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Revista Brasileira de Orientação Profissional

On-line version ISSN 1984-7270

Rev. bras. orientac. prof vol.24 no.2 Campinas  2023  Epub Oct 25, 2024

https://doi.org/10.26707/1984-7270/2023v24n0207 

Artigo

Relação entre Projeto de Vida, Forças de Caráter, Autoeficácia para Escolha Profissional1

Relationship between Life Project, Character Strengths, professional choice self-efficacy

La relación entre Proyecto de Vida, Fuerzas de Carácter, Autoeficácia para Escolha Profissional

Iara Cristina de Carvalho Hayashi1 
http://orcid.org/0009-0003-9852-1591

Marcela Hipólito de Souza2 
http://orcid.org/0000-0001-8519-5713

Ana Paula Porto Noronha2  2 
http://orcid.org/0000-0001-6821-0299

1Universidade São Francisco, Bragança Paulista/SP, Brasil

2Universidade São Francisco, Campinas/SP, Brasil


Resumo

O objetivo deste estudo foi investigar as dimensões de construtos psicológicos positivos no contexto de carreira. Análises descritivas e inferenciais foram conduzidas em uma amostra de 231 pessoas com idades entre 18 e 20 anos. Os participantes responderam ao questionário sociodemográfico, Escalas de Projeto de Vida para Adolescente, Forças de Caráter e Autoeficácia para Escolha Profissional. Os resultados das relações entre as forças, autoeficácia e projeto de vida, variaram de 0,13 a 0,69. Quanto à regressão linear, a força imparcialidade foi explicada por duas dimensões do Projeto de Vida, enquanto a força cidadania foi a que mais explicou todos os domínios da Autoeficácia para Escolha Profissional. Assim, os resultados sugerem que varáveis positivas contribuem para compreensão de comportamento de carreira.

Palavras-chave adolescentes; psicologia positiva; carreira

Abstract

This study aimed to investigate the dimensions of positive psychological constructs in the career context. Descriptive analyzes and inferences were conducted in a sample of 231 people between 18 and 20 years old. The participants answered the sociodemographic questionnaire, Life Project Scales for Adolescents, Character Strengths, and Selfefficacy for Professional Choice. The results of the relationships between strengths, self-efficacy, and life projects ranged from 0.13 to 0.69. As for the linear regression, the impartiality force was explained by two dimensions of the Life Project, while the citizenship force was the one that most described all the domains of Self-efficacy for Professional Choice. Thus, the results suggest that positive variables contribute to understanding career behavior.

Keywords adolescente; positive psychology; career

Resumen

El objetivo de este estudio fue investigar las dimensiones de los constructos psicológicos positivos en el contexto de carrera profesional. Análisis descriptivos e inferencias realizados en una muestra de 231 personas con edades entre 18 y 20 años. Se respondieron el cuestionario sociodemográfico, Escalas de Proyecto de Vida para Adolescentes, Fortalezas de Carácter y Autoeficacia para la Elección Profesional. Las relaciones entre fortalezas, autoeficacia y proyectos de vida oscilaron entre 0,13 y 0,69. Referente a la regresión lineal, la fuerza de la imparcialidad fue explicada por dos dimensiones del Proyecto de Vida, y la fuerza de la ciudadanía mejor describe todos los dominios de la Autoeficacia para la Elección Profesional. Los resultados sugieren que las variables positivas contribuyen a comprender el comportamiento de carrera profesional.

Palabras clave adolescentes; psicología positiva; carrera

Introdução

As mudanças advindas da globalização, evoluções tecnológicas e as mudanças sociais no processo e nas relações de trabalho, trouxeram novas possibilidades aos jovens e desafios diferentes para a escolha de uma profissão (Da Fonseca, 2017). O cenário globalizado, a atual realidade econômica, social e política como consequência, exigem uma contínua adaptação, culminando com a fase do desenvolvimento desse indivíduo que está transitando da adolescência para a vida adulta. Este momento é marcado por muitos anseios, angústias, confrontos, desejos e a preocupação com seu futuro profissional (Santrock, 2014). Com vistas a compreender a contribuição dos construtos da Psicologia Positiva (PP) para auxiliar no enfrentamento das adversidades (Oliveira et al., 2021; Toledo et al., 2021), propõe-se, neste estudo, investigar as relações entre forças de caráter e autoeficácia para escolha da carreira, uma vez que o movimento da PP direcionou suas investigações para as forças e virtudes humanas, reconhecidamente importantes para o bem-estar social (Seligman & Csikszentmihalyi, 2014).

