Introdução
As movimentações que deram origem ao movimento homossexual brasileiro (MHB) tiveram estopim a partir da segunda metade da década de 1970, onde tal movimento, fortemente presente nos dias atuais, demonstra um empenho da comunidade LGBTQIAP+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexo, assexuais, pansexuais e outros) na busca por mais visibilização, integração à sociedade, educação, direitos e combate à LGBTfobia (Quinalha, 2022). Entretanto, este trabalho não pretende se debruçar sobre as implicações de assumir a orientação sexual de toda a comunidade LGBTQIAP+, tampouco discorrer sobre identidades de gênero, mas sim, discutir os aspectos relacionados ao assumir-se de indivíduos homossexuais (gays e lésbicas). Assim, a cultura homossexual no Ocidente tem passado por mais modificações nos tempos atuais do que em qualquer outra época da história do mundo moderno, o que gerou às pessoas homossexuais uma grande visibilidade. Porém, para os indivíduos de orientação homossexual, a sexualidade que poderia simbolizar, de alguma forma, a diversidade, acabou se tornando uma prisão, em decorrência da homossexualidade ainda ser vista como uma sexualidade divergente da norma (Nunan, 2015).
Segundo Martins, Romão, Lindner e Reis (2010) as definições de sexualidade na atualidade referemse a conceitos dinâmicos que evoluem e estão suscetíveis a diferentes usos, interpretações divergentes e conflitos políticos devido aos diversos contextos sociais e períodos históricos que a constroem. Assim, a sexualidade é conceituada por esses autores como sendo as “elaborações culturais sobre os prazeres e os intercâmbios sociais e corporais que compreendem desde o erotismo, o desejo e o afeto, até noções relativas à saúde, à reprodução, ao uso de tecnologias e ao exercício do poder na sociedade’’ (Martins, Romão et al., 2010, p. 9). Ciasca, Hercowitz e Lopes (2021) apontam que a orientação sexual se trata da atração/desejo (ou não) tanto física, quanto emocional e romântica por outras pessoas, assim, pessoas que se identificam com a orientação homossexual são aquelas que se sentem atraídas por pessoas do mesmo gênero que o seu.
Dessa forma, Soliva (2010) aponta a existência de muitas experiências frustradas que se inserem na relação entre filho(a) homossexual e família, o que dificulta demasiadamente a ação de assumir a homossexualidade no contexto familiar, tendo em vista a dificuldade de algumas famílias proporcionarem acolhimento a esses jovens. Dificuldades essas colocadas diante do preconceito e da não aceitação do lugar da diversidade sexual ainda vista como dimensão desviante para a sociedade. Tal fato demonstra a necessidade de se entender como o contexto familiar influencia o processo de coming out dos jovens nesse contexto social.
De acordo com Frazão e Rosário (2008) a idade média em que o processo de coming out ocorre tem sido cada vez mais precoce, assim, os autores apontam que este trata-se de um processo global da formação da identidade que tem início na adolescência. Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center (2013) com 398 homens gays e 277 mulheres lésbicas revelou que a idade média em que jovens gays e lésbicas com menos de 30 anos relataram ter revelado sua orientação sexual pela primeira vez a alguém é de 17 anos para gays e 21 anos para lésbicas. Ainda segundo os dados levantados pela pesquisa do Pew Research Center (2013), demonstra que esse processo tende a ocorrer em uma fase de grande vulnerabilidade psicológica: a juventude. A literatura científica aponta que essa revelação, em muitos casos, vem acompanhada de medo, culpa e sofrimento. O estudo de Souza, Nascimento e Scorsolini-Comin (2020) exemplifica essa angústia: um jovem relata que, ao se perceber homossexual, vivenciou sentimentos de confusão, frustração e insegurança. Esses sentimentos são muitas vezes agravados por discursos familiares homofóbicos, pelos quais os jovens percebem que sua identidade será, provavelmente, rejeitada.
A hostilidade, de fato, é um desfecho comum. Uma revisão sistemática que analisou 13 estudos entre 2012 e 2022 revelou que 38,5% dos jovens enfrentaram um processo de coming out marcado por violência e conflito familiar. Outros 23% sofreram com o silenciamento e vergonha dentro do ambiente doméstico. Episódios de agressão física, como o soco nas costas de um pai em seu filho, evidenciam o grau de violência que alguns jovens enfrentam após se assumirem (Soliva & Silva, 2014). Além da violência física, a violência psicológica como ameaças, chantagens, e julgamentos morais é amplamente documentada. A repressão emocional por parte de figuras parentais pode gerar transtornos de ansiedade, depressão, baixa autoestima e até ideação suicida (Braga et al., 2018).
Dessa forma, não existe um consenso a respeito dos limites de idade para se definir a juventude, tendo em vista que este é um grupo que está em constante construção social e histórica, passando por mudanças conforme o tempo e tendo modificações de acordo com as diferentes culturas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPS) caracterizam a juventude como um momento de preparação de indivíduos (jovens) para manifestar o papel de adultos (Silva, & Silva, 2011). Assim, com a finalidade de operacionalizar o conceito no Brasil, a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) empregam o recorte etário de 15 a 29 anos para definir a juventude (Aquino, 2009).
Em relação ao processo de coming out, os autores Defendi e Khouri (2021) afirmam que o coming out (termo em inglês equivalente ao ‘’sair do armário’’ no Brasil) trata-se de um processo por meio do qual a pessoa reconhece a si mesma, apropria-se e desenvolve sua homo/bi/pan/assexualidade e compartilha tal orientação afetiva-sexual para outras pessoas, sendo familiares, amigos, pessoas do trabalho ou até mesmo estranhos, tornando sua orientação visível. Logo, o processo de coming out pode ser vivenciado por vários indivíduos que possuem uma orientação não heterossexual, entretanto, para fins deste trabalho, serão considerados somente os aspectos relacionados ao processo de coming out de indivíduos homossexuais (gays e lésbicas).
Sedgwick (2007) aponta que o armário surge como um dispositivo central no século XX com o intuito de organizar o campo da sexualidade, em especial, o campo da homossexualidade. Assim, o autor afirma que não existe somente um momento de se assumir, mas há um questionamento que se repete em diferentes passagens da vida de um indivíduo homossexual, sendo esse: para quem, quando e como se assumir. Para além, Quinalha (2022) aponta que o dever moral de se assumir ou sair do armário não é imposto a nenhum heterossexual e/ou cisgênero, em vista que seu comportamento e sua identidade se igualam à norma. Entretanto, para pessoas homossexuais, o processo de coming out é renovado a cada novo contexto e grupo social com o qual estes interagem. Entende-se que, somente aquele que desvia da norma é quem deve se expor, mesmo com todas as implicações de risco e violências (Quinalha, 2022).
Dessa maneira, o dever moral de coming out não é imposto ao heterossexual, pois existe na sociedade um regime regulatório dos desejos e das formações familiares denominada heteronormatividade compulsória. Isso significa dizer que qualquer desvio ao princípio do binarismo de sexo e gênero se torna alvo de uma ação normalizadora de poder, em vista que a conclusão ineludível a esse processo é que a única união sexual, afetiva e conjugal possível é entre um homem e uma mulher (Quinalha, 2022). Um levantamento feito pela Associação Norte Americana de Psicologia (APA) mostrou que jovens e adolescentes LGBTQIAP+ sofrem altos níveis de rejeição, discriminação e violência, seja ela social, escolar ou familiar (Defendi & Khouri, 2021).
