SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.16 issue1When Strangers Become Parents and Children: Bonding in Late AdoptionConstituent Behaviors of Psychologists as Therapeutic Accompaniment author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

article

Indicators

Share


Gerais : Revista Interinstitucional de Psicologia

On-line version ISSN 1983-8220

Gerais, Rev. Interinst. Psicol. vol.16 no.1 Belo Horizonte  2023  Epub Jan 20, 2025

https://doi.org/10.36298/gerais202316e19206 

Artigo

Relação entre dependência do Facebook e traços relacionados aos transtornos de personalidade narcisista e histriônica

Relationship between Dependence on Facebook and Traits Related to Narcissistic and Histrionic Personality Disorders

Bárbara Letícia Ferrari1 
http://orcid.org/0000-0001-9127-9972

Catarina Possenti Sette2 
http://orcid.org/0000-0001-6285-0826

Lucas de Francisco Carvalho3 
http://orcid.org/0000-0002-3274-9724

1Universidade São Francisco, Itatiba, Brasil. E-mail: blf.ferrari@gmail.com

2Instituto Ayrton Senna, São Paulo, Brasil. E-mail: catarinasette@hotmail.com

3Universidade São Francisco, Itatiba, Brasil. E-mail: lucas@labape.com.br


Resumo

O objetivo deste artigo foi verificar a capacidade preditiva de traços patológicos dos transtornos da personalidade narcisista (TPN) e histriônica (TPH) à dependência do Facebook em uma amostra da população geral. Participaram 424 sujeitos com idade entre 18 e 64 anos (71,1% mulheres). Foram aplicados a Facebook Addiction Scale (FAS), fatores do Inventário Dimensional Clínico da Personalidade 2 (IDCP-2) e um questionário sobre as informações do Facebook. Inicialmente, foram verificadas as propriedades psicométricas da escala adaptada para o Brasil, a FAZ, sugerindo adequação. Na sequência, foram realizadas análises para verificar o quanto os traços patológicos do TPN e do TPH predizem a dependência do Facebook. Alguns fatores do IDCP-2 apresentaram capacidade preditiva significativa para predição de componentes da dependência do Facebook. Mais especificamente, os fatores Necessidade de reconhecimento, Busca por atenção e Intensidade Emocional. Estudos futuros devem focar na relação entre os traços típicos do TPH e dependência do Facebook.

Palavras-chave Transtorno de personalidade; Uso problemático; Redes sociais

Abstract

The aim of the study is to verify the predictive capacity of pathological traits of narcissistic (NPD) and histrionic (HPD) personality disorders to Facebook dependence in community sample. The sample comprised 424 subjects, aged from 18 to 64 years, with 71.1% women. We administered the Facebook Addiction Scale (FAS), Dimensional Clinical Personality Inventory 2 (Inventário Dimensional Clínico da Personalidade 2 – IDCP-2), and a Facebook profile information questionnaire. Initially, the psychometric properties of the FAS were verified for the Brazilian context, indicating psychometric adequacy. Subsequently, analyses were performed to verify how the pathological traits of NPD and HPD predict Facebook dependence. Some IDCP-2 factors showed significant capacity in predicting components of Facebook dependence. Specifically, “need for recognition,” “attention seeking,” and “emotional intensity.” Future studies should focus on the relationship between HPD’s typical traits and Facebook’s dependence.

Keywords Personality disorder; Problematic use; Social network

Com o aumento do uso das Redes Sociais On-line (RSO), as interações humanas ficaram mais frequentes nesses ambientes digitais (Mahajan, 2009; Riordan et al., 2018), emergindo questões quanto às consequências dessas plataformas na vida das pessoas (Sultan, 2013). Entre as RSO, o Facebook, criado em 2004, é a mais popular no mundo (Statisca, 2019). O uso do Facebook pode ser benéfico, em alguns casos, como demonstrado em pesquisas, indicando melhora no bem-estar psicológico, na satisfação com a vida e autoestima (Ellison, Steinfield, & Lampe, 2007; Johnston, Tanner, Lalla, & Kawaski, 2009; Nabi, Prestin, & Jiyeon, 2012). Contudo, há evidências ressaltando possíveis prejuízos associados ao acesso intenso dessa RSO, caracterizado como uso problemático ou dependência do Facebook (Casale & Fioravanti, 2017; Lee-Won, Herzog, & Park, 2015; Gosling, Gaddis, & Vazire, 2007; Hong, Huang, lin, & Chiu, 2014; Hughes, Rowe, Batey, & Lee, 2012; Kus & Griffths, 2011; Marino et al., 2016; Uysal, 2015; Dhir, Kaur, Chen, & Lonka, 2016; Satici & Uysal, 2015).

A dependência do Facebook é definida como o uso exagerado da RSO e, portanto, está diretamente relacionada ao tempo que o usuário permanece conectado (Vasalou, Joinson, & Courvoisier, 2010; Ross et al., 2009) e à quantidade de vezes que ele acessa a plataforma (Pelling & White, 2009), o que pode causar prejuízos à sua vida (Andreassen, 2015; Blachnio, Przepiorka, & Pantic, 2016; Hong et al., 2014). Pesquisas relacionando a dependência do Facebook com outros construtos estão sendo realizadas, por exemplo, com foco nos traços de personalidade, sobretudo, considerando suas manifestações saudáveis, tipicamente medidos pelo Five-Factor Model (Gosling et al., 2007; Hughes et al., 2012; Kuss & Griffiths, 2011; Ross et al., 2009; Zywica & Danowski, 2008). Entretanto, pesquisas com traços patológicos de personalidade são escassas. Uma revisão sistemática (Ferrari, Sette, & Carvalho, 2018) não encontrou nenhum estudo relacionando dependência do Facebook com traços patológicos da personalidade. Após a data da revisão, foi encontrada apenas uma pesquisa que buscou investigar a relação entre traços típicos do transtorno de personalidade narcisista e dependência do Facebook (Casale & Fioravanti, 2017).