A PP é um movimento científico que visou alavancar as pesquisas científicas com os construtos chamados positivos com a finalidade de prevenir doenças mentais e físicas, por meio da compreensão de aspectos positivos e saudáveis do desenvolvimento do bem-estar humano. A PP pode ser aplicada em vários contextos profissionais (Noronha & Reppold, 2021; Peterson & Seligman, 2004). Especialmente, foram considerados, neste estudo, os conceitos projeto de vida, forças pessoais/de caráter e autoeficácia, quando da transição de carreira em sua relação com a escolha profissional (Araújo et al., 2021). No que se refere ao projeto de vida, como defendido por Dellazzana-Zanon e Freitas (2015), trata-se da direção e o significado na vida de um indivíduo. Desta forma, o projeto de vida promove auto-organização da situação presente, o estabelecimento do que se pretende no futuro e as metas para alcançá-lo por meio de planos estratégicos que serão postos em ação. É sobretudo na adolescência que o projeto de vida se faz essencial, pois é quando se começa a estabelecer metas para o futuro. Adolescentes que têm um projeto de vida bem definido possuem um desenvolvimento mais positivo e um direcionamento de vida, uma vez que dá sentido à existência, organiza os pensamentos e as ações, e relaciona-se com um sistema de valores morais e éticos, atendendo à busca da felicidade individual e coletiva (Costa et al., 2019; Damon, 2009; Silva & Braz, 2020).

Em contrapartida, aqueles adolescentes que não possuem um projeto de vida estruturado, estão mais propensos às dificuldades de manter relacionamentos estáveis, possuem uma baixa produtividade e sentem que suas vidas não têm uma finalidade (Damon, 1995; Pereira et al., 2021). A ausência de um projeto de vida tem consequências na saúde mental (Damon, 1995). Dessa forma, ações para a implementação e desenvolvimento de projetos de vida para adolescentes deveriam ser pensadas e realizadas, bem como incentivadas pela família e pela escola, pois são os contextos familiares e educacionais de grande influência para esse grupo (Dellazzana-Zanon et al., 2019; Pereira et al., 2021). Assim, trabalhar projeto de vida no processo de escolha profissional implica conexões com a construção de si e da sociedade. Ademais, norteia o desenvolvimento de autoconhecimento quanto aos interesses e valores no processo de construção de caminhos para uma maior satisfação e realização pessoal (Scorzafave & Noce, 2021).

Outro importante construto, nomeado de forças pessoais/de caráter, é compreendido por características positivas, que se refletem em pensamentos, sentimentos e comportamentos (Noronha & Batista, 2020; Noronha & Reppold, 2021; Seligman, 2019). As forças possibilitam o desenvolvimento de relacionamentos mais saudáveis e maior engajamento do indivíduo com sua própria vida. Peterson e Seligman (2004) estruturaram a classificação de forças pessoais/de caráter organizada em 24 forças e seis virtudes que, ao serem desenvolvidas levam o indivíduo a ter mais emoções positivas, maior engajamento e o aumento do bem-estar subjetivo. Trata-se de forças relativamente estáveis, mas passíveis de serem desenvolvidas. Indivíduos que possuem maior capacidade de expressarem suas forças pessoais/ de caráter, desfrutam de uma vida com maior satisfação, favorecendo um desenvolvimento pleno e saudável em seus relacionamentos interpessoais. Além disso, têm um maior compromisso com as atividades sociais, profissionais e acadêmicas e características humanas positivas manifestas nos comportamentos e no gerenciamento dos sentimentos e emoções (Batista & Noronha, 2021; Noronha & Martins, 2016; Peterson & Seligman, 2004; Seligman, 2019).

A busca por uma vida com maior satisfação e o êxito de um projeto de vida também se associam às crenças do indivíduo em sua capacidade pessoal, em sua autoeficácia. A este respeito, Bandura (1978) desenvolveu a Teoria Social Cognitiva (TSC), que parte da premissa de que o indivíduo é o agente de suas ações em uma relação de determinismo recíproco. Nesse sentido, a forma como o indivíduo interpreta seu comportamento, especifica e altera o ambiente e fatores pessoais, bem como ilustram e alteram comportamentos futuros (Bandura, 1986). A autoeficácia é um dos conceitos centrais da TSC, pois ela informa sobre as crenças de competência pessoal e proporcionam a base motivadora humana para traçar planos e alcançar suas metas, objetivos. Além disso, pode determinar quanto esforço, persistência e tempo será empenhado pelo indivíduo diante das adversidades, trazendo bem-estar e um sentido de realização pessoal (Bandura, 1978; Lent et al.,1994). Concernente à escolha profissional, a autoeficácia, como preditor, reflete a capacidade de identificar interesses, objetivos e estratégias profissionais. O indivíduo com fortes crenças de autoeficácia tende a comprometer-se com seu futuro profissional, explorando possibilidades e tomando decisões para seu desenvolvimento de forma mais assertiva, visto que a crença está associada a confiança do sujeito em executar com êxito uma tarefa (Sassi & Islam, 2020).

Durante o processo de desenvolvimento do adolescente para a vida adulta, um marco importante é a escolha profissional, seja pela inserção no mercado de trabalho ou pela continuidade dos seus estudos. Espera-se que neste período de transição os adolescentes tenham uma boa expectativa do futuro, o que facilitará as tomadas de decisões para a escolha profissional (Morais et al., 2021). Do contrário, a indecisão, a falta de autoconhecimento, de motivação e a falta de crença na própria competência, podem acarretar adoecimento físico e mental (Morais et al., 2021). A este respeito, Santrock (2014) enfatizou que a escolha de uma carreira se faz durante as mudanças e desenvolvimento biológico, cognitivo e socioemocional do adolescente, quando ele está desenvolvendo sua própria identidade, o que exigirá dele planejamento, autoconhecimento e tomadas de decisão.

