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Psicologia em Revista

versão impressa ISSN 1677-1168

Psicol. rev. (Belo Horizonte) vol.27 no.2 Belo Horizonte maio/ago. 2021  Epub 20-Jan-2025

 

EDITORIAL

EDITORIAL


Prezadas leitoras, prezados leitores,

Afirmando o compromisso social, o respeito à diferença e o rigor epistemológico, o segundo número de 2021 oferece à comunidade científica reflexões sobre temas atuais e clássicos. Apresenta ainda um dossiê – financiado pelo Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (IEAT/UFMG) – que reflete sobre a importância da Lei n.º 12.711 para a acolhida dos estudantes negros e negras nas universidades. Os artigos e a entrevista do dossiê foram produzidos no primeiro semestre de 2022, mas, devido à importância e urgência do tema, resolvemos publicar já neste número.

O primeiro artigo investiga a lógica binária do discurso hegemônico heteronormativo que invisibiliza a experiência da maternidade entre mulheres lésbicas. Seguindo no tema das maternidades possíveis, o segundo texto anuncia a crescente contratação de doulas por mulheres que buscam uma experiência de parto humanizada, protegida da violência obstétrica.

O relato do trabalho psicológico com crianças no acolhimento institucional, abrigadas devido à violação dos direitos fundamentais, é o foco do manuscrito seguinte. Já o quarto texto, que dá continuidade ao modelo de relato de experiência e sofrimento infantil, apresenta a experiência de escuta clínica, orientada pela psicanálise, de um menino com atresia esofágica.

O quinto artigo discute as possibilidades do trabalho com grupos de pais em instituições, numa perspectiva psicanalítica, pela realização de um levantamento da literatura psicanalítica que trata do lugar dos pais na psicanálise com crianças, a partir de Freud e de Lacan. Ainda com o recorte teórico da psicanálise e a metodologia de revisão de literatura, o sexto texto propõe a discussão acerca dos fenômenos psicossomáticos como uma possível solução para a economia libidinal do sujeito.

Com base em uma discussão sobre o Trieb de Freud e o conceito de “informação” da Psicologia cognitiva, o sétimo artigo defende que o caráter científico dessas teorias se fundamenta por meio de uma noção ontológica de transformação que revela implicações diretas para os seus campos epistemológicos. Na sequência, temos uma discussão que, a partir de uma revisão de literatura, objetiva abordar o fundamentalismo religioso por meio do aporte teórico da psicanálise freudiana. Por sua vez, o tema clássico da ansiedade é revisitado na proposta teórica de Rolo May, em um diálogo com a fenomenologia clínica como objetivo central do texto seguinte.

O décimo artigo nos oferece uma discussão baseada numa pesquisa de campo, sobre as diferentes significações de professores em relação às suas condições de trabalho. O próximo texto discute o lugar do observador no Método Bick de Observação em contextos de vulnerabilidade, considerando excertos de duas observações da relação mãe-bebê.

Seguindo a narração de assassinatos de travestis e transexuais a golpes de faca, o décimo segundo artigo pretende acompanhar alguns eventos e processos de destruição e morte que compõem o processo de formação e gestão da vida urbana no Ocidente e, em específico, a repercussão dessas lógicas no presente da cidade de Boa Vista, Estado de Roraima. Um estudo exploratório, que teve como objetivo investigar fatores promotores ou inibidores do desenvolvimento de talentos entre os Yuhup, é o foco do texto subsequente.

O primeiro artigo do dossiê se apoia na experiência de articulação do Grupo de Estudos Pretos (GEP) da PUC Minas, para demonstrar em que medida a experiência coletiva exerce uma função de ativar um lugar epistêmico que tensiona os modos de produção de saberes universitários e promove giros epistemológicos. O segundo texto apresenta o recorte de um estudo que investigou as trajetórias de pessoas negras graduadas e pós-graduadas em Psicologia, discutindo sobre os aspectos relativos à elaboração de um projeto profissional e de vida, bem como o planejamento de carreira.

A escuta de estudantes negras e bolsistas do Programa Universidade para Todos (Prouni), por meio de entrevistas semiestruturadas, constitui o eixo do terceiro artigo do dossiê. Ao abordar a experiência de uma mulher negra na universidade, o próximo artigo opera uma reflexão a partir de depoimento e de fragmentos de casos clínicos para pensar o entrecruzamento entre racismo e ações afirmativas.

Na sequência, encontramos uma reflexão sobre as perspectivas e impasses trazidos pela entrada de estudantes negros na universidade pública, partindo da experiência da Comissão de Heteroidentificação na UFES; experiências pedagógicas contracoloniais propostas na disciplina de Introdução à Psicologia; e das práticas de extensão do coletivo Ocupação Psicanalítica, que realizou conversações na UFES sobre o que é ser um estudante negro na universidade.

O texto seguinte trabalha questões objetivas da lei, como a discussão acerca de se manter ou não a cota racial, privilegiando-se a cota social. Isso revela que essa discussão tem como centralidade a atualização do sistema negacionista do racismo à brasileira.

Por fim, o dossiê nos brinda com uma entrevista com a primeira mulher negra a ocupar um lugar na reitoria de uma universidade pública, ainda que na condição de vice-reitora (1993-1997), Zélia Amador de Deus.

Boa leitura!

A Comissão Editorial

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