As transformações sociais levaram a um aumento do número de crianças que frequenta a Creche, assim como a maiores esforços para assegurar a qualidade da Educação Pré-Escolar (Ferreira & Tomás, 2018). Vários estudos demonstram o efeito positivo da Creche e Educação PréEscolar no desenvolvimento cognitivo, socioemocional e desempenho académico, particularmente em indivíduos de baixo nível socioeconómico (Knollmann & Thyen, 2019). Contudo, ainda são necessários estudos que explorem os efeitos nas competências de carreira. Neste estudo retrospetivo, exploram-se os efeitos da frequência de Creche e/ou Educação Pré-Escolar na adaptabilidade de carreira entre adolescentes de diferentes níveis socioeconómicos.
Adaptabilidade de Carreira e Bases Fundacionais na Infância
A adaptabilidade de carreira pode ser definida como a capacidade do ser humano para lidar com tarefas no presente, antecipar tarefas posteriores do desenvolvimento de carreira e gerir transições ocupacionais (Andrade et al., 2022; Koen et al., 2012; Savickas, 1997). É considerada uma metacompetência e engloba quatro dimensões: preocupação (planeamento e orientação para o futuro); controlo (esforço, persistência e compromisso com tarefas); curiosidade (questionamento, exploração de diversos papéis, de si e o meio); confiança (competência percebida para resolver problemas e tomar decisões de carreira) (Savickas, 1997; Savickas & Porfeli, 2012).
A adaptabilidade de carreira tem sido amplamente estudada na última década (e.g., Ambiel et al., 2019; Haenggli & Hirschi, 2020; Santilli et al., 2017). Apesar do volume de estudos sobre a adaptabilidade de carreira, a maioria centra-se no adolescente e no adulto, tal como acontece na literatura mais abrangente do desenvolvimento de carreira (Oliveira et al., 2016; Taveira et al., 2020). No entanto, de acordo com autores como Hartung et al., (2008) e Savickas (2002), a adaptabilidade da carreira desenvolve-se desde a infância. A infância é um período crucial para a socialização para o trabalho, no que concerne a quatro características centrais de um projeto de vida: atividade; adaptabilidade; narrabilidade; e intencionalidade (Oliveira et al., 2016; Porfeli et al., 2008). Desde a infância, os indivíduos desenvolvem habilidades para se adaptar, contar a própria história, bem como reiventar e interpretar a própria pessoa em determinada situação (Briddick et al., 2018). Estas competências, a par de forças psicossociais também desenvolvidas na infância, em particular durante os primeiros seis anos de vida (i.e., confiança, autonomia, iniciativa), são importantes para o planeamento, a tomada de decisão e a construção de carreira, constituindo bases da adaptabilidade de carreira (Savickas, 2002).
O desenvolvimento da adaptabilidade de carreira é influenciado pelas atividades e experiências de aprendizagem das crianças em contextos educativos formais e informais (Crause et al., 2017; Hartung et al., 2008; Watson & McMahon, 2005). As crianças começam por utilizar conhecimentos prévios baseados nas experiências com agentes educativos para formar ideias sobre o futuro, assumir agência e autoria nas suas próprias vidas, apresentar curiosidade sobre o trabalho, e ter confiança para construir um futuro e lidar com os obstáculos que lhes apareçam (Hartung, 2016). Ou seja, aprendem a imaginar, a ser responsáveis por elas próprias e a resolver problemas. Estas são competências necessárias para construírem um futuro de equilíbrio pessoal às regras culturais e aos objetivos de trabalho, de amor, de diversão e de amizades (Hartung, 2002), construídos em família, na escola e na comunidade. A construção da adaptabilidade de carreira desde a infância impele o indivíduo a olhar em frente, à sua volta, a autorregular-se e a adotar comportamentos de cidadania e autoconfiança (Hartung et al., 2008). Se o ser humano desenvolver adaptabilidade de carreira desde a infância, verá melhorado o seu percurso de construção de carreira e dará maior importância à noção de carreira ao longo de toda a sua vida (Hartung, 2016).
Acresce que na sociedade contemporânea, torna-se necessário considerar como promover a inclusão e justiça social desde a infância (Peila-Shuster, 2017). Esta é uma preocupação crescente na literatura e nos serviços de carreira, enaltecida com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a evidência que demonstra que desfasamentos sociais desde a infância podem manter-se ao longo do percurso de vida e carreira dos indivíduos (OECD, 2024). Neste seguimento, importa reconhecer que o nível socioeconómico (NSE) das famílias constitui uma variável que exerce influência no desenvolvimento de carreira de crianças e jovens (Guan et al., 2018; Hou & Liu, 2021; Maree & Che, 2020). De acordo com vários estudos, o nível de escolaridade dos pais, assim como a profissão por eles desempenhada, parece ter impacto na adaptabilidade e nos percursos de carreira dos educandos (Lee, 2018). Verifica-se que crianças que apresentam um NSE mais elevado almejam profissões com maior estatuto social, comparativamente a crianças de NSE inferior (Oliveira et al., 2016). As diferenças no desenvolvimento de carreira dos jovens, consoante o seu NSE, começam a verificar-se desde a infância (Flouri et al., 2015; Vondracek & Kirchner, 1974) e têm impacto na adolescência e idade adulta (Hartung et al., 2005; Oliveira et al., 2016).
