INTRODUÇÃO
A síndrome de burnout (SB) é um tema de grande interesse público e de pesquisa e se tornou um dos riscos ocupacionais psicossociais mais importantes na sociedade de hoje devido aos custos significativos para indivíduos, organizações e a economia global (Epstein et al., 2020; Tavella et al., 2021). A SB tem sido abordada pela literatura como um fenômeno psicossocial relacionado aos estressores crônicos presentes no contexto laboral (Gil-Monte, 2011; Maslach et al., 2001). De acordo com Gil-Monte (2005, 2011), trata-se de uma experiência subjetiva que leva a cognições, emoções e comportamentos negativos com relação ao trabalho e às pessoas com as quais o trabalhador precisa se relacionar.
Gil-Monte (2005) construiu um modelo da SB composto por quatro dimensões: 1) Ilusão pelo trabalho, definida pelo desejo do trabalhador em atingir metas condizentes com seu trabalho, percebendo-as como atraentes, e que lhe proporcionam satisfação pessoal; 2) Desgaste psíquico, dimensão caracterizada pelo sentimento de exaustão emocional e física, desencadeado pela relação ao contato direto com pessoas que são avaliadas como fonte ou como causadoras de problemas; 3) Indolência, descrita pela presença de atitudes e comportamentos de indiferença na relação que o trabalhador estabelece com as pessoas atendidas no ambiente de trabalho; 4) Culpa, referida como o surgimento de cobrança e de sentimento de culpabilização pelas condutas negativas realizadas no trabalho, não condizentes com as normas internas e as cobranças sociais do papel profissional.
Embora diversos estudos tenham se dedicado, ao longo dos anos, a investigar a SB em psicólogos (Bearse et al., 2013; Rodriguez & Carlotto, 2014; Turnbull & Rhodes, 2021; Yang & Hayes, 2020), essa categoria profissional ainda é pouco pesquisada (Rodriguez et al., 2020; Williams et al., 2020). A natureza do trabalho dos psicoterapeutas é marcada por altos níveis de exigência, que requerem elevados níveis de envolvimento (McCormack et al., 2018), pois, não raras vezes, esses profissionais tendem a priorizar as necessidades de seus pacientes em detrimento das suas (Bearse et al., 2013; Hammond et al., 2018). Além das consequências para o profissional, a SB em psicólogos impacta de forma negativa o paciente que está recebendo os serviços, uma vez que os profissionais passam a operar com sua capacidade reduzida. A SB é um processo que pode levar a um atendimento de baixa qualidade e a piores resultados de tratamento (Warlick et al., 2021).
A literatura tem destacado baixos ganhos financeiros, sobrecarga de trabalho, excesso de atividades profissionais, desgaste emocional e relacionamentos com colegas e pacientes como estressores na prática clínica de profissionais autônomos (Rodriguez et al., 2015). Um estudo realizado por Hammond et al. (2018) revelou que os psicólogos clínicos indicavam como fatores de risco para a SB as horas de trabalho excessivas e a carga de trabalho mal gerenciada, o alto custo financeiro de manter um consultório particular, o desconhecimento sobre a síndrome e a formação inadequada para o autocuidado.
Uma revisão sistemática, realizada por Yang e Hayes (2020), identificou um perfil de risco da SB constituído por psicoterapeutas do sexo feminino, de estado civil solteiro, sem filhos, com menos de 35 anos, com menos de 5 anos de experiência de trabalho e com maior formação profissional. O estudo também encontrou inconsistências na relação entre SB e variáveis sociodemográficas. No caso da variável gênero, há uma leve preponderância de evidências que indicam que as mulheres podem correr mais risco do que os homens. Ter filho(s) pode ajudar os psicoterapeutas a desenvolver e a manter um equilíbrio mais saudável entre vida profissional e pessoal, a estabelecer visões mais altruístas de suas vidas e clientes, e a manter visões mais otimistas do futuro.
Quanto à idade, a revisão encontrou alguns estudos que indicam que, quanto maior a idade, maior o nível de SB. A síndrome aumenta à medida que se trabalha mais, o que é plausível, considerando que é resultado do estresse crônico no trabalho. No entanto, no caso de psicoterapeutas, a idade pode estar associada a maior experiência profissional, que faz com que saibam evitar ou minimizar os sintomas da SB de forma efetiva.
