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Revista do NUFEN

versión On-line ISSN 2175-2591

Rev. NUFEN vol.17 no.spe1 Belém  2025  Epub 19-Dic-2025

https://doi.org/10.26823/rnufen.v17i1.26053 

Artigos

Redes de proteção: de qual proteção em rede os jovens universitários precisam? Dos sofrimentos psíquicos ao ato suicida na contemporaneidade

Protection nets: what kind of protection networks do young university students need? From psychological suffering to suicidal acts in contemporary times

Redes de protección: ¿qué protección de red necesitan los jóvenes universitarios? Del sufrimiento psicológico a los actos suicidas en la época contemporánea

Jucélia Pereira Flexa1 
http://orcid.org/0009-0002-2413-6255

Károl Veiga Cabral2 
http://orcid.org/0000-0001-5678-7859

1Psicóloga, na Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará e Universidade Federal do Pará. Doutoranda em psicologia na Universidade Federal do Pará. Instituição: Universidade Federal do Pará

2Psicóloga. Pós doutora pelo programa de psicologia da Universidade Federal do Pará. Doutora em Antropologia pela Universitat Rovira i Virgili (URV), validado nacionalmente como doutora em saúde coletiva pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professora adjunta do Instituto de Ciências da Saúde da UFPA / docente programa de pós-graduação em psicologia de UFPA Instituição: Universidade Federal do Pará


Resumo

Este tema surgiu a partir da instalação de redes de segurança entre os andares de um prédio de salas de aula da Universidade Federal do Pará, com o intuito de prevenir casos de suicídio. O objetivo deste artigo é refletir para além dessas redes, que outras redes de cuidados em saúde mental podem ser consideradas. Trata-se de uma pesquisa etnográfica, com estudantes participantes da pesquisa “O mal-estar social e a busca pelo bem viver”, realizada desde 2023. Os resultados e discussões apontam para as fragilidades no suporte e escuta às demandas desses universitários, evidenciando que as redes não podem se restringir ao modelo assistencial hegemônico, mas que devem visar a ampliação de redes de promoção e apoio de baixa exigência envolvendo estudantes, professores, técnicos e gestores da universidade apostando em tecnologias leves de cuidado.

Palavras-chave: saúde mental; universidade; jovens; suicídio; redes de apoio

Abstract

This theme arose from the installation of safety nets between the floors of a classroom building at the Federal University of Pará, with the aim of preventing suicide cases. The objective of this article is to reflect beyond these networks, which other mental health care networks can be considered. This is an ethnographic study, with students participating in the research “Social unrest and the search for good living”, carried out since 2023. The results and discussions point to the weaknesses in the support and listening to the demands of these university students, evidencing that the networks cannot be restricted to the hegemonic care model, but that they should aim to expand low-demand promotion and support networks involving students, professors, technicians and university managers, investing in light care technologies.

Keywords: mental health; university; young people; suicide; support networks

Resumen

Este tema surgió a partir de la instalación de redes de seguridad entre los pisos de un aulario de la Universidad Federal de Pará, con el fin de prevenir casos de suicidio. El objetivo de este artículo es reflexionar, más allá de estas redes, sobre qué otras redes de atención a la salud mental pueden considerarse. Se trata de un estudio etnográfico con estudiantes que participan en la investigación «Conflicto social y la búsqueda del buen vivir», realizada desde 2023. Los resultados y las discusiones señalan las debilidades en el apoyo y la atención a las demandas de estos estudiantes universitarios, lo que evidencia que las redes no pueden limitarse al modelo de atención hegemónico, sino que deben aspirar a expandir las redes de promoción y apoyo de baja demanda que involucran a estudiantes, profesores, técnicos y gestores universitarios, invirtiendo en tecnologías de atención ligeras.

Palabras clave: salud mental; universidad; jóvenes; suicidio; redes de apoyo

Introdução

O prédio do Mirante do Rio, uma construção destinada a aulas da Universidade Federal do Pará (UFPA) desde fevereiro de 2017, oferece uma bela vista da paisagem circundante e do Rio Guamá, a partir de seus andares superiores. Sobressai-se por ser um dos poucos prédios verticais que compõem o campus de Belém. Possui quatro andares, onde há frequente circulação de estudantes entre suas rotinas de aula, além de áreas em comum com bancos, mesas e cadeiras disponíveis no térreo e em cada um dos seus andares. Até o início do ano de 2024, não fazia parte deste cenário as redes de proteção de náilon que foram instaladas entre os vãos dos andares.