Como tal, a literatura tem vindo a alertar para a necessidade de atender às necessidades de crianças e jovens de NSE mais baixo, dados constrangimentos nos seus percursos académicos e de carreira (Coetzee et al., 2021; Hartung et al., 2005). Nesse sentido, reconhecendo a articulação entre processos educativos e de carreira, assim como a importância de respostas educativas na infância para atenuar o impacto de diferentes condições socioeconómicas nas trajetórias de desenvolvimento dos indivíduos (Knollmann & Thyen, 2019), importa considerar o impacto da Creche e da Educação Pré-Escolar no desenvolvimento de carreira, particularmente entre grupos mais vulneráveis.
Impacto da Creche e Educação Pré-Escolar
Várias têm sido as mudanças no mundo do trabalho e da carreira (Maree, 2018). Entre as consequências destas alterações, tem-se destacado a necessidade de os adultos procurarem alternativas educativas que lhes possibilitem manter a sua atividade profissional e, ao mesmo tempo, constituir família. Atualmente, tem-se verificado um aumento do número de crianças em Creche, desde o momento em que as licenças de maternidade e paternidade terminam (Ferreira & Tomás, 2018). Segundo debates sociopolíticos no contexto português, tal parece dever-se ao aumento das exigências laborais, à menor disponibilidade de familiares para cuidarem das crianças enquanto os pais exercem a sua atividade laboral, ou à maior distância geográfica entre o local de residência e a rede familiar (Carvalho & Portugal, 2017).
Em Portugal, a Creche (0-3 anos) está ao abrigo do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, enquanto a Educação Pré-Escolar (3-6 anos) se enquadra no Ministério da Educação, sendo que apenas o último ano da Educação Pré-Escolar assume obrigatoriedade de frequência. O trabalho desenvolvido nestas valências educativas é norteado pelas Orientações Pedagógicas para Creche (Marques et al., 2024) e pelas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (Silva et al., 2016). Estes documentos assumem comumente: a importância da intencionalidade educativa nas práticas desenvolvidas; o cuidado na organização e no uso dos espaços educativos; a centralidade da relação pedagógica; a necessidade de atender às idiossincrasias e ritmos de desenvolvimento de cada criança; a pertinência de articulação/colaboração com as famílias; e o foco na promoção do potencial e desenvolvimento holístico de cada criança, preparando-a para o futuro. Como áreas de experiência e aprendizagem na Creche, salientam-se o bem-estar e saúde, a identidade pessoal, social e cultural, bem como a comunicação, linguagem e práticas culturais (Marques et al., 2024). Na Educação Pré-Escolar, destacam-se as áreas de formação pessoal e social, de expressão e comunicação, e de conhecimento do mundo (Silva et al., 2016). Ainda que não se explicite ligação direta com o desenvolvimento de carreira, estas valências educativas encetam potencial para o promover, tendo em conta os princípios norteadores, as áreas valorizadas e a ênfase na promoção do desenvolvimento global de cada criança e preparação para o futuro (Oliveira et al., 2017).
Com foco nos primeiros três anos de vida, os serviços de Creche desempenham um papel fundamental no desenvolvimento dos indivíduos. Estudos demonstram que, quando assegurada qualidade, a Creche contribui positivamente para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e linguístico dos indivíduos, com repercussões na adolescência e ao longo da vida (Albers et al., 2010; Mashburn et al., 2008). O impacto positivo da Creche parece ser ainda maior quando as crianças pertencem a contextos familiares empobrecidos (Knollmann & Thyen, 2019). Assim, tem-se reconhecido cientificamente a necessidade de uma maior valorização da Creche enquanto serviço educativo de valor para as crianças. Não obstante, parecem ainda subsistir entraves sociopolíticos e culturais à valorização da primeira infância. Prevalece uma visão assistencialista (e não educativa) sobre a Creche, pelo que, no senso comum, tende ainda a ser concebida como um local destinado a receber e guardar crianças (Noronha-Sousa et al., 2019; Portugal, 2017; Serrano & Pinto, 2015). Torna-se necessário, como tal, investigar o impacto da Creche no desenvolvimento dos indivíduos, incluindo no desenvolvimento de carreira, de forma a contribuir para discussões científicas e sociopolíticas quanto à Creche e esbater noções sociais assistencialistas.
