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Jornal de Psicanálise

versão impressa ISSN 0103-5835

J. psicanal. vol.45 no.83 São Paulo dez. 2012

 

APREENSÕES

 

Da arte de escrever à coragem de publicar1

 

From the art of writing to the courage of publishing

 

Del arte de escribir al coraje de publicar

 

 

Denise de Sousa Feliciano

Membro filiado do Instituto de Psicanálise "Durval Marcondes" da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo SBPSP. Doutora em psicologia pelo IPUSP-SP, especialização em Psicopatologia do Bebê pela USP e Université Paris 12. Membro e professora no Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

 


RESUMO

Inspirada no evento homônimo realizado pela amf nas Reuniões das Quartas-Feiras, a autora parte de sua própria experiência com a criação do presente texto, para debater as vicissitudes da escrita psicanalítica e algumas das angústias que são suscitadas por essa prática, debatendo com as ideias apresentadas pelos palestrantes no referido evento.

Palavras-chave: escrita, psicanálise, publicação


ABSTRACT

Inspired by the amf's "Wednesday's meetings" event, the author starts with her own experience in creating this very text, and uses it to launch a reflection on the psychoanalytic writing and publishing and its inherent fears. Ideas that were presented during the event are used and discussed in this paper.

Keywords: psychoanalysis, writing, publishing


RESUMEN

Inspirándose en el evento homónimo realizado por la amf en el espacio de las Reuniones de los Miércoles y a partir de su experiencia personal vivida al escribir este texto, la autora, abre una discusión sobre las vicisitudes de la escritura psicoanalítica y algunas de las angustias que son suscitadas por esa actividad; estableciendo un debate con las ideas que fueron presentadas por los participantes del evento antes referido.

Palabras clave: escritura, psicoanálisis, publicación


 

 

Sempre gostei de escrever. Desde criança brincava de fazer poemas e romances. Recordo-me de certa vez quando ainda na escola primária havia feito um livrinho montado e amarrado com barbante que contava uma história qualquer. Mostrei-o entusiasmada à minha professora, dizendo que havia decidido publicar um livro. Ela não pareceu levar a sério, mas para mim era uma decisão. De lá para cá venho acumulando páginas e páginas escritas com textos de natureza variada e estilos diversos. A grande maioria descansa em pastas ou arquivos, sem publicação, ou foram vistos por poucos, num âmbito mais pessoal. Meu primeiro contato com a publicação foi em 2001, ao organizar com outra colega dois livros (Comparato & Monteiro, 2001) resultados de eventos realizados no Departamento de Psicanálise da Criança do Sedes. No mesmo departamento fui idealizadora e editora de um Boletim por cerca de oito anos, porém mesmo envolvida com sua publicação durante esse tempo, escrevi apenas apresentações, editoriais e pequenos textos. Minhas maiores ousadias foram um capítulo de livro (Feliciano, 2007), a dissertação e tese (Monteiro, 2003 e Feliciano, 2009) que entretanto nunca transformei em livro, apesar dos incentivos frequentes de quem as leu, e um artigo para este Jornal (Feliciano, 2011). Do tempo que me interesso pelo assunto e pela quantidade de escritos acumulados, essas publicações são ínfimas. Sempre gostei de escrever, mas poucas vezes tive coragem para publicar.

A questão da escrita parece exercer um misto de fascínio e temor de tal modo que mobiliza os escritores a abordarem o tema como quem tenta domesticá-lo. Em uma breve pesquisa para a produção deste ensaio me deparei com uma pluralidade de escritores a falar sobre o processo de escrita, tanto literários quanto psicanalistas. Quem escreve parece querer compartilhar sobre esse processo, que em geral está associado a sofrimento e angústia ao mesmo tempo em que se reconhece o prazer. Seria a própria escrita a fonte de angústia ou é a publicação que imprime o tom mais sombrio desse percurso? Um olhar macroscópico não permite que se discriminem esses nuances de afetos e suas origens.

A proposta de escrever para o Jornal me implicou com as duas pontas da existência de um texto - criação e publicação -, se considerarmos que um texto só passa a existir de fato se tiver um leitor. Esta circunstância me permite tecer algumas considerações tanto sobre o processo de escrita em si, quanto sua publicação. É fato que qualquer generalização é banal e vazia e que cada escritor tem seu próprio conflito, porém na nossa prática estamos todo o tempo nesse contínuo movimento de partir do singular para o plural.

Para mim, escrever descompromissadamente da publicação tem uma especificidade peculiar. Quando uma ideia adquire um caráter emocional intenso torna-se urgente passá-la ao papel, então escrevo. Nessas ocasiões não tenho angústia, ao contrário, encontro um alívio para ela, uma catarse. Os textos assim revelam um desconhecido em mim, aprendo com eles sobre o que não sei que sei. Isso quase sempre me fascina. É puro prazer. Transforma-se numa reflexão compartilhada com um leitor imaginário. É lúdico. Provavelmente dessa dimensão que testemunham alguns escritores:

se eu estou totalmente dentro do romance e escrevendo bem - se consegui me distanciar do telefone que toca, de todos os problemas, de todas as exigências e de todo o tédio da vida diária -, as regras que operam no meu paraíso que flutua solto lembram as minhas brincadeiras de criança. É como se tudo tivesse ficado mais simples ... tudo que preciso fazer é me divertir, ser irresponsável, porque enquanto me divirto (como sempre dizemos das crianças) sempre posso aprender alguma coisa. (Pamuk, 2007, p. 25)

eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. ... É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação. Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia em que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. (Lispector, 1999b, p. 134)

A publicação por sua vez parece impor um caráter superegoico a esse movimento, cujos níveis de sofrimento decorrerão de fatores que nem sempre estão acessíveis. É, antes de tudo, a dor da realidade se impondo sobre o prazer.