A presente pesquisa encontra-se neste ínterim, uma vez que buscou investigar a relação entre dependência do Facebook e traços típicos dos transtornos de personalidade narcisista (TPN) e histriônica (TPH). Esses dois funcionamentos patológicos foram selecionados pela sobreposição quanto aos traços, como necessidade de atenção/admiração, manipulação, o uso de comportamentos de sedução, e a busca ativa por amizades (Anderson et al., 2014; Furnham, 2014; Gore, Tomiatti, & Widiger, 2011; Hopwood, Thomas, Markson, Wright, & Krueger, 2012; Samuel, Lynam, Widiger, & Ball, 2012; Zimmerman, 2012), além de serem relacionados à exposição social (Arrington, 2005; Deters, Mehl, & Eid, 2014; Dhaha, 2013; Gosling et al., 2007). Essas características devem favorecer a observação desses funcionamentos patológicos nas RSO.

Fundamentação teórica

O Facebook tornou-se parte da vida de mais de dois bilhões de usuários em todo o mundo. Mais de 85% dos usuários estão fora dos Estados Unidos da América (Socialbakers, 2018), sendo que o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial, com 130 milhões de usuários, em sua maioria mulheres, jovens e adultos (Rock Content, 2018). Essa RSO é usada para diferentes finalidades, como interação, comunicação, educação, trabalho, lazer e entretenimento (Mahajan, 2009). Todas as atividades ocorrem em tempo real (Aboujaoude, 2011; Hamid, Ishak, & Yazam 2015), o que torna a plataforma dinâmica. Além dos diferentes tipos de interação, a possibilidade de acesso remoto à plataforma via smartphone pode fazer com que o usuário use-a com mais frequência no seu dia a dia (Mahajan, 2009).

Nesse contexto, as pessoas podem apresentar dificuldades para controlar o tempo que passam no Facebook, acarretando prejuízos em sua vida (Andreassen, 2015; Cin & Melo, 2013), o que pode configurar um uso exagerado ou problemático do Facebook, também denominado de dependência do Facebook (Lee, Cheung, & Thadani, 2012; Lee-Won et al., 2015; Moreau, Laconi, Delfour, & Chabrol, 2015). Para que seja caracterizada a dependência do Facebook, o usuário precisa, obrigatoriamente, apresentar prejuízos em sua vida, em algum dos contextos de convívio social, podendo comprometer as relações interpessoais (Andreassen, 2015; Blachnio et al., 2016; Hong et al., 2014).

A avaliação da dependência do Facebook se baseia em dois pontos. O primeiro é a quantidade de acessos que a pessoa realiza, sendo proposto pela literatura quatro ou mais acessos por dia (Pelling & White, 2009). E o segundo ponto é o tempo gasto com a RSO todos os dias, cujo ponto de corte varia entre mais de uma e mais de cinco horas por dia (Vasalou et al., 2010; Ross et al., 2009). Contudo, a literatura não apresenta um padrão único de critérios para classificação da dependência, uma vez que o acesso dos usuários não é totalmente controlado, pois a pessoa pode estar conectada à RSO em um aplicativo do celular, mas não utilizar ou interagir diretamente com a plataforma. Conclui-se que a avaliação da dependência do Facebook não apresenta padrões comportamentais bem-definidos e consensuais, dificultando sua investigação e até diagnóstico (Hong et al., 2014).

Apesar do crescente número de estudos sobre a dependência do Facebook, essa condição ainda não é oficialmente reconhecida como um transtorno mental pelos manuais psiquiátricos, como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ([DSM-5]; APA, 2013) e a Classificação Estatística Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde ([CID-10]; OMS, 2007). Entretanto, autores da área consideram que o acesso exagerado ao Facebook pode ser gerador de prazer, de sentimentos de satisfação, e favorecer na alteração de humor e dificuldade de controlar o tempo gasto. Esses aspectos observados podem se assemelhar às características apresentadas pelos dependentes de substâncias químicas (Aboujaoude, 2011; APA, 2013).

Estudos para melhor compreensão da dependência do Facebook vêm sendo realizados, englobando outros construtos psicológicos. Parte desses estudos se focam nas relações com os traços de personalidade, principalmente com base no Five-Factor Model (Gosling et al., 2007; Hughes et al., 2012, Kuss & Griffiths, 2011; Ross et al., 2009; Zywica & Danowski, 2008). Esses estudos apontam traços como preditores de dependência do Facebook, por exemplo, alta extroversão e abertura a experiência indicam tendência para usar o Facebook com o objetivo de buscar relações de extensão social (Gosling et al., 2007; Hughes et al., 2012); sujeitos mais introvertidos buscam o Facebook com o objetivo de estabelecer relações interpessoais não estabelecidas fora do mundo virtual (Zywica & Danowski, 2008); e indivíduos com alto nível de neuroticismo tendem a utilizar a plataforma com o objetivo de evitar solidão (Ross et al., 2009).

Entretanto, estudos focando nos aspectos mais patológicos da personalidade, ainda são escassos (Ferrari et al., 2017). Até o presente momento, apenas uma pesquisa foi encontrada, investigando a relação entre traços do funcionamento narcisista e a dependência do Facebook (Casale & Fioravanti, 2017). Os resultados demonstraram que há relação entre a dependência da plataforma e o traço necessidade de admiração (r = 0,33; p < 0,001), típico do funcionamento narcisista. Outros estudos são encontrados com traços patológicos da personalidade, porém investigando a relação com o uso não dependente do Facebook. Essas pesquisas demonstram que indivíduos com funcionamento narcisista (Kapidzi, 2013; Liu, Ang, & Lwin, 2013; Mehdizadeh, 2010) e histriônico (Rosen, Whaling, Rab, Carrier, & Cheever, 2013) tendem a apresentar mais movimentações no Facebook (i.e., número de amigos, fotos, compartilhamento de informações, entre outras), em comparação a pessoas sem elevação nesses traços.

Apesar das evidências apresentadas, os achados na literatura quanto à dependência do Facebook e traços patológicos da personalidade ainda são incipientes e precisam ser acumulados, possibilitando a identificação de um claro padrão. Estudos anteriores (Hong et al., 2014; Hughes et al., 2014; Ross et al., 2009) utilizaram como indicadores de dependência do Facebook instrumentos de autorrelato. Outra possibilidade para acessar a atividade no Facebook, sem interferência da pessoa, é por meio dos dados passivos (e.g., número de amigos e número de fotos postadas). Apesar de ainda não existirem pesquisas demonstrando que os dados passivos do Facebook são indicativos de dependência, entende-se que quanto mais o usuário interage na RSO, mais tempo ele permanecerá, e por conseguinte pode ser indicativo de dependência.

