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Revista do NUFEN

On-line version ISSN 2175-2591

Rev. NUFEN vol.16  Belém  2024  Epub Nov 25, 2024

https://doi.org/10.26823/rnufen.v16i01.25173 

ENSAIO/TEÓRICO

Arte e cultura no suporte psicossocial a idosas: apontamentos da Terapia Ocupacional

Art and culture in psychosocial support to elderly women: occupational therapy notes

Arte y cultura en el apoyo psicosocial Para personas mayores: notas de terapia ocupacional

Luana Lima de Oliveira1 
http://orcid.org/0009-0005-1180-5415

Ana Clivia Silva Boaventura2 
http://orcid.org/0009-0006-1514-5810

Ingrid Bergma da Silva Oliveira3 
http://orcid.org/0000-0001-8896-4522

Amélia Belisa Moutinho da Ponte4 
http://orcid.org/0000-0001-7643-7979.

1Universidade do Estado do Pará

2Universidade do Estado do Pará

3Universidade do Estado do Pará

4Secretária de Saúde do Estado do Pará


RESUMO

O envelhecimento é um processo complexo que muitas vezes acarreta limitações nas capacidades funcionais dos sujeitos, o que gera reverberações nos aspectos psicossociais. Desta forma, a intervenção terapêutica ocupacional está diretamente associada à análise das necessidades apresentadas pelos sujeitos, utilizando recursos da arte e da cultura, levando em consideração os aspectos volitivos. A pesquisa teve como objetivo analisar como as intervenções terapêuticas ocupacionais na interface arte e cultura podem auxiliar no suporte psicossocial a idosas. O estudo foi de natureza qualitativa, do tipo cartográfica, realizado com um grupo de idosas pacientes de Terapia Ocupacional da Unidade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade do Estado do Pará. Os resultados confirmam que a grupalidade feminina se revelou como estratégia de sociabilidade e de trocas simbólicas. Conclui-se que a arte e a cultura auxiliam no suporte psicossocial da população idosa, uma vez que estes recursos promovem a expressão e fortalecimento de vínculos.

Palavras-chave: Arte; Cultura; Apoio Psicossocial; Gerontologia; Terapia Ocupacional

ABSTRACT

Aging is a complex process that often leads to limitations in the functional capabilities of individuals, which generates reverberations in psychosocial aspects. In this way, occupational therapeutic intervention is directly associated with the analysis of the needs presented by the subjects, being able to use resources from art and culture, taking into account volitional aspects. The research aimed to analyze how occupational therapeutic interventions at the interface of art and culture can help provide psychosocial support to elderly women. The study was qualitative in nature, cartographic in nature, carried out with a group of elderly patients in the Occupational Therapy Unit of the Physiotherapy and Occupational Therapy Unit of the State University of Pará. The results confirmed that female groups proved to be a strategy of sociability and symbolic exchanges. It is concluded that art and culture helps provide psychosocial support for the elderly population, as these resources promotes the expression and strengthening of bonds.

Keywords: Art; Culture; Psychosocial Support; Gerontology; Occupational Therapy

RESUMEN

El envejecimiento es un proceso complejo que muchas veces conduce a limitaciones en las capacidades funcionales de los individuos, lo que genera repercusiones en aspectos psicosociales.de esta manera, la intervención terapéutica ocupacional se asocia directamente con el análisis de las necesidades que presentan los sujetos, pudiendo utilizar recursos procedentes del arte y la cultura, teniendo en cuenta aspectos volitivos. La investigación tuvo como objetivo analizar cómo las intervenciones terapéuticas ocupacionales en la interfaz del arte y la cultura pueden ayudar a brindar apoyo psicosocial a las mujeres mayores. El estudio fue de carácter cualitativo, de carácter cartográfico, realizado con un grupo de ancianas pacientes de la unidad de terapia ocupacional de la unidad de fisioterapia y terapia ocupacional de la universidad estadual de pará. Los resultados confirman que el groupismo femenino demostró ser una estrategia de sociabilidad e intercambios simbólicos. Se concluye que el arte y la cultura ayudan a brindar apoyo psicosocial a la población adulta mayor, ya que estos recursos promueven la expresión y el fortalecimiento de vínculos.

Palabras-claves: Arte; Cultura; Apoyo psicossocial; Gerontología; Terapia Ocupacional

INTRODUÇÃO

O envelhecimento é um processo complexo formado pelas diferentes idades: cronológica, biológica, psicológica e social. A cronológica foi idealizada para mensurar a idade através da passagem do tempo transcorrido em dias. Já a biológica, é determinada diante das alterações mentais e corporais que acontecem no decorrer do desenvolvimento humano. Em se tratando do conceito de idade psicológica, este pode conter dois sentidos: referir-se à relação entre a idade cronológica e as capacidades psicológicas de um indivíduo, a título de exemplo, percepção, controle emocional e aprendizagem, e o outro sentido é o senso subjetivo da idade, que diz respeito a avaliações individuais acerca da própria idade. A social, é definida pelos métodos de alterações de papéis sociais, nos quais são esperados determinados comportamentos para as pessoas em determinadas idades (Blanco, 2020).

Destarte, o envelhecer acarreta muitas vezes limitações nas capacidades funcionais dos sujeitos, o que gera reverberações nos aspectos psicossociais, biológicos e cognitivos. Entretanto, sabemos também que o envelhecimento saudável é cada vez mais frequente, com recursos, rotinas e cuidados que funcionam não somente em benefício do prolongamento da vida, mas na ampliação de sua qualidade.

Nos últimos anos, têm-se observado na dinâmica demográfica mundial, um processo intenso de envelhecimento populacional. No Brasil há contínuo aumento do número de brasileiros acima de 60 anos. No ano de 1950 o número de idosos era de 2,6 milhões, em 2020 era de 29,9 milhões e em 2100 deve alcançar 72,4 milhões (Alves, 2019).

De acordo com Podmelle e Zimmermann (2018), os idosos brasileiros demonstram estilos de vida inadequados e diferentes fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) e incapacidades funcionais, refletindo em baixas condições de saúde e autoavaliações negativas desta condição.