Embora as variáveis sociodemográficas e laborais sejam bastante investigadas na literatura, ainda não há consenso sobre suas implicações e sua relação com a SB (Yang & Hayes, 2020), uma vez que há variações de acordo com o tipo de profissão e cultura. Nesse sentido, Gómez-García et al. (2020) destacam o importante papel dessas variáveis na elaboração de um perfil de risco para subsidiar o desenvolvimento de intervenções de prevenção e de reabilitação da SB. Informações empíricas sobre as variáveis que contribuem para a SB podem preparar os psicoterapeutas para tomar medidas a fim de minimizar ou prevenir sua ocorrência (Yang & Hayes, 2020), uma vez que os fatores de risco, especificamente em psicoterapeutas, ainda não estão suficientemente consolidados (Spännargård et al., 2023).
Pelo exposto, este estudo de delineamento quantitativo, observacional, analítico e transversal teve como objetivo identificar o poder preditivo das variáveis sociodemográficas e laborais para as dimensões da SB em uma amostra de psicólogos. A Tabela 1 apresenta as variáveis em estudo e as expectativas de resultados.
Tabela 1 Modelo hipotetizado das relações esperadas entre as dimensões da SB, variáveis sociodemográficas e laborais.
| Variáveis (SB) | IL | DP | IN | CL | Referências |
|---|---|---|---|---|---|
| Sexo Feminino |
+ | + | - | + | Dalcin & Carlotto (2017); Rodriguez & Carlotto (2014); Carlotto et al. (2014). McCormack et al. (2018). |
| Masculino | 0 | 0 | + | + | Rodriguez & Carlotto (2014); Carlotto et al. (2014). McCormack et al. (2018). |
| Situação conjugal Com companheiro |
+ | 0 | 0 | 0 | Rodriguez & Carlotto (2014). |
| Sem companheiro | - | + | + | NA | Escudero-Escudero et al. (2020). |
| Idade (mais) | + | - | - | NA | Allwood et al. (2022); McCormack et al. (2018). |
| Idade (menos) | - | + | + | NA | Escudero-Escudero et al. (2020). |
| Filhos Sim |
+ | - | - | NA | Yang & Hayes (2020) |
| Não | - | + | + | + | Rodriguez & Carlotto (2014); Yang & Hayes (2020). |
| Ter Formação específica em Psicologia Clínica Sim |
- | + | + | + | Yang & Hayes (2020). |
| Não Realizar supervisão de casos Sim |
0 | - | - | 0 | Johnson et al. (2020) |
| Tempo de trabalho | + | - | - | McCormack et al. (2018) | |
| Número de pacientes atendidos | 0 | + | 0 | 0 | |
| Carga horária de trabalho | + | 0 | + | 0 | Rodriguez & Carlotto (2014) |
| Remuneração | + | - | - | - | Rodriguez & Carlotto (2014); Lee et al. (2020) |
| Ter outra atividade profissional | - | + | + | + | Rodriguez & Carlotto (2014) |
Nota: IL = Ilusão pelo trabalho; DP = Desgaste psíquico; IN = Indolência; CL = Culpa
+ = associação positiva; - = associação negativa; 0 = não associação; NA = não avaliada. As variáveis associadas são apresentadas na direção positiva.
MÉTODO
Participantes
A amostra não aleatória foi constituída por 131 psicólogos clínicos brasileiros. Como critério de inclusão, foi especificado ter mais de um ano de atuação profissional. A maioria dos participantes declarou pertencer ao sexo feminino (87%), ter companheiro(a) fixo(a) (74,8%) e não ter filhos (57,3%). A idade média dos profissionais foi de 36,7 anos (DP = 9,64). Os participantes relataram remuneração média de R$ 3.873,77 (DP = 2.626,71), carga horária semanal média de trabalho nos últimos 3 meses de 25,11 horas (DP = 14,41), tempo de atuação como psicólogo clínico de 1 a 35 anos (M = 6,61; DP = 6,75) e atendimento, em média, de 8 pacientes por semana (DP = 5). A maioria exercia suas atividades clínicas na modalidade privada (89,3%) e trabalhava exclusivamente na atividade clínica (67,9%).