Com base nas evidências prévias apresentadas, o presente estudo teve como objetivo verificar a predição da dependência do Facebook por meio de traços típicos dos transtornos da personalidade narcisista (TPN) e histriônica (TPH). Como objetivo secundário ao escopo do estudo, mas necessário para sua condução, verificamos as propriedades psicométricas da escala que avalia dependência do Facebook como objetivo específico.

Para tanto, a pesquisa foi dividida em duas partes. Na primeira, foram verificadas as propriedades psicométricas do instrumento de dependência do Facebook que foi adaptado para o Brasil. Posteriormente, foram realizadas análises para verificar o quanto os traços patológicos do TPN e do TPH predizem a dependência do Facebook, considerando medidas de autorrelato e dados passivos.

Foram testadas as seguintes hipóteses: (h1) os traços do TPN e TPH devem predizer dependência do Facebook (Casale & Fioravanti, 2017; Mehdizadeh, 2010; Kapidzi, 2013; McCain et al., 2016; Rosen et al., 2013); (h2) o traço busca por atenção tende a ser o mais relevante para predição de dependência do Facebook (Mehdizadeh, 2010; Mehroof & Griffiths, 2010; Rosen et al., 2013); (h3) os dados passivos (e.g., número de amigos, fotos, álbuns) devem incrementar a predição da dependência do Facebook (Blachnio et al., 2016; Koc & Gulyagci, 2013); (h4) o instrumento de dependência do Facebook deve apresentar a mesma estrutura da escala original, indicando boa adequação psicométrica.

Método

Participantes

Participaram da pesquisa 424 sujeitos, de ambos os sexos, com idade entre 18 e 64 anos (M = 27,62; DP = 8,43), sendo prioritariamente mulheres (71,1%) e de etnia caucasiana (74,4%). A maioria dos participantes relatou ser solteiros (65,6%), seguido por casados (18,6%). Referente à escolaridade, 31,1% relataram estar cursando a graduação; 24,5%, graduação completa; e 20,2%, pós-graduação completa. Em sua maioria, os participantes relataram morar no estado de São Paulo (72,7%). Além disso, 52,2% dos sujeitos relataram já ter feito ou fazer tratamento psicológico, 78,8% disseram não ter feito ou fazer tratamento psiquiátrico e 76,2% já utilizaram ou utilizam medicação psicotrópica.

Instrumentos

Inventário Dimensional Clínico da Personalidade-2 (IDCP-2; Carvalho & Primi, no prelo)

O IDCP-2 é um instrumento de autorrelato para avaliação de traços patológicos da personalidade. É composto por 206 itens que devem ser respondidos em uma escala tipo Likert de 4 pontos, sendo 1 = nunca e 4 = sempre. Os itens são divididos em 12 dimensões, a saber: Dependência, Agressividade, Instabilidade de humor, Excentricidade, Necessidade de atenção, Desconfiança, Grandiosidade, Isolamento, Evitação a críticas, Autossacrifício, Conscienciosidade e Inconsequência. Para este estudo, foram utilizadas duas dimensões, Necessidade de atenção (Carvalho, Sette, Capitão, & Primi, 2014) e Grandiosidade (Carvalho, Sette, & Ferrari, 2016). A dimensão Necessidade de atenção é composta por 13 itens referentes aos traços típicos do TPH e apresentou evidências de validade (estrutura interna e relação com variáveis externas) e índices de precisão adequados (Carvalho et al., 2014). A consistência interna nesse estudo foi α = 0,84. A dimensão Grandiosidade, composta por 18 itens que avaliam os traços do TPN, também apresentou evidências de validade e indicadores favoráveis de precisão (Carvalho et al., 2016). A consistência interna nesse estudo foi α = 0,85.

Questionário do Facebook para dados passivos

O questionário desenvolvido pelos autores, com base no estudo de Gosling, Augustine, Vazire, Holtzman e Gaddis (2011), investiga os dados passivos do Facebook, isto é, as atividades do usuário, como número total de amigos, grupos, álbuns, fotos postadas, fotos de perfil e check-in. Apesar de ser um instrumento de autorrelato, as perguntas não consideram a percepção dos participantes, apenas informações do seu perfil no Facebook. Não foram conduzidas pesquisas prévias com esse questionário.

Facebook Addiction Scale – versão brasileira (FAS)

A escala tem como objetivo verificar o uso dependente do Facebook, sendo composta por 12 itens, os quais devem ser respondidos em uma escala tipo Likert de 6 pontos, que varia de 1 = discordo totalmente a 6 = concordo totalmente. Os itens são divididos em quatro fatores: Abstinência, Tolerância, Problemas de saúde e Satisfação substitutiva. A escala apresentou adequação psicométrica (i.e., evidências de validade com base na estrutura interna e relação com outras variáveis, bem como fidedignidade por consistência interna) em estudos prévios (Andreassen, Torsheim, Brunborg, & Pallesen, 2012; Hong et al., 2014) – neste estudo, apresentou consistência interna igual a 0,86.

Procedimentos

Depois da submissão e aprovação do projeto ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade São Francisco (CAAE: 64831316.5.0000.5514), iniciou-se a coleta de dados, de forma on-line (plataforma Google Docs), disponibilizando o link nas RSO (i.e., Facebook, WhatsApp, Instagram) e e-mail. Somente após anuência do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, os participantes responderam aos instrumentos, com duração aproximada de 20 minutos.

Primeiramente, foi realizada a tradução e adaptação da escala FAS, pelos autores deste estudo, com autorização dos autores da versão original. Os pesquisadores traduziram os itens separadamente e, consensualmente, obtiveram a versão inicial brasileira do instrumento, que foi encaminhada para um professor de inglês, fluente em português e inglês, para revisar a compatibilidade entre a versão original e a versão adaptada para o Brasil. Discrepâncias foram discutidas e chegou-se a uma versão final brasileira da FAS.