Deste modo, observa-se que a realidade da terceira idade no Brasil precisa de novos investimentos, um olhar generoso, com fôlego e que evidencie os fatores de crescimento e amadurecimento do viver. Nesse contexto, a Terapia Ocupacional atua com este público visando promover a autonomia, a qualidade de vida e o bem-estar. Neste aspecto, a intervenção terapêutica ocupacional pode ser realizada por meio de uma conexão com a arte, levando em consideração o caráter volitivo do paciente, sua história de vida e seus fatores culturais (Lima et al., 2011).

Diante do exposto, neste artigo apresentamos os resultados de uma pesquisa que discutiu as seguintes questões: Como as intervenções terapêuticas ocupacionais com idosas podem ser realizadas a partir de referenciais artísticos e culturais? Como a arte e a cultura auxiliam no suporte psicossocial da população idosa?

Deste modo, a pesquisa teve como principal objetivo analisar como as intervenções terapêuticas ocupacionais na interface arte e cultura podem auxiliar no suporte psicossocial a idosas.

Procedimentos metodológicos

Esta pesquisa é de natureza qualitativa, do tipo cartográfica, realizada com um grupo de seis idosas que são pacientes da Terapia Ocupacional na Unidade de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (UEAFTO) da Universidade do Estado do Pará (UEPA). A faixa etária das participantes variou entre 61 e 74 anos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), sob o parecer de número 67808623.2.0000.5174.

A fase inicial da produção de dados foi realizada individualmente, na UEAFTO, momento em que as participantes foram convidadas a responder a um roteiro de entrevista semidirigida que continha questionamentos direcionados à compreensão do desempenho de suas ocupações, análise de seus aspectos volitivos e a relação que mantinham com a Arte e a Cultura.

A segunda fase da produção de dados envolveu as intervenções grupais que foram realizadas na UEAFTO em encontros agendados duas vezes por semana, durante um período de 4 semanas, entre maio e junho de 2023, totalizando oito grupos terapêuticos ocupacionais. Nestes grupos foram utilizados recursos advindos de referenciais artísticos e culturais, englobando músicas, danças regionais, lendas, colagem, fotografia, teatro e produção textual. Os grupos tiveram planejamentos idealizados de acordo com os aspectos volitivos das participantes com interfaces que nortearam cada atividade realizada. Os encontros estão melhor detalhados no quadro a seguir:

Quadro Atividades de Intervenção 

ENCONTRO ATIVIDADES PRINCIPAIS OBJETIVO RECURSOS
1º encontro:
“A expressão do ser e sentir através da música”
Na atividade principal, foram utilizadas duas músicas do cantor Roberto Carlos : “ Como é grande o meu amor por você” e “ Além do Horizonte". As participantes puderam escolher uma das duas músicas, e foram instruídas a escreveram e/ou pintaram a parte da música que mais têm significado à elas, atrelando a suas histórias de vida, incluindo pessoas e momentos. Promover a criação e o fortalecimento do vínculo terapêutico; Recursos impressos com
músicas, caixinha e produção textual.
2º encontro:
“Dança e a melhor idade: um encontro potente”
Realizou-se um jogo de tabuleiro denominado pelas coordenadoras de "Corpo&cultura”. Para este jogo, o tabuleiro foi fixado no chão e os participantes representaram os pinos. 0 jogo envolveu diversas perguntas com aspectos sobre a interface Arte e Cultura. Que deveriam ter como resposta não só a fala, como questões corporais. Favorecer a
expressividade e a criatividade, através da corporeidade e resgate de aspectos culturais.
Recursos impressos com o jogo de tabuleiro
“Corpo&Cultura”.
3º encontro:
“Canções, tempo e memória: o poder da música”
Na atividade principal, foi utilizada a música “ Como uma Onda do Mar”. Os participantes fecharam os olhos e prestaram atenção na letra da música. Foram distribuídas na mesa, versos da música tocada, na qual os participantes poderiam escolher os versos mais significativos para si e produzir um texto inspirado nestes aspectos. Fomentar o resgate de memórias significativas. Recursos impressos com a letra da música e produção textual.
4º encontro:
“0 extraordinário que habita no cotidiano: a potência da cultura paraense”
Na atividade proposta cada participante sorteou uma lenda (Vitória Régia, Boto cor de Rosa, Muraquitã e Cobra Grande) e teve que representá-las por meio de Práticas Teatrais (Mímicas). Após este momento debateu-se sobre estas lendas e as mensagens que elas trazem. Em seguida realizou- Oportunizar a
participação social,
considerando o que é relevante culturalmente para os participantes e favorecer o resgate de memórias significativas sobre as temáticas abordadas
Recursos impressos com lendas amazonidas e
fotografias. Bem como a realização de práticas teatrais
se atividades expressivas com a questão norteadora “Qual o legado você gostaria de deixar?”. Fazendo uma analogia às lendas que são histórias contadas de pais para filhos e seguem gerações, destacando também que esse legado não é deixado apenas no momento da morte, mas em vida, cotidianamente.
5º encontro:
“Sou o meu amor pela vida inteira”
Utilizou-se a música "Bem-vindo amor próprio", em seguida realizou-se atividade de corte e colagem inspirada na música com a questão norteadora
“Represente como você observa o amor próprio em sua vida”
Favorecer a autoestima e singularidade de cada indivíduo, fomentando
reflexões acerca da prática do autocuidado
Colagem manual com revistas, cola, tesoura e papel A4
6º Encontro:
“Viver é Florescer”
Previamente, foi solicitado que as participantes enviassem registros de momentos importantes em suas vidas. As fotografias foram levadas para o grupo reveladas e foram entregues ao som da música "Encontros e Despedidas” da cantora Maria Rita. Solicitou-se que as participantes escrevessem uma carta a elas mesmas do passado, contando sobre este momento especial e sobre outros momentos vivenciados que ela saberiam que seu “eu do passado” iria gostar de saber. Promover o resgate de memórias afetivas e significativas Registros fotográficos revelados e
produção textual.
7º encontro:
“O trem da vida”
Inicialmente foi realizada dança circular com a música “ Trem- Bala”, da cantora Ana Vilela, em seguida realizou-se atividades expressivas nas quais as participantes foram instruídas a desenharem um trem com cinco vagões no qual três vagões representaram momentos de suas vidas que foram significativos e dois vagões representaram momentos os quais elas ainda gostariam de viver. Promover experiências de autocuidado, através da corporeidade, bem como o resgate de memórias afetivas. Expressão textual e corporal. Caixa de som, papel A4, lápis de cor e giz de cera
8º Encontro:
“Festa Junina: um olhar além da
celebração”
Inicialmente realizou uma proposta de Correio Elegante, com a utilização de corações de papel camurça, as participantes foram instruídas a escreverem uma mensagem sobre como foi processo ao longo dos grupos terapêuticos. Em seguida, foi realizado o piquenique do afeto, ao som de músicas juninas e comidas típicas Fomentar a participação social atrelado aos aspectos culturais desta data comemorativa
significativa para as participantes.
Produção textual, culinária e músicas típicas deste período do ano.

