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Revista Brasileira de Orientação Profissional

versão On-line ISSN 1984-7270

Rev. bras. orientac. prof vol.26 no.1 São Paulo  2025  Epub 11-Jul-2025

https://doi.org/10.26707/1984-7270/2025v26n0100 

Editorial

EDITORIAL

Leonardo de Oliveira Barros1 

Editor-Chefe da RBOP


http://orcid.org/0000-0002-8406-0515

1Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA, Brasil


O presente editorial abre o volume 26 da Revista Brasileira de Orientação Profissional (RBOP) e suas publicações no ano de 2025. Este primeiro número é motivo de grande celebração, pois marca o início do funcionamento do sistema de submissão online da RBOP. A partir deste ano, a gestão do processo editorial passa a ser realizada via Open Journal Systems (OJS), contribuindo para maior celeridade na tramitação dos artigos e para que as autoras e os autores possam acompanhar todo o processo. Além disso, a partir deste ano, a RBOP passa a adotar novas normas de submissão, e as categorias de artigos que podem ser publicados também foram revisadas. Mantivemos as categorias de Relato de Pesquisa, de Estudo Teórico, de Relato de Experiência Profissional e a Seção Especial. Redefinimos a categoria de Revisão de Literatura, passando a publicar apenas revisões sistemáticas, de escopo/integrativas e narrativas. Criamos a categoria de Relatos Breves de Pesquisas, que permitirá a publicação de investigações empíricas relatadas em até 2.500 palavras, e optamos por não mais publicar Resenhas e Documentos. Por fim, acompanhamos o surgimento e incorporação de recursos de inteligência artificial (IA) nas publicações científicas e incluímos em nossa política editorial que o uso de IA deve ser transparente e declarado, estabelecendo limites de autoria e diretrizes de boa conduta científica.

Para celebrar as atualizações da RBOP, lançamos a chamada de um número especial intitulado “Pesquisa e intervenção em estudos sobre trabalho e carreira com populações ou contextos diversos”, que terá como editores o Prof. Dr. Marcelo Afonso Ribeiro e a Prof. Dra. Lucy Leal Melo-Silva. Este número terá como foco a publicação de estudos e intervenções com grupos de participantes e contextos diversificados. Serão publicadas pesquisas e práticas com pessoas impactadas por questões formativas, interseccionais e interculturais relativas à classe social (e.g., adolescentes, jovens e adultas/os/es de classes baixas), à raça/etnia (e.g., pessoas negras, imigrantes e refugiadas/os/es), à orientação sexual (pessoas LGBTQIAPN+), ao nível educacional (jovens e adultas/os/es sem formação superior), à faixa etária (adultas/os/es com mais de 50 anos), à deficiência (pessoas com deficiência), entre outras condições psicossociais geradoras de desvantagens na construção de suas trajetórias de trabalho, assim como contextos de trabalho determinados pela terceirização, uberização, informalidade, mídias sociais e todos os contextos flexibilizados e/ou precarizados atualmente existentes.

A diversidade também foi tema da segunda edição da disciplina ofertada em parceria entre o Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia da Universidade Federal da Bahia e a Associação Brasileira de Orientação Profissional e de Carreira (ABRAOPC). Entre os dias 12 e 16 de maio de 2025, alunos de pós-graduação de diferentes universidades e as associadas da ABRAOPC estiveram reunidos em torno do tema “Diversidade e Carreira: Teorias, Metodologias e Experiências na Orientação Profissional e de Carreira (OPC)”. Contamos com a presença de palestrantes nacionais e internacionais, que apresentaram práticas e reflexões sobre a pertinência dos modelos teóricos do campo da OPC frente a públicos e contextos variados. Os temas debatidos foram: “Trajetórias de escolarização de estudantes amazônidas e perspectivas para a construção de carreira” (Prof. Dra. Gisele Cristina Resende - Universidade Federal do Amazonas); “Parentalidade e carreira acadêmica” (Prof. Dra. Fernanda Staniscuaski - Universidade Federal do Rio Grande do Sul); “Preparação para aposentadoria no contexto angolano” (Prof. Dr. João Saveia - Universidade Católica de Angola); “Juventud, trabajo y precariedad laboral: organización en tiempos de crisis” (Prof. Dr. Guillermo Rivera - Pontificia Universidad Católica de Valparaíso); e “Horizontes decoloniais para a orientação profissional” (Prof. Dra. Marina Oliveira - Universidade Federal do Triângulo Mineiro).

Este número também é importante, pois, a partir de uma parceria inédita, a RBOP publicará pesquisas encaminhadas pela Comissão Organizadora do “V Seminário Internacional sobre Desenvolvimento de Carreira e Aconselhamento - Saúde, Carreira e Prosperidade numa Era de Direitos Humanos”, que aconteceu nos dias 28 e 29 de novembro de 2024, na Escola de Psicologia da Universidade do Minho. Reforçando os laços com a comunidade portuguesa, a RBOP ofereceu desk-review para os artigos selecionados, e nas edições deste ano traremos à público pesquisas inovadoras no campo da OPC desenvolvidas em Portugal. Dessa forma, a RBOP consolida-se como um veículo de grande importância no cenário Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_issues&pid=1679-3390&lng=pt&nrm=iso nacional e internacional, reforçando seu compromisso em publicar estudos de qualidade, atenta às transformações sociais e alinhada às melhores práticas editoriais.

