Para discutir Sororidade é necessário mencionar o conceito de coletividade. As transformações ocorrem sempre por meio do trabalho coletivo. Na última década, o feminismo tem se fortalecido na América Latina e no Brasil, e o termo tem se tornado cada vez mais presente nas discussões, ainda que não tenha ganhado notoriedade nos espaços científicos, e sim, nas redes sociais dos movimentos feministas (Wolff, 2020). A Sororidade pressupõe uma relação empática e solidária entre mulheres, desafiando a visão patriarcal que historicamente fomenta a rivalidade feminina, e cria formas de interação baseadas na colaboração e apoio mútuo (Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2020; Wolff, 2020). Apesar de sua crescente popularização nas esferas sociais, a pesquisa acadêmica sobre o tema, especialmente na psicologia, ainda é incipiente, como afirmado anteriormente, com maior concentração nas áreas de comunicação e sociologia (Bezerra, 2018). Este estudo objetiva construir uma medida para avaliar a Autoaficácia para a Sororidade, como forma de permitir o avanço da inserção da temática em pautas da sociedade.
A Sororidade possui uma função política crucial, contribuindo para a resolução de problemas sociais ligados às pautas feministas e às relações de gênero. Mais do que uma simples amizade entre mulheres, ela representa uma forma de resistência política contra as opressões históricas e estruturais enfrentadas pelo público feminino, que se manifesta por meio de diversas formas de violência, desigualdade e discriminação de gênero (Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2020; Wolff, 2020). Nessa relação histórica de opressão na qual o patriarcado se torna um problema, a Sororidade se apresenta como uma possibilidade de resposta (Cámara, 2020). Ao promover a solidariedade e o apoio mútuo, a Sororidade não apenas desafia as normas de competição feminina, mas também cria espaços para que as mulheres se unam na busca por objetivos comuns de emancipação e justiça social, com vistas à construção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de opressões (Garcia & Sousa, 2016; Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2019; Penkala, 2014; Wolff, 2020).
A Sororidade está em consonância com os compromissos sociais da psicologia e, este estudo, especialmente, tem como objetivo a construção e validação da Escala de Autoeficácia para a Sororidade (ES-SOROR). Esta escala busca avaliar a percepção das mulheres sobre sua capacidade de apoiar outras mulheres, ampliando a compreensão da Autoeficácia no contexto da Sororidade. Autoeficácia se refere à crença em nossa capacidade de realizar ações necessárias para atingir determinados objetivos. Inserida na Teoria Social Cognitiva, a Autoeficácia é definida como a crença nas próprias capacidades para realizar tarefas e alcançar objetivos (Azzi & Casanova, 2020; Azzi & Polydoro, 2006; Bandura, 1977, 1986, 1989). Embora as pesquisas sobre Autoeficácia estejam avançadas (Iaochite et al., 2016), e os domínios estudados sejam variados (Santos & Inácio, 2021) não foram encontrados instrumentos utilizando a medida sobre Sororidade.
A teoria da Autoeficácia de Bandura (1977), destaca como a confiança nas próprias capacidades pode ser fortalecida por meio do apoio social, sendo a Sororidade um exemplo claro dessa dinâmica. A confiança que uma mulher tem em si mesma pode ser ampliada significativamente por meio da rede de apoio entre mulheres. A solidariedade e união entre mulheres, pode ser vista como um exemplo prático de apoio social. Essa rede de apoio emocional, psicológico e, muitas vezes, prático, pode fortalecer a Autoeficácia de uma mulher, especialmente dentro de um contexto social em que as mulheres, historicamente, enfrentam desigualdades e desafios específicos. A Sororidade, ao proporcionar um ambiente de empatia, validação e fortalecimento mútuo, não só ajuda na superação de obstáculos individuais, mas também contribui para a transformação das condições sociais que geram esses obstáculos (Fernandes, 2021; Lagarde y de los Rios, 2012).
A construção da ES-SOROR, portanto, busca entender o quanto as mulheres se sentem capazes de atuar de forma solidária umas com as outras, fortalecendo a ideia de que, mesmo dentro de um contexto de opressão patriarcal, elas podem ser protagonistas da mudança. A busca de evidência de validade visa a oferecer um instrumento que contribua para a realização de pesquisas com impacto social. À medida que as mulheres se percebem capazes de promover apoio mútuo, a Sororidade contribui para a autonomia e para o protagonismo feminino (Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2020; Wolff, 2020).
Para a elaboração do instrumento foi realizado um levantamento de literatura, bem como a busca por instrumentos com construtos equivalentes ao conceito de Sororidade, a exemplo de gênero. Por considerar a diferença sociocultural do uso da palavra Sororidade, a busca foi realizada na plataforma Redalyc (Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal) e na plataforma CAPES. A busca foi realizada em período livre e foram utilizadas as seguintes palavras: Sororidade, empatia, mulheres que atuam com outras mulheres.