O encerramento de cada grupo seguiu um padrão de fechamento, com um momento de diálogo sobre a percepção das idosas a respeito das atividades realizadas naquele encontro e seus atravessamentos.

A análise qualitativa dos dados foi conduzida pela interação da perspectiva cartográfica com a Análise Temática e se deu com a construção de Três Unidades, a saber “Cartografia da terceira idade: Relações entre as demandas biopsicossociais e o desempenho ocupacional”, “Cartografia das Nuances do Feminino na Terceira Idade” e “Cartografia das Relações entre Arte e Cultura na Intervenção Terapêutica Ocupacional”.

Nesta intenção de análise utilizamos material proveniente dos encontros terapêuticos em que foram realizados registros em caderno de campo, e ainda a transcrição dos relatos das participantes, em que uma das pesquisadoras envolvia-se em redigir os relatos, enquanto a outra desempenhava o papel de coordenadora do grupo, a fim de garantir uma coleta mais precisa e uma visão ampla das pesquisadoras em relação à prática, e ainda obtivemos gravações em áudio que auxiliaram a fidedignidade do registro das falas ao longo dos encontros. Além disso, o uso de registros fotográficos dos grupos foi utilizado a fim de capturar os momentos e as reações das idosas perante as práticas artísticas e culturais.

A análise temática envolve a busca a partir de um conjunto de dados, de origem múltipla, para encontrar padrões constantes de significado (Rosa & Mackedanz, 2021). A análise temática funciona tanto para refletir a realidade, como para desvendá-la (Braun & Clarke, 2006).

Utilizamos pseudônimos ao longo deste artigo para salvaguardar a identidade das participantes, fundamentando-nos na seleção de nomes de cantoras notáveis das décadas de 1960 a 1990. Estas artistas desempenharam papéis significativos nas vivências das idosas envolvidas nesta pesquisa. Foram selecionados os seguintes pseudônimos: Rita Lee, Wanderléia Salim, Maria Bethânia, Gal Costa, Elis Regina, Fafá de Belém e Adriana Calcanhoto.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

CARTOGRAFIA DA TERCEIRA IDADE: RELAÇÕES ENTRE AS DEMANDAS BIOPSICOSSOCIAIS E O DESEMPENHO OCUPACIONAL

Em decorrência do aumento da população idosa no Brasil, as demandas biopsicossociais, que abrangem complexidades na interface dos aspectos biológicos, psicológicos e sociais, tornaram-se mais evidentes nas últimas décadas. Segundo Queiroz (2020), o processo de envelhecimento está associado a um aumento de doenças e a um declínio das funções cognitivas do idoso, afetando a memória, a atenção e a função executiva e essas características têm um impacto significativo no desempenho ocupacional desta população. Nesse viés, as doenças que mais atingem os idosos são as doenças crônicas neurodegenerativas, tais como: Demências, Doença de Parkinson (D.P), Doença de Alzheimer (D.A) e Comprometimento Cognitivo Leve (C.C.L).

Nesse contexto, como ponto de partida para a análise de dados nesta Unidade Temática, nos debruçamos sobre compreender a relação entre demandas biopsicossociais e desempenho ocupacional na terceira idade, sabendo a partir dos achados da pesquisa, e de referenciais mais atuais, acerca da interação entre estes dois aspectos.

No que diz respeito aos aspectos biológicos que se manifestam no processo de envelhecimento, constatou-se, por meio da realização das entrevistas semidirigidas e dos relatos durante os grupos terapêuticos, que duas participantes enfrentavam, à época dos grupos, dificuldades relacionadas à perda de memória. Observou-se que estas participantes mencionaram ainda, também apresentarem diagnóstico médico de osteoartrite, condição que provoca dor e limitação dos movimentos, o que, por conseguinte, interfere na realização de atividades cotidianas.

Destaca-se que, durante as entrevistas semidirigidas, também foi ratificado que duas outras participantes da pesquisa apresentaram diagnóstico de Hipertensão Arterial, uma doença crônica que requer uma atenção médica mais afinada devido aos riscos associados à saúde por suas comorbidades.

Estes resultados evidenciam a presença de algumas condições fisiológicas neste grupo de idosas e que estas condições imprimem mudanças em decorrência do processo de envelhecimento. Deste modo, tais fatores podem interferir no desempenho ocupacional destes sujeitos.

Além disso, a partir de uma questão da entrevista que abordava a satisfação das participantes em relação às suas Atividades de Vida Diárias (AVDs), foi observado que três participantes assinalaram uma avaliação de satisfação média, pois não estavam satisfeitas com o desempenho nas atividades cotidianas. De acordo com estas participantes, tal insatisfação foi atribuída à lentificação dos movimentos, à presença de dores articulares, à fraqueza muscular e à percepção de perda de memória, como observado nos excertos a seguir: “Mas têm coisas que eu não lembro mais né, não me recordo, minha cabeça tá assim, tão ruim assim sabe, tô me esquecendo de muita coisa” (Adriana Calcanhotto). “A gente tem que tomar cuidado com a saúde. Fafá, foi ao médico, aí caiu, não tava esperando, machucou o joelho. Eu também tenho medo, de repente dou uma tropeçada na rua, tô andando com umas dorzinhas no joelho” (Adriana Calcanhoto).

