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Psi Unisc - Revista do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul

versão On-line ISSN 2527-1288

Psi Unisc vol.9  Santa Cruz do Sul  2025  Epub 17-Abr-2026

https://doi.org/10.17058/psiunisc.v9i.18367 

Artigo de Pesquisa

Recursos interacionais e oferta de cuidados: observação de bebês durante acolhimento institucional1

Recursos de interaciones y provisión de cuidados: observación de bebés durante el cuidado institucional

Interactives researches and offer of care: observation of babies during institutional care

Sidney Fernando de Souza Brito1 

Psicólogo graduado pela Universidade Federal do Pará. Pesquisador no Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP) na Universidade Federal do Pará (UFPA).

, não informado
http://orcid.org/0000-0002-2966-608X

Janari da Silva Pedroso1 

Psicólogo. PhD em Psicologia. Professor associado IV da Universidade Federal do Pará, Faculdade de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Bolsista Produtividade CNPq – nível 2.

, não informado
http://orcid.org/0000-0001-7602-834X

1Universidade Federal do Pará (UFPA), Belém – PA/Brasil


Resumo

Objetivos:

Este artigo objetivou compreender formas de interações entre dois bebês e suas cuidadoras em uma instituição de acolhimento infantil provisório.

Métodos:

Utilizou-se uma abordagem qualitativa inspirada no método Bick de observação de bebês para a realização da coleta de dados. Após leitura dos materiais provenientes das observações e análises, três categorias foram criadas: recursos interativos do bebê; cuidadoras e suas capacidades para atender e cuidar do bebê; e o abrigo como contexto de promoção da interação cuidadora-bebê.

Resultados:

Observou-se que ambos os bebês estavam apresentando um desenvolvimento dentro do esperado para suas idades, o que sugere que o ambiente da instituição se apresentava de forma positiva, tanto nos objetos presentes nele utilizados como suportes aos cuidados, quanto às disponibilidades das cuidadoras com as crianças. O abrigo onde a pesquisa foi realizada mostrou que pode influenciar significativamente no processo de individualização e desenvolvimento emocional dos bebês.

Conclusão:

Pesquisas sobre o desenvolvimento infantil em instituições como o abrigo são importantes no fomento de políticas públicas voltadas à saúde e cuidados do lactente.

Palavras-chaves observação; abrigo; lactente; cuidadores

Resumen

Objetivos:

Este estudio tuvo como objetivo comprender las formas de interacción entre dos bebés y los cuidadores en una institución de cuidado infantil temporal.

Método:

Se utilizó um enfoque cualitativo inspirado en el método Bick de observación de bebés para la recolección de datos. Después de revisados los materiales de las observaciones y los análisis, se crearon tres categorias: recursos interactivos de los bebés; cuidadores y sus capacidades para atender y cuidar al bebé; y el abrigo como contexto de promoción para la interacción cuidador-bebé.

Resultados:

Se observó que ambos bebés presentaban un desarrollo dentro del rango esperado para su edad, lo que sugiere que el ambiente de la institución se presentó de manera positiva, tanto en los objetos allí presentes, utilizados como apoyo para el cuidado, así como la disponibilidad de las cuidadoras para los bebés. El abrigo donde se realizó la investigación demostró que puede influir significativamente en el proceso de individualización y desarrollo emocional de los bebés.

Conclusión:

Investigaciones sobre el desarrollo infantil tanto en instituciones como en los abrigos son importantes para la promoción de políticas públicas dirigidas a la salud y el cuidado del lactante.

Palabras clave observación; abrigo; lactante; cuidadores

Abstract

Objectives:

This paper aimed to understand the shapes of interactions between two babies and caregivers in a temporary childcare institution.

Method:

A qualitative approach inspired by Bick observation method was used to carry out the data collection. After Reading the materials from the observations and analysis, three categories were created: interactive baby resources; caregivers and their abilities to attend and take care of the baby; and the shelter as a context for promoting the caregiver-baby interaction.

Results:

It should be noted that both babies were presenting a development within the expected range for their ages, which suggest that the institution was presented in a positive way, both in terms of the objects present in it used as support for care, and the availability of caregivers with the children. The shelter where the research was carried out showed that it can significantly influence the process of individualization and emotional development of the babies.

Conclusion:

Researches on early childhood development in institutions such as the shelter are important on promoting public policies aimed at the health and care of the infant.

Keywords observation; shelter; infant; caregivers

Introdução

O desenvolvimento infantil está ligado a fatores intrínsecos e extrínsecos que podem ser apontados como biológicos e ambientais (Medina-Alva et al., 2015; Pereira et al., 2017). Os fatores extrínsecos são relacionados ao ambiente no qual a criança está inserida e vivenciando os processos de crescimento e desenvolvimento onde o ambiente familiar é o primeiro lugar no qual a criança vivencia o seu início de vida (Zago et al., 2017). Porém, a situação da criança no ambiente familiar nem sempre acontece como o esperado e muitas vezes elas se encontram em situação de vulnerabilidade, desta forma o acolhimento institucional acaba por se tornar uma realidade na vida de muitas crianças já na tenra idade sem a possibilidade de voltarem para suas famílias de origem (Diniz et al., 2018; Franco et al., 2014; Machado et al., 2016).