Sarti (2004) entende a família como sendo um mundo de relações, onde as mudanças nesse contexto são particularmente difíceis, já que existe uma referência de família muito cristalizada na sociedade que são veiculados pelos meios de comunicação, onde tais referências constituem os “modelos” do que é e deve ser a família, fortemente pautados numa visão de família como uma unidade biológica, sendo constituída segundo as leis da “natureza”. A autora também aponta que grande parte da dificuldade dos pais de lidarem com as questões dos jovens, principalmente àquelas voltadas para a sexualidade, tem relação com o fato de que tais assuntos tocam em pontos difíceis nas vidas desses pais. Palma e Levandowski (2008) enfatizam que poucas famílias aceitam e convivem de forma agradável com membros de orientação sexual homossexual, sendo que os sentimentos mais presentes são a intolerância e o inconformismo.
Observando a partir da ótica da intolerância, um estudo realizado por Perucchi, Brandão e Vieira (2014), com 10 indivíduos homossexuais com idades entre 19 e 23 anos, constatou que a expulsão da residência familiar, enquanto expressão de homofobia intrafamiliar, não foi considerada a manifestação mais impactante da violência homofóbica vivenciada por esses jovens. Para eles, situações cotidianas e sutis, como por exemplo as humilhações, foram percebidas como formas mais dolorosas de agressão, especialmente por ocorrerem no convívio diário com a família de origem.
Os indivíduos homossexuais originam-se em famílias e convivem por longo tempo, tanto na vida escolar quanto na profissional, em espaços não LGBTQIAP+, ou seja, os âmbitos iniciais de socialização, dentro e fora do lar, são anti-LGBTQIAP+. Entende-se com isso que, em geral, essa população, diferente de outros grupos vulnerabilizados, não obtém acolhimento familiar frente aos preconceitos enfrentados na vida fora do contexto familiar. Sendo assim, o lar, ao invés de ser um ambiente seguro, é mais um local de violência, este sendo insuportável, tendo em vista que parte de pessoas com quem o vínculo afetivo é grande (Quinalha, 2022).
Diante disso, Barros & Coelho (2021) apontam que, frequentemente, a violência vivida no ambiente familiar tende a ser mais dolorosa do que aquela ocorrida em espaços públicos, pois a pessoa agredida reconhece no agressor alguém que, conforme aprendeu desde o nascimento, deveria ser fonte de amor, cuidado e afeto.
Diante desse contexto, este texto tem como ponto de investigação responder ao seguinte questionamento: ‘‘Como a família influencia o processo de coming out de jovens homossexuais?’’. O objetivo da presente pesquisa foi analisar o modo como o processo de coming out de jovens homossexuais é atingido pelo contexto familiar, bem como identificar o impacto das manifestações familiares na qualidade de vida do sujeito homossexual que está em processo de assumir sua orientação sexual e compreender as implicações de se assumir homossexual para a família.
Assim, a partir do exposto, entende-se que o processo de coming out de jovens homossexuais no contexto familiar perpassa por muitas questões emocionais que envolvem uma série de preconceitos e a não aceitação da diversidade sexual. Tal tema necessita de mais exploração na literatura científica.
Metodologia
Trata-se de um estudo de revisão sistemática da literatura. Segundo Cordeiro, Oliveira, Rentería & Guimarães (2007), a revisão sistemática é um modelo de investigação científica que tem o intuito de reunir, avaliar de maneira crítica e conduzir uma síntese dos resultados de variados estudos relevantes para o tema em questão. Ademais, ela também tem como objetivo responder a uma pergunta claramente formulada, utilizando-se de métodos sistemáticos e explícitos para identificar, selecionar, avaliar as pesquisas primárias, coletar e analisar os dados presentes nos estudos que compõem a revisão.
Desta forma, o estudo foi desenvolvido com base na busca de artigos científicos sobre o tema da homossexualidade com foco no processo de coming out de jovens no contexto familiar. As buscas foram realizadas no período de julho a setembro de 2022 através da consulta de artigos científicos dos últimos 10 anos (setembro de 2012 - setembro de 2022), indexados e publicados em periódicos científicos presentes nas seguintes bases eletrônicas de dados: Portal de Periódicos CAPES, Scielo (Scientific Electronic Library), PePsic (Portal de Periódicos Eletrônicos em Psicologia), MEDLINE, LILACS (Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e BVS Psicologia (Biblioteca Virtual em Saúde). Os descritores utilizados nas bases de dados foram: ‘‘homossexualidade’’, ‘‘família’’, ‘‘coming out’’ e ‘‘jovens’’. Foram recuperados na busca primária 299 artigos e, logo em seguida, foram aplicados os critérios de inclusão e exclusão para a seleção final de artigos, sendo a seleção final composta por 13 artigos.
Posteriormente, foi realizada uma sistematização em formato de quadro dos 13 estudos selecionados, onde as seguintes informações foram abarcadas para posterior leitura: item, ano de publicação, título, objetivo e resultados.
Resultados
As buscas nas plataformas científicas resultaram em 299 resultados, logo em seguida, foram incluídos os critérios de inclusão e exclusão destacados nos quadros 1 e 2 acima, o que resultou em 13 estudos que abordam o processo de coming out de jovens homossexuais no contexto familiar.
Quadro 1
| Critério | Descrição do Critério de Inclusão |
|---|---|
| Cl 1 | Foram incluídos trabalhos que são artigos científicos |
| Cl 2 | Foram incluídos artigos que contemplem o perído da juventude (15 a 29 anos) |
| Cl 3 | Foram incluídos artigos escritos nos idiomas português, inglês e espanhol |
| Cl 4 | Foram incluídos artigos publicados nas bases eletrônicas pesquisadas |
| Cl 5 | Foram incluídos artigos associados ao tema contendo descritores como “homossexualidade”, “coming out”, “jovens” e “fanília” |
| Cl 6 | Foram incluídos artigos publicados entre o período de setembro de 2012 a setembro de 2022 |
| Cl 7 | Número de artigos incluídos na pesquisa: 13 |
Quadro 2
| Critério | Descrição do Critério de Exclusão |
|---|---|
| CE 1 | Foram excluídos artigos duplicados |
| CE 2 | Foram excluídos artigos que não contemplavam o período da juventude (15 a 29 anos) |
| CE 3 | Foram excluídos artigos que fugiam parcial ou completamente dos descritores proposto |
| CE 4 | Foram excluídos artigos publicados antes do período de setembro de 2012 |
| CE 5 | Foram excluídos livros, capítulos de livro, cartas, resenhas, notícias, anais de congressos, editoriais e dissertações |
| CE 6 | Número de artigos excluídos da pesquisa: 286 |
Os 13 estudos selecionados foram expostos no quadro 3, logo abaixo. A disposição das pesquisas no quadro seguiu a seguinte ordem de colunas: 1) a primeira coluna abarca a quantidade de estudos; 2) a segunda coluna contém o ano de publicação dos estudos, sendo do mais antigo ao mais recente; 3) a terceira coluna compreende o título dos estudos selecionados; 4) a quarta coluna abrange os objetivos que cada estudo se propôs a atingir; 5) a quinta e última coluna traz os resultados obtidos com a realização dos estudos.