 

Das raízes desta escrita

Não é coincidência o título de este ensaio ser o mesmo do evento realizado pela Associação dos Membros Filiados (amf), mais especificamente pela equipe coordenadora das Reuniões das Quartas-Feiras, no segundo semestre de 2011. Ele vem atender a uma demanda vinda de várias vozes, tal a reverberação que aquelas conversas suscitaram em todos os que de alguma forma estiveram envolvidos com ele. Elias Rocha Barros organizou o seminário "A escrita psicanalítica: uma oficina", atendendo aos muitos pedidos que se seguiram à sua palestra inaugural. Bernardo Tanis (2012, pp. 513-520) escreveu um artigo para o recém-lançado livro Dimensões, iniciado quando da preparação de sua exposição, que parece ter sido disparador para novas ideias. Eunice Nishikawa, que encerrou com sua fala as palestras daquele ciclo e editora deste Jornal, teve papel decisivo com seus incentivos e apoio para que este texto se viabilizasse, como uma espécie de consolidação dessas repercussões.

Meu intuito nesta oportunidade é trazer para um mesmo espaço alguns recortes das três palestras, de modo que elas possam dialogar entre si através de minha articulação tanto das ideias que foram veiculadas quanto o modo como elas reverberaram em mim, suscitando-me novas associações. Não se trata de um mero relato daquela experiência, mas como sublinhado pelos palestrantes, é uma nova experiência que guarda traços daquela. Penso que fazer a articulação do que vivi nas conversas e o fazer disso uma escrita possa ser a maneira mais genuína de tentar traduzir várias das questões que foram colocadas sobre o processo de uma escrita psicanalítica.

O "evento de escrita", como ficou conhecido, nasceu por sua vez para subsidiar as apresentações das Reuniões das Quartas-Feiras, espaço que havia sido criado cerca de dois anos antes para apresentação de trabalhos dos Membros Filiados (MF), tendo como pré-requisito que os mesmos fossem escritos e distribuídos previamente. O projeto se desdobrou em várias etapas de maneira que um mf pudesse produzir um trabalho a partir de uma reflexão clínica ou tema de interesse em suas diferentes etapas: produção de um texto escrito para apresentação oral, exposição oral e debate com colegas, formatação para artigo científico e finalmente sua publicação. Todo esse percurso com o suporte da equipe das Reuniões e de colegas com mais experiência nos meandros editoriais e de escrita psicanalítica.

Embora a ideia na maioria das vezes fosse recebida com entusiasmo, a recusa em se inscrever era significativa, sobretudo em função do pré-requisito de que se produzisse um texto. Escutando-a como decorrente de dificuldades de escrever, evocamos as constantes discussões sobre a morosidade para a conclusão dos relatórios e a preocupação das diretorias do Instituto em encontrar meios de abreviar os longos percursos de formação. Nos seminários, a reação é sempre negativa aos coordenadores que solicitam a elaboração de trabalhos e alguns colegas chegam a evitar aqueles que adotam essa prática.

Então escrever é o grande vilão da formação? Seria muito ingênuo se parássemos por aí, mas a despeito disso acreditamos que colocar a escrita em evidência talvez pudesse ser um meio de entrar em contato com algumas das possíveis inibições que as subsidiam. Seria um modo de permitir que mais pessoas se aventurassem numa prática que só se aperfeiçoa com contínuos treinos. É preciso encontrar um estilo, uma ferramenta mais adequada aos manejos de cada um, além de principalmente o prazer de escrever.

Foi nessa direção que convidamos três colegas com experiência editorial em revistas psicanalíticas2 a partir do pressuposto de que seriam pessoas com cabedal capaz de abordar as diversas faces do tema aos escritores potenciais.

Eunice Nishikawa (2011) nos contou em sua exposição que iniciou seu percurso editorial em 1989 ao discutir com Maria Olympia França, editora na época, sobre um artigo que havia sido sugerido para publicação. Havia iniciado seu artigo com "prolegômenos" e o corpo editorial lhe sugeria prólogo ou introdução, mas para a autora o termo utilizado correspondia ao clima de estranhamento que ela queria transmitir. A discussão terminou com Eunice sendo convidada a fazer parte do corpo editorial do Jornal.

Almejávamos com essas conversas tornar transparente o que seria o percurso de uma aprovação para publicação, qual seria o olhar de um editor. É preciso levar em consideração que não é possível generalizar a função de editor e desconsiderar as peculiaridades de cada veículo e do próprio corpo editorial. Ainda assim, revelar um pouco dos bastidores de uma revista, parece ser uma importante contribuição para tornar a escrita menos persecutória.