Isto posto, a presente pesquisa consiste em compreender as relações entre projeto de vida, forças pessoais/ de caráter e autoeficácia para escolha profissional. No que diz respeito aos objetivos específicos, tem-se: (1) verificar as relações entre as dimensões da Escala de Autoeficácia para Escolha Profissional (EAE-EP) e a Escala de Projeto de Vida para Adolescente (EPVA), além da relação entre a Escala de Forças de Caráter (EFC) com a EPVA e EAE-EP; (2) compreender o poder preditivo das forças pessoais/de caráter para projeto de vida e autoeficácia para escolha profissional; (3) investigar eventuais diferenças de médias entre projeto de vida, forças pessoais/ de caráter e autoeficácia para escolha profissional, no que se refere ao gênero.

Método

Participantes

A amostra do presente estudo foi constituída por 231 participantes, com idades variando de 18 e 20 anos (M = 18,6; DP = 0,79), com ensino médio completo (41,1%), sendo 50,2% dos participantes inseridos em instituições de ensino estaduais. A maior parte da amostra era do sexo masculino (80,5%), residente da região sudeste do Brasil (81%) e não exercia atividade remunerada (63,2%). Entre os participantes, grande parte declarou renda familiar de 1 a 3 salários-mínimos (35,5%). Trata-se de uma amostra de conveniência.

Instrumentos

Questionário sociodemográfico (Elaborado para o presente estudo): tem como finalidade identificar as características dos participantes, tais como: idade, gênero, escolaridade, tipo de escola, região em que reside, status de trabalhador/ estudante e renda familiar.

Escala de Projeto de Vida para Adolescentes (EPVA; Dellazzana & Gobbo, 2016). A EPVA pode ser favorável para compreender o desenvolvimento positivo de adolescentes, e consiste em um instrumento de autorrelato composto por 42 itens que avaliam cinco dimensões do projeto de vida: A dimensão “Religiosidade” (α = 0,72) contém 7 itens, relacionados à satisfação com a conexão pessoal com Deus ou com algo que se considere como absoluto. A dimensão “Carreira” (α = 0,73) contém 10 itens, que informam sobre a continuidade dos estudos. A dimensão “Aspirações Positivas” (α = 0,74) contém 7 itens, referentes à vontade de se melhorar enquanto pessoa ao longo do tempo, como exemplo de item “Gostaria de me tornar uma pessoa cada vez melhor”. A dimensão “Bens Materiais” (α = 0,72) contém 9 itens, referentes a projetos relacionados à aquisição de bens materiais e ao desejo de melhoria da condição financeira; como exemplo de item, “Gostaria de estar ganhando muito dinheiro”. A dimensão “Relacionamentos Afetivos” (α = 0,78) contém 9 itens, relacionados a iniciar, manter ou intensificar relacionamentos afetivos. Possui chave de resposta em escala Likert, variando de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente). Os índices de consistência foram considerados adequados (Dellazana-Zanon et al., 2019).

Escala de Forças pessoais – EFC (Noronha & Barbosa, 2016). A EFC é baseada nas 24 forças pessoais/de caráter de Peterson e Seligman (2004), forças que todas as pessoas possuem em diferentes graus, segundo os autores, independentemente das suas origens. A escala brasileira tem 71 itens e oferece afirmações ao respondente, que pode escolher o quanto ele se identifica com aquela frase em uma escala Likert de 5 pontos, variando de zero, “nada a ver comigo”, a 4, “tudo a ver comigo”. Evidências de validade com base na estrutura interna (Noronha & Batista, 2020) e na relação com variáveis (Noronha et al., 2019; Toledo et al., 2021) foram verificadas e a consistência interna da medida foi alta (α = 0,93).

Escala de Autoeficácia para Escolha Profissional – EAE-EP (Ambiel & Noronha, 2010). EAE-EP foi desenvolvida com o intuito de mapear as crenças pessoais em relação ao tema da escolha profissional, ou seja, o quanto o indivíduo acredita na sua capacidade de fazer escolhas em relação à sua carreira. A EAE-EP conta com 47 itens, organizados em quatro fatores. O fator “Autoeficácia para Autoavaliação” (α = 0,88) é composto por 17 itens da escala e se refere à capacidade que o indivíduo julga ter sobre o seu autoconhecimento e como este se relaciona com as profissões. O fator “Coleta de Informações Ocupacionais” (α = 0,84) contém 11 itens, sendo relacionado à capacidade de buscar informações em diferentes fontes sobre profissões. O fator “Busca de Informações Profissionais Práticas” (α = 0,84) abarca 11 itens e diz respeito à crença na sua capacidade de buscar informações com profissionais da área, por meio de relacionamento interpessoal e observação empírica. O fator “Planejamento de Futuro” (α = 0,79) possui 8 itens e busca identificar a capacidade de observar a profissão pretendida no futuro, bem como analisar a possível questão financeira envolvida. Por fim, há também um escore geral que estima a crença do indivíduo nos fatores previamente citados (α = 0,94). A escala utilizada para o preenchimento dos itens é tipo Likert de 4 pontos (1 = pouco e 4 = muito).