No relativo à Educação Pré-Escolar, esta engloba a faixa etária entre os três e os cinco/seis anos e precede a entrada na escolaridade obrigatória. Tal como acontece nas Creches, o número de crianças que frequentam a Educação Pré-Escolar tem vindo a aumentar, o que poderá explicar o aumento de investigações neste âmbito (Organisation for Economic Co-operation and Development [OECD], 2018a; Yoshikawa et al., 2016). Resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (OECD, 2018b) comprovam que 94% das crianças, pertencentes aos países da OCDE, frequentam a Educação Pré-Escolar. Apesar de o impacto da frequência da Educação Pré-Escolar necessitar ainda de mais estudos (Ansari, 2018), algumas investigações têm permitido salientar uma influência precursora positiva no posterior rendimento académico dos alunos e na diminuição do abandono escolar (Ferreira & Tomás, 2018; McCoy et al., 2017; Phillips et al., 2016).
Uma investigação realizada por McLeod et al. (2018) acrescentou que a Educação Pré-Escolar se associa positivamente a melhores resultados em provas de inteligência, leitura, escrita e matemática. Estudos a longo prazo têm ainda denotado melhorias na idade adulta resultantes da frequência da Educação Pré-Escolar, entre as quais: um Quociente de Inteligência mais alto, maiores habilitações, melhor empregabilidade e taxas mais baixas de criminalidade (Campbell et al., 2002; Fonseca, 2018; Yoshikawa, 1995). Tal como na investigação sobre o impacto da Creche, também os estudos relativos à Educação Pré-Escolar tendem a apresentar resultados mais favoráveis no desenvolvimento das crianças, quando existe qualidade nesse estabelecimento e nas práticas pedagógicas (Andrew et al., 2019; Burchinal et al., 2010; Leal et al., 2009). Práticas de qualidade na Educação Pré-Escolar têm impacto na linguagem e cognição, principalmente em crianças de contextos familiares empobrecidos (Damiani et al., 2011), assim como ao nível do desenvolvimento socioemocional.
Conclui-se que embora os percursos educativos na infância não surjam, na literatura, relacionados diretamente com a adaptabilidade de carreira, a combinação de considerações teóricas no domínio da carreira e de evidências empíricas sobre respostas educativas na infância sustentam a possibilidade de que poderá existir um efeito da frequência da Creche e/ou da Educação Pré-Escolar nas bases fundacionais dessa meta-competência. A frequência da Creche e/ou da Educação Pré-Escolar contribui para o desenvolvimento da confiança, autonomia e iniciativa (Ferreira & Tomás, 2018), que constituem bases psicossociais da adaptabilidade de carreira (Savickas, 2002). Oferecem também oportunidades (pedagogicamente estruturadas e planeadas) para instigar o conhecimento de si e do meio, a resolução de problemas e a narratibilidade (Noronha-Sousa et al., 2019; Oliveira et al., 2017), que configuram bases da adaptabilidade e construção de carreira (Hartung, 2016). Adicionalmente, a Creche e a Educação Pré-Escolar têm surgido relacionadas com resultados de carreira a médio/longo-prazo, como o sucesso académico e a empregabilidade (Fonseca, 2018; McCoy et al., 2017). Considerando evidências que destacam a importância da Creche e Educação Pré-Escolar sobretudo para crianças oriundas de meios económicos mais desfavorecidos (Damiani et al., 2011; Knollmann & Thyen, 2019), ressalta-se também o potencial destas valências educativas para atenuar o impacto que diferenças socioeconómicas podem assumir nos percursos de vida e carreira dos indivíduos e para promover a igualdade de oportunidades.
Método
Este estudo analisa a influência da Creche e/ou Educação Pré-Escolar na adaptabilidade de carreira de jovens do 9.º e 12.º anos de escolaridade de diferentes níveis socioeconómicos. Considerando a literatura, definiram-se as seguintes hipóteses de investigação: H1. Jovens de maior NSE apresentarão maior adaptabilidade de carreira do que jovens de NSE mais baixo (Flouri et al., 2015; Hartung et al., 2005; Hou & Liu, 2021); H2) Jovens de NSE baixo ou médio-baixo que tenham frequentado Creche e Educação Pré-Escolar apresentarão níveis mais elevados de adaptabilidade de carreira do que jovens de NSE baixo ou médio-baixo que apenas frequentaram Educação Pré-Escolar (Knollmann & Thyen, 2019; Noronha-Sousa et al., 2019). Adicionalmente, consideraram-se quatro questões de investigação: Q1. Qual o efeito da frequência da Creche e/ou da Educação Pré-Escolar nas dimensões da adaptabilidade de carreira? Q2. Qual o efeito da frequência da Creche e/ou da Educação PréEscolar na adaptabilidade de carreira? Q3. Qual o efeito do NSE nas dimensões da adaptabilidade de carreira? Q4. Qual o efeito da interação entre frequência da Creche e/ou Educação Pré-Escolar e NSE nas dimensões da adaptabilidade de carreira?