A adoção dessa medida de instalação das redes de segurança foi motivada pela preocupação dos serviços que atendem os estudantes na área da saúde mental na UFPA, uma vez que o Mirante passou a ser visto como um possível local para realização do ato suicida. Em Belém, espaços públicos como shopping centers ficaram notabilizados pela ocorrência de eventos dessa natureza. Situações que se espalham rapidamente pelas redes sociais, despertam a atenção e preocupação da comunidade, especialmente pelo número de casos registrados em um curto espaço de tempo em um local público de grande fluxo como o shopping. Além disso, levantam indagações sobre a motivação dessa pessoa para realizar tal ato, que desesperança ou desespero resultaram a não ver mais sentido em continuar vivendo. Frente a essas ocorrências, esses locais passaram a ser cobrados a criar medidas de proteção evitando que tragédias assim se repetissem. Como resultado da pressão sofrida pelos espaços comerciais, foram adotadas as redes de proteção nas áreas de vãos dos andares e um desses shoppings abriu também um espaço de acolhimento psicossocial, visando produzir alguma resposta a prática. Também foi o alerta dos serviços de saúde mental da Universidade que geraram a adoção das redes de proteção do Mirante do Rio, uma vez que a arquitetura do prédio é semelhante a destas áreas comerciais.

A mobilização da Universidade para a adoção das redes de proteção, nos leva a refletir sobre o entorno acadêmico. Os contextos vivenciados no dia a dia no atendimento a discentes na UFPA e o agravante do ato do suicídio e seus impactos, tabus e silenciamentos na comunidade acadêmica e que outras redes de cuidado, não só as de segurança instaladas nos vãos da construção, são imprescindíveis para melhor lidar com essas questões na Universidade. Abre-se uma brecha para debater a saúde mental dos discentes e os mecanismos de proteção disponíveis para amparar nossos discentes. Que redes de proteção são ofertadas na UFPA para os discentes?

Considerado um marco relevante na vida de um estudante, a entrada no ensino superior em geral é cercada de expectativas e por vezes de diversas mudanças na vida dos alunos. Alguns estudantes precisam deixar suas famílias e comunidades para residirem em outro município, para assim ter acesso ao curso superior desejado, sendo esta uma realidade muito presente nos estudantes da UFPA. E essa adaptação a nova vida social aliada às exigências acadêmicas têm se mostrado como um dos fatores que contribuem para o aumento do sofrimento mental entre os universitários (Carneiro, Soares e Souza, 2021; Garner & Cerqueira, 2019).

Questões sobre a saúde mental dos universitários têm sido assim amplamente abordadas em pesquisas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2024) 35% dos estudantes do ensino superior apresentavam problemas relativos à sua saúde mental. Já entre o período de 2022-2023 nos Estados Unidos 41% apresentaram quadros de depressão e na Espanha, em pesquisa realizada com 1,7 milhão de estudantes, 1 a cada 3 estudantes tiveram problemas de saúde mental nos últimos 12 meses (Moreira, 2024). No Brasil, pesquisa realizada com universitários em todo o país (Fonaprace/Andifes 2019), revelou dados significativos como desânimo e desmotivação (45,6%), solidão (23,5%), insônia/alterações de sono (32,7%), tristeza persistente (22,9%) e ideias de morte (10,8%) entre universitários. Outras pesquisas também com estudantes do ensino superior corroboram com esses dados apontando aumento de quadros de ansiedade, crises de pânico e depressão (Padovani et al., 2014; Arino e Bardagi,2018; Costa e Nebel, 2018).

