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Vínculo

versão impressa ISSN 1806-2490

Vínculo vol.22  São Paulo  2025  Epub 04-Jul-2025

https://doi.org/10.32467/issn.1982-1492v22na7 

Pesquisa

Repercussões do uso do smartphone no conflito conjugal

Repercussions of smartphone use on marital conflict

Repercusiones del uso de teléfonos inteligentes en los conflictos matrimoniales

Ionara dos Santos Pereira1 

Psicóloga (UPF), Mestra em Psicologia (ATITUS EDUCAÇÃO), Especialista em Dinâmica das Relações Familiares e Conjugais (ATITUS EDUCAÇÃO) e Especialista em Gestão em Responsabilidade Social (PUC Minas)


http://orcid.org/0000-0002-8179-8936

Cláudia Mara Bosetto Cenci2 

Psicóloga (UPF), Mestra em Psicologia Social e da Personalidade (PUC), Doutora em Psicologia (PUC), Especialista em Psicologia das Relações Familiares (UPF) e Especialista em Intervenções Psicossociais (UPF)


http://orcid.org/0000-0001-9998-2339

Gabriel Cavanus3 

Psicólogo (UNIVATES), Mestrando em Psicologia (ATITUS EDUCAÇÃO). Bolsista CAPES


http://orcid.org/0009-0006-9374-1618

1Atitus Educação, ionaradsp@gmail.com.

2Atitus Educação, claudia.cenci@atitus.edu.br.

3Atitus Educação, gabrielcavanus@gmail.com.


Resumo:

O conflito conjugal, influenciado pelo avanço tecnológico, requer compreensão do uso das tecnologias. Conflitos não resolvidos e desinvestimento permitem que o smartphone assuma uma função crucial na relação. Este estudo qualitativo envolveu 20 pessoas (10 casais coabitantes) do Rio Grande do Sul, Brasil e teve como objetivo entender a relação do smartphone com o conflito conjugal. A análise temática resultou em três temas: O papel do smartphone no ciclo vital conjugal; A pandemia e as mudanças no uso do smartphone; e O uso do smartphone no conflito conjugal. O presente estudo deteve-se nos desdobramentos decorrentes do terceiro tema, apenas. Os resultados mostraram que as divergências sobre o uso do smartphone podem representar a negação do conflito conjugal ou encobrir outros conteúdos inerentes às etapas do ciclo vital conjugal principalmente quando a tecnologia é priorizada em detrimento do relacionamento conjugal. Todavia, a interação conjugal por meio do smartphone, a criação de acordos para a manutenção da individualidade e o uso compartilhado do dispositivo podem revelar estratégias construtivas de resolução de conflitos.

Palavras-chave: ciberdependência; conflito conjugal; psicologia; relacionamento conjugal; smartphone

Abstract:

Marital conflict, influenced by technological advancement, requires understanding the use of technology. Unresolved conflicts and disinvestment allow the smartphone to assume a crucial role in the relationship. This qualitative study involved 20 people (10 cohabiting couples) from Rio Grande do Sul, Brazil, and aimed to understand the relationship between smartphones and marital conflict. The thematic analysis resulted in three themes: The role of the smartphone in the marital life cycle; The pandemic and changes in smartphone use; and the use of smartphones in marital conflict. The present study focused on the developments resulting from the third theme only. The results showed that disagreements about smartphone use may represent a denial of marital conflict or cover up other issues inherent to the stages of the marital life cycle, especially when technology is prioritized over the marital relationship. However, marital interaction through smartphones, the creation of agreements to maintain individuality, and shared use of the device may reveal constructive conflict resolution strategies.

Keywords: cyberdependence; marital conflict; psychology; marital relationship; smartphone

Resumen:

El conflicto matrimonial, influenciado por los avances tecnológicos, requiere comprender el uso de la tecnología. Los conflictos no resueltos y las desinversiones permiten que el teléfono inteligente asuma un papel crucial en la relación. Este estudio cualitativo involucró a 20 personas (10 parejas en unión civil) de Rio Grande do Sul, Brasil, y tuvo como objetivo comprender la relación entre el smartphone y el conflicto conyugal. El análisis temático resultó en tres temas: El papel del teléfono inteligente en el ciclo de vida conyugal; La pandemia y los cambios en el uso de los smartphones; y El uso de teléfonos inteligentes en conflictos matrimoniales. El presente estudio se centró únicamente en los avances resultantes del tercer tema Los resultados mostraron que los desacuerdos sobre el uso de teléfonos inteligentes pueden representar la negación del conflicto conyugal o encubrir otros contenidos inherentes a las etapas del ciclo de vida conyugal, especialmente cuando se prioriza la tecnología en detrimento de la relación conyugal. Sin embargo, la interacción conyugal a través del teléfono inteligente, la creación de acuerdos para mantener la individualidad y el uso compartido del dispositivo pueden revelar estrategias constructivas de resolución de conflictos.

Palabras clave: ciberdependencia; conflicto conyugal; psicología; relación conyugal; smartphone

Introdução

A família não é uma instituição estática, mas um sistema relacional que atua baseada em princípios e que possui um ciclo de desenvolvimento evolutivo. A individualidade e a autonomia são reconhecidas como parte de um sistema que muda constantemente (Cerveny & Berthoud, 2010). O desenvolvimento familiar é constituído de ciclos de efeito continuado. Indivíduos adultos ao formarem um casal passam de famílias de origem para um novo sistema e demarcam o início de um ciclo vital específico do casal (McGoldrick & Shibusawa, 2016).