Participantes
Participaram 271 jovens, com idades entre 13 e 20 anos (M = 15.46, DP = 1.58), maioritariamente do sexo feminino (n = 145, 53.5%) e nacionalidade Portuguesa (n = 253, 93.4%). Na maioria, os participantes viviam com pais e irmãos (n = 204, 75.6%). Os pais tinham maioritariamente o 2.º Ciclo do Ensino Básico (n = 65, 24.1%) ou o Ensino Secundário como habilitações (n = 79, 29.3%), encontravam-se empregados (n = 218, 81%) e desempenhavam funções sobretudo enquadradas como Trabalhadores qualificados da indústria, construção ou artífices (n = 116, 47.3%) ou Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem (n = 32, 13.1%). As mães, na maioria, tinham o 3.º Ciclo do Ensino Básico (n = 84, 31%) ou o Ensino Secundário (n = 81, 29.9%) como habilitações, encontravam-se empregadas (n = 198, 73.1%) e desempenhavam funções enquadradas como Trabalhadoras dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedoras (n = 62, 24.7%) ou Trabalhadoras não qualificadas (n = 47, 18.7%). Em conjunto, as famílias apresentavam maioritariamente NSE médio-baixo (n = 241, 88.9%). No que concerne ao percurso académico, 188 (69.4%) participantes frequentavam o 9.º ano, enquanto 83 (30.6%) frequentavam o 12.º ano, maioritariamente no curso científico-humanístico de Ciências e Tecnologias (n = 47, 56%). De acordo com respostas dos jovens e dos Encarregados de Educação, a maioria dos participantes não frequentou Creche (n = 175, 66.5%), mas frequentou Educação Pré-Escolar (n = 259, 97.4%). Assim, a amostra inclui 86 jovens (31.7%) que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar e 185 (68.3%) que frequentaram apenas Educação Pré-Escolar.
Instrumentos
Questionário Sociodemográfico e Académico. Foi construído para este estudo, composto por 14 questões abertas e por 10 fechadas para recolher informação como: idade do jovem, escolaridade e profissão dos pais, frequência da Creche e da Educação Pré-Escolar. O NSE das famílias foi codificado consoante a escolaridade dos pais e a sua profissão, enquadrada na Classificação Portuguesa das Profissões (Instituto Nacional de Estatística, 2011), à semelhança do estudo de Oliveira (2016).
Escala de Adaptabilidade de Carreira (Savickas & Porfeli, 2012; adaptado por Duarte et al., 2012). Inclui 28 itens, respondidos numa escala de tipo Likert, entre 1 “Muito pouco” e 5 “Muito”. Os itens são divididos em quatro subescalas: Preocupação (e.g., “Considero que sou capaz de planear as coisas importantes antes de começar”), Controlo (e.g., “Considero que sou capaz de manter sempre o ânimo”), Curiosidade (e.g., “Considero que sou capaz de explorar aquilo que me rodeia”) e Confiança (e.g., “Considero que sou capaz de realizar tarefas de forma eficiente”). Cada subescala inclui os seis itens das versões internacionais, mais um item adicional de apropriação cultural (Duarte et al., 2012). De acordo com o estudo de validação, constatou-se que a medida, em Portugal, é semelhante à versão norte-americana original em termos de confiabilidade e estrutura fatorial (Savickas & Porfeli, 2012). Duarte et al. (2012) encontraram um alfa de Cronbach de 0.92 para a escala total e entre .74 e .83 nas subescalas. Nesta amostra, obteve-se um alfa de Cronbach na escala total de .90, e entre .64 e .92 nas subescalas.
Procedimentos
Foi obtida autorização para a realização de estudos em contexto escolar, através do sistema de Monitorização de Inquéritos em Meio Escolar da Direção-Geral da Educação em Portugal (n.º de registo: 0749100001). Às
Direções de dois Agrupamentos de Escolas, apresentou-se o propósito e procedimentos do estudo e obteve-se autorização para que estudantes pudessem colaborar. Apresentaram-se pedidos de consentimento informado aos Encarregados de Educação/Pais. Depois de estes consentirem a participação dos educandos, foi-lhes solicitado que indicassem também se frequentaram Creche e/ou Educação Pré-Escolar. No consentimento informado dos jovens também lhes foi colocada esta questão. Quando encontradas inconsistências entre respostas dos Encarregados de Educação/Pais e dos jovens, foram tidas em conta as respostas dos cuidadores.