Cada um dos convidados abordou de maneira peculiar o tema Da arte de escrever à coragem de publicar, o que permitiu uma gama de ideias variadas que se articulam e se complementam. Elias enfatizou o aspecto acadêmico da escrita psicanalítica e a necessidade de se estar atento às possíveis armadilhas de escrita que por vezes empobrecem e enfraquecem os argumentos que o texto busca apresentar. Em sua extensa experiência de editor de publicações nacionais e internacionais desenvolveu um olhar capaz de reconhecer detalhes de um texto que podem truncar sua compreensão e, em última instância, impedir a aceitação para publicação por veículos de reconhecido valor. Bernardo optou por um olhar mais voltado à própria escrita e suas inibições. Utilizou para isso citações de escritores literários, além de alguns textos psicanalíticos, buscando apresentar um caminho que facilitasse a construção do texto em seu aspecto mais artístico. Eunice, por sua vez, abordou a questão da publicação, tanto no que se refere aos trâmites necessários como às angústias relacionadas ao ato de publicar. As três apresentações3 compõem um conjunto de ferramentas que podem servir de estímulo àqueles que se interessam pela estrutura e publicação de um texto psicanalítico.

 

"Fazendo arte" - confissões sobre um processo de criação

Tudo parecia claro sobre o que eu tencionava abordar neste texto, e, enquanto projeto, tinha um caráter entusiasta e criativo. As ideias fluíam e diversas eram as associações. Quando oficialmente me coloquei frente à página em branco tudo se escureceu, um verdadeiro breu de angústia, de vazio e aprisionamento mental.

Como seguir adiante? É o impasse que parece acometer quem se aventura a escrever.

então você se senta e se pergunta o que deveria vir primeiro; como chegar a esse début do meio do caminho? Sentando-se. Rabiscando a página. Amassando-a. Jogando-a fora. ...Na verdade isso acontece o tempo todo, não apenas com romancistas, mas com todos os que escrevem o que quer que seja. (Oz, 2007, p. 9)

Decidi buscar pelos amigos inanimados - meus livros, e me distraí redescobrindo velhos textos, lembrando episódios com alguns autores muito especiais. Não apenas os resgatei, mas os descobri, pois mesmo os que já conhecia se apresentaram em novas roupagens.

Foi então que Clarice Lispector me disse:

Quando não estou escrevendo, eu simplesmente não sei como se escreve. E se não soasse infantil e falsa a pergunta das mais sinceras, eu escolheria um amigo escritor e lhe perguntaria: como é que se escreve? Sei que a resposta, por mais que intrigue, é a única: escrevendo. (1999a, p. 156)

Escrevendo...

Há semanas escrevo pequenas frases e reflexões sobre esse tema em um arquivo que ambiciosamente nomeei e formatei com o título, com a necessária crença de que realmente se tornaria um ensaio (e publicável!). De vez em quando, subitamente em meio ao cotidiano, me surgiam ideias que quando tive chance as escrevi num pequeno papel ou, quando não, tive a impressão de perdê-las, deixando-as escapar de volta ao inconsciente (mas aprendi que oportunamente retornam).

Isso me lembrou Di Loreto ao contar sobre como havia composto seu livro de contos:

Como os leitores sabem, a inspiração literária de escritores amadores é igual à Ava Gardner: temperamental!

Ora ela aparecia no almoço (e onde mais eu poderia redigir a ideia a não ser no guardanapo?). E quem consegue impedir Ava Gardner de voltar justo no intervalo entre duas consultas? E lá iam as anotações para os receituários. Nada raro, as ideias surgirem enquanto dirigia meu Gol. O que fazer a não ser parar o trânsito da Rubem Berta por alguns segundos, mas redigir o miolo da ideia, antes que esquecesse.

Não será difícil aos leitores imaginar o resultado de todo esse imbróglio que eu produzia: nenhuma continuidade nas partes despedaçadas, nenhuma sequência um mínimo compreensível. (Di Loreto, 2009, p. 283-284)

Me idenfiquei com Di Loreto e quase me desesperei com a colcha de retalhos que tinha em mãos. Acalmei-me. Às vezes é bom tentar continuar mesmo sem saber bem onde se vai chegar. Conheci-o pouco depois de ele ter publicado seu primeiro livro, aos 72 anos de idade, sendo 50 de uma brilhante carreira médica psiquiátrica. Curiosamente não havia publicado nada até então, confessando seu quase pânico com a escrita e publicação. Entretanto, para minha sorte, todas as vezes em que o encontrei estava transbordante de entusiasmo com a descoberta que havia feito sobre sua capacidade de escrever. Distribuía folhas com pequenos contos que chamava de Diligências, que depois reunidas se transformaram em seu último livro. Disse-me algumas vezes: "Escreva! Descobri tardiamente, mas a tempo, esse prazer indescritível".

Porém não deixou de confidenciar os imensos sofrimentos pelos quais passou por causa da escrita e de suas publicações. Sofrimento esse que sempre é descrito pelos autores quando se põem a falar sobre o processo de escrever. Mas será que são sempre os mesmos sofrimentos que acompanham os autores e escritores? A tomar pela minha experiência, talvez cada texto tenha seu próprio sofrimento que se relaciona com sua história e com sua função.