A transição da família de origem para o acolhimento em um abrigo implica uma ruptura e reconfiguração de rotinas e laços afetivos. Essa descontinuidade pode impactar significativamente o desenvolvimento do bebê influenciando sua constituição como sujeito. Nesse novo ambiente que busca oferecer um sentido renovado à vivência da criança, é fundamental que haja uma adequação suficiente para estabelecer uma nova conexão afetiva. Tanto o ambiente físico quanto os cuidadores precisam adaptar-se às necessidades do bebê, exercendo um papel de suporte adequado (Sá et al., 2017; Winnicott, 1988/1990).

A institucionalização de bebês em abrigos é vista por alguns autores como um fator potencialmente prejudicial, pois o ambiente que deveria funcionar como um espaço de acolhimento pleno, muitas vezes contribui para o atraso no desenvolvimento devido à falta de estímulos motores, sensoriais, cognitivos, sociais e afetivos (Silva et al., 2019). Além disso, a superlotação, frequentemente presente nesses contextos sobrecarrega as cuidadoras, o que compromete a qualidade do cuidado oferecido.

O ambiente em que o bebê está inserido exerce uma influência direta sobre aspectos de seu comportamento. Um ambiente positivo pode facilitar o desenvolvimento típico, incentivando a exploração e a interação com o entorno. Em contrapartida, um ambiente desfavorável pode atrasar o ritmo de desenvolvimento e limitar o aprendizado da criança impactando negativamente sua evolução (Castanho & Assis, 2004; Oliveira & Gomes, 2022; Poletto & Koller, 2008).

A inserção de bebês em um novo ambiente de cuidados e proteção exige uma readaptação das equipes que trabalham nessas instituições, a fim de acolher e se adequar às necessidades específicas da criança recém-chegada. Nesse contexto, Gabeira e Zornig (2013) destacam que a atenção oferecida aos bebês difere significativamente daquela direcionada a crianças mais velhas e adolescentes, uma vez que o desenvolvimento infantil, especialmente na primeira infância, depende crucialmente da presença de um adulto disponível e atento às demandas de cuidado.

Este cuidado deverá cumprir um papel suficientemente bom, ou seja, mesmo havendo falhas terá a capacidade de oferecer à criança recursos suficientes para que ela possa ter um desenvolvimento saudável que possibilitará que ela tenha uma existência pessoal que permita a continuidade do seu vir-a-ser e de criar um mundo pessoal de onde iniciará seu contato com um mundo compartilhado. Para isto, neste cuidado precisará haver um holding que de fato proporcione a segurança física e mental neste bebê (Winnicott, 1988/1990).

Para Winnicott (1963/1983), holding significa mais que o segurar físico, ele representa sentidos que ofereçam um continuar sendo no processo de constituição do Ego do bebê que envolvem também a posição do ambiente e a percepção dos objetos como externos ao infante. Esta fase de dependência absoluta será o fator primordial onde este ambiente fornecerá os cuidados para a experiência de continuidade e de constância física e psíquica (Jurdi, 2009).

Trabalhar com bebês em situação de acolhimento infantil se faz necessário considerar não apenas seu desenvolvimento individual, mas levar em conta as condições que este ambiente oferece para que um bom desenvolvimento ocorra (Sá et al., 2017). Neste encontro o abrigo se apresenta como um novo lar no qual os infantes exercem novas atividades rotineiras e estabelecem relações com os outros bebês, funcionários e cuidadoras, o que acaba por se configurar em uma nova rede de apoio afetivo e social (Siqueira et al., 2009).

Neste sentido, este artigo foi desenvolvido a partir de uma pesquisa qualitativa de observação de bebês, que objetivou compreender formas de interações entre bebês e cuidadoras que possibilita a oferta de cuidados e o desenvolvimento da criança durante o período no qual os infantes estivessem abrigados dentro de uma instituição de acolhimento infantil.

2. Metodologia

Esta pesquisa foi conduzida em uma instituição municipal de acolhimento provisório localizada na região metropolitana de Belém-PA, destinada a crianças de zero a seis anos de idade cuja integridade física e emocional tenha sido ameaçada ou violada em decorrência de abandono, violência ou negligência. As crianças acolhidas são encaminhadas pela Vara da Infância e Juventude ou pelo Conselho Tutelar, órgãos responsáveis pela aplicação de medidas protetivas específicas. A instituição contava com uma equipe de oito funcionárias, das quais quatro eram responsáveis pelos cuidados das crianças maiores de dois anos, enquanto as demais se dedicavam ao atendimento dos bebês no berçário.

