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Revista Brasileira de Orientação Profissional

versão On-line ISSN 1984-7270

Rev. bras. orientac. prof vol.26 no.2 São Paulo dez./set. 2025  Epub 08-Dez-2025

https://doi.org/10.26707/1984-7270/2025v26n0201 

Editorial

EDITORIAL

Leonardo de Oliveira Barros1 
http://orcid.org/0000-0002-8406-0515

1Editor-Chefe da RBOP Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA, Brasil


O presente editorial encerra o volume 26 da Revista Brasileira de Orientação Profissional (RBOP) e suas publicações no ano de 2025. Neste segundo semestre, cabe registrar a realização de dois importantes eventos do campo da Orientação Profissional e de Carreira (OPC) no Brasil. No dia 17 de setembro de 2025 aconteceu o “Encontro de Estudantes de Pós-Graduação em OPC”, organizado pelo Grupo de Trabalho (GT) “Carreiras: Informação, Orientação e Aconselhamento” da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP). Este evento foi sediado pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Com o objetivo de promover um espaço formativo e dialógico, o Encontro reuniu pesquisadores vinculados ao GT e seus orientandos de iniciação científica, de mestrado, de doutorado e de pós-doutorado. Ao longo do dia, foram tratadas questões sobre a pesquisa nacional e a criação de redes internacionais em OPC.

Na sequência, entre os dias 18 e 20 de setembro de 2025 aconteceu o XVII Congresso Brasileiro da Associação Brasileira de Orientação Profissional e de Carreira (ABRAOPC) que teve como sede a Universidade São Francisco, Campus Swift em Campinas, São Paulo. Com o tema “Pluralidade na OPC: Abordagens e Intervenções”, o Congresso reuniu 331 participantes que ao longo de três dias tiveram acesso a uma ampla programação que incluiu 3 conferências internacionais, 1 conferência nacional, 14 minicursos, 15 lançamentos de livros, 20 mesas redondas, 102 comunicações orais, 81 trabalhos “Como eu faço” e 17 pôsteres. Além disso, foi realizada a Assembleia da ABRAOPC que culminou com a eleição da nova diretoria da associação para o biênio 2026-2027. Neste sentido, agradecemos à Diretoria da ABRAOPC (gestão 2024-2025) na figura da presidenta Daniela Boucinha e damos boas-vindas à nova gestão na pessoa de Rodolfo Ambiel, presidente eleito.

A pluralidade na OPC também pode ser percebida nos artigos que compõem este fascículo. Abrindo este número, o artigo “Adaptabilidade de carreira: Influência dos percursos educativos na infância e nível socioeconómico” de autoria de Inês Paiva (Universidade Católica Portuguesa) e Irís M. Oliveira (Universidade Católica Portuguesa), parte de uma abordagem retrospectiva para analisar os efeitos da frequência de Creche e/ou Educação Pré-Escolar na adaptabilidade de carreira entre adolescentes de diferentes níveis socioeconómicos. As autoras apontam que a promoção da adaptabilidade de carreira desde o ensino infantil, pode contribuir para o desenvolvimento de competências que serão necessárias em futuras decisões de carreira.

De modo similar, o artigo “Histórias infantis, estereótipos de gênero e autoconceito vocacional infantil: um estudo exploratório”, segundo artigo do número, também se concentrou na infância como fase desenvolvimentaç de análise. As autoras Isabel do Vale (Universidade de Lisboa) e Maria Odília Teixeira (Universidade de Lisboa) analisaram o papel das personagens de narrativas infantis veiculadas pelos meios de comunicação na construção de autoconceitos vocacionais e papéis de gênero e destacaram a influência dessas figuras em processos de aprendizagem vicária.