Parte-se da concepção de um ciclo vital conjugal descrito em quatro etapas, que são: formação do casal; expansão da base; afirmação e preparação; e, anos tardios (Wagner & Delatorre, 2018). Na primeira, espera-se o estabelecimento de uma identidade conjugal e de fronteiras com a família de origem a partir de uma relação de compromisso, afeto e cuidado mútuo. Na segunda, supõe-se que o lugar do casal perante a família e a sociedade esteja definido e que haja uma identidade conjugal coesa. Se o casal tiver filhos, será necessário equilibrar com frequência os papéis e tarefas parentais. A terceira etapa estima que desejos e angústias de cada um sejam compartilhados, assim como o ajuste das expectativas iniciais e da realidade atual da relação, com base em um vínculo estável. E, na quarta etapa, o casal é convocado a manter um apoio mútuo, partilhar significados e se preparar para as perdas próprias inerentes a esse período (Wagner & Delatorre, 2018).

O divórcio e o recasamento, apesar de serem eventos inesperados, podem ser considerados parte integrante do ciclo de vida conjugal. Ambos representam uma fase marcada pelo luto da relação anterior, pela necessidade de discernir entre os relacionamentos e pelo desafio de manter fronteiras nítidas diante dos diversos subsistemas familiares, preservando espaços e papéis, especialmente quando há filhos (Delatorre, Maesima, Coelho & Wagner, 2022).

Nesse percurso evolutivo, os casais se deparam com momentos de transição que causam desestabilização e exigem a revisão do contrato inicial para que ambos os cônjuges cresçam e evoluam para uma nova etapa do ciclo (Andolfi & Mascellani, 2023). A dinâmica relacional se estabelece por meio de processos adaptativos, nos quais a construção da conjugalidade se concretiza e os aspectos individuais são organizados com o enfrentamento de conflitos (Delatorre & Wagner, 2021).

O conflito conjugal é um fenômeno multidimensional e inerente à relação conjugal. Ele decorre da diferença de opiniões, de interesses e de perspectivas dos parceiros conjugais, que resulta em dificuldades de relacionamento, como um produto do processo de amadurecimento, adaptação e sincronia da relação conjugal (Costa, Cenci & Mosmann, 2016; Delatorre & Wagner, 2018).

O conteúdo, a frequência, a intensidade e a resolução compõem o conflito conjugal. A dinâmica conjugal, assim como todo o sistema familiar, é influenciada pela maneira como o casal gerencia seus conflitos. A insatisfação conjugal e o desajuste infantil se relacionam à frequência; dificuldades sociais e emocionais na infância correspondem à intensidade; e os impactos do conflito dependem de como ocorre a resolução (Delatorre & Wagner, 2018; Delatorre & Wagner, 2021; Costa, Cenci & Mosmann, 2016).

O conteúdo do conflito conjugal pode ter relação com as dificuldades no desempenho de tarefas inerentes às etapas do ciclo vital conjugal como, por exemplo, o estabelecimento de fronteiras com as famílias de origem, problemas na transição da conjugalidade para a parentalidade, o manejo do dinheiro, o respeito à individualidade, as divergências sobre o trabalho e o tempo destinado ao casal, além da confiança e amadurecimento da relação conjugal (Delatorre & Wagner, 2018; Delatorre & Wagner, 2019; Delatorre & Wagner, 2021; Wagner & Delatorre, 2018; Wagner, Mosmann, Scheeren & Levandowski, 2019). A interferência tecnológica e a priorização do uso do smartphone nas interações conjugais também se constituem como conteúdo do conflito conjugal, podendo encobrir aqueles que são evitados pelo casal (McDaniel & Coyne, 2016; McDaniel, Galovan e Drouin, 2020; Wang, Zaho & Lei, 2021).

A resolução do conflito conjugal abarca diferentes estratégias. As estratégias construtivas, como se dispor a discutir os motivos e destinar esforços para enfrentar o problema aceitando a opinião do outro, contribuem para a satisfação conjugal, a saúde familiar e o desenvolvimento infantil dos filhos. Já as estratégias destrutivas, fundamentadas na hostilidade, se relacionam aos problemas comportamentais em crianças, aumentam a tensão familiar e ocasionam mais conflitos (Costa, Cenci & Mosmann, 2016; Costa, Wagner, Delatorre & Mosmann, 2017; Delatorre & Wagner, 2018)

A duração do relacionamento, o nível educacional dos cônjuges, a presença de filhos, a renda, o recasamento, o trabalho e a religião constituem variáveis associadas ao fenômeno do conflito conjugal (Delatorre & Wagner, 2018). O avanço tecnológico impacta a sociedade contemporânea e faz com que o uso das tecnologias, como o smartphone, passe a ser considerado uma variável importante para a compreensão do conflito conjugal (Do Nascimento Teixeira & De Assis Freire, 2020; McDaniel & Coyne, 2016; Roberts & David, 2016).

A forma como o casal se comunica, a presença de conflitos não resolvidos e o desinvestimento na relação dão espaço para que o dispositivo ocupe um lugar no relacionamento conjugal (González-Rivera, Segura-Abreu, & Urbistondo-Rodríguez, 2018). Evitar ou afastar conflitos, assim como a inabilidade dos sujeitos em comunicar seus conteúdos e afetos, faz com que prevaleçam as estratégias destrutivas (Delatorre & Wagner, 2019). Assim, a comunicação virtual oferece novos encaminhamentos para as questões da conjugalidade contemporânea (Boechat et al., 2017; Canezin & Almeida, 2015).

O fenômeno denominado Phubbing, Partner Phubbing ou PPhubbing considera os impactos negativos do uso excessivo do smartphone no relacionamento conjugal. Ele se refere à interferência da tecnologia (McDaniel & Coyne, 2016; McDaniel & Radeski, 2018) nas interações do casal e ocorre quando, durante a conversa ou a atividade, a atenção é direcionada exclusivamente ao aparelho e o sujeito ignora seu parceiro de relacionamento (Água, Lourenço, Patrão, & Leal, 2019; González-Rivera et al., 2018; Roberts & David, 2016; Wang, Zaho, & Lei, 2021).

Dada a natureza onipresente do smartphone, o uso acentuado do dispositivo durante os momentos de interação conjugal é quase inevitável (Wang, Zhao, & Lei, 2021). Além de impactar o cotidiano, essa interferência tecnológica prejudica as relações conjugais, como a diminuição dos índices de satisfação com a vida e da satisfação conjugal (González-Rivera et al., 2018; Wang et al., 2021; Beukeboom & Polmann, 2021; Bröning & Wartberg, 2022).