De acordo com as falas apresentadas anteriormente, observa-se convergência com a afirmação de Almeida, Fernandes, Oliveira e Silva (2022) na qual alegam que o processo de envelhecimento implica em alterações significativas nos hábitos de vida e rotinas diárias dessa população. Essas mudanças estão associadas a uma série de fatores, tais como a inatividade e a má adaptabilidade a diversas situações que ocorrem neste processo. Essas transformações podem acarretar redução do desempenho físico, habilidade motora e capacidade de concentração, o que pode desencadear sentimentos de autodesvalorização, insegurança, perda de motivação, isolamento social, solidão e alteração da percepção de si.

Nesse sentido, é válido destacar uma realidade muito presente na sociedade que é a existência de estigmas direcionados aos idosos. O envelhecer se transforma em algo negativo, visto que tal terminologia traz entre os seus sinônimos termos pejorativos como “decadente” e ‘’incapaz” (Jardim et al., 2019). Dessa forma, é recorrente na sociedade a existência de conceitos pré-estabelecidos diante da terceira idade e que estes se apresentam reproduzidos, muitas vezes, na fala dos próprios idosos.

Portanto, é necessário criar um sentido prático diferente para este termo, tendo em vista que promover o envelhecimento ativo não tem como objetivo negar o envelhecer, o que pode ser considerado uma forma de violência simbólica, e sim oportunizar a elaboração de um significado diferente para a velhice, ou, em outras palavras, trazer para a terceira idade, sinônimos como: vitorioso, importante, que perdura (Sampaio, 2017).

Urnau, Alt e Boscatto (2015) trazem ainda outro ponto delicado do envelhecer que junto ao estigma ocasionam muito sofrimento: a solidão. Os autores referem que solidão é considerada uma doença social que afeta de forma expressiva os indivíduos nesta faixa etária, visto que a terceira idade é uma fase marcada por uma ampla trajetória de vida, e quando permeada por vivências negativas, como a perda de entes queridos, adversidades, alterações psicológicas, diminuição das habilidades cognitivas e redução da funcionalidade, pode influenciar significativamente a qualidade de vida, e consequentemente, a saúde mental dos idosos. As falas a seguir corroboram esta perspectiva: “A distância te faz sentir a necessidade daquele amor que você achava que deveria ter falado pra ele. Mas como ainda tava junto né, a gente tem aquele amor aqui” (Rita Lee). “Morávamos eu e ele, mas ele foi embora né. Teve que ir ao trabalho, então eu moro só” (Elis Regina) “O caso dela é igual ao meu né? A minha filha também mora em Marabá, aí fica aquela saudade, ela também manda mensagem, eu mando pra ela. Liga pra mim” (Adriana Calcanhoto).

Conforme afirmam Rabelo e Nery (2019), o sofrimento psíquico advindo de quadros de depressão, ansiedade, conflitos familiares, disfunções do sono, dor, incidência do declínio cognitivo, processos de perdas e o manejo de manifestações crônicas de saúde exercem influência na qualidade de vida e no bemestar da população idosa, portanto, impactam negativamente na saúde dessas pessoas.

De acordo com um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), publicado no “Relatório Mundial de Saúde Mental: Transformando a Saúde Mental para Todos”, foi afirmado que quase 1 bilhão de pessoas viviam com transtorno mental em 2019. Segundo esta pesquisa, a depressão e a ansiedade aumentaram mais de 25% apenas no primeiro ano da pandemia de Covid-19.

Nesse contexto, é válido destacar que a pandemia impactou a sociedade de forma direta, com a própria exposição maciça ao vírus e os reflexos disso sobre a saúde, ou indireta, mediante o impacto das medidas de proteção, como o isolamento social. A pandemia encerrou, mas ainda segue repercutindo diretamente na saúde mental das pessoas, principalmente da população idosa, visto que o isolamento (pontual ou não), e a solidão, se tornaram ainda mais incidentes neste grupo, o que faz com que os idosos ainda colham os prejuízos causados pelo isolamento sanitário no período pandêmico, bem como as mudanças sociais ocasionadas após esse período. Desta forma, as medidas de distanciamento, as mudanças de rotina e a interrupção do convívio social afetaram o bem-estar psicológico dos idosos no mundo inteiro de forma surpreendente (De Oliveira et al., 2021).

Além disso, esse isolamento social intensificou os problemas que atingem a saúde mental dos idosos, tais como a fragilidade do Sistema Imunológico associada a outras comorbidades, o etarismo, a perda de autonomia e as complicações encontradas nas relações sociais. Dentre os maiores impactos encontrados revela-se a ansiedade, a depressão, o estresse, as alterações comportamentais, o temor da morte, o luto antecipatório, o medo da dor crônica não tratada, a ideação suicida e o próprio suicídio (De Oliveira et al., 2021).

De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2020), no ano de 2019, os idosos entre 60 e 64 anos representavam a faixa etária proporcionalmente mais afetada em relação a diagnósticos de depressão chegando a 13,2%. Desta forma, mostra-se imprescindível o suporte psicossocial à população idosa que, mesmo antes da pandemia, já vinha enfrentando desafios significativos no campo da saúde mental.

Falcão e Araújo (2018) acrescentam ainda que diante do crescente aumento da expectativa de vida, é fundamental a ampliação de serviços direcionados ao atendimento das demandas de saúde mental da terceira idade no Brasil, visto que o atendimento público de qualidade é um direito de todos. Destaca-se a importância de ações de prevenção e promoção à saúde desta população no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nessa perspectiva, é pertinente salientar a Portaria Nº 2825 de 19 de outubro de 2006, a qual aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, que tem como objetivo recuperar, manter e promover a autonomia e independência dos idosos, alinhada aos princípios e diretrizes do SUS. É importante ressaltar que a Portaria mencionada reconhece que a saúde da população idosa não se limita ao controle e prevenção de agravos de doenças, mas abrange um conceito amplo de saúde. Deste modo, destacase a integralidade na atenção à saúde, incluindo a importância da saúde mental para este grupo populacional (Brasil, 2006).