A formação para o trabalho de jovens e seus desdobramentos foi também contemplada em artigos deste número. No artigo “Relação entre perspetiva temporal e qualidade de estágio no ensino profissionalizante”, os pesquisadores da Universidade de Coimbra, Francisca da Conceição Duarte, Maria Paula Barbas de Albuquerque Paixão, José Manuel Tomás da Silva e Joaquim Armando Gomes Alves Ferreira, a partir de um delineamento longitudinal analisaram as relações entre a perspetiva temporal e a qualidade percebida de estágio de jovens portugueses matriculados no ensino secundário profissionalizante. Os autores destacam a importância de programas e atividades psicoeducativas com o propósito de mobilizar estratégias adaptativas nos jovens que têm de lidar com as iminentes transiçõe com o intuito de favorecer a entrada imediata para o mercado de trabalho ou o ingresso no ensino superior.

Ainda na temática, as autoras Marina Cardoso de Oliveira (Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM), Micaela Beatriz de Araúo Porto (UFTM), Fernanda Aguillera (Universidade de São Paulo) e Andréa Knabem (Universidade Federal do Paraná) desenvolveram o artigo “Indicadores de Sucesso na Transição Universidade-Trabalho e Participação no Movimento Empresa Júnior”. A partir de uma amostra de recém-formados dos cursos de Psicologia, Engenharias e Administração, as autoras concluem que a participação em Empresa Júnior pode favorecer a vivência profissional, o autoconhecimento, gerar maior identificação com a profissão e, consequentemente, contribuir para a permanência nos cursos e sua conclusão.

Por sua vez, Wesley Jordan Pereira da Silva e Pedro F. Bendassoli, ambos vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, investigaram qualitativamente os processos de significação nas trajetórias de cinco jovens graduados atuando fora da área de formação ou desempregados. No artigo “Processos de sginificação de jovens graduados trabalhando fora da área de formação”, os autores destacam que a forma como os jovens participantes enxergavam o trabalho estava diretamente ligada à (im)possibilidade de atuar em suas áreas de formação, sendo que as trajetórias laborais estavam marcadas tanto por sentimentos negativos como pela construção de novos sentidos.

Ainda com foco na formação, mas com o público de pós-graduandos, o artigo “Saúde mental na pós-graduação: estudo transversal com estudantes de uma universidade federal” teve o objetivo de compreender os principais fatores que afetam a saúde mental de estudantes de mestrado e doutorado em uma instituição de ensino pública brasileira. A autora Samantha de Toledo Martins Boehs (Universidade Federal do Paraná) e o autor Julio Cezar Albuquerque da Costa (Universidade Federal do Alagoas) identificaram que longas jornadas diárias de trabalho, pressões decorrentes do recebimento de bolsa de estudos e nota de avaliação do Programa de Pós-Graduação são fatores que contribuem para maiores níveis de sintomas de depressão, ansieade e estresse. Os resultados contribuem para avanços na proposição de estratégias de enfretamento e melhoria do contexto laboral dos pesquisadores brasileiros.

No sétimo artigo deste número, intitulado “Proactive Personality Scale: Adaptação de uma versão reduzida com universitários STEM”, os autores da Universidade Federal do Espírito Santo, Gabriela Pelissari Morello, Mariana Ramos de Melo e Alexsandro Luiz De Andrade apresentam a adaptação e estudos de validade para a Proactive Personality Scale. Ressaltando a importância da personalidade proativa para a superação de barreiras estruturais do mundo laboral, os autores apresentam evidências de validade baseadas no conteúdo do teste, na estrutura interna e na relação com variáveis externas com ênfase na articulação com construtos centrais da Teoria da Psicologia do Trabalhar.

O oitavo artigo deste fascículo teve como objetivo compreender a relação dos recursos de empregabilidade com a satisfação com a vida de pessoas que se encontram em situação de desemprego. As autoras Cristiana Cerqueira, Catarina Luzia de Carvalho, Célia Sampaio, Maria do Céu Taveira e Ana Daniela Silva, vinculadas a Universidade do Minho, destacam no artigo “Recursos de Empregabilidade e Satisfação com a Vida em Situação de Desemprego” a importância de estratégias como reflexões sobre experiências passadas, exploração vocacional e definição de objetivos profissionais para auxiliarem os indivíduos a manterem um sentido de propósito, mesmo em períodos de desemprego.