Procedimentos

Inicialmente, o projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade São Francisco (CAAE 38622514.5.0000.5514). Após aprovado, as redes de contato das autoras foram utilizadas com o intuito de disponibilizar o link para acessar o formulário da pesquisa (utilizando a ferramenta Google Forms). A participação na pesquisa dos voluntários foi condicionada ao “aceite” do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido-TCLE e a indicação de possuírem 18 anos. Na sequência, os participantes responderam ao Questionário sociodemográfico e aos instrumentos na seguinte ordem: Escala de Projeto de Vida, Escala de Forças pessoais e Escala de Autoeficácia para Escolha Profissional. O tempo estimado de coleta foi de 20 minutos. É de fundamental importância ressaltar, que a coleta de dados aconteceu virtualmente devido às medidas de enfrentamento da pandemia do Covid-19, seguindo, assim, as orientações propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para manter o distanciamento social e/ou quarentena, considerando a gravidade da situação.

Análise de dados

Inicialmente a normalidade dos dados foi verificada por meio do teste Shapiro-Wilk, que refutou a distribuição normal. A partir disso, optou-se pelos testes não-paramétricos, utilizado para análises de dados. Posteriormente, empregou-se a análise descritiva para a caracterização da amostra. O teste de Spearman foi realizado para verificar a correlação entre as dimensões dos construtos. As magnitudes das correlações foram interpretadas de acordo com a classificação de Cohen (1988). A fim de investigar o poder explicativo, foi empregada análise de regressão múltipla linear, tendo como variável independente o projeto de vida e a autoeficácia para escolha profissional, e as forças pessoais/de caráter como variável dependente. Para avaliar se há diferenças entre as médias dos instrumentos e sexo, foi utilizado o teste U Mann-Whitney, enquanto o teste Kruskall-Wallis foi empregado para verificar possíveis diferenças de médias em relação à variável gênero.

Resultados

Os resultados das correlações serão apresentados em duas tabelas, devido à extensão dos dados analisados. Na Tabela 1, constam as correlações entre os escores da EAE-EP e EPVA. Já na Tabela 2, estão disponíveis as correlações entre os escores da EFC, EPVA e EAE-EP. Os resultados da Tabela 1, demonstram que os fatores da EAE-EP têm o maior número de associações com aspirações positivas, tendo sido encontrada magnitude grande em autoavaliação e aspirações positivas, enquanto os escores da autoavaliação tiveram correlações de magnitudes médias com religiosidade, carreira e bens materiais.

Tabela 1 Correlação entre os Fatores dos Instrumentos EAE-EP e EPVA 

EPVA
Construto/medida Religiosidade Carreira Aspirações Positivas Bens Materiais Relacionamentos Afetivos
EAE-EP
Autoavaliação 0,33** 0,42** 0,54** 0,43** 0,24**
Coleta de Informações Ocupacionais 0,31** 0,48** 0,45** 0,44** 0,23**
Busca de Informações Profissionais e Práticas 0,31** 0,42** 0,42** 0,40** 0,22**
Planejamento de Futuro 0,28** 0,38** 0,41** 0,41** 0,22**

Nota. * p< 0,05. ** p< 0,01). Escala de Autoeficácia para Escolha Profissional (EAE-EP); Escala de Projeto de Vida para Adolescentes (EPVA).