Na sequência, as propriedades psicométricas do instrumento adaptado (FAS) foram verificadas. Foram realizadas análises fatoriais confirmatórias, utilizando o programa estatístico Mplus (versão 6.12). Para tanto, o modelo original da escala foi usado como referência (Hong et al., 2014). Foram verificados os índices de ajuste da escala e cargas fatoriais dos itens, sendo usados como parâmetros os seguintes valores, RMSEA ≤ 0,06 (Brown, 2006), SRMR ≤ 0,05 (Hu & Bentler, 1999) e TLI ≥ 0,90 (Brown, 2006; Bentler, 1990). Além disso, foram feitas análises para verificar o nível de dificuldade dos itens via modelo de Rasch, correlação item-theta e índices de fidedignidade por consistência interna (α), relatados na descrição do instrumento. Essas análises foram realizadas no programa estatístico Winsteps (versão 3.69.1) e SPSS (versão 21). Ressalta-se que para a medida utilizada em análises com o modelo de Rasch, observou-se a unidimensionalidade de acordo com os critérios estabelecidos por Linacre (2009). Ademais, para os índices de ajuste, utilizaram-se como base os critérios apresentados por Linacre (2014), quais sejam, 0,5 a 1,5.

Após a verificação das propriedades psicométricas da FAS, foram feitas análises para verificar e atingir o objetivo principal do estudo. Vale ressaltar que foi criado uma variável agregada englobando todos os dados passivos do Facebook, isto é, os dados coletados pelo questionário foram transformados em uma única variável (denominada Fb), representando as atividades do usuário no Facebook. Os dados agregados foram: número total de amigos, de grupos, álbuns de fotos, fotos, fotos incluídas no álbum do perfil e check-in realizados. Foram realizadas análises de regressão linear pelo método enter para avaliar o quanto os fatores do IDCP-2 e a variável Fb conseguem predizer os fatores de dependência do Facebook. Essas análises foram realizadas por meio do programa estatístico SPSS (versão 21).

Resultados

Verificação das propriedades psicométricas da versão brasileira da FAS

Evidências de validade com base na estrutura interna foram investigadas pela testagem das estruturas originais dos instrumentos. Primeiro, em relação à carga fatorial dos fatores, esta variou entre 0,74, Abstinência, e 0,92, Tolerância (M = 0,84 e DP = 0,076). Foram encontrados os seguintes valores para os índices de ajuste: X2/df = 3,6 (df = 50; p < 0,01); CFI = 0,91; RMSEA = 0,078; SRMR = 0,06; TLI = 0,89.

Complementar, as correlações entre os fatores da FAS foram significativas (p ≤ 0,01), variando de 0,43 (rfatores problemas de vida*satisfação substitutiva) a 0,64 (rfatores tolerância*problemas de vida), (Mr = 0,51 e DPr = 0,07). Na Tabela 1, estão apresentadas as cargas fatoriais e estatísticas descritivas dos itens da FAS, além do nível de dificuldade, índice de ajuste, correlações item-theta, e índices de fidedignidade (alfa de Cronbach).

Tabela 1. Carga fatorial e estatísticas descritivas dos itens da FAS 

Fator Item Carga S.E. b S.E. Infit Outfit ritem-theta MƟ (DP) α
Abstinência 1 0,79* 0,03 -0,46 0,07 0,94 0,89 0,85 -1,59 (1,13) 0,73
2 0,70* 0,04 0,24 0,08 0,85 0,80 0,74
3 0,58* 0,04 0,23 0,08 1,17 1,16 0,72
Tolerância 4 0,71* 0,03 -0.57 0,06 1,01 0,95 0,81 -0,01 (1,39) 0,80
5 0,86* 0,02 0,50 0,06 0,85 0,82 0,86
6 0,69* 0,03 0,06 0,05 1,12 1,20 0,81
Problemas de vida 7 0,35* 0,05 -0,09 0,06 1,61 1,52 0,69 -0,80 (0,95) 0,70
8 0,86* 0,02 0,26 0,06 0,62 0,62 0,78
9 0,88* 0,02 -0,17 0,05 0,73 0,73 0,80
Satisfação substitutiva 10 0,22* 0,06 -0,15 0,05 1,22 1,20 0,66 -0,77 (0,86) 0,50
11 0,58* 0,05 -0,97 0,05 0,83 0,80 0,79
12 0,63* 0,04 1,12 0,06 0,93 0,98 0,58

Nota. * p = 0.001

Conforme apresentado na Tabela 1, as cargas fatoriais (terceira coluna) dos itens foram positivas e significativas, variando de 0,22 a 0,88. A maior parte dos itens apresentaram nível de dificuldade (b) maior em comparação à média de theta, o que indica que o teste tende a não ser endossado pela amostra. No geral, o índice de consistência interna foi igual ou superior a 0,70, com exceção ao fator Satisfação substitutiva.

Investigação da predição de dependência do Facebook por meio de traços típicos do TPH e TPN

Na Tabela 2, está apresentada a análise de regressão linear, utilizando como variáveis preditoras os fatores das dimensões Necessidade de atenção e Grandiosidade do IDCP-2 e a variável agregada do Facebook (Fb); e como variáveis a serem preditas, os fatores da FAS, que avaliam domínios da dependência do Facebook.