Para a realização da pesquisa dentro da instituição foi necessária apresentação do projeto à direção e representantes, assim como abordar com as cuidadoras sobre o papel do pesquisador no abrigo. O plano de trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos da Saúde. Com o objetivo de proteger as identidades das crianças participantes, seus nomes reais foram substituídos por pseudônimos.

Para o delineamento metodológico, optou-se por uma abordagem qualitativa inspirada no método Bick (2002) de observação de bebês para a realização da coleta de dados. A seleção dos dois bebês se deu pelo caráter de conveniência ao preencherem critérios como: maior possibilidade de permanência dentro da instituição e ter idades entre zero e 12 meses. Os documentos fornecidos pela instituição sobre os bebês participantes desta pesquisa comprovaram que ambos haviam sido expostos ao abandono familiar. Rosa, uma bebê prematura, foi acolhida pelo abrigo poucos dias após o nascimento, apresentando baixo peso e uma condição ainda muito frágil. No dia da primeira observação, Rosa tinha um mês e oito dias de vida. O segundo bebê, Cravo, chegou ao abrigo com pouco mais de um mês de idade e contava com dois meses e seis dias quando as observações com ele foram iniciadas.

Foi realizada uma observação piloto com o objetivo de familiarizar o pesquisador com a metodologia e garantir a adequada transcrição dos dados obtidos. Esse encontro inicial permitiu a identificação e correção de possíveis dificuldades na aplicação da metodologia Bick, utilizada como base para as observações. Para assegurar que as crianças fossem observadas em momentos de vigília ou interação com as cuidadoras, optou-se por estabelecer uma rotina padrão para as observações, às três horas da tarde. Esse horário foi escolhido com base em uma verificação prévia da rotina dos bebês dentro da instituição durante a semana.

Ao longo de três meses e meio, as observações dos bebês ocorreram de forma simultânea, sempre no período da tarde, das três às quatro horas. A bebê Rosa era observada às segundas-feiras, enquanto o bebê Cravo, às quartas. Cada sessão de observação durava uma hora ininterrupta, durante a qual o pesquisador mantinha uma postura puramente observacional, sem interferir na rotina dos infantes. Imediatamente após o término de cada sessão o relatório de observação era redigido, buscando-se registrar com a maior fidelidade possível todos os detalhes que o observador conseguisse lembrar. O tempo total destinado às observações não foi previamente determinado, uma vez que, por se tratar de uma pesquisa em um ambiente de abrigo, havia a possibilidade de os bebês deixarem a instituição antes que se acumulasse um número significativo de sessões observacionais.

Nesta perspectiva, utilizou-se a observação em todos os momentos quando o pesquisador estava inserido no contexto do abrigo, sem utilizar-se de anotações imediatas. Após cada observação, a transcrição era realizada para que esta pudesse ser analisada juntamente com o orientador. Para que cada observação pudesse ser realizada, era necessário que a transcrição e análise da observação anterior tivesse sido realizada. Para a coleta das informações, as observações não poderiam ser focais ou padronizadas, mas ocorriam de forma onde tudo o que ocorria no ambiente era importante.

Os dados coletados em cada observação foram submetidos à supervisão, uma etapa crucial para clarificar os aspectos inconscientes do observador. Durante a supervisão, os relatórios de observação foram analisados em conjunto com o supervisor, permitindo o acompanhamento longitudinal das observações. A partir dessa análise detalhada, foram construídas as categorias, que emergiram dos aspectos latentes presentes nas interações observadas (Costa, 2017).

Após leitura das informações provenientes das observações e análises, três categorias foram criadas: “Recursos interativos do bebê” (o bebê provocador, ou seja, a forma como os bebês buscavam a atenção das cuidadoras em decorrência de suas necessidades, comportamentos, brincadeiras e formas de se expressar); “Cuidadoras e suas capacidades para atender e cuidar do bebê” (a forma como se apresentava a díade cuidadora-bebê, bem como o envolvimento na relação e disponibilidade das cuidadoras para atender às demandas dos bebês); e “O abrigo como contexto de promoção da interação cuidadora-bebê” (organização do ambiente, organização dos materiais de uso do bebê/posição do berço, cadeiras, etc., o espaço como facilitador ou não para a interação entre cuidadora-bebê).

3. Resultados e discussão

Durante as observações dos bebês notou-se que ambos buscavam se comunicar de diferentes formas para conseguir contato com as cuidadoras ou com as pessoas que estivessem presentes no quarto. Apesar da diferença de idade entre elas, demonstravam formas distintas de se buscar o contato. Rosa, que por ser muito prematura, utilizava-se do recurso do olhar para se contactar quando suas cuidadoras estavam muito próximas a ela no momento da amamentação ou nos momentos de higiene.

Durante o tempo em que ela era alimentada, foi possível ver seus olhos percorrerem a mulher que a amamentava e fixarem-se na direção dos olhos dela, parecia em busca de contato para aquele momento tão especial junto à pessoa que lhe salvara de seu incomodo de choro (Rosa – 1 mês. 1ª Observação).