Recolheram-se os dados através de formulário no Google Forms, na presença da investigadora principal presente em sala de aula virtual. Nesta investigação, foram garantidos os princípios estipulados no Código Deontológico da OPP (2011) e no Código de Conduta da American Psychological Association (APA, 2017).
Análises
Os dados foram tratados no Statistical Package for Social Sciences (IBM SPSS), versão 25 para Windows. Recorreu-se a análises de estatística descritiva para caracterizar a adaptabilidade de carreira na amostra. Efetuaram-se análises de estatística inferencial, nomeadamente coeficientes de correlação para testar associações entre as dimensões de adaptabilidade de carreira na amostra e por grupos. Previamente, foi necessário testar a normalidade de distribuição das variáveis na amostra e em cada grupo. Para tal, foram utilizados os Testes Kolmogorov-Smirnov e Shapiro-Wilk. Devido à não normalidade da distribuição das variáveis, compararam-se resultados de testes paramétricos e não-paramétricos - Coeficiente de Correlação de Spearman e Coeficiente de Correlação de Pearson. Quando as conclusões quanto à retenção/rejeição da hipótese nula nos testes não-paramétricos e paramétricos eram similares, consideraram-se resultados dos testes paramétricos (e.g., Martins, 2011).
Para analisar diferenças entre os grupos definidos pelos percursos educativos e pelo nível socioeconómico nas dimensões de adaptabilidade de carreira, recorreu-se à análise de variância multivariada (MANOVA). Para analisar diferenças entre grupos na adaptabilidade de carreira total, utilizou-se a ANOVA Bifatorial. Atendendo aos pressupostos estatísticos inerentes a estas análises, verificou-se, através do teste de Levene, que o pressuposto de homogeneidade das variâncias se encontrava cumprido. Verificou-se também que o pressuposto de ausência de singularidade e de multicolinearidade estava cumprido. Como pressupostos específicos à MANOVA, comprovou-se cumprimento do pressuposto de homogeneidade das covariâncias, através do teste de Box. Reuniram-se, assim, condições para considerar o ∧ de Wilks nos resultados multivariados (Tabachnick & Fidell, 2013). Como o pressuposto de normalidade univariada e multivariada não se encontrava cumprido, manteve-se comparação de resultados de testes não-paramétricos e paramétricos.
Resultados
Na amostra, considerando as dimensões da adaptabilidade de carreira, obtiveram-se valores médios mais elevados na Confiança e mais baixos na Curiosidade. Verificou-se que todas as dimensões se correlacionam de forma estatisticamente significativa e positiva entre si. Este padrão de resultados mantém-se quando considerados separadamente jovens que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar, e jovens que apenas frequentaram Educação Pré-Escolar (Tabela 1).
Tabela 1 Adaptabilidade de Carreira: Médias, Desvios-Padrão e Correlações na Amostra e nos Grupos
| Variáveis | M DP 1 | 2 | 3 4 | |||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Amostra total (N = 271) | ||||||
| Adaptabilidade de Carreira | 117.79 | 16.69 | ||||
| 1. Preocupação | 28.24 | 4.53 | - | |||
| 2. Controlo | 29.03 | 4.87 | 0.56*** | - | ||
| 3. Curiosidade | 27.87 | 4.35 | 0.69*** | 0.65*** | - | |
| 4. Confiança | 32.65 | 5.16 | 0.65*** | 0.73*** | 0.82*** - | |
| Jovens que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar (n = 86) | ||||||
| Adaptabilidade de Carreira | 118.73 | 20.87 | ||||
| 1. Preocupação | 28.30 | 5.49 | - | |||
| 2. Controlo | 29.60 | 6.57 | 0.62*** - | |||
| 3. Curiosidade | 27.88 | 5.30 | 0.71*** 0.67*** | - | ||
| 4. Confiança | 32.94 | 5.95 | 0.65*** 0.76*** | 0.82*** - | ||
| Jovens que frequentaram Educação Pré-Escolar (n = 185) | ||||||
| Adaptabilidade de Carreira | 118.07 | 16.59 | ||||
| 1. Preocupação | 28.21 | 4.02 | - | |||
| 2. Controlo | 28.76 | 3.83 | 0.51*** - | |||
| 3. Curiosidade | 27.87 | 3.85 | 0.66*** 0.63*** | - | ||
| 4. Confiança | 32.52 | 4.76 | 0.63*** 0.71*** | 0.82*** - | ||
| Jovens de Nível Socioeconómico Baixo (n = 18) | ||||||
| Adaptabilidade de Carreira | 114.56 | 24.99 | ||||
| 1. Preocupação | 27.17 | 6.09 | - | |||
| 2. Controlo | 28.61 | 6.38 | 0.62** - | |||
| 3. Curiosidade | 27.11 | 6.19 | 0.60** 0.76** | - | ||
| 4. Confiança | 31.67 | 7.44 | 0.67** 0.80** | 0.92** - | ||
| Jovens de Nível Socioeconómico Médio-Baixo (n = 241) | ||||||
| Adaptabilidade de Carreira | 118.04 | 15.77 | ||||
| 1. Preocupação | 28.36 | 4.17 | - | |||
| 2. Controlo | 29.08 | 4.74 | 0.56** - | |||
| 3. Curiosidade | 27.90 | 4.13 | 0.69** 0.67** | - | ||
| 4. Confiança | 32.70 | 5.00 | 0.65** 0.74** | 0.81** - | ||
| Jovens de Nível Socioeconómico Médio-Alto (n = 12) | ||||||
| Adaptabilidade de Carreira | 117.58 | 20.64 | ||||
| 1. Preocupação | 27.33 | 7.94 | - | |||
| 2. Controlo | 28.58 | 5.38 | 0.46 - | |||
| 3. Curiosidade | 28.42 | 5.65 | 0.78** 0.32 | - | ||
| 4. Confiança | 33.25 | 4.45 | 0.66* 0.36 | 0.83** - | ||
Nota.