Tabela 2 Correlação entre os Fatores dos Instrumentos EFC, EPVA e EAE-EP 

EPVA EAE-EP
Construto/medida Religiosidade Carreira Aspirações Positivas Bens Materiais Relacionamentos Afetivos Autoavaliação Coleta de Inform. 0cupacionais Busca de Inform. Profissionais Práticas Planejamento de Futuro
EFC
Criatividade 0,26** 0,34** 0,28** 0,16* 0,56** 0,53** 0,46**
Curiosidade 0,20* 0,35** 0,43** 0,40** 0,12 0,65** 0,63** 0,60** 0,57**
Pensamento Crítico 0,15* 0,32** 0,40** 0,26** 0,10 0,58** 0,56** 0,51** 0,51**
Amor ao Aprendizado 0,19* 0,31** 0,38** 0,30** 0,09 0,61** 0,63** 0,61** 0,49**
Sensatez 0,28** 0,26** 0,35** 0,25** 0,16* 0,60** 0,56** 0,54** 0,45**
Bravura 0,24** 0,33** 0,41** 0,26** 0,18* 0,58** 0,53** 0,57** 0,46**
Perseverança 0,29** 0,36** 0,38** 0,31** 0,11 0,56** 0,53** 0,51** 0,43**
Autenticidade 0,31** 0,39** 0,31** 0,39** 0,26** 0,51** 0,48** 0,52** 0,44**
Vitalidade 0,35** 0,29** 0,37** 0,37** 0,17* 0,63** 0,59** 0,58** 0,49**
Amor 0,30** 0,26** 0,42** 0,35** 0,26** 0,50** 0,44** 0,45** 0,41**
Bondade 0,29** 0,37** 0,46** 0,24** 0,06 0,51** 0,50** 0,48** 0,43**
Inteligência Social 0,27** 0,37** 0,41** 0,29** 0,18* 0,61** 0,55** 0,58** 0,53**
Cidadania 0,28** 0,38** 0,47** 0,36** 0,21** 0,69** 0,67** 0,66** 0,59**
Imparcialidade 0,27** 0,31** 0,39** 0.36** 0,20* 0,47* 0,49** 0,51** 0,40**
Liderança 0,27** 0,35** 0,35** 0,30** 0,13* 0,62* 0,61** 0,59** 0,47**
Perdão 0,32** 0,29** 0,35** 0,20* 0,12 0,50** 0,53** 0,50** 0,41**
Modéstia 0,15* 0,31** 0,34** 0,36** 0,24** 0,48** 0,50** 0,49** 0,40**
Prudência 0,13* 0,28** 0,39** 0,17* 0,06 0,54** 0,52** 0,52** 0,42**
Autorregulação 0,26** 0,32** 0,34** 0,18* 0,21** 0,55** 0,53** 0,51** 0,41**
Apreciação do Belo 0,24** 0,37** 0,42** 0,29** 0,14* 0,52** 0,53** 0,54** 0,52**
Gratidão 0,35** 0,28** 0,46** 0,27** 0,18* 0,58** 0,53** 0,54** 0,44**
Humor 0,24** 0,27** 0,37** 0,25** 0,18* 0,51** 0,48** 0,47** 0,43**
Esperança 0,31** 0,37** 0,46** 0,36** 0,20* 0,60** 0,52** 0,54** 0,48**
Espiritualidade 0,53** 0,32** 0,40** 0,27** 0,12 0,49** 0,50** 0,45** 0,41**

Nota. * p<0,05. ** p<0,01. Escala de Forças pessoais (EFC); Escala de Projeto de Vida para Adolescentes (EPVA); Escala de Autoeficácia para Escolha Profissional (EAE-EP).

Observa-se, ainda, correlações de magnitude média (Cohen,1988) entre os fatores da EAE-EP Coleta de Informações Ocupacionais com religiosidade, carreira, aspirações positivas e bens materiais. O fator busca de informações profissionais e práticas apresentou correlações de magnitudes médias com religiosidade, carreira, aspirações positivas e bens materiais. O fator planejamento de futuro teve correlações de magnitudes médias com carreira, aspirações positivas e bens materiais.

Ao buscar identificar as magnitudes de correlação entre EFC, EPVA e EAE-EP, constatou-se que os escores das forças pessoais/caráter tiveram o maior número de associações com os fatores da EAE-EP. Isso significa que as magnitudes foram grandes entre o fator de Autoavaliação e as forças pessoais/de caráter Curiosidade, Amor ao Aprendizado, Sensatez, Vitalidade, Inteligência Social, Cidadania, Liderança, Esperança, conforme Tabela 2.

Além disso, o fator Coleta de Informações Ocupacionais, também apresentou correlações de magnitudes grandes com as forças pessoais/de caráter Curiosidade, Amor ao Aprendizado, Cidadania e Liderança. Ainda, o fator Busca de Informações Profissionais Práticas teve correlações de magnitudes grandes com as forças pessoais/ de caráter Curiosidade, Amor ao Aprendizado e Cidadania. A análise de regressão linear múltipla considerou as forças pessoais/de caráter (EFC) como variável dependente, além da EPVA e EAE-EP como variável independente. O modelo apresentou R² ajustado de 0,53, explicando 53% da variância [(F (2, 228) = 128, p<0,001)]. Também foi investigado o potencial preditivo das forças pessoais/de caráter em relação às cinco dimensões da EPVA e os quatro fatores da EAE-EP. Os coeficientes que apresentaram significância estatística constam na Tabela 3.

Tabela 3 Coeficiente de Regressão Linear da EFC Predizendo os Fatores da EPVA e EAE-EP 