Enquanto Rosa buscava através do olhar, Cravo ainda muito novo, utilizava-se de seu largo sorriso para conseguir atenção das pessoas ao seu redor.

Quando a educadora passou por detrás do encosto da cama, Cravo acabara de abrir os olhos, ainda bastante sonolento, avistou-a e abriu um largo sorriso, o qual prontamente fora retribuído pela mulher juntamente com mais algumas palavras de “tatibitate”. A criança ficara bastante agitada com aquela interação, mexia-se e sorria cada vez mais demoradamente (Cravo – 2 meses. 1ª Observação).

Com o passar do tempo, estas formas de buscar a atenção das cuidadoras fizeram emergir um recurso que sustentava a atenção entre a díade, o balbucio. Tanto Cravo quanto Rosa, ao conseguirem a atenção de alguma cuidadora, se aquela fosse retribuída, o balbucio vinha para manter aquele elo atencional daquele momento e consequentemente a interação entre ambos se sustentava por um tempo maior. Cravo ainda permanecia com seu imenso sorriso, quando ele percebia que havia conseguido manter a atenção de alguém, colocava-se a falar com a pessoa por bastante tempo:

Cravo estava bastante tranquilo em seu lugar, parecia querer conversar com a cuidadora que estava a sua frente, emitia alguns ruídos e babava-se quando tentava prolongar sua conversação (Cravo – 3 meses. 8ª Observação).

Em outras ocasiões bastava apenas manter o contato visual para que o bebê se sentisse à vontade para iniciar alguma tentativa de diálogo, independentemente do momento ou da situação na qual ele se encontrava.

Cravo me olhava enquanto era amamentado. Retribui o olhar, então ele abriu um pequeno sorriso, fazendo com que um pouco de leite escorresse pelos cantos de sua boca, a cuidadora pareceu abismada e disse sorrindo que era para ele acabar de mamar para poder falar comigo (Cravo – 3 meses. 7ª Observação).

Rosa continuava com o mesmo olhar expressivo de antes, porém agora já conseguia atentar-se às coisas que aconteciam dentro do quarto e buscava conversar de todas as formas seja com a cuidadora, sozinha ou com o observador. O olhar de Rosa sustentava um cuidado imediato, talvez devido ao fato de ter nascido prematura e o contato olho-no-olho parecia despertar em algumas cuidadoras um zelo com a fragilidade daquela bebê. Em seu livro o primeiro ano de vida do bebê, Spitz (1979/2004) aborda sobre a incapacidade do infante em perceber o mundo a sua volta, bem como distinguir as pessoas, mas no início do segundo mês a aproximação humana já pode ser percebida pela criança e assim assumir um “lugar especial” dentre as coisas que as rodeiam.

A bebê mexia-se de modo como se quisesse interagir com o programa (de TV) e com as pessoas que falavam e gesticulavam detrás da tela, falava como se estivesse sendo entrevistada pelos apresentadores ou como se quisesse chamar a atenção de alguém do quarto para assistir e comentar junto com ela sobre o programa (Rosa – 3 meses. 11ª Observação).

Em certos momentos a bebê avistava o observador e por meio do olhar que estava sendo direcionado a ela, buscava se comunicar com ele de alguma forma:

Voltamos a tentar um diálogo, ela balbuciava, falava de maneira efusiva, eu falava algumas coisas de acordo com o assunto que ela parecia estar falando, ela sorria quando parecia que eu acertava, ou apenas voltava a falar quando percebia que eu não havia entendido (Rosa – 3 meses. 12ª Observação).

Desde a primeira infância, os bebês demonstram uma sensibilidade acentuada ao toque e às emoções, como tensão, afeto e irritação, captando rapidamente a maneira como seus cuidadores oferecem os cuidados durante as interações físicas (Dickstein & Maldonado, 2010; Silva & Ribeiro, 2020). Os bebês Rosa e Cravo mostraram inicialmente recursos interativos bem particulares como o olhar e o sorriso, porém com o passar do tempo verificou-se que estes recursos se tornaram estratégicos para conseguir atenção das cuidadoras. O sorriso de Cravo que parecia fascinar as trabalhadoras ali dentro do berçário promovia também a aproximação para trocas de carinhos, brincadeiras e aconchego do colo.

Estudos afirmam que crianças ainda no primeiro ano de vida são capazes de se relacionar com intencionalidade por meio da vocalização (balbucio), das expressões faciais, dos gestos e posturas como manifestações emocionais (Brito, 2022; Dentz & Amorim, 2019; Gomes & Neves, 2021; Guimarães & Arenari, 2018; Lazaretti & Mello, 2018; Marques & Luz, 2022; Monção, 2017; Tolocka et al., 2019). As crianças desenvolveram formas diferenciadas e muito particulares de contato dentro do abrigo, como se elas tivessem a absoluta certeza de suas interações e de que eram compreendidas pelas pessoas que as cercavam. Cada uma tinha uma forma única de chamar a atenção, porém assemelhavam-se bastante com relação a sustentação da interação entre elas e as pessoas, era a tentativa de se expressar por meio da fala (balbucio).