Sobre este aspecto, vale ressaltar que o Brasil, nas últimas três décadas, foi marcado por mudanças expressivas no acolhimento de usuários dos serviços públicos de saúde mental, diante do Movimento da Reforma Psiquiátrica, o qual revolucionou o cuidado e integrou os profissionais de saúde, pacientes e familiares, a fim de promover atendimento mais humanizado e eficaz. Todavia, apesar dos avanços, na atualidade a Reforma Psiquiátrica ainda enfrenta muitos desafios, como a presença de estigmas e preconceitos sociais, poucas iniciativas comunitárias de cuidado, dificuldades no entendimento e participação de familiares frente às necessidades de suporte, mas também governamentais com enfoque na atenção das especificidades da população idosa (Falcão & Araújo, 2018).

Com tantos desafios no campo psicossocial nesta fase da vida, lidar de forma assertiva com o envelhecimento pode se configurar em um fator protetivo com relação à saúde mental, afetando positivamente a sensação de bem-estar.

Ademais, na entrevista semidirigida desta pesquisa, também foi abordada uma questão relacionada à maneira como as participantes lidavam com o processo de envelhecimento. Foi unânime a aceitação positiva em relação às transformações e aos eventos decorrentes desse processo de envelhecimento, como podem ser observadas nas declarações a seguir: “Apesar de estar sempre me atualizando, eu me aceito, eu aceito a velhice, eu aceito o meu corpo, eu estou de boa comigo mesma em relação à velhice” (Wanderléa Salim). “Eu aceito e tô me sentindo muito bem. Eu tô vendo que eu tô já com 67 anos, que eu tô uma idosa jovem quando eu vejo uma foto. A gente só tem que aprender a conviver” (Elis Regina). “Eu lido bem, consigo realizar todas as atividades do dia a dia e não reclamo porque consigo fazer tudo né. Eu aceito as mudanças do meu corpo também” (Gal Costa). “Eu não me preocupo com a velhice, porque sabemos que nascemos para ir embora com Deus” (Fafá de Belém). “[...] A gente só se acha velho na “cabeça” o envelhecimento tá no nosso pensamento. Eu me sinto jovem. Digo que depois vou ficar velha. Acho que tem que se cuidar, se arrumar, fazer coisas pela sua saúde. E me sinto bem assim, me sinto ativa” (Rita Lee).

Segundo Costa (2020) é fundamental ter essa visão positiva acerca do envelhecimento, visto que através deste olhar, é possível iniciar um processo de mudança da representação negativa do que é ser “velho” na sociedade brasileira.

Nessa perspectiva, Urnau et al. (2015) enfatizam a importância de os indivíduos pertencentes à população idosa preservarem a vitalidade ao enfrentar o envelhecimento como um processo natural da vida humana. A aceitação deste processo é de suma importância para a promoção de uma mudança de fase em que se enfatiza uma vida saudável e com qualidade.

É certo que essa perspectiva positiva do envelhecer abordada na pesquisa é específica desse grupo em particular, sendo apenas um recorte, e não a totalidade da sociedade brasileira, devido a singularidade do conjunto de vivências de cada indivíduo. Ressalta-se que este grupo é composto por participantes com rede de apoio, engajadas em atividades de lazer, com acompanhamento multiprofissional e profunda ligação com a espiritualidade, o que influencia diretamente nesta perspectiva sobre o envelhecer.

É evidente que as demandas psicossociais abrangem diversos fatores, como os contextos econômicos, educacionais e culturais, sendo diretamente relacionadas à vulnerabilidade e à desigualdade social. Desta forma, o contexto da intervenção terapêutica ocupacional está diretamente associado à análise das necessidades apresentadas pelos sujeitos. Destarte, analisar a demanda de cada indivíduo ou grupo é de suma importância para a identificação das necessidades que podem ser trabalhadas através das propostas de intervenção direcionadas a estes sujeitos (Rabelo & Nery, 2019).

Portanto, as intervenções terapêuticas ocupacionais voltadas para a população idosa, podem promover a melhora de habilidades vinculadas à execução de Atividades de Vida Diária (AVD) e Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD), com enfoque no engajamento do idoso em suas ocupações significativas, uma vez que refletem sobre seu desempenho ocupacional e consequentemente saúde biopsicossocial e qualidade de vida (Queiroz, 2020).

CARTOGRAFIA DAS NUANCES DO FEMININO NA TERCEIRA IDADE

A priori, por meio das observações identificadas através do vínculo tecido pelo grupo terapêutico que foi formado em sua totalidade por mulheres, surgiu a necessidade de um espaço para a discussão das nuances do feminino na terceira idade. Algumas questões que as pesquisadoras ao idealizarem o trabalho não haviam identificado, mostraram-se de suma relevância no decorrer dos grupos. Tendo em vista o caráter cartográfico, observa-se que o processo de fazer coletivo legitimou diálogos e a pesquisa de tais aspectos voltados à feminilidade.

Ao longo dos grupos terapêuticos observou-se falas, crenças, memórias e atitudes relacionadas ao papel social atribuído à mulher.

“Se um dia a gente, nessas estradas da vida né, a gente se encontrar por aí né, se eu não reconhecer vocês, porque eu tô ficando cada vez mais feinha e velhinha né, caso vocês não me reconheçam” (Gal Costa).

Nesse ínterim, Silva et al. (2021) destacam o impacto que o envelhecimento acarreta para a autoimagem feminina. Esse processo é desafiador visto que é repleto de transformações, como o aumento ou diminuição de peso, o confrontar do espelho, a utilização de dispositivos anti-idade, a mudança de vestimenta e maquiagem, entre tantas outras.

Além disso, vivemos uma época em que a procura por adiar o transcurso natural da vida se torna cada vez mais frequente. E em se tratando das mulheres, as quais historicamente sofrem com um padrão de beleza inalcançável e socialmente imposto, esse processo se torna ainda mais difícil, convocando cotidianamente rompimentos com a ideia de que a beleza só é condicionada ao corpo jovem (Silva et al., 2021).

Ademais, realizando uma análise sobre os aspectos enraizados no inconsciente coletivo feminino, tem-se, especialmente na terceira idade, a dificuldade de as mulheres reconhecerem o sofrimento advindo de diferentes tipos de opressões, o que está intrinsecamente ligado à naturalização da violência e à educação passiva que lhes foi oferecida ao longo da vida, visto que a história da nossa sociedade é herdeira de uma cultura patriarcal que trouxe marcas intensas e resistentes às mulheres (Lima et al., 2022).