Construto/Medida Forças de Caráter Coeficientes não padronizados Coeficientes padronizados t p Ajustado
B Erro Padrão Beta
EPVA (Constante) 17,12 2,20 7,78 0,000 0,46
Religiosidade Imparcialidade 0,69 0,23 0,23 3,06 0,002
Pensamento Crítico 0,59 0,21 -0,23 2,86 0,005
Espiritualidade 0,99 0,14 0,53 7,22 0,000
Carreira (Constante) 30,28 2,40 12,64 0,000
Autenticidade 0,43 0,18 0,19 2,39 0,018 0,12
Imparcialidade 0,60 0,25 0,23 2,44 0,016
Aspirações Positivas (Constante) 20,46 1,57 13,07 0,000 0,27
Imparcialidade 0,71 0,16 0,38 4,41 0,000
Bens Materiais (Constante) 27,38 2,55 10,75 0,000
Curiosidade 0,81 0,27 0,31 3,04 0,003 0,19
Imparcialidade 0,93 0,26 0,32 3,58 0,000
Relacionamentos (Constante) 23,84 2,36 10,11 0,000 0,12
Afetivos Imparcialidade 0,52 0,24 0,20 2,14 0,034
EAE-EP (Constante) 21,89 3,29 6,65 0,000 0,53
Autoavaliação Bondade -0,98 0,34 -0,22 2,93 0,004
Cidadania 1,15 0,38 0,28 3,04 0,003
Coleta de Inform. (Constante) 13,19 2,36 5,60 0.000 0,54
Ocupacionais Bondade -0,70 0,24 -0,22 -2,90 0,004
Cidadania 1,41 0,27 0,47 5,20 0.000
Apreciação ao Belo 1,18 0,29 0,27 4,14 0.000
Busca de Inform. (Constante) 12,96 2,32 5,58 0,000 0,50
Cidadania 0,81 0,27 0,28 3,03 0,003
Profissionais Práticas Apreciação ao Belo 1,04 0,28 0,25 3,70 0,000
Planejamento de Futuro (Constante) 12,86 1,76 7,32 0,000
Cidadania 0,21 0,21 0,34 3,28 0,000 0,39
Apreciação ao Belo 0,19 0,19 0,22 3,01 0,003
Esperança 0,71 0,19 0,35 3,82 0,000

Nota. Escala de Projeto de Vida para Adolescentes (EPVA); Escala de Autoeficácia para Escolha Profissional (EAE-EP); Escala de Forças pessoais (EFC).

Imparcialidade, pensamento crítico e espiritualidade predisseram 46% da dimensão religiosidade. Imparcialidade e autenticidade predisseram 12% da dimensão carreira. Imparcialidade explicou 27% da dimensão aspirações positivas. Curiosidade e imparcialidade predisseram 19% dimensão bens materiais. Imparcialidade predisse 12% da dimensão relacionamentos afetivos. Dessa forma, a força imparcialidade foi que mais explicou as cinco dimensões da EPVA. Os resultados encontrados, ainda, indicaram que a força cidadania predisse o fator de autoavaliação 53% e coleta de informações ocupacionais 54%. Por sua vez, as forças, cidadania e apreciação ao belo foram os preditores que mais explicaram os fatores busca de informações profissionais práticas e planejamento de futuro, respectivamente 50% e 39%. Nota-se que a força cidadania explicou os quatro fatores da EAE-EP.

Com o intuito de verificar eventuais diferenças de médias entre projeto de vida, forças pessoais/de caráter e autoeficácia, foram realizadas análises de comparação de grupos considerando a variável gênero. Ao verificar eventuais diferença de médias (teste U Mann Whitney), entre o projeto de vida e gênero, observou-se diferenças no fator relacionamentos afetivos, sendo as médias maiores para o grupo de homens (M = 32,5; DP = 4,40) em comparação com grupos de mulheres (M = 30,6; DP = 4,26). Das 24 forças pessoais/de caráter cinco apresentaram resultados estatisticamente significativos, com médias maiores para o gênero masculino, ou seja, vitalidade (M = 10,14; DP = 2,46), imparcialidade (M = 10,92; DP = 1,76), modéstia (M = 10,46; DP = 2,02), autorregulação (M = 9,94; DP = 2,25) e esperança (M = 10,94; DP = 1,86). Por fim, ao investigar as diferenças de médias entre EAE-EP e gênero, notou-se que o fator busca de informação profissionais práticas, apresentou média maior no grupo de homens (M = 38,7; DP = 5,65).

Discussão

Este estudo teve como objetivos verificar as relações e o poder preditivo das forças de caráter/pessoais sobre projeto de vida e autoeficácia para escolha profissional (objetivos 1 e 2); verificar eventuais diferenças de médias dos instrumentos quanto ao gênero (objetivos 3). Para atingir os objetivos deste estudo, foram verificadas as relações entre os fatores de cada instrumento e diferença de média. A discussão obedecerá à sequência dos objetivos propostos.

No que se refere às correlações, elas foram organizadas em dois grupos, de modo que no primeiro investigou-se as relações entre EAE-EP e EPVA. As magnitudes dos coeficientes variaram entre baixas e grandes, recebendo destaque a que se deu entre Autoavaliação (EAE-EP) e Aspirações positivas (EPVA), que implica desejo de ser uma pessoa boa e de aprimorar-se ao longo do tempo. De forma especial, relaciona-se a projetos que permitam fazer a diferença na vida de outras pessoas e no coletivo (Dellazzana-Zanon et al., 2019). Em seu turno, a autoeficácia para autoavaliação diz respeito à crença na capacidade de seu autoconhecer. A magnitude da correlação foi grande, indicando que pessoas que acreditam se conhecer bem, tendem a pensar em projetos para o bem comum.