Resultados como estes podem ser encontrados em um estudo de Gabatz et al. (2018), realizado com 15 cuidadoras em um abrigo institucional, onde foi verificado que comportamentos mais ativos entre as crianças e cuidadoras criavam e mantinham um comportamento de apego entre a díade. Lecannelier et al., (2014) apontam que o olhar, a comunicação, o brincar (aqui podemos trazer o sorriso também), contribuem no desenvolvimento de níveis mais seguros de vinculação que está diretamente associado às habilidades das cuidadoras de se conectar emocionalmente com as crianças. Então, a criança busca pela atenção da cuidadora, e esta responde à criança ao atender sua solicitação (Gabatz et al., 2018).

Rosa já demonstrava ainda recém-nascida, uma capacidade de fazer com que o ambiente se adequasse a ela. A bebê sempre foi muito ativa frente às situações que lhe aconteciam e expressava-se sempre com certa irritação que tomava conta de seu pequeno corpo e que nem sempre era acompanhado de choro, apenas uma inquietação que era notada por qualquer pessoa que estivesse presente dentro do quarto.

Rosa permaneceu quieta por um tempo pequeno até que jogou o pipo para fora de sua boca e voltou a se agitar, novamente a cuidadora tentou devolvê-lo para Rosa, mas esta mantinha-se relutante em aceitar novamente o objeto. A mulher entendeu que aquilo se tratava de que ela havia feito cocô. (Rosa – 2 meses. 4ª Observação)

Outro momento em que foi possível perceber a força que Rosa tinha com relação até mesmo à adequação das cuidadoras frente suas vontades, fica bem expresso nesta observação:

Uma cuidadora pegou a bebê para amamentar, Rosa recusou a mamadeira. As cuidadoras pareciam já perceber que ela só come quando quer, tanto que não insistem muito e só voltam a tentar quando Rosa realmente pede por alimento (Rosa – 4 meses. 13ª Observação).

Cravo aparentava ser um bebê mais calmo, dificilmente era visto chorando ou se enfurecendo com algo, pelo contrário, permanecia na maioria das vezes calmo e quieto seja dentro do carrinho ou na cadeirinha de balanço. Em uma das observações, ele passou praticamente o tempo todo brincando com as próprias mãos como se aquela distração fosse o único jeito para se organizar naquele momento em que estava sozinho. Era intrigante, pois naquele dia havia mais bebês dentro do berçário, eles estavam agitados, alguns gritavam, outros choravam, havia muita gente também dentro do ambiente.

O horário da observação havia acabado. Até o momento em que estava me arrumando para sair, notei que Cravo estava bastante entretido em seu jogo e ficara quieto e se divertindo como se a situação, parcialmente caótica que estava no quarto, não lhe atingisse (Cravo – 3 meses. 8ª Observação).

Observou-se que os dois bebês, ainda que no mesmo ambiente e aos cuidados das mesmas cuidadoras, apresentaram diferentes formas de desenvolvimento e organização frente às modificações que aconteciam dentro do quarto no qual estavam inseridos no abrigo. O vínculo que poderia ser comprometido em decorrência da grande variedade de cuidados realizados pelas diferentes cuidadoras não foi um fato observado, uma vez que as crianças pareciam reconhecer as diferentes formas com as quais eram tratadas assim como se comportam de formas diferentes com determinadas cuidadoras.

Estas observações também corroboram com achados de Gabatz et al. (2018) e a percepção das cuidadoras que relataram parecer que as crianças percebiam o contato mais afetivo oferecido por elas, e assim então se tranquilizaram. Neste sentido, as crianças podem escolher as cuidadoras com as quais poderão desenvolver relações de vínculos preferenciais, por assim dizer, escolhem suas cuidadoras preferidas (Gabatz et al., 2018; Soares et al., 2014).

3.1 Cuidadoras e suas capacidades para atender e cuidar dos bebês

Com a rotatividade de cuidadoras durante a semana e o fato de se estar em um abrigo, notou-se que as diferentes formas de cuidados tendiam sempre para o afeto com os bebês, era como se as cuidadoras conseguissem despender uma determinada carga afetiva entre cada criança dentro do berçário. No período no qual o abrigo estava com bastantes crianças, mais cuidadoras foram contratadas e a observação a seguir se deu em um contexto com uma cuidadora recém chegada à instituição.

A cuidadora apareceu com uma pequena seringa com um remédio em seu interior, foi em direção ao bebê e sem acordá-lo, segurou sua cabeça e levou a seringa até sua boca. Ela pareceu ter certa dificuldade, soltou a cabeça do bebê e apertou um pouco as bochechas para que sua boca abrisse. Cravo permanecia dormindo, parecia que em alguns momentos ele percebia que alguém lhe incomodava, chegou a abrir os olhos por um momento e logo em seguida fechou, voltando ao seu estado de sono (Cravo – 3 meses. 6ª Observação).