A referência utilizada neste trabalho tomou por base autoras latino-americanas, a exemplo de: Cámara (2017), Lagarde y de los Rios (2012), Leal (2020), Tiburi (2016) e Wolff (2020). Trata-se de um estudo que buscou desenvolver um instrumento com evidências de validade de conteúdo em relação a um construto pouco estudado. Este trabalho tem como objetivos apresentar detalhadamente o processo de construção da Escala de Autoeficácia para a Sororidade (ES-SOROR). Isto inclui a elaboração criteriosa dos itens da escala, a investigação das evidências de validade com base no conteúdo, e a realização de um estudo piloto para avaliar a aplicabilidade e precisão dos itens propostos. A validade de um teste diz respeito à verificação do grau em que suas evidências oferecem suporte para interpretar se aquele domínio representa um fenômeno psicológico (construto), e, nesse sentido, se oferece suporte para a intepretação dos escores daquele teste. Existem variadas formas de se estudar a validade, dentre elas, com base no conteúdo, cujo objetivo é avaliar a representatividade dos itens do teste, com vistas a verificar se eles representam o domínio a ser testado (American Educational Research Association [AERA] et al., 2014). Ter medidas com evidências de validade demonstradas é atender ao princípio da justiça, considerando que práticas avaliativas devem maximizar os benefícios e minimizar os riscos a indivíduos, grupos ou instituições (Muniz, 2018).
Método
Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco e aprovada com o parecer nº 5.040.164. Todas as participantes, envolvidas nas várias e diferentes etapas da pesquisa, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, bem como foram informados de seus direitos. A construção do instrumento foi elaborada empiricamente e somada aos conceitos teóricos de Autoeficácia e Sororidade.
Este estudo foi construído por meio de três etapas: 1. Entrevistas individuais com o público-alvo: Mulheres militantes (participantes de movimentos sociais) e que já realizam atividades com outras mulheres; 2. Análise de juízes; e 3. Por fim, estudo com público-alvo. O detalhamento metodológico de cada estudo, assim como os respectivos resultados, serão apresentados em sequência.
Etapa 1 - Entrevistas Individuais com Mulheres Militantes
Participantes
Foram participantes 11 mulheres, com idades entre 38 e 66 anos (M=46,6; DP=8,778). Sobre a declaração de raça/etnia, apenas uma se declarou amarela, cinco se declararam negras e outras cinco se perceberam como brancas. Em relação ao nível de instrução, uma participante tinha ensino fundamental completo, duas eram graduadas e outras sete eram pós-graduadas. Das entrevistadas, cinco mulheres não tinham filhos(as) e outras seis tinham de um a quatro filhos (as). No que se refere à participação em movimentos sociais, cinco participavam de Conselhos de Direitos, quatro são de movimentos populares ligados à garantia de direitos das mulheres e outras duas pertenciam a movimentos LGBT+ e movimento de juventude. Algumas mulheres participavam de mais de um grupo ou movimento.
Instrumento
Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com base em um roteiro. As perguntas que conduziram a entrevista foram: 1. Já ouviu falar em Sororidade? 2. O que entende por Sororidade? 3. Como você percebe que existe Sororidade? 4. Que comportamentos acredita que facilitam uma relação de Sororidade? 5. Que comportamentos acredita que dificultam uma relação de Sororidade? 6. Como definiria Sororidade? 7. Dê exemplos do que observa ser uma relação de Sororidade. 8. O que mais teria a falar sobre Sororidade? É importante ressaltar que em uma entrevista, a participante desconhecia o termo Sororidade e, diante disso, foi apresentado um breve conceito a fim de tornar possível a continuidade da entrevista.
No que se refere aos dados sociodemográficos, foram solicitadas as seguintes informações: idade; identidade de gênero; escolaridade; renda familiar; se possui filhos; em caso afirmativo, quantos. No tocante à participação em movimento de mulheres foi perguntado: 1. Tem alguma experiência ou atua com o público feminino? 2. Participação em algum grupo, projeto, instituição, movimento social ou de mulheres? 3. Se sim na questão anterior, qual ou quais?
Procedimento
A escolha das participantes se deu por conveniência, foram convidadas pessoas atuantes em movimentos sociais, que desenvolvem atividades individualmente ou em grupo com o público feminino, que eram do rol de conhecimento da primeira autora. Após os contatos com as participantes para explicar a proposta, bem como informar como seria a realização das entrevistas (ambiente digital e síncrono), data e horário, foi possível agendar e efetuar as entrevistas de forma individual. Foram realizadas 11 entrevistas semiestruturadas, 10 na modalidade online e uma presencial (a pedido da participante). Importante registrar que as entrevistas foram realizadas durante a pandemia da COVID-19.