*p < .05;
**p < .01;
*** p < .001
Os resultados da MANOVA Bifatorial sugerem um efeito multivariado estatisticamente significativo dos percursos educativos nas dimensões da adaptabilidade de carreira, Wilks’ ∧ = .97, F (4, 262) = 2.22, p = 0.07. Há um efeito univariado estatisticamente significativo dos percursos educativos na Preocupação, F (1, 265) = 4.78, p = 0.03, e Curiosidade, F (1, 265) = 5.43, p = 0.02. Jovens que frequentaram Creche e Educação PréEscolar apresentam níveis significativamente superiores nestas dimensões em relação aos jovens que frequentaram apenas Educação Pré-Escolar (Tabela 2).
Tabela 2 Efeito dos Percursos Educativos e do Nível Socioeconómico dos Pais nas Dimensões da Adaptabilidade de Carreira
| Percursos Educativos | Nível Socioeconómico | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Creche e Educação Pré-Escolar (n = 86) Média (DP) | Educação Pré-Escolar (n= 185) Média (DP) | F | Baixo (n= 18) Média (DP) | Médio-baixo (n=241) Média (DP) | Médio-Alto (n=12) Média (DP) | F | |
| Preocupação | 28.30 (5.49) | 28.21 (4.02) | 2.35 | 27.17(6.09) | 28.36(4.17) | 27.33 (7.94) | 4.78 |
| Controlo | 29.60 (6.57) | 28.76 (3.83) | 1.20 | 28.61 (6.38) | 29.08 (4.74) | 28.58 (5.38) | 1.36 |
| Curiosidade | 27.88 (5.30) | 27.87 (3.85) | 1.25 | 27.11 (6.19) | 27.90 (4.13) | 28.42 (5.65) | 5.43 |
| Confiança | 32.94 (5.95) | 32.52 (4.76) | 1.20 | 31.67 (7.44) | 32.70 (5) | 33.25 (4.45) | 1.43 |
Verifica-se ainda um efeito univariado estatisticamente significativo da interação percursos educativos e NSE na Preocupação, F (2, 265) = 3.29, p = 0.04, e Curiosidade, F (2, 265) = 3.46, p = 0.03. Entre jovens que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar, os de NSE médio-baixo apresentam valores superiores de Preocupação em relação aos de NSE baixo e médio-alto. Por sua vez, entre jovens que frequentaram apenas Educação Pré-Escolar, os de NSE baixo e médio-alto apresentam valores superiores de Preocupação em relação aos de NSE médio-baixo (Figura 1).
Quanto à Curiosidade, dentre jovens que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar, os de NSE médio--baixo apresentam níveis superiores aos de NSE baixo e médio-alto. Entre jovens que frequentaram Educação Pré-Escolar, os de NSE médio-alto apresentam níveis mais elevados de Curiosidade do que os de NSE baixo e médio-baixo (Figura 2).
Os resultados da ANOVA Bifatorial sugerem percursos educativos e NSE na adaptabilidade de carum efeito estatisticamente significativo da interação reira, F (2, 265) = 3.23, p = 0.04 (Tabela 3).