Quadro 3
| Itens | Publicação | Título | Objetivo | Resultados |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 2014 | Entre revelar e esconder: pais e filhos em face da descoberta da homossexualidade. | Construir as histórias de vida de 20 jovens homossexuais na tentativa de compreender os conflitos ocorridos no momento em que esses jovens revelaram a sua homossexualidade ao grupo doméstico. | O reconhecimento da homossexualidade pelos familiares e, sobretudo, entre eles mesmos movimenta nesses jovens todo um conjunto de medos que se expressam em formas concretas de violência, sofrimento psíquico e incertezas. |
| 2 | 2014 | Coming out to dad: young gay and bisexual men’s experience disclosing same-sex attaction to their father | Investigar o papel dos pais em relação a experiência de sair do armário de jovens homens gays e bissexuais | Os jovens homens gays e bissexuais que foram entrevistados perceberam uma gama complexa de respostas ao se assumirem para seus pais, variando de aceitação entusiástica a violência. |
| 3 | 2016 | O ajustamento familiar: associações entre o apoio social familiar e o bem-estar de homossexuais | Investigar empiricamente a associação entre o apoio social familiar e o bem-estar de homossexuais. | As categorias emergentes dos relatos dos participantes apresentaram como resultado principal um modelo de ajustamento familiar aos membros homossexuais, passando por etapas de desconfiança, coming out, preocupação familiar, compreensão, respeito e aceitação. |
| 4 | 2016 | Coming out during adolescence: perceived parents’ reactions and internalized sexual stigma | Investigar a reação negativa dos pais ao assumir-se através da percepção dos participantes. | Os achados confirmam que as reações negativas dos pais estão ligadas ao mau funcionamento familiar e a fortes crenças em valores tradicionais. |
| 5 | 2018 | A revelação da homossexualidade na família: revisão integrativa de literatura científica | Compreender quais as repercussões da revelação da orientação sexual nas relações familiares de jovens adultos homossexuais. | Os estudos avaliam a participação e os sentimentos que acarretam a revelação nas famílias, sendo observado contextos em que os conflitos prevaleceram e outros nos quais houve acolhimento por parte dos entes. |
| 6 | 2018 | Violência familiar contra adolescentes e jovens gays e lésbicas: um estudo qualitativo | Analisar as experiências de adolescentes e jovens gays e lésbicas no processo de revelação da orientação sexual às suas famílias. | As reações familiares no processo de “saída do armário” dos participantes foram violentas, com perseguições e até a expulsão de casa, além da repressão das expressões das vivências homoeróticas, o que impactou na saúde e qualidade de vida dos mesmos. |
| 7 | 2018 | Adolescentes homossexuais e suas relações com familiares: estudo fenomenológico | Compreender a vivência de adolescentes homossexuais frente às relações com seus familiares. | Emergiram dos depoimentos as categorias: “Descoberta da homossexualidade pelos familiares”; “Relação familiar conflituosa” e, “Ser respeitado e manter os laços com a família”. |
| 8 | 2019 | Silêncios em discurso: família, conflito e micropolítica em narrativas sobre a revelação da homossexualidade | Abordar narrativas de homossexuais sobre a revelação da orientação sexual para a família de origem. | A experiência vivida de gays e lésbicas, evocada nestas páginas, parece sugerir que o silêncio, mais do que o “diálogo”, ocupa destaque nas maneiras pelas quais os núcleos familiares lidam cotidianamente com a sexualidade de seus membros - notadamente quando se trata de sexualidades que divergem da norma heterossexual. |
| 9 | 2019 | A “vergonha” como uma “ofensa": homossexualidade feminina, família e mocropolíticas da emoção. | Abordar o tema da revelação da orientação homossexual para a família sob a perspectiva da antropologia das emoções. | A “vergonha” que a filha percebe em sua mãe, nesse contexto, é reconhecida como uma “ofensa”; em vez de endossar julgamentos morais que desqualificam a homossexualidade, a jovem (ao mostrar-se ofendida) questiona a hierarquia que os legitima. |
| 10 | 2020 | Revelar-se homossexual: percepções de jovens adultos brasileiros | Investigar as percepções de jovens homossexuais brasileiros acerca do processo de revelação da orientação sexual no contexto familiar. | Diante do processo de coming out em um contexto heterossexista, o indivíduo pode fazer desse evento um momento de silenciamento e vergonha, além de lidar com o sentimento de culpa. A família e os amigos constituíram a principal rede de apoio diante da revelação da homossexualidade, rede esta considerada fundamental após o coming out. |
| 11 | 2020 | Interseccionaiidad en el proceso de revelación y aceptación de la orientación sexual de hijos homosexuales en dos familias afrocolombianas | Compreender o processo de revelação e aceitação da orientação homossexual de filhos em duas famílias afro-colombianas. | Foram identificadas as características do processo de revelação e aceitação, bem como os recursos e barreiras percebidas pelas famílias durante esse processo. |
| 12 | 2021 | Experiências de pais e mães quanto à revelação da orientação não heterossexual de filhos/as | Investigar como pais e mães que residiam em uma cidade do interior da mesorregião noroeste-rio-grandense, experienciaram a revelação da orientação não heterossexual de filhos/as. | Os resultados mostraram duas formas de aceitação, a imediata e a conturbada, além de elementos comuns às duas formas. |
| 13 | 2022 | As repercussões do coming out nas famílias de jovens adultos homossexuais | Conhecer as percepções de mães, pais, irmãos(ãs) e dos(as) homossexuais acerca da repercussão do coming out na família de origem. | Alguns movimentos de preconceitos velados puderam ser depreendidos, tomando lícita a afirmação de que a aceitação é um processo construído ao longo do tempo e das experiências em família. |
A partir da análise do quadro acima, nota-se uma escassez de estudos a respeito do tema proposto, o que deixa explícito a necessidade de serem realizadas mais pesquisas a respeito do tema. A origem dos autores contemplou os países como Brasil, Colômbia, Itália e Estados Unidos, sendo que o Brasil representa 76,9% da amostra. Verifica-se que a maior quantidade de estudos foi publicada nos anos de 2018 (3 artigos), o que representa 23% dos estudos selecionados. Constata-se também que 15,4% dos estudos escolhidos foram publicados em 2014 (2 artigos), 15,4% em 2016 (2 artigos), 15,4% em 2019 (2 artigos), 15,4% em 2020 (2 artigos), 7,7% em 2021 (1 artigo) e, por fim, 7,7% em 2022 (1 artigo).
Dentre os 13 estudos selecionados, a partir dos sujeitos participantes, nota-se que 8 estudos contemplam o coming out tanto de gays quanto de lésbicas. Entretanto, 75% desses estudos (6 artigos) trazem mais amostras do coming out vivenciado por homens gays em detrimento do coming out vivenciado por mulheres lésbicas. 12,5% (1 artigo) apresenta amostras iguais entre lésbicas e gays e 12,5% desses estudos (1 artigo) não deixou explícito a quantidade de participantes gays e lésbicas. Com relação as 5 pesquisas restantes, 4 delas (80%) abordam somente a homossexualidade masculina e 1 artigo (20%) aborda somente aspectos da homossexualidade feminina. Assim, compreende-se que a homossexualidade masculina é mais contemplada nos estudos científicos selecionados.