Antes do início da entrevista foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e foi solicitado o preenchimento do questionário sociodemográfico, bem como o aceite via Google formulários para viabilizar a participação da entrevistada. As entrevistas foram realizadas de outubro de 2021 a abril de 2022 e a duração variou de 7 a 24 minutos. Elas foram gravadas e serão guardadas por cinco anos após o término da pesquisa, quando o material será descartado, garantindo os cuidados éticos de guarda exigidos pela resolução 510/2016 (Conselho Nacional de Saúde [CNS], 2016); bem como os cuidados apresentados na LGPD.
Análise de Dados
Utilizar a análise de conteúdo foi uma escolha para trazer as falas, experiências, histórias e compreensões das mulheres (Bardin, 2011; Minayo et al., 2010), possibilitando melhor apreensão do processo de percepção do que entendem do termo Sororidade. Para tanto, as entrevistas foram áudio-gravadas e transcritas. Uma vez pronta a transcrição, foi realizada a leitura flutuante, as pré-análises e análises, destacando pontos comuns e relevantes, evidenciando em seu conteúdo os núcleos argumentais (Bardin, 2011). Com o material devidamente organizado e as respostas categorizadas em temas específicos, foi possível elaborar os itens da Escala de Autoeficácia para a Sororidade (ES-SOROR).
Resultado
Com base na transcrição das entrevistas, cada pergunta norteadora foi analisada separadamente. Foram analisadas as falas mais significativas e as frequências que os termos, temas e atitudes que se repetiam em cada questão. A categorização passou por dois momentos: 1. Análise de conteúdo e organização de temas, trechos e falas recorrentes por questões; 2. Afunilamento da categorização geral das narrativas e organização por temas.
Foram identificadas as seguintes categorias e respectivas porcentagens na primeira questão (o que você entende por Sororidade?): se colocar no lugar da outra (42,7%); rede solidária (15,7%); garantia patriarcado (10,4%); compreensão entre as mulheres (10,4%); sentir a dor (5,2%); poder dos homens sobre as mulheres (5,2%); de direitos (5,2%); fortalecimento entre as mulheres (5,2%). Como exemplo de respostas tem-se: “É uma perspectiva de relação mais sensível e acolhedora entre as mulheres” (participante 2). “O fortalecimento entre as mulheres, essa rede que se forma quando a empatia acontece de uma forma mais natural, através desse fortalecimento, dessa força feminina” (participante 4). “(...)são mulheres que cuidam de mulheres. (...) tem a ver com a empatia, né. Se colocar no lugar da outra, de sentir a dor da outra” (participante 7).
Em relação à segunda pergunta (como você percebe que existe Sororidade?), as categorias de respostas foram semelhantes às da questão anterior. As respectivas porcentagens encontram-se a seguir: colocar-se no lugar da outra (34,2%); ações práticas (as mulheres descreveram atividades que poderiam realizar para ajudar umas às outras, 19,5%); compartilhar experiências/rede/apoio (17,1%); escuta (12,1%); defender a outra/mobilizar (7,3%); enfrentar o patriarcado (4,9%); preconceito vivido (4,9%). Como exemplo de respostas tem-se: “Na prática, tentar sentir um pouco mais das dificuldades. Compreender que mulheres passam por situações mais difícil” (participante 1). “Nas relações com o outro, no dia a dia, acho que é de você ver uma situação e se importar” (participante 3). “Não se trata de você fazer algo muito esquematizado, eu acho que é muito mais no sentido de quando tudo parece que está perdido e parece que vem alguém e fala tô aqui do seu lado” (participante 5).
Com as recorrências dos termos e trechos, a importância das ações práticas (descreveram atividades que poderiam realizar para ajudar umas às outras) foi ficando mais evidente, expressa na terceira questão (Que comportamentos acredita que facilita uma relação de Sororidade?) “Se colocar no lugar e na prática defender, ajudar a outra mulher a ter voz” (participante 1). “Tomar um café para falar sobre isso, muitas vezes é quando a pessoa fala. Estou indo aí para fazer o almoço e você conseguir dormir, estou indo aí para levar seu filho na escola, estou indo aí para ficar um pouquinho com seu filho para você fazer coisas mais práticas do dia a dia. Sabe, para fazer um chá de benção” (participante 5). “(...) a Sororidade pode estar relacionada a esse apoio, esse estender de mão para mulher em vulnerabilidade” (participante 9). Para essa questão, os temas identificados nas respostas foram recorrentes, refletindo padrões semelhantes observados em outras partes da análise: escuta (26,7%); sentir a dor (16,3%); ações práticas (13,3%); defender a outra/acolher (10,1%); confiança em si e nas outras (10,1%); se colocar no lugar da outra (3,3); entender lutas de classe (3,3%); exercício de desconstrução (3,3%); compreensão entre as mulheres (3,3%); integração entre mulheres (3,3%); preconceito (3,3%); se sentir capaz (3,3%).