Diante desse quadro, a preocupação nas universidades sobre o suicídio alinham-se com os dados de pesquisas que o apontam como a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, com múltiplos fatores, com determinantes individuais e coletivos, como os biológicos, psíquicos, sociais, culturais e ambientais, dos quais 73% dos registros de suicídio encontram-se em países com baixa e média renda (OMS, 2025). No boletim epidemiológico “Panorama dos Suicídios e Lesões Autoprovocadas no Brasil de 2010 a 2021” (Brasil, 2024), em 2019, foram registrados 15.507 casos de suicídio, ou seja, uma morte a cada 34 minutos, com predominância de 77% do sexo masculino, sendo a terceira principal causa de morte entre as faixas etárias de 15 a 19 e a quarta de 20 a 29 anos. Embora não figure entre os estados com maiores índices de casos, o Pará encontra-se com maior incremento percentual de casos de suicídio, com 72 %, ou seja, há um crescimento expressivo de casos, se comparado com os índices dos outros estados brasileiros.

Com a crescente visibilidade do suicídio mundialmente, este passou a integrar a chamada agenda colorida da saúde, sendo o “setembro amarelo” dedicado a esta questão. A Organização Panamericana de Saúde (OPAS, 2024) considera que o suicídio ainda gera uma narrativa estigmatizante e propõe uma cultura de apoio e compreensão, e apresentou como campanha de prevenção ao suicídio referente ao período 20242026, o lema “Mudar a narrativa”. Tema complexo, multifatorial e cercado de tabus, que demandam ampliar as discussões e refletir sobre os contextos do viver e o morrer na contemporaneidade, as relações sociais, e de como estamos realmente alcançando principalmente os jovens, em nossas narrativas e escutando suas necessidades diante do panorama atual, além do questionamento sobre as ofertas de suporte ofertadas.

Metodologia

Este escrito faz parte da pesquisa “O mal-estar do laço social e busca pelo bem viver” (Cabral, 2022), que conta com a parceria da Pro Reitoria de Assistência e Acessibilidade Estudantil (PROAES). O projeto “O mal-estar do laço social e busca do bem viver” tem por objetivo criar espaço para o discurso das pessoas, neste caso os discentes, sobre o processo de sofrimento e conhecer as reais condições de enfrentamento do mal-estar cotidiano das populações acompanhadas, bem como pensar estratégias conjuntas na busca de um bem viver. Instituir espaços de reflexão, de práticas de autocuidado, de compartilhamento de experiências, de utilização de metodologias de cuidado através especialmente, de rodas de conversa, como uma das estratégias possíveis para enfrentar o mal-estar. A proposta é através da constituição de um grupo múltiplo, colocar em movimento a reflexão acerca daquilo que produz sofrimento buscando na coletividade produzir saídas na busca de um bem viver e apostando na estratégia da educação permanente e na coletividade como forma de produzir ancoragem para atravessar as adversidades da vida contemporânea, mas também para evitar a patologização e a medicalização da vida.

A metodologia utilizada é a etnografia, pois permite uma intervenção horizontal e que coloca em circulação as narrativas dos próprios informantes, ou seja, o discurso dos discentes. O projeto pode ser acessado por qualquer estudante da UFPA e as inscrições para as rodas de conversa podem ser feitas virtualmente (Qrcod) nos horários disponibilizados na plataforma. Tal como proposto na pesquisa etnográfica, o material coletado foi interpretado, agrupado de acordo com as temáticas, analisado associando aos achados com as referências e teorias vigentes. Para fins de dados para compor neste artigo, foram utilizados relatos ocorridos em 3 rodas de conversa com 23 discentes, realizadas pelo projeto nos meses de setembro e novembro de 2023. O público-alvo desta pesquisa foram discentes matriculados na Universidade Federal do Pará, na faixa de idade de 17 anos a 24 anos. A pesquisa está registrada e aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), conforme as Resoluções 466/2012 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), com protocolo n° 6.186.452.

Suicídio, subjetividade e sofrimento na contemporaneidade

O tema do suicídio encontra-se em várias áreas de conhecimento como a psicologia, biologia, antropologia, filosofia, religião, história, economia, estatística, direito, direito, sociologia, entre outras. Isso se deve a multiplicidade de fatores que influenciam no ato e as diferentes disciplinas que tentam entender os motivos pelos quais as pessoas consideram tirarem suas próprias vidas (Cassorla, 2010). Renomados teóricos, como Émile Durkheim e Sigmund Freud, deixaram materiais de referência em cada uma de suas especialidades no que se refere a vida em sociedade, dos processos de vida e morte.

