2024 é um ano com prenúncio de inúmeras mudanças estruturais no mundo: guerras no Oriente médio; esgotamento de recursos naturais; preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, também chamada de COP30; 200 anos da primeira constituição brasileira (1824); 110 anos da primeira guerra mundial (1914). Greves nas instituições de ensino superior por inúmeras melhorias: estrutura física dos espaços de trabalho; sala para professoras/ pesquisadoras; acesso a tecnologias da informação e da comunicação; financiamentos de estudos com bolsas para discentes, sem precisar de tanta competição interna entre pares. No Brasil aumento das violências e feminicídios; etc... ( https://www.suapesquisa.com/historia/acontecimentos_seculo_xx.htm).
No mundo editorial o sistema de gestão PEPSIC, consequentemente das revistas de Psicologia que integram o portal, encontra-se em plena reformulação. No contexto deste periódico a equipe foi ampliada com a entrada de editores que buscam permanentemente melhorar o trabalho, em prol da ciência psicológica de base fenomenológica, existencial, hermenêutica e práticas clínicas gestálticas e centrada na pessoa. E ainda, no enfoque interdisciplinar, pois adotamos trinta por cento do espaço do periódico para reflexões em terapia ocupacional e saúde psíquica.
Principiamos as publicações do ano de 2024 em fluxo contínuo, apresentando as primeiras composições das autoras e autores que produzem seus textos para o periódico. Neste volume, ao longo do ano agregaremos outros materiais que estão em análises por Parecerista, reiterando nosso compromisso com a avaliação às cegas, bem como desenvolver estratégias que permitem manter o fôlego e a vitalidade da Revista, e a missão de comunicar trabalhos inéditos.
Com os parâmetros relembrados, apresentamos um texto que contribui para fortalecer o projeto coletivo de pesquisadoras e docentes do campo das Filosofias Fenomenológicas, Hermenêuticas e Existenciais. Deste modo, a escritura sobre a Psicologia Fenomenológica do Professor Dr. José Olinda Braga, intitulada Meditações husserlianas relativas à Psicologia Fenomenológica, escritos de 1925, parágrafos 5 e 6 - implicações para as abordagens psicoterápicas humanistas. O artigo visa contribuir para “demonstrar a necessidade de aprofundamento da pesquisa em torno do que vem a ser uma Psicologia Fenomenológica, à luz das reflexões filosóficas de Edmund Husserl que no ano de 1925, proferindo suas lições de verão, apresentou as demandas históricas e as condições estruturantes para a construção de uma psicologia constituída sob o rigor de seu método, em superação à psicologia naturalista e positiva de então. (Braga, 2024, p 1)
Na tarefa que Braga (2024) envida aponta-se um aporte para o aprofundamento teórico dos sistemas da Gestalt-Terapia e Abordagem Centrada na Pessoa, e sua atualização em base ao signo dos parâmetros fenomenológicos, em boa parte das vezes de modo precário, justo pela dificuldade de alcance dos escritos husserlianos que bem recentemente passaram a ser publicados em versão portuguesa para o Brasil. O autor toma como diretriz a obra de Edmund Husserl Psychologie Phénoménologique (1925-1928) em que consta os escritos do verão de 1925, além de diversas produções do movimento humanista relativa à psicoterapia e suas abordagens.
Prosseguindo a circunscrição editorial do volume, assinalamos que os demais textos se dedicam a questões presentes no mundo vivido, por exemplo dar e receber atenção no dia-a-dia que se constitui de relações, interações, contatos breves e outros constantes; suportes psicossociais a mulheres idosas desenvolvendo trabalho em rede, uma forma de organizar os atendimentos em saúde que favorece reconfigurar as concepções de saúde, doença ao incluir o cuidado, o sujeito e o território como princípios e fim dos serviços. Tem-se assuntos sobre as intervenções terapêuticas ocupacionais com idosas, realizadas a partir de referenciais artísticos e culturais. Texto necessário para o exame da realidade da terceira idade no Brasil, que precisa de novos investimentos, um olhar generoso, com fôlego e que evidencie os fatores de crescimento e amadurecimento do viver. Autores visam compreender o desenvolvimento da personalidade de crianças que sofreram abuso sexual na infância, à luz da Teoria da Personalidade de Carl Rogers, por meio da estratégia metodológica da narrativa ficcional.
Apresentamos um estudo qualitativo e exploratório no formato de revisão narrativa da literatura, objetivando reunir resultados de pesquisas em torno do manejo em Gestalt-terapia na clínica online no período da pandemia da Covid-19. Temos uma reflexão sobre a concepção do Outro, por meio de um estudo sobre a forma clínica plantão psicológico, nomeada pelos autores de acolhida, “fazendo com o que as necessidades do usuário, às demandas concreta sejam a mola propulsora do fazer e pensar” na prática clínica; portanto, reiteram que “o protagonismo não é da abordagem teórica ou de um método específico, mas do Outro que deve ser escutado com respeito à sua singularidade com vistas a entender as opressões sofridas e oferecer caminhos para sua libertação” existencial. Oferecemos outra revisão narrativa tematizando “um modo de comer definido como transtorno de compulsão alimentar, refletindo sobre esse comportamento, transpondo o olhar biomédico”.
Uma importante reflexão sobre a hermenêutica foi composta pelo Professor Rui Josgrilberg. “Em um ensaio examina a forma paradigmática da hermenêutica” de textos. Mais do que apresentar um referencial teórico, o texto contribui para a apreensão das dinâmicas relacionais envolvidas no trabalho hermenêutico de “entrelaçar a interpretação de si mesmo com a interpretação do mundo-da-vida mediada em textos que correlacionam o mundo do texto com o mundo do leitor. A hermenêutica é assim uma prática dialógica com o texto passando pela fenomenologia ao visar o sentido desde sua gênese na experiência originária”.
Nossa revista aborda direta e indiretamente questões sobre saúde psíquica, alertando que a leitura contribui para a escuta e dialogar para alcançar a compreensão - uma tarefa das mais difíceis, pois nós falamos muito mais que ouvimos, e também estamos, habitualmente na defensiva, realizando préjulgamentos mútuos e generalizações sobre o outro, sentindo previamente medo, o que no contexto em que vivemos é uma emoção comum, peculiar a gênese social que caracteriza grande parte dos desencontros entre a humanidade. Suspender preconcepções requer semeadura constante da atitude humanizada para evitar acúmulos de ressentimentos e sofrimento humano; e políticas públicas que permitam vida digna ampla e geral.
O periódico está em constante busca de dinamizar a editoração dos volumes. Em 2024 incluímos a marcação XML, conforme as diretrizes sciELO Brasil e PEPSIC. Esta linguagem em breve estará no site da Revista em conjunto com a linguagem em PDF. Excelente leitura.