Tabela 2. Análise de regressão linear para predição dos fatores da FAS a partir dos fatores das dimensões Necessidade de atenção e Grandiosidade e variável agregada do Facebook 

Necessidade de Atenção
Abstinência Beta t p r2
Intensidade emocional .15 2.701 .01 .06
Busca por atenção .14 2.374 .02
Fb .09 1.891 .05
Tolerância Beta t p r2
Intensidade emocional .17 3.245 .01 .10
Busca por atenção .23 4.106 .01
Problemas de vida Beta t p r2
Intensidade emocional .11 1.999 .04 .09
Busca por atenção .27 4.861 .01
Satisfação substituta Beta t p r2
Busca por atenção .23 4.192 .01 .10
Fb .17 3.616 .01
Grandiosidade
Abstinência Beta t p r2
Necessidade de reconhecimento .31 5.490 .01 .10
Fb .10 1.994 .05
Tolerância Beta t p r2
Necessidade de reconhecimento .35 6.164 .01 .10
Problemas de vida Beta t p r2
Necessidade de reconhecimento .37 6.624 .01 .12
Satisfação substituta Beta t p r2
Necessidade de reconhecimento .35 6.333 .01 .12
Superioridade .15 2.340 .02
Fb .20 4.342 .01

De acordo com a Tabela 3, é possível observar que alguns traços patológicos, e a variável agregada do Facebook, são capazes de predizer os fatores da FAS. Considerando a dimensão Necessidade de Atenção, o traço Busca por Atenção conseguiu predizer os quatro fatores da FAS com maior contribuição nos modelos. Por sua vez, na dimensão Grandiosidade, o fator Necessidade de reconhecimento foi um dos únicos que conseguiu predizer os fatores da FAS com capacidade preditiva significativa. A variável agregada do Facebook prediz os mesmos dois fatores da FAS nos dois modelos, Abstinência e Satisfação substituta, com cargas mais elevadas quando em conjunto com os fatores de Grandiosidade.

Discussão

O objetivo deste estudo foi verificar a capacidade preditiva dos traços típicos dos TPN e TPH para dependência do Facebook, além de verificar as propriedades psicométricas da FAS, adaptada para o Brasil pelos autores. Os resultados das análises para verificação de validade com base na estrutura interna indicaram índices de ajuste inferiores ao sugerido pela literatura (Browen, 2006; Hu & Bentler, 1999), confirmando a h4. Contudo, os valores foram próximos do recomendado pelos autores e semelhantes aos resultados do estudo de desenvolvimento da escala (Hong et al., 2014). A partir disso, e visando a comparabilidade entre estudos, optou-se por manter a estrutura original da escala. As cargas fatoriais dos itens e correlações entre os fatores foram adequadas, com a maior parte das magnitudes moderadas. Os valores referentes ao nível de dificuldade, índice de ajuste, correlações item-theta e índices de fidedignidade também foram adequados (Linacre, 2009).

Posterior à adequação do instrumento adaptado, foram realizadas análises de regressão, visando compreender quais traços patológicos e se os dados passivos do Facebook conseguiam predizer a dependência do Facebook. Os resultados demonstraram que alguns fatores do IDCP-2 conseguiram predizer os fatores da FAS confirmando a h1. Os achados confirmam estudos prévios que demonstraram a relação, e a predição entre uso do Facebook e traços típicos do TPN e TPH, ainda que estes estudos não avaliem diretamente a dependência do Facebook (Carvalho & Pianowski, 2017; Casale & Fioravanti, 2017; Mehdizadeh, 2010; Kapidzi, 2013; McCain et al., 2016; Rosen et al., 2013).

Mais especificamente, os fatores Necessidade de reconhecimento, Busca por atenção e Intensidade Emocional foram os que apresentaram maiores contribuições nos modelos de regressão testados. Esse resultado corrobora parcialmente a h2 do estudo. Esperava-se que o traço Busca por atenção apresentasse as maiores predições, e isso aconteceu quando se observsa apenas os fatores da dimensão Necessidade de atenção. Ao se observar todos os traços preditores, Necessidade de reconhecimento foi aquele com maior poder explicativo. Embora não vá ao encontro da expectativa (h2), com base em evidências prévias (Mehdizadeh, 2010; Mehroof & Griffiths, 2010; Rosen et al., 2013), estudos demonstraram que as atividades do Facebook possibilitam a busca por reconhecimento pelos usuários (e.g., Gosling et al., 2007; Mahajan, 2009; Vazire & Gosling, 2004), o que pode eventualmente reforçar o uso excessivo dessa RSO (Aboujaoude, 2011). Talvez o traço Necessidade de reconhecimento, mais relacionado ao TPN (APA, 2013), seja um traço que represente indiretamente a busca por atenção, traço mais típico do TPH; já que em contextos como o do Facebook ter a admiração dos outros necessariamente implica ter atenção dessas pessoas. Futuros estudos devem buscar investigar essa hipótese alternativa.

No que fiz respeito aos dados passivos do Facebook, incluídos neste estudo como a variável Fb, observou-se capacidade preditiva para dois fatores da FAS, corroborando parcialmente a h3. As maiores magnitudes foram encontradas na predição do fator Satisfação substituta, que se refere à necessidade de usar a RSO com o objetivo de obter satisfação (Eijnden, Lemmens, & Valkenburg, 2016). Esses dados são concordantes com a literatura (Kapidzi, 2013; McCain et al., 2016; Mehdizadeh, 2010; Mehroof & Griffiths, 2010; Rosen et al., 2013) e mostram que quanto mais movimentação (ou atividade) no Facebook, maior a tendência de o usuário apresentar dependência da RSO. Além disso, parte importante das avaliações de dependência do Facebook se refere à quantidade de acessos que o usuário faz (Pelling & White, 2009) e ao tempo gasto com atividades na plataforma (Vasalou et al., 2010; Ross et al., 2009), corroborando os achados do presente estudo.

De forma geral, as hipóteses da pesquisa foram corroboradas. Hipóteses alternativas foram apresentadas e devem ser testadas em estudos futuros. As principais limitações deste estudo devem ser ponderadas. Referente aos participantes, deve-se observar que não foram incluídas pessoas com diagnóstico conhecido de transtornos da personalidade, o que pode ter limitado a variabilidade nas respostas aos itens do IDCP-2, além de apresentar outras características específicas que não foram controladas. Deve-se considerar também que o IDCP-2 é um teste de autorrelato, e não diagnóstico. Para estudos futuros, recomenda-se que multimétodos sejam utilizados para avaliação de traços da personalidade, ampliando as perspectivas avaliadas de cada traço. Para os autores, este é o primeiro estudo que verificou a predição da dependência do Facebook a partir dos dados passivos do Facebook, considerando ainda que dependência do Facebook é um fenômeno relativamente recente (Moreau et al., 2015) e, por isso, sugere-se que sejam realizados mais estudos na área (Ferrari et al., 2017). Ademais, com base nos resultados encontrados, sugere-se que sejam realizados estudos especificamente com traços típicos de TPH, com o objetivo de definir padrões mais consistentes quanto à relação entre TPH e dependência do Facebook.