Nesse viés, ao longo da jornada em direção à identidade feminina, há uma construção histórica e social acerca do papel assistencial designado à mulher, uma vez que, desde criança as meninas são submetidas a realizar tarefas de cuidado, estabelecendo sobre elas a expectativa de que exerçam o papel de cuidadoras quando requerido no decorrer da vida (Isaac & Ximenes, 2018).

Eu queria minha filha perto de mim em certos momentos, vou precisar né? já precisei e ela não estava. E agora, vou precisar ainda mais. Assim, em questão de médico. Tem meu filho, mas assim não é a mesma coisa que filha mulher?” (Adriana Calcanhoto).

A fala da participante converge com Silva et al. (2021), o qual afirmam que a configuração da sociedade se caracteriza por uma perspectiva machista, patriarcal e misógina, considerando que as atividades relacionadas ao cuidado deveriam ser desempenhadas pelas mulheres, como a reprodução e os afazeres domésticos, necessidades dos idosos e dos (as) filhos (as), e por outro lado, as atividades do ambiente público e bem remuneradas, deveriam ser desenvolvidas pelos homens.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019), no ano de 2018, as mulheres que trabalhavam fora de casa (com empregos formais) atuavam em média 18,5 horas semanais desempenhando trabalhos de cuidado ou tarefas domésticas, enquanto os homens na mesma condição exerciam apenas 10,3 horas semanais nas mesmas funções. Diante disto, nota-se a sobrecarga existente na vida das mulheres brasileiras, a qual se mantém, mesmo após a aposentadoria, com as atividades domésticas.

“Eu nova, sempre trabalhei muito, com a finalidade de colocar meus filhos pra estudar. E aí às vezes a gente até aproveita pra comprar mais, estudar mais, aí eu colocava pra estudar de manhã, de tarde. Então, será que eu não deveria ter colocado pra estudarem só um horário? E no outro horário, eu também poderia ter ficado só com eles né? Aí casa, já vai embora, e aí a gente fica [sozinha]” (Gal Costa).

O relato da participante converge com a perspectiva apresentada por Silva et al. (2021), que abordam o papel delegado à mulher acerca do lugar do cuidado. Deste modo, é válido destacar que quando mulheres divergem deste caminho e buscam priorizar e investir nas carreiras profissionais, encontram-se em uma realidade de diversos julgamentos sociais. Esses julgamentos refletem a realidade da resistência social referente ao que contrasta com o pensamento tradicionalista.

O grupo terapêutico realizado em sua totalidade por participantes femininas, sendo conduzido por pesquisadoras, trouxe questões que estão diretamente ligadas ao gênero. A sororidade, companheirismo e compartilhamento mútuo de vivências, trouxe temáticas que destacam como o envelhecimento feminino é composto por muitas variantes, que perpassam algumas dificuldades exclusivas ao gênero, a título de exemplo a desigualdade salarial, a obrigação e desvalorização do trabalho doméstico, o ambiente ainda repleto de tabus acerca da sexualidade, os padrões de beleza, entre outros (Silva et al., 2021).

Contudo, por meio dos relatos, foi possível observar o constante florescer das participantes, a cada grupo, com cada relato, como disse textualmente Gal Costa: “Me vejo florindo”. O suporte terapêutico ocupacional na interface arte e cultura auxiliou no processo de refletir sobre o envelhecimento, pois não observou somente as dificuldades enfrentadas, com saúde ou mobilidade, mas também destacou ganhos gerados pelas vivências destes corpos, mostrando que a idade não é um impedimento para múltiplas experimentações. Assim, esse espaço de cuidado possibilitou que mulheres idosas (re) descobrissem a potência de seus corpos atuais, construindo ocupações e cotidianos promotores de vitalidade, além disso, engajadas, críticas e reflexivas sobre sua condição de ser no mundo (Lima et al.,2022).

CARTOGRAFIA DAS RELAÇÕES ENTRE ARTE E CULTURA NA INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA OCUPACIONAL

A princípio, é válido destacar que a Terapia Ocupacional utiliza abordagens direcionadas às necessidades de saúde da terceira idade e aos seus determinantes sociais, que incluem o cuidado em saúde mental diante de mudanças do cotidiano, combate ao isolamento social, questões referentes ao luto e finitude da vida, como também métodos para reduzir impactos sobre o desempenho ocupacional e em papéis ocupacionais. A intervenção terapêutica ocupacional deve favorecer a participação social, o autocuidado, a retomada de atividades relacionadas à cultura, bem como à compreensão, expressão de sentimentos e o acesso a experiências singulares e subjetivas (Nunes, 2021).

Deste modo, é importante destacar que os caminhos da Terapia Ocupacional têm profunda relação com as artes, e pode-se observar que a intervenção terapêutica ocupacional utilizando recursos artísticos está presente nos modos de cuidar, especialmente após o surgimento do SUS e da Reforma Psiquiátrica. Pois, nestes cenários, surgiu a necessidade de elaboração de práticas que reconectassem os sujeitos com ambientes de interação social, com a produção de redes, de relações com pessoas e serviços, tendo pauta o exercício da cidadania, a idealização de novos modos de existir e de elaborar cotidianos que respeitem diferenças (Angeli, 2021).

A arte e seus recursos são grandes aliados nos processos de viabilizar a expressão, a comunicação, as habilidades sociais, além de estimular a imaginação e a criatividade. Assim, ao longo do desenrolar dos grupos terapêuticos, e da utilização de recursos artísticos e culturais, foi possível observar a potência destas práticas nos cuidados em saúde.

Ao longo das atividades realizadas, diversos relatos envolvendo os potenciais da arte surgiram diante das intervenções artísticas. Observou-se que o grupo apresentou maior afinidade por certas categorias artísticas, como teatro, dança e música.

“O teatro foi o que me desenvolveu muito em tudo… em movimento, para falar, para chegar, para tomar decisões de representar aquilo que não era e eu fui aprendendo[...] entendeu? mas é muito bom, olha o teatro assim na minha vida foi onde começou tudo” (Elis Regina).

Nesse viés, em se tratando do teatro, destaca-se que esta abordagem possibilita ao sujeito um espaço para expressão de seus anseios, oportunizando o protagonismo, a visibilidade e a ampliação de trocas afetivas (Leão & Renó, 2021).

