Os Mestrados Profissionais fornecem dispositivos para construção de produtos técnicos vinculados a um pensamento reflexivo e crítico, próprio dos cursos de pós-graduação strictu sensu. Como diz Merhy (2015), a produção de tecnologias deveria estar vinculada ao ato de cuidado na produção de mais vida, portanto, essa criação de ferramentas e produtos seriam “eficazes para quem e para quê”?
Como salienta Merhy e Franco (2003) é essencial, para um “trabalho vivo em ato”, um tipo de força que opera em um processo relacional com a comunidade. Ou seja, é no encontro entre os sujeitos que se tecem as produções regidas por tecnologias, que ocorrem por meio de um conjunto de ferramentas elaboradas e/ou disponibilizadas pelos profissionais. Segundo os autores, as “tecnologias duras” são objetos materiais que facilitam o contato, as “tecnologias leve-duras” se referem ao conhecimento e aos saberes e, as “tecnologias leves” são formas que permitem produzir relações. Essas tecnologias, se expressam em produtos que podem ser relacionais ou, na presença de situações de materialidade mais duras, ser instrumentais. Diante disso, Merhy e Franco (2012) nos dizem que toda atividade é um ato produtivo, no qual nos modificamos, transformando nossa forma de pensar e agir no mundo.
Acreditamos em um processo no qual as práticas clínicas e sociais, as ferramentas e técnicas produzam cuidado. Para tanto, negociações, conflitos, problemas pessoais e sociais precisam ser pensados, pesquisados e analisados de uma forma que promovam mudanças e gerem inovações nos sistemas produtivos, que impactam o modo de elaborar os produtos e a sua forma de assistir e cuidar das pessoas e dos coletivos.
As potências transformadoras, abrangem a coletividade, tecendo com elas interconexões impulsionadas pelo compromisso social, com a qualificação profissional e sua vinculação com a resolução de problemas e demandas sociais. Os Produtos, embora vinculados às necessidades de mercado, os transcendem pois, se aliados aos princípios de inserção social, ao acesso e à produção de conhecimento de forma participativa, são fomentados por uma construção indissociável entre a academia e a comunidade, de modo que as mesmas estejam comprometidas com a ética e cidadania (NEGRET, 2008; LOPES et al., 2011).
Uma preocupação emergente é com a socialização destes produtos e serviços que são criados a partir de experiência dos Mestrados Profissionais em Psicologia. Com a intenção de fazer trocas entre os profissionais, criamos em 2020 o Congresso Internacional dos Mestrados Profissionais em Psicologia. Desse modo, o IIº Congresso Internacional de Mestrados Profissionais – CIMPPsi, possui como tema principal: “Novas Práticas Profissionais de Cuidado”, e definiu quatro eixos temáticos: 1) Ensino, Formação e Práxis; 2) Políticas Públicas e Interseccionalidades; 3) Saúde Mental; 4) Vulnerabilidades e Situações de Risco, com vistas a compartilhar intervenções, produções, resultados de pesquisas e conhecimentos construídos a partir de múltiplas interfaces com o campo da Psicologia. Assim, convidamos a comunidade científica para participar do evento que está sendo organizado pela UNISC/UCS/UNISANTOS e BAHIANA. Contamos com a presença de todos (as)!
Essa edição da PSI UNISC conta com diversos estudos na área da saúde mental e das políticas públicas que abrangem diferentes comunidades e demandas populacionais, cujos resultados nos apresentam algumas problemáticas que poderiam inspirar a construção de produtos técnicos, como instrumento prático no auxílio à resolução de questões mais emergentes. Por essa razão, também convidamos aos nossos leitores e autores a comporem o dossiê temático de nossa próxima edição, que se propõe a publicação de manuscritos sobre produtos técnicos oriundos de Mestrados Profissionais em todo Brasil.