Para a questão ‘quais comportamentos você acredita que dificultam uma relação de Sororidade?’, são exemplos de falas: “A falta de compreensão do patriarcado” (participante 1). “É uma coisa de educação, de cultura. Falta de cultura, falta de educação, falta de humanidade” (participante 6). “(...) essa estrutura do machismo e do patriarcado é que atrapalha esse reconhecimento da mulher com essa força que ela é e de poder sentir toda essa Sororidade, desse cuidado de mulheres” (participante 7). Essa questão expressa as dificuldades vi vidas e apresentaram dificuldades variadas nas respostas, a saber: enfrentar o patriarcado (9,1%); machismo estrutural (9,1); vida virtual/internet (9,1%); rivalidade entre as mulheres (6,8%); questões de classe/pensamento elitista/privilégio (6,8%); falta de educação (6,8%); se colocar no lugar da outra (4,5%); excessiva atenção à casa e ao núcleo familiar (4,5); ficar se justificando (4,5%); falta de humanidade (4,5%); consciência de si/sua força (4,5%); falta de cultura (4,5%); comportamento de arrogância/ prepotência (2,3%); falta de abertura para o novo (2,3%); falta de escuta (2,3%); sentir a dor (2,3%); cobranças nas mídias sociais - internet (2,3%); dar opinião sem pedir (2,3%); diferença de raça (2,3%); na pratica (2,3%); preconceito (2,3%); micropoder - patriarcado (2,3%); quebra de confiança - rivalidade (2,3%).
Por fim, ao solicitar uma definição para a Sororidade (como definiria Sororidade?), a rede e o coletivo se materializaram: “Uma rede de apoio e de compreensão entre as mulheres que estão numa situação de submissão ao poder masculino” (participante 1). “Estar ao lado de mão dada sem julgar” (participante 5). “Dar as mãos independente de quem fosse” (participante 10). Percebe-se que os temas identificados nessa questão são temas relacionados a empatia e estão repetidos em relação às questões anteriores. Em relação à frequência das categorias, temos: estar ao lado/suporte/ dar as mãos (16,6%); empatia/capacidade de ter empatia (16,6%); diferença entre os corpos/singularidade/aceitação (16,6%); humanidade/respeito (11,1%); rede de mulheres/coletiva (11,1%); ação/prática (11,1%); sem julgar (5,6%); educar (5,6%); amor entre mulheres (5,6%).
Os tópicos dispostos nas frequências, bem como na literatura (Cámara, 2020; Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2020; Penkala, 2014; Tiburi, 2016; Wolff, 2020), levou as autoras a sintetizarem o que era apresentado e compreendido com as narrativas. Percebeu-se que algumas falas e compreensões sobre Sororidade se apresentavam de formas comuns, mesmo sendo descritas de forma diferente. Esta etapa se encerrou com nove temas, que são: empatia, patriarcado, lutas, atitudes, preconceito, escuta, desconstrução, união e singularidade. Utilizando estes nove temas, foram construídos 79 itens, e esses enviados para análise de juízes.
Etapa 2 - Análise de Juízes
Participantes
Juízes especialistas: três professores doutores, com experiência na construção de instrumentos e/ou especialista em gênero, visando obter contribuições para a construção da escala. Foram juízes dois professores e uma professora, com idades entre 41 e 52 anos (M=48,3; DP=5,185) das áreas de psicologia; educação, psicologia social e interdisciplinar.
Juízas Mulheres: quatro participantes, sendo que o critério de inclusão era atuar com o público feminino e a escolha se deu por conveniência, visando obter contribuição em relação à verificação do conceito de Sororidade. As idades das participantes variaram entre 40 e 72 anos (M=55,2; DP=512,517), com escolaridade do ensino fundamental à pós-graduação. Do total, três respondentes tinham filhos e uma não.
Instrumentos
Planilha de Excel 1: foi enviado para os juízes especialistas esse instrumento, no qual os 79 itens, foram dispostos em uma planilha na qual constavam 10 abas, sendo a primeira com as orientações e a solicitações de alguns dados sociodemográficos: idade, sexo, tempo de doutorado e área de conhecimento. Nas demais, foram dispostos os nove temas referentes aos itens a serem avaliados. Nas abas temáticas os juízes encontraram uma breve descrição do tema e seis colunas, sendo a primeira com os itens da escala, e nas demais consecutivamente Clareza de Linguagem (CL), Pertinência Prática (PP), Relevância Teórica (RT), Dimensão teórica (DT) e campo de observações. Para cada um dos tópicos CL, PP e RT de avaliação, foi utilizado uma escala de 5 pontos (Escala: 1 - pouquíssimo adequado / 2 - pouco adequado / 3 - medianamente adequado / 4 - muito adequado /5 - muitíssimo adequado). Quanto à RT, foi solicitado a avaliação em termos de Sim ou Não. Na última coluna um espaço para descrever observações, sugestões e comentários para cada item.