Barja e Ribeiro (2007) referem que o teatro, e os componentes envolvidos em sua prática, apresentamse como uma possibilidade importante no processo de autodescoberta e de inclusão social e podem contribuir também na relação com o outro, pois não há teatro sem haver “troca”, e, por isso, essas práticas atuam em processos que favorecem o afeto.

“Ah, foi muito bom assim, a dança né, eu gosto de dança circular, de vários tipos” (Adriana Calcanhoto).

A dança, por sua vez, é um recurso potente que expande as intervenções ao promover um cotidiano mais interativo e integrativo, afetivo e humanizado, bem como possibilita que o cuidado se torne uma tecnologia leve, possibilitando ambientes menos engessados.

De acordo com Merhy e Franco (2003), a construção da saúde enraizada nas tecnologias leves visa a produção do cuidado de forma integrada por toda a extensão dos serviços de saúde, centrada nas necessidades dos usuários. Além disso, tem como base variadas formas de intervir sobre a subjetividade, tendo como intuito promover ganhos de autonomia e trazer acolhimento aos atendimentos.

Nesse ínterim, ao longo dos grupos realizou-se danças circulares, que são práticas integrativas e complementares muito utilizadas no campo da saúde por propiciarem melhorias para além do campo físico, como a sensação de pertencimento a um grupo e de bem-estar com as práticas. As danças circulares proporcionam também uma experiência ímpar para a promoção da saúde da população idosa, trazendo um empoderamento para ações de maior autonomia, produzindo benefícios em seu cotidiano prático como a expansão da consciência corporal, ritmo, respiração, memória e outros (Silva et al., 2022).

A formulação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares - PNPIC foi apresentada em 2006 através da Portaria GM/MS nº 971. Após o último ajuste da Política, em 2018, ela passou a contemplar 29 procedimentos de PIC respaldados para oferta à população. Os sistemas e recursos terapêuticos contemplados pelas PIC envolvem abordagens que objetivam atuar nos campos da prevenção de agravos e da promoção, manutenção e recuperação da saúde baseadas em modelos sistêmicos de atenção onde importa a escuta, o vínculo e o orgânico (Oliveira & Ponte, 2019).

“Ser feliz, ter paz, felicidade, alegria né, tudo que tá aqui nessa música, eu preciso” (Adriana Calcanhoto).

A música, por conseguinte, reverbera positivamente sobre os aspectos biológicos, atua sobre a potencialização da qualidade de vida, bem como sobre a melhora de condições físicas, sociais, emocionais e espirituais, sendo uma via importante de vazão para a expressão do sujeito (Cassola et al., 2021).

Além disso, a música proporciona o resgate de memórias, sendo frequentemente utilizada na reabilitação cognitiva. Todavia, observou-se por meio das intervenções que do mesmo modo que existem recordações positivas que são acessadas por meio deste recurso, memórias de situações adversas também têm a possibilidade de emergir: “Eu vou chorar então não vou escrever sobre essa música” (Rita Lee). “Aí esse trecho da música me faz sentir assim, parece que eu não passei para meus filhos o grande amor que eu sinto por eles” (Gal Costa).Como falei essa música me faz chorar.. é real na minha vida, tenho relacionamento mais virtual do que presencial, algumas situações impedem de desembarcar nesta aventura. Onde ele mora é Além do Horizonte. Tudo que é traçado nessa música” (Wanderléa Salim).

A exteriorização de sentimentos, mesmo que adversos, é importante para a expressão e compreensão das vivências do sujeito. Destaca-se que é necessário que o terapeuta ocupacional realize previamente a análise das atividades propostas aos grupos terapêuticos e busque embasamento teórico e prático para a utilização de recursos artísticos e culturais, pois estes trazem resgates de sentimentos e questões sensíveis. Deste modo, diante do surgimento de diferentes atravessamentos é imprescindível fornecer suporte terapêutico adequado, possibilitando escuta, acolhimento e espaço para que o sujeito se sinta visto e respeitado por seus sentimentos.

Outrossim, a cultura também está intimamente relacionada a este contexto, visto que a cultura e a arte são aspectos indissociáveis da vivência humana. É possível compreender, portanto, que a arte e a cultura provocam deslocamentos afetivos, visto que o fazer, decorrente dos processos artísticos e culturais é promotor e estimulador de percepções e experiências sensíveis aos sujeitos. Essas práticas nos permitem propiciar vivências de transformação e criação, possibilitando ao sujeito ser e existir na diversidade humana (Molina, 2021).

“Paraense tem uma força muito grande. A variedade da cultura paraense está presente no dia a dia e é muito gratificante. Não abro mão da cultura paraense, das festas, do boi bumbá, do carimbó, das comidas, que para nós que estamos acostumados é tudo de bom[...]” (Elis Regina).

Entretanto, mesmo com a cultura estando presente na Constituição Federal Brasileira (Brasil, 1988) como direito básico de todo cidadão, é válido ressaltar alguns desafios que podem ser encontrados neste campo, dentre eles: a invisibilidade, a falta de reconhecimento e a ausência da efetivação de políticas públicas voltadas aos aspectos culturais. Sabe-se que ainda existe um longo caminho, repleto de lutas e mobilização dos movimentos sociais para a garantia desse direito humano, entretanto, apesar deste cenário, observase a potência da construção coletiva que enfrenta esta lógica e traz a interface Terapia Ocupacional, Arte e Cultura, como caminho possível nesta trilha.

Ademais, a importância de pertencer a um grupo também foi observada por sua potência de crescimento conjunto. Assim, observou-se as trocas criadas mediante o coletivo que proporcionou aos sujeitos expansão, encontros e vínculos, a partir da relação com coordenadores, outros participantes, atividades propostas e possibilidades reflexivas que infiltraram outros espaços de convivência. A prática profissional reflexiva e crítica, na intervenção com grupos terapêuticos, têm expandido inovações e produzido múltiplas maneiras de sentir, diferentes formas de produzir e de agir (Castro et al., 2015).

“Aqui a gente vem para refletir, para abraçar o irmão, porque a alegria do ser humano acho que esse contato assim esse calor humano…. e a gente está sempre aprendendo com o outro” (Gal Costa).