Referências

Aboujaoude, E. (2011). Foreword. In K. S. Young & C. N. de Abreu. Internet Addiction: a Handbook and Guide to Evaluation and Treatment (pp. vii-viii). New Jersey: Wiley. [ Links ]

American Psychiatric Association. (2003). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Fourth Edition. Washington: American Psychiatric Association. American Psychiatry Association. [ Links ]

American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Fifth Edition. Washington: American Psychiatric Association. American Psychiatry Association. [ Links ]

Anderson, J., Snider, S., Sellbom, M., Krueger, R., & Hopwood, C. (2014). A Comparison of the DSM-5 Section II and Section III Personality Disorder Structures. Psyquiatric Research, 216(3), 363-372. Doi: 10.1016/J.Psychres.2014.01.007. [ Links ]

Andreassen, C. S. (2015). Online Social Network Site Addiction: A Comprehensive Review. Curr addict rep, 2, 175-184. Doi: 10.1007/s40429-015-0056-9. [ Links ]

Andreassen, C. S, Torsheim, T., Brunborg, G. S, & Pallesen, S. (2012). Development of a Facebook Addiction Scale. Psychol Rep, 110(2), 501-17. Doi: 10.2466/02.09.18.PR0.110.2.501-517. PMID: 22662404. [ Links ]

Arrington, M. (2005). 85% of College Students Use Facebook. Techcrunch. http://techcrunch.com/2005/09/07/85-of-college-students-use-facebook/.Links ]

Bentler, P. M. (1990). Comparative Fit Indexes in Structural Models. Psychological Bulletin, 107(2), 238-246. Doi: http://dx.doi.org/10.1037/0033-2909.107.2.238.Links ]

Blachnio, A., Przepiorka, A., & Pantic, I. (2016). Association between Facebook Addiction, Self-Esteem and Life Satisfaction: A Cross-Sectional Study. Computers in human behavior, 55, 701-705. Doi:10.1016/j.chb.2015.10.026. [ Links ]

Boyd, D. M., & Ellison, N. B. (2007). Social Network Sites: Definition, History and Scholarship. Journal of Computer-Mediated Communication, 13(1). Doi: 10.1111/j.1083-6101.2007.00393.x. [ Links ]

Brown, T. A. (2006). Confirmatory Factor Analysis for Applied Research (1st ed.). New York: The Guilford Press. [ Links ]

Carvalho, L., & Pianowski, G. (2017). Pathological Personality Traits Assessment Using Facebook: Systematic Review and Meta-Analyses. Computers in Human Behavior, 71(2017), 307-317. https://doi.org/10.1016/j.chb.2017.01.061.Links ]

Carvalho, L. F., & Primi, R. (2015). Development and Internal Structure Investigation of the Dimensional Clinical Personality Inventory. Psicologia: Reflexão e Crítica, 28(2), 213-221. Doi:10.1590/1678-7153.201528212C. [ Links ]

Carvalho. L. F., Sette, C. P., Bacciotti, J., Pianowski, G., & Marino, C. (2019). Narcissistic and Histrionic Pathological Traits Association with Passive Data from Facebook Profile. Journal of Technology in Behavioral Science. Doi: 10.1007/s41347-019-00090-1. [ Links ]

Carvalho, L. F., Sette, C. P., Capitão, C. G., & Primi, R. (2014). Propriedades psicométricas da versão revisada da dimensão Necessidade de Atenção do Inventário Dimensional Clínico da Personalidade. Trends in Psychology, 22(1), 147-160. [ Links ]

Carvalho, L. F., Sette, C. P., & Ferrari, B. F. (2016). Revision and Verification of the Psychometric Properties of the Grandiosity Dimension of the Dimensional Clinical Personality Inventory. Trends in Psychiatry and Psychotherapy, 27, 147-155. Doi: 10.1590/2237-6089-2015-0040. [ Links ]

Casale, S., & Fioravanti, G. (2017). Why Narcissists Are at Risk for Developing Facebook Addiction: The Need to Be Admired and the Need to Belong. Addictive Behaviors, 76, 312-318. Doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.addbeh.2017.08.038.Links ]

Cin, I. C., & Melo, M. C. (2013). Dependência de internet: um estudo com profissionais e estudantes da área de TI em Belo Horizonte. Enanpad. Recuperado de http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2013_EnANPAD_ADI2347.pdf.Links ]

Clark, L. A. (1990). Toward a Consensual Set of Symptom Clusters for Assessment of Personality Disorder. In J, N. Butcher & C. D. Spielberger. Advances in Personality Assessment (pp. 243-266). New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates. [ Links ]

Deters, F. G., Mehl, M. R., & Eid, M. (2014). Narcissistic Power Poster? On the Relationship between Narcissism and Status Updating Activity on Facebook, Journal of Research in Personality. Doi: 10.1016/j.jrp.2014.10.004. [ Links ]

Dhaha, I. S. Y. (2013). Predictors of Facebook Addiction among Youth: As Structural Equation Modeling. Journal of Social Sciences, 2(4). Recuperado de http://www.centreofexcellence.net/J/JSS/JSSMainpage.htm.Links ]

Dhir, A., Kaur, P., Chen, S., & Lonka, K. (2016). Understanding Online Regret Experience in Facebook Use – Effects of Brand Participation, Accessibility & Problematic Use. Computers in Human Behavior, 59. Doi: https://doi.org/10.1016/j.chb.2016.02.040.Links ]

Eijnden, R. J. J. M. van den, Lemmens, J. S., & Valkenburg, P. M. (2016). The Social Media Disorder Scale: Validity and Psychometric Properties. Computer in Human Behavior, 61, 478-487. Doi: 10.1016/j.chb.2016.03.038. [ Links ]

Ellison, N. B., Steinfield, C., & Lampe, C. (2007). The Benefits of Facebook “Friends”: Social Capital and College Students’ Use of Online Social Network Sites. Journal of Computer-Mediated Communication, 13(2), 173-177. Doi: https://doi.org/10.1089/cyber.2009.0094.Links ]