Planilha de Excel 2: respondida pelas juízas mulheres, na qual os 79 itens, foram dispostos em 10 abas, sendo a primeira com as orientações e a solicitações de alguns dados sociodemográficos: idade, sexo, tempo de doutorado e área de conhecimento. Nas demais, foram dispostos os nove temas referentes aos itens a serem avaliados. Nas abas temáticas as juízas mulheres encontraram uma breve descrição do tema e três colunas, sendo a primeira com os itens da escala, uma segunda se o item tinha clareza e uma terceira com espaço para observações, sugestões e comentários.
Procedimento
Foram realizados convites para seis professores doutores, com experiência na construção de instrumentos e/ ou especialistas em gênero, para a contribuição da validação de conteúdo da escala. Foram obtidas três respostas com interesse em participar como juízes. Posteriormente foi enviado a eles um link do Google formulários para o preenchimento de um breve questionário sociodemográfico, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e a planilha de Excel via e-mail para que pudessem efetuar a análise em horário e local conveniente. Os juízes retornaram as análises com uma média de dois meses após o envio dos convites.
A abordagem para as juízas mulheres foi realizada a fim de obter uma amostra diversa e após contato telefônico foram marcadas as conversas. Os encontros foram realizados de forma presencial, individual e em local conveniente para as participantes (moradia e trabalho), onde foi realizada a leitura e assinatura do TCLE. O processo de leitura, análise dos itens, apontamentos e reflexões, ocorreram sem dificuldades, a entrevista levou em média 30 minutos com cada respondente.
Análise de dados
A análise das respostas dos juízes especialistas, se deram com base no Coeficiente de Validade de Conteúdo ([CVC]; Hernández-Nieto, 2002). O cálculo do CVC seguiu as cinco etapas. Na primeira etapa, obteve-se a média das notas de cada item (Mx), com a soma das notas dos juízes dividida pelo número de juízes que avaliaram o item. Na segunda etapa, levantou-se o CVC inicial de cada item (CVCi), a média das notas de cada item foram divididas pelo valor máximo que o item poderia receber, portanto 5. Na terceira etapa, calculou-se o erro (Pei) com o objetivo de diminuir os vieses nas respostas dos juízes ao avaliar o item. Na quarta etapa, foi calculado o CVC final dos itens, CVCc = CVCi - Pei. Por fim, na quinta etapa foi calculado o CVC total (CVCt) para cada uma das dimensões, CVCc = Mcvci - Mpei. A concordância Inter avaliadores foi utilizada para a análise da dimensão teórica dos itens, sendo recomendado manter itens com valores iguais ou superiores a 80%. A etapa subsequente consistiu na análise dos comentários e sugestões provenientes dos três juízes especialistas e das quatro juízas mulheres, permitindo as devidas alterações nos itens da ES-SOROR.
Resultado
Em relação à análise dos juízes especialistas, os itens com CVC iguais ou superiores a 0,80 foram mantidos. Assim, dois itens da versão inicial foram excluídos: “Eu me sinto capaz de acreditar em outras mulheres, não acreditando que mulheres mentem” (CVC=0,74) e “Eu me sinto capaz de acreditar que mulheres negras não são inferiores” (CVC=0,74).
Quanto à relevância teórica, apenas o item “Eu me sinto capaz de estar perto de mulheres com vestimentas mais insinuantes” foi considerado inadequado por duas juízas mulheres, enquanto outros sete itens foram sinalizados por um dos três juízes especialistas. Foram acatadas sugestões sobre linguagem e termos, resultando na supressão de 16 itens da escala.
O tema ‘desconstrução’ foi eliminado após análise, pois os itens se encaixavam melhor em outros temas. Por exemplo: “Eu me sinto capaz de ser acolhedora com mulheres fora do padrão de beleza” que foi realocado para o tema empatia, e “Eu me sinto capaz de rever minha postura para apoiar mulheres com ideias diferentes” foi movido para o tema atitude. Alguns itens foram aglutinados por similaridade, enquanto outros foram suprimidos por conterem juízo de valor ou termos que poderiam dificultar a compreensão das respondentes em geral. Exemplos incluem: “Eu me sinto capaz de não compartilhar Fake News para aniquilar uma mulher que não gosto”, questionado pelo uso de "aniquilamento", e “Eu me sinto capaz de acreditar em outras mulheres, não acreditando que mulheres mentem”, considerado confuso por todos os juízes.
Em resumo, dos 79 itens avaliados, dois itens foram removidos por CVC inferior a 0,80 e outros 16 foram retirados após avaliação qualitativa. Ao final, a escala foi organizada em oito temas: empatia, patriarcado, lutas, atitudes, preconceito, escuta, união e singularidade, totalizando 61 itens.
Etapa 3 - Estudo Piloto com Público-Alvo
Participantes
Participaram cinco mulheres com idades entre 24 e 48 anos (M=37,2; DP=10,545), com escolaridade do ensino fundamental à pós-graduação, das quais apenas uma tinha filhos. Essas participantes avaliaram a semântica dos 61 itens selecionados ao longo do processo e já organizados em Escala Likert composta por 5 pontos.