O artigo que abre o presente número é intitulado “Competências socioemocionais e projeto de vida em estudantes do ensino médio” e é de autoria de Jéssica Pierazzo de Oliveira Rodrigues (Universidade de São Paulo - USP), Lucy Leal Melo-Silva (USP), João Paulo Araújo Lessa (Universidade Tuiuti do Paraná) e Vinicius Fraize David (USP). Os autores tiveram como objetivo identificar relações entre competências socioemocionais e projetos de vida em alunos do ensino médio da rede pública. Os resultados do estudo mostraram que macrocompetências como autogestão, engajamento com os outros, resiliência emocional e abertura ao novo desempenham papel relevante na construção e no engajamento nos projetos futuros dos estudantes, enquanto fatores como sexo e ano escolar podem moderar essas relações.

No artigo “Adaptação e validação brasileira do Questionário de Competências de Carreira”, os autores da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, Luciana Jornada Lourenço, Dalton Breno Costa, Bibiana Vieira Marques Motta, Marcela Folleto Moura, Wagner de Lara Machado, Manoela Ziebell de Oliveira e Tatiana Quarti Irigaray, apresentam evidências de validade baseadas no conteúdo do teste, na estrutura interna e na validade discriminante. Os autores concluem que o instrumento é útil para pesquisas e práticas no campo do trabalho e carreira. Ainda tratando de estudos psicométricos, o terceiro artigo deste número - “Evidências de validade da Escala de Autopercepção de Competências Organizacionais para Estagiários de POT” - é de autoria de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os resultados indicaram uma estrutura de 33 itens e oito fatores que podem facilitar a trajetória de carreira dos estagiários e aperfeiçoar a formação em Psicologia.

Como foco em estudantes com deficiência, os autores peruanos Gary Pérez-Benites (Universidad Peruana de Ciencias Aplicadas) e Eli Malvaceda-Espinoza (Universidad San Ignacio de Loyola) assinam o artigo “Elección vocacional en jóvenes universitarios de Lima con discapacidad física adquirida”. A partir de uma metodologia qualitativa, os autores identificaram que a escolha vocacional desse grupo é influenciada por elementos pessoais, familiares e contextuais. A sequência, o quinto artigo - “Recursos psicológicos de estudantes universitários calouros e concluintes” - é de autoria de Fabíola Rodrigues Matos (Universidade Federal Fluminense) e de Maria Gabriela Costa (Universidade do Estado de Minas Gerais). A partir de um delineamento misto, as autoras constatam que os calouros apresentaram expectativas quanto ao próprio desempenho para promover empregabilidade, enquanto os concluintes indicaram satisfação com o próprio desempenho, apesar da vivência de desafios.

O sexto artigo deste número, intitulado “Motivos para evasão e personalidade como preditores da indecisão de carreira”, é de autoria de Rodolfo Augusto Matteo Ambiel, Lorena Rodrigues da Costa, Luara Carvalho e Rafaella Marcelino Ribeiro, vinculados à PUC de Campinas. Os resultados mostraram que motivos de evasão relacionados à carreira e interpessoais predizem a indecisão. Por sua vez, a conscienciosidade e a extroversão explicaram negativamente dimensões da indecisão, enquanto neuroticismo e amabilidade explicaram positivamente. No artigo “Orientação proteana e sucesso na transição Universidade - Mercado de Trabalho”, sétimo deste número, as autoras da Universidade do Minho (Portugal), Gilmara Santos, Célia Sampaio, Maria do Céu Taveira e Ana Daniela Silva, analisam a experiência de transição de recém-graduados em Portugal. A pesquisa indica que a orientação proteana de carreira é um preditor significativo de todas as dimensões analisadas, reforçando a importância de estratégias proativas no desenvolvimento de carreiras bem-sucedidas.

O artigo “Exploração vocacional e empregabilidade no ajustamento ao ensino superior”, oitavo deste número, é de autoria dos pesquisadores Catarina Martins Rosa, Suzi Silva Rodrigues, Filipa Alexandra Pacheco Bértolo, Beatriz Baleizão Marcelo, Olímpio Manuel Lino Brás Paixão e Vítor Manuel Pacheco Gamboa, vinculados à Universidade do Algarve (Portugal). Os autores analisaram o efeito preditivo da exploração de carreira e da empregabilidade nos níveis de ajustamento ao ensino superior de estudantes de cursos técnicos superiores profissionais, e concluíram que as expectativas profissionais, o capital humano e a empregabilidade externa surgem como preditores significativos da satisfação com o curso.

Os últimos dois artigos deste número tiveram como foco as organizações e adultos trabalhadores. Assim, o novo artigo “Características do trabalho, coping e bem-estar em unidades de terapia intensiva” é de autoria de Lhaís Alves de Souza Pereira Santana, Sônia Regina Pereira Fernandes e Laila Leite Carneiro, vinculadas à Universidade Federal da Bahia. A pesquisa identificou, na amostra de trabalhadores de unidades de terapia intensiva, uma vivência frequente de afetos positivos relacionados ao trabalho e que o coping control foi o mais utilizado por eles. Por fim, encerrando o número, o artigo “Adaptabilidade de Carreira nas Organizações: Revisão de Escopo”, de autoria de Víctor Gabriel dos Santos Tomaz (USP) e Thaís Zerbini (USP), partiu de uma revisão de escopo para sintetizar o corpo internacional de pesquisa sobre adaptabilidade de carreira nas organizações. Os autores identificaram que variáveis contextuais (e.g., marginalização e restrição econômica) e volição de trabalho estão sendo utilizadas de maneira frequente para compreender a adaptabilidade.

Desejo uma ótima leitura a todas as pessoas!

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