Em Durkheim (1897/2000) encontra-se uma investigação cientifica acerca do suicídio em que busca demonstrar as causas sociais, e sua relevância se demonstra ao deslocar esse tema do campo da psicologia, do processo individual para o da coletividade, quebrando estigmas que associam o suicídio à loucura. Seu estudo bem detalhado, faz um longo levantamento nas principais cidade europeias sobre os casos de suicídio, relacionando a vários fatores que o direcionam a causas sociais.

Considerando contextualizar as causas para o suicídio, Durkheim (1897/2000) descreveu três tipos de suicídio: o egoísta, em que a pessoa se afasta do seu convívio social, e no qual a relação entre o indivíduo e a sociedade fica enfraquecida e assim uma perda do sentido da vida; o anômico, que seria uma descrença nos valores, regras e normas sociais, que ao gerar um caos social, principalmente diante das crises econômicas, as pessoas perdem também o sentido de viver; e o suicídio altruísta, que está relacionado a uma causa, em que a pessoa supõe estar fazendo algo em prol do que seria nobre, justo, ideal. Nesse seu estudo então se percebe duas facetas, do excesso de identificação a essa sociedade ou de uma individuação extrema. Assim, o autor considera que o homem se mata quando está desligado da sociedade, mas também se mata por estar demasiadamente integrado a ela.

Sigmund Freud, médico neurologista que desenvolveu a teoria psicanalítica, viveu em um período crítico também da sociedade, com os conflitos e eclosão da primeira e segunda grandes guerras mundiais e deixou materiais relevantes sobre a psique humana, e das questões do homem em sua inquietação sobre o sentido da vida. Em seus estudos sobre as pulsões (Trieb), que desempenha um conceito norteador em sua metapsicologia, pode-se tirar alguns de pontos reflexões. Por pulsão entende-se um conceito situado entre o somático e o psíquico, e que teríamos acesso somente por seus representantes. Entre dois grupos principais estariam as pulsões de vida e de morte. As pulsões de vida relacionam-se as que estão a serviço da sobrevivência, da conexão, da libido e as pulsões de morte são as que tendem a buscar a redução das tensões, em vista de um retorno a um estado inorgânico. Em Freud, o sujeito estará assim sempre em um conflito entre as pulsões de vida Eros/amor e tanatus/morte. Assim no amor encontramos a busca pela sobrevivência, e na morte, a agressão, a dissolução (Freud, 1920/1996).

Analisando a questão da finalidade da vida, Freud em seu texto “Mal-estar na Cultura” (1930/2010) aponta que o sujeito anseia a busca pela felicidade, ou seja, a um estado de bem-estar. Contudo, este é limitado em relação as ameaças que o predispõe a infelicidade, ao sofrimento, que teriam como principais fontes as fragilidades do corpo humano e seus processos de deterioração; o poder das condições da natureza, que também não se poderia controlar; e a deficiência dos relacionamentos sociais, sendo este o que considera o mais difícil de todos. Todo sacrifício em torno da vida social exige uma renúncia pulsional do sujeito, onde seria necessário superar a ilusão de um bem-estar total do ser humano. Para o autor, é necessário suportar as agruras e as frustrações de um mundo que não traz seguranças, aprendendo a viver as incertezas e ainda assim acreditar nas possibilidades de vida, em Eros, no amor. Essa técnica de encontrar a felicidade, no amor, entretanto, levaria o homem a uma encruzilhada, já que ao viver baseada nela, o sujeito pode se sentir desprotegido amando ou sofrer diante de uma perda desse amor. Mesmo assim, para Freud, a técnica de viver a felicidade pelo amor ainda é a melhor escolha (Freud, 1930/2010).

Do final de século XIX, dos estudos de Durkheim e Freud, para o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman (2004), já no século XXI, nos apresenta uma análise profunda e ao mesmo tempo assustadora dos caminhos que as relações humanas vem tomando na contemporaneidade, de uma fragilidade que se apresenta nos laços sociais. Bauman nos apresenta um mundo extremamente individualizado, com sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível e aponta para esse conflito que se configura na condição de um certo desligamento e afrouxamento dos laços de forma mais veloz, ou seja, uma liquidez das relações. O humano seguiria com a necessidade de conexão nas relações, porém sem a garantia que as conexões venham a preencher esse lugar ausente. As relações sociais seriam a grande questão em evidência nas tramas e enredos de vida das pessoas e fonte de sofrimento.