Ferrari, B. F., Sette, C. P., & Carvalho, L. F. (2018). Relationship between Problematic Use of Facebook and Pathological Personality Traits: A Systemic Review. Cyberpsychology: Journal of Psychosocial Research on Cyberspace, 12(3), Doi: 10.5817/Cp2018-3-5. [ Links ]

Furnham, A. (2014). A Bright Side, Facet Analysis of Histrionic Personality Disorder: The Relationship Between the HDS Colourful Factor and the NEO-PI-R Facets in a Large Adult Sample. The Journal of Social Psychology, 154, 527-536. Doi: 10.1080/00224545.2014.953026. [ Links ]

Gore, W. L., Tomiatti, M., & Widiger, T. A. (2011). The Home of Histrionism. Personality and Mental Health, 5, 57-72. Doi: 10.1002/pmh.151. [ Links ]

Gosling, S. D., Gaddis, S., & Vazire, S. (2007). Personality Impressions Based on Facebook Profiles. Boulder. Recuperado de http://icwsm.org/papers/3--Gosling-Gaddis-Vazire.pdf.Links ]

Gosling, S. D., Augustine, A. A., Vazire, S., Holtzman, N., & Gaddis, S. (2011). Manifestations of Personality in Online Social Networks: Self-reported Facebook-Related Behaviors and Observable Profile Information. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 14(9), 483-488. Doi: 10.1089/cyber.2010.0087. [ Links ]

Hamid, N. A., Ishak, M. S., & Yazam, S. S. N. M. (2015). Facebook, Youtube and Instagram: Exploring Their Effects on Undergraduate Students’ Personality Traits. The Journal of Social Media in Society, 4(2), 138-165. Retrieved from http://www.thejsms.org/index.php/TSMRI/article/view/101.Links ]

Hong, Y., Huang, D. H., Lin, H. Y., & Chiu, S. (2014). Analyse of the Pshychological Traits, Facebook Usage, and Facebook Addiction Model of Taiwanese University Students. Telematics and Informatic, 31(4), 597-606. Doi: c10.1016/j.tele.2014.01.001. [ Links ]

Hopwood, C. J., Thomas, K. M., Markon, K. E., Wright, A. G. C., & Krueger, R. F. (2012). DSM-5 Personality Traits and DSM-IV Personality Disorders. Journal of Abnormal Psychology, 121(2), 424-432. Doi:10.1037/a0026656. [ Links ]

Hu, L., & Bentler, P. M. (1999). Cutoff Criterion for Fit Indexes in Covariance Structure Analysis: Conventional Criteria Versus New Alternatives. Structural Equation Modeling, 6, 1-55. [ Links ]

Hughes, D. J., Rowe, M., Batey, M., & Lee, A. (2012). A Tale of Two Sites: Twitter vs. Facebook and the Personality Predictors of Social Media Usage. Computers in Human Behavior, 28(2), 561-69. Doi: 10.1016/j.chb.2011.11.001. [ Links ]

Kapdzi, S. (2013). Narcissism as a Predictor of Motivations Behind Facebook Profile Picture Selection. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 16(1), 15-19. Doi: 10.1089/cyber.2012.0143. [ Links ]

Johnston, K., Tanner, M., Lalla, N., & Kawalski, D. (2009). Social Capital: The Benefit of Facebook “Friends”. Journal Behavior & Information Technology, 32, 24-36. Doi: http://dx.doi.org/10.1080/0144929X.2010.550063.Links ]

Koc, M., & Gulyagci, S. (2013). Facebook Addiction among Turkish College Students: The Roles of Psychological Health, Demographic, and Usage Characteristics. Cyberpsgychology, Behavior, and Social Networking, 15(4), 279-284. Doi: 10.1089/cyber.2012.0249. [ Links ]

Kosinski, M., Stillwell, D. J., &, Graepel, T. (2013). Private Traits and Attributes Are Predictable from Digital Records of Human Behavior. Procedings of the National Academy of Sciences (PNAS), 110(15), 5802-5805. Doi: 10.1073/itil513110. [ Links ]

Krueger, R. F., Derringer, J., Markon, K. E., Watson, D., & Skodol, A. E. (2012). Initial Construction of a Maladaptive Personality Trait Model and Inventory for DSM-5. Psychological Medicine, 8,1-12. [ Links ]

Kuss, D. J., & Griffiths, M. D. (2011). Online Social Networking and Addiction – A Review of the Psychological Literature. International Journal of Environment and Public Helf, 8(9), 3528-3552. Doi: 10.3390/ijerph8093528. [ Links ]

Lee, Z. W. T., Cheung, C. M. K., & Thadani, D. R. (2012). An Investigation into the Problematic Use of Facebook. 45th Hawaii International Conference on System Sciences. Doi: 10.1109/HICSS.2012.106. [ Links ]

Lee, G., Lee, J., & Kwon, S. (2011). Use of Social-Networking Sites and Subjective Well-Being: A study in South Korea. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 14(3), 151-155. Doi: https://doi.org/10.1089/cyber.2009.0382.Links ]

Lee-Won, R. J., Herzong, L. H., & Park, S. G. (2015). Hooked on Facebook: The Role of Social Anxiety and Need for Social Assurance in Problematic Use of Facebook. Cyberpsgychology, Behavior, and Social Networking, 18(10), 1-8. Doi: 10.1089/cyber.2015.0002. [ Links ]

Linace, J. M. (2009). Winsteps Ministep Rasch-Model Computer Programs: Program Manual 3.69.0. Chicago: winsteps.com. [ Links ]

Linacre, J. M. (2014). Winsteps Rash Measurement Computer Program. Beaverton: Winsteps.com. Retrieved from http://www.winsteps.com/index.htm.Links ]

Liu, C., Ang, R. P., & Lwin, M. O. (2013). Cognitive, Personality, and Social Factors Associated with Adolescents’ Online Personal Information Disclosure. Journal of adolescence, 36, 629-638. Doi: 10.1016/j.adolescence.2013.03.016. [ Links ]

Mahajan, P. (2009). Use of Social Networking in a Linguistically and Culturally Rich India. Internacional Information and Library Review, 41, 129-136. Retrieved from http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1057231709000290.Links ]