A interferência do smartphone no relacionamento conjugal tem sido investigada, em sua maioria, por estudos quantitativos voltados à percepção e ao comportamento dos casais (Hertlein & Ancheta, 2014; Leggett & Rossouw, 2014; McDaniel & Coyne, 2016). O estudo do tema carece, portanto, de pesquisas qualitativas e que considerem as especificidades do ciclo vital conjugal e as funções que ele exerce junto ao conflito conjugal e tarefas da conjugalidade (Tissot & Falcke, 2017; Delatorre & Wagner, 2018; Delatorre & Wagner, 2019; Delatorre et al., 2022). Uma vez que o conflito faz parte do ciclo vital conjugal, compreender sua relação com o uso do smartphone pelos casais, amplia as possibilidades de resolução e oferece subsídios a profissionais da Psicologia no atendimento de casais que enfrentem problemáticas relacionadas ao tema.

Método

Delineamento

Trata-se de uma pesquisa com delineamento qualitativo, exploratório, descritivo, de corte transversal. A perspectiva exploratória busca conhecer o fenômeno estudado. O caráter descritivo procura elencar os conceitos que explicam o comportamento nas relações (Yin, 2016). A pesquisa foi realizada transversalmente, considerando as etapas do ciclo vital familiar a serem investigadas.

Participantes

Vinte participantes heterossexuais casados participaram da pesquisa, totalizando 10 casais coabitantes, em diferentes etapas do ciclo vital familiar. O número de participantes considerou as especificidades da pesquisa qualitativa, prevalecendo a certeza de que foi possível encontrar uma lógica do tema estudado a partir dos resultados obtidos neste estudo (Minayo, 2017). Os critérios de inclusão foram: casais com idade superior a 18 anos, com ou sem filhos, em relação estável, casados ou recasados, independente do tempo de relação, e que coabitavam há, no mínimo, 2 anos no momento da coleta de dados. Os critérios de exclusão compreendiam casais cujos cônjuges interrompessem a participação em qualquer momento da pesquisa, ingressassem em processo de separação, ou que tivessem algum tipo de psicopatologia (American Psychological Association [APA], 2019). Não houve exclusão de participantes neste estudo, embora a busca por participantes tenha reiniciado várias vezes. Ao todo, 10 casais indicados no método bola de neve se recusaram a participar da pesquisa já no primeiro contato da pesquisadora, ao tomarem conhecimento do tema do estudo.

Todos os casais residiam no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, sendo oito no interior, um na capital e outro na região metropolitana. A idade dos participantes variou entre 26 a 78 anos. A situação conjugal contemplava casais coabitantes, em união estável formalizada, casados e recasados. Desse modo, quatro casais moravam juntos sem oficialização da relação; três casais eram casados ou em união estável oficializada; e três eram recasados, sendo dois destes com filhos adultos de relacionamentos anteriores. Quanto aos filhos do relacionamento atual, quatro casais não possuíam filhos, três tinham filhos pequenos, dois aguardavam a chegada do primeiro filho, e um casal tinha filhos adolescentes. A renda familiar variou de 1 a mais de 10 salários-mínimos, sendo que, na maior parte dos casos, a renda proveniente do homem foi superior à da mulher. A maioria dos participantes concluiu Especialização ou uma pós-graduação Stricto Sensu (n=9), sendo o restante composto por Ensino Médio ou Fundamental (n=7), e Ensino Superior (n=4). A Tabela 1 detalha dados sociodemográficos dos participantes.

Tabela 1. Dados Sociodemográficos dos participantes 

Idade Escolaridade Área de Atuação

  • Renda familiar

  • R$ 1.302,00

Tempo de relação Filhos desta relação / Idade Recasados Outros filhos
Casal 1

  • F 61

  • M 78

  • Ensino Superior

  • Ensino Médio

  • Aposentadoria

  • Aposentadoria

de 1 a 5 salários-mínimos 17 anos Não Sim Sim
Casal 2

  • F 43

  • M 56

  • Doutorado

  • Pós-Doutorado

  • Educação

  • Empresa

mais de 10 salários-mínimos 12 anos Não Sim Sim
Casal 3

  • F 29

  • M 32

  • Especialização

  • Ensino Superior

  • Saúde

  • Manutenção

de 6 a 10 salários-mínimos 8 anos Não Não Não
Casal 4

  • F 36

  • M 32

  • Especialização

  • Ensino Médio

  • Serviço Público

  • Empresa

mais de 10 salários-mínimos 8 anos Não Não Não
Casal 5

  • F 36

  • M 34

  • En. Fundamental

  • Especialização

  • Estética

  • Informática

de 1 a 5 salários-mínimos 18 anos

  • Sim

  • 15, 13

Não Não
Casal 6

  • F 32

  • M 36

Especialização

  • Direito

  • Saúde

de 6 a 10 salários-mínimos 11 anos

  • Sim

  • 1

Não Não
Casal 7

  • F 38

  • M 35

  • Ensino Superior

  • Mestrado

  • Direito

  • Saúde

de 6 a 10 salários-mínimos 3 anos

  • Sim

  • 2

Não Não
Casal 8

  • F 37

  • M 33

  • Especialização

  • Ensino Superior

  • Turismo

  • Empresa

mais de 10 salários-mínimos 12 anos Gestação Não Não
Casal 9

  • F 29

  • M 26

Ensino Médio

  • Dança

  • Comércio

de 6 a 10 salários-mínimos 4 anos Gestação Não Não
Casal 10

  • F 30

  • M 43

Ensino Médio

  • Serviços Gerais

  • Saúde

de 1 a 5 salários-mínimos 8 anos

  • Sim

  • 3

Sim Não

Instrumentos

Os participantes responderam, individualmente, a uma ficha de dados sociodemográficos com o objetivo caracterizá-los, bem como a um roteiro de entrevista semiestruturada, composta por cinco questionamentos abertos e norteadores, que contemplavam: 1) breve histórico do casal; 2) uso do smartphone durante um dia comum do casal; 3) percepção sobre o relacionamento conjugal nos quesitos “satisfação” e “qualidade”; 4) relação do smartphone com o conflito conjugal; e, 5) impactos da pandemia no relacionamento conjugal e do uso do smartphone na conjugalidade.