Instrumento
No estudo foi utilizado formulário impresso com questões sociodemográficas e a escala ES-SOROR. O formulário continha o TCLE a ser assinado, informações sociodemográficas e os 61 itens dispostos em 6 colunas, sendo a primeira os itens e nas subsequentes a escala likert de 5 ponto: 1 - Discordo totalmente; 2 - Discordo parcialmente; 3 - Indiferente; 4 - Concordo parcialmente; e 5 - Concordo totalmente.
Procedimento e análise de Dados
Em conversa presencial com as participantes, foi realizada a leitura e assinatura do TCLE. Posteriormente, as mulheres responderam à escala já sistematizada de forma impressa individualmente e, posteriormente, realizou-se uma entrevista sobre o que acharam, o que não estava elucidado ou de fácil compreensão, além de possíveis sugestões. As conversas foram realizadas no local de trabalho das participantes e tiveram duração média de 15 a 30 minutos para leitura, preenchimento e indicação de dúvidas e/ou mudanças. Foi realizada análise qualitativa a partir da aplicação da escala.
Resultado
As participantes não indicaram mudanças específicas, apenas questionamentos relacionados ao entendimento da escrita. Relataram que não tiveram dificuldade em compreender os itens no que se refere a semântica, logo, nenhum item ficou comprometido a ponto da necessidade de sua retirada da escala ou novo texto. Desta forma, foram mantidos os 61 itens, que se rão organizados como escala e disponibilizados para a coleta na modalidade online.
A exemplo do item 3 “Me imaginar no lugar de outras mulheres com vivências diferentes das minhas”, uma respondente achou confuso. Para o item 6 “Criticar piadas que rebaixem as mulheres nas rodas de amigos” duas assinalaram o item 1 (Discordo totalmente) ficando evidente a dificuldade em se posicionar nos grupos. No item 15 “Apoiar mulheres nos enfrentamentos diferentes dos meus”, duas relataram que depende de qual posicionamento. Já no item 19 “Iniciar um movimento no trabalho para apoiar mulheres”, uma respondente disse que seria algo complicado e outra que nunca passou por isso. No item 28 “Interferir numa situação em espaço público para defender uma mulher”, uma registrou que não sabe se tomaria uma posição. Foi interessante observar que as participantes relataram que não apoiariam a mulher no caso do item 52 “Respeitar a decisão de mulheres que voltem para o convívio do autor de violência”, mesmo sendo algo hipotético, essa situação mobilizou este grupo de mulheres. E por fim, no item 58 “Entender que as mulheres têm o direito de fazer o que quiserem com seus corpos”, mesmo sendo algo geral uma respondente escreveu: “não apoio aborto de relação com consentimento”.
Discussão
Temos duas missões nesta seção: responder se nossos resultados permitem levar à conclusão de evidências de validade de conteúdo para a Escala de Sororidade e relacionar o tema - construção do instrumento e busca de evidência de validade -, à justiça social. Este estudo teve como objetivo a construção e a busca de evidências de validade de conteúdo para a Escala de Autoeficácia para a Sororidade (ES-SOROR). Como afirmado nas páginas iniciais, ao demonstrar evidências de validade respeita-se o princípio de justiça, tal como defendido por Hutz (2009) e Muniz (2018), no sentido de garantir que o instrumento permita maximizar benefícios ao indivíduo avaliado. Ao lado disso, a temática em tela - Sororidade, está inserida em pautas que preconizem a garantia de direitos.
A Sororidade é um pacto político de gênero, fundamentado no reconhecimento mútuo como interlocutoras, em que se mantém o compromisso com a autenticidade individual e com o apoio incondicional entre si, sem espaço para hierarquias (Fernandes, 2021). É uma manifestação específica da justiça social, focada na igualdade de gênero. Por meio das entrevistas com as mulheres foi possível observar que, há a crença de que elas podem promover a solidariedade e o apoio entre mulheres, de modo a contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, na qual todas, possam viver com dignidade e respeito.
A Sororidade, os direitos humanos, bem como a justiça social, estão interconectados na luta pela igualdade e dignidade, aqui particularmente, relacionado às mulheres. A luta das mulheres por direitos iguais é uma faceta crucial da justiça social, pois a discriminação de gênero é uma das formas mais persistentes de injustiça na sociedade (Fernandes, 2021). Por meio da Sororidade, as mulheres se fortalecem e se mobilizam para exigir igualdade, acesso a oportunidades e tratamento justo, aspectos essenciais para a concretização da justiça social.