Marino, C., Vieno, A, Moss, A. C., Caselli, G., Nikcevic, A. V., & Spada, M. M. (2016). Personality, Motives and Metacognitions as Predictors of Problematic Facebook Use in University Students. Personality and Individual Differences, 101, 70-77. Doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.paid.2016.05.053.Links ]

McCain, J. L., Borg, Z. C., Rothenberg, A. H., Churillo, K. M., Weiler, P., & Campbell, W. K. (2016). Personality and Selfies: Narcissism and the Dark Triad. Computers in Human Behavior, 64, 126-133. Doi: 10.1016/j.chb.2016.06.050. [ Links ]

Mehdizadeh, S. (2010). Self-Presentation 2.0: Narcissism and Self-Esteem on Facebook. Cyberpsychology, Behavior and Social Networking, 13(4) Doi: 10.1089=cyber.2009.0257. [ Links ]

Mehroof, M., & Griffiths, M. D. (2010). Online Gaming Addiction: The Role of Sensation Seeking, Self-Control, Neuroticism, Aggression, State Anxiety, and Trait Anxiety. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 13(3), 313-316. Doi: https://doi.org/10.1089/cyber.2009.0229.Links ]

Millon, T. (2011). Disorder of Personality (3rd ed.). New Jersey: Wiley. [ Links ]

Moreau, A., Laconi, S., Delfour, M., & Chabrol, H. (2015). Psychopathological Profiles of Adolescent and Young Adult Problematic Facebook Users. Computers in Human Behavior, 44, 64-69. Doi: 10.1016/j.chb.2014.11.045. [ Links ]

Nabi, R. L., Prestin, Ab., & So, J. (2012). Facebook Friends with (Heath) Benefits?: Exploring Social Network Site Use and Perceptions of Social Support, Stress, and Well-Being. Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking, 16(10), 721-727. Doi: https://doi.org/10.1089/cyber.2012.0521.Links ]

Organização Mundial da Saúde (2007). Classificação Estatística Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados a Saúde. Recuperado em 13 fevereiro, 2017, de http://apps.who.int/classifications/icd10/browse/2010/en.Links ]

Pelling, E. L., & White, K. M. (2009). The Theory of Planned Behavior Applied to Young People’s Use of Social Networking Web Sites. Cyberpsychology & Behavior, 12(6), 755-759. Doi: 10.1089=cpb.2009.0109. [ Links ]

Riordan, B. C., Cody, L., Flett, J. A. M., Conner, T. S., Hunter, J., & Scarf, D. (2018). The Development of a Single Item FoMO (Fear of Missing Out) Scale. Current Psychology, 1-6. Doi: 10.1007/s12144-018-9824-8. [ Links ]

Rock Content. (2018). Quais são as redes sociais mais usadas no Brasil em 2019. Recuperado de https://rockcontent.com/blog/redes-sociais-mais-usadas-no-brasil/.Links ]

Rosen, L. D., Whaling, K., Rab, S., Carrier, L. M., & Cheever, N. A. (2013). Is Facebook Creatring “Idisorders”?: The Link between Clinical Symptoms of Psyquiatric Disorders and Technology Use, Attitudes and Anxiety. Computers in Human Behavior, 29(2013), 1243-1254. Doi: 10.1016/j.chb.2012.11.012. [ Links ]

Ross, C., Orr, E., Sisic, M., Arseneault, J. M., Simmering, M. G. & Orr, R. (2009). Personality and Motivations Associated with Facebook Use. Computers in Human Behavior, 25(2), 578-586. Doi: 10.1016/j.chb.2008.12.024. [ Links ]

Samuel, D. B., Lynam, D. R., Widiger, T. A., & Ball, S. A. (2012). An Expert Consensus Approach to Relating the Proposed DSM-5 Types and Traits. Personality Disorders: Theory, Research, and Treatment, 3(1), 1-16. Doi: 10.1037/a0023787. [ Links ]

Satici, S. A., & Uysal, R. (2015). Well-Being and Problematic Facebook Use. Computer in Human Behavior, 49(2015), 185-190. Doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.chb.2015.03.005.Links ]

Shedler, J., & Westen, D. (2004). Dimensions of Personality Pathology: An Alternative to the Five Factor Model. Am J Psychiatry, 161, 1743-1754. [ Links ]

Socialbakers (2018). Brazil Facebook Statistics. Retrieved form https://www.socialbakers.com/.Links ]

Statisca (2019). Recuperado de https://www.statista.com/statistics/272014/global-social-networks-ranked-by-number-of-users/.Links ]

Sultan, A. J. (2013). Addiction to Mobile Text Messaing Applications Is Nothing to “Lol” about. The Social Sciencejounal, 51(1), 57-69. Doi: 10.1016/j.soscij.2013.09.003. [ Links ]

Uysal, R. (2015). The Predicted Roles of Social Safeness and Flourishing on Problematic Facebook Use. South African Journal of Psychology, 45(2), 182-193. Doi: 10.1177/0081246314560010. [ Links ]

Vasalou, A., Joinson, A. N., & Courvoiser, N. (2010). Cultural Differences, Experience with Social Networks and the Nature of “True Commitment” in Facebook. International Journal of Human-Computer Studies, 68(2010), 719-728. Doi: 10.1016/j.ijhcs.2010.06.002. [ Links ]

Zimmerman, M. (2012). Is there Adequate Empirical Justification for Radically Revising the Personality Disorders Section for DSM-5?. Personality Disorders: Theory, Research, and Treatment, 3(4), 444-457. Doi: 10.1037/a0022108. [ Links ]

Zywica, J., & Danowski, J. (2008). The Faces of Facebookers: Investigating Social Enhancement and Social Compensation Hypotheses; Predictors Facebook and Offline Popularity from Sociability and Self-Esteem, and Mapping the Meanings of Popularity with Semantic Networks. Journal of Computer-Mediated Communication, 14(1), 1-34. Doi: 10.1111/j.1083-6101.2008.01429.x [ Links ]

Recebido: 21 de Outubro de 2019; Aceito: 19 de Abril de 2021

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.