Tabela 3 Efeito dos Percursos Educativos e do Nível Socioeconómico na Adaptabilidade de Carreira
| Percursos Educativos NSE Pais | Creche e Educação Pré-Escolar (n = 86) Média (DP) |
Educação Pré-Escolar (n = 185) Média (DP) |
Total Média (DP) |
|---|---|---|---|
| Baixo (n = 18) Média (DP) |
101 (49.56) | 118.43 (13.31) | 114.56 (24.99) |
| Médio-Baixo (n = 241) Média (DP) |
120.18 (18) | 117.04 (14.55) | 118.04 (15.77) |
| Médio-Alto (n = 12) Média (DP) |
110.60 (28.50) | 122.57 (13.02) | 117.58 (20.64) |
| Total Média (DP) |
118.73 (20.87) | 117.35 (14.38) |
Entre jovens que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar, os de NSE médio-baixo apresentam valores mais elevados de adaptabilidade de carreira do que os de NSE baixo e médio-alto. Entre jovens que frequentaram Educação Pré-Escolar, os de NSE baixo e médio-alto apresentam níveis de adaptabilidade de carreira superiores aos de NSE médio-baixo (Figura 3).
Discussão
Este estudo analisa a influência da Creche e/ou Educação Pré-Escolar na adaptabilidade de carreira de jovens do 9.º e 12.º anos de escolaridade de diferentes níveis socioeconómicos. Globalmente, os resultados contribuíram para alcançar este objetivo e suportam a pertinência de atender ao impacto da Creche e da Educação Pré-Escolar, conjugada com NSE, em processos de carreira.
Tendo em conta a H1, não se encontraram diferenças entre jovens de vários NSE na adaptabilidade de carreira, contrariamente ao esperado segundo a literatura (Hou & Liu, 2021; Maree & Che, 2020; Oliveira et al., 2016). Contudo, com base nos resultados descritivos, verificou-se que o valor médio mais elevado na adaptabilidade de carreira se registou entre jovens de NSE médio-baixo. No polo oposto, os jovens de NSE baixo apresentaram o valor médio mais reduzido entre os três grupos de NSE na adaptabilidade de carreira. Estes resultados poderão ser justificados pelo reduzido número de participantes pertencentes ao NSE médio-alto. Em estudos futuros, seria pertinente replicar esta análise com grupos mais homogéneos de participantes distribuídos pelos três grupos de NSE. Ainda assim, estes resultados parecem comprovar que jovens cujas famílias apresentam menor NSE enfrentam constrangimentos nos seus percursos e processos de carreira (Hou & Liu, 2021; Maree & Che, 2020; Oliveira et al., 2016), o que deve ser considerado por investigadores e Psicólogos/as.
No relativo à H2, verificou-se que, para jovens de NSE médio-baixo, a frequência da Creche e Educação Pré-Escolar parece benéfica à adaptabilidade de carreira. Estes resultados oferecem sustentação parcial à H2, na medida em que não se verificou o mesmo efeito entre jovens de NSE baixo. Estudos futuros com número mais equilibrado de participantes entre grupos de NSE poderão ajudar a perceber se estes resultados são replicáveis noutras amostras. Não obstante, estes resultados são coerentes com estudos prévios, ainda que focados noutras dimensões do desenvolvimento humano (e.g., cognitivo, linguístico), que sugerem benefícios da frequência da Creche, principalmente em públicos economicamente vulneráveis (Knollmann & Thyen, 2019). A importância destas valências educativas parece registar-se, assim, em processos de carreira, a par de outros processos de desenvolvimento humano. Deste modo, tornar a Creche uma instituição e serviço para que todas as famílias, independentemente do NSE, possam integrar as crianças, parece importante ao sucesso durante e após percurso académico (Bakken et al., 2017)
Quanto às questões de investigação, verificou-se que jovens que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar revelam maiores níveis de Preocupação e Curiosidade do que jovens que frequentaram apenas Educação Pré-Escolar. Estes resultados parecem reiterar a necessidade de atender ao papel educativo (e não somente assistencialista) da Creche (Noronha-Sousa et al., 2019), contribuindo para o desenvolvimento de competências psicossociais como autonomia e iniciativa, necessárias à exploração e ao planeamento (Savickas, 2002). Quanto às restantes dimensões (Controlo e Confiança) não se observaram efeitos estatisticamente significativos. Também não se encontraram diferenças na adaptabilidade de carreira total. As transformações constantes do mundo do trabalho e da sociedade podem justificar o facto de não terem sido encontrados efeitos significativos nestas dimensões. Pode também dar-se o caso de as competências promovidas em Creche e Educação Pré-Escolar terem mais efeito na Preocupação e Curiosidade (aliadas ao planeamento e à exploração) do que a outras dimensões da adaptabilidade de carreira. Estudos longitudinais futuros com outras amostras seriam necessários para continuar a investigar esta questão.