Instrumentos
1. Questionário de dados sociodemográficos: sexo, idade, situação conjugal, filhos, renda; 2. Questionário de dados laborais: carga horária; tempo de atendimento clínico; número de pacientes atendidos semanalmente; trabalhar em instituição ou consultório privado; possuir curso de formação específico em psicologia clínica; ter outra atividade profissional; 3. Síndrome de burnout: para avaliação da SB, foi utilizado o Cuestionario para la Evaluación del Síndrome de Quemarse por El Trabajo (CESQT), de Gil-Monte (2005, 2011), em versão traduzida e adaptada para o Brasil por Gil-Monte et al. (2010). O instrumento constitui-se de 20 itens avaliados com uma escala de frequência de 5 pontos (0 “nunca”; 4 “todos os dias”). Esses se distribuem em quatro subescalas: Ilusão pelo trabalho (5 itens, α = 0,83 original; α = 0,83 no presente estudo) (ex. de item: “Vejo o meu trabalho como uma fonte de realização pessoal”); Desgaste psíquico (4 itens, α = 0,80 original; α = 0,86 no presente estudo) (ex. de item: “Sinto-me desgastado[a] emocionalmente.”); Indolência (6 itens, α = 0,80 original; α = 0,89 no presente estudo) (ex. de item: “Penso que trato com indiferença alguns pacientes”); e Culpa (5 itens, α = 0,82 original; α = 0,81 no presente estudo) (ex. de item: “Tenho remorsos por alguns dos meus comportamentos no trabalho”).
Procedimentos de coleta de dados
Os dados foram coletados em plataforma on-line (SurveyMonkey) e o recrutamento foi feito por meio das redes sociais e dos e-mails de contato das pesquisadoras. A realização da coleta ocorreu entre outubro de 2019 e março de 2020. O acesso para participar da pesquisa somente foi possível após o aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O estudo tem aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da [nome ocultado para preservar a avaliação às cegas].
Procedimentos de análise de dados
O banco de dados foi analisado por meio do SPSS 20 (Statistical Package for the Social Sciences). Para atender ao objetivo do estudo, foi executada uma análise de regressão linear múltipla, método stepwise, para cada dimensão da SB (variável dependente), tendo como preditores as variáveis sociodemográficas e laborais (variáveis independentes). A magnitude do efeito (effect size) foi avaliada pelos coeficientes de regressão padronizados e calculados para cada modelo final, de acordo com Marôco (2007). O tratamento dos dados obedeceu a um nível de confiança de 95%, com um nível de significância de p ≤ 0,05.
Os pressupostos para a análise de regressão linear foram testados, identificando-se valores aceitáveis de acordo com parâmetros propostos por Field (2009). Foi verificada ausência de multicolinearidade, pois todos os valores das correlações ficaram abaixo de 0,408, os valores de variance inflation factor (VIF) situaram-se abaixo de quatro (variação de 1,911 a 2,057), e os valores de tolerância foram inferiores a 1 (variação de 0,667 a 0,932). A análise do coeficiente de Durbin-Watson identificou valores próximos a 2 (variação de 1,923 a 2,036), desse modo, indicando a independência da distribuição e a não correlação dos resíduos. A distância de Cook apresentou valores de 0,005 a 0,007, inferiores a 1, indicando não existir preditores atípicos e ajuste adequado dos modelos.
RESULTADOS
Os resultados obtidos (ver tabela 2) revelaram um modelo preditor para a dimensão Ilusão pelo trabalho, constituído pelas variáveis “maior tempo de trabalho” e “maior remuneração mensal” que, conjuntamente, explicaram 14,9% dessa dimensão. Com relação ao Desgaste psíquico, as duas variáveis preditoras que explicaram 14% da variabilidade dessa dimensão foram “ter filhos” e “maior carga horária”. No que tange à dimensão Indolência, as variáveis “sexo masculino” e “não ter filhos” apresentaram poder explicativo de 20%. Por fim, para a dimensão Culpa, a análise revelou como único preditor o “sexo feminino”.