Com relação aos objetivos das pesquisas, compreende-se que cerca de 38,5% dos objetivos dos estudos selecionados visam conhecer a percepção e experiências do indivíduo homossexual frente ao processo de revelar sua orientação sexual para a família. 23% dos estudos buscaram conhecer a percepção da família acerca do processo de coming out de seus membros. 23% dos objetivos dos estudos abordam as repercussões da homossexualidade no contexto familiar, bem como a dinâmica familiar. 7,7% dos estudos visam compreender as tensões e conflitos vivenciados no âmbito familiar a partir do coming out de jovens homossexuais. Por fim, 7,7% das pesquisas têm como objetivo discutir acerca do apoio familiar como fator essencial para o bem-estar de indivíduos homossexuais em processo de coming out.
Em relação aos resultados apresentados nos estudos selecionados verificou-se que 38,5% dos resultados apontam que o processo de coming out foi encarado de uma forma violenta e conflituosa pela família. 23% dos resultados indicaram que o processo de coming out perpassou por um silenciamento da família, enxergando a homossexualidade como algo vergonhoso. Em 23% dos estudos os resultados apontam que foi identificado maneiras de aceitação da homossexualidade construídas por parte da família. Por fim, 15,4% dos resultados demonstraram que foi identificado modelos de funcionamento e ajustamento familiar que auxiliaram ou prejudicaram o processo de coming out.
Desse modo, a partir da leitura cuidadosa das pesquisas científicas selecionadas, foram construídas três categorias temáticas que serão mais bem exploradas na discussão logo abaixo. As categorias temáticas são: 1. O processo de coming out de jovens homossexuais no contexto familiar; 2. Manifestações familiares diante da descoberta da homossexualidade; 3. Implicações psicossociais de se assumir homossexual para a família.
O processo de coming out de jovens homossexuais no contexto familiar
O processo de assumir a orientação sexual passa, inicialmente, por um processo chamado de outness, que se refere a assumir a orientação sexual para si mesmo, seguido pelo coming out que se refere a revelar a orientação sexual aos outros do seu meio social. Esses processos configuram-se como um desafio para os sujeitos que pretendem revelar-se para a família, tendo em vista que tal processo é permeado pelo temor da rejeição por parte dos familiares e da sociedade, bem como por uma frustração que pode vir a aparecer na relação entre o indivíduo homossexual e sua família, por pensarem estar causando algum tipo de dano e não correspondendo às expectativas familiares (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018; Soliva & Silva, 2014; Souza, Nascimento, & Scorsolini-Comin, 20201).
Um dos estudos selecionados, ao apresentar os depoimentos dos participantes acerca dos sentimentos vivenciados antes do processo de coming out, evidenciou diversas dificuldades e emoções predominantemente negativas. Um dos entrevistados relata que, diante de suas primeiras experiências homossexuais: “não sabia lidar com isso, e aí foi tudo muito confuso e bem perturbador, era muito frustrado e muito inseguro”. Outro participante do mesmo estudo, enfrentou dificuldades em seu processo de autoaceitação, sendo necessário, inclusive, ressignificar a percepção negativa que inicialmente possuía sobre a homossexualidade (Souza, Nascimento, & Scorsolini-Comin, 2020, p. 6).
Depoimentos coletados em estudos de Soliva e Silva (2014) e Souza et al (2020) revelaram que a maneira inicial pela qual os indivíduos homossexuais se relacionaram com a sua homossexualidade foi através da vergonha e do silêncio, ademais, tendo em vista que a descoberta do desejo por alguém do mesmo sexo envolve uma gama de emoções, outros sentimentos negativos relatados por jovens homossexuais antes do coming out foram sofrimento, medo, culpa, frustação, insegurança, temor da rejeição e preconceito internalizado. Assim, para os sujeitos homossexuais, a experiência de ocultar a sua homossexualidade torna-se cada vez mais difícil e doloroso com o passar do tempo e, diante de tal sofrimento, potencializado pela impossibilidade de comunicar e compartilhar com os familiares emoções e experiências importantes (Oliveira, 2019), muitos jovens decidem pelo processo de coming out. Tal revelação pode se dar de forma espontânea pelo jovem homossexual, tendo em vista que muitos compreendem que estarão dividindo com os familiares um ‘’problema’’, saindo, portanto, do ocultamento (Soliva, & Silva, 2014). Entretanto, a ideia de revelar-se ou não envolve várias experiências emocionais intensas que devem ser ponderadas pelo indivíduo, como a questão do medo das consequências dessa revelação, o sofrimento em decorrência da manutenção do segredo, a coragem para assumir-se e etc (Oliveira, 2019).
O estudo de Soliva e Silva (2014) evidencia que, à medida que as certezas a respeito da homossexualidade são confirmadas pelos jovens, alguns utilizam do recurso do ‘‘namoro heterossexual’’ como uma estratégia de encobrimento da orientação sexual com a finalidade de amenizar as cobranças familiares a respeito de um namoro real ou aliviar as tensões vivenciadas no âmbito familiar quando esta desconfia da homossexualidade do indivíduo. Em contrapartida, alguns relatos de jovens homossexuais nas pesquisas de Oliveira (2019) e Rivas, Rocha, Orcasita e Rueda-Toro (2020) demonstraram que, o namoro com uma pessoa do mesmo sexo foi um fator que motivou o coming out para a família. Esse processo demonstrou-se, nas narrativas dos participantes, essencial para a formação de sua identidade e preparação para o momento de revelação para a família. Entretanto, embora a atitude de revelação seja entendida por muitos como um momento de emancipação e de solidificação de suas certezas em relação à homossexualidade, tal evento configura-se para outros como um momento de ‘‘confissão’’, buscando a afirmação familiar (Soliva & Silva, 2014).
A violência institucionalizada dentro do lar representa, portanto, uma ruptura no próprio conceito de família. Como destacam Barros & Coelho (2021), o fato de a violência partir de quem deveria oferecer cuidado agrava ainda mais o trauma, consolidando a casa como um espaço de ameaça, e não de refúgio. Esse ambiente opressor obriga jovens a esconderem sua sexualidade ou criarem mecanismos de sobrevivência, como o “namoro heterossexual” falso para evitar a pressão familiar (Soliva & Silva, 2014).
No entanto, nem todos os cenários são marcados exclusivamente pela rejeição. A pesquisa destaca que 23% das famílias iniciam um processo de aceitação, ainda que este ocorra de forma gradual e conflituosa. Pais que possuem informação prévia sobre diversidade sexual ou que já desconfiavam da homossexualidade dos filhos tendem a responder de forma mais empática. Há também evidências de que irmãos(as) frequentemente se tornam pilares de apoio, promovendo a manutenção de vínculos afetivos e, por vezes, funcionando como mediadores familiares (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2022).