O conceito vivido pelos grupos, se coloca como prática de solidariedade e apoio mútuo entre mulheres, desafia as desigualdades de gênero e hierarquias sociais (Becker & Barbosa, 2016) e se insere no movimento feminista, essencial para a promoção dos direitos das mulheres, como acesso à educação, saúde, segurança entre outras políticas. Ao lutar contra a violência de gênero e discriminação, a Sororidade fortalece as mulheres e busca transformar estruturas opressivas (Fernandes, 2021). Além disso, valoriza a diversidade feminina, a variedade de identidades, interseccionalidade, experiências e perspectivas das mulheres (Cámara, 2017; Lagarde y de los Rios, 2012). E promove uma luta inclusiva pelos direitos humanos, construindo uma sociedade mais justa e igualitária. As participantes destacam essa dimensão da Sororidade não apenas como um discurso, mas como uma prática vivida no cotidiano, refletida nas ações e relações diárias das mulheres envolvidas. Esse movimento se manifesta de forma concreta, na forma como se apoiam, superam desafios e fortalecem umas às outras em situações reais, ampliando o impacto da Sororidade para além das palavras.
Convém destacar que a construção dos itens se deu com base nos conceitos de Sororidade e Autoeficácia, além das referências de feminismo e movimentos sociais. Utilizou-se o conceito de Autoeficácia (Bandura, 1977) para compreender o quanto a mulher se sente capaz de ser apoio de outras mulheres. Bandura (1977) destacou os processos autorreferentes, de modo que, há ênfase nas pessoas como agentes ativos; nas origens sociais do comportamento; nos processos de pensamento (cognitivos); na variabilidade do comportamento; e na aprendizagem de padrões complexos de comportamentos. A crença leva ao esforço e, com isso, tem-se expectativa de resultados favoráveis. O conceito de Sororidade foi adotado a partir do movimento feminista comunitário latino-americanos, no qual Sororidade é definida como amizade entre mulheres, numa relação empática considerando as múltiplas formas de ser mulher e suas diferenças (Cámara, 2017; Lagarde y de los Rios, 2012). Neste sentido, a Sororidade não é apenas uma simples irmandade entre mulheres, e sim compreendida como um movimento político com “voz própria” (Fernandes, 2021).
A opção pela construção da escala, se deu por não ter um instrumento que abarcasse a temática e a compreensão desejada (Borsa & Seize, 2017). A escala foi pensada para integrar saberes advindos da psicologia social e da psicometria, além de fomentar pesquisas sobre temas importantes e necessários para as mulheres, podendo contribuir com movimentos sociais e com a luta frente ao patriarcado, além de poder impactar as políticas públicas com ações e intervenções sobre o tema. Para isso, optou-se por iniciar o desenvolvimento do instrumento a partir da experiência das mulheres, visando acolher suas demandas, ouvir o público-alvo e garantir seu lugar de fala, valorizando as experiências vividas (Damásio & Dutra, 2017).
As entrevistas semiestruturadas realizadas durante a pandemia revelaram um impacto significativo nas condições de realização da atividade. A partir dessas entrevistas, foram sistematizados oito temas relacionados ao conceito de Sororidade. Observou-se que, para este grupo de mulheres, a Sororidade estava fortemente ligada a ações práticas e empáticas, focadas no apoio e cuidado mútuo. As análises das entrevistas fortalecem as fontes de evidência de contudo para a construção da escala (Padilla & Baena, 2014).
Essa compreensão ficou evidente nas narrativas, nas quais as mulheres descreveram como compreendem e vivenciam a Sororidade, possibilitando a compreensão do construto (Padilla & Baena, 2014). Elas destacaram que a diferença crucial reside na prática, afirmando que os conceitos teóricos são insuficientes sem uma vivência real (Fernandes, 2021). Essa crítica se manifestou nas práticas, experiências e relatos durante a pandemia. Nas narrativas, ficou evidente que, para este grupo, foram as mulheres que estabeleceram redes de cuidado e apoio entre si, especialmente nas periferias, em que o Estado frequentemente falha em cumprir seu papel. Para o público-alvo a pandemia representou “uma crise dentro da crise” (Mendonça, 2020)
Os temas empatia, patriarcado, lutas, atitudes, preconceito, escuta, união e singularidade, sintetizados com a análise de conteúdo (Bardin, 2011; Minayo et al., 2010) estão relacionados com a prática expressa pelas mulheres, bem como com a teoria. São temas transversais e importantes nas ações realizadas com grupos de mulheres (Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2020) e que são necessários para a compreensão da Autoeficácia para a Sororidade.
A escala final incorporou os temas mencionados, resultando em um total de 61 itens. O processo de categorização das narrativas revelou que os temas elencados estavam relacionados ao processo de vivência das mulheres, sendo importantes para a compreensão da Sororidade (Cámara, 2017; Fernandes, 2021; Lagarde y de los Rios, 2012). Mesmo que alguns temas se aproximassem, eles se configuraram como uma categoria específica, por isso a decisão de manter dessa forma (Bardin, 2011).
A etapa subsequente na construção do instrumento foi a análise de juízes foi baseada no julgamento realizado por um grupo de juízes experientes na área, bem como um grupo denominado juízas mulheres. Eles analisaram se o conteúdo está coerente e adequado ao que se propõe (AERA, et al., 2014). Dos 79 itens, foram subtraídos dois itens por não alcançarem o critério estabelecido para o CVC (0,80). Outros 16 foram suprimidos considerando comentários qualitativos sobre a escrita deles.