Relativamente ao efeito do NSE nas dimensões da adaptabilidade de carreira, não se obtiveram diferenças estatisticamente significativas. Contudo, foram encontrados diversos efeitos de interação com os percursos educativos. Primeiramente, verificou-se que jovens que frequentaram Creche e Educação Pré-Escolar, cujas famílias são de NSE médio-baixo, apresentam maiores níveis de Preocupação e Curiosidade do que jovens de NSE baixo e médio-alto. Ainda, participantes que frequentaram Educação PréEscolar e pertencem a famílias de NSE baixo e médio-alto revelam maiores níveis de Preocupação do que jovens de NSE médio-baixo. Por último, jovens que frequentaram Educação Pré-Escolar e provêm de famílias de NSE médio-alto apresentam maiores níveis de Curiosidade comparativamente a jovens de NSE baixo e médio-baixo. Estes resultados parecem identificar a Preocupação e a Curiosidade como dimensões da adaptabilidade de carreira que sofrem impacto combinado dos percursos educativos e do NSE. Permitem também identificar o NSE médio-baixo como um grupo para o qual a Creche pode ser particularmente importante. Deste modo, torna-se necessário realizar novas investigações que aprofundem as necessidades de jovens de NSE médio-baixo e que atendam à categorização do NSE, pois várias categorizações são possíveis e devem considerar características sociopolíticas vigentes (Maree, 2018). Simultaneamente, importa adotar uma visão integradora do desenvolvimento humano, integrando a noção de carreira ao longo do percurso de vida, quando se debate a importância da Creche e Educação Pré-Escolar.
Considerações Finais
A influência dos percursos educativos e do NSE na adaptabilidade de carreira dos jovens constitui um tópico ao qual deve ser atribuída importância, tendo em conta movimentos políticos e preocupações sociais com a justiça social e inclusão. Considerando a importância de a adaptabilidade de carreira para os jovens lidarem com as transformações constantes do mundo do trabalho e da vida, torna-se essencial prosseguir investigação sobre este construto. Apesar de a adaptabilidade de carreira ser mais investigada na adolescência e idade adulta, é necessário considerar as suas bases fundacionais na infância. Neste âmbito, a frequência da Creche e da Educação Pré-Escolar podem contribuir para o estudo, aprofundamento e promoção desta metacompetência, preparando o indivíduo para enfrentar transições académicas e de vida ao longo da sua trajetória de desenvolvimento. Também o NSE das famílias exerce influência na adaptabilidade e percursos de carreira. Este estudo aponta ainda para o efeito de interação entre percursos educativos na infância e NSE na adaptabilidade de carreira, o que pode ser aprofundado em investigações futuras e apoiar reflexão sobre práticas. Em particular, os resultados deste estudo alertam para a necessidade de profissionais, como Psicólogos/as, estarem atentos/as às dificuldades apresentadas por jovens de NSE mais baixos. Desta forma, poderão potenciar o desenvolvimento de competências fundamentais para os percursos académicos e de carreira dos indivíduos.
Apesar dos contributos deste estudo, vale identificar duas limitações. Primeiro, o NSE foi categorizado em função das habilitações e situação profissional dos Encarregados de Educação/Pais. Embora tenha sido a estratégia possível e coerente com a adotada noutros estudos, seria importante refletir sobre vias complementares para identificar e categorizar o NSE dos jovens (e.g., registos sobre apoios sociais em contexto escolar). Segundo, a amostra deste estudo apresentou um número desequilibrado de indivíduos por NSE, o que implica advertência na interpretação dos resultados. Será necessário que estudos futuros procurem replicar este trabalho com uma amostra mais equitativamente distribuída entre grupos de NSE.
Como implicações para investigações no futuro, sugere-se a realização de um estudo prospetivo longitudinal, que permita o acompanhamento das crianças desde a Creche e Educação Pré-Escolar até à adolescência ou idade adulta. Além disso, seria pertinente avançar em investigações multidisciplinares no tema, com, por exemplo, com Educadores de Infância.
No que diz respeito às implicações para a prática, os resultados podem ser tidos em conta na intervenção de carreira direta e indireta. Ao nível da intervenção direta, seria importante sensibilizar os jovens para a importância do percurso educativo/escolar, desde o seu início. Ao reconhecer o papel das experiências de aprendizagem no desenvolvimento individual, desenvolvem-se competências de narratabilidade, essenciais ao desenvolvimento e construção de carreira. Como tal, torna-se relevante promover a adaptabilidade de carreira, a par de outras dimensões de desenvolvimento humano, desde a Creche e/ou Educação Pré-Escolar, para que se desenvolvam competências úteis para, posteriormente, tomar decisões de carreira e enfrentar transições. Na intervenção indireta, urge sensibilizar Educadores de Infância para a importância de determinadas áreas das orientações curriculares com implicações no domínio da carreira. A realização, por parte de psicólogos/ as, de ações de sensibilização e consultadoria é essencial para que Educadores de Infância se sintam capazes de promover a adaptabilidade de carreira junto das crianças, no âmbito das suas valências.

