Contudo, o apoio familiar não apenas contribui para a autoaceitação, como também atua como um importante fator de proteção psíquica. Segundo Mata et al. (2018), jovens que recebem apoio tendem a ter melhor saúde mental, vivenciar menos conflitos internos e desenvolver vínculos afetivos mais saudáveis. Em contrapartida, a ausência desse suporte afeta a convivência, a religiosidade, o bem-estar e a vida social (Campos & Guerra, 2016), criando um ciclo de exclusão que pode levar ao isolamento social e à marginalização.
Ao decidir pela revelação da sua orientação sexual à família, jovens esperam que a reação das mães seja de maior apoio do que a reação dos pais. De modo geral, as mães parecem aceitar a homossexualidade do filho com mais facilidade, enquanto os pais apresentam uma maior negação (Nascimento & ScorsoliniComin, 2018; Braga, Oliveira, Silva, Mello, & Silva, 2018), tendo em vista que esses pais se apresentam mais frios, afastados e violentos, com pouca ou nenhuma participação no cotidiano dos jovens após a revelação (Campos & Guerra, 2016; Nascimento & Scorsolini-Comin, 20222). Todavia, a pesquisa realizada por Jadwin-Cakmak, Pingel, Harper e Bauermeister (2014)3 apontou nas respostas de alguns participantes que a expectativa de que as mães iriam reagir melhor a revelação da homossexualidade nem sempre é uma realidade, tendo em vista que, durante a pesquisa, os pais foram descritos como essenciais no auxílio às mães para que elas passassem a aceitar melhor a orientação sexual dos filhos.
Dessa forma, tais resultados demonstram que, a realidade esmagadora revela o familiar paterno como mais distante e descrente frente à revelação da homossexualidade de um(a) filho(a). Entretanto, por mais que na grande maioria das vezes a mãe se apresente como a mais acolhedora e apoiadora dos processos de revelação de seus filhos, em algumas dinâmicas familiares essa pode ser uma expectativa frustrada, onde o pai acaba apresentando um papel fundamental no processo de acolhimento desses jovens. Logo, percebe-se que o processo de assimilação e aceitação por parte da família não é algo predeterminado pelo gênero dos pais e varia em função das dinâmicas familiares.
Dentre os fatores que contribuem para a não revelação da homossexualidade para a família, encontrase os comentários ‘‘antigays’’ propagados dentro do ambiente familiar pelos pais. Tais comentários trazem consigo valores sociais de uma masculinidade hegemônica, o que pode trazer apreensão e medos aos jovens gays que pretendem passar pelo processo de coming out no contexto familiar (Jadwin-Cakmak et al., 2014). Outras barreiras identificadas para a não revelação da atração pelo mesmo sexo em estudo de Rivas et al. (2020) foram, o medo da discriminação da sociedade, a personalidade dos pais e a cultura a qual o indivíduo se encontra inserido. Entretanto, os jovens gays apontaram que o apoio social foi um recurso positivo identificado que potencializou a decisão pelo coming out para os familiares.
Os estudos acima trouxeram barreiras identificadas por jovens gays frente ao processo de revelar sua orientação sexual para a família, todavia, nota-se a falta de exploração também das barreiras identificadas por jovens lésbicas diante do coming out para a família. Dessa maneira, assim como foi apontado nos resultados da presente pesquisa, os aspectos da homossexualidade masculina são mais contemplados nos artigos científicos do que os aspectos da homossexualidade feminina.
Os familiares são vistos como a maior estrutura para que jovens homossexuais possam revelar sua atração pelo mesmo sexo, diante de si e da sociedade (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018; Nascimento & Scorsolini-Comin, 2022). Os indivíduos homossexuais buscam serem acolhidos durante o processo de coming out, onde sua família é vista como uma possível fonte para acolhê-los, entretanto, quando o sujeito percebe a falta desse acolhimento no âmbito familiar, há um possível favorecimento para que ele permaneça ‘‘no armário’’. Assim, em muitos casos, diante da revelação da homossexualidade, a família pode passar a apresentar alguns problemas nas relações (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018).
Manifestações familiares diante da descoberta da homossexualidade
As manifestações familiares frente a descoberta da homossexualidade de um membro podem ser diversas. Estudo realizado por Jadwin-Cakmak et al. (2014) buscou conhecer a experiência de jovens homossexuais do sexo masculino no processo de assumir sua atração sexual pelo mesmo sexo ao pai. Os resultados desse estudo constataram que as narrativas dos indivíduos participantes revelaram que os pais passaram por uma gama de respostas que puderam ser divididas em categorias temáticas, sendo elas: rejeição imediata, negação, aceitação individual/rejeição do grupo, apoio sem aceitação total, aceitação ambivalente e aceitação imediata. Contudo, em alguns casos, os familiares tornaram-se mais receptivos com o passar do tempo, assim, esse evento pode ser entendido como uma ‘‘mudança de aceitação com o tempo’’ (Jadwin-Cakmak et al., 2014; Debella & Gaspodini, 2021).
Ainda sobre o estudo de Jadwin-Cakmak et al. (2014) realizado com jovens homossexuais do sexo masculino, os participantes relataram que a resposta emitida pelo pai a respeito da revelação foi diferente da expectativa, pois muitos cresceram ouvindo discursos homofóbicos vindo do ente paterno. Logo, as respostas positivas proveniente do mesmo trouxe uma certa surpresa, pois havia nesses jovens uma crença de que as mães aceitam melhor os filhos gays do que os pais. Em contrapartida, o estudo de Rivas et al. (2020) mostrou que a expectativa dos jovens homossexuais frente a revelação da homossexualidade para a família era de ser aceito e receber apoio, tendo em vista a boa relação que já mantinham com ela.
É possível notar que a maneira como os jovens observavam a dinâmica familiar ao longo de seu desenvolvimento contribuiu para o surgimento de expectativas a respeito da possível reação de seus pais. Logo, o fato de crescerem ouvindo narrativas homofóbicas em seu contexto familiar colaborou para o surgimento de uma expectativa pessimista quanto às manifestações que a família poderia vir a ter, enquanto jovens que já mantinham uma relação de apoio com seus familiares construíram expectativas mais otimistas a respeito do processo de coming out no âmbito familiar.
Em relação aos eventos que influenciam a resposta (negativa ou positiva) do pai em relação ao coming out de seus filhos, a pesquisa de Jadwin-Cakmak et al. (2014) trouxe nas narrativas dos participantes que a masculinidade hegemônica, normas de gênero, as crenças desses pais relacionado a homossexualidade, visões acerca da religião, sociopolíticas e as preocupações com o HIV/AIDS influenciaram as respostas desses pais em relação a revelação da atração sexual pelo mesmo sexo. Outros fatores que influenciam a reação dos familiares diante da revelação da homossexualidade são: a preocupação com a segurança do jovem, em decorrência da discriminação existente na sociedade, medo com relação a ISTs (Rivas et al., 2020), preconceito em relação a diversidade sexual, vergonha frente a sociedade, desconhecimento a respeito do tema, as diferenças geracionais e expectativas em relação ao futuro dos(as) filhos(as) (Debella & Gaspodini, 2021).