Assim, tal resultado sugere que as crenças pessoais relacionadas à decisão profissional, no tocante ao conhecimento de si, de seus interesses pessoais e da capacidade de buscar informações profissionais, pode ampliar a rede de contato e o envolvimento com temas voltados à formação profissional e mercado de trabalho (Ambiel & Noronha, 2010). Com isso, as aspirações positivas, entendidas como vontade de melhorar como pessoa podem ser consideradas relevantes no momento de transição escola-trabalho (Dellazzana-Zanon et al., 2019). Embora o término da adolescência e início da vida adulta gerem preocupação com o próprio futuro profissional (Santrock, 2014), parece que acreditar na capacidade de realizar uma escolha profissional está relacionada ao autoaprimoramento e às contribuições pessoais e sociais desses indivíduos.

Quanto às correlações entre EFC, EPVA e EAE-EP, foram obtidos coeficientes entre baixos e grandes, com destaque para associação entre Autoavaliação e Cidadania (EAE-EP e EFC). Além disso, as forças pessoais/ de caráter parecem se associar mais fortemente com a autoeficácia do que com o projeto de vida. Embora até o momento não tenham sido identificados estudos com resultados semelhantes, hipotetiza-se que a crença em realizar boas escolhas em relação à carreira esteja associada ao reconhecimento da importância em adaptar-se a diferentes situações sociais. Por fim, no tocante às associações grandes entre as medidas de Espiritualidade (EFC) e Religiosidade (EAE-EP), Toledo et al. (2021), também encontraram resultados semelhantes. Os autores destacam que há similaridade entre essas medidas.

Outro aspecto importante refere-se ao fato de que o fator da autoeficácia, autoavaliação, apresentou correlações maiores com as forças de caráter. Esse resultado revela a crença do indivíduo sobre sua capacidade de se autoavaliar (Ambiel & Noronha, 2010), de modo que é possível inferir que quanto mais endosso de forças, mais os indivíduos são capazes de fazer análises sobre suas próprias capacidades. Ainda quanto às correlações, as forças cidadania, curiosidade e vitalidade apresentaram coeficientes grandes com a Autoavaliação (EAE-EP). Especialmente, quanto à força curiosidade, os resultados corroboram os achados de Feraco et al. (2022), cujo objetivo, embora tenha se diferenciado deste, analisou as relações entre adaptabilidade, perseverança e curiosidade em estudantes. Os resultados demonstraram, por exemplo, que a curiosidade está vinculada à busca de informações interessantes e pertinentes, isto é, à capacidade que o indivíduo julga ter sobre o seu autoconhecimento. Os demais resultados serão oportunamente discutidos, quando da análise de regressão.

A força Cidadania apresentou magnitude forte com todos os coeficientes da EAE-EP. Os aspectos de responsabilidade, lealdade e/ou trabalho em equipe, quando associados às crenças dos indivíduos nas próprias atividades profissionais parecem favorecer o bem-estar pessoal e social de jovens na construção da carreira o longo da vida. Esses resultados parecem semelhantes aos de Toledo et al. (2021), que encontraram o predomínio de associações com grande correlação entre os escores das forças e Aspirações Positivas (EPVA), refletindo o papel social do autoaprimoramento.

No que diz respeito à relação preditiva das forças pessoais/de caráter para EPVA e EAE-EP (objetivo 2), a força imparcialidade explicou melhor três fatores da EPVA: religiosidade, aspirações positivas e bens materiais. Com isso, a compreensão teórica que retrata a imparcialidade enquanto um fundamento da vida comunitária saudável (Noronha & Batista, 2017; Park & Peterson, 2009; Peterson & Seligman, 2004), conduz ao possível entendimento que a religião oferece aos indivíduos um “local” para expressão dessas forças cívicas.

A imparcialidade (EFC), ao explicar as aspirações positivas (EPVA) também parece sinalizar a importância da vida comunitária desses jovens, ao colocar o autoaprimoramento em benefício da sociedade, do mundo, além de si próprios. Ainda, a imparcialidade explicou o quanto a pessoa deseja adquirir bens materiais (EPVA) no futuro. Curiosamente, as forças não explicaram dois fatores da EPVA, carreira e relacionamentos afetivos, embora o projeto de vida enquanto um propósito motivador de satisfação pessoal esteja associado às forças pessoais, ou seja, ao desejo de perseguir o bem pessoal e social (Toledo et al., 2021).

A cidadania explicou todos os fatores da autoeficácia para escolha profissional (i.e., autoavaliação, coleta de informações, ocupacionais, busca de informações profissionais práticas e planejamento de futuro). Em linhas gerais, o interesse social ou sentimento de comunidade expresso pela força cidadania é explicitado pela crença dos jovens em relação à própria capacidade de desempenho em determinada atividade específica (Braun-Lewensohn, 2015; Franco & Rodrigues, 2018). Importante notar que o fator autoavaliação apresentou o maior índice de predição em relação à cidadania, o que pode sugerir que alguns comportamentos de cidadania incluem o conhecimento de suas próprias características pessoais, opiniões, interesses e habilidades, as quais são exercitadas no ativismo pessoal e social (Lent et al., 2002). Por fim, a força apreciação ao belo explicou três fatores, exceto autoavaliação, desse modo apreciar a beleza, a excelência e a habilidade, também parece favorecer o envolvimento com interesses sociais.