Mas eu continuava ainda sem poder escrever, e segui vasculhando pela estante. Deparei-me com Rilke em uma de suas cartas ao jovem poeta Kappus:

O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar - ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo .... É sempre a si mesmo e a seu sentimento que deve dar razão contra toda explanação, comentário ou introdução dessa espécie. Mesmo que se engane, o desenvolvimento natural de sua vida interior há de conduzi-lo devagar, e, com o tempo a outra compreensão. Deixe a seus julgamentos sua própria e silenciosa evolução sem a perturbar; como qualquer progresso, ela deve vir do âmago do seu ser e não pode ser reprimida ou acelerada por coisa alguma. Tudo está em levar a termo e, depois, dar a luz. Deixar amadurecer inteiramente, no âmago de si, nas trevas do indizível e do inconsciente, do inacessível a seu próprio intelecto, cada impressão e cada germe de crescimento, aguardar com profunda humildade e paciência a hora do parto de uma nova claridade: só isso é viver artisticamente na compreensão e na criação. (Rilke, 2001, pp. 26-36)

Apesar dos conselhos de Rilke, havia uma página em branco que me ameaçava. Não encontrava em mim sua convicção. Um testemunho de Amós Oz, um dos principais escritores israelenses da atualidade, me soou como um alento:

meu pai escrevia livros acadêmicos. Sempre invejara a liberdade de romancista que eu tinha para escrever como quisesse, diretamente da minha cabeça para a página, sem ficar confinado por todo tipo de busca e pesquisa prévia, sem me achar oprimido pela obrigação de me familiarizar com toda a informação existente naquele campo, sem me sentir atrelado ao jugo de comparar fontes, fornecer provas, verificar citações e instalar notas de rodapé. ...Eu, por outro lado, nutria certa inveja de meu pai. A cada vez que ele se sentava para trabalhar num ensaio acadêmico, sua mesa ficava tomada, de ponta a ponta, por livros abertos, separatas, referências, léxicos, uma bateria de artilharia de apoio. Ele jamais tinha que se sentar, como eu faço, e encarar uma única e zombeteira página em branco no meio de uma mesa árida, como uma cratera na face da lua. (Oz, 2007, p. 7)

Eu me sentia como ambos, a folha em branco ameaçadora e os infinitos livros abertos sobre a mesa. Penso que eu não buscava respostas neles, mas companhia e cumplicidade que me favorecesse a inspiração. De certa forma todas essas leituras me divertiram e com a consequente leveza eu começava a rabiscar algumas ideias, porém não conseguia juntar nada que tivesse coerência como um todo. E, sobretudo, não sabia por onde começar, eu estava cheia de "ideias do meio".

Não sei bem como, perdida nesse vazio e angústia da pré-escrita, comecei a brincar. Brincar com palavras, experimentá-las, sonorizá-las em uma escrita despretensiosa que, entretanto, fez-se naturalmente, provocando em mim um efeito mental espantoso: devolveu-me o prazer de escrever e a criatividade. Mais que isso: a liberdade.

Tomei pra mim essa tarefa de escrever um artigo e me encontro agora num vazio abismal e num sofrimento angustiante com o passar das horas que se impõem e me castram as ideias e a aliada criatividade. Amanhã, quem sabe, mais tarde ou daqui a pouco talvez, terei me encontrado certamente num frenesi prazeroso de dedilhar o teclado e ver surgir o que me faça sentido, porém...serei audaz o suficiente para querer publicar? Sei bem como sou, viverei os variados conflitos desde a decisão (sábia?) de colocar na gaveta ou numa pasta do Word que não abrirei por anos, e o entusiasmo ousado e vaidoso de querer compartilhar. Daí virá os editores que felizmente serão sábios a me advertirem das possíveis sandices e me protegerem da humilhação com a qual sou agora ameaçada por meu superego. Mas já me encontro num caminho sem volta: desistir me faria inquieta da mesma energia que me causa as aflições do risco. Terei que dar as mãos aos amigos, quer sejam de carne e osso ou aqueles com quem converso sozinha ao ler seus livros, e seguir em frente.

Percebi nesse rompante literário que havia resgatado a possibilidade de escrever quase sem pensar. O que na verdade tornam os textos mais genuínos e fluidos. Nada a ver com as normatizações acadêmicas, fundamentais quando se trata de um artigo de revista científica. E assim fiz comigo um acordo: escreverei apenas um ensaio.

E foi então que me dei conta de que um tanto de minha inibição de escrita estava sendo minha tentativa de editar antecipadamente meu texto. Eu havia tentado iniciá-lo de uma forma neutra (séria), evitando fazer depoimentos pessoais, mas não consegui escrever nada que fizesse sentido. Lembrei-me que também nossos convidados haviam iniciado suas apresentações com algum depoimento de seu percurso de escrita e concluí que não havia muito jeito de escrever sobre a escrita que não fosse a partir de uma própria experiência viva de escrever. A maneira como cada um encontra um jeito de produzir um texto é muito singular, apesar de haver uma tentativa de generalizações e até mesmo ser possível reconhecer certas similaridades no que nos conta quem escreve.