Coleta dos dados

A seleção dos participantes foi realizada por conveniência, a partir da rede relacional da pesquisadora, e a indicação dos casais ocorreu por meio do critério “bola-de-neve” (Vinuto, 2014). O contato inicial se deu por mensagem no aplicativo WhatsApp ou chamada telefônica, momento em que foram explicados o tema e os objetivos da pesquisa. A coleta de dados aconteceu após assinatura digital do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), enviado ao e-mail pessoal de cada um dos cônjuges, e a resposta da ficha de dados sociodemográficos, enviada digitalmente pela ferramenta Google Forms.

A entrevista semiestruturada foi realizada individualmente pelos participantes, por intermédio da plataforma Zoom. As entrevistas ocorreram conforme disponibilidade dos casais, em horários diferentes para cada participante, sendo solicitado que não permanecessem no mesmo ambiente e evitassem a comunicação durante a coleta dos dados. As entrevistas foram gravadas, armazenadas em dispositivo local e transcritas integralmente. Após a transcrição, os arquivos de áudio foram excluídos e as entrevistas transcritas foram arquivadas no NEFAC (Núcleo de Estudos e Intervenções em Indivíduos, Casais e Famílias), sob a responsabilidade da professora orientadora da pesquisa.

A devolução dos resultados da pesquisa aos participantes foi realizada pelo WhatsApp, com o envio de uma síntese dos dados, e a disponibilização de agendamento para diálogos com aqueles que manifestassem interesse. Os resultados do estudo ainda serão apresentados à comunidade em um artigo de caráter informativo publicado em jornais locais, e de cards sobre a pesquisa no perfil profissional da pesquisadora na rede social Instagram.

Análise dos dados

Os dados provenientes do questionário sociodemográfico foram utilizados com a finalidade de caracterizar os participantes e levantar informações sobre o uso individual do smartphone no cotidiano. Os dados obtidos nas entrevistas foram analisados com base na análise temática. Trata-se de um método de análise que visa identificar, relatar e organizar os dados coletados, a partir dos seguintes passos: 1) Familiarização com os dados: as entrevistas foram ouvidas e as transcrições foram revisadas para a realização de anotações; 2) Geração de códigos iniciais: características potencialmente relevantes dos dados foram nomeadas; 3) Pesquisa de temas evidenciados nas entrevistas: foi realizada a busca de temas; 4) Refinamento da análise em subtemas: os temas que refletiram os dados mais relevantes foram revisados e agrupados; 5) Nomeação de temas e seleção de trechos das entrevistas que os ilustrassem; 6) Redação dos resultados: discussão dos temas como resultado com a utilização de trechos selecionados (Braun & Clarke, 2012).

Questões éticas

Esta pesquisa é vinculada ao projeto guarda-chuva “Novas configurações relacionais no ciclo de vida de desenvolvimento familiar”, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Atitus Educação (CAAE 40956320.3.0000.5319), cumprindo-se as exigências éticas do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 sobre pesquisas com seres humanos (CNS, 2016). Foram ainda obedecidas as orientações contidas no Ofício Circular 02/2021, sobre pesquisas com qualquer etapa em ambiente virtual (CNS, 2021).

Conforme o TCLE assinado pelos participantes, todos foram informados de que a pesquisa oferecia riscos mínimos e as entrevistas poderiam causar desconforto emocional relacionado ao seu conteúdo, sendo asseguradas a utilização de nomes fictícios, o sigilo de suas identidades, a possibilidade de interromper sua participação a qualquer momento e o encaminhamento a serviço de atendimento psicológico gratuito, caso necessário. Não houve relatos de desconforto pelos participantes em nenhum momento da pesquisa, tampouco a necessidade de encaminhamento para atendimento psicológico.

Resultados e discussão

Com base no levantamento de dados do questionário sociodemográfico obtiveram-se as seguintes informações sobre os participantes da pesquisa: o tempo de relacionamento abarca o período total da relação e foi bastante variável entre os participantes, indiferentemente da etapa do ciclo vital dos casais, pois alguns passaram a coabitar após anos de relacionamento. E, o tempo de coabitação foi maior nos casais com filhos adolescentes e nos recasados com filhos de relacionamentos anteriores.

No que se refere ao lazer, para os casais sem filhos, a leitura, assistir séries e a prática de esportes são as atividades preferidas, além do uso do smartphone. O lazer que envolve brincadeiras e passeios com os filhos foi eleito preferível aos casais que vivem a parentalidade, juntamente com os momentos desfrutados em família.

Com relação ao smartphone, 15% dos participantes possuem aparelho ou chip para uso exclusivo do trabalho. Do total, 45% dos participantes assinalaram que verificam notificações, respondem todas as solicitações, enviam e solicitam informações em qualquer horário do dia durante a semana. E, a utilização para fins laborais manteve-se aos finais de semana para 60% dos participantes, porém restringindo-se a assuntos considerados importantes.

Os aplicativos de comunicação e redes sociais mais acessados pelos participantes no cotidiano foram o WhatsApp, o Instagram, o Facebook e o Youtube. Sobre os perfis dos participantes nas redes sociais, a maioria referiu ter perfis individuais, sendo que a utilização de um perfil conjunto em rede social (Facebook) foi informada por apenas um casal.

A intensidade do uso do smartphone em situações do cotidiano também foi destacada no questionário sociodemográfico, por meio de uma questão de múltipla escolha que originou os seguintes resultados: 80% dos participantes deixam o smartphone por perto a maior parte do dia; 55% pontuam a verificação do smartphone como a última coisa a fazer antes de dormir; 50% participantes considera a primeira ação realizada pela manhã (além da função despertador); 35% mantêm o smartphone próximo durante as refeições, 30% levam o dispositivo ao banheiro no momento do banho; e 5% referem sentir desconforto em ambientes onde não possam usá-lo. Na questão aberta, os participantes mencionaram o uso comum do smartphone em sala de aula e enquanto assistem televisão. Sobre a forma de comunicação, 55% dos participantes referiram preferir usar o smartphone para o envio de mensagens do que para ligações.

Os participantes foram homogêneos quanto à etnia (90% brancos), orientação sexual (100% heterossexuais) e escolarização (65% com ensino superior, especialização ou pós-graduação). A heterogeneidade ocorreu com relação às etapas do ciclo vital conjugal. Pois, as características de determinada etapa foram nitidamente observadas em alguns casais, mas outros apresentaram elementos transversais às diferentes fases. Por exemplo, há os que estão na etapa de “formação do casal”, mas já vivenciam a parentalidade, característica da fase de “expansão da base”; ou, casais com aspectos da “afirmação e preparação”, que têm filhos pequenos. A etapa dos “anos tardios” não foi contemplada nos casais participantes.

A partir da análise temática, evidenciaram-se três temas. Dois deles foram abordados em outro estudo e dizem respeito ao papel do smartphone no ciclo vital conjugal e às mudanças que a pandemia ocasionou no uso do dispositivo no relacionamento conjugal. O presente estudo refere-se ao tema O uso do smartphone no conflito conjugal”, organizado em dois eixos e serão apresentados de forma integrada, com base na articulação das discussões teóricas e dos resultados das entrevistas.

O primeiro eixo refere-se à forma como as discordâncias sobre o uso do smartphone podem negar ou encobrir conflitos inerentes às tarefas do casal durante o ciclo vital. Dentre elas, destacam-se: a interação com a família de origem; o estabelecimento de fronteiras do subsistema conjugal e demais subsistemas; as fragilidades na transição da conjugalidade para a parentalidade; as divergências em relação ao uso do dinheiro e ao tempo destinado à conjugalidade; a confiança e a maturidade da relação conjugal; e, as dificuldades na concretização da conjugalidade devido à priorização do uso da tecnologia em detrimento do relacionamento conjugal.

O segundo eixo aborda como o uso do smartphone pode oferecer estratégias construtivas para a resolução dos conflitos conjugais a partir do diálogo sobre a relação por meio do dispositivo, da comunicação e acordos na manutenção da individualidade e organização do uso compartilhado desta tecnologia em interações que fortaleçam a conjugalidade.

Discordâncias sobre o uso do smartphone e a negação ou encobrimento de conflitos

A influência da tecnologia na interação conjugal é inegável e, é um fenômeno que pode provocar conflito, ciúme e baixos níveis de satisfação conjugal, intimidade e proximidade, especialmente em parceiros conjugais com elevadas taxas de multitarefas no smartphone (McDaniel & Coyne 2016; Roberts & David, 2016; McDaniel, Galovan & Drouin, 2020). No período de formação do casal a influência da família da origem geralmente é mais acentuada. Cabe ao casal a tarefa de separação emocional de suas famílias para que a dinâmica e a identidade conjugal sejam construídas. No entanto, podem ocorrer dificuldades na demarcação de fronteiras em relação às famílias de origem que repercutirão na conjugalidade e em divergências entre o casal (Delatorre, Maesima, Coelho & Wagner, 2022; Delatorre & Wagner, 2019).

No início do relacionamento, o casal 4 residiu com a família de Guilherme, período considerado difícil para Lívia: “A gente tinha que estar cumprindo regras. Estava me deixando assim muito irritada com a situação, eu não aguentava mais”. Tal percepção não é compartilhada por Guilherme, que apenas refere o forte laço com a família de origem associado ao fato de possuírem uma empresa familiar.

Quando questionado sobre o uso do smartphone, Guilherme relata: “separei o telefone da empresa do meu. Quando eu tinha os dois juntos, não parava”. Referindo-se ao impacto na relação com Lívia, diz: “sei que ela nem fala muito, mas eu sei que incomoda”. Ele segue descrevendo benefícios de uma recente reorganização em sua rotina, quando delimitou horários para tratar assuntos profissionais: “uso até dar o horário, aí eu guardo o telefone da empresa e só respondo no outro dia”. No entanto, tais limites não se efetivam com relação à sua família de origem que, quando não é atendida por ele no contato profissional o aciona pelo número pessoal, o que pode representar uma dificuldade no estabelecimento de fronteiras nítidas: “na questão de trabalho eles me chamam no telefone pessoal e eu converso ainda”.

A interferência tecnológica no contexto conjugal tem o potencial de interromper as interações positivas, estimular sentimentos negativos, provocar conflitos e, em alguns casos, contribuir para a dissolução do relacionamento (McDaniel & Drouin, 2019). O controle emocional, a comunicação e a orientação para a solução estão entre as estratégias de resolução construtivas. A negação, a racionalização e a hostilidade caracterizam as estratégias destrutivas (Costa, Cenci e Mosmann, 2016; Costa et al., 2017; Delatorre & Wagner, 2018; Wagner & Delatorre, 2018; Wagner et al., 2019). Quando questionada sobre conflitos envolvendo o uso desta tecnologia, a participante Gina (casal 8), afirma que ela e o marido não brigam por nada, apesar de estarem juntos há 13 anos. Porém, em outro momento, ela refere que o smartphone piorou o relacionamento pelo fato de o marido ignorar suas ligações, com a proximidade do nascimento da primeira filha: “Ele não atende nunca o celular. Nunca. Ele tá sempre com o celular na mão, mas quando eu ligo, quando eu preciso falar com ele, ele nunca me atende. Isso é uma coisa que a gente briga às vezes”. O fato da ligação de Gina não ser atendida pelo marido evidencia que ambos estão com dificuldade relacional com a transição da conjugalidade para a parentalidade. Tais divergências sobre o uso do smartphone podem representar a negação do conflito conjugal e a dificuldade na comunicação deles nesta etapa do ciclo vital, uma vez que as demandas e urgências individuais se alteraram.

A construção da identidade conjugal, a aquisição de patrimônios, o nascimento dos filhos e a negociação de regras e valores são demandas que emergem da fase inicial do ciclo vital familiar/conjugal, e que também requerem ajustes na forma com que os casais lidam com o dinheiro. O consumo de produtos de médio custo, entre eles os gastos com smartphone e as compras na Internet, pode gerar dificuldades e conflitos na organização do orçamento doméstico (Gonçalves, Caramaschi & Feijó, 2018). A dinâmica conjugal sofre interferência do orçamento financeiro, tema que exige planejamento dos casais sobre o destino da renda que antes era individual e passa a ser compartilhada. Surgem necessidades conjugais e familiares que requerem diálogo para que as divergências em relação às finanças sejam resolvidas (Cenci & Habigzang, 2019; Garbin, Cenci & Luz, 2015). Ângela (casal 9) descreve uma discussão sobre o orçamento na época em que descobriram a gravidez, quando passou a questionar os gastos do companheiro frente às novas responsabilidades: “Você está gastando tanto né, está gostando R$ 900,00 num jogo mensal? É sério que tu gastou R$ 900,00 no jogo? Você podia estar comprando roupa, você podia estar investindo na casa, investindo em você né, investindo em saúde”. Seu relato mostra como o smartphone pode ser um representante das divergências com relação ao dinheiro nesta etapa da vida conjugal.

Em termos contextuais, a pandemia Covid-19 ampliou não somente o uso dos smartphones, mas também a precarização do trabalho e a fragilização dos vínculos laborais. Além disso, o teletrabalho atenuou a fronteira entre a vida pessoal e profissional, impactando de diferentes formas nos vínculos afetivos (Oliveira & Ribeiro, 2021). A questão de gênero também permeia esse contexto, uma vez que as mulheres são costumeiramente sobrecarregadas por atividades no contexto conjugal, tornando a conciliação com o trabalho mais difícil para elas do que para os homens (Delatorre & Wagner, 2019).

No relato do casal 2 fica evidente como o trabalho remoto sobrecarregou os profissionais e invadiu a conjugalidade. Olívia refere que o smartphone é muito utilizado para atividades profissionais e a descrição de seu cotidiano evidencia como o trabalho por meio do dispositivo consome grande parte do seu tempo: “Daí levanto, tomo café, depois pego de novo [o smartphone], sigo trabalhando, eu uso muito pra trabalhar. De noite eu até já tentei deixar o celular em outro cômodo da casa, pra ele não ficar ali comigo, e depois desisti”. Na fala de Afonso percebe-se como a sobrecarga laboral feminina mediada pelo uso do smartphone, bem como a invasão tecnológica e do trabalho no contexto conjugal, podem gerar conotações contraditórias e, até mesmo, encobrir o conflito conjugal: “A Olívia tem muita demanda do trabalho. É o tempo inteiro com o celular. Às vezes eu até brinco com ela ‘Olívia, deixa o celular de lado’. Eu falo isso. Mas, não me incomoda, eu falo mais por ela, sabe?”.

O equilíbrio entre os papéis parentais e as demandas profissionais é costumeiramente um motivo para o conflito conjugal e requer habilidades de comunicação e apoio mútuo entre o casal (Bernardi, Mello & Féres-Carneiro, 2019). A necessidade de ajustamento à parentalidade também impacta na conjugalidade e traz à tona questões de gênero e desigualdades na realização de tarefas domésticas e nos cuidados dos filhos (Delatorre et al., 2022; Wagner et al., 2019). Somado a isso, a influência da mídia divide a opinião dos pais ao oferecer uma formação híbrida e fragmentada, fazendo com que os casais precisem frequentemente avaliar em que medida os estímulos midiáticos podem interferir na dinâmica conjugal e na transmissão de valores aos filhos (Costa, Cenci & Mosmann, 2016; Costa & Mosmann, 2015). Fran (casal 6) apresenta como os dilemas da transição para a parentalidade são atravessados pelo uso das tecnologias, intensificando os conflitos e as desigualdades desta fase: “Tenho falado pra Fábio parar um pouco o uso quando a gente tá almoçando. Então, como eu normalmente tô dando comida pra ele [o filho] eu já não fico no celular. Mas, eu tenho que ficar chamando atenção”.

Bernardo (casal 9) refere que ao descobrirem a gravidez da companheira, houve conflitos sobre o modo que ele utilizava o smartphone:Eu não poderia continuar dando tanto espaço pro telefone durante os períodos que a gente tava junto, porque isso vai influenciar depois da minha atitude até mesmo com o pai, né”. Seu relato mostra a necessidade de ajustes e preocupação com condutas que afetem a transmissão dos valores no exercício da parentalidade.

Outro aspecto que envolve o conflito conjugal e o uso do smartphone são as redes sociais. Os comportamentos na virtualidade, como adicionar amizades, excluir conversas com ex-namorados e a geração de conteúdos nas redes, podem interferir de forma negativa no relacionamento conjugal, criando espaço para manifestações de ciúme (Canezin & Almeida, 2015). A maturidade conjugal aumenta a segurança sobre a manutenção do relacionamento apesar das dificuldades, e possibilita que os casais sejam mais flexíveis e estáveis emocionalmente para lidar com os conflitos que envolvem o ciúme (Delatorre & Wagner, 2021). Os participantes relatam como o tempo de relação auxilia no enfrentamento do ciúme e dos conflitos oriundos do uso da tecnologia: “Com o passar do tempo no relacionamento, acho que mudou isso. Hoje em dia eu não fico olhando, buscando algo” (Fábio, casal 6). Teve uma época que eu comecei a mexer, daí eu sempre perguntava - ah, mas quem que é? E aquela que tu mandou mensagem? Daí ele explicava. Mas, isso foi bem mais no início, agora não tem o porquê” (Daniela, casal 7). “Um tem acesso total ao telefone do outro. Antes, no início do relacionamento, existia um certo ciúme. Mais dela, porque eu já fui casado. Hoje em dia tudo é tranquilo” (Airton, casal 10).

O desconforto em ficar sem acesso ao smartphone, reforçado pela expectativa de disponibilidade constante dos amigos, ou mesmo a mera presença do dispositivo, podem desviar a atenção das interações conjugais. O uso do smartphone na presença de um parceiro, comportamento denominado de partner phubbing ou pphubbing tem um efeito prejudicial, muitas vezes não intencional, no relacionamento conjugal (Água et al., 2019; González-Rivera et al., 2018; Roberts & David, 2016; Wang et al., 2021). Aquele que se sente excluído tem prejudicadas a capacidade de resposta e a interação conjugal (Beukeboom & Polmann, 2021). Gina (casal 8) refere como o smartphone é motivo de conflito conjugal, inclusive nos momentos de lazer do casal: “Eu brigo um monte com ele. Porque às vezes a gente tá num lugar, só nós dois jantando, e ele fica mexendo no celular. Daí eu fico - tá, deu? Vou ficar aqui que nem uma palhaça?”.

A interferência da tecnologia no relacionamento conjugal pode ser percebida de forma diferente pelos indivíduos que compõem a conjugalidade. Para aquele que se distrai, o uso do smartphone durante as interações conjugais é visto como uma simples ação do cotidiano associada às multitarefas que o dispositivo oferece. Para o ignorado, trata-se de uma priorização da tecnologia em lugar do relacionamento, que gera sofrimento e insatisfação conjugal (González-Rivera et al., 2018; Roberts & David, 2016). Esse aspecto é evidenciado por Norton (casal 8): “Às vezes ela tá falando, né, e eu sou distraído. Então, sei lá, ela tá falando e eu vou escutar um áudio, ou vou responder alguma coisa, ou trabalho, ou bobagem mesmo. Aí ela fica mais nervosa, né”.

O uso do smartphone durante as interações do casal impacta negativamente no relacionamento quando um dos parceiros se distrai com a tecnologia enquanto o casal está junto, evidenciando potencial para o conflito conjugal, menor satisfação conjugal, depressão e menor satisfação com a vida (McDaniel & Coyne,2016; Roberts & David,2016; McDaniel, & Drouin, 2019). Os relatos das participantes denotam a existência destes elementos conflitivos no seu cotidiano relacional: Ao invés de dar atenção total naquele momento, eu respondia um pouco no celular, respondia um pouco com ele, respondia um pouco no celular de novo... Daí gerou um incômodo” (Beatriz, casal 3). “A gente se escuta, se respeita, apesar de que às vezes, por causa do celular, a gente acaba não escutando adequadamente o outro, não olhando adequadamente pro outro” (Olívia, casal 2).

O uso do smartphone e as estratégias para a resolução de conflitos

Os casais podem se beneficiar da tecnologia pela possibilidade de refletir sobre o conflito sem ter que responder de forma imediata, como ocorre nas interações face-a-face. A discussão da relação por meio do smartphone pode reduzir a ansiedade durante conversas difíceis e possibilita que os cônjuges comuniquem melhor suas necessidades na relação (Hertlein & Ancheta, 2014). Os participantes descrevem como o diálogo sobre o relacionamento por meio do smartphone auxiliou na resolução de conflitos conjugais: “Através do smartphone que voltamos a conversar e também tomamos a decisão de vai ou desce” (Eduardo, casal 3). “Pelo telefone a gente consegue, às vezes, se abrir mais né, ao mandar uma mensagem” (Gisele, casal 10). “Às vezes, eu acabo falando alguma coisa que magoa ele. Daí eu fico com aquilo na cabeça. Daí eu mando mensagem pra ele pedindo desculpa, e ele pra mim, também” (Solange, casal 5).

Com o intuito de evitar efeitos prejudiciais, é importante o reconhecimento das consequências do uso excessivo do smartphone no relacionamento conjugal, delimitando-o sempre que necessário (Beukeboom & Polmann, 2021). Os participantes referem como se dá a compreensão da interferência do uso do smartphone na relação: “A gente já conversou e ela também concorda que, quando a gente tá em casa tem que interagir o máximo possível e deixar o telefone de lado” (Elias, casal 7). “Às vezes eu digo pra ele, assim: ‘Ah, sai do celular, tá jogando demais, Pedro Gabriel. Desliga um pouco esse celular’. E ele também fala pra mim” (Solange, casal 5).

A interferência tecnológica nas interações conjugais fez com que os casais dialogassem e estabelecessem acordos com relação ao uso do smartphone, a fim de que sejam respeitados os espaços individuais e o tempo que desfrutam juntos (Cadavid Fernandez, et al., 2020). Além disso, o uso compartilhado do smartphone tem se mostrado uma alternativa de resolução de conflitos. Pois, ao envolver e informar o parceiro sobre as atividades a serem realizadas no dispositivo, a sua utilização torna-se relevante e funcional na interação entre os cônjuges (Beukeboom & Polmann, 2021). Norton descreve em quais momentos da conjugalidade foram ajustadas regras para o uso dos smartphones: “Quando nós estamos almoçando, jantando, tomando café da manhã juntos, não utilizar o celular. Eu, de minha parte, falo que melhorou muito, mas ainda volta e meia dou uma pegada”. O casal 7 evita a utilização do smartphone nas interações com a filha e conta quais foram as outras delimitações para amenizar os impactos negativos da tecnologia na relação conjugal: “Na hora do almoço. Quando a gente sai pra jantar, pra encontrar amigos, a gente também não utiliza” (Daniela, casal 7). “Da diminuição do uso do telefone quando a gente tá junto. A gente viu que é uma coisa que realmente prejudica no relacionamento. Em casa diminuiu bastante, a gente fez um combinado. Diminuiu muito, muito, o uso do celular” (Elias, casal 7).

Ter menos conflito conjugal e desenvolver estratégias construtivas de resolução de conflito são uma tendência entre casais mais velhos e com mais tempo de relacionamento quando comparados aos casais mais jovens (Delatorre & Wagner, 2018). Os conflitos conjugais em razão do uso do smartphone não foram identificados nos participantes mais velhos, como evidenciado no relato do casal 1, que está junto há 17 anos: “Acho que a gente nunca brigou por causa do smartphone” (Lore, 61 anos). “Isso, se existe, nem sei dizer [...] porque nós é olho no olho” (Alf, 78 anos). O casal referiu que os problemas conjugais são tratados somente em conversas presenciais e o que o uso individual do dispositivo não ocorre durante as interações do casal. Mas, que há o uso compartilhado para atividades próprias do casal, como assistir aos cultos religiosos. Esses casais tendem ao exercício da religiosidade, que está relacionada aos baixos índices de conflitos, à comunicação adaptativa e à comportamentos de cooperação (Delatorre & Wagner, 2018).

Considerações Finais

O objetivo desse estudo foi entender a relação do smartphone com o conflito conjugal. Evidenciou-se que as divergências sobre o uso do smartphone na dinâmica conjugal podem representar a negação do conflito conjugal ou encobrir outros conteúdos relacionados aos desacordos não verbalizados no cotidiano dos casais, principalmente quando a tecnologia é priorizada em detrimento do relacionamento conjugal.

Neste estudo, o encobrimento dos conflitos relacionados à dificuldade na delimitação de fronteiras nítidas com as famílias de origem foi identificado por meio de divergências sobre o uso do smartphone na conjugalidade. Mais evidente foi a interferência da tecnologia nos conflitos relacionados à preparação para a parentalidade, seja no manejo do dinheiro para as necessidades que virão, ou na expectativa de poder contar com o outro nesta nova fase da dinâmica conjugal.

A pesquisa revelou que a constante presença da tecnologia gera uma necessidade de conexão contínua, seja por demandas profissionais ou pela premência de responder a diversas notificações no smartphone. Esse ponto foi ressaltado pelos casais como fonte de desentendimentos, intensificando o sofrimento provocado pelo Partner Phubbing, caracterizado pela impressão de que o dispositivo eletrônico e seu universo se tornam mais prioritários que o cônjuge.

O conflito conjugal também foi representado na forma como o casal utiliza o smartphone durante a divisão das tarefas parentais, evidenciando as diferenças de percepção sobre as necessidades dos filhos. Já a transmissão dos valores parentais é fortemente desafiada pelo uso da tecnologia, sendo que os casais que possuem essa compreensão têm mais facilidade em realizar ajustes, seja para evitar conflitos ou para construir estratégias resolutivas.

A comunicação via mensagens pelo smartphone após um desentendimento oferece uma via singular para o diálogo e a resolução conjugal. Isso se deve ao tempo que geralmente se dedica à reflexão pessoal sobre os pontos de conflito, o que facilita expressar os sentimentos e reforçar o desejo de reconciliação.

Independentemente da etapa do ciclo vital conjugal em que estejam, os casais que optam pela criação de regras para o uso individual do smartphone apresentam maior compreensão da necessidade de preservação da individualidade no espaço conjugal e criam estratégias construtivas para a resolução dos conflitos. O mesmo ocorre com os casais que formulam momentos para o uso compartilhado do dispositivo. Em casais mais maduros e com relacionamentos mais longos, notou-se uma menor necessidade de criar tais estratégias, já que a influência do uso da tecnologia tende a ser menor na dinâmica conjugal.

Os resultados deste estudo podem auxiliar a compreender a complexa interferência tecnológica nos relacionamentos conjugais da contemporaneidade, além de possibilitar subsídios a profissionais da Psicologia que atendam casais com problemáticas relacionadas a esse tema. Em razão disso, salienta-se a importância da continuidade de investigações acerca do tema do uso do smartphone e a conjugalidade, uma vez que consiste num fenômeno atual e até agora pouco investigado por pesquisadores brasileiros.

O estudo apresentou limitações. A etapa dos “anos tardios” no ciclo vital conjugal não foi contemplada dentre os participantes, ainda que tenha ocorrido heterogeneidade com relação às outras etapas, bem como situação conjugal, idade, existência de filho. Além disso, há homogeneidade quanto à etnia, orientação sexual e escolarização. Estima-se que as indicações de casais participantes pelo método bola de neve ocorram por identificação entre aqueles que compõem a rede relacional, o que dificulta o alcance de diferentes configurações familiares e, de certo modo, influencia no perfil dos participantes.

A temática da pesquisa revelou-se delicada no contexto conjugal. Durante a seleção de participantes via método bola de neve, dez casais que inicialmente aceitaram o contato da pesquisadora declinaram o convite ao serem informados sobre o tema do estudo, recusando-se inclusive à coleta de dados. Tal fato sugere que a reflexão sobre o uso do smartphone na relação conjugal pode gerar desconforto ou questionamentos sobre a dinâmica do casal. Essa ocorrência também impactou o cronograma da coleta de dados, uma vez que a busca por participantes na rede de relacionamentos da pesquisadora precisou ser refeita diversas vezes, alterando o tempo previsto para a obtenção dos dados.

Sugere-se a realização novas pesquisas que abarquem a heterogeneidade de configurações familiares e a diversidade do tema como, por exemplo, conflitos conjugais provocados pelo uso das redes sociais, da vigilância eletrônica e da intrusão eletrônica, além de outros que possam reverberar no desenvolvimento do ciclo vital conjugal.

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Recebido: 27 de Abril de 2024; Revisado: 28 de Fevereiro de 2025; Revisado: 15 de Abril de 2025; Aceito: 22 de Abril de 2025

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