O primeiro número de 2023 da revista PSI UNISC reúne artigos que analisam temáticas diversificadas as quais encontram-se articuladas ao atual cenário contemporáneo. Os artigos abarcam os desafios oriundos do período pandêmico da Covid-19 no que se refere a saúde mental da população e os processos de trabalho, assim como os aspectos que envolvem as vulnerabilidades, as tecnologias digitais e a produção de subjetividade.
A saúde mental é uma área heterogênea e com grande interlocução com outros campos, como afirma Tenório (2002, p. 28) “abarca a clínica, a política, o social, o cultural e as relações com o jurídico”, articulada ao campo do trabalho, apresenta maior diversidade e riqueza em seu espectro.
David Le Breton (2018) nos suscita uma reflexão importante, ao afirmar que na sociedade contemporánea, como sujeitos autônomos, temos a árdua tarefa de sustentar um lugar no contexto social. O desafio se faz, pois em meio a um contexto de responsabilização individual e não coletiva, não possuímos recursos econômicos ou simbólicos que sustentem as práticas de saúde mental no ámbito das políticas públicas. O que acarreta como consequência relações sociais por vezes esvaziadas de sentido. Para o autor, em tal sociedade, valores como os da comunicação, do contato, do calor humano e da solidariedade foram esmagados por dados/datados imperativos que impelem o sujeito à busca, na esfera particular, do que a sociedade não mais lhe oferece em termos sociais.
Neste cenário, temáticas como da saúde mental e das vulnerabilidades, assim como das tecnologias digitais e a produção de subjetividade na atualidade se tornam urgentes. Pois, como Le Breton (2010, em entrevista a Lévy, p. 53) nos adverte: “o gosto de viver se perde diante dos imperativos de consumir, de comunicar, da pressa, do rendimento, da rentabilidade”. Portanto, pensar sobre os afrouxamentos dos laços interpessoais, visto que os suportes do social e da comunidade se fazem frágeis na contemporaneidade é uma urgência dos tempos atuais.
Assim, as ferramentas digitais de interatividade têm se apresentado como meio de captação do sujeito; invocando, de forma contínua, a sua interatividade no ambiente virtual e, ao mesmo tempo, produzindo subjetividades. Essa exposição ao ambiente virtual modifica a experiência relacional das pessoas, conduzindo-as a formas de pensar tendenciosas que reforçam os processos de sujeição. Além disso, suas posturas críticas são eclipsadas e provocam ações compulsivas de reprodução do mesmo modo de refletir e agir. Desse modo, a tecnologia é usada como uma nova forma de dominação do homem, conforme ressalta Byung-Chul Han (2017; 2018).
Diante disso, este número da PSI UNISC busca apresentar análises ampliadas de tais temáticas, as quais nos possibilitam levantar algumas pistas para construirmos novos paradigmas e novas maneiras de habitar o mundo. Que a leitura dos artigos publicados, possam produzir boas reflexões e encontros, aqueles que nas palavras de Deleuze (2002) funcionam como alimento e se compõe com o outro corpo, aumentando nossa potência de existir, agir e pensar. Assim, convidamos os/as leitores/leitoras a percorrerem esta edição!