Tabela 2 Análise de regressão linear múltipla para as dimensões da SB.
| Variáveis | R | R2 ajustado | B | SE | Beta | t | p |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
|
Ilusão pelo Trabalho Tempo de trabalho |
0,31 | 0,10 | -0,12 | 0,034 | -0,19 | -3,40 | 0,01* |
| Remuneração mensal | 0,39 | 0,15 | 0,08 | 0,037 | 0,13 | -2,22 | 0,02* |
|
Desgaste Psíquico Carga horária semanal |
0,30 | 0,08 | 0,02 | 0,005 | 0,28 | 3,47 | 0,00* |
| Filhos | 0,39 | 0,14 | -0,46 | 0,152 | -0,25 | -3,03 | 0,00* |
|
Indolência Sexo |
0,41 | 0,16 | 0,67 | 0,129 | 0,41 | 5,21 | 0,00* |
| Filhos | 0,46 | 0,20 | -0,24 | 0,089 | -0,21 | -2,74 | 0,01* |
|
Culpa Sexo |
0,21 | 0,04 | 0,45 | 0,184 | 0,21 | 2,47 | 0,01* |
Sexo: 0 = F, 1 = M; Filhos: 0 = sim; 1 = não
*p ≤ 0,01.
DISCUSSÃO
O presente estudo teve como objetivo identificar o poder preditivo das variáveis sociodemográficas e laborais para as dimensões da SB em uma amostra de psicólogos. Os resultados revelaram que a dimensão Ilusão pelo trabalho foi explicada pelas variáveis “maior tempo de trabalho” e “maior remuneração mensal”, convergindo com estudos realizados por Rodriguez et al. (2014). Quanto ao tempo de trabalho, Allwood et al. (2022) entendem que, à medida que há um aumento da experiência de trabalho, os psicólogos clínicos tendem a melhorar o manejo com as demandas quantitativas e emocionais na profissão. Além disso, o aumento da experiência de vida, em geral, torna o profissional mais hábil em manter um maior equilíbrio no envolvimento com seu trabalho e a obter maior realização e satisfação no âmbito profissional. Outro aspecto considerado é o fato de que psicólogos clínicos mais experientes costumam atuar também em contextos de ensino e de supervisão sobre como lidar com o envolvimento no trabalho, o que pode lhes ser útil para prevenir o risco de SB. É importante destacar que os profissionais da amostra investigada trabalham, na sua maioria, em consultório privado, o que, segundo McCormack et al. (2018), proporciona maior autonomia e controle sobre sua clientela e suas horas trabalhadas, podendo ser considerados fatores de proteção para o desenvolvimento da SB.
A remuneração tem sido uma variável associada à SB (Macía-Rodríguez et al., 2020; Yang et al., 2015). Para psicólogos que atuam de forma privada e autônoma, pode funcionar como medida de sucesso e reconhecimento profissional. Um estudo realizado por Opoku et al. (2021) revela que remuneração percebida como favorável funciona como mediadora entre o desgaste emocional e a satisfação no trabalho. Assim, pode-se pensar que os psicólogos da amostra do presente estudo percebem sua remuneração como forma de estarem atingindo suas metas profissionais, e que o trabalho tem sido fonte de realização.
O Desgaste psíquico foi explicado pelas variáveis “ter filhos” e “maior carga horária”. O resultado com relação à primeira variável se mantém controverso, pois há estudos, como o de Yang e Hayes (2020), que identificaram que ter filhos aumenta o desgaste emocional e outros, como o de Cañadas-De la Fuente et al. (2018), que apontaram que há maior ocorrência de SB entre trabalhadores sem filhos. É possível supor que ter filhos tenha sido percebido, na amostra investigada, como uma demanda extra, se alinharmos esse resultado com a maior carga horária de trabalho. Como a amostra é constituída predominantemente por mulheres, é possível entender que, embora estudem em universidades e tenham carreiras profissionais, os papéis de cuidadora do lar e dos filhos seguem atribuídos a elas (Alves & Resende, 2021). Especificamente na área da psicologia, um estudo realizado por Wiens et al. (2022) refere que muitas mulheres mudaram seu exercício profissional para consultórios particulares para controlar mais e melhorar seu equilíbrio trabalho-família. Embora muitas participantes tenham relatado ter maior controle sobre suas horas de trabalho em consultório particular, muitas experimentaram uma diminuição no equilíbrio trabalho-família.