Analisando as demandas de trabalhadores, o nono artigo intitulado “Adaptações no Trabalho para Pessoas Autistas: uma revisão de escopo” é de autoria de pesquisadores da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a saber: Sabrinar Pilar, Júlia Machado Gindri, Gabriel Truccolo, Anna Karina Brito e Wagner de Lara Machado. Os dados foram analisados a partir de cinco categorias derivadas dos domínios ambientais da Classificação Internacional de Funcionalidade e indicaram que as adaptações mais frequentes foram nas práticas de gestão e na cultura organizacional, mas também evidenciou escassez de estudos sobre o Transtorno do Especto Autista no Sul global.

O artigo “Intervenções em carreira para mulheres: uma revisão narrativa” de autoria de Rebeca de Moraes Ribeiro de Barcellos (Universidade Federal de Santa Catarina) e Marco Antônio Pereira Teixeira (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) buscou identificar modelos teóricos, formatos, técnicas e conteúdos de intervenções de carreira com jovens mulheres, a fim de subsidiar ações junto a estudantes universitárias. Os resultados demonstraram que a Teoria Social Cognitiva de Carreira predominou entre os estudos, sendo a maioria das intervenções realizadas de maneira presencial e em gripo, com 12 ou mais encontros e em formato de aulas, programas ou workshops. Os principais temas trabalhados foram a conscientização de gênero e o desenvolvimento de habilidades relacionais e emocionais. Além disso, constatou-se que as intervenções resultaram em aumento da satisfação com o curso e com a carreira, além de constribuir para aumento do bem-estar e para a redução de estereótipos e preconceitos.

Encerrando a categoria de artigos originais, encontra-se a revisão crítica da literatura denominada “Orientação profissional para quem? Diversidade nas pesquisas e chamado à ação na RBOP”. Os autores Leonardo de Oliveira Barros (Universidade Federal da Bahia - UFBA) e Laila Leite Carneiro (UFBA) buscaram analisar a diversidade dos públicos abordados nas pesquisas empíricas publicadas na Revista Brasileira de Orientação Profissional (RBOP) para realizar um chamado à ação de pesquisadores da área. A partir da análise das características sociodemográficas de participantes de estudos publicados entre 2003 e 2024, os autores evidenciaram baixa diversidade das amostras, com predominância de estudantes do ensino médio e superior e escassa menção a marcadores sociais como raça, renda, identidade de gênero, orientação sexual e deficiência. Além disso, são elaboradas propostas para ampliar a inclusão de grupos historicamente sub-representados e promover maior equidade na produção de conhecimento em OPC.

Por fim, nesta edição apresentamos na Seção Especial o artigo “Novas Perspectivas para Intervenções do Life Design no Contexto do Antropoceno”. Trata-se de um posicionamento da Cátedra UNESCO de Orientação e Aconselhamento ao Longo da Vida elaborado por pesquisadoras e pesquisadores da França, Polônia, Portugal, Argentina, Itália, África do Sul, Suíça, Brasil e Estados Unidos. O manifesto destaca a importância de desenvolver práticas coletivas no aconselhamento de caerreira para ajudar as pessoas a se engajarem em formas sustentáveis de vida.

Encerramos este volume reafirmando que a Orientação Profissional e de Carreira é, antes de tudo, um campo vivo, que se renova pelo compromisso de pesquisadores, profissionais e estudantes em ampliar horizontes, questionar desigualdades e construir práticas transformadoras. Que os artigos aqui reunidos sejam convite e impulso para que sigamos adiante, cultivando redes, fortalecendo a diversidade de vozes e assumindo o desafio coletivo de fazer da OPC um espaço cada vez mais plural, inclusivo e socialmente relevante. Uma boa leitura para todas as pessoas!

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