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Aletheia

versão impressa ISSN 1413-0394

Aletheia  n.23 Canoas jun. 2006

 

ARTIGOS DE PESQUISA

 

Representação social da psicologia em um bairro periférico de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul

 

Social representation of psychology in a suburban area of a town in the north of Rio Grande do Sul

 

 

Claudia Mara Bosetto Cenci1

Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Esta pesquisa investigou a representação social do psicólogo/psicologia para as pessoas de um bairro de baixa renda localizado numa cidade da região norte do Rio Grande do Sul. Foram realizadas vinte e três entrevistas semi-estruturadas em visitas domiciliares às famílias do bairro. Os resultados indicaram que a maioria dos participantes da pesquisa não possui representação do que seja um psicólogo. Os psicólogos (Psicologia) são entendidos como algo distante destes moradores e, por esta razão, difícil de ser representado. As falas referem uma representação social ligada a “alguma coisa mental”, ao profissional que desenvolve um trabalho mais ligado a crianças em idade escolar com problemas adaptativos ou a adultos com problemas.

Palavras-chave: Representação social, Psicologia, Populações de baixa renda.


ABSTRACT

This research investigated the social representation of both psychologists and psychology held by people living in a low income suburban area in the northern region of Rio Grande do Sul. For that purpose, twenty-three semi-structured interviews were carried out during home visits to families who live in the suburbs. The results have shown that most participants do not hold representation of what a psychologist is. Psychologists and psychology are regarded as being very distant from that population and, for that reason, hard to be represented. The reports refer to social representation as related to “something mental” when referring to the professional who carries out work involving school children with adaptation problems or adults with problems.

Keywords: Social representation, Psychology, Low income population.


 

 

Introdução

Nas últimas décadas, evidencia-se um aumento no número de cursos de graduação em Psicologia no Brasil e uma exigência de especialização dos profissionais após o término da graduação. Sabe-se que tradicionalmente a atuação do psicólogo está voltada ou para a clínica particular ou para o trabalho fora dela, mas, neste último caso, geralmente o profissional segue orientado por uma perspectiva individual, como ocorre na primeira situação. Entretanto, os psicólogos deparam-se atualmente com a necessidade de buscar novas formas de atuação profissional, as quais envolvem diferentes clientelas, bem como diferentes realidades sociais. Esse contexto exige deles um conhecimento desta nova realidade para possibilitar uma ação profissional que prime pela responsabilidade.

Na perspectiva de conhecer o que a população-alvo deste estudo pensa do psicólogo/psicologia buscou-se investigar a representação social deste profissional. Cabe destacar que a representação social não é construída num vácuo social. Na verdade ela vai sendo compartilhada, socializada e representada no cotidiano das pessoas. Isso ocorre através das falas que elas escutam dos demais integrantes da comunidade, do que lêem, ouvem ou vêem nos meios de comunicação e das experiências vivenciadas no transcorrer da sua história de vida e de seu trabalho. Neste sentido, pode-se pensar que nos diferentes contextos sócio-econômico-culturais coexistem distintas representações sociais com características próprias do psicólogo/psicologia.

Este artigo propõe-se a fazer uma reflexão acerca da representação social que as pessoas de um bairro de baixa renda possuem da psicologia e do fazer do psicólogo. O material empírico foi levantado a partir do referencial teórico-metodológico da Teoria das Representações Sociais através de visitas domiciliares e entrevistas semi-estruturadas. As reflexões presentes neste trabalho foram construídas a partir de uma tríade que envolve: autores que escrevem sobre a temática da Psicologia, a ótica das pessoas entrevistadas e a análise interpretativa da pesquisadora. Também se buscou ter presente na realização da pesquisa a resolução do Conselho Federal de Psicologia Nº 016/2000 que dispõe sobre a realização de pesquisa em Psicologia com seres humanos.

A psicologia e sua representação social

A profissão de psicólogo é recente no Brasil se for considerado que sua regulamentação data de 1962. Inicialmente o modelo de atuação foi influenciado por tendências dominantes na Europa e nos Estados Unidos. A forma de atuação prioritária que orientou tanto a legislação profissional quanto a formação dada nos cursos universitários privilegiava a clínica através do consultório individual. Nesta perspectiva, como observa Vasconcelos (1985), o atendimento ocorria de maneira essencialmente individual e curativa, ou seja, quando o quadro doentio já estava instalado.

Um dado sobre está questão foi constatado numa pesquisa encomendada em 2003 pelo Conselho Federal de Psicologia ao Instituto de Pesquisa de Opinião e Mercado (WHO) objetivando conhecer “quem é o psicólogo brasileiro”. Os resultados revelam que “a Psicologia Clínica continua sendo a principal área de atuação da maioria dos profissionais: 54.9% dos casos” (p.08).

A prática exercida tradicionalmente pelos psicólogos, segundo Moura (2003), é voltada para uma perspectiva de “análise e de interpretação no âmbito do estritamente individual” (p.02). Esta postura profissional busca explicações intrapsíquicas “para as mais diferentes facetas da existência humana, diagnosticando-as ‘adaptadas’ ou ‘desadaptadas’, segundo o modelo estabelecido como ‘padrão normal’ (p.02). Esta perspectiva favorece a legitimação das desigualdades sociais e mostra que “a prática profissional do psicólogo consagrou-se como uma importante ferramenta de adequação e ajustamento do homem ao contexto, conferindo-lhe um estatuto de neutralidade e estabilidade” (p.02).

Para se fazer uma análise crítica do papel do psicólogo, segundo Martin-Baró (1997), deve-se voltar às raízes históricas da própria psicologia. Somente deste modo seria possível reverter o movimento que levou a limitar a análise psicológica à conduta, ou seja, ao comportamento enquanto observável. Deve-se ainda dirigir um novo olhar à “caixa preta” da consciência humana: “a consciência não é simplesmente o âmbito privado do saber e sentir subjetivo dos indivíduos, mas, sobretudo, aquele âmbito onde cada pessoa encontra o impacto refletido de seu ser e de seu fazer na sociedade (...)” (Martin-Baró, 1997, p.10).

Sobre o papel do psicólogo e a importância do processo de inserção do mesmo nas diferentes comunidades, Freitas (1998) aponta para a necessidade de ter-se presente as seguintes questões: a) possibilitar que as necessidades da população indiquem caminhos para a prática do psicólogo em comunidade; b) aceitar que o trabalho implique construção conjunta de canais e alternativas para que a população assuma seu cotidiano, fomentando relações mais solidárias e éticas com o desenvolvimento de uma consciência crítica; c) considerar que apesar das incertezas e das delimitações que ocorrem no processo de inserção é o psicólogo que tem o domínio específico para sua ação e que deve entender e trabalhar com processos psicossociais. A autora salienta que essa possibilidade de inserção (re)coloca a população como produtora de sua história e não a deixa desamparada por natureza ou como um espécime exótico digno de estudos. Isso implica, segundo Freitas (1998), descobrir que a população é diferente dos padrões e das previsões tradicionalmente científicas, e talvez possibilite identificar que ela é mais lutadora e sobrevivente do que tem sido considera pelos centros de investigação.

No intuito de entender como ocorre o processo de inserção do profissional psicólogo na comunidade em que ele trabalha cabe ressaltar ainda a pesquisa realizada por Souza e Trindade (1990) na cidade de Vitória – ES. Esta pesquisa objetivou identificar a representação social do psicólogo e de suas atividades profissionais em dois segmentos sociais distintos (classe baixa e classe média). Os resultados desta pesquisa indicaram que o modelo clínico de atuação profissional serve como elemento básico na produção de representações dos dois segmentos investigados e evidenciaram que a maioria dos participantes de classe baixa (73,3%) não possuía qualquer representação do que fosse um psicólogo. Por outro lado, todos os participantes da classe média demonstraram possuir algum tipo de informação sobre o profissional da psicologia.

Ainda, segundo Souza e Trindade (1990), apenas dois participantes da classe baixa relataram conhecer pessoalmente um psicólogo e referiram que este desenvolvia trabalho em instituições. Já na classe média, 50% dos participantes relataram conhecer pessoalmente um psicólogo e referiram que os psicólogos desenvolviam trabalho clínico. A classe média recebe informações sobre o psicólogo através de amigos e familiares, estudos, leituras, contatos com profissionais, filmes e televisão. Já na classe baixa a informação é recebida através de amigos e familiares, por experiências de vida e contato com outros profissionais. Na classe baixa, as atividades profissionais que representam com maior freqüência o fazer do psicólogo são as atividades médicas e, na classe média, as atividades de ajuda terapêutica na resolução de problemas. A maior parte dos participantes de classe média apontou que o psicólogo serve para aconselhar e orientar e, na classe baixa, a resposta apontada com maior freqüência foi que seu papel é ajudar a resolver traumas e neuroses (Souza & Trindade, 1990).

Na pesquisa realizada por Sarriera e Ribeiro (1997), o psicólogo é percebido como um solucionador de problemas individuais, tanto de ordem interna (psíquica) quanto externa (relações). Ele é procurado pelas pessoas entrevistadas para que “ajude, auxilie, oriente, analise, aconselhe, interprete” (p. 69). O trabalho deste profissional é descrito como aquele que ajuda as pessoas e orienta o comportamento humano. Ainda, segundo os mesmos autores, o psicólogo é considerado um profissional muito importante, necessário e indispensável no âmbito da saúde. Na questão referente à experiência dos entrevistados com relação ao psicólogo as respostas foram bastante distintas por ser se tratar de algo subjetivo e singular, ou seja, existe um contraste entre pessoas que referem não ter nenhuma experiência e aquelas que tiveram as mais diversas experiências com psicólogos. Neste universo de respostas as experiências são tanto negativas quanto positivas.

Também Weber (1991), no intuito de identificar a imagem do psicólogo e da psicologia com pessoas provenientes de diversos níveis culturais e sócio-econômicos da cidade de Curitiba, constatou que os entrevistados possuem um conhecimento maior sobre a atuação do psicólogo na área clínica. A maioria dos entrevistados indicou a psicologia como o estudo da mente, referindo o psicólogo como um solucionador de problemas em geral e não necessariamente como alguém que trata problemas de loucura. Já na pesquisa realizada por More, Leiva & Tagliari (2001) sobre a representação social do psicólogo e de sua prática as autoras constataram que a representação social do psicólogo é a de um profissional que lida com problemas emocionais, que ajuda, orienta e conversa, estando sua prática associada a uma variedade de dificuldades, desconhecendo-se propostas de tratamento psicológico.

As contribuições da teoria das representações sociais

Tomando como referência essas pesquisas já realizadas, o presente estudo buscou realizar uma investigação de cunho qualitativo a qual, como observa Chizzotti (1998), se fundamenta em uma estratégia baseada em dados coletados em interações sociais ou interpessoais, analisadas a partir dos significados que o sujeito e/ou pesquisador atribuem ao fato. Optou-se então pela Teoria das Representações Sociais por entender que esta dá suporte para a investigação do objeto proposto.

O referencial teórico das representações sociais tem como precursor Serge Moscovici. Contudo, no transcorrer da construção e desenvolvimento desta teoria destacam-se as contribuições de outros autores tais como Pedrinho Guareschi, Sandra Jovchelovitch, Mary J. Spink, e Denise Jodelet.

Segundo Jovchelovitch (1998), a Teoria das Representações Sociais (TRS) nasceu no final da década de 1950 na França em um estudo conduzido por Serge Moscovici sobre “a forma como a psicanálise é apropriada e ressignificada à medida que ela passa de um grupo social a outro, e vai penetrando mundos vividos, horizontes, projetos, identidades e significados diferentes” (p.55). A autora refere que as fontes que orientaram Moscovici na construção da TRS foram as seguintes: a) Durkheim, na sociologia, e Lévy-Bhrul na antropologia: b) Freud, na psicanálise e c) Piaget (e Vigotsky) na psicologia do desenvolvimento das estruturas cognitivas.

Para Jovchelovitch (1998) a Teoria das Representações Sociais é “uma teoria sobre a produção dos saberes sociais. Ela se centra sobre a análise da construção e transformação do conhecimento social, e tenta elucidar como o saber e o pensar se interligam na trama do tecido social” (p. 55). Estudar representações sociais significa, segundo a mesma autora, tratar da “forma como um grupo humano constrói um grupo de saberes; (...) o conjunto de códigos culturais que definem em cada momento histórico o modo de vida de uma comunidade” (p.62). Já Wagner (1994) acrescenta que o conceito de representação social é multifacetado, pois por um lado é concebido como “um processo social que envolve comunicação e discurso, ao longo do qual significados e objetos sociais são construídos e elaborados” (p.149). Por outro lado, porém, as representações sociais são “operacionalizadas como atributos individuais – como estruturas individuais de conhecimento, símbolos e afetos distribuídos entre as pessoas em grupos ou sociedades” (p.149).

Guareschi (2000) refere que as representações sociais “existem, mas não se deixam ver. Elas possuem determinada concretude, mas não podem ser delimitadas, medidas, desenhadas. Elas aparecem sem ser vistas; influenciam, sem que identifiquemos claramente” (p.250). Isso evidencia, segundo o autor, a complexidade na tentativa de compreendê-la. Esta teoria, segundo Guareschi (1994), tenta superar as diversas dicotomias que se formaram no transcorrer da história da psicologia social. Ela traz novas possibilidades de compreensão a respeito do sujeito individual e sua sociedade. Para o mesmo autor, esta teoria em oposição a uma epistemologia do objeto ‘puro’, “centra seu olhar sobre a relação entre os dois. Ao fazer isso ela recupera um sujeito que, através de sua atividade e relação com o objeto-mundo, constrói tanto o mundo como a si próprio” (p.19). Além disso, ela “estabelece uma síntese teórica de fenômenos que, em nível de realidade, estão profundamente ligados. As dimensões cognitiva, afetiva e social estão presentes na própria noção de representação” (p.20).

As representações sociais, segundo Moscovici (2003), devem ser vistas “como uma maneira específica de compreender e comunicar o que já sabemos. (...) tem como objetivo abstrair sentido do mundo e introduzir nele ordem e percepções que reproduzam o mundo de forma significativa” (p.46). Moscovici (1978) refere ainda que “a finalidade de todas as representações é tornar familiar algo não familiar, ou a própria não familiaridade” (p.27). A dinâmica das relações é uma dinâmica de familiarização em que os acontecimentos, pessoas e objetos são percebidos em vista de paradigmas prévios, o que significa que o pensamento social deve-se mais às convenções e à memória do que à razão; deve-se mais às estruturas tradicionais do que às estruturas intelectuais. O não-familiar é entendido pelo autor como a presença real de algo ausente, ou seja, a exatidão relativa de um objeto é o que caracteriza a não-familiaridade. Essa “exatidão relativa” incomoda e ameaça; é algo que, ao mesmo tempo em que fascina, atemoriza. Frente ao não-familiar, nós instintivamente rejeitamos o desconhecido, já que este ameaça a ordem estabelecida. Então, um meio de transferir o que nos perturba é o ato de reapresentação, o qual passa de geração em geração. Com esse movimento, tornamos o longínquo próximo, pois o desconhecido pode ser incluído numa categoria conhecida, ou seja, mais familiar. Moscovici (1978) distingue dois processos que executam a tarefa de tornar familiar o não-familiar, os quais são geradores de representações sociais: o processo de ancoragem e o processo de objetivação. O processo de ancoragem é a transformação de algo desconhecido, que nos intriga, em algo que se compara com um modelo de uma categoria já existente, a qual acreditamos ser adequada em nosso espaço social. Ancorar é classificar e dar nome a alguma coisa. A partir do momento em que conseguimos classificar algo desconhecido em uma categoria, somos capazes de imaginá-lo, de representá-lo. O processo de objetificação visa transformar algo abstrato em algo concreto. Ele “junta a idéia de não familiaridade com a de realidade, torna-se a verdadeira essência da realidade” (Moscovici, 1978, p.40). Com a objetivação, dá-se a domesticação do não-familiar tranformando-o em familiar, o que significa que o que é incomum e imperceptível para uma geração, torna-se familiar e óbvio para a seguinte. Isso significa que a objetificação quer desvendar a qualidade exata de uma idéia, reproduzir um conceito em uma imagem, comparar e já representar. Quando se fala, por exemplo, que Deus é pai, o que antes era abstrato, invisível, torna-se visível em nossas mentes, logo, compreensível. Dessa forma, a imagem deixa de ser signo e torna-se uma cópia da realidade, podendo ser apreendida e compreendida.

 

Método

Participantes

Na presente pesquisa, foram entrevistadas vinte e três famílias moradoras de um bairro de classe baixa de uma cidade do norte do Rio Grande do Sul. O bairro possui setenta e duas casas e foi escolhido para a realização da pesquisa por já ter organização comunitária em termos de associação de moradores e estar localizada próxima a várias instituições, tais como creche, escola e posto de saúde. As famílias entrevistadas residem no bairro há 10 anos em média. As pessoas que participaram da realização das entrevistas foram em sua maioria mulheres e a idade média delas foi de 45 anos. As entrevistas foram realizadas com quem estava em casa no momento da visita domiciliar.

Instrumentos e procedimentos

Para a coleta dos dados foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas realizadas na ocasião das visitas domiciliares com as seguintes questões abertas: a) Dados de identificação dos moradores; b) O que você entende/pensa do psicólogo/psicologia?; c) Você já teve algum contato com o trabalho do psicólogo? Como foi esse contato? e) Você tem alguma idéia sobre a possibilidade de trabalho com a psicologia no seu bairro? As entrevistas foram realizadas após ser lido e assinado o consentimento livre e esclarecido pelos participantes. O pesquisador solicitava que os moradores falassem livremente sobre a questão proposta objetivando investigar as representações sociais destes em relação ao tema proposto. As entrevistas foram gravadas em fita cassete, transcritas na íntegra e, posteriormente, analisadas a partir da orientação metodológica usada na teoria das representações sociais. Os dados obtidos foram organizados da seguinte forma: Num primeiro momento foi realizada a transcrição das entrevistas na íntegra. Na seqüência foi feita a leitura flutuante das entrevistas, intercalando a escuta e a leitura do mesmo. A seguir, buscou-se verificar a natureza das categorias emergentes assim como sua freqüência nas respostas. Cabe explicitar que como as entrevistas eram semidirigidas elas possibilitaram que os participantes falassem de sua representação do Psicólogo/Psicologia livremente. Este caráter investigativo contempla diferentes colocações e representações dos participantes com relação à Psicologia e, neste sentido, os resultados não foram organizados em termos de porcentagem, mas de respostas referidas pelos participantes. Com o intuito de respeitar as respostas dos participantes as categorias apresentadas a seguir foram construídas a partir do agrupamento das respostas semelhantes verbalizadas pelos participantes nas questões norteadoras propostas e organizadas em categorias que serão expostas de maneira representativa com excertos das falas dos entrevistados.

 

Resultados

Os resultados serão apresentados partindo da vivência e da construção realizada pelos entrevistados, ou seja, trata-se da forma como os mesmos refletiram, argumentaram e apresentaram a sua representação acerca do Psicólogo/Psicologia procurando preservar a singularidade argumentativa de cada sujeito. Com este intuito o conteúdo das falas foi agrupado tendo como base as questões norteadoras da pesquisa e serão apresentadas com excertos representativos na integra. Constatou-se que as respostas dos participantes relacionaram-se aos seguintes aspectos:

a) Total desconhecimento dessa categoria profissional. Alguns entrevistados referiram nunca terem ouvido falar em psicólogo. Isso fica claro nos seguintes excertos: “Não”; “Nem sei quem é”; “O que é isso, um psi...? (...) Qual é o trabalho?”;

b) Desconhecimento de qualquer profissional da psicologia por não terem tido contato direto, seja no âmbito privado ou público, com o mesmo. Isso fica claro nas seguintes falas dos participantes: “Não, a gente vê, assim, na televisão”; “(...) Eu penso que é assim, por aqui até a gente nunca foi no psicólogo, mas eu acho que é legal. Ao menos na TV as reportagens que tu escuta é assim”;

c) Algum conhecimento sobre psicólogo/psicologia. Um grupo de participantes da pesquisa expressa seu conhecimento relacionado a algo mental, problemas no cérebro e ao modelo médico. Segundo eles: “Acho que é mais (...) alguma coisa mental”; “É pras pessoas que tem problema no cérebro, eu acho. (...) tem muitos que tem alguma coisa no cérebro que vão fazer tratamento com esses médicos”; “Sim, eu conheço uma do posto”; “Sim, ali do centro, (...)”;

d) Ausência de contato com psicólogo: “Não, nunca”; “Eu nunca fui, né (...)”; “Olha, por enquanto não”;

e) Busca do trabalho do psicólogo em uma instituição uma ou mais vezes. Eles referem que situação isso ocorreu: “Psicóloga? Só quando eu estava grávida (...) Fui lá em cima (no Posto)”; “Levei meu netinho quantas vezes”; “De vez em quando, aqui no colégio, aparece uma psicóloga para dar palestras sobre os filhos”; “É, acho interessante, porque muitas coisas a gente não sabe e aí ele explica para a gente”;

f) Ausência de qualquer idéia do que seja o trabalho do psicólogo: “(...) faz o que isso? Qual é o trabalho?”;

g) Noção vaga do que seja o trabalho do psicólogo: os participantes da pesquisa expressam-se da seguinte forma: “eu conheço o trabalho do psicólogo, admiro muito o trabalho, é um trabalho muito bom e a gente (...) aqui precisaria no posto uma psicóloga, seria importante”; “(...) é assim: quando tu precisa de ajuda, conversa com ele (psicólogo). Às vezes alguma coisa que tu não quer comentar em casa, você se abre com o psicólogo”; “(...) eu nunca fui, mas eu acho que a pessoa vai conversar, tentar explicar, é o que eu penso, é que eu sou meio analfabeta (...)”; “Ela (psicóloga) trabalha com uma turma de crianças, as crianças atrasadas, criança nervosa. Ela conversa, dá umas figurinhas, bota fita. (...) Ela faz bem pras crianças, ela distrai, brinca, faz perguntas”;

h) Noções dos entrevistados sobre as possibilidades de trabalho do psicólogo no bairro: “Não tenho nem idéia, nem sei”. “É importante, é bom ter uma pessoa assim pra entender, conversar com as pessoas”. “Aqui nos teríamos bastante pessoas que precisariam de ter uma pessoa assim, que orientasse a pessoa, conversasse”; “Pra mim não faz falta, mas de repente tem alguém mais importante que precisa”.

 

Discussão

No transcorrer das entrevistas, os participantes foram expressando-se sobre seu conhecimento ou desconhecimento com relação à Psicologia. Alguns participantes não possuem nenhum conhecimento do que é Psicologia. Eles referem nunca ter ouvido falar sobre ela. Outros, por sua vez, conhecem e já tiveram contato e ainda tem aqueles que referiram possuir uma idéia ou um vago conhecimento sobre o psicólogo ou sobre os fazeres dos profissionais desta área do conhecimento. Tendo isso presente, pode-se pensar em duas categorias centrais de análise, que estão expostas na seqüência do texto, são elas: Psicologia: o que é isso? e Trabalho de psicólogo. Serão apresentados, a seguir, o conteúdo das falas dos participantes para enriquecer e ilustrar a discussão, juntamente com a interpretação dos postulados teóricos.

A pesquisa objetivou conhecer qual a representação social do Psicólogo/Psicologia para um bairro urbano de classe baixa. Contudo, apareceram falas que revelam um desconhecimento sobre este profissional. Isso fica evidente na verbalização de um participante da pesquisa quando questiona a pesquisadora da seguinte forma: “Não”; “Nem sei quem é”; “O que é isso, um psi...? (...) Qual é o trabalho?” Este questionamento feito pelo morador do bairro é um questionamento que há muito tem sido alvo de debates não só na esfera do senso comum, mas também no âmbito acadêmico. Muitos professores universitários preocupam-se com a formação dos acadêmicos, ou seja, com os futuros profissionais que irão trabalhar nas mais variadas especialidades regulamentadas pelo Conselho Federal de Psicologia. Esta preocupação fundamenta-se no conhecimento de que as classes baixas possuem uma via de acesso precária ao trabalho destes profissionais, pois ainda hoje o foco de trabalho está centrado no atendimento clínico individualizado, que atinge somente as camadas economicamente mais privilegiadas da sociedade, as quais possuem recursos para pagar pelos serviços prestados.

A precariedade do conhecimento sobre a atuação do psicólogo no bairro pesquisado reflete uma representação de estranhamento com relação a esta categoria profissional. Contudo, estas respostas fortalecem certos resultados obtidos também em outras pesquisas sobre o mesmo assunto, como a realizada por Souza e Trindade em 1990 na cidade de Vitória, que levou os pesquisadores à conclusão de que a maioria dos participantes de classe baixa, ou seja, 73,3% dos entrevistados não possuíam qualquer representação do que seja um psicólogo.

Na tentativa de explicar seu conhecimento sobre o que conhecem atividade do profissional da psicologia, os moradores entrevistados referem que ele trabalha com pessoas que possuem problema no cérebro ou alguma coisa mental. Isso fica claro nos excertos a seguir: “Acho que é mais (...) alguma coisa mental”; “É pras pessoas que tem problema no cérebro, eu acho. (...) tem muitos que tem alguma coisa no cérebro que vão fazer tratamento com esses médicos”. Nestas falas aparece a associação do psicólogo a “algo” não muito claro, ligado ao mental, ao cérebro e à atividade médica. Este dado de que as atividades do psicólogo são associadas às médicas também apareceu na pesquisa de Souza e Trindade (1990). O que faz com que os moradores possuam esta representação? Segundo os autores supracitados a “população investigada parece, através da representação, apenas reproduzir cotidianamente o conhecimento apropriado exatamente a partir das práticas implicadas, direta ou indiretamente, na relação profissional-clientela” (p.276). Já Sarriera e Ribeiro (1997) referem que o psicólogo ao trabalhar sob influência do modelo médico determina o tipo de representação social referente ao fazer da psicologia. Pode-se pensar também nos processos de ancoragem e objetificação que auxiliam na construção da representação social da psicologia, pois os moradores ancoram o desconhecido, o distante e não familiar, em algo que conhecem, ou seja, o trabalho do médico. Quando uma participante da pesquisa tenta formular um conceito sobre o que seja o trabalho do psicólogo que afirma conhecer fica vago e impreciso. Afirma ela: “eu conheço o trabalho do psicólogo, admiro muito o trabalho, é um trabalho muito bom e a gente (...) aqui precisaria no posto uma psicóloga, seria importante”. Ela tenta, mas pouco diz a sua fala, isso reflete os espaços que não são ocupados pelos psicólogos na comunidade de baixa renda. Como se posicionar frente a um serviço que nunca usufruiu?

Para Souza e Trindade (1990) o desconhecimento da classe baixa com relação à Psicologia é devido à impossibilidade de acesso aos serviços oferecidos pelos psicólogos, pois o modelo de atuação dos profissionais privilegia a psicoterapia em consultório particular e ela é cara considerando-se o poder aquisitivo da maioria da população de classe baixa. Outro aspecto importante a ser considerado refere-se à lenta democratização da psicologia, evidenciada pelo processo de inserção do psicólogo no setor público. Isso é válido também em relação ao “tipo de veiculação sobre a profissão feita pelos meios de comunicação aos quais esta população tem acesso. A utilização do jargão técnico impede uma compreensão adequada do profissional e de suas atividades” (Souza e Trindade, 1990, p.227).

A maioria dos moradores entrevistados na pesquisa referiu nunca ter tido contato com um psicólogo. Das vinte e três entrevistas realizadas, apenas três relataram ter tido contato com este profissional. Este contato ocorreu mediante encaminhamento da escola (professores) ou do médico. Não foi fruto de uma busca espontânea e consciente. E, foram atendidas pelos psicólogos ligados às instituições da comunidade nuclear ou extensa, tais como creche e posto de saúde. Contudo, mesmo as pessoas que tiveram contato com o trabalho do psicólogo referem não ter clareza sobre o que ele faz. Essa realidade fica clara nas seguintes falas: “Psicóloga? Só quando eu estava grávida (...) Fui lá em cima (no Posto)”; “Levei meu netinho quantas vezes”; “De vez em quando, aqui no colégio, aparece uma psicóloga para dar palestras sobre os filhos”; “É, acho interessante, porque muitas coisas a gente não sabe e aí ele explica para a gente”.

Os encaminhamentos feitos ao psicólogo são realizados de uma maneira isolada e muitas vezes os moradores vão falar com a psicóloga sem saber o motivo pelo qual estão indo. Só vão porque o médico encaminhou e como não há clareza nem no encaminhamento, nem no trabalho que poderá ser realizado, os moradores acabam, como referido por eles, indo, em geral, apenas uma única vez ao psicólogo. Observa-se também na fala dos entrevistados que a atuação do psicólogo encontra-se vinculada, como referiu Vasconcelos (1985) e Moura (2003), no atendimento, análise e interpretação individuais com ênfase no aspecto curativo.

Outra questão que deve ser considerada quando se analisa a fala dos entrevistados é, segundo Dimenstein (1998), a diferença nos universos representacionais dos profissionais da saúde (psicólogos) e dos usuários dos serviços oferecidos pela psicologia. Se estas diferenças não forem contempladas o discurso dos psicólogos fica “vazio de sentido para essa população, decorrendo daí a grande evasão dos tratamentos e a baixa eficácia das terapêuticas utilizadas” (p.13).

Os participantes referem algum conhecimento do que seria o trabalho deste profissional. Eles expressaram-se da seguinte maneira a esse respeito: “(...) é assim, quando tu precisa de ajuda, conversa com ele (psicólogo). Às vezes alguma coisa que tu não quer comentar em casa, você se abre com o psicólogo”; “(...) eu nunca fui, mas eu acho que a pessoa vai conversar, tentar explicar, é o que eu penso, é que eu sou meio analfabeta (...)”.

Eles falam de alguém distante, com quem não tiveram contato, que poderá orientá-los, ouvi-los, mas que nunca recorreram. Pode-se pensar que existe um vácuo na relação que se estabelece entre os profissionais psi e a população de baixa renda. Isso pode ocorrer em função de sua condição social que envolve privações econômicas e educacionais, entre outras, o que contribui para não buscarem informação ou mesmo o próprio serviço. Por outro lado, pode-se pensar na colocação de Bock (1999) quando refere que os profissionais da psicologia de maneira geral utilizam técnicas intelectualizadas e muito verbais criando dificuldade no trabalho realizado com a população de baixa renda. Segundo ela, o psicólogo precisa inovar a partir das características da população a ser atendida. Martin-Baró concorda com esta posição de Bock (1999) quando refere que o “trabalho profissional do psicólogo deve ser definido em função das circunstâncias concretas da população a que deve atender” (1997, p.01).

Um importante mediador para os profissionais de saúde iniciarem suas atividades profissionais nos bairros/comunidade de baixa renda são as instituições, tais como escolas, creches e postos de saúde existentes nos locais onde os trabalhos são desenvolvidos. Contudo, a instituição muitas vezes se caracteriza não como mediadora e como um dos locais de trabalho do psicólogo na comunidade, mas sim como o único lugar de trabalho desse profissional. Desta forma, só tem contato com psicólogo aquele morador que está caracterizado como doente ou problemático, numa perspectiva de trabalho centrada na patologia e a comunidade, de maneira geral, acaba não tendo nenhum trabalho de intervenção psicológica. O profissional que trabalha nos postos de saúde ou ambulatórios usualmente trabalha para a prefeitura sendo concursado ou contratado pela mesma para prestação de serviços. O trabalho nas prefeituras exige do psicólogo uma atuação profissional que dê conta das infinitas demandas tanto da população atendida como das exigências institucionais. Com o intuito de atender as atividades laborais ligadas a diferentes segmentos sociais, o psicólogo por vezes sente-se engolfado pela tarefa em si e não reflete sobre o tipo de ação que está realizando, nem sobre que representação social que está criando em torno do seu trabalho, o qual na maioria das vezes é orientado pela perspectiva do atendimento individual e patologizante.

Segundo as falas das pessoas entrevistadas, a referência ao trabalho do psicólogo está ligada ao atendimento de crianças, a questões penais e a drogadição. As seguintes falas ilustram tais representações: “Ela (psicóloga) trabalha com uma turma de crianças, as crianças atrasadas, criança nervosa. Ela conversa, dá umas figurinhas, bota fita. (...) Ela faz bem pras crianças, ela distrai, brinca, faz perguntas”. Quando os participantes foram questionados sobre as possibilidades de trabalho do psicólogo no bairro alguns referiram não ter idéia: “Não tenho nem idéia, nem sei”. Outros referiram o seguinte: “é importante, é bom ter uma pessoa assim pra entender, conversar com as pessoas”. Outras ainda referem que existem bastante pessoas no bairro que seriam contempladas com o serviço: “aqui nós teríamos bastante pessoas que precisariam ter uma pessoa assim, que orientasse a pessoa, conversasse”. Contudo, teve moradores que entenderam não haver necessidade para si: “Pra mim não faz falta, mas de repente tem alguém mais importante que precisa”.

A comunidade que participou da pesquisa possui um conhecimento restrito das atividades profissionais do psicólogo. Esta realidade pode ser pensada em função do contexto no qual esta população investigada pertence, pois se trata de um bairro de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul sendo que, neste universo contextual, o número de profissionais da área da psicologia ainda não é muito expressivo e dividem seu trabalho em instituições locais e/ou consultórios particulares.

 

Considerações finais

Evidencia-se na prática diária do profissional da psicologia uma diversidade no trabalho prestado à população de maneira geral. Isso fica claro pelo número de especialidades regulamentadas pelo CFP. Contudo, ainda existem pessoas, principalmente de baixa renda, que não têm acesso ao serviço oferecido pela psicologia e a meios de comunicação de massa que auxiliem na construção da representação deste profissional. Em conseqüência deste contexto sócio-econômico-cultural a população possui um conhecimento restrito e pouca clareza sobre o trabalho do psicólogo.

Outro dado que pode ser considerado a partir dos resultados desta pesquisa relaciona-se à realidade das comunidades que possuem psicólogos trabalhando nos postos de saúde, mas que exercem uma atividade profissional dentro de um modelo exclusivamente clínico tradicional, isto é, centrada em avaliações, atendimentos individuais e algumas visitas domiciliares realizadas com enfoque curativo, ou seja, objetiva investigar a realidade do indivíduo como patologia já diagnosticada. Esta forma de trabalho de muitos profissionais da área da psicologia vai alimentando a representação verbalizada pelos entrevistados nesta pesquisa e pode ser verificada através da documentação existente nas prefeituras, em registros realizados ao longo dos anos. Dentro desta perspectiva, foi criando-se uma representação do trabalho do psicólogo como aquele profissional que “dá jeito”, que “ajusta” as pessoas, ou seja, que faz o filho desobediente obedecer, os depressivos se aliviarem, o psicótico parar de delirar, etc.

Tendo presente a dinamicidade das relações sociais que cotidianamente vão construindo diferentes representações sociais sobre a psicologia e o fazer do psicólogo numa comunidade de baixa renda obteve-se dados que indicam que a maioria dos entrevistados não tem clareza do que seja um psicólogo. Neste universo representacional estes profissionais são representados com distanciamento. Os moradores que possuem esta representação adquiriram a mesma através de programas televisivos ou pelo contato direto e indireto com o psicólogo, em situações tais como: atendimento pessoal, atendimento de algum familiar ou amigo e palestra na escola. Contudo, constatou-se nas falas dos entrevistados que o contato pessoal com um profissional da psicologia não garante clareza na representação social deste profissional ou do trabalho que ele realiza. As falas referem uma representação social ligada a “alguma coisa mental”, ao profissional que trabalha com crianças problemáticas em idade escolar e com adultos com problemas. Este trabalho é pautado na conversa sigilosa, na orientação para pessoas que agem de “maneira errada”, ou seja, por referência àqueles que são presos, que usam diferentes tipos de drogas, etc. O psicólogo e a psicologia nesse contexto é uma profissão/trabalho que se encontra longe da maioria da população, representada aqui por esta comunidade de baixa renda.

 

Referências

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Endereço para correspondência
E-mail:claudiamarab@yahoo.com.br

Recebido em agosto de 2005
Aceito em novembro de 2005

 

 

Autor:1 Claudia Mara Bosetto Cenci – Mestre em Psicologia, Professora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).