Ao longo dos encontros, foi possível perceber que as conexões criadas e o sentimento de pertencer ao grupo potencializaram o fazer individual de cada participante, demonstrando reverberações positivas em suas produções e atitudes. Deste modo, é possível pensar que o sentimento de pertencimento pode instaurar uma vivência revigorante, uma sensação de estar vivo, fazer parte de um coletivo, ser um sujeito singular e ao mesmo tempo parte do todo (Lima, 2015).

Assim, Castro et al. (2015) afirmam que é na experiência grupal que se inicia a construção de um entendimento das diferenças, das singularidades e dos níveis de aproximação que podem ser orquestrados com cada um. Portanto, pode-se inferir que para o público-alvo desta intervenção, os grupos se mostraram como recurso vigoroso, diminuindo a sensação de solidão recorrente na terceira idade e expandindo as experiências, conexões e vínculos.

“[...], mas o mais importante foi essa alegria, foi estar com vocês! o que vocês trouxeram para nós! que pelo menos eu acredito que vamos sair daqui, assim não como nós entramos, estamos indo, mas mais ativas e chegando em outros conhecimentos! E até falar ao sair…. eu dancei coisa que eu nunca mais tinha feito, hoje eu vivi. Então assim para mim foi ótimo que eu entrei de um jeito e vou sair mais leve” (Elis Regina).

“É bom porque vocês estão resgatando um pouco do que a gente viveu né! Sinceramente eu fico até assim, boba né, emocionada né…. querendo lembrar mais coisas para poder falar porque é bom esse momento que vocês trazem para gente e eu também agradeço por você estar com a gente né, resgatando a memória da gente” (Adriana Calcanhoto).

“E a gente teve a oportunidade de ter diferentes pautas, diferentes encontros, onde só fez engrandecer assim nosso conhecimento, nossa vida” (Gal Costa). “E eu acho muito importante para a saúde da gente, mentalmente […] foi [..] assim maravilhoso [o encontro]” (Rita Lee).

Através das intervenções artísticas e culturais foi possível estabelecer vínculos terapêuticos, o resgate de memórias e ocupações significativas. Observou-se ainda a força existente nas conexões dos sujeitos com demandas semelhantes, propiciada pelos grupos terapêuticos ocupacionais como observadas nas pesquisas de Castro, Lima e Nigro (2015). Sendo assim, tais experiências acarretaram movimentos que trazem expressão de vitalidade, cuidado e compartilhamento de vivências que são intimamente ligadas pela cultura e demandas psicossociais análogas.

Por fim, conclui-se que a Terapia Ocupacional na interface arte e cultura, se mostra como um percurso que anda na contracorrente da hegemonia dominante, compreendendo aspectos amplos das atividades e fazeres, dos territórios e localidades, constituindo-se em uma lógica promissora e de resistência na valorização genuína da vida humana (Silvestrini, 2019).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa pesquisa objetivou analisar como as intervenções terapêuticas ocupacionais na interface arte e cultura auxiliam no suporte psicossocial a idosas. Os objetivos construídos foram alcançados através dos resultados expostos neste artigo.

É válido ressaltar a relevância deste trabalho para a sociedade em geral e a comunidade científica, visto que o aumento da população idosa é crescente na atualidade, pressionando por espaços de intervenção, pesquisa e diálogo sobre as demandas psicossociais destes sujeitos. Atrelado a isto, a Terapia Ocupacional visa promover práticas voltadas ao envelhecimento saudável, podendo para este fim, fazer uso de recursos da arte e da cultura de forma terapêutica.

As limitações deste estudo são caracterizadas pelo número reduzido de participantes e pelo local da pesquisa abranger apenas as participantes de um setor em um único serviço público. Assim, recomendase que futuros trabalhos sobre esta temática possam contar com um número maior de participantes e complexidades a serem ouvidas e discutidas.

Além disso, destaca-se que os achados dizem respeito a este universo pesquisado, não da população idosa em sua totalidade. Entretanto, afirma-se que os conhecimentos levantados pela análise de dados comprovaram aspectos observados em outros referenciais teóricos citados ao longo do trabalho, como a grupalidade feminina, que se revelou como estratégia singular de sociabilidade, de trocas simbólicas e afetivas, gerando uma experiência legítima de acolhimento, pertencimento, solidariedade e companheirismo.

As nuances do feminino as quais foram destacadas mostram como o envelhecimento traz impactos significativos às mulheres, diante da cultura machista a qual vivenciamos, e especialmente apontam questões desafiadoras que reverberam de forma catalisadora junto ao momento complexo do envelhecer, como o patriarcado e as pressões sociais por manutenção de “certa juventude”. Além disso, os achados da pesquisa confirmam que a arte e a cultura auxiliam no suporte psicossocial da população idosa, uma vez que os relatos destacam a potência da utilização destes recursos que promovem expressão, criatividade e fortalecimento de vínculos.

O estudo demonstrou que as condições de saúde que ocasionam dor, lentificação ou restrições de várias ordens, podem interferir no desempenho ocupacional e repercutir sobre a saúde mental com o surgimento de inseguranças, desmotivação e prejuízo na autoestima.

Por fim, espera-se que esta pesquisa sensibilize profissionais, acadêmicos e a comunidade em geral para a importância de fornecer, no suporte psicossocial, atitudes acolhedoras. Além disso, que se afirme a potência sensível que existe junto às intervenções terapêuticas ocupacionais grupais envolvendo a arte e a cultura. Almejamos, deste modo, que este estudo fomente mais pesquisas voltadas a esta realidade.

“O que eu quero deixar aos meus filhos e netos é que eles aproveitem bem a vida, é que a vida é curta e o tempo passa rápido! então eu gostaria que eles aproveitassem” (Adriana Calcanhoto).

Conclui-se com o relato de uma participante da pesquisa, a qual cita a importância de vivenciar intensamente todas as fases da vida, que o envelhecimento ativo é possível e o suporte terapêutico ocupacional pode fortalecer esse processo, trazendo saúde, qualidade de vida e vitalidade ao cotidiano da terceira idade.

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Recebido: Agosto de 2023; Aceito: Março de 2024

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