Agressões, ameaças e outras maneiras de violência apontam a intolerância, medos e frustrações das famílias diante da experiência de revelação de um filho(a) homossexual. Ademais, tais medos vivenciados por esses familiares estão intimamente ligados ao fato de que os projetos que pressupõem a constituição de uma família tradicional pensados por essa família para o indivíduo homossexual foram rompidos. Assim, os planos como, casamento, netos e continuidade familiar passam a ser ameaçados, o que acaba por desencadear conflitos entre indivíduo homossexual e família, tornando o âmbito familiar um espaço marcado por receios, medos e incertezas para esses jovens (Soliva & Silva, 2014; Mata, Silva, Domingos, Jesus, & Merighi, 2018; Nascimento & Scorsolini-Comin, 2022). Além disso, outras manifestações negativas e agressivas comuns do contexto familiar diante do coming out de jovens homossexuais são: rejeição, repressão, atitudes de homofobia, controle social, vigilância, perseguição, expulsão do ambiente familiar (Braga et al., 2018), ameaça, chantagem, ofensa, proibições, agressões verbais, julgamentos morais e religiosos (Mata et al., 2018), silenciamento (Oliveira & Barreto, 20194; Rivas et al., 2020), fazer piadas (Oliveira & Barreto, 2019), sentimento de vergonha pela orientação do membro homossexual (Oliveira, 2019), decepção e afastamento (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2022).
As entrevistas coletadas no estudo de Soliva e Silva (2014) sugerem que a violência que permeia o ambiente familiar durante o processo de coming out se manifesta em diferentes fases, passando, inicialmente, por um momento mais nebuloso, chamado de ‘‘período de desconfiança’’ e, em seguida, para a ‘‘descoberta da homossexualidade’’ em si. É durante a última fase que ocorrem maneiras dramáticas de expurgação, podendo passar por violências, reconciliação ou até mesmo a saída da casa dos pais de maneira definitiva. O estudo realizado por Campos e Guerra (2016) demonstrou que as famílias de alguns jovens entrevistados também passaram por um processo de desconfiança prévia, entretanto, foi nesse período de desconfiança que os jovens homossexuais perceberam mudanças de comportamentos vindo dos pais e um certo distanciamento familiar. Nesse caso, nota-se que não foi necessário chegar a ‘‘descoberta da homossexualidade’’ em si para que as mudanças e desajustes familiares ocorressem.
Soliva e Silva (2014) apontam em seu estudo que a descoberta da homossexualidade provoca nos familiares sentimentos de difícil compreensão juntamente com medo e culpa. Assim, manifestações violentas como tapas, socos, xingamentos, recriminações e ameaças são entendidas pela família como uma tentativa de trazer o indivíduo homossexual de volta a uma normalidade “rompida’’. Os autores salientam que os pais apresentam, então, um sentimento de culpa baseado na ideia de que poderiam ter percebido a homossexualidade antes. Ademais, o sentimento de vergonha aparece como uma reação bastante comum que modela a relação com os jovens homossexuais.
As manifestações negativas dos pais com relação ao coming out de seus filhos são influenciadas por uma estrutura familiar rígida, onde a família é incapaz de enfrentar situações estressantes, tampouco dar origem a um ambiente familiar apoiador em que o jovem homossexual experimentaria aceitação e tolerância. Tais reações negativas também eleva os níveis de um estigma sexual internalizado, o que provoca um sentimento de inadequação na juventude (Baiocco et al., 2015).
Por mais que a violência e a intolerância sejam, infelizmente, reações comuns por parte do contexto familiar diante da descoberta da homossexualidade, outros relatos revelam manifestações de solidariedade e reciprocidade por parte de alguns membros da família. Assim, os estudos de Soliva e Silva (2014) e Nascimento e Scorsolini-Comin (2022) apontam que muitos jovens homossexuais que passaram pelo processo de coming out encontraram conforto e segurança em suas relações com irmãos e irmãs, tendo em vista que estes foram responsáveis por manter os vínculos de respeito e ajuda mútua entre esses jovens e a família. Além disso, os estudos de Campos e Guerra (2016) e Souza et al. (2020) mostraram que algumas famílias, a partir do coming out de um dos membros, buscou uma reestruturação, de modo a ajustar a dinâmica familiar a fim de promover maior bem-estar e apoio a esses jovens.
Estudo realizado por Debella e Gaspodini (2021) evidenciou que o processo de aceitação do coming out de jovens homossexuais, em alguns contextos familiares, se deu de forma imediata, não gerando conflitos, desconfortos ou sofrimento, sendo esse processo de aceitação potencializado em decorrência da prévia percepção dos pais a respeito da homossexualidade do filho(a) homossexual, bem como pelo conhecimento de informações a respeito da diversidade sexual. Em outros contextos, o processo de aceitação ocorreu de maneira mais conturbada, tendo como influenciadores a culpa, a falta de informação dos pais e a esperança de que a homossexualidade fosse apenas uma fase. Entretanto, nesses contextos de aceitação conturbada, o resgate dos laços familiares e a aceitação apareceram ao longo do tempo.
Os grupos familiares que seguem dogmas religiosos buscam algum tipo de amparo nessas religiões numa tentativa de encontrar alento para sua angústia e fazer com que o filho(a) homossexual retorne ao caminho entendido por eles como o correto, o caminho da heterossexualidade, podendo acirrar ainda mais os conflitos entre família e o membro homossexual (Soliva & Silva, 2014; Mata et al., 2018). Em estudo realizado por Oliveira e Barreto (2019) jovens apontaram que, após a descoberta da homossexualidade, os pais os orientaram a procurarem igrejas para passarem por um processo de ‘‘terapia religiosa para cura da homossexualidade’’. Segundo estudo realizado por Campos e Guerra (2016), os homossexuais entrevistados que não dispõem de apoio familiar, relataram que a religião dos pais é o fator principal que acarreta a falta de apoio. Dessa forma, os dogmas religiosos católico e evangélicos apareceram nos discursos de alguns entrevistados como sendo influenciadores diretos da falta de apoio dos familiares que professam essas religiões.
Entretanto, a religião pode ser analisada também como um fator de proteção e acolhimento em alguns casos. Algumas mães identificaram o amor pelos filhos e a religião como um facilitador para entender o processo de coming out do ente homossexual (Rivas, et al., 2020). Além disso, alguns dos homossexuais entrevistados por Campos e Guerra (2016) que possuem o apoio familiar, relataram uma influência positiva do kardecismo e da umbanda no processo de revelarem sua orientação sexual para a família.
Os resultados acima sobre a influência da religião no processo de coming out demonstram as religiões cristãs, especialmente a católica e as religiões do seguimento neopentecostal, como sendo mais intolerantes em relação aos aspectos da homossexualidade, o que faz com que pessoas gays e lésbicas tenham que se encaixar em uma norma social heteronormativa cristã que impede a prática da homossexualidade e a toma como um desvio ou pecado. As tentativas de cura da homossexualidade por intermédio de terapias religiosas oferecidas em igrejas demonstram a falta de consideração e respeito pela diversidade sexual humana, dessa forma, sujeitos gays e lésbicas que passam por esse tipo de violência tem sua individualidade e subjetividade aviltada em nome de uma fé religiosa cristã que, por vezes, reduz o indivíduo a sua sexualidade, buscando encaixá-lo numa ótica heterossexual compulsória.