Quanto à dimensão Indolência, foram preditoras as variáveis “sexo masculino” e “não ter filhos”. O resultado encontrado em relação ao gênero masculino confirma o identificado na literatura (Brera et al., 2021; McCormack et al., 2018; Purvanova & Muros, 2010). Essa questão tem sido entendida pelo processo de socialização, no qual as mulheres aprendem a lidar com demandas emocionais e interpessoais porque essas habilidades são centrais para o papel de gênero feminino (Elfenbein, 2023; Purvanova & Muros, 2010). Os autores complementam, referindo que homens em ocupações caracterizadas socialmente como femininas podem enfrentar desafios para os quais, por vezes, não estão suficientemente preparados. A dimensão Indolência é, basicamente, relacionada ao contato com a clientela atendida (Gil-Monte, 2005), o que, para psicólogos, caracteriza-se pelo intenso uso de emoções e pela necessidade de sua regulação no trabalho. Nesse sentido, o resultado também pode ser explicado pelo estudo de Goubet e Chrysikou (2019), que identificou que homens têm menor flexibilidade e tendem a usar menos estratégias para regular as emoções.
O resultado quanto à variável “não ter filhos” e maior distanciamento também foi encontrado em estudos de CañadasDe la Fuente et al. (2018) e Rodriguez et al. (2014). Maslach e Jackson (1985) explicam esse resultado com o argumento de que o exercício da maternidade ou da paternidade pode fortalecer a preparação dos profissionais, na medida em que a vivência de problemas e estressores naturalmente presentes na educação dos filhos proporciona experiência e melhor manejo no cuidado com o outro.
A dimensão de Culpa foi explicada pela variável “sexo feminino”. O sentimento de culpa pela adoção de comportamentos considerados incompatíveis com o papel profissional pode ser explicado por estudo de Mota-Santos et al. (2021) que refere que mulheres, principalmente devido à tripla jornada (trabalho no lar, carreira profissional e estudos), estão mais expostas ao estresse e à culpa. Esse sentimento é marcado por questões culturais relacionadas ao gênero e reforçadas pelas próprias mulheres, que se exigem e se cobram mais em relação aos papéis que lhes são conferidos socialmente (Mota-Santos et al., 2021; Rufino et al. 2019). No caso dos psicólogos, pode-se pensar que essa é uma questão importante, na medida em que esses profissionais necessitam de constante atualização, como realização de cursos e estudos, para atender ao modelo contemporâneo de psicoterapia clínica que alia a prática às melhores evidências científicas (Mariano, 2019).
CONCLUSÃO
Conclui-se que as variáveis sociodemográficas “sexo” e “filhos”, e as laborais, como “carga horária”, “tempo de trabalho” e “remuneração mensal”, impactam nas dimensões da SB em psicólogos clínicos. Como forças do estudo, destacam-se a relevância do tema proposto no que tange à saúde do psicólogo clínico e o impacto que pode causar na qualidade do atendimento aos clientes. Outra questão é a utilização de instrumento da variável dependente validado para o uso no Brasil e variáveis dependentes que apresentam baixa possibilidade de viés de resposta.
O estudo apresenta duas importantes limitações, que devem ser consideradas na leitura de seus resultados. A primeira diz respeito ao seu delineamento transversal, que impede inferências causais, e a segunda diz respeito à utilização de uma amostra não probabilística, que impede a generalização dos seus resultados.
Como novas possibilidades de pesquisa, sugere-se a realização de estudos longitudinais, com amostras selecionadas de forma aleatória, que incluam novas variáveis, especialmente as laborais, como: linha teórica adotada, horas de estudo para melhoria do atendimento clínico, tipo de clientela atendida e forma de remuneração (se direta do cliente ou por convênio). Estudos qualitativos também podem contribuir para conhecer o processo de desenvolvimento da SB e seus principais estressores percebidos.
Como implicações para a prática, é importante estabelecer o perfil sociodemográfico e laboral para subsidiar ações de prevenção que possam ter seu início já na formação profissional em nível de graduação. Destaca-se a relevância de sensibilizar o futuro psicólogo sobre os riscos dos estressores ocupacionais, a sua vulnerabilidade ao desenvolvimento da síndrome e as ações voltadas para o autocuidado. Nesse sentido, sugere-se atentar para dimensionamento e gestão adequados da relação trabalho-família-tempo livre, e para a organização da agenda de trabalho.