Não existe uma receita, mas saber sobre o processo de criação do outro nos permite aos poucos encontrar a necessária liberdade de criarmos o nosso próprio estilo não apenas da escrita em si, mas de como escrevemos.

E depois de brincar um tanto com essas ideias, evocar histórias e devanear com escritores e sofrer com a censura de me permitir tais enlevos, passemos desse prolegômenos4 para uma conversa com o que disseram nossos convidados editores e seus desdobramentos.

 

Da experiência ao papel

A escrita narrativa de uma vivência é sempre uma experiência inédita. Conforme Bernardo:

sabemos que nenhum texto dá plenamente conta da experiência, porque o texto é da ordem da limitação da linguagem e a experiência é muito mais ampla que a gente pode de algum modo colocar em palavras. Sofremos quando escrevemos na tentativa de termos um texto completo, e penso que é um sofrimento em parte desnecessário porque sempre vai ficar incompleto, do mesmo jeito que uma situação de análise sempre vai ficar incompleta e sempre vai demandar um processo que não se esgota nunca. Clínica e texto comportam um plus de sentido que mobiliza o autor e o psicanalista, e que gera no leitor um efeito interpretante, movendo-o a novas descobertas em uma cadeia inesgotável de significado. O desafio é saber como fazer uma passagem de uma para outra. (Tanis, 2011)

É preciso que possamos fazer o luto do que já foi vivido para podermos criar algo novo, mas que conserve seus traços e deles crie um novo caminho de ideias e descobertas. Para mim é o grande fascínio da escrita quando podemos nos perder como um arqueólogo que explora o que restou do passado e constrói algo de outra ordem de experiência como um sítio arqueológico. Quando escrevo a clínica, evoco uma lembrança já transformada por minha experiência interna e pelas reverberações emocionais e associações que me suscitaram. Não é mais a sessão em si, mas é uma espécie de ficção que se assemelha a ela. Nas palavras de Ogden:

Ao criar para o leitor, na experiência de leitura, algo semelhante à experiência que ele teve com o analisando, o escritor analítico vê-se recrutado às tropas de escritores imaginativos. Entretanto, diferente dos escritores de ficção, poesia ou teatro, um autor que escreve no gênero analítico deve manter-se fiel à estrutura fundamental do que realmente ocorreu entre ele e o paciente. O autor analítico está sempre colidindo contra uma verdade paradoxal: a experiência analítica (que não pode ser dita ou escrita) deve ser transformada em "ficção" (uma versão imaginativa de uma experiência em palavras), para que a verdade da experiência seja transmitida ao leitor .... A experiência daquela realidade permanece viva no escritor analítico não apenas na forma de memória mas, igualmente importante, no modo como ele foi mudado e continua sendo mudado por ela. (Ogden, 2010, p. 140)

Na criação deste ensaio, apesar de eu tentar criar para o leitor uma descrição muito próxima do processo de construção gradativa do texto, das leituras e associações que fui fazendo, é impossível capturá-las todas ou citar todos os autores lidos e que de alguma forma me inspiraram. Há uma parte que escolho destacar e que fica acessível ao leitor, porém uma parte ainda muito maior fica inacessível até para mim mesma, embora seja fundamental para a sustentação do texto pela convicção criada em mim, como escritora. O leitor consequentemente só tem acesso a uma pequena parte do que foi vivido. Ter consciência disso nos liberta de um equivocado compromisso de descrever e comprovar uma vivência, quer seja analítica ou de outra natureza. É a mesma raiz das crônicas ou da caricatura, produções que têm seu valor na capacidade do artista/escritor acentuar os traços mais significativos de um episódio ou pessoa.

É preciso ter inspiração. O que talvez possa ser descrito como o momento em que podemos condensar toda uma gama de estímulos e pensamentos. Embora os escritores descrevam a inspiração como "momento mágico", ela é fruto do trabalho mental inconsciente resultante de nos colocarmos em um "estado de escrita" que faz com que estejamos envolvidos plenamente com ela.

 

Com quem aprendemos a escrever?

Afinal, como escrever? Será que na proposta do evento, secretamente tínhamos a ambição de oferecer aos nossos colegas uma espécie de "manual de instruções" que pudesse ajudá-los a encontrar escritas capazes de compartilhar sua clínica e suas conjecturas psicanalíticas? E escrever se ensina?

Não tínhamos essa pretensão, apenas queríamos desmistificar a proposta de escrever e publicar. Porém, paradoxalmente corremos o risco de que o título talvez pudesse criar ainda mais paralisias na medida em que a escrita é tomada como arte e atribui-se o status de corajoso àqueles que publicam. Mas de que arte é essa que falamos quando não apenas atribuímos essa qualidade à escrita de um artigo, mas quando também tantas vezes nossa prática tem sido chamada de arte?

Escrever e ser analista guardam similaridades à medida que grande parte do que está sendo abordado neste texto se assemelha ao que experimentamos em sala de análise quando buscamos um verdadeiro encontro com nossos pacientes. Tanto ser analista quanto poder escrever depende de uma autorização interna que nos permita a liberdade que nos leva a sonhar com nossos pacientes e com nossos textos.

Mas será que a arte e a coragem não seriam desdobramentos do resgate à capacidade infantil de brincar? Se pudéssemos estar à vontade para aprendermos com nós mesmos a ser analistas e escritores não poderíamos estar mais livres em nossas clínicas e com nossos pares?

Bernardo ressaltou que ninguém nasce sabendo escrever, a gente vai aprendendo de algum modo essa relação com a escrita.

Cada um tem que encontrar seu estilo, suas próprias idiossincrasias no processo de produção de um texto: O escritor William Faulkner tinha boas lembranças de seu emprego num bordel. "Para um artista, é o melhor lugar", declarou, "O lugar é quieto durante as manhãs, o melhor momento do dia para a literatura. E há bastante vida social à noite, o que afasta o tédio". Hilda Hilst mudou-se para um sítio isolado, onde escrevia durante o dia, e aguardava a visita de discos voadores ao anoitecer. Para Ernest Hemingway, os melhores lugares eram os hotéis. "Basta uma cama, uma boa mesa e um quarto limpo." Françoise Sagan exigia apenas que o lugar fosse bastante iluminado. Caio Fernando Abreu não escrevia sem uma rosa amarela e uma foto de Virginia Woolf à sua frente. Balzac escrevia trancado secretamente em um quarto minúsculo, fugindo de credores. Nelson Rodrigues criava seus personagens em meio ao burburinho frenético das redações de jornal. Anton Tchekhov elaborava a maior parte de seus contos entre consultas médicas e diagnósticos. Clarice Lispector escrevia com a sua Olivetti no colo, entre os filhos e os afazeres domésticos. Gustave Flaubert fazia dos corpos de suas amantes sólidos apoios para a pena e os papéis (Lage, 2009).

Como disse Elias, "Numa atividade frenética do cotidiano a gente não escreve. É preciso sair do frenesi do cotidiano para escrever algo profundo" (Barros, 2011), ou Ogden: "O tempo para escrever precisa ser criado, ele não está lá pedindo para ser usado. Não é possível escrever algo significativo em poucas horas, é preciso muitas horas e muito sofrimento". (Ogden, 2010, p. 148)

"Mas esse sair do frenesi do cotidiano pode ser um processo mental, uma disciplina que nos permita criar internamente um ambiente solitário que nos permita entrar em contato com a alma de nossa escrita", pondera Elias. Poderíamos considerar que quando criamos esse ambiente nos colocamos em uma espécie de "estado de escrita"; estado em que, nos diz Bernardo, "a relação com o mundo fica um pouco em suspense. Tem algo que fica trabalhando em você o tempo inteiro. Você fica tomado". É o que está na base da inspiração que os escritores dizem surgir sem horário nem lugar. Mesmo que estejamos nos afazeres cotidianos, o inconsciente permanece trabalhando e de quando em quando nos revela seus achados. Algumas vezes em que estava profundamente comprometida com um texto, cheguei a acordar durante a noite com brilhantes ideias que procurava há dias, frases e parágrafos que se colocavam prontos e perfeitos em minha consciência. Muitas dessas vezes corri ao computador no meio da madrugada para registrá-las.

Com todas essas considerações, talvez estejamos - enquanto escritores psicanalistas - na interface entre a academia e a literatura, que pode ser ilustrado pelo equilíbrio entre as vivências descritas por Amós Oz e as de seu pai. Somos assim um pouco artistas, certamente, mas não podemos prescindir do rigor que a academia nos impinge e esse talvez seja um dos muitos sofrimentos que compõe nossa escrita, como abordarei a seguir.

Mas chega um tempo em que é preciso despregar-se dos padrões pré-estabelecidos para se criar algo novo, para se ampliar um conhecimento ou uma escrita. É assim no ser escritor e no tornar-se analista. Henry Miller um dia cortou o cordão umbilical com a literatura. "Abandonei as influências e resolvi escrever partindo de minha experiência, daquilo que eu sabia e sentia. E isso foi a minha salvação." Deixou de ser um literato para ser um escritor, como ele disse. "Abandonei as ideias e os conceitos em prol da vitalidade" (Lage, 2009). Mas para abandonar as influências é preciso tê-las em primeira instância e serão as bases sólidas que sustentarão a liberdade conquistada, que não está lá a priori.

 

Os muitos sofrimentos

Quase todo escritor faz menção a uma qualidade de sofrimento inerente ao ofício. Recentemente o escritor americano Philip Roth com quase 80 anos anunciou sua aposentadoria, após 55 anos e 31 livros de ficção publicados, com a seguinte declaração: "Não tenho mais resistência física para suportar a frustração. Escrever é frustração diária e humilhação. Não consigo mais encarar dias em que jogo fora as cinco páginas que escrevi. Não posso mais". (Roth, 24 de novembro de 2012)

Iniciei este texto mencionando sobre a possível influência da publicação na inibição e sofrimento que envolve a escrita e Eunice abordou em sua apresentação as questões relacionadas às especificidades editoriais no que se refere aos seus bastidores, que vão desde a ética da publicação de casos clínicos até variáveis como indexação de uma revista e formatações que sejam adequadas à publicação, e, mais detidamente, dos "fantasmas" que envolvem o ato de publicar. Utiliza-se do artigo de Ronald Britton (2003), "Ansiedade de publicação", no qual o autor discorre sobre os motivos inconscientes que estariam subjacentes às dificuldades de se publicar que de alguma maneira invadem a capacidade de produzir um texto. Ele considera que existem casos mais específicos de dificuldades na escrita em si, mas que muitas delas seriam mais relacionadas à publicação. Uma das primeiras angústias relacionadas à escrita e publicação psicanalítica seria decorrente do sentimento de traição em relação à experiência de intimidade vivida com nossos pacientes. Tornar público o privado não é um processo simples, mesmo quando todos os cuidados éticos foram atendidos. É algo da ordem das vivências edípicas, afirma Britton.

Penso que além do sentimento de traição e exposição da privacidade analista-analisando há também um temor do empobrecimento de uma experiência significativa vivida entre a dupla, não apenas pela dificuldade de se transmitir essas vivências, mas pela eventual banalização à qual ficam sujeitos esses relatos que na origem tiveram grande importância para a dupla analítica.

Com o advento da internet, as revistas não estão mais restritas a poucos que tinham a oportunidade de tê-las em mãos, mas percorre o mundo levando nossos escritos para lugares que nem poderíamos supor, considera Eunice (2011). A velocidade e amplitude com a qual o universo intimista de nossas salas de análise é exposto, ressignifica a dimensão do que escrevemos, e, além do caráter ético ao qual sempre estamos atentos e cuidadosos, penso que somos acometidos de uma potencialização das angústias já existentes, frente ao desnudamento ao qual nos submetemos quando da escrita psicanalítica clínica.

Revelar o universo intimista de uma sala de análise não é a única face da publicação, mas também expor-se a si mesmo. Paulo Sandler (2012, p. 486) em seu artigo no livro Dimensões diz que: "dificilmente um autor em psicanálise publica algo que não revele alguma coisa a respeito de sua própria personalidade". A angústia é derivada tanto da rejeição das ideias pelo público em geral, quanto do medo da perda da afiliação dentre os colegas e a possibilidade de exílio que essa perda impõe. Em função disso muitos abstêm-se de escrever ou produzem textos complacentes e consequentemente pobres. (Britton, 2003).

A publicação, portanto, pode ser um dos grandes fatores que intimidam a escrita analítica, porém há que se considerar que os sofrimentos e inibições são inconscientes e peculiares a cada autor. Além disso, cada texto tem sua própria identidade e com isso adquire nuances de sofrimento que lhe são próprios. É necessária uma refinada observação de cada circunstância na qual escrevemos e qual o texto, para podermos nos aproximar do que nos incomoda e com isso minimizar as dificuldades.

 

Por que e para que escrever?

Essa é uma daquelas perguntas retóricas que a gente se faz (e à vezes publica), quando tentamos achar sentidos e respostas do que quase nunca se explica. Paulo Sandler coloca que não há como respondermos a essa questão sem que seja num contexto analítico, pelo caráter inconsciente que ela contempla:

não parece ser útil tentar responder à frequente pergunta "Por que publicar?". Abrangeria a personalidade de cada indivíduo, parcial e transitoriamente alcançável por meio de uma psicanálise pessoal. Consequentemente, meras aproximações a tal pergunta são impublicáveis. Não se trata de autocensura, nem sequer, ainda, de consideração à ética sobre as quais logo discorreremos; trata-se de impossibilidade real. (Sandler, 2012, p. 486)

Elias afirmou que "escrever é a única forma de submetermos aos outros o que somos como analistas e de tornarmos a teoria psicanalítica uma construção coletiva e patrimônio comum de todos os analistas passível de ser pensada criticamente" (Barros, 2011); enquanto Bernardo se pergunta: "O que buscamos quando escrevemos? Transmitir conhecimento, compartilhar experiências, sair da solidão e ir ao encontro do outro, reconhecimento dos pares, busca da imortalidade?" (Tanis, 2011).

Embora o presente texto, os eventos e boa parte dos trabalhos aqui citados façam, de certa maneira, apologia à escrita e publicação, gostaria de reconsiderar essa questão me valendo da colocação de Paulo Sandler, autor de uma infinidade de publicações de várias naturezas:

não é necessário ser analista escritor para poder ser analista de divã. Isso introduz uma questão importante em formação psicanalítica: os critérios institucionalmente vigentes exigem que o aprendiz escreva algo a respeito de seu trabalho clínico e teórico. Consequentemente, a única publica-ação realmente necessária para um psicanalista restringe-se ao ambiente psicanalítico propriamente dito: o consultório de psicanálise. (Sandler, 2012, p. 497)

O prazer de escrever e a vitalidade de um texto decorre da veracidade que ele adquire para seu autor como consequência de um processo de elaboração. Escritos que visem atender demandas externas ou unicamente às vaidades do autor em busca de notoriedade, tornam-se desvitalizados e incapazes de envolver o leitor de maneira significativa.

Gostaria, portanto, que todo esse movimento de escrita pudesse estar a serviço daqueles que gostariam de escrever, mas se sentem impedidos internamente, porém não se torne uma imposição que marginalize os que não estejam motivados nessa direção.

O universo da escrita quando se descortina para alguém, mesmo sem respostas aos porquês, deve tornar-se vital:

para ser feliz, preciso da minha dose diária de literatura. E nisso não sou diferente do doente que precisa tomar uma colher de remédio por dia .... Para aqueles que padecem do meu mal, a melhor de todas as curas, a maior fonte de felicidade é escrever uma boa meia página por dia. (Pamuk, 2007, pp. 19-20)

 

O final de um texto

Um texto nunca está pronto, apenas o interrompemos.

Muitas vezes esse é uma das grandes dificuldades de se concluir um trabalho e publicá-lo, porque ficamos na expectativa de que ele estará suficientemente completo. É necessário tolerar sua incompletude e o fato de que ele estará suscetível a críticas e ideias complementares que outros poderão ter a partir do que escrevemos. Paradoxalmente essa é a vida de um texto, quando ele pode ser aberto o suficiente para outros que queiram dialogar com ele, contestá-lo até.

Mas concluí-lo é também sairmos do estado de escrita e fertilidade ao qual ficamos submetidos durante sua construção e isso nos provoca um grande vazio e luto. É como o final de uma gestação: temos uma dor pelo nascimento do bebê que não mais nos pertence. Mas a sensação de esvaziamento deste momento logo será substituída pelos desdobramentos que um texto vivo pode provocar. É nessa perspectiva que encerro aqui estas páginas.

 

Referências

Barros, E. M. da R. (2011). Da arte de escrever à coragem de publicar. Apresentação realizada em 14/9/2011. Gravação em CD e DVD.

Britton, R. (2003). Ansiedade de publicação. In Crença e imaginação. (pp. 273-290). Rio de Janeiro: Imago.

Comparato, M. C. M., Monteiro, D. S. F. (Org.) (2001). A criança na contemporaneidade e a psicanálise - Vol. I Família e sociedade: diálogos interdisciplinares; A criança na contemporaneidade e a psicanálise - Vol II. Mentes e mídia: diálogos interdisciplinares. São Paulo: Casa do Psicólogo

Feliciano, D. S. e Souza, A. S. L. (2007). Método Canguru como resgate do vínculo da mãe com o bebê prematuro. In A. S. Gueller & M. C. V. Dittimar (Orgs.) Psicanálise com crianças na contemporaneidade: extensões da clínica, (pp. 71-104). Goiânia: Dimensão.

Feliciano, D. S. (2009). Para além do seio: uma proposta de intervenção psicanalítica pais-bebê, a partir da escuta de sentidos ocultos nas dificuldades de amamentação, como auxiliar no desenvolvimento. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Feliciano, D. S. e Souza, A. S. L. (2011). Para além do seio: uma proposta de intervenção psicanalítica pais-bebê a partir de dificuldades na amamentação. Jornal de Psicanálise, 44(81),145-161.

Lage, C. (2009) As pessoas, os escritores. In Atrás da estante - Rascunho: o jornal de literatura do Brasil - Gazeta do Povo, Curitiba, março. (http://rascunho.gazetadopovo.com.br/as-pessoasos-escritores)

Lispector, C. (1999a). Como é que se escreve?. In C. Lispector, A descoberta do mundo. (pp. 156-157). Rio de Janeiro: Rocco.

Lispector, C. (1999b). Escrever. In C. Lispector, A descoberta do mundo. (pp. 134-135). Rio de Janeiro: Rocco.

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Ogden, T. H. (2010). Sobre a escrita psicanalítica. In T. H. Ogden, Esta arte da psicanálise. (pp. 139-154). Porto Alegre: Artmed.

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Rilke, R. M. (2001). Cartas a um jovem poeta. In R. M. Rilke, Cartas a um jovem poeta. A canção de amor e morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. (pp. 19-78). São Paulo: Editora Globo. (Trabalho original publicado em 1953).

Roth, P. (2012, 24 de novembro). Philip Roth conta como é "estar livre". Folha de São Paulo, (p. E6).

Sandler, P. C. (2012). Publicações, psicanálise e o movimento psicanalítico. In Dimensões. (pp. 485-500). São Paulo: SBPSP.

Tanis, B. (2011). Da arte de escrever à coragem de publicar. Apresentação realizada em 28/10/2011. Gravação em CD e DVD.

Tanis, B. (2012). Notas sobre a escrita psicanalítica: uma homenagem aos autores, ex-editores e colaboradores da Revista Brasileira de Psicanálise.

 

 

Recebido em 4/11/2012
Aceito em 12/12/2012

 

 

Denise de Sousa Feliciano. Rua Joaquim Antunes, 490 cj.54 | Pinheiros 05415-001 São Paulo, SP. denisefeliciano@uol.com.br
1 Inspirado no evento homônimo realizado no segundo semestre de 2011 pela equipe das Reuniões das Quartas-Feiras composta por: Denise Aizemberg Steinwurz, Joana Martins Tarraf, Maria do Carmo Groke, Greice Priscilla Kökény de Oliveira e Miriam Altman.
2 Elias Mallet da Rocha Barros, Bernardo Tanis e Eunice Nishikawa.
3 Disponíveis em CD e DVD na biblioteca da sbpsp. As falas atribuídas no artigo aos autores convidados foram transcritas diretamente deste material.
4 Parafraseando Eunice Nishikawa.