Além das questões familiares, a cultura religiosa representa uma variável de alto impacto. Enquanto jovens cujos pais professam religiões como o espiritismo ou a umbanda relatam maior aceitação, outros vivenciam experiências de tentativas de “cura gay” através de terapias religiosas impostas por pais evangélicos ou católicos conservadores (Oliveira & Barreto, 2019). Essas práticas não apenas violentam a identidade do jovem, mas também configuram violação de direitos humanos.
É importante observar que a homossexualidade feminina continua sendo sub-representação na literatura. A maioria dos estudos revisados focaliza a experiência de homens gays, deixando lacunas importantes sobre as experiências vividas por lésbicas. Tal desigualdade de abordagem aponta para a necessidade urgente de ampliação das pesquisas, especialmente considerando o contexto machista e bifóbico que muitas mulheres enfrentam, inclusive dentro de suas próprias casas.
Implicações psicossociais de se assumir homossexual para a família
O processo de coming out envolve um desgaste emocional imenso, tanto para o indivíduo homossexual que faz a revelação quanto para a família que recebe a informação. Muitas famílias, diante da revelação da homossexualidade de seus membros, podem apresentar alguns problemas em suas relações. Tais problemas podem ser frustrantes para o jovem homossexual que passa pelo processo de coming out, tendo em vista que o impacto das reações familiares os afeta profundamente, pois estes entes não conseguem tornar o ambiente familiar acolhedor, como seria o esperado pelos jovens homossexuais (Nascimento & ScorsoliniComin, 2018). A mesma pesquisa constatou que houve um fortalecimento dos laços familiares nas famílias onde a notícia da revelação foi acolhida de bom grado, havendo também um menor risco de conflitos tanto internos quanto externos. (Nascimento & Scorsolini-Comin, 2018). Outro estudo de Souza et al. (2020) demonstrou que o coming out trouxe sensação de liberdade para alguns dos participantes entrevistados, tendo em vista que não precisavam mais assumir identidades que não estavam de acordo com o que realmente são.
Tendo em vista que a família tende a não ser uma instituição elástica em face da descoberta da homossexualidade de algum membro, a violência pode passar a ser empregada de maneira a lidar com essa questão. Dessa maneira, as agressões dentro dos lares por parte dos familiares atingem os indivíduos homossexuais, provocando dor e trazendo angústia pelo fato do agressor ser alguém com quem mantém uma relação próxima. A homofobia latente protagonizada pelos pais através da violência (física e psicológica) reflete o rompimento dos vínculos familiares, o que provoca diversas e intensas situações hostis dentro do ambiente familiar, capaz de trazer danos emocionais ao longo da vida, marcas profundas na subjetividade, dificuldades na inserção social desses jovens (Soliva & Silva, 2014; Nascimento & Scorsolini-Comin, 2022) e prejuízos ao desenvolvimento psicossocial dos jovens homossexuais (Braga et al., 2018).
Soliva e Silva (2014) realizaram uma pesquisa com 20 jovens brasileiros do sexo masculino, com idades entre 18 e 24 anos, na qual foi observada a presença recorrente da violência na trajetória de vida da maioria dos entrevistados. Os dados indicam que jovens gays e lésbicas figuram como as principais vítimas de atos violentos, especialmente de agressões físicas. Um dos relatos desse estudo exemplifica essa violência: um participante narra que seu pai lhe deu um soco nas costas ao descobrir que o filho mantinha encontros com outros rapazes. Tal relato evidencia a frequência com que alguns familiares, ao tomarem conhecimento da orientação sexual dos filhos, se tornam agentes de violência física.
A violência psicológica sofrida por jovens homossexuais frente a revelação da homossexualidade associa-se com uma série de dificuldades a qual tendem a enfrentar em seu cotidiano, sendo elas: problemas na saúde mental e qualidade de vida, o que acaba por potencializar possíveis ideações e tentativas de suicídio (Braga et al., 2018); isolamento social; baixo rendimento na escola e rebaixamento da autoestima (Soliva & Silva, 2014). Tais dificuldades apresentadas por esses jovens são capazes de colocá-los mais vulneráveis a situações como uso de drogas e ter relações sexuais sem prevenção. Ademais, a violência familiar pode vir acompanhada de interdições, sendo esta principalmente relacionada à ordem econômica, onde os pais tentam manter um controle social sobre seus filhos e sua orientação sexual por meio da suspensão de um suporte financeiro, tendo em vista que essas jovens dependem economicamente dos pais, o que pode acabar potencializando as tensões e silêncios nas relações familiares (Soliva & Silva, 2014; Oliveira & Barreto, 2019; Souza et al., 2020).
Soliva e Silva (2014) apontam em seu estudo que a violência psicológica foi uma ocorrência recorrente entre os participantes, manifestando-se de diversas formas. Um exemplo é o relato de um jovem de 23 anos, que declarou ter sido submetido, por parte dos pais, à inculcação de diversos medos, como por exemplo o temor de contrair HIV ou de sofrer agressões físicas por parte de vizinhos e amigos. Segundo o participante, essas atitudes funcionavam como uma espécie de repressão, com o objetivo de inibir o desenvolvimento natural de sua sexualidade.
Pesquisa realizada por Baiocco et al. (2016) demonstrou que baixos níveis de coesão e um funcionamento familiar rígido impactam diretamente os jovens, o que sugere que a falta de apoio familiar provoca nos jovens homossexuais sentimento de rejeição vindo dos pais. Desse modo, respostas negativas da família em relação ao coming out de jovens homossexuais influenciam para que tais jovens apresentem níveis elevados de estigma sexual internalizado, bem como impacta negativamente a saúde psicológica e social desse indivíduo, o que compromete a autoestima e os relacionamentos saudáveis futuros que esse jovem venha a desenvolver. Estudo de Campos e Guerra (2016) reforça esses dados e salientam que os jovens homossexuais que não possuem apoio familiar relataram um menor bem-estar, convivência familiar ruim, problemas com a religiosidade, insatisfação com a vida pessoal, falta de afetividade, afastamento familiar e dificuldades com relações sociais. Em contrapartida, o apoio social da família opera como influenciador na autoaceitação de jovens homossexuais (Mata et al., 2018), bem como na diminuição dos efeitos negativos na saúde mental, apresentando-se como um fator de proteção, além de proporcionar aos jovens uma vivência menos fragmentada da própria sexualidade e promover uma maior proximidade entre a família (Souza et al., 2020). O apoio familiar também se configura como fator importante no bem-estar, convivência familiar e religiosidade dos indivíduos homossexuais (Campos & Guerra, 2016).
Dessa maneira, levando em consideração os resultados que trazem a reação negativa e falta de apoio dos pais como um fator capaz de potencializar os prejuízos psicológicos e sociais no desenvolvimento de jovens homossexuais, nota-se que, em alguns casos, o afastamento familiar pode configurar-se como forma de proteção para o bem-estar de homossexuais (gays e lésbicas), tendo em vista a busca por uma diminuição dos efeitos negativos dessa falta de apoio na saúde mental e convívio social do jovem homossexual.
Diante dos resultados de sua revisão de literatura, Nascimento e Scorsolini-Comin (2018) salientam que a aceitação por parte dos familiares diante da revelação da homossexualidade pode não acontecer, portanto, mesmo diante dessa realidade, cabe aos indivíduos homossexuais (gays e lésbicas) lidarem com sua orientação sexual e com as manifestações familiares de modo a não anularem a si mesmos, o que pode ser um processo difícil, tendo em vista a eclosão de desgastes físicos e emocionais frente à situação enfrentada.
Assim, da mesma forma que o coming out é um processo difícil de ser elaborado pela família, a revelação da orientação sexual também é complicada para o sujeito homossexual, logo, trata-se de um processo que necessita de um tempo para reflexão, onde a busca por compreensão deve partir de ambos os lados com a finalidade de retornar a um ajustamento e dinâmica familiar que proporcione segurança e acolhimento a todo o conjunto familiar.
Por fim, faz-se necessário apontar após a análise dos artigos, a relevância dos autores Nascimento e Scorsolini-Comin para o tema estudado, tendo em vista que os autores publicaram três artigos referente ao processo de coming out de homossexuais no contexto familiar nos últimos anos (2018, 2020 e 2022), sendo os três artigos apontados em todas as categorias da presente pesquisa. Dessa forma, os autores apresentamse como referência sobre o tema estudado, considerando o comprometimento deles nas suas produções sobre o assunto.
Considerações finais
O intuito principal da presente pesquisa foi investigar como o contexto familiar influencia o processo de coming out de jovens homossexuais, considerando que essa população atravessa diversas barreiras em seu cotidiano potencializadas pelo preconceito e a não aceitação da diversidade sexual na sociedade vigente, desde a revelação da homossexualidade para si mesmo (outness) até o processo de revelar-se para indivíduos do seu meio social (coming out). Os objetivos da pesquisa foram alcançados à medida que foram sendo retratados nas categorias temáticas do estudo.
Foi possível observar que o processo de assumir a orientação sexual para a família é permeado por questões emocionais, sendo que o medo da rejeição e a frustração em decorrência do pensamento de estar provocando mal à família apareceram como pontos centrais que acabam por adiar a decisão de revelarse para a família, provocando no jovem um posicionamento de vergonha, silenciamento e preconceito internalizado frente a sua homossexualidade, o que acaba por desencadear sofrimentos. Em relação às expectativas desses jovens, havia uma crença de que as mães lidam melhor com a homossexualidade do que o ente paterno, entretanto, os estudos demonstraram que em algumas dinâmicas familiares, a expectativa de acolhimento por parte da mãe acabou sendo frustrada, logo, o processo de aceitação não é predeterminado pelo gênero dos pais, podendo variar de família para família. Ademais, comentários homofóbicos, medo de sofrerem preconceito, personalidade dos pais e a cultura vigente foram apontados como fatores que influenciam para a não revelação da homossexualidade na família. Dessa forma, entende-se que a maneira como esses jovens observavam sua realidade de desenvolvimento contribuíram para um ocultamento de sua homossexualidade.
Com relação às manifestações familiares frente ao processo de descoberta da homossexualidade de um membro, foi possível notar que as reações violentas, agressivas e de negação aparecem como mais comuns em detrimento das reações de aceitação. Os resultados apontaram que as manifestações familiares negativas estão atravessadas por uma hegemonia heterossexual, pelas normas de gênero, preocupações com ISTs, a preocupação com a segurança do jovem, preconceitos em relação às diversidades, diferenças geracionais e visões acerca da religião. Nota-se que a falta de apoio familiar diante da revelação da homossexualidade é capaz de atingir o jovem em sua dimensão psicossocial, implicando no comprometimento de sua qualidade de vida e seu desenvolvimento saudável, podendo, inclusive, potencializar possíveis ideações e tentativas de suicídio, isolamento social, baixo rendimento escolar, baixa autoestima e, não menos importante, colocálos em situações de vulnerabilidades.
Entretanto, as manifestações positivas da família, pouco demonstrada nos estudos, são principalmente observadas entre os irmãos(ãs), sendo estes a maior fonte de acolhimento encontrada por jovens homossexuais na família. As reações positivas relacionam-se com a pré-existência de uma dinâmica familiar acolhedora, onde a família já apresentava respeito e conhecimento pelas diversidades sexuais, bem como já havia uma prévia percepção a respeito da homossexualidade do ente familiar. Assim, a literatura apontou que o apoio familiar é capaz de proporcionar segurança, acolhimento, fortalecimento dos laços familiares, bem-estar, melhor saúde mental e auxiliar na autoaceitação da homossexualidade. Logo, o apoio familiar configura-se como essencial para a qualidade e vida do indivíduo homossexual.
Foram observados como limitações do estudo, inicialmente, a carência em relação ao tema, onde a prevalência de estudos que abordam a revelação da orientação sexual para a família é escassa e, igualmente limitadora, há certa carência de pesquisas que abordem somente a juventude no processo de coming out, levando em consideração que a revelação da atração pelo mesmo sexo tem ocorrido cada vez mais cedo. Há também o fato de a homossexualidade masculina ser mais bem retratada do que a homossexualidade feminina, considerando que a maioria esmagadora dos artigos trouxeram mais amostras de homens gays em detrimento de mulheres lésbicas. Assim, é notório a falta de exploração do universo lésbico em pesquisas que envolvem assumir a orientação sexual para os membros familiares, sendo necessário mais investigações que abarque melhor o processo de coming out de mulheres lésbicas em tal contexto.
Sugere-se que os estudos futuros avancem na compreensão de como o contexto familiar pode influenciar a revelação da homossexualidade, tanto em moldes positivos quanto negativos e no entendimento dos fatores que influenciam para que esses jovens se mantenham no ocultamento. Ademais, é indispensável o avanço em mais estudos que tragam a percepção dos familiares frente ao processo de coming out de algum membro, considerando a importância de serem analisadas as narrativas e sentimentos desses familiares, principalmente o familiar paterno, pois estes demonstraram, nos estudos selecionados, grande negação em divulgar seus sentimentos e percepções a respeito da homossexualidade de seus(as) filhos(as), bem como uma recusa em participar das pesquisas.
Por fim, entende-se como necessário o delineamento de estratégias que possam contribuir para a promoção da saúde desses indivíduos. Nesse sentido, partindo dos resultados encontrados no atual estudo que demonstram um grande índice de violência por parte dos familiares contra os jovens homossexuais diante da revelação da homossexualidade, políticas públicas devem ser incentivadas com o propósito de dar atenção às demandas relacionadas ao coming out desse público, proteger esses jovens das manifestações violentas devido a intolerância à diversidade sexual e promover saúde, bem-estar, qualidade de vida e apoio a esses indivíduos. Outrossim, considerando que o processo de coming out está atravessado por questões de ordens emocionais e sociais, faz-se necessário que o delineamento dessas políticas públicas englobe um acolhimento tanto para os homossexuais quanto para suas respectivas famílias, auxiliando na construção de uma dinâmica familiar mais harmoniosa e de suporte, tendo em vista que o apoio familiar foi considerado como um aspecto essencial para a qualidade de vida desses jovens.