Os comentários alertavam sobre o juízo de valor na escrita, bem como termos que poderiam induzir a resposta no que se refere a desejabilidade social. Importante comentar que uma juíza especialista em gênero questionou a relação de alguns itens no tema atitude com afazeres domésticos e maternidade, a exemplo dos itens: “Fazer comida/arrumar a casa para apoiar uma mulher no pós-parto”. Neste caso é importante destacar que algumas mulheres eram envolvidas com grupos de maternidade. Isso destaca a importância de reconhecer que, mesmo ao criticar o patriarcado, fomos moldadas por essa cultura patriarcal (Cámara, 2017; Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2020). A partir da concordância entre os juízes e a eliminação de itens que não expressaram adequadamente o construto da escala.
No estudo piloto, percebeu-se o quanto determinados temas e situações, por vezes, mantêm as mulheres em pensamentos mais individualistas e sem empatia (Faleiros, 2007). Existe certa dificuldade em se retirar das emoções que levam ao julgamento moral e se disponibilizar nas relações de Sororidade (Lagarde y de los Rios, 2012; Leal, 2020) como aprendido e fomentado pela cultura patriarcal vivida. Por se tratar de situações cotidianas no universo feminino, as respondentes se identificaram com determinadas afirmações e relataram que já viveram ou acompanharam alguém que viveu, teceram comentários e possíveis soluções para contribuir com outras mulheres nas situações apresentadas nos itens. Foi possível observar uma importante lacuna para a atuação com o tema Sororidade, considerando a necessidade em rever formas de se relacionar perpetuadas nas relações entre as mulheres, porém passiveis de ampliação e mudança (Fernandes, 2021; Lagarde y de los Rios, 2012).
A discussão sobre a Sororidade é fundamental, uma vez que ela envolve a compreensão das dinâmicas de apoio entre mulheres e seu impacto nas relações de gênero (Fernandes, 2021; Lagarde y de los Rios, 2012). Tem-se a oportunidade de oferecer uma abordagem relevante para os estudos de gênero, psicologia social e relações intergrupais. Pesquisas sobre o tema podem ajudar a entender como as mulheres constroem redes de apoio e enfrentam coletivamente os desafios impostos por sistemas de opressão, como o patriarcado e a violência de gênero (Cámara, 2020). Socialmente, a Sororidade permite que as mulheres se unam na luta contra a violência, a discriminação e as diversas formas de marginalização. Além disso, a Sororidade reconhece e valoriza as diversas identidades e experiências femininas, respeitando as diferenças de classe, raça, etnia e sexualidade, o que contribui para uma sociedade inclu siva e plural.
É importante destacar que a primeira pesquisadora tem uma implicação direta com a militância junto a mulheres e grupos, o que influencia seu trabalho. E como psicóloga social, adota-se o processo de pesquisa participante (Tittoni, & Jacques, 2011), reconhecendo a possibilidade de viés pessoal em sua interpretação dos dados ao longo da pesquisa. Não apresentado aqui como uma dificuldade e sim um ponto de oportunidade em lidar com cuidados científicos na pesquisa (Tittoni, & Jacques, 2011). Desenvolver o estudo na pandemia foi algo bastante desafiador, que pode ter impactado não só nas dificuldades acadêmicas de pesquisa como também a vivência das participantes, pois naturalmente estavam em um momento de muita ajuda mútua.
Considerações Finais
O presente estudo demonstrou o processo de construção e a evidência de validade de conteúdo da Escala de Autoeficácia para a Sororidade (ES-SOROR), proporcionando uma importante contribuição para a avaliação de um tema crucial na vida das mulheres. Este instrumento pode ser utilizado como ferramenta educativa para o público-alvo, preenchendo lacunas na compreensão da Autoeficácia relacionada à Sororidade e ajudando a entender como as mulheres se sentem capazes de apoiar umas às outras em diversas situações. Do ponto de vista psicométrico, a escala passou por um rigoroso processo de análise e refinamento. O minucioso processo com análise de juízes e público-alvo assegura que a escala não apenas teorize sobre a Sororidade, mas também, capture sua prática e importância na vida cotidiana das mulheres, promovendo uma ferramenta relevante para estudos futuros e intervenções no campo da psicologia com movimentos sociais e feminista. Estudos futuros serão bem-vindos, especialmente aqueles realizados fora do contexto da pandemia, para buscar evidências adicionais de validade do instrumento em amostras diversas, considerando variações em faixa etária e contexto cultural. Será uma possibilidade para preencher lacunas na compreensão da Autoeficácia para a Sororidade, entendendo como as mulheres se sentem capazes de apoiar outras mulheres nas mais diversas situações vividas.