A crença na capacidade de coletar informações ocupacionais de forma estratégica pode favorecer o envolvimento em atividades relacionadas à carreira. Além disso, quando o indivíduo acredita na própria capacidade de interagir no processo de decisão profissional, acaba repercutindo na concretização de suas ações por meio de aquisição de bens materiais (Lent & Brown, 2019). Nota-se que a crença em questões financeiras tem uma associação fraca com o entendimento que Deus ou algo superior seja relevante para o futuro desses indivíduos. Algo semelhante acontece em relação à Autoeficácia para Escolha Profissional (EAE-EP) e aos relacionamentos afetivos (EPVA), ou seja, as associações são pequenas entre acreditar na capacidade de fazer uma boa escolha e ajudar a família de origem no futuro e/ou compor sua própria família. Também foram encontrados resultados similares na literatura, por exemplo, os temas da religiosidade/espiritualidade em relação aos relacionamentos afetivos não foram elementos centrais na vida de adolescentes (Araujo et al., 2019).

As diferenças de médias previstas nos objetivos 3 indicou que a variável gênero contemplou um maior número de resultados significativos, para todos os instrumentos, embora tenha contemplado poucas das 24 forças. Foram os homens que apresentaram médias mais altas, o que se diferencia dos achados de Friedenreich e Noronha (2023), no qual foram encontradas diferenças entre oito médias, todas elas com média maior para as mulheres. As diferenças foram em relação às forças apreciação do belo, autenticidade, cidadania, esperança, espiritualidade, gratidão, inteligência emocional e liderança. No entanto, com exceção de espiritualidade e autenticidade, os demais fatores de impacto foram baixos. Assim como este estudo, no estudo das autoras, em relação à EAE-EP não foram identificadas diferenças entre os gêneros.

Considerações Finais

Este estudo teve como objetivo investigar as relações entre projeto de vida, forças pessoais/de caráter e autoeficácia na escolha profissional para o entendimento dessas relações e fomento às pesquisas sobre o tema, dada a escassez de pesquisas nessa área tanto em âmbito nacional quanto internacional. Esse estudo contribui para a compreensão da importância das características psicológicas positivas na construção da carreira, uma vez que elas são refletidas ao longo da vida na forma de pensar, sentir e se comportar.

Nesse processo, observou-se que o indivíduo, ao considerar o seu autoaprimoramento pode simultaneamente contribuir para si próprio, para a sociedade e para o mundo. Isso, aliado à crença sobre suas capacidades de decidir-se por uma profissão a partir do conhecimento de suas próprias características pessoais, opiniões, interesses e habilidades, conduz à busca de informações sobre profissões e benefícios materiais que uma dada profissão trará para si e para os que o cercam (Dellazzana-Zanon et al., 2019).

Acrescenta-se que o indivíduo que desenvolve características positivas que asseguram a vida comunitária é impulsionado a ser leal e bom membro de um grupo, ou equipe de trabalho; ao passo que a força espiritualidade envolve um sentido e significado para a vida além da compreensão humana, podendo referir-se à busca de um sentido maior, como um objetivo de vida ou trabalho (Ambiel & Noronha, 2010). Destaca-se, ainda, que pesquisas que investiguem o tema abordado neste estudo, são extremamente relevantes na busca de fornecer subsídios aos jovens e adolescentes no momento de decisão de carreira, uma vez que acreditar na capacidade de realizar uma escolha profissional está relacionada ao autoaprimoramento e às contribuições pessoais e sociais desses indivíduos.

Como limitações do estudo, é possível que a amostra coletada de forma virtual, durante o período de isolamento no enfrentamento da COVID-19, resultando na predominância de participantes do gênero masculino e da concentrados na região sudeste, possa interferir nos resultados. Nesse sentido, sugere-se que pesquisas futuras possam ser replicadas, a fim de ampliar a compreensão da escolha profissional na adolescência, relacionando-a com os construtos projeto de vida, forças pessoais/de caráter e autoeficácia.

1Endereço para correspondência: Agradecimentos ao PIBIC/CNPq pelo financiamento da pesquisa da primeira e terceira autora

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Recebido: 20 de Abril de 2023; Revisado: 17 de Agosto de 2023; Aceito: 25 de Setembro de 2023

2Endereço para correspondência: Rua Waldemar César da Silveira, 105, Jardim Cura D’ars, Campinas – SP, Brasil. CEP: 13045-510

Iara Cristina de Carvalho Hayashi é graduanda em Psicologia pela Universidade São Francisco, Bragança Paulista, São Paulo/SP, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-9852-1591E-mail:iara.hayashi@mail.usf.edu.br

Marcela Hipólito de Souza é mestra e doutoranda em Psicologia pela Universidade São Francisco, Campinas, São Paulo/SP, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8519-5713E-mail:marcelahipolitos@gmail.com

Ana Paula Porto Noronha é Doutora em Psicologia, Mestre em Psicologia Escolar pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Estágio pós-doutoral na Universidade do Minho, Portugal. Docente do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade São Francisco. Ex-presidente do Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica IBAP (2009-2011). Bolsista Produtividade em Pesquisa 1A do CNPq. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6821-0299E-mail:ana.noronha@usf.edu.br

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