Seguindo nos teóricos da contemporaneidade, Türcke (2010), a partir de conceitos trazidos da psicanálise, faz uma análise da sociedade pós-moderna, muito com base nos crescentes casos de hiperatividade. Trabalha a partir do que significa sensação na atualidade, e onde tudo em nossa sociedade deve ser muito intenso, ou seja, uma aceleração da vida, e que sobreviver é acima de tudo uma luta para ser notado, não bastando só existir. A cultura gira em torno de uma linguagem midiática e empresarial, que é própria do capitalismo, onde o produzir sem parar faz a tônica do cotidiano. E nesse sentido apresenta uma sociedade que tem horror ao ócio. Se antes a questão era o ser, agora a máxima é o ter.

Essa leitura social de Türkle, se entrelaça com a do filósofo Byung-Chul Han (2017) que descreve o que considera a sociedade do desempenho, na “perseguição obstinada pelo tu podes”, e por conseguinte, a sociedade do cansaço, do esgotamento. Essa crença no desempenho e excesso de positividade, no lugar do enunciado disciplinar do “tu deves”, levaria a uma falsa interpretação de liberdade, com busca constante de superação e realização. Segundo Han, essa busca desenfreada por meta, produtividade, violenta psiquicamente e corporalmente o sujeito. Para o autor a cada período a sociedade desenvolve determinadas enfermidades, sofrimentos psíquicos e na contemporaneidade seriam sofrimentos resultantes de desvios neuroquímicos, ao que chama de “violência neuronal”, e cita os quadros de síndrome de Burnout, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e depressão como vinculados ao modo operatório do nosso sistema econômico atual, o capitalismo.

Essas problemáticas da sociedade contemporânea, espelham o contexto de vidas dos jovens, pressionados diante de exigências relacionadas ao desempenho, do não fracassar, de se sentirem incluídos em seus grupos e das violências simbólicas ao qual são expostos. A série “13 Reasons Why” (em português, “As treze razões”, 2020), uma produção cinematográfica americana disponibilizada pela Netflix, gerou diversas discussões ao apresentar o drama de uma adolescente que comete o suicídio, abordando situações de abuso sexual, exposição em redes sociais e julgamento pelos colegas. A série aponta ainda para questões como os efeitos emocionais, o isolamento social e a dificuldade dos jovens de se sentirem confiantes e escutados na família e no círculo social.

Essas questões sinalizam uma sociedade onde o ser “visto” se impõe de tal forma que geram uma vida mediada por redes sociais virtuais e das pressões do grupo, o que faz com que muitos jovens anseiem a aceitação social, a qualquer custo. Essa situação nos remete a um desafio ainda maior em nossa sociedade: a expressão de nossas dores e sofrimentos. Segundo Macedo (2018) nos últimos anos vem sendo recorrente a busca pelo atendimento psicológico de universitários com queixas de vazio existencial e com dificuldades de nomear seus sentimentos.

A subjetividade contemporânea é, portanto, marcada por laços frágeis, exigências por desempenho, pouco espaço para a vivência e expressão dos sentimentos e de como lidar com nossas limitações, como a morte. O boom do avanço tecnológico e midiático nos últimos anos traz uma falsa promessa de conexão com o mundo, a globalização e um acesso ilimitado e disponível a todos, mas que paradoxalmente os efeitos dessa conectividade tem gerado quadros de isolamento social ou uma vida “social” virtual. Para Kóvacs (1992) a maior causa de suicídios no ocidente é a solidão e o sentimento de irrelevância.

Segundo Kóvacs (1992), a representação da morte é um processo complexo que vai se delineando ao longo do desenvolvimento humano. Na infância a morte pode ter um sentido de reversibilidade, fruto de um pensamento mágico e onipotente. Na adolescência, período repleto de ambivalências, há uma luta interna onde por um lado há a negação de fracassos e derrotas, impulsionada pela onipotência e impetuosidade, mas por outro, a morte está à espreita, pois esses jovens se envolvem em situações de maior risco, e em alguns casos, não se sabe se tentativas de suicídio foram acidentes ou atos intencionados.

Neste contexto, o “cibersuicidio” vem chamando atenção para estudos sobre o tema pelo fascínio que essas páginas de internet despertam principalmente nos jovens. Este seria o suicídio via influência de redes sociais, executado principalmente por jovens e adolescentes (Honorato & Barreto, 2021). Nessas páginas da internet, de amplo acesso aos jovens, em forma de blogs, fotos, chat e redes sociais, descrevem variadas formas de morrer, das mais rápidas e indolores, ensinando até como obter certas medicações e venenos (Agurto, 2017). De forma que, se sentindo isolados ou com dificuldades de expressarem-se, a internet pode ser um canal para buscar medidas que aparentemente os livrarão de seus infortúnios. Essa aparente banalização da morte, parece espelhar também a banalização da vida.

No Brasil, ¼ da população é constituída por jovens (Mazza, Moraes e Ferretti, 2023). Segundo os mesmos autores (2024) as questões referentes “as juventudes”, configuram-se nesse modelo de vida atual onde estes jovens estariam expostos:

“a processos acelerados de internacionalização, globalização do consumo, expansão da escolarização, vivendo em ambientes reais e virtuais de aprendizagem, intensificação no uso de tecnologias, redes sociais, jogos como entretenimento. Esse contexto promove novas formas de ser, sentir e agir...” (p. s/n.)

Referente às questões sociais, Mazza, Moraes e Ferretti, 2024) identificam também que os jovens enfrentam dificuldade de inserção no mercado de trabalho, já que hoje representam uma parcela significativa da população mundial, em um mundo que se encontra cada vez mais tecnológico, muitas vezes gerando desemprego e falta de expectativa no futuro.

Diante desses diversos cenários, seguiremos com o que foi encontrado a partir da escuta dos jovens participantes da pesquisa, mencionada na metodologia deste artigo, permitindo com isso algumas reflexões sobre esse viver atual, seus maus estares e redes de promoção em saúde mental no ambiente universitário.

Resultados e Discussão

Sobre as redes e o contexto universitário

Dentre as principais questões referentes as dificuldades apontadas pelos jovens na pesquisa, o estigma em saúde mental ainda é encontrado como uma das barreiras na busca de ajuda, relacionado ao medo de serem percebido como “fracos”, “sem força de vontade” ou serem rotulados de “loucos” em seu círculo social. Neste mesmo sentido, referem dificuldade de dividir com familiares sobre seus problemas com receio de serem invalidados em seus sentimentos ou de serem causa de preocupação. Das dificuldades emocionais e sofrimentos, foram observadas que ocorriam já há algum tempo, causadas em virtude de conflitos familiares, violências e abusos, com tentativas e ideações de suicídio que não foram percebidas ou identificadas pela famílias.

No que se refere a busca pelos serviços de atendimento em saúde mental, que são disponibilizados pela rede do município, através principalmente do Sistema Único de Saúde (SUS) como nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a demora nos agendamentos foram a principal dificuldade apontada, em especial para algumas especialidades e a interferência na rotina acadêmica, como perda de aulas e atividades acadêmicas pelo deslocamento até os locais de atendimento e mesmo para a realização do tratamento longitudinal.

Na saúde o estado brasileiro adotou o trabalho em Redes de Atenção à Saúde (Portaria RAS 4729/2010) e na política de saúde mental álcool e outras drogas foi instituída a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) desde a portaria 3088 de dezembro de 2011 (Brasil, 2011). A proposta é de que um conjunto de serviços de saúde, articulados com a intersetorialidade possam trabalhar em rede para garantir um percurso assistencial seguro aos usuários que demandem atenção nesta área. Porém o desinvestimento gerado na RAPS ao longo dos últimos anos e os desafios presentes no território amazônico no que tange a acesso (desde a geografia do território, passando pela rede instalada, as distâncias e desigualdades de um estado tão vasto) apresentam dificuldade para garantir o acolhimento das demandas das populações.

Referente ao contexto da UFPA são disponibilizados no campus serviços de saúde mental como a clínica de psicologia, o plantão psicológico, o acolhimento psicoeducacional, social e pedagógico através da PROAES, com enfoque frequentemente no atendimento individualizado, além de projetos que são desenvolvidos geralmente por docentes, alguns com caráter mais coletivo, com a utilização de grupos voltados a saúde mental e o bem viver. Uma questão pertinente diante da abrangência da UFPA (são doze Campis no estado do Pará situados nas cidades de Abaetetuba, Altamira, Ananindeua, Belém, Bragança, Breves, Cametá, Capanema, Castanhal, Salinópolis, Soure, Tucuruí) com mais de cinquenta mil discentes matriculados é que as equipes voltadas a saúde mental (psicologia, psiquiatria, assistência social e pedagogia) são em número bastante reduzido, principalmente nos campi do interior, sendo os acessos a psicologia e psiquiatria limitados pela alta demanda. Ainda assim, muitos estudantes referem que foi na Universidade que ocorreu um primeiro contato com profissionais de saúde mental, por vezes com incentivo de um colega ou professor.

Contextos de violência institucional foram apontadas neste estudo pelos discentes informantes que fizeram parte da pesquisa, baseadas principalmente no acesso por cotas na universidade sendo fatores que impactam significantemente à saúde mental dos discentes e entre os mais afetados estão os estudantes de comunidades quilombola, indígenas, ribeirinhos ou estrangeiros. Na UFPA as ações afirmativas foram iniciadas em 2008 e aos poucos foram mudando o perfil dos discentes, que antes desse período majoritariamente eram estudantes advindos de escolas particulares. Os relatos de preconceitos, racismo e assédio no ambiente acadêmico pela entrada por um sistema de cotas, reflete uma sociedade que enfrenta dificuldades significativas em promover a inclusão social. Dados que reforçam resultados da pesquisa de Amoras, Costa e Silva (2022) com estudantes indígenas e quilombolas com identificação das questões de preconceito e racismo por parte de docentes, técnicos e alunos e com efeitos na aprendizagem e autoestima dos que vivenciam essas situações.

As pressões acadêmicas são abordadas pelos discentes, com a presença de exaustão emocional, sentimentos de inadequação, aumento de ansiedade e procrastinação de suas tarefas, competitividade nos grupos e angústia pela manutenção de desempenho acadêmico. Nesse aspecto, relatos de alterações de sono e ataques de pânico são frequentes. Dados esses que refletem os estudos apresentados na introdução deste trabalho.

Os aspectos sociais se apresentam também como fatores relevantes que repercutem na saúde mental dos jovens, onde estudantes em vulnerabilidade social relatam dúvida em permanecerem sem trabalhar para poder manter a dedicação aos estudos. A democratização do ensino público através do sistema de cotas, lei 12.711 (Brasil, 2012; UFPA, 2021), adotado pelo governo brasileiro veio promover a inserção dos alunos em vulnerabilidade social ao ensino superior e a adoção da Política Nacional da Assistência Estudantil (PNAES), instituída pelo decreto 7.234 de 2010 e da lei 14.914 de 2024 (Brasil, 2024) com a oferta de auxílios e serviços, visa a permanência desse discente na Universidade, mas considerando-se a grande procura pelos auxílios financeiros, uma parte considerável não consegue ser contemplado por esta oferta.

Repensando os suportes em rede

Quando decidimos refletir sobre este tema, provocada por uma situação que vem se repetindo em muitos espaços públicos da cidade, com a instalação das redes de segurança como alternativa para evitar o suicídio, o fizemos por entender tal medida como paliativa. Recorremos a teóricos clássicos como Durkheim e Freud, em suas expertises e formas de abordagem, se debruçaram sobre o ser humano e suas razões para viver e morrer, mas também autores do contemporâneo como Türkle e Byung-Chul Han. A promoção da vida é um tema extremamente complexo, vive-se contextos atuais que são desafiadores, porém muitos desses enfrentamentos devem ser feitos na coletividade enquanto forma de capturar esse sujeito a investir novamente em si. Os resultados apontam para esses isolamentos e dificuldades de expressão da dor, em um mundo acelerado, individualizado e que segrega. A universidade como um todo e os jovens em suas relações cotidianassão atravessados por essas questões.

O significado cultural das “redes” na região amazônica - tal qual as redes de tecido para descanso e as redes de pesca para sustento, são “redes” que simbolizam conexão, captura e acolhimento. A proteção de uma rede física por si só é insuficiente. O que é necessário são “redes” que possam efetivamente transmitir empatia, escuta e afeto para suportar a dor e fortalecer os laços sociais dentro da universidade. E que se não houver outras sustentações estes jovens em sofrimento extremo, na ânsia de escapar ao que é da ordem da insuportabilidade, podem chegar a passar ao ato. Por isso a necessidade do que chamamos de redes quentes, ou seja, permeada por várias pessoas que produzem coletivamente o cuidado utilizando diferentes tecnologias.

Neste contexto atual onde a patologização do viver, quando experiências de perda, luto, tristeza são por vezes imediatamente medicalizados e silenciados, os rituais coletivos já não encontram tanto espaço. Rituais compartilhados em comunidade em diversas culturas, eram práticas necessárias para se vivenciar a perda, expressar a dor, mas que foram ficando esquecidos. Rituais que exigiam não a celeridade, mas um tempo de vivência e ressignificação. Um tempo para ver, elaborar e compreender.

Em contraste, somos permanentemente compelidos a mascarar nossas dores, em prol de uma sociedade que alimenta uma ideia de felicidade superficial, de um sujeito que vai cada vez mais se afastando de si, de seus desejos, de trabalhar suas frustrações e encontrar nos laços afetivos suporte, vida, amor. Há de se refletir o papel da psicologia, na reprodução de determinados contextos de sofrimento, não reduzindo sua ação e compreensão dentro dos ditames de uma psicologização da vida, do adoecimento do sujeito que se sente ainda mais incompreendido nesse contexto, pois toda a dor é reduzida ao seu corpo, ao seu comportamento ou personalidade através de um diagnóstico-sentença que circunscreve no corpo orgânico a patologia.

Refletir sobre as precárias condições de suporte dos estudantes em sua vulnerabilidade socioeconômicas, que se equilibram para não abandonarem a seus estudos e sonhos, renunciando seu lazer e reduzindo suas visitas aos familiares, quando estes moram em outra cidade, mesmo quando precisam sentir o conforto e afeto dos seus, ou precisam do cuidado que a reconexão com o território pode produzir. E nas rotinas estafantes, de múltiplas tarefas e de alta exigência, quando não encontram suporte para que possam cumprir ao que lhes é esperado na Universidade.

Este estudo compreende e aponta como significativo a mudança de um cuidado exclusivamente individualizado para um foco no bem-estar coletivo e em “redes de cuidados sociais presenciais, experienciais e afetivas”. Se enfatiza a importância de criar espaços coletivos de escuta significativa e interações que se revelem mais profundas, incluindo corpo docente, estudantes, técnicos e gestores que compõe o espaço acadêmico. O uso de tecnologias leves, baseadas no apoio coletivo e empático, focando no cuidado comunitário em vez de soluções puramente físicas ou médicas, com escuta qualificada das demandas e capacidade de responder com um cardápio de oferta que não se resuma a consulta especializada.

Considerações finais

A prevenção ao suicídio requer compreender e acolher os jovens, não apenas prevenindo a morte física, mas sustentando um “sujeito desejante” movido significativamente pela “pulsão de vida”. Isso implica abordar as causas profundas do sofrimento, incluindo vulnerabilidades socioeconômicas e os marcadores da interseccionalidade como classe, gênero, raça/cor e território. Questionar uma sociedade que frequentemente prioriza a felicidade do ter e do desempenho, enquanto suprime o luto e a vulnerabilidade. Ou seja, para cada jovem em que se evitou que buscasse a morte como saída, é fundamental escutar e compreender por que aquela pessoa buscou a morte (CFP, 2017).

Compreende-se que a universidade não pode resolver sozinha a questão complexa e multifatorial do suicídio. Isso requer uma abordagem mais ampla de gestão política e coletiva da saúde, abordando fatores sociais, políticos, econômicos e culturais, e fomentando discussões nas comunidades para reduzir a estigmatização. O apelo é pela promoção ativa da saúde no ambiente acadêmico por meio de redes de baixa exigência e um investimento em “tecnologias leves de cuidado” que fomentem a conexão, o encontro, a formação de grupos e o sentimento de pertencimento, ou seja, que apostem e sustentem a vida.

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Recebido: 03 de Maio de 2025; Aceito: 30 de Julho de 2025

Endereço para correspondência: Jucélia Pereira Flexa • E-mail: juceliaflexa@gmail.com

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