Apesar deste fato ocorrido, notava-se que as demais eram atenciosas, enquanto outras seguiam mais à risca as normas da instituição. Durante os cuidados e manejos dos bebês percebia-se que havia um respeito com o tempo de cada criança, uma disponibilidade com os cuidados como se pode observar nestes dois momentos:

Um tempo depois, outra cuidadora foi até ela e a retirou novamente da cadeirinha, levou-a até o trocador e removeu a fralda que estava suja de cocô. Ouvi um pequeno grito de alegria vir de Rosa, a cuidadora estava conversando com ela, fazia cócegas na barriga da bebê que se divertia a ponto de gritar juntamente com algumas gargalhadas. Neste dia Rosa havia tomado duas injeções, uma em cada perna e estava aparentemente entristecida (Rosa – 4 meses. 13ª Observação).

A cuidadora seguiu até Cravo, que voltará a chorar dentro da cadeirinha. O bebê foi carregado, e a moça sentou-se novamente na cama, destampou a mamadeira e deu para Cravo. Sua fisionomia havia mudado de uma irritação para um pequeno contentamento expresso por um pequeno sorriso (Cravo – 2 meses. 3ª Observação).

Foi observado uma cuidadora dividir-se entre três bebês ao mesmo tempo: “A mulher fazia três ações, amamentava a bebê em seu colo, observava a outra bebê que estava dormindo, e com o pé embalava Cravo na cadeirinha de balanço. Aquela cena parecia bastante pitoresca” (Cravo – 2 meses. 3ª Observação).

A instituição aparentava ser bastante cautelosa quanto aos cuidados com os bebês que estavam abrigados e as profissionais que haviam sido contratadas demonstravam bastante empenho em suas funções e muita parceria entre elas que ficava expressa na forma como se dividiam e se ajudavam nos suportes às crianças no momento dos banhos, da amamentação e das trocas de roupas. O abrigo chegou a contar com oito bebês dentro do berçário na época das observações e o quadro de cuidadoras aumentou para poder suprir os cuidados com o novo número de crianças.

Os cuidados no abrigo seguiam normas e regras assim como em toda instituição de acolhimento com relação aos cuidados, alimentação e descanso dos bebês, a rotina parecia somar-se ao desgaste das cuidadoras em ter que se dividir entre várias crianças, cuidar da higiene, amamentação, colocar para dormir, brincar, vestir e acalentar. Porém não foi percebido algum tipo de cuidado que pudesse ser considerado como negligente, ao contrário, as cuidadoras demonstravam sempre estar disponíveis às crianças. Essa abordagem favorece a sensação de segurança nos bebês por meio da regularidade de tempo e espaço, com cuidados realizados de forma atenciosa e dedicada, nunca de maneira mecânica ou apressada. A dedicação aos cuidados permite que o vínculo afetivo seja construído e aprofundado (Falk, 2010; Silva & Ribeiro, 2020). Para que isso ocorra, é essencial que a cuidadora esteja disponível não apenas fisicamente, mas também psiquicamente, garantindo uma conexão emocional significativa (Saboia & Kupfer, 2024).

Cada cuidadora possuía formas distintas de lidar com os bebês; algumas pareciam demonstrar maior afeto durante os cuidados, enquanto outras seguiam rigorosamente as normas e regras da instituição. Durante as observações, essa diferença tornava-se perceptível, seja nos cuidados mais afetivos, seja naqueles que assumiam um caráter mais "mecânico". Em consonância com esse achado, alguns autores discutem essas perspectivas a partir do conceito de que, para os pais, o bebê é um objeto narcísico, entretanto no caso do abrigo a relação entre cuidadoras e bebês difere, pois para elas é o trabalho com o bebê que adquire o caráter de objeto narcísico (David & Appel, 1973/2011; Saboia & Kupfer, 2024). Dessa forma, o aspecto profissional se sobressai, embora existam gratificações afetivas no exercício da função de cuidadora (Mariotto, 2009).

3.2 O abrigo como contexto de promoção da interação cuidadora-bebê

O ambiente no qual encontravam-se os bebês localizava-se aos fundos da instituição. Era o último quarto da casa, mais longe da rua, para que os ruídos provenientes do ambiente externo não pudessem interferir na rotina de cuidados e bem estar das crianças.

Dividia-se em três compartimentos dos quais havia um quarto principal e amplo que acomodava duas camas de solteiro, uma ao lado direito da porta principal e outra aos fundos entre dois armários de tamanhos médios; um fraldário na parede lateral direita, e brinquedos dentro de uma caixa. À esquerda havia um banheiro pequeno com pia, sanitário, chuveiro, banheiras infantis e produtos de higienes dos bebês, e no lado oposto ao banheiro dava acesso a um segundo quarto, menor em relação ao primeiro, onde ficavam onze berços e mais um guarda-roupa maior.

O ambiente era refrigerado por uma central de ar que ficava no quarto principal. O espaço parecia ter sido organizado como uma forma de facilitar o deslocamento das cuidadoras com os bebês, principalmente nos prováveis momentos de fluxos quando o berçário viesse a ter sua capacidade máxima preenchida.

Notou-se que alguns objetos eram utilizados como recursos aos cuidados dos bebês e como formas compensatórias para ajudar as cuidadoras a dar conta das demandas dentro do espaço. Os mais frequentes eram o carrinho e cadeirinha de embalo que geralmente associavam-se à utilização do recurso da televisão para deixá-los entretidos como neste momento: “Cravo estava deitado dentro do carrinho de bebê, acordado, porém calmo, parecia estar entretido assistindo televisão” (Cravo – 2 meses. 3ª observação).

Em outro momento também foi possível ver a utilização destes recursos: “Rosa estava com a cadeirinha virada para a televisão, que a mantinha na maior parte do tempo com os olhos congelados para qualquer coisa que passasse na tela” (Rosa – 3 meses. 10ª observação).

Cada cuidadora precisava se dedicar a três bebês em média, e para isso estes objetos eram utilizados de forma estratégica como um complemento do cuidado, algo como se proporcionasse a extensão do colo do cuidado. Isso foi observado com a utilização do carrinho e da cadeirinha de embalo, nos quais havia o sentido como se fizessem parte do corpo da cuidadora.

O abrigo disponibiliza cuidadoras fixas que se permutam durante a semana nos cuidados com os bebês, isto fazia com que a continuidade dos laços e cuidados entre as díades se mantivessem quase frequentes. Neste contexto, Winnicott (1963/1983) explana acerca da segurança do bebê neste ambiente estável que pode favorecer um desenvolvimento autêntico à criança, justamente devido às constâncias no atendimento às suas necessidades.

Segundo o autor, a adaptação ao bebê se desdobra na relação de cuidados disponibilizados, que por estas cuidadoras podem ser considerados os próprios contatos físicos do manuseio e do carregar dentro deste holding winnicottiano, como também na atmosfera do ambiente e na utilização dos objetos como uma possível extensão deste corpo da cuidadora como forma de manutenção deste contato pele a pele com o bebê (Winnicott 1963/1983).

Algumas cuidadoras utilizavam o momento da troca de fralda para exercer trocas de afetos com as crianças. Observou-se que nestes momentos de encontros o fraldário era utilizado como recurso para interação afetiva.

Rosa não demonstrava irritação alguma ao ser despida e limpa com alguns chumaços de algodão, quando demonstrava choro, a cuidadora conversava com ela, acariciava suas mãos e logo ela voltava a se acalmar, até que ela estivesse limpa e com nova fralda (Rosa – 2 meses. 6ª observação).

Observou-se diferenças marcantes na forma como as cuidadoras utilizavam determinados objetos no berçário. Cuidadoras que demonstravam um cuidado mais afetivo, como na troca de fraldas, mantinham esse padrão em outros momentos, como ao dar de mamar, nas brincadeiras e na hora de dormir. Em contraste, cuidadoras que seguiam rigidamente as normas institucionais tendiam a adotar um cuidado mais "mecanizado", com menos trocas afetivas. Algumas cuidadoras pareciam resistir à criação de vínculos afetivos mais profundos com os bebês, possivelmente para evitar o sofrimento decorrente da separação (Lemos et al., 2017). Interações mais superficiais, que não envolvem grande apego, podem ser utilizadas como mecanismos de proteção emocional às cuidadoras para mitigar o impacto da perda dos vínculos (Gabatz et al., 2018).

A formação de vínculos que inevitavelmente serão rompidos quando o bebê deixar a instituição, exige que as cuidadoras aprendam a lidar com seus próprios sentimentos, uma vez que essas mudanças afetam todos os envolvidos no processo institucional (Tinoco & Franco, 2011). Embora as cuidadoras reconheçam a importância dos vínculos afetivos para o bem-estar das crianças, elas também compreendem que o rompimento desses laços traz consequências não apenas para os bebês, mas também para elas mesmas (Golin & Benetti, 2013).

Ao se tratar dos cuidados com os bebês abordam-se funções fundamentais que serão realizadas pelo cuidador substituto, que dizem respeito à sustentação deste bebê, não somente uma sustentação física, mas também psíquica que possam prover continência ao Ego do bebê (Campana et al., 2019). Neste processo, Winnicott (1989/1994) afirma que só é possível realizar este papel de continência se o ambiente for facilitador nesta relação de cuidados, correspondente à ideia de sustentação do holding winnicottiano. Desta forma, as cuidadoras podem construir uma rotina para os bebês que proverá esta sustentação do corpo e principalmente do psíquico (Quadros, 2018).

Na teoria de Winnicott (1988/1990), a tendência inata à integração e a existência de um ambiente suficientemente bom são dois fatores fundamentais no amadurecimento pessoal, pois estes consideram a história total das relações individuais do bebê e de seu ambiente específico. Estas relações possibilitam compreender o crescimento emocional da pessoa que provê o cuidado da criança, pois este será o ambiente fundamental responsável por facilitar as condições para que o desenvolvimento emocional do bebê aconteça.

4. Considerações finais

Este estudo alcançou seu objetivo proposto na verificação das relações como um todo, da díade e do ambiente disponível aos cuidados dos bebês. Compreende-se que as relações de abandono de bebês que chegam aos abrigos podem influenciar de forma negativa em seus desenvolvimentos e que por mais que a instituição se empenhe em oferecer um trabalho suficientemente bom, algumas falhas podem permanecer durante o processo maturacional da criança.

O objetivo de maneira alguma foi de revelar as possíveis falhas de cuidados ou da instituição, mas compreender a dinâmica dentro do abrigo e suas relações nos cuidados aos bebês. Cabe a esta pesquisa a demonstração de resultados relevantes que possam ser utilizados no sentido de se pensar a instituição de abrigo infantil e possibilitar pesquisas posteriores que adentrem neste contexto e tragam também olhares e vozes às cuidadoras que trabalham dentro destes espaços, com uma percepção delas para que se possa compreender as diferentes formas de cuidados que se apresentam dentro do abrigo e os impactos que estes fatores podem apresentar no desenvolvimento das relações de cuidados e no desenvolvimento dos bebê.

Dito isto, observou-se que os bebês Rosa e Cravo apresentavam um desenvolvimento dentro do esperado para suas idades, o que nos leva a crer que o ambiente da instituição se apresentava de forma positiva, tanto nos objetos utilizados nos suportes aos cuidados quanto nas disponibilidades das cuidadoras para com as crianças. A instituição priorizava que as mesmas cuidadoras permanecessem no espaço onde os bebês residiam, o que oferecia uma rotina, ainda que alternada entre as escalas de trabalho. Notou-se que isto facilita a disponibilidade dos cuidados com os bebês e na criação de laços consistentes que pudessem ser utilizados na relação.

A organização do ambiente tornou-se um grande facilitador aos cuidados e afetos das cuidadoras com os bebês. O abrigo onde a pesquisa foi realizada mostrou que pode influenciar significativamente no processo de individualização e desenvolvimento emocional dos bebês. O ambiente demonstrou-se durante os meses nos quais as observações ocorreram, como um lugar acolhedor e agradável, onde os bebês pareciam ter uma rotina consistente mesmo com as diferenças nos cuidados. Não foi possível afirmar se o fato de uma pesquisa estar em andamento dentro do abrigo alterou de forma significativa o padrão de cuidados ou a organização dentro da instituição, talvez pesquisas futuras possam abordar mais sobre estas possibilidades de alteração no ambiente.

No período no qual a pesquisa ocorreu foi possível inferir que ambas crianças conseguiam desenvolver um ambiente interno que demonstrava diferentes formas de se organizar e tolerar suas possíveis falhas, o que permitia que cada um dos bebês pudesse atuar ativamente na organização e na elaboração do contexto emocional que mais lhes parecessem necessário (Winnicott, 1988/1990).

Uma limitação deste trabalho foi que os bebês poderiam sair em pouco tempo de dentro da instituição, diminuindo o número de observações e consequentemente os dados coletados para análise. A metodologia Bick requer um tempo de dois anos de observações, porém neste contexto institucional precisou ser adaptada para um tempo menor de pesquisa. Outro ponto a ser discutido diz respeito à amostra dos sujeitos da pesquisa, que não pode ser generalizado pois este estudo se deu na observação de apenas dois bebês.

Seria interessante se um estudo longitudinal de observação pudesse ser realizado após a ida das crianças para o novo lar adotivo ou quando reinseridas no seio familiar. Este apanhado de informações poderia mostrar os impactos no desenvolvimento inicial de bebês e como estes podem influenciar no decorrer de seu desenvolvimento. Pesquisas dentro de abrigos são importantes para que se possa ter um maior conhecimento acerca destas instituições, bem como fomentar políticas públicas que possam contribuir na estruturação e no cuidado oferecidos nestes espaços.

Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

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Recebido: 11 de Abril de 2023; Aceito: 30 de Setembro de 2024; Publicado: 31 de Janeiro de 2025

Autor correspondente: Sidney Fernando de Souza Brito Email:fernandobrito.psicologo@gmail.com

Editoras responsáveis: Dra. Cristiane Davina Redin Freitas e Dra. Silvia Virginia Coutinho Areosa

Conflito de interesses: Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse na realização e na comunicação dessa pesquisa.

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Os autores declaram que esta contribuição é original e inédita. Desse modo, assegura-se que a obra não foi publicada em outro periódico científico.

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