Por mais que caminhemos o horizonte nunca chega. É possivel pensar a vida assim. Nunca estamos prontos nunca chegamos à plenitude, sempre tem algo a ser alcançado. Por um lado, essa imagem fala de aspectos belos da experiência de viver. Do fato do viver ser inesgotável. Essa imagem, por outro lado, também pode falar da angústia de se tentar chegar a algum lugar e não conseguir. Do cansaço de quem quer chegar à terra firme, à segurança de um solo seguro e não consegue alcançar seu objetivo.
A ideia de voltar a um novo normal traz essas contradições. Seria voltar, por ter relação com resgatar uma certa liberdade que existia em um tempo anterior e deixou de existir. Tem relação com o novo por sabermos que o mundo que habitávamos anteriormente, foi totalmente transformado pelo período de pandemia. O que temos pela frente não é mais o mundo que conhecíamos.
Nunca foi tão evidente o fato de não podermos voltar, o fato de que a vida segue para a frente, de que como dizia Heráclito de Éfeso, “o mesmo homem jamais se banha nas mesmas águas de um mesmo rio, as águas não são as mesmas e o homem não é o mesmo”. Essa verdade histórica, que está no cerne do que chamamos de Gestalt-Terapia nunca se mostrou de forma tão clara.
Em um certo sentido a vida nunca foi diferente do que estamos experimentando nesse período histórico, mas a situação de pandemia nos trouxe esse contraste de forma especialmente clara. Precisamos respirar profundamente os novos ares que se desvelam à nossa frente, caminhar com muita consciência, nos reinventarmos a cada momento. No fundo no fundo, isso é viver. Sejamos todos, mais uma vez, bem-vindos à experiência do existir humano.













