


RESUMO

A Perspectiva de Tempo é um tema pouco explorado e mensurado na Psicologia, principalmente diante do acelerado processo de envelhecimento e a relevância de os trabalhadores maduros equilibrarem o passado, presente e expectativas de futuro quando consideram o planejamento da aposentadoria. O estudo objetivou acumular evidências de validade do Inventário de Perspectiva Temporal – ZTPI com 511 trabalhadores brasileiros maduros – 45 anos ou mais – de uma empresa brasileira. As análises fatoriais exploratórias e confirmatórias emergiram 37 itens agrupados em cinco fatores: passado negativo, passado positivo, futuro, presente fatalista e presente hedonista, com consistência interna (α) 0,82, 0,66, 0,68, 0,77 e 0,78, respectivamente. O relacionamento com a organização, situação econômica e saúde percebida se correlacionaram significativamente com três dimensões do ZTPI: passado negativo, presente hedonista e futuro. Recomendam-se futuras investigações utilizando o ZTPI e o planejamento da aposentadoria.

Palavras-chave: Inventário; Aposentadoria; Futuro; Planejamento

ABSTRACT

Time Perspective is a topic that has been little explored and measured in Psychology, especially given the accelerated aging process and the importance of mature workers balancing their past, present, and future expectations when considering retirement planning. This study aimed to present additional evidence of validity for the Zimbardo Time Perspective Inventory – ZTPI, with 511 mature Brazilian workers – 45 years of age or over – from a Brazilian company. Exploratory and confirmatory factor analyses revealed 37 items grouped into five factors: negative past, positive past, future, fatalistic present, and hedonistic present, with internal consistency (α) of .82, .66, .68, .77, and .78, respectively. The relationship with the organization, economic situation, and perceived health correlated significantly with the three dimensions of the ZTPI: negative past, hedonistic present, and future. Further studies on retirement planning using the ZTPI are needed.

Keywords: inventory; retirement; future; planning

RESUMEN

La Perspectiva Temporal es un tema poco explorado y medido en Psicologia, especialmente dado el acelerado proceso de envejecimiento y la relevancia de que los trabajadores maduros equilibren las expectativas pasadas, presentes y futuras al considerar la planificación de la jubilación. El estudio tuvo como objetivo presentar evidencias de validez del Inventario de Perspectiva Temporal – ZTPI con 511 trabajadores brasileños maduros – de 45 años o más – de una empresa brasileña. Del análisis factorial exploratorio y confirmatorio surgieron 37 items agrupados en cinco factores: pasado negativo, pasado positivo, futuro, presente fatalista y presente hedonista, con consistencia interna (α) 0,82, 0,66, 0,68, 0,77 y 0,78, respectivamente. La relación con la organización, la situación económica y la salud percibida se correlacionaron significativamente con tres dimensiones del ZTPI: pasado negativo, presente hedonista y futuro. Se recomiendan investigaciones futuras utilizando el ZTPI y la planificación de la jubilación.

Palabras clave: inventario; jubilación; futuro; planificación

O tempo representa uma variável psicológica importante na existência do ser humano (Leite, 2014). Kurt Lewin (1951/1967) foi um dos principais propagadores da perspectiva temporal, definindo-a como a totalidade de perspectivas que um individuo tem do seu passado e futuro psicológicos num determinado momento.

Existe uma dificuldade na definição do conceito tempo que pode ser esclarecida pela carência de estudos na

Psicologia. A perspectiva temporal tem sido considerada uma dimensão complexa e que tem influência na psique dos individuos, embora não exista um consenso entre os pesquisadores. Estudiosos têm procurado uma explicação para a experiência temporal das pessoas e suas influências nas cognições, emoções e comportamentos (Echeverria, 2011).

O Modelo Teórico da Perspectiva Temporal de Zimbardo (Zimbardo & Boyd, 1999) foi baseado nas ideias de Kurt Lewin (1951/1967) e estabelece que as dimensões presente, passado e futuro exercem influência sobre cognições, comportamentos, tomada de decisão e resolução de problemas. Zimbardo e Boyd propuseram que a perspectiva temporal (PT) fosse subdividida em cinco construtos. O primeiro construto – PT futuro, evidencia que as decisões são influenciadas pela representação da abstração da mente de futuras consequências e promessa de recompensas no futuro; o PT passado se distingue em passado-negativo com foco em experiências pessoais que foram desagradáveis; o PT passado-positivo tem foco na tradição, em um passado com ênfase em conservar as relações com familiares e amigos; o PT presente se diferencia em presente-hedonista que é caracterizado pela busca do prazer e abertura a aventuras; o quinto e último construto – PT presente-fatalista que está associado ao desamparo e uma crença de que o controle é externo.

Segundo os autores, a forma como as pessoas se concentram no passado, no presente ou no futuro e como isso influencia seu comportamento é conhecida como perspectiva do tempo. Os autores introduzem também o conceito de perspectiva de tempo equilibrada, que está relacionada ao bem-estar psicológico. Nesse contexto, espera-se que uma pessoa com uma perspectiva de tempo equilibrada tenha uma orientação temporal flexível, predominantemente voltada para aspectos positivos e com menor ênfase em orientações negativas (Zimabardo & Boyd, 2008).

No que diz respeito à mensuração da perspectiva temporal, Zimbardo e Boyd (1999) desevolveram o Inventário de Perspectiva Temporal, que se constitui por 56 itens e fatorabilidade de cinco dimensões distintas e teoricamente viáveis, que explicam 36% da variância total. A confiabilidade, utilizando a técnica de teste-reteste alcançou os índices de 0,70 a 0,80 e nível de significância de p<0,01. As cinco subescalas são: 1. passado-negativo (α=0,82) com dez itens; 2. presente-hedonista (α=0,79), com quinze itens; 3. futuro (α=0,77), com treze itens; 4. passado-positivo (α=0,80) com nove itens; e 5. presente-fatalista (α=0,74) com nove itens.

No contexto brasileiro, três estudos utilizaram o ZTPI. Leite e Pasquali (2008) testaram o ZTPI original em dois estudos, e um estudo realizado por Milfont et al. (2008). O primeiro estudo de Leite e Pasquali (2008) foi realizado com 528 universitários, de 18 e 19 anos (M=19,8; DP=1,8), sendo 51,9 % do sexo masculino. As análises fatoriais exploratória e confirmatória emergiram 56 itens que representam proposições sobre crenças, preferências e valores de experiências temporais em cinco dimensões distintas: 1. passado-negativo (α=0,82) dez itens; 2. presente-hedonista (α=0,79) quinze itens; 3. futuro (α=0,77) treze itens; 4. passado-positivo (α=0,80) nove itens; e 5. presente-fatalista (α=0,74) nove itens, explicando 33,38 % da variância do instrumento, índice abaixo da testagem da versão americana original que alcançou 36%. No inventário, as respostas são assinaladas indicando o quão característica cada afirmação é para o respondente em escala Likert de 5 pontos, de 1 = absolutamente não característico a 5 = muito característico (Leite & Pasquali, 2008).

O segundo estudo proposto por Leite e Pasquali (2008) foi realizado com 1.047 brasileiros entre 15 a 66 anos (M=25,11; DP=9,62), sendo 61,8% do sexo feminino. Dos 56 itens originais do ZTPI foram eliminados quatro itens com carga fatorial menor que 0,30. Quanto à semântica, foram modificados alguns itens para melhorar a clareza e a compreensão, ajudando os participantes a interpretarem melhor as perguntas, o que resulta em respostas mais precisas e acrescentados outros para melhorar as dimensões do construto que estão sendo avaliadas, garantindo que todas as áreas relevantes sejam representadas, além de complementar as dimensões que tinham poucos itens. Com isso, totalizando 59 na versão reformulada. Desses 59, cinco itens (9, 16, 21, 53, 58) foram excluídos após análises, mantendo somente os itens da escala com carga fatorial acima de 0,30. Ao final, permaneceram 54 itens, explicando 31,91 % da variância total.

Milfont et al. (2008) testaram o ZTPI com 38 itens e cinco fatores em uma amostra com 247 alunos de graduação de idade média de 22,47 (DP=4,19). O estudo coletou ainda dados de 16 trabalhadores maduros entre 61 a 88 anos (M=69,31; DP=1,50) com o objetivo de investigar a relação entre a idade e a perspectiva de tempo. Os 56 itens foram organizados em uma escala Likert de cinco pontos, variando de 1 = nem um pouco característico/verdadeiro a 5 = muito característico/verdadeiro. O presente hedonista correlacionou positivamente com o consumo de álcool e negativamente com a religiosidade; o futuro correlacionou-se positivamente com preocupação de saúde e negativamente com o consumo de álcool. Alguns itens apresentaram baixo índice de ajuste, baixa confiabilidade e dezoito itens não significativos foram excluídos, mantendo a versão final com 38 itens.

Nas últimas décadas, verificou-se um aumento de pesquisas sobre a perspectiva de tempo como um forte preditor psicossocial de vários comportamentos, particularmente no campo da saúde (Leite, 2014). Para os trabalhadores maduros, as decisões envolvendo a sua carreira e aposentadoria requerem reflexões (França & Vaughan, 2008), que envolvem o entendimento da perspectiva de tempo e a orientação para o futuro (Bardagi et al., 2015). Assim, a presente pesquisa focou neste grupo de trabalhadores.

Entre os pesquisadores, há certo consenso de que a perspectiva de tempo futuro é um fator importante que pode influenciar a intenção e o planejamento da aposentadoria das pessoas, uma manifestação da motivação e do objetivo individuais (Henry et al., 2017). Em uma meta-análise, a perspectiva de tempo futuro foi positivamente associada a melhores resultados relacionados ao planejamento de aposentadoria (conhecimento financeiro), de modo que indivíduos com perspectiva de tempo futuro mais alto estavam equipados com mais conhecimento financeiro relacionado à aposentadoria (Kooij et al., 2018).

Alguns estudos investigaram o efeito da perspectiva de tempo futuro no ajuste da aposentadoria. Earl et al. (2015) confirmaram que a perspectiva de tempo futuro não é apenas o antecedente de planos de aposentadoria individuais, mas também um preditor do ajuste da aposentadoria. Os autores apontaram que aqueles com uma perspectiva de tempo futuro podem adotar uma abordagem de aprendizado para a aposentadoria, o que faria melhorias no ajuste da aposentadoria com base em experiências passadas e continuaria a fazer melhorias. Em uma meta-análise, Kooij et al. (2018) descobriram que a perspectiva de tempo futuro estava positivamente associada à satisfação com a vida, um dos resultados psicológicos do ajuste dos aposentados (Wang & van Solinge, 2011).

Para o desenvolvimento e embasamento teórico da presente investigação, foi realizada uma revisão de literatura utilizando os seguintes descritores: “perspectiva temporal” e o “inventário de perspectiva temporal Zimbardo” nos sites de busca Google Acadêmico, PEPSIC, CAPES, Scielo Org. e The Journal of Gerontology – Social and Psychogical Series, sem distinção de período de tempo. Foram encontrados 76 artigos que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: 1. estar em formato de artigo científico; 2. estar escrito nos idiomas: português, inglês ou espanhol; 3. ser um estudo qualitativo, quantitativo, misto ou de revisão de literatura.

Após a retirada de títulos repetidos 26 estudos foram escolhidos e pelo resumo desses verificou-se que somente 11 tiveram como participantes pessoas mais velhas, que é o foco desta pesquisa. Após leitura dos artigos, constatou-se que quatro deles não incluíram o inventário ZTPI. Com isso, sobraram sete estudos que foram o foco de maior atenção e aprofundamento como fonte teórica deste trabalho.

Keough et al. (1999) utilizaram uma versão reduzida do ZTPI com 22 itens em 2.627 americanos. A dimensão do presente – continha nove itens e a dimensão do futuro – continha 13 itens. Os autores verificaram se a perspectiva do tempo atuava como um preditor de abuso de substâncias (tabaco, álcool e drogas). Os resultados indicaram que a perspectiva presente estava relacionada ao uso mais frequente de álcool, drogas e tabaco, embora a perspectiva do futuro tenha sido negativamente relacionada ao abuso de substâncias. A análise confirmatória concluiu que a perspectiva presente era um preditor deste abuso.

Utilizando especificamente a visão temporal, cabe destacar dois estudos que utilizaram amostras de trabalhadores maduros e aposentados. Mooney et al. (2017) em um estudo com 243 adultos maduros de 45 a 91 anos, investigou a consistência na prevalência de Balanced Time Perpective (BTP), de acordo com Zimbardo e Boyd (2016) e investigou as relações entre BTP, planejamento da aposentadoria e bem-estar em indivíduos aposentados ou parcialmente aposentados. Os autores concluíram que os idosos com uma visão temporal mais equilibrada (BTP), tendem a ser mais felizes, mais positivos e se preocupam mais com o futuro, elaborando mais planos do que os idosos que possuem as dimensões menos equilibradas.

Earl et al. (2015) utilizaram uma versão abreviada do ZTPI (Zimbardo & Boyd, 1999) composta por 22 itens em uma pesquisa com 367 aposentados australianos (homens = 65,5 anos e para mulheres de 64,3 anos). Os autores atestaram as alterações das perspectivas de tempo ao longo de um período da vida – relação entre perspectiva de tempo e o planejamento da aposentadoria, bem como o papel da perspectiva de tempo no ajuste da aposentadoria. Earl et al. (2015) concluíram que as perspectivas presente e hedonista, o passado negativo e o futuro indicaram uma aposentadoria planejada.

No Brasil, embora não tenham sido identificados estudos semelhantes utilizando o ZTPI, dois estudos encontraram resultados que ressaltam a importância da perspectiva temporal. Rafalski e Andrade (2017) desenvolveram e apresentaram evidências de validade da Escala de Percepção de Futuro da Aposentadoria (EPFA) aplicada em 982 trabalhadores com idade média de 40 anos. Foram realizadas análise fatorial exploratória e confirmatória, além de correlações e comparações com variáveis demográficas. Os resultados das aferições psicométricas confirmam a estrutura de cinco dimensões: percepções de saúde, desligamento do trabalho, finanças, relacionamentos interpessoais e perdas na aposentadoria. De forma geral, os resultados apontam que melhores percepções sobre o futuro na aposentadoria se relacionavam com melhores condições dentro do contexto de vida.

Leandro-França et al. (2018) investigaram o construto Perspectiva de Tempo Futuro (FTP) relativo à aposentadoria com foco em dimensões cognitivas e motivacionais. Com isso, adaptaram itens de um instrumento desenvolvido por Hershey e Mowen (2000) e Hershey et al. (2007; 2010) e verificaram as evidências de validade dessa medida, adaptando o instrumento para aplicação no Brasil. O estudo foi realizado com 141 trabalhadores, homens e mulheres, de 25 a 66 anos para investigar a perspectiva de tempo futuro relativa à aposentadoria, no contexto do planejamento da aposentadoria. As análises fatoriais exploratórias revelaram uma estrutura unidimensional, as cargas fatoriais permaneceram estáveis e com evidências de fidedignidade do instrumento. Escores da escala revelaram um aumento linear, conforme a faixa etária dos respondentes. Apesar de o estudo de Leandro-França et al. (2018) ter a intenção de validar o FTP para a aposentadoria, os próprios autores admitem a limitação da amostra e recomendam a realização de uma pesquisa com a população que estaria mais próxima desta fase de planejamento.

De acordo com os estudos relatados inicialmente, a forma como as pessoas se dispõem diante das dimensões temporais influencia a maneira como reagem, interferindo nos seus julgamentos, escolhas e em suas atitudes, gerando parâmetros importantes sobre diversos aspectos da vida. Considerando sua relevância para desfechos de planejamento, aprendizado, planos e condições de vida e bem-estar, e a ausência de uma pesquisa brasileira que tenha utilizado o ZTPI com trabalhadores maduros, julga-se relevante a validação da ZTPI, utilizando-se análise fatorial exploratória e confirmatória, contribuindo para o aprofundamento desta medida com uma amostra de participantes que estejam em processo de planejamento para a aposentadoria.

Recentemente, Cecílio et al. (2021) propuseram uma versão curta do instrumento utilizando uma amostra de conveniência composta por 281 participantes, de 18 a 71 anos (M=41 anos). Os autores argumentam que o ZTPI-25 conserva as propriedades psicométricas da versão original, com menor tempo de aplicação, menor índice de rejeição e redução de questões sem respostas, quando comparado às outras escalas validadas no Brasil. No entanto, a amostra eram pacientes atendidos em um serviço de saúde público e cujo histórico de doença pode ter influenciado os resultados encontrados. Apesar da pesquisa ter testado a validade do ZTPI, sua finalidade foi aferir a perspectiva temporal para o desenvolvimento de perspectivas incentivadoras de comportamentos protetores à saúde.

Assim, pode-se notar que são especialmente raros os estudos que investigam a perspectiva de tempo e o planejamento para a aposentadoria (Xia et al., 2024), e as medidas que validem este construto em diferentes grupos. Fundamentando-se na relevância do construto, em seu impacto prático e nas lacunas de estudos brasileiros utilizando o ZTPI para trabalhadores maduros, o objetivo deste estudo acumular evidências de validade interna do Inventário de Perspectiva Temporal – ZTPI para trabalhadores maduros.

Método

Participantes

Como critério de inclusão definido para este estudo, estabeleceu-se que os participantes deveriam ter 45 anos ou mais, como apontado em estudos anteriores (Menezes, 2011; Mooney et al., 2017). Essa faixa etária foi escolhida com base na premissa de que muitos desses profissionais podem estar vivenciando uma transição de carreira ou refletindo sobre suas aposentadorias a médio e curto prazo. Como resultado, foi formado um banco de dados com aproximadamente sete mil empregados que se encaixavam nesse perfil.

Deste banco de dados, foi obtida uma taxa de retorno de 7,4 % sendo a amostra composta por 511 participantes de uma organização do setor de energia no

Estado de Rio de Janeiro. A maior parte constituída por homens (78,7%), quanto ao estado civil, a maioria era casada /união estável (80,6%). No que diz respeito à escolaridade, mais da metade (59,1%) possuía pós-graduação. Todos os participantes tinham 45 anos ou mais (M=53,48; DP=5,18).

Instrumentos

Este estudo aplicou um questionário sociodemográfico composto por itens que permitiram caracterizar a amostra dessa pesquisa. Foi aplicado também o Inventário de Perspectiva Temporal – ZTPI de Zimbardo e Boyd (1999) com 56 itens, no idioma português do Brasil, composto pelas seguintes dimensões: 1. passado-negativo com dez itens; 2. presente-hedonista, com quinze itens; 3. futuro com treze itens; 4. passado-positivo com nove itens; e 5. presente-fatalista com nove itens.

Considerando que foi a primeira vez que a escala foi testada somente com empregados brasileiros com 45 anos ou mais, o inventário passou por mais uma verificação semântica realizada por uma acadêmica bilingue brasileira especialista em Envelhecimento no Contexto das Organizações. Essa etapa foi realizada visando garantir que as perguntas e instruções fizessem sentido para os participantes em relação ao significado, contexto e uso. Com isso, a participação de uma acadêmica bilingue brasileira levou em consideração tanto a língua portuguesa quanto ao conteúdo em inglês, assegurando que as traduções e interpretações estivessem corretas e que o conteúdo fosse culturalmente apropriado. Além disso, foram consideradas as validações brasileiras de Leite e Pasquali (2008) e de Milfont et al. (2008).

Para facilitar a compreensão dos participantes no momento da avaliação, foram efetuadas pequenos ajustes na tradução e alteração da forma de avaliação. Nas avaliações das versões anteriores foram utilizadas as variações de Likert de 5 pontos, de 1 = absolutamente não característico a 5 = muito característico (Leite & Pasquali, 2008) e Likert de 5 pontos a partir de 1 = nem um pouco característico/verdadeiro a 5 = muito característico/ verdadeiro (Milfont et al., 2008). Neste estudo, a escala Likert avaliou o nível de concordância dos participantes com os itens, da seguinte forma: 1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente.

Procedimentos de coleta de dados

A coleta de dados foi executada por meio de um link enviado aos empregados, sendo assim 6.900 indivíduos foram convidados a participar por meio de mensagens utilizando-se a intranet de uma organização. A abordagem foi indireta, através de questionários autoaplicáveis que foram inseridos em um sistema, que efetua a gestão de pesquisas e avaliações, utilizado internamento na empresa.

Cabe o registro que, no questionário, todos os itens deveriam ser preenchidos obrigatoriamente, pois sem o preenchimento de todos os itens, o sistema não permitiria sua continuidade. Assim, não houveram missings. Um ponto relevante a ser relatado é que quando esta pesquisa foi aplicada a Lei Geral de Proteção de dados -LGPD (Brasil, 2018) ainda não estava implementada na organização.

Análise de dados

Após a organização e limpeza do banco de dados, optou-se por subdividir a amostra total em duas subamostras aleatórias. Considerando que a amostra subdividida possuia número adequado de participantes para ambas as análises, a divisão é uma estratégia eficaz para reavaliar o modelo inicial, confirmando a validade do modelo estrutural (Hair et al., 2009).Com o objetivo de explorar como os 56 itens distribuiam-se em diferentes fatores, optou-se por rodar e realizar a Analise Fatorial Exploratória (AFE, N=256) e a Analise Fatorial Confirmatória (AFC, N = 255) dividindo-se as amostras de modo igual, sendo os participantes escolhidos aleatoriamente. Isto é aceito pela literatura, especialmente quando a amostra é grande e a metodologia é rigorosa. Como argumentado por Howard (2016) e Brown (2015) esta forma de usar a mesma amostra, com os controles apropriados, não compromete a vaildade dos resultados. Assim, uma subamostra de 256 participantes, foi utilizada na AFE, por meio do software R (R Core Team, 2017), no pacote Psych (Revelle, 2014). Com o intuito de verificar adequação dos dados aos pressupostos da análise fatorial, foram calculados o Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e o Teste de Esfericidade de Bartlett. Foi utilizado o método de Análise Paralela para a extração de fatores e rotação oblimin.

Em seguida, na segunda parte da amostra (N = 255) foi efetuada a Análise Fatorial Confirmatória (AFC), por meio da Modelagem de Equações Estruturais, no software R (R Core Team, 2017), no pacote Lavaan (Rossell, 2012), na qual foi utilizado o estimador weighted least square mean and variance ajusted (WLSMV), com os itens sendo declarados como variáveis categóricas-ordinais. Adicionalmente, com essa subamostra, optou-se por testar estruturas do instrumento utilizadas em outros estudos, sendo elas: 1. 56 itens e cinco fatores (Zimbardo & Boyd, 1999 – Estados Unidos); 2. 32 itens e quatro fatores (Gabarraga & Stover, 2016 – Argentina) com 15 itens e cinco fatores (Gupta et al., 2012 – India); 4. 38 itens e cinco fatores (Milfont et al., 2008 – Brasil); e 5. 20 itens e cinco fatores (Wang et al., 2015 – China).

De acordo com os critérios de Brown (2006), foram analisados os seguintes indices de ajuste: qui-quadrado (testa a diferença entre a matriz empirica e a matriz do modelo teórico, sendo que quanto maior o valor do χ2 pior o ajustamento); Root-Mean-Square Error of Approximation (RMSEA – deve se situar abaixo de 0,08, aceitando-se valores até 0,10); Tucker-Lewis Index (TLI – são adequados modelos com valores acima de 0,95); Comparative fit index (CFI – são adequados valores acima de 0,95). Foram mantidos itens com carga fatorial acima de 0,40 e os coeficientes de Alfa foram interpretados como a partir das considerações de Katz (2006), em que indicadores acima de 0,70 são considerados bons e acima de 0,90 são considerados excelentes. Fazendo uso da amostra total (N=511), calculou-se a consistência interna do instrumento através do Alfa de Cronbach (Cronbach, 1947).

Considerações Éticas

Inicialmente, a pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição dos Autores, parecer nº 067.637 de 20/06/2017. Em seguida, os empregados de uma empresa do setor de energia foram convidados para participar da pesquisa. Os participantes foram informados sobre os procedimentos éticos, do sigilo e anonimato da pesquisa e que poderiam deixar de participar da mesma a qualquer momento. Todos manifestaram sua concordância na participação, mediante o preenchimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

Os resultados da análise fatorial exploratória, realizada com a amostra de 256 participantes constataram a adequação da amostra, com o KMO sendo igual a 0,84. O Teste de Bartlett foi significativo (α = 8224,82; p<0,001), evidenciando que matriz de correlações entre os itens permitia a realização da análise fatorial. A Análise Paralela indicou a presença de cinco fatores.

Dessa forma, a AFE foi conduzida com rotação oblimin, com a presença de cinco fatores com metade da amostra (N = 256). Os dados indicaram, entretanto, que sete itens (5, 9, 19, 28, 41, 51 e 56) demonstraram cargas fatoriais abaixo de 0,30 e seis itens (15, 24, 29, 30, 47 e 55) apresentaram cargas acima de 0,30 em mais de um fator. Sendo assim, estes itens foram excluidos. Por fim, os resultados da análise fatorial exploratória apresentaram uma estrutura do ZTPI de 43 itens agrupados em 5 fatores (passado negativo – F1, passado positivo – F2, futuro – F3, presente fatalista – F4, presente hedonista – F5), conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1 Resultados da AFE (N=256) 

F1 F2 F3 F4 F5
ZTPI1 0,60
ZTPI2 0,69
ZTPI3 0,53
ZTPI4 0,64
ZTPI6 0,52
ZTPI7 0,51
ZTPI8 −0,73
ZTPI10 0,59
ZTPI11 0,44
ZTPI12 0,46
ZTPI13 0,61
ZTPI14 0,58
ZTPI16 0,66
ZTPI17 0,42
ZTPI18 0,53
ZTPI20 0,51
ZTPI21 0,58
ZTPI22 −0,33
ZTPI23 −0,59
ZTPI25 0,39
ZTPI26 −0,44
ZTPI27 ,641
ZTPI31 −,652
ZTPI32 0,43
ZTPI33 0,48
ZTPI34 0,64
ZTPI35 0,46
ZTPI36 0,47
ZTPI37 0,67
ZTPI38 0,69
ZTPI39 0,67
ZTPI40 0,60
ZTPI42 −0,60
ZTPI43 0,47
ZTPI44 −0,52
ZTPI45 0,51
ZTPI46 −0,68
ZTPI48 −0,34
ZTPI49 0,49
ZTPI50 0,79
ZTPI52 −0,43
ZTPI53 0,43
ZTPI54 0,71

Após as análises iniciais conduzidas por meio das AFE, a fim de realizar uma verificação adicional do melhor modelo de ajuste, foi conduzida a AFC. A principio, foram testados – utilizando a segunda subamostra – estruturas utilizadas em estudos anteriores. Foram testados cinco modelos, sendo eles: 1. 32 itens e 4 fatores (Galarraga & Stover, 2016); 2. 15 itens e 5 fatores (Gupta et al., 2012); 3. 38 itens e 5 fatores (Milfont et al., 2008); 4. 20 itens e 5 fatores (Wang et al., 2015); 5. 56 itens e 5 fatores (Zimbardo 6 Boyd, 1999).

Em seguida, um sexto modelo verificou a estrutura encontrada na AFE para essa subamostra. Neste modelo, embora os índices de ajuste tenham sido aceitáveis, seis itens (1, 11, 18, 22, 48 e 49) apresentaram cargas fatoriais abaixo de 0,40 e foram excluídos, motivo pelo qual foi testado um sétimo modelo, de 37 itens. A Tabela 2 apresenta os índices de ajuste dos diferentes modelos descritos e análise dos dois modelos testados nesta pesquisas.

Tabela 2 Índices de ajuste dos modelos (N=255) 

Modelo χ2 (gl) CFI TLI RMSEA
1- 32 itens e 4 fatores 1255,79 (842) 0,84 0,83 0,06
2- 15 itens e 5 fatores 211,29 (80) 0,90 0,87 0,06
3- 38 itens e 5 fatores 2153,01 (655) 0,77 0,75 0,07
4- 20 itens e 5 fatores 437,81 (160) 0,84 0,81 0,06
5- 6 itens e 5 fatores 5215,27 (1474) 0,73 0,72 0,07
6- 43 itens e 5 fatores 2024,36 (850) 0,87 0,86 0,05
7- 37 itens e 5 fatores 1136,86 (575) 0,93 0,93 0,04

Os resultados para o sétimo modelo, composto por 37 itens e cinco fatores independentes apresentou os melhores indicadores de ajuste (χ2=208,08; TLI=0,93; CFI=0,94; RMSEA=0,06), sustentando quase totalmente a estrutura da análise fatorial exploratória da escala original. Assim, a versão brasileira do ZTPI para trabalhadores maduros ficou composta por 37 itens divididos em cinco fatores: passado negativo, passado positivo, futuro, presente fatalista e presente hedonista. Os índices de consistência interna dos fatores da escala, calculados pelo alfa de Cronbach na amostra total foram iguais a 0,82; 0,66; 0,68; 0,77 e 0,78, respectivamente, demonstrando que os escores dos fatores podem ser estimados com boa precisão. Os resultados são detalhados na Tabela 3.

Tabela 3 Cargas Fatoriais e Alfas da AFC (N=255) 

Dimensão Item Carga Alfa
Passado negativo 4. Frequentemente eu penso sobre o que eu deveria ter feito diferente na minha vida 0,56 0,82
16. Experiências do passado dolorosas se repetem na minha memória 0,67
25. O passado tem muitas memórias desagradáveis que eu prefiro não pensar sobre elas 0,50
27. Eu cometi muitos erros no passado que eu desejaria não ter cometido 0,61
34. Para mim é difícil esquecer as imagens desagradáveis da minha juventude 0,69
36. Mesmo que eu esteja aproveitando o presente (do que eu vivo agora) eu sou levado a fazer comparações com as experiências semelhantes do passado 0,51
50. Eu penso sobre as coisas ruins que aconteceram no meu passado 0,59
Passado positivo 54. Eu penso sobre as coisas boas que eu perdi na minha vida 0,70 0,66
2. Os sinais, sons e cheiros familiares frequentemente trazem de volta uma inundação de memórias maravilhosas 0,42
7. Pensar sobre meu passado me dá prazer 0,44
12. Quando eu escuto a minha música favorita eu frequentemente perco a noção do tempo 0,57
17. Eu tento viver minha vida o máximo possível, um dia de cada vez 0,53
20. Memórias felizes dos bons tempos aparecem rapidamente na minha cabeça 0,53
32. Para mim é mais importante apreciar a jornada da vida do que focar no destino 0,44
Futuro 6. Eu acredito que um dia de uma pessoa deve ser planejado a cada manhã com antecedência 0,46 0,68
10. Quando eu quero alcançar uma coisa, eu estabeleço metas e avalio formas específicas para atingi-las 0,67
13. Cumprir com os prazos de amanhã e fazer outros trabalhos necessários vêm antes de se divertir à noite 0,40
21. Eu cumpro minhas obrigações com meus amigos e autoridades na hora certa 0,46
40. Eu concluo meus projetos no tempo exato, mantendo meu progresso estável 0,54
43. Eu faço lista de coisas a fazer 0,44
45. Eu sou capaz de resistir às tentações quando sei que tenho trabalho para fazer 0,44
Presente fatalista 3. O destino determina minha vida 0,45 0,77
14. Não importa o que eu faça, tudo que tiver que acontecer, será 0,52
33. As coisas nunca aconteceram como eu esperava 0,54
35. Se eu tiver que pensar sobre os meus objetivos, resultados e produtos, eu vou perder o prazo do processo e sair do ritmo das minhas atividades 0,54
37. Você realmente não pode fazer planos para seu futuro, porque as coisas mudam muito 0,63
38. Meu caminho da vida é controlado por forças que não posso influenciar 0,65
39. Não faz sentido me aborrecer sobre o futuro uma vez que não posso fazer nada sobre ele 0,50
53. Frequentemente, a sorte dá melhor resultados do que trabalho árduo 0,55
Presente hedonista 8. Eu faço coisas impulsivamente 0,65 0,78
23. Eu tomo minhas decisões no calor do momento 0,73
26. É importante colocar algo excitante em minha vida 0,47
31. Correr riscos torna a minha vida menos entediante 0,48
42. Eu arrisco minha vida para torna-la mais excitante 0,58
44. Eu frequentemente sigo meu coração mais do que minha cabeça 0,56
46. Eu me pego sendo levado pela excitação do momento 0,75
52. Gastar o que eu ganho em prazeres hoje é melhor do que economizar dinheiro para a segurança no futuro 0,48

Ao calcular as correlações entre as variáveis sociodemográficas e as cinco dimensões do ZTPI, foi observado que as variáveis relacionamento com a organização, situação econômica atual, situação econômica na aposentadoria, estado de saúde atual e estado de saúde na aposentadoria apresentaram correlações significativas em pelo menos três dimensões do ZTPI, a saber: passado negativo, futuro e presente hedonista, conforme Tabela 4.

Tabela 4 Correlações entre algumas Variáveis Sociodemográficas e as Dimensões do ZTPI 

Variáveis Média DP Variância 1 2 3
1. Relacionamento com a organização 3,97 0,99 0,99 - - -
2. Situação econômica atual 2,98 0,93 0,86 0,13** - -
3. Situação econômica aposentadoria 2,12 0,79 0,62 0,16** 0,45** -
4. Saúde percebida atual 3,32 0,83 0,69 0,30** 0,28** 0,28**
5. Saúde esperada na aposentadoria 2,87 0,96 0,93 0,23** 0,22** 0,36**
6. Passado negativo 2,42 0,79 0,62 −0,24** −0,22** −0,20**
7. Passado positivo 3,64 0,63 0,40 0,14** 0,13** 0,14**
8. Futuro 3,64 0,61 0,37 0,11* 0,07 0,08
9. Presente fatalista 2,23 0,69 0,47 −0,24** −0,17** −0,16**
10. Presente hedonista 2,58 0,68 0,47 −0,16** −0,07 −0,06
Variáveis 4 5 6 7 8 9
1. Relacionamento com a organização - - - - - -
2. Situação econômica atual - - - - - -
3. Situação econômica aposentadoria - - - - - -
4. Saúde percebida atual - - - - - -
5. Saúde esperada na aposentadoria 0,67** - - - - -
6. Passado negativo −0,21** −0,23** - - - -
7. Passado positivo 0,12** 0,10* 0,01 - - -
8. Futuro 0,10* 0,09* −0,06 0,24** - -
9. Presente fatalista −0,12** −0,16** 0,46** 0,09* −0,08 -
10. Presente hedonista −0,09* −0,07 0,31** 0,38** −0,03 0,38**

Nota. **A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades); *A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades)

O relacionamento com a organização apresentou correlação negativa e significativa com o passado negativo (β = −0,24; p<0,01), com o presente fatalista (β = −0,24; p<0,01) e com o presente hedonista (β = −0,16; p<0,01). Por outro lado, apresentou correlação positiva e significativa com o passado positivo (β=0,14; p<0,01) e com o futuro (β=0,11; p<0,05). Tais resultados indicam que quanto maior o escore do relacionamento com organização, menores serão os escores do passado negativo, do presente fatalista e do presente hedonista, e maiores serão os escores do passado positivo e do futuro.

A situação econômica atual apresentou correlação negativa e significativa com o passado negativo (β=−0,22; p<0,01) e com o presente fatalista (β = −0,17; p<0,01). Apresentou, ainda, correlação positiva e significativa com o passado positivo (β=0,13; p<0,01). Estes achados evidenciam que quanto maior o escore da situação econômica atual, menores serão os escores do passado negativo e do presente fatalista, e maior será o escore do passado positivo.

A situação econômica na aposentadoria apresentou correlação negativa e significativa com o passado negativo (β=−0,20; p<0,01) e com o presente fatalista (β = −0,16; p<0,01). Apresentou, também, correlação positiva e significativa com o passado positivo (β=0,14; p<0,01). Tais resultados indicam que quanto maior o escore da situação econômica na aposentadoria, menores serão os escores do passado negativo e do presente fatalista, e maior será o escore do passado positivo.

O estado de saúde atual apresentou correlação negativa e significativa com o passado negativo (β=−0,21; p<0,01), com o presente fatalista (β = −0,12; p<0,01) e com o presente hedonista (β=−0,09; p < 0,05). Ademais, apresentou correlação positiva e significativa com o passado positivo (β=0,12; p<0,01) e com o futuro (β=0,10; p<0,05). Tais resultados indicam que quanto maior o escore do estado de saúde atual, menores serão os escores do passado negativo, do presente fatalista e do presente hedonista, e maiores serão os escores do passado positivo e do futuro.

Por fim, o estado de saúde na aposentadoria apresentou correlação negativa e significativa com o passado negativo (β = −0,23; p<0,01) e com o presente fatalista (β=−0,16; p<0,01). Além disso, apresentou correlação positiva e significativa com o passado positivo (β=0,10; p<0,05) e com o futuro (β=0,09; p<0,05). Tais resultados indicam que quanto maior o escore do estado de saúde na aposentadoria, menores serão os escores do passado negativo e do presente fatalista, e maiores serão os escores do passado positivo e do futuro.

Discussão

O presente estudo teve como objetivo acumular evidências de validade interna do Inventário de Perspectiva Temporal – ZTPI em trabalhadores brasileiros maduros (45 anos ou mais). Basicamente, os resultados apontaram para uma versão final da ZTPI com 37 itens agrupados em cinco dimensões.

Neste estudo, foi utilizada uma amostra de trabalhadores mais velhos para testar estruturas do ZTPI encontradas em estudos anteriores. Foram utilizados como parâmetro modelos utilizados em amostras de estudantes (Galarraga & Stover, 2016; Milfont et al., 2008), trabalhadores (Gupta et al., 2012) e amostras gerais (Wang et al., 2015; Zimbardo & Boyd, 1999). No entanto, os melhores índices foram encontrados em uma nova estrutura, composta por 37 itens e os mesmos cinco fatores predominantes na maioria dos modelos.

Assim a estrutura do ZTPI encontrada, composta por cinco fatores, não encontrou diferença entre as dimensões de Perspectiva Temporal entre a amostra deste estudo e outras populações. Os trabalhadores mais velhos tem a perspectiva com base nos mesmos cinco fatores – passado negativo, passado positivo, futuro, presente fatalista e presente hedonista, o que confirma a consolidação do modelo teórico de Zimbardo para vários grupos etários e momentos de vida e carreira.

Apesar da consistência das dimensões, foram encontradas importantes diferentes estruturais internas em cada uma das dimensões, que justificam uma validação para este público. A dimensão de futuro apresentou apenas sete itens, obtendo o índice de confiabilidade (α=0,68) um pouco menor do que o obtido na mesma dimensão na versão original do ZTPI com de treze itens, cujo alfa foi de 0,77. Segundo a teoria de Zimbardo e Boyd (1999), as pessoas que possuem a dimensão de futuro predominante, buscam satisfação imediata, mas renunciam a ela para colher benefícios futuros e costumam planejar suas atividades. Presumimos que a redução considerável dos itens dessa dimensão tenha sido provocada pelo comportamento imediatista do brasileiro, como apontado por França e Vaughan, (2008). Isso parece justificar que a situação econômica atual tenha apresentado uma correlação negativa e significativa com o passado negativo e com o presente fatalista. Além disso, estes resultados mostraram-se bem adequados quando comparados com o estudo realizado por Milfont et al. (2008) com 247 estudantes brasileiros e 16 idosos, que apresentou uma estrutura de cinco fatores ZTPI com melhores índices de ajuste e solução fatorial e a versão final da escala constituída por 38 itens e cinco dimensões.

A dimensão presente hedonista apresentou oito itens, com índice de confiabilidade semelhante a versão original do ZTPI. Segundo Zimbardo e Boyd (1999), as pessoas com predominância nesta dimensão não dão a devida importância no cuidado com a saúde, além de indicar uma forte tendência para os prazeres do momento através de experiências excitantes e de alto risco. Supõe-se que a redução do número de itens seja devido ao fato de que mais de 80% dos respondentes considerar seu estado de saúde atual como bom a excelente.

No estudo realizado por Leandro-França et al. (2018) que investigou a perspectiva de tempo futuro no contexto do planejamento da aposentadoria, as análises fatoriais exploratórias revelaram que os mais jovens não estão preocupados com o planejamento da aposentadoria. Isto se contrastou com o estudo de Siqueira-Brito et al. (2016), no qual os trabalhadores jovens apresentaram atitudes mais negativas quanto ao envelhecimento nas organizações.

Zimbardo et al. (1999) afirmaram que a perspectiva de tempo ideal é equilibrada entre as orientações temporais e permite transições flexíveis que se adequam às diferentes situações. Esta afirmação corroborou com Mooney et al. (2017) que identificarm que os idosos com uma visão temporal mais equilibrada tendiam a ser mais felizes, mais positivos e se preocupavam mais com o futuro, fazendo mais planos do que os idosos que possuem as dimensões menos equilibradas. Para Zimbardo e Boyd (2008) compreendendo e mudando o foco da PT, pode-se mudar as emoções, as cognições e o comportamento e, apreciar o passado, planejar o futuro e aproveitar o presente. Assim, este estudo contribui com a prática ao proporcionar à comunidade um instrumento de medida que pode ser utilizado para verificar, antecipadamente, aspectos que podem predizer comportamentos de planejamento e ações relacionadas à aposentadoria, predizendo o bem-estar e condições de vida futuras.

É relevante destacar uma limitação neste estudo no tocante à representatividade da população brasileira, pois apesar de a amostra deste estudo ter sido robusta, a coleta de dados foi realizada em uma única empresa. Recomenda-se, portanto, a realização de novos estudos para que os resultados encontrados sejam comparados e sua validade confirmada tanto em diferentes contextos organizacionais, como em pequenas e médias empresas, no setor público e privado.

No âmbito teórico, esta versão do ZTPI apresenta uma adaptação do instrumento frente a uma população em crescimento, que requer cada vez mais atenção no Brasil e no mundo. Estes resultados avançam no conhecimento desta amostra, contribuindo para superar lacunas referentes a perspectiva de tempo em diferentes grupos, especialmente aqueles próximos ao planejamento da aposentadoria (Xia et al., 2024). Vale lembrar que os participantes são pessoas privilegiadas frente à realizada brasileira, com rendimentos bem acima da média encontrada na época. Apesar disso, ainda demonstraram privilegiar o aqui e agora. Isto justifica a relevância de um planejamento para aposentadoria a ser iniciado por diversas organizações com os trabalhadores brasileiros de diferentes condições econômicas e sociais. Sobretudo, o inicio de um Programa de Preparação para o Futuro que comece peos jovens, frente aos fatores de risco que terão no futuro, quer em termos de poupança quer na educação para a saúde.

Esta pesquisa proporcionou a ampliação do nosso conhecimento sobre os modelos de perspectiva de tempo que melhor poderiam se adaptar à realidade e ao contexto brasileiro. Pesquisar sobre a perspectiva de tempo, tem como relevância o valor que essa variável possui, considerando que qualquer atividade humana é inserida em aspectos temporais.

A utilização desta validação poderá auxiliar no entendimento de determinados comportamentos dos brasileiros frente ao imediatismo ou ao futuro, como uma tentativa de explicar como as pessoas agem pensando no futuro, mais no presente ou se há um equilibrio entre o pensar, agir ou planejar e a influência desses tempos. Apesar do escopo deste artigo não ter sido testar a influência da ZTPI no planejamento para a aposentadoria, mas apresentar indices da validação e adaptação da ZTPI em um grupo de 511 trabalhadores brasileiros com 45 anos ou mais, este trabalho poderá também ajudar demais pesquisadores que trabalham com planejamento para a aposentadoria a desvendarem este processo.

Novos estudos com diferentes contextos organizacionais devem comparar a variável perspectiva de tempo com o planejamento para a aposentadoria, com a inserção de novas variáveis que poderão contribuir para um modelo de planejamento para a aposentadoria. Contudo, recomenda-se a aplicação deste instrumento em amostras com participantes mais próximos da aposentadoria, com idade e tempo de contribuição para se aposentar, com o objetivo de investigar especificamente os trabalhadores nessa fase da vida e sua relação com as dimensões da perspectiva de tempo. Estudos futuros poderão ainda investigar se o trabalhador que apresenta maior escore no presente hedonista teria maior escore no planejamento para a aposentadoria, potencializando maior uso desta ferramenta no Brasil. Além disso, programas de treinamento podem ser estruturados para melhorar o ajuste da aposentadoria e promover o envelhecimento bem-sucedido.

Agradecimentos

Não há menções.

FinanciamentoA presente pesquisa não recebeu nenhuma fonte de financiamento sendo custeada com recursos dos próprios autores.

Disponibilidade de dados e materiais

Todos os dados e sintaxes gerados e analisados durante esta pesquisa serão tratados com total sigilo devido às exigências do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Porém, o conjunto de dados e sintaxes que apoiam as conclusões deste artigo estão disponíveis mediante razoável solicitação ao autor principal do estudo.

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Recebido: 01 de Maio de 2022; Aceito: 01 de Janeiro de 2025

1 Endereço para correspondência: Universidade Salgado de Oliveira – PPGP – Psicologia. Rua Marechal Deodoro 217, 2º andar, Centro, 24030-060, Niterói, RJ. E-mail:andreiasouzafortes@gmail.com

Conflitos de interesses

Os autores declaram que não há conflitos de interesses.

Artigo derivado da dissertação de mestrado de Andreia Pereira de Souza com orientação de Lucia Helena de Freitas Pinho França, defendida em 2018 no programa de pós-graduação Programa de Pós-Graduação em Psicologia Curso de Mestrado